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sábado, 5 de dezembro de 1998

Passeio de Helicoptero pelas Cataratas

Bellacosa Mainframe voando sobre as cataratas do Iguaçu

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚁 Sobrevoando as Cataratas do Iguaçu — Um Sonho de Infância Visto do Céu

Alguns lugares nós conhecemos durante uma viagem. Outros começam a fazer parte da nossa vida décadas antes de colocarmos os pés neles.

Voltamos à década de 1990.

Uma época de grandes mudanças na minha vida.

Eu trabalhava, crescia profissionalmente e, pouco a pouco, o aumento da minha renda começava a produzir uma transformação que considero muito mais importante do que simplesmente poder comprar coisas:

meu horizonte estava ficando maior.

Eu podia viajar.

Podia explorar.

Podia finalmente transformar alguns daqueles lugares que durante minha infância existiam apenas em revistas, livros, fotografias e programas de televisão em lugares reais.

E havia um deles que ocupava um espaço especial na minha imaginação.


🌊 Uma história que começou quando eu ainda era garoto

Meu primeiro contato com aquela região aconteceu muitos anos antes.

Ainda nos anos 1970, quando eu era apenas um garotinho curioso, conheci através de uma publicação ligada ao universo de Mauricio de Sousa a história das Sete Quedas, aquele monumental conjunto de saltos do Rio Paraná que acabaria desaparecendo com a formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

A história me marcou.

Talvez porque houvesse alguma coisa quase inacreditável para uma criança na ideia de uma paisagem gigantesca simplesmente desaparecer debaixo d'água.

Existia aventura.

Existia engenharia.

Existia natureza.

Existia transformação.

E existia também aquela sensação estranha de que o mundo escondia lugares extraordinários esperando para serem descobertos.

Em algum ponto daquela memória nasceu uma vontade:

um dia eu quero conhecer aquela região.

O garoto não sabia quando.

Não sabia como.

Muito menos imaginava que algumas décadas depois estaria olhando tudo aquilo de dentro de um helicóptero.

Mas o endereço já havia sido silenciosamente gravado no meu pequeno banco de dados mental.

E ficou lá.



🧭 Décadas depois, o sonho saiu da fila de espera

Avançamos alguns anos.

Já não era mais aquele garoto lendo sobre lugares distantes.

Minha situação profissional havia melhorado e, com ela, surgiu algo extraordinariamente precioso:

a possibilidade de escolher novos horizontes.

Foi quando parti para Foz do Iguaçu acompanhado de uma doce companhia daquela fase da minha vida:

Patrícia — a Paty de Interlagos.

Namorada, companheira daquela aventura e personagem de uma daquelas fotografias que a memória guarda mesmo quando as décadas passam.

Nosso roteiro era maravilhoso.

Conhecer Foz do Iguaçu.

Explorar as Cataratas.

Atravessar a Tríplice Fronteira.

Conhecer um pouco do Paraguai.

Conhecer um pouco da Argentina.

Ver Itaipu.

Andar.

Explorar.

Descobrir.

Namorar.

Algumas dessas histórias merecem capítulos próprios e ficarão para outro café.

Porque hoje quero voltar especificamente a um daqueles dias.

O dia em que realizei algo que jamais havia feito antes.



🚁 Meu primeiro voo de helicóptero

Havia uma possibilidade especialmente tentadora:

ver as Cataratas do Iguaçu do céu.

De helicóptero.

Hoje talvez seja fácil assistir a centenas de vídeos em 4K, imagens feitas por drones e tomadas aéreas perfeitas.

Na década de 1990 era outra história.

Ver uma paisagem daquela perspectiva ainda tinha alguma coisa de extraordinário.

E para mim havia outro ingrediente:

eu nunca havia voado de helicóptero.

Era aventura sobre aventura.

As Cataratas já eram uma conquista.

Agora eu poderia vê-las do alto.

Entramos naquela máquina e começou uma experiência que permanece comigo décadas depois.

O motor.

A vibração.

O barulho das hélices.

A sensação completamente diferente de estar dentro de uma aeronave capaz de subir quase verticalmente.

E então o chão começou a se afastar.

A paisagem mudou de escala.

🌳 A floresta vista do céu

Lá embaixo estava aquele enorme tapete verde.

A mata.

O rio.

As estradas ficando pequenas.

As construções diminuindo.

