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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

🎩 Mainframe, Meu Caro… Ou o Clube do Blazer Cinza?

 

Bellacosa Mainframe pensando sobre o rigido acesso ao ambiente Mainframe, regras secretas e barreiras a entrada.

🎩 Mainframe, Meu Caro… Ou o Clube do Blazer Cinza?

Permita-me começar com a devida elegância britânica:
o mainframe não é para amadores.

Mas, convenhamos… também não precisa ser para masoquistas.

Há um fenômeno curioso que afasta jovens talentos do mundo Z. Não é a complexidade do JCL. Não é o COBOL. Muito menos o misticismo do CICS ou do DB2.

É o ambiente.

Sim, meu caro leitor. O ambiente.


🎩 1. O Dress Code que Assusta Mais que um S0C7

Eles criam startups milionárias usando camiseta de banda.

E então descobrem que, em certos ambientes mainframe, o traje ainda é quase litúrgico.

  • Camisa social.

  • Sapato polido.

  • Blazer no verão de 34 graus.

  • Ar condicionado digno da Antártida.

Para quem ganha salário inicial modesto, vestir-se “adequadamente” não é apenas estética — é investimento pesado.

Pergunta elegante, porém direta:

Será que o código compila melhor de gravata?


💰 2. O Salário Inicial e o Paradoxo da Experiência

O mercado repete:
“Precisamos de profissionais de mainframe.”

Mas quando o jovem aparece:

— “Experiência mínima de 3 anos.”
— “Vivência em ambiente produtivo crítico.”
— “Conhecimento profundo de legado bancário.”

Ora, excelência exige oportunidade.

O problema não é a régua alta.
O problema é não haver escada.

E aqui entra outro elemento delicado…


🤝 3. O Padrinho Invisível

Em muitos ambientes, entrar no mainframe ainda funciona como um clube inglês do século XIX:

  • Você precisa conhecer alguém.

  • Alguém precisa confiar em você.

  • Alguém precisa abrir a porta.

Sem padrinho ou madrinha técnica, o jovem talento permanece do lado de fora, admirando o prédio.

Isso não é elitismo consciente.
É inércia cultural.

Mas o efeito é o mesmo.


🏢 4. O Ambiente Cinzento e a Cultura do “Não Pode”

Mainframe é auditoria.
Mainframe é rastreabilidade.

Perfeito.

Mas às vezes o discurso vira:

  • Não pode isso.

  • Não pode aquilo.

  • Precisa abrir chamado.

  • Precisa autorização.

  • Precisa aprovação.

  • Precisa justificar.

O jovem desenvolvedor, acostumado a deploy contínuo, olha para isso e pensa:

“Eu vim programar ou pedir permissão para respirar?”

Governança é vital.
Mas excesso de burocracia mata entusiasmo.


Onibus, trens e metro lotados chegar cansando antes de começar a jornada

🚆 5. A Distância Física do Centro de Decisão

Os grandes ambientes Z estão, via de regra:

  • Em centros financeiros.

  • Em polos corporativos.

  • Em prédios monumentais.

O que isso significa?

  • 2h de transporte público.

  • Combustível caro.

  • Estacionamento impraticável.

  • Vida pessoal comprimida.

Enquanto isso, o desenvolvedor distribuído trabalha remoto, de qualquer lugar do mundo.

A pergunta inevitável surge:

Se o sistema roda no data center, por que o cérebro precisa rodar no trânsito?


🦁 6. A Fatia do Leão

E aqui entramos no ponto mais sensível — tratado com elegância, mas sem ingenuidade.

Consultorias intermediam.
Negociam contratos robustos.
Recebem valores consideráveis.

Mas o profissional na ponta muitas vezes recebe uma fração modesta daquilo que é faturado.

Isso cria:

  • Desmotivação.

  • Sensação de injustiça.

  • Falta de pertencimento.

O jovem percebe rapidamente quando é custo ou quando é investimento.


🤡 7. E o salario óhhhhh

Há algo quase shakespeariano na ironia: enquanto o mainframe sustenta bilhões em transações e preserva a espinha dorsal financeira do mundo, o poder aquisitivo de muitos de seus guardiões encolhe discretamente, ano após ano. 

