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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

REXX : Quando um Padawan Descobre que a Linguagem Mais Simples do Mainframe Também Pode Ser o Sabre de Luz que Automatiza uma Galáxia Inteira

 

Bellacosa Mainframe apresenta mais detalhes sobre o REXX Mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

REXX sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Padawan Descobre que a Linguagem Mais Simples do Mainframe Também Pode Ser o Sabre de Luz que Automatiza uma Galáxia Inteira

"Não entre em pânico."
— O Guia do Mochileiro das Galáxias


Introdução — A toalha, o terminal 3270 e o estranho planeta chamado z/OS

Existe um antigo conselho interestelar que aparece em letras garrafais na capa do Guia do Mochileiro das Galáxias:

NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Curiosamente, esse também deveria ser o primeiro conselho entregue a qualquer programador COBOL que acaba de conseguir seu primeiro acesso ao ambiente IBM Z.

Você finalmente recebe seu usuário.

TSO LOGON

A tela fica preta.

Letras verdes.

Nenhum botão.

Nenhum mouse.

Nenhuma janela.

Nenhum VS Code.

Nenhum IntelliJ.

Nenhum Visual Studio.

Você olha para aquilo e pensa:

"Será que voltei para 1984?"

Não.

Na verdade, você acabou de entrar em uma das maiores civilizações computacionais da história da humanidade.

O IBM Z é como a cidade de Megabrantis, do Guia do Mochileiro: gigantesca, viva, absurdamente organizada e funcionando sem que a maioria das pessoas faça ideia de como.

Enquanto bilhões de pessoas passam cartões, fazem PIX, compram passagens aéreas, consultam seguros ou movimentam contas bancárias, milhares de programas COBOL trabalham silenciosamente.

Mas existe um personagem pouco conhecido.

Um verdadeiro robô de manutenção.

Um droide.

Um ajudante.

Um companheiro inseparável.

Seu nome é:

REXX.

E hoje vamos descobrir por que essa pequena linguagem continua sendo uma das ferramentas mais úteis do universo IBM Z.

Pegue sua toalha.

Vamos embarcar.


Capítulo 1 — O planeta onde nasceu o REXX

Imagine o universo computacional dos anos 70.

Não existia:

  • GitHub

  • Python

  • PowerShell

  • Bash moderno

  • Docker

  • Kubernetes

  • DevOps

Os administradores realizavam praticamente tudo manualmente.

Era comum repetir comandos centenas de vezes.

Foi então que Mike Cowlishaw, pesquisador da IBM, teve uma ideia aparentemente simples:

"E se existisse uma linguagem extremamente fácil que automatizasse essas tarefas?"

Assim nasceu o REstructured EXtended eXecutor, ou simplesmente REXX.

O objetivo nunca foi competir com COBOL.

Nunca foi substituir PL/I.

Nem Assembler.

Nem C.

REXX nasceu para uma missão diferente:

Evitar que seres humanos façam trabalho repetitivo.

Em outras palavras...

Enquanto COBOL constrói bancos,

REXX ajuda os bancos a continuarem funcionando.


Capítulo 2 — Arthur Dent encontrando um terminal 3270

Imagine Arthur Dent chegando ao CPD.

Ele pergunta:

— Onde fica o botão "Executar"?

O operador responde:

— Aqui usamos JCL.

Arthur pergunta:

— Onde fica o Explorer?

O operador responde:

— Aqui usamos ISPF.

Arthur pergunta:

— Onde está o mouse?

Silêncio absoluto.

Nesse momento surge Ford Prefect.

Ele entrega uma toalha.

Depois um manual.

Depois diz:

"Aprenda REXX."

Arthur pergunta:

— Mas por quê?

Ford sorri.

Porque daqui a pouco você vai precisar executar o mesmo comando 500 vezes.


Capítulo 3 — COBOL constrói cidades. REXX organiza o trânsito.

Essa é provavelmente a melhor analogia.

Imagine uma metrópole.

COBOL constrói:

  • bancos

  • seguradoras

  • folha de pagamento

  • cartões

  • sistemas fiscais

  • aposentadorias

Já REXX faz outra coisa.

Ele liga os semáforos.

Controla o trânsito.

Verifica se alguma avenida foi interditada.

Aciona equipes.

Produz relatórios.

Organiza.

Automatiza.

Ele não constrói o prédio.

Ele faz a cidade funcionar.


Capítulo 4 — O maior mal-entendido dos iniciantes

Muitos iniciantes perguntam:

"Posso aprender só REXX?"

