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| Bellacosa Mainframe pensando sobre o rigido acesso ao ambiente Mainframe, regras secretas e barreiras a entrada. |
🎩 Mainframe, Meu Caro… Ou o Clube do Blazer Cinza?
Permita-me começar com a devida elegância britânica:
o mainframe não é para amadores.
Mas, convenhamos… também não precisa ser para masoquistas.
Há um fenômeno curioso que afasta jovens talentos do mundo Z. Não é a complexidade do JCL. Não é o COBOL. Muito menos o misticismo do CICS ou do DB2.
É o ambiente.
Sim, meu caro leitor. O ambiente.
🎩 1. O Dress Code que Assusta Mais que um S0C7
Eles criam startups milionárias usando camiseta de banda.
E então descobrem que, em certos ambientes mainframe, o traje ainda é quase litúrgico.
Camisa social.
Sapato polido.
Blazer no verão de 34 graus.
Ar condicionado digno da Antártida.
Para quem ganha salário inicial modesto, vestir-se “adequadamente” não é apenas estética — é investimento pesado.
Pergunta elegante, porém direta:
Será que o código compila melhor de gravata?
💰 2. O Salário Inicial e o Paradoxo da Experiência
O mercado repete:
“Precisamos de profissionais de mainframe.”
Mas quando o jovem aparece:
— “Experiência mínima de 3 anos.”
— “Vivência em ambiente produtivo crítico.”
— “Conhecimento profundo de legado bancário.”
Ora, excelência exige oportunidade.
O problema não é a régua alta.
O problema é não haver escada.
E aqui entra outro elemento delicado…
🤝 3. O Padrinho Invisível
Em muitos ambientes, entrar no mainframe ainda funciona como um clube inglês do século XIX:
Você precisa conhecer alguém.
Alguém precisa confiar em você.
Alguém precisa abrir a porta.
Sem padrinho ou madrinha técnica, o jovem talento permanece do lado de fora, admirando o prédio.
Isso não é elitismo consciente.
É inércia cultural.
Mas o efeito é o mesmo.
🏢 4. O Ambiente Cinzento e a Cultura do “Não Pode”
Mainframe é auditoria.
Mainframe é rastreabilidade.
Perfeito.
Mas às vezes o discurso vira:
Não pode isso.
Não pode aquilo.
Precisa abrir chamado.
Precisa autorização.
Precisa aprovação.
Precisa justificar.
O jovem desenvolvedor, acostumado a deploy contínuo, olha para isso e pensa:
“Eu vim programar ou pedir permissão para respirar?”
Governança é vital.
Mas excesso de burocracia mata entusiasmo.
| Onibus, trens e metro lotados chegar cansando antes de começar a jornada |
🚆 5. A Distância Física do Centro de Decisão
Os grandes ambientes Z estão, via de regra:
Em centros financeiros.
Em polos corporativos.
Em prédios monumentais.
O que isso significa?
2h de transporte público.
Combustível caro.
Estacionamento impraticável.
Vida pessoal comprimida.
Enquanto isso, o desenvolvedor distribuído trabalha remoto, de qualquer lugar do mundo.
A pergunta inevitável surge:
Se o sistema roda no data center, por que o cérebro precisa rodar no trânsito?
🦁 6. A Fatia do Leão
E aqui entramos no ponto mais sensível — tratado com elegância, mas sem ingenuidade.
Consultorias intermediam.
Negociam contratos robustos.
Recebem valores consideráveis.
Mas o profissional na ponta muitas vezes recebe uma fração modesta daquilo que é faturado.
Isso cria:
Desmotivação.
Sensação de injustiça.
Falta de pertencimento.
O jovem percebe rapidamente quando é custo ou quando é investimento.
🤡 7. E o salario óhhhhh
Há algo quase shakespeariano na ironia: enquanto o mainframe sustenta bilhões em transações e preserva a espinha dorsal financeira do mundo, o poder aquisitivo de muitos de seus guardiões encolhe discretamente, ano após ano.
O salário médio já não acompanha o custo do terno, do transporte, da atualização técnica constante. Trabalha-se com sistemas de altíssima criticidade, mas negocia-se remuneração como se fosse peça de museu. Não é decadência tecnológica — é desalinhamento de valor. E nenhum império se sustenta por muito tempo quando seus pilares começam a sentir o peso sem a devida recompensa.
🐎 8. Quando o projeto sai dos trilhos.
🎯 Então, o que fazer?
Agora vem a parte nobre da conversa.
Criticar é fácil. Reformar é aristocrático.
1️⃣ Modernizar a Cultura, Não Apenas a Tecnologia
Dress code mais flexível.
Avaliar por entrega, não por aparência.
Ambiente menos sisudo e mais colaborativo.
Elegância não exige rigidez.
2️⃣ Criar Trilhas Reais de Entrada
Programas trainee específicos de mainframe.
Mentorias formais.
Labs práticos (inclusive com ambientes como Hercules).
Parcerias com universidades.
O talento não nasce com RACF configurado.
Ele precisa de oportunidade.
3️⃣ Trabalho Híbrido ou Remoto Estruturado
Se DevOps pode operar sistemas distribuídos remotamente,
o mainframe também pode evoluir seus modelos operacionais.
Segurança não é sinônimo de presença física.
4️⃣ Transparência na Cadeia de Valor
Consultorias são importantes.
Mas valorização real do especialista cria retenção.
Retenção cria excelência.
Excelência mantém o mainframe vivo.
5️⃣ Tornar o Mainframe Aspiracional
Hoje o jovem quer:
Impacto
Propósito
Reconhecimento
Crescimento rápido
E adivinhe?
Mainframe entrega tudo isso.
Mas alguém precisa contar essa história com paixão —
não apenas com manuais.
☕ Conclusão ao Estilo Bellacosa
Meu caro…
O problema do mainframe nunca foi tecnologia.
Foi narrativa.
Foi cultura.
Foi ambiente.
O Z não é antiquado.
Antiquada pode ser a forma como o apresentamos.
Se queremos novos talentos, precisamos:
Abrir portas.
Reduzir barreiras simbólicas.
Atualizar a mentalidade.
Valorizar quem executa.
O mainframe é majestoso.
Mas majestade não precisa ser sisudez.
Pode ser grandeza com leveza.
E talvez — apenas talvez — o próximo grande arquiteto Z esteja neste exato momento escolhendo entre:
Uma startup de camiseta
ouUm data center de blazer.
A decisão é nossa.
🎩☕ PS: Isso que nem entrei nos pontos neuvragicos dos deploys, tercereiziação, quarteirização, falta de documentação e em algumas instalaçoes com a aposentadoria de antigos pratas da casa, perde-se o conhecimento. Um outro fato dolorozado e que de tempos em tempos existem os cortes dolorosos, membro com altos salarios ficam sobre escrutinio, pressão e caçada de pelo em ovo.
Muitas das vezes ocorre o bornout e o membro se desliga voluntario. Mas isso já é polemico demais, fica para uma proxima rodada. Concorda comigo? Qual a sua opinião? Tem alguma inverdade ou exagerado? Como é sua visao do mundo DEV na Stack Mainframe, agora hibrida com Linux, Unix, Ansilnle, Rest, Open APi2, OpenApi3, Red Hat, OpenShift e muitas novidades culminando com o Zowe, Git e Visual Studio.
https://www.linkedin.com/pulse/mainframe-meu-caro-ou-o-clube-do-blazer-cinza-vagner-bellacosa-sueef/
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