E pouco a pouco começávamos a enxergar algo impossível de compreender completamente quando estamos caminhando no solo:

a escala daquela paisagem.

O Rio Iguaçu avançava pela floresta.

E em algum lugar à nossa frente estava aquilo que eu esperara tantos anos para conhecer.

Até que apareceu.

🌊 As Cataratas

É difícil explicar adequadamente a primeira visão das Cataratas do Iguaçu.

Fotografia não consegue.

Vídeo ajuda.

Palavras tentam.

Mas nenhuma dessas coisas reproduz exatamente a sensação.

Porque não é apenas uma cachoeira.

É uma paisagem inteira desabando.

Água por todos os lados.

Nuvens de vapor.

Floresta.

Rocha.

Rio.

Dezenas de quedas formando um conjunto tão grande que os olhos precisam passear pela paisagem para tentar compreendê-lo.

E naquele momento eu estava vendo aquilo do céu.

O helicóptero fazia seu voo panorâmico enquanto lá embaixo surgia uma das maiores maravilhas naturais que já tive a oportunidade de conhecer.

Por alguns minutos, o garoto dos anos 1970 e o homem dos anos 1990 provavelmente estavam ocupando exatamente o mesmo assento.

Um havia sonhado.

O outro finalmente estava vendo.

💦 Água no para-brisa

E houve um momento especialmente marcante.

O helicóptero aproximou-se das quedas.

Aquela gigantesca massa de água levantava uma névoa permanente.

Chegamos suficientemente perto para que os respingos alcançassem o helicóptero.

Água das Cataratas batendo no para-brisa.

Aquilo era fantástico.

Não estávamos simplesmente olhando uma paisagem distante.

De alguma maneira estávamos dentro dela.

A água estava lá.

A poucos metros.

O barulho da aeronave misturado àquela imagem monumental.

O helicóptero vibrando.

As quedas abaixo de nós.

E eu tentando registrar cada segundo.

Naquela época não existia celular gravando infinitamente em 4K.

O registro era limitado.

A memória precisava fazer o restante do trabalho.

Talvez por isso algumas lembranças daquela época tenham ficado tão profundamente gravadas.

🥾 Depois, conhecer tudo novamente pelo chão

Mas as Cataratas não foram apenas vistas do helicóptero.

Nós caminhamos pelo parque.

Percorremos as passarelas.

Paramos inúmeras vezes.

Olhamos.

Fotografamos.

Conversamos.

Namoramos.

E fomos descobrindo aquela paisagem pouco a pouco.

Existe uma diferença enorme entre ver as Cataratas do céu e caminhar ao lado delas.

Do helicóptero você compreende a grandeza.

No chão você sente a força.

Você ouve a água.

Sente a umidade.

Percebe o vento.

Recebe no rosto aquele borrifo carregado pelo ar.

Chega perto das quedas.

Olha para baixo.

Olha para cima.

E tenta compreender como aquela quantidade absurda de água simplesmente continua passando.

Sem parar.

Dia.

Noite.

Semana.

Ano.

Século.

🦝 E havia os endiabrados quatis

Claro que nenhuma exploração daquele parque estaria completa sem eles.

Os quatis.

Bonitinhos.

Curiosos.

Fotogênicos.

E absolutamente endiabrados quando descobrem qualquer possibilidade de comida.

Eles circulavam pelo parque como se fossem os verdadeiros proprietários do lugar e nós, turistas, apenas visitantes temporários.

Era impossível não se divertir observando suas aproximações, suas pequenas investigações e aquela eterna tentativa de descobrir se algum humano distraído carregava alguma coisa interessante.

A natureza monumental das Cataratas dividia o cenário com aqueles pequenos malandros de quatro patas.

Um contraste delicioso.

❤️ E havia Paty

Mas existe outro elemento naquela lembrança que nenhum cartão-postal poderia registrar completamente.

Eu não estava sozinho.

Patrícia estava comigo.

A Paty de Interlagos.

Explorávamos juntos.

Caminhávamos.

Ríamos.

Parávamos para admirar a paisagem.

Namorávamos.

Trocávamos beijos enquanto, ao nosso redor, milhões de litros de água continuavam sua interminável viagem pelo Iguaçu.

Há lugares que ficam associados às pessoas com quem os conhecemos.

E isso cria uma espécie de geografia afetiva.

Você pode retornar décadas depois.

As árvores podem ter crescido.

As estruturas podem ter mudado.