Tecnicamente?

Pode.

Mas seria como estudar apenas a chave inglesa e nunca aprender mecânica.

A ferramenta não substitui o conhecimento.

REXX aumenta sua produtividade.

Mas ele depende do ambiente.

Sem entender:

  • datasets

  • JES2

  • VSAM

  • TSO

  • ISPF

  • JCL

...REXX vira apenas uma coleção de comandos.


Capítulo 5 — A verdadeira hierarquia do conhecimento

A imagem apresentada resume muito bem uma ordem lógica de evolução para quem deseja construir uma carreira sólida no ecossistema IBM Z.

Nível 1 — Aprenda a língua do planeta

Antes de qualquer automação, compreenda como o sistema operacional funciona:

  • z/OS

  • TSO

  • ISPF

  • JES

  • SDSF

  • JCL

  • VSAM

  • Catálogos

  • GDGs

  • Bibliotecas PDS e PDSE

Sem isso, é como tentar pilotar uma nave sem conhecer o painel de instrumentos.


Nível 2 — Aprenda COBOL

Agora você começa a entender como a economia da galáxia funciona.

Os sistemas críticos são escritos principalmente em COBOL porque precisam ser:

  • confiáveis;

  • auditáveis;

  • estáveis;

  • rápidos;

  • duradouros.

Curiosidade: existem programas COBOL em produção com mais de 40 anos que continuam processando milhões de transações diariamente.


Nível 3 — Domine SQL e Db2

Quase nenhum sistema corporativo vive isolado.

Os dados precisam ser consultados, atualizados e protegidos.

Aprender SQL é como aprender a conversar com a memória coletiva da organização.


Nível 4 — Descubra o CICS

Se COBOL é o coração, o CICS é o sistema circulatório.

É ele quem permite milhares de transações online simultâneas.

Cada ENTER pressionado em um terminal 3270 pode representar uma conversa entre o usuário e dezenas de programas COBOL.


Nível 5 — Agora sim, REXX

Somente agora você percebe o verdadeiro potencial.

Porque você já conhece:

  • jobs;

  • datasets;

  • mensagens;

  • bibliotecas;

  • comandos TSO;

  • painéis ISPF.

Então o REXX deixa de ser uma linguagem e se transforma em um multiplicador de produtividade.


Nível 6 — O universo moderno

Aqui entram:

  • Python;

  • Git;

  • DevOps;

  • APIs REST;

  • Jenkins;

  • Zowe;

  • OpenShift;

  • Docker;

  • Ansible;

  • Inteligência Artificial.

O profissional moderno não abandona o legado.

Ele conecta o legado ao futuro.


Capítulo 6 — O poder escondido do REXX

Um bom script pode:

✔ listar milhares de datasets;

✔ procurar membros em centenas de bibliotecas;

✔ enviar comandos ao TSO;

✔ conversar com o ISPF;

✔ acessar o SDSF;

✔ verificar jobs;

✔ gerar relatórios;

✔ automatizar auditorias;

✔ criar menus personalizados;

✔ chamar programas COBOL;

✔ executar utilitários do z/OS.

Tudo isso em poucas linhas.


Capítulo 7 — O Babel Fish do Mainframe

No Guia do Mochileiro existe o famoso Peixe Babel, capaz de traduzir qualquer idioma.

No mainframe, o REXX desempenha um papel parecido.

Ele consegue "conversar" com diferentes componentes do sistema por meio de ambientes (ADDRESS) especializados.

Por exemplo:

  • ADDRESS TSO para emitir comandos do TSO;

  • ADDRESS ISPEXEC para controlar o ISPF;

  • ADDRESS SDSF para consultar jobs e filas;

  • ADDRESS SYSCALL para interagir com o UNIX System Services (USS);

  • ADDRESS COMMAND para comandos do sistema.

Essa capacidade faz do REXX uma espécie de tradutor universal entre o programador e o ecossistema do z/OS.


Capítulo 8 — Os Vogons da Automação

No universo de Douglas Adams, os Vogons são burocratas que adoram formulários intermináveis.

Todo operador de mainframe já enfrentou um equivalente moderno:

  • executar o mesmo comando dezenas de vezes;

  • conferir manualmente centenas de jobs;

  • localizar membros espalhados por várias PDS;

  • comparar listas enormes de datasets.

É aí que entra o REXX.

Em vez de repetir o trabalho manualmente, você escreve um script uma única vez.

Na próxima execução, ele realiza a tarefa em segundos.

