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terça-feira, 25 de setembro de 2018

☕🌍🚀 O Pequeno Príncipe Depois do Fim do Mundo: Shoujo Shuumatsu Ryokou

 

Bellacosa Mainframe e uma comparacao entre o Pequeno Principe e Shoujo Shuumatsu

☕🌍🚀 O Pequeno Príncipe Depois do Fim do Mundo: Shoujo Shuumatsu Ryokou

O Pequeno Príncipe viaja por vários planetas.

Chito e Yuuri viajam por vários "níveis" da megacidade.

Em ambos os casos, a jornada não existe para chegar a um destino.

A jornada existe para gerar reflexão.

O destino é quase irrelevante.

O verdadeiro objetivo é aquilo que se aprende observando o mundo.


Os Adultos Caricatos

Em O Pequeno Príncipe encontramos:

  • o rei

  • o vaidoso

  • o homem de negócios

  • o bêbado

  • o geógrafo

Cada um representa um aspecto absurdo da sociedade adulta.

Em Shoujo Shuumatsu Ryokou acontece algo parecido.

Só que existe uma diferença brutal:

os adultos já desapareceram.

O que restou foram seus monumentos.

Suas máquinas.

Suas guerras.

Suas cidades.

Suas fábricas.

Suas armas.

A crítica não é feita através das pessoas.

É feita através das ruínas que elas deixaram.


A Megacidade Como Um Cemitério de Ideias

Quando Chito e Yuuri encontram:

  • armas

  • fábricas

  • elevadores gigantes

  • sistemas automatizados

estão, na verdade, encontrando os equivalentes dos planetas visitados pelo Pequeno Príncipe.

Cada estrutura faz uma pergunta.

Por exemplo:

Valeu a pena construir tudo isso?

A obra raramente responde.

Ela apenas mostra.


A Raposa Está Lá

No Pequeno Príncipe, a raposa ensina:

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Em Shoujo Shuumatsu Ryokou, o equivalente é a relação entre Chito e Yuuri.

Num mundo onde nada mais importa, elas continuam juntas.

A amizade torna-se o último valor remanescente da humanidade.

Quando toda a civilização desaparece, sobra aquilo que sempre foi importante.

A conexão humana.


O Fim do Mundo É Apenas Cenário

Essa é uma das sacadas mais brilhantes do anime.

Muita gente pensa que a obra é sobre:

  • guerra

  • sobrevivência

  • colapso

Mas não é.

O fim do mundo é apenas o pano de fundo.

Da mesma forma que os planetas do Pequeno Príncipe são apenas cenários para discutir a condição humana.

O tema verdadeiro é:

Como viver?


A Jornada Sem Destino

Talvez seja aí que a semelhança fique mais forte.

Em narrativas tradicionais existe:

  • uma missão

  • um objetivo

  • uma recompensa

Aqui não.

O caminho é o propósito.

Isso lembra muito uma frase atribuída ao poeta espanhol Antonio Machado:

"Caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao caminhar."

Chito e Yuuri são a personificação disso.

Elas seguem em frente porque seguir em frente é tudo o que existe.


A Crítica Mais Dolorosa

O Pequeno Príncipe critica os adultos por esquecerem o essencial.

Shoujo Shuumatsu Ryokou pergunta algo ainda mais cruel:

E se a humanidade tivesse esquecido o essencial durante tanto tempo que acabasse se destruindo?

A cidade inteira parece responder:

"Sim."

Aqueles prédios gigantescos.

Aquelas máquinas monumentais.

Aquela tecnologia absurda.

Tudo sobreviveu.

Mas as pessoas desapareceram.

É uma crítica silenciosa ao culto da eficiência, do progresso e do crescimento pelo crescimento.

Como se a obra perguntasse:

Vocês construíram um sistema impressionante.

Mas ele servia para quê?


A Leitura Bellacosa Mainframe

☕🖥️

Se O Pequeno Príncipe é um operador novato visitando vários sistemas para entender a natureza humana...

Shoujo Shuumatsu Ryokou é o operador chegando milhares de anos depois para analisar os dumps e os logs deixados por esses mesmos sistemas.

O Pequeno Príncipe ainda encontra usuários.

Chito e Yuuri encontram apenas os datasets.

O Pequeno Príncipe conversa com a humanidade.

Chito e Yuuri conversam com os vestígios dela.

E talvez por isso o anime seja tão poderoso.

Porque ele não pergunta:

"O que estamos fazendo?"

Ele pergunta:

"Quando tudo acabar, o que terá valido a pena?"

E a resposta que o anime parece sugerir é exatamente a mesma de Saint-Exupéry:

Não serão os prédios.

Não serão as máquinas.

Não serão os impérios.

Serão os laços que construímos durante a viagem. ☕🚀