☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta Estados Italianos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estados Italianos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Itália que Nunca Foi Uma Itália — como Roma, Veneza, Milão, Florença, Nápoles e meia Europa passaram dois mil anos fazendo UPDATE no mesmo mapa

Bellacosa Mainframe e a italia que nunca foi uma italia

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Itália que Nunca Foi Uma Itália — como Roma, Veneza, Milão, Florença, Nápoles e meia Europa passaram dois mil anos fazendo UPDATE no mesmo mapa

🇮🇹 Hoje olhamos para a bota e enxergamos Itália. O problema é que romanos, lombardos, venezianos, florentinos, napolitanos, austríacos, franceses, espanhóis e papas passaram séculos olhando para o mesmo território e enxergando coisas completamente diferentes.

E começaria com uma provocação:

Pergunte a um napolitano de 1820 se ele era italiano e talvez você tenha acabado de fazer uma pergunta sobre um país que ainda não existia.

Não porque não existisse uma ideia geográfica e cultural de Itália — ela é antiquíssima. Esse detalhe é fundamental para não cairmos no extremo oposto. Dante, Petrarca, Maquiavel e muitos outros empregaram conceitos de Itália muito antes de 1861.

O que não existia era o Estado italiano unificado que nosso cérebro moderno cola automaticamente sobre o passado.

Nosso mapa mental executa:

SELECT *
FROM EUROPA
WHERE YEAR = 1500;

DISPLAY USING MAP_2026;

E pronto.

Criamos uma alucinação cartográfica. 😂

Porque a península era um extraordinário DATASET compartilhado onde todo mundo tinha permissão de UPDATE.

Roma criava um império.

O império desmoronava.

Ostrogodos entravam.

Bizantinos tentavam restaurar.

Lombardos chegavam.

Francos interferiam.

O papa construía poder territorial.

Normandos apareciam no sul.

Veneza criava um império marítimo.

Gênova concorria.

Florença enriquecia.

Milão guerreava.

Nápoles mudava de dinastia.

França atravessava os Alpes.

Espanha entrava no jogo.

Áustria dizia:

“Interessante esse território...” 😆

Napoleão chegava e fazia:

UPDATE ITALIA
SET borders = 'porque_eu_quero';

Depois Viena executava:

ROLLBACK NAPOLEON;

Só que o ROLLBACK nunca restaurava exatamente o estado anterior.

E então chegam Mazzini, Cavour, Vittorio Emanuele II e Garibaldi.

Aí entra nossa fofoca favorita.

Garibaldi conquista o Reino das Duas Sicílias praticamente entregando ao novo Estado italiano uma quantidade monumental de território e capital político.

Depois o processo de unificação continua.

Roma finalmente entra.

Nasce aquela Itália que retrospectivamente começamos a enxergar como inevitável.

Mas ela não era inevitável.

E aqui entraria seu relato familiar como uma pequena janela para um fenômeno gigantesco:

“Na minha família, os antepassados não diziam que eram italianos. Diziam que eram napolitanos.”

Isso é ouro narrativo.

Porque transforma o Risorgimento de mapa escolar em experiência humana.

Imagine alguém nascido sob determinada administração, ligado às instituições locais, à Igreja, às estruturas do antigo reino e às identidades regionais.

O professor de 2026 aponta para o mapa:

“ITALIANO.”

O sujeito responde:

“Napolitano.”

SYSTEM WARNING:

NATIONAL_IDENTITY_2026
IS NOT COMPATIBLE WITH
IDENTITY_1850

E então podemos construir o artigo em grandes atos: Roma e a primeira “Itália”; a fragmentação pós-romana; lombardos e bizantinos; papas e imperadores; repúblicas marítimas; comunas e cidades-Estado; o extraordinário mosaico renascentista; franceses e espanhóis disputando a península; domínio austríaco; Napoleão embaralhando tudo; Congresso de Viena tentando executar RESTORE; Risorgimento; Garibaldi; Reino das Duas Sicílias; 1861; Veneza; Roma em 1870; e finalmente a pergunta mais interessante de todas: quando os habitantes da península começaram realmente a sentir que eram italianos?

E o fechamento já está praticamente escrito:

$HASP100 ITALIA JOB ON INTERNAL READER

//ROMA       EXEC PGM=EMPIRE
//GOTHS      EXEC PGM=INVASION
//BYZANTIUM  EXEC PGM=RESTORE
//LOMBARDS   EXEC PGM=KINGDOM
//FRANKS     EXEC PGM=UPDATE
//PAPACY     EXEC PGM=STATE
//VENICE     EXEC PGM=REPUBLIC
//FLORENCE   EXEC PGM=RENAISSANCE
//NAPLES     EXEC PGM=KINGDOM
//SPAIN      EXEC PGM=DYNASTY
//AUSTRIA    EXEC PGM=OCCUPATION
//NAPOLEON   EXEC PGM=REFACTOR
//VIENNA     EXEC PGM=ROLLBACK
//GARIBALDI  EXEC PGM=DEPLOY
//SAVOY      EXEC PGM=MERGE
//ROME1870   EXEC PGM=FINALIZE

$HASP395 ITALIA ENDED

WARNING:
JOB ELAPSED TIME = APPROXIMATELY 2000 YEARS

🤣☕🇮🇹

E colocaria uma última linha:

O mapa finalmente dizia Itália. O problema seguinte seria convencer milhões de piemonteses, venezianos, lombardos, toscanos, romanos, sicilianos e napolitanos de que aquele MERGE também havia acontecido dentro deles.

 

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...