O trabalho repetitivo desaparece, e sobra tempo para analisar resultados e resolver problemas reais.


Capítulo 9 — Easter Eggs do universo IBM Z

🥚 Easter Egg 1

A linguagem REXX foi criada para ser lida quase como inglês simples.

Muitos scripts parecem instruções escritas em linguagem natural.


🥚 Easter Egg 2

Grande parte das ferramentas internas desenvolvidas por equipes de infraestrutura em bancos utiliza REXX nos bastidores.

O usuário nem percebe.


🥚 Easter Egg 3

Diversos ambientes corporativos possuem scripts escritos há décadas que continuam funcionando sem alterações significativas.

Essa estabilidade é uma das razões para o respeito conquistado pelo REXX.


🥚 Easter Egg 4

Existem macros ISPF extremamente sofisticadas escritas em REXX que economizam milhares de horas de trabalho ao longo dos anos.


🥚 Easter Egg 5

Ansible, Python e outras ferramentas modernas frequentemente coexistem com REXX.

Em muitos projetos, eles trabalham juntos em vez de competir.


Capítulo 10 — Um roteiro de estudos digno de um mochileiro interestelar

Se eu pudesse entregar um "Guia do Viajante do Mainframe" para um iniciante, ele teria esta sequência:

  1. Aprenda conceitos básicos de computadores e sistemas operacionais.

  2. Entenda a arquitetura do IBM Z.

  3. Estude JCL.

  4. Explore TSO e ISPF.

  5. Aprenda SDSF e JES.

  6. Conheça VSAM e organização de datasets.

  7. Domine COBOL.

  8. Estude SQL e Db2.

  9. Aprenda CICS.

  10. Descubra REXX.

  11. Aprenda Git.

  12. Estude Zowe.

  13. Conheça Python.

  14. Explore APIs REST.

  15. Aprenda Ansible e automação moderna.

  16. Estude CI/CD e DevOps para IBM Z.

  17. Experimente ferramentas de IA aplicadas ao desenvolvimento e à operação.

Cada etapa fortalece a anterior.

Não pule fundamentos.


Capítulo 11 — A toalha do Programador COBOL

No Guia do Mochileiro, a toalha é o objeto mais útil do universo.

No IBM Z, sua "toalha" é composta por três itens:

  • curiosidade para aprender;

  • disciplina para estudar continuamente;

  • humildade para perguntar quando não souber.

Esses três elementos valem mais do que decorar dezenas de comandos.


Conclusão — A resposta para a pergunta inicial

Vale a pena aprender REXX?

A resposta é um sonoro sim.

Mas a pergunta mais importante é outra:

Quando aprender REXX?

A melhor resposta é:

Depois que você compreender os fundamentos do ecossistema IBM Z.

Assim, cada script deixará de ser apenas um conjunto de instruções e passará a representar conhecimento aplicado sobre o funcionamento do sistema.

No universo Bellacosa Mainframe, gosto de imaginar o IBM Z como a nave Coração de Ouro. O COBOL é seu poderoso motor de improbabilidade, responsável por mover os processos que sustentam bancos, seguradoras e governos. O Db2 guarda a memória da viagem, o CICS mantém o contato com bilhões de passageiros, o JCL define os planos de voo e o z/OS governa toda a nave.

E o REXX?

O REXX é Marvin, o androide paranoico — silencioso, aparentemente modesto, mas capaz de resolver em segundos tarefas que consumiriam horas de trabalho humano. Quem aprende a conversar com ele descobre um aliado fiel para automatizar, investigar e manter a galáxia mainframe funcionando.

No fim da jornada, o maior segredo não é escolher entre legado e modernidade. É compreender que o futuro pertence aos profissionais capazes de unir ambos. Aprenda COBOL para entender o coração dos sistemas, domine Db2 e CICS para compreender o fluxo dos negócios, use REXX para automatizar o cotidiano e abrace Python, Git, APIs, DevOps e Inteligência Artificial para construir a próxima geração de soluções.

Como diria o Guia do Mochileiro das Galáxias:

"Não entre em pânico."

No IBM Z, basta levar sua toalha, abrir o ISPF e lembrar que todo grande Mestre Jedi do Mainframe começou exatamente onde você está agora: diante de uma tela 3270 piscando, imaginando qual seria o primeiro comando da aventura. E talvez, escondido em algum membro de uma antiga PDS, exista um pequeno script REXX esperando para mostrar que, às vezes, as ferramentas mais discretas são justamente aquelas que mantêm uma galáxia inteira em funcionamento.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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