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domingo, 5 de julho de 2026

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Bellacosa Mainframe deu no the new york times

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Quando o "Dinossauro" Virou Manchete Mundial

Uma análise histórica da reportagem do The New York Times que ajudou a popularizar mundialmente a ideia da morte do mainframe e como essa previsão se mostrou equivocada diante da evolução do IBM Z.

Por

A reportagem do The New York Times de 1989 sobre o futuro do Mainframe
A cobertura do The New York Times ampliou mundialmente o debate sobre o suposto fim do mainframe e marcou a história da computação corporativa.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Quando o "Dinossauro" Virou Manchete Mundial

"Uma previsão publicada em uma revista influencia especialistas. A mesma previsão publicada na primeira página de um grande jornal influencia o mundo inteiro."
— Bellacosa Mainframe


4 de abril de 1989

A história da computação mudou naquele dia.

Não porque surgiu uma nova tecnologia.

Não porque a IBM lançou um novo processador.

Nem porque apareceu um sistema operacional revolucionário.

Mudou porque um dos jornais mais respeitados do planeta resolveu contar uma história.

Essa história dizia, em essência, que o reinado dos grandes computadores estava chegando ao fim.

O veículo era o The New York Times.

Quando um jornal desse porte fala sobre política, economia ou tecnologia, milhões de pessoas prestam atenção.

E quando ele chama uma tecnologia de "dinossauro", essa imagem deixa de ser apenas uma metáfora técnica e passa a fazer parte do imaginário coletivo.

A reportagem descrevia os mainframes como uma tecnologia gigantesca, cara e cada vez mais ameaçada pela rápida evolução dos computadores pessoais, das workstations e das redes locais. A narrativa refletia o entusiasmo crescente em torno da computação distribuída, vista como o caminho natural para substituir os grandes sistemas centrais.


Bellacosa Mainframe afinal o mainframe nao morreu

A diferença entre uma revista e um jornal

Existe um detalhe importante que muitos esquecem.

A Forbes era lida principalmente por executivos e investidores.

A InfoWorld era voltada para profissionais de tecnologia.

Mas o New York Times era diferente.

Ele conversava com toda a sociedade.

Empresários.

Políticos.

Economistas.

Professores.

Estudantes.

Diretores financeiros.

Acionistas.

Ou seja...

Quando o New York Times dizia que uma tecnologia estava envelhecendo...

Essa ideia ultrapassava os limites do departamento de TI.

Ela chegava às salas de reunião.


O nascimento de uma narrativa

Pouco a pouco começou a surgir uma história aparentemente perfeita.

Os computadores pessoais estavam ficando mais rápidos.

As workstations da Sun eram impressionantes.

As redes Ethernet cresciam.

O UNIX ganhava espaço.

As empresas queriam reduzir custos.

Logo...

Os grandes computadores desapareceriam.

Perceba uma coisa interessante.

Cada uma dessas afirmações era verdadeira.

O erro estava apenas na última conclusão.

Na engenharia, uma sequência de fatos verdadeiros pode produzir uma conclusão completamente errada.


A computação estava realmente mudando

É importante sermos honestos.

Os jornalistas não inventaram aquela transformação.

Ela existia.

Os departamentos começaram a comprar servidores próprios.

Os usuários deixaram de depender exclusivamente do CPD.

Aplicações passaram a ser distribuídas.

Novos fabricantes surgiam todos os anos.

As empresas finalmente podiam comprar servidores relativamente baratos.

Tudo isso aconteceu.

O problema foi acreditar que descentralizar parte do processamento significava eliminar completamente o processamento central.

Hoje sabemos que uma coisa não implica necessariamente a outra.


O CPD parecia um castelo medieval

Existe também um aspecto cultural.

Para um jovem engenheiro de 1989, entrar em um Centro de Processamento de Dados era quase uma experiência cinematográfica.

Portas pesadas.

Controle de acesso.

Piso elevado.

Ar-condicionado constante.

Operadores.

Grandes unidades de disco.

Robôs de fitas.

Luzes piscando.

Consoles.

Tudo parecia gigantesco.

Enquanto isso...

No escritório ao lado...

Um PC colorido executava planilhas em poucos segundos.

Era impossível não pensar:

"O futuro está aqui."

O curioso é que ambos estavam certos.

O PC representava o futuro da computação pessoal.

O mainframe continuava representando o futuro da computação transacional.

Esses futuros apenas eram diferentes.


O erro da fotografia

Imagine que alguém fotografe uma cidade.

Na imagem aparecem centenas de carros elétricos.

A partir dessa foto ele conclui:

"Os caminhões desapareceram."

Parece absurdo.

Mas foi exatamente esse tipo de raciocínio que contaminou muitas análises da época.

Os jornalistas observavam o crescimento dos PCs.

O crescimento era real.

Depois concluíam que os mainframes desapareceriam.

Só que estavam fotografando apenas uma parte da cidade.

Os caminhões continuavam trabalhando.

Longe dos holofotes.


O que o jornalista não via

Enquanto a reportagem era escrita...

Dentro das empresas acontecia outra realidade.

Os caixas eletrônicos continuavam conectados ao mainframe.

As reservas de companhias aéreas continuavam centralizadas.