A tecnologia pode ser outra.

Mas em algum ponto invisível daquela passarela ainda existe uma versão de você mesmo caminhando ao lado de alguém.

Conversando.

Rindo.

Beijando.

Vivendo.

As Cataratas foram testemunhas silenciosas daquele namoro.

E isso também faz parte da viagem.

🧒 O menino dos anos 1970 finalmente chegou lá

Talvez essa seja a parte mais importante dessa história.

Quando criança, conheci aquela região através de papel e tinta.

Uma revista abriu uma pequena janela para um mundo que parecia distante.

Décadas depois eu estava lá.

Não olhando uma fotografia.

Não lendo uma reportagem.

Estava caminhando dentro daquela paisagem.

Sentindo os respingos.

Ouvindo a água.

Explorando as trilhas.

Brincando com os quatis.

Segurando a mão da namorada.

E depois...

Voando sobre tudo aquilo.

Há conquistas profissionais.

Há conquistas financeiras.

Há diplomas.

Há promoções.

Há objetos que compramos.

Mas existe uma categoria completamente diferente de conquista:

realizar algo que o nosso eu criança sonhou.

Essas eu classifico como conquistas lendárias.

🏆 Achievement Unlocked: CATARATAS DO IGUAÇU

Se a vida fosse um RPG, provavelmente naquele dia apareceria alguma mensagem piscando diante dos meus olhos:

ACHIEVEMENT UNLOCKED

🏆 LENDÁRIO — CATARATAS DO IGUAÇU

✔ Sonho iniciado nos anos 1970
✔ Chegar a Foz do Iguaçu
✔ Explorar o Parque Nacional
✔ Caminhar próximo às quedas
✔ Ser devidamente molhado pelas Cataratas
✔ Sobreviver aos quatis
✔ Primeiro voo de helicóptero
✔ Sobrevoar uma das maiores maravilhas naturais do planeta
✔ Compartilhar tudo isso com uma doce companhia

XP ganho: impossível calcular.

Easter egg desbloqueado:

RETURN-CODE = 0

O sonho terminou sem ABEND.

⏳ Talvez seja por isso que ainda guardamos esses vídeos

O vídeo que acompanha esta postagem é simples.

É antigo.

Não possui resolução cinematográfica.

Não tem drone.

Não tem estabilização digital perfeita.

Não tem inteligência artificial reconstruindo cada pixel.

Mas tem uma coisa infinitamente mais importante:

ele estava lá.

É uma pequena janela temporal.

Durante alguns minutos posso olhar novamente através daquele para-brisa.

Posso ouvir o helicóptero.

Posso enxergar as Cataratas.

E consigo visitar um Vagner algumas décadas mais jovem realizando um sonho que havia começado muito antes.

Talvez seja essa a verdadeira função das fotografias e dos velhos vídeos.

Não registrar lugares.

Registrar versões de nós mesmos.

🌎 O mundo ficou maior

Quando penso naquela viagem, percebo que ela representava também outra transformação.

Durante a infância, muitos lugares pareciam praticamente inalcançáveis.

Depois comecei a trabalhar.

Cresci.

Minha renda melhorou.

Vieram as primeiras oportunidades.

E percebi uma coisa maravilhosa:

o mapa não precisava ficar pendurado na parede.

Eu podia entrar nele.

A viagem para Foz do Iguaçu foi uma dessas conquistas.

Depois vieram outras.

Outras cidades.

Outros países.

Outras montanhas.

Outros rios.

Outras estradas.

Outras aventuras.

Mas algumas viagens ocupam posições especiais justamente porque ajudaram a provar que era possível.

☕ Algumas viagens começam décadas antes da partida

Hoje, olhando aquele velho vídeo, não vejo apenas um passeio de helicóptero.

Vejo uma linha atravessando décadas.

Em uma ponta está um garotinho dos anos 1970 lendo fascinado sobre as Sete Quedas, Itaipu e aquele distante pedaço do Brasil.

Na outra está um homem, já na década de 1990, sentado dentro de um helicóptero enquanto as Cataratas do Iguaçu aparecem sob seus pés.

Entre os dois existem anos de trabalho, mudanças, dificuldades, crescimento e sonhos.

Talvez viajar seja exatamente isso.

Não apenas mudar nossa posição sobre um mapa.

Mas permitir que algumas versões antigas de nós mesmos finalmente encontrem aquilo que estavam procurando.

