| Bellacosa Mainframe e uma comparacao entre o Pequeno Principe e Shoujo Shuumatsu |
☕🌍🚀 O Pequeno Príncipe Depois do Fim do Mundo: Shoujo Shuumatsu Ryokou
O Pequeno Príncipe viaja por vários planetas.
Chito e Yuuri viajam por vários "níveis" da megacidade.
Em ambos os casos, a jornada não existe para chegar a um destino.
A jornada existe para gerar reflexão.
O destino é quase irrelevante.
O verdadeiro objetivo é aquilo que se aprende observando o mundo.
Os Adultos Caricatos
Em O Pequeno Príncipe encontramos:
o rei
o vaidoso
o homem de negócios
o bêbado
o geógrafo
Cada um representa um aspecto absurdo da sociedade adulta.
Em Shoujo Shuumatsu Ryokou acontece algo parecido.
Só que existe uma diferença brutal:
os adultos já desapareceram.
O que restou foram seus monumentos.
Suas máquinas.
Suas guerras.
Suas cidades.
Suas fábricas.
Suas armas.
A crítica não é feita através das pessoas.
É feita através das ruínas que elas deixaram.
A Megacidade Como Um Cemitério de Ideias
Quando Chito e Yuuri encontram:
armas
fábricas
elevadores gigantes
sistemas automatizados
estão, na verdade, encontrando os equivalentes dos planetas visitados pelo Pequeno Príncipe.
Cada estrutura faz uma pergunta.
Por exemplo:
Valeu a pena construir tudo isso?
A obra raramente responde.
Ela apenas mostra.
A Raposa Está Lá
No Pequeno Príncipe, a raposa ensina:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
Em Shoujo Shuumatsu Ryokou, o equivalente é a relação entre Chito e Yuuri.
Num mundo onde nada mais importa, elas continuam juntas.
A amizade torna-se o último valor remanescente da humanidade.
Quando toda a civilização desaparece, sobra aquilo que sempre foi importante.
A conexão humana.
O Fim do Mundo É Apenas Cenário
Essa é uma das sacadas mais brilhantes do anime.
Muita gente pensa que a obra é sobre:
guerra
sobrevivência
colapso
Mas não é.
O fim do mundo é apenas o pano de fundo.
Da mesma forma que os planetas do Pequeno Príncipe são apenas cenários para discutir a condição humana.
O tema verdadeiro é:
Como viver?
A Jornada Sem Destino
Talvez seja aí que a semelhança fique mais forte.
Em narrativas tradicionais existe:
uma missão
um objetivo
uma recompensa
Aqui não.
O caminho é o propósito.
Isso lembra muito uma frase atribuída ao poeta espanhol Antonio Machado:
"Caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao caminhar."
Chito e