As seguradoras processavam milhões de contratos.

Governos arrecadavam impostos.

Bolsas de valores liquidavam operações.

Hospitais processavam contas médicas.

Grandes varejistas atualizavam estoques nacionais.

Nada disso aparecia na mesa do usuário final.

Era infraestrutura.

E infraestrutura raramente ganha manchetes.

Ninguém escreve um artigo chamado:

"Hoje milhões de transações funcionaram normalmente."

Mas basta uma falhar...

Ela vira notícia mundial.


O invisível nunca parece moderno

Existe uma curiosidade interessante.

Quanto mais importante uma tecnologia se torna...

Mais invisível ela fica.

Ninguém pensa na rede elétrica ao acender a luz.

Ninguém pensa no sistema de abastecimento ao abrir a torneira.

Da mesma forma...

Pouquíssimos clientes de um banco pensam no IBM Z quando fazem um pagamento.

Isso faz parte do sucesso da plataforma.

Ela funciona tão bem que desaparece da percepção das pessoas.

Talvez esse tenha sido um dos maiores problemas do mainframe.

Ele sempre trabalhou nos bastidores.

Enquanto os computadores pessoais ficavam sobre a mesa.


O Padawan visita uma redação em 1989

Vamos imaginar nosso Padawan COBOL entrando na redação do New York Times.

Um jornalista pergunta:

— Você trabalha com computadores?

Ele responde:

— Sim.

— Então você deve estar preocupado. Dizem que o mainframe vai desaparecer.

Nosso Padawan sorri.

Pergunta educadamente:

— Quantas transações bancárias seu jornal processa por dia?

Silêncio.

— Quantos cartões de crédito vocês autorizam?

Silêncio.

— Quantas folhas de pagamento nacionais vocês executam?

Mais silêncio.

Então ele conclui:

— Talvez vocês estejam olhando para o computador errado.


O verdadeiro patrimônio nunca foi o hardware

Existe uma palavra que quase nunca aparecia nas manchetes.

Conhecimento.

Quando falamos em um sistema COBOL de um grande banco...

Não estamos falando apenas de milhões de linhas de código.

Estamos falando de décadas de regras de negócio.

Leis.

Normas.

Tributação.

Auditoria.

Processos internos.

Integrações.

Experiência acumulada.

Trocar um servidor é relativamente simples.

Reescrever quarenta anos de conhecimento empresarial é um dos projetos mais caros que uma organização pode enfrentar.

Essa dimensão raramente aparecia nas reportagens.


A diferença entre moda e missão crítica

Em 1989, muitas aplicações realmente migraram para plataformas distribuídas.

Correio eletrônico.

Ferramentas de escritório.

Planilhas.

Documentos.

Aplicações departamentais.

Isso fazia todo sentido.

Mas sistemas de missão crítica obedecem outras regras.

Eles precisam funcionar:

  • 24 horas por dia;

  • sete dias por semana;

  • com alta disponibilidade;

  • segurança;

  • auditoria;

  • recuperação;

  • consistência transacional.

Esses requisitos nunca deixaram de existir.

E continuam sendo exatamente os motivos pelos quais plataformas IBM Z permanecem estratégicas em 2026.


O tempo respondeu silenciosamente

O New York Times publicou sua reportagem.

A indústria continuou discutindo.

Os analistas continuaram prevendo.

Os consultores continuaram vendendo projetos.

Enquanto isso...

O mainframe fez algo extremamente ousado.

Continuou trabalhando.

Não respondeu aos jornalistas.

Não publicou cartas abertas.

Não iniciou campanhas publicitárias.

Apenas continuou processando bilhões de dólares todos os dias.

Existe uma elegância quase japonesa nisso.

Quando um samurai domina completamente sua arte...

Ele não precisa discutir.

A excelência fala por ele.


A segunda grande lição

A reportagem do New York Times é um documento histórico precioso.

Ela não representa apenas uma previsão sobre computadores.

Ela representa uma característica humana.

Nossa enorme dificuldade em distinguir:

  • crescimento de substituição;

  • inovação de destruição;

  • evolução de obsolescência.

A computação realmente mudou.

Mudou profundamente.

Mas a História mostrou que ela não caminhou eliminando tudo o que existia.

Ela caminhou integrando tecnologias.

Em 2026 convivem naturalmente:

  • IBM Z;

  • Linux;

  • Kubernetes;

  • OpenShift;

  • COBOL;

  • Java;

  • Python;

  • APIs REST;

  • Db2;

  • PostgreSQL;

  • CICS;

  • Kafka;

  • watsonx;

  • Inteligência Artificial.

O mundo corporativo descobriu algo que as manchetes de 1989 ainda não conseguiam enxergar.

A inovação mais poderosa não é aquela que destrói o passado.

É aquela que consegue conversar com ele.


Fonte histórica

The New York Times, 4 de abril de 1989, citado pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A reportagem ajudou a popularizar mundialmente a imagem do mainframe como um "dinossauro tecnológico", refletindo o entusiasmo da época com PCs, workstations e arquiteturas cliente-servidor. Décadas depois, tornou-se um importante registro histórico sobre como a indústria enxergava o futuro da computação no final dos anos 1980.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


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