Naquele dia eu caminhei.

Explorei.

Namorei.

Beijei.

Ri dos quatis.

Fiquei encharcado pelos respingos.

Olhei para aquela quantidade inacreditável de água.

Entrei pela primeira vez em um helicóptero.

E voei sobre as Cataratas do Iguaçu.

Por alguns minutos simplesmente fiquei olhando.

Tentando guardar tudo.

Porque existem paisagens bonitas.

Existem paisagens extraordinárias.

E existem aquelas que, depois que você as conhece, passam a fazer parte da sua própria história.

As Cataratas ficaram na minha.

E aquele garoto que começou essa aventura folheando uma revista tantos anos antes?

Finalmente havia chegado lá.

E, desta vez, estava vendo tudo...

do céu.

Um Café no Bellacosa Mainframe
Memórias, viagens, tecnologia e algumas histórias que mereciam permanecer no storage.

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Imagine a emoção de ver as Cataratas do Iguaçu pelo alto

Dentro do parque ecológico das Cataratas do Iguaçu tem um heliponto, de onde parte voos pelas cataratas, que sensação deliciosa voar sobre as cataratas e quando o piloto diz com emoção e ele desce aquela maquina ate a beirinha do precipício com agua respingando no para-brisa da aeronave.




O friozinho na barriga ouvindo o motor roncar, a trepidação e o zumzum das hélices, mas mesmo assim delicioso um delicioso voo que recomendo a todos.

PS: 

🌎 “Like a hundred Niagara Falls”

Mas minha história com aquela região talvez seja ainda mais antiga do que eu imaginava.

Entre aquelas velhas publicações que alimentavam minha curiosidade pelo mundo havia uma National Geographic americana de 1967, com uma grande reportagem sobre a América do Sul e bastante espaço dedicado ao Brasil.

E havia fotografias das lendárias Sete Quedas do Guaíra.

Imagens de uma força da natureza que hoje uma geração inteira simplesmente não pode mais conhecer.

Uma legenda ficou presa na minha memória:

“Like a hundred Niagara Falls.”

Como uma centena de Cataratas do Niágara.

Pense no impacto disso sobre a imaginação de um garoto.

Niágara já representava aquela imagem quase mitológica de uma cachoeira gigantesca. Então alguém mostrava uma maravilha brasileira e praticamente dizia:

imagine cem Niágaras.

Era uma maneira tremendamente poderosa de explicar escala.

E as Sete Quedas realmente eram uma aberração hidrológica.

Não se tratava simplesmente de uma cachoeira alta. O extraordinário estava na quantidade colossal de água do Rio Paraná atravessando aquele conjunto de canais, corredeiras e saltos.

A água rugia.

A paisagem parecia infinita.

E aquilo existia aqui.

No Brasil.



📚 Depois veio Chico Bento

Anos mais tarde outra publicação voltaria a colocar aquele lugar diante dos meus olhos.

Desta vez não era a National Geographic.

Era um gibi.

Chico Bento.

A história “Era uma vez...” transformava aquela maravilha natural em algo emocional.

Agora havia uma diferença brutal.

Na National Geographic eu havia descoberto:

“Veja como isso é gigantesco.”

Com Chico Bento descobri:

“Veja bem, porque isso vai desaparecer.”

E desapareceu.

As águas do reservatório de Itaipu cobriram as Sete Quedas em 1982.

Eu nunca teria a oportunidade de caminhar diante daquela paisagem que havia conhecido através das páginas impressas.

Mas alguma coisa ficou gravada.

SET LOCATION = "Foz do Iguaçu"
SET STATUS = "UM DIA EU VOU"

O job ficaria esperando durante anos.


🚁 1998 — finalmente chegamos

Então chegamos à década de 1990.

O garoto havia crescido.

Eu trabalhava, minha renda havia melhorado e uma consequência maravilhosa disso era poder ampliar meus horizontes.

Os lugares que antes conhecia através de revistas começavam a deixar de ser fotografias.

Eu podia entrar nas fotografias.

E acompanhado de Patrícia — minha querida Paty de Interlagos, namorada naquela época — finalmente fui conhecer aquela região que permanecera durante tantos anos em algum cantinho da minha memória.

Eu não poderia mais conhecer as Sete Quedas.

Mas poderia conhecer as Cataratas do Iguaçu.

Caminhar por suas passarelas.




















Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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