O salário médio já não acompanha o custo do terno, do transporte, da atualização técnica constante. Trabalha-se com sistemas de altíssima criticidade, mas negocia-se remuneração como se fosse peça de museu. Não é decadência tecnológica — é desalinhamento de valor. E nenhum império se sustenta por muito tempo quando seus pilares começam a sentir o peso sem a devida recompensa.


🐎 8. Quando o projeto sai dos trilhos.

Há algo quase teatral — e não no bom sentido — no desfile dos agentes comerciais que adentram o salão com promessas mirabolantes, PowerPoints reluzentes e prazos heroicos assinados com tinta alheia. Vendem modernização instantânea, garantem integração mágica, juram dominar a ferramenta que mal pronunciam corretamente. 

Comprometem-se com cronogramas que fariam corar o próprio calendário gregoriano e, numa aritmética digna de fábula corporativa, acreditam que nove gestantes produzirão um bebê em um mês. Ao primeiro sopro de realidade, o “babado” desce elegante — porém pesado — para a equipe terceirizada, que herda prazos surreais, jornadas de doze horas e a eterna ladainha: “é a reta final, vamos dar o gás para o deploy”. 

O projeto termina, os aplausos sobem ao palco executivo, e o profissional, exausto, descobre que sua participação era temporária — quase ornamental — encerrada com um discreto, porém firme, chute administrativo.

🎯 Então, o que fazer?

Agora vem a parte nobre da conversa.
Criticar é fácil. Reformar é aristocrático.

1️⃣ Modernizar a Cultura, Não Apenas a Tecnologia

  • Dress code mais flexível.

  • Avaliar por entrega, não por aparência.

  • Ambiente menos sisudo e mais colaborativo.

Elegância não exige rigidez.


2️⃣ Criar Trilhas Reais de Entrada

  • Programas trainee específicos de mainframe.

  • Mentorias formais.

  • Labs práticos (inclusive com ambientes como Hercules).

  • Parcerias com universidades.

O talento não nasce com RACF configurado.

Ele precisa de oportunidade.


3️⃣ Trabalho Híbrido ou Remoto Estruturado

Se DevOps pode operar sistemas distribuídos remotamente,
o mainframe também pode evoluir seus modelos operacionais.

Segurança não é sinônimo de presença física.


4️⃣ Transparência na Cadeia de Valor

Consultorias são importantes.
Mas valorização real do especialista cria retenção.

Retenção cria excelência.
Excelência mantém o mainframe vivo.


5️⃣ Tornar o Mainframe Aspiracional

Hoje o jovem quer:

  • Impacto

  • Propósito

  • Reconhecimento

  • Crescimento rápido

E adivinhe?

Mainframe entrega tudo isso.

Mas alguém precisa contar essa história com paixão —
não apenas com manuais.


☕ Conclusão ao Estilo Bellacosa

Meu caro…

O problema do mainframe nunca foi tecnologia.

Foi narrativa.
Foi cultura.
Foi ambiente.

O Z não é antiquado.

Antiquada pode ser a forma como o apresentamos.

Se queremos novos talentos, precisamos:

  • Abrir portas.

  • Reduzir barreiras simbólicas.

  • Atualizar a mentalidade.

  • Valorizar quem executa.

O mainframe é majestoso.

Mas majestade não precisa ser sisudez.

Pode ser grandeza com leveza.

E talvez — apenas talvez — o próximo grande arquiteto Z esteja neste exato momento escolhendo entre:

  • Uma startup de camiseta
    ou

  • Um data center de blazer.

A decisão é nossa.

🎩☕ PS: Isso que nem entrei nos pontos neuvragicos dos deploys, tercereiziação, quarteirização, falta de documentação e em algumas instalaçoes com a aposentadoria de antigos pratas da casa, perde-se o conhecimento. Um outro fato dolorozado e que de tempos em tempos existem os cortes dolorosos, membro com altos salarios ficam sobre escrutinio, pressão e caçada de pelo em ovo.

Muitas das vezes ocorre o bornout e o membro se desliga voluntario. Mas isso já é polemico demais, fica para uma proxima rodada. Concorda comigo? Qual a sua opinião? Tem alguma inverdade ou exagerado? Como é sua visao do mundo DEV na Stack Mainframe, agora hibrida com Linux, Unix, Ansilnle, Rest, Open APi2, OpenApi3, Red Hat, OpenShift e muitas novidades culminando com o Zowe, Git e Visual Studio.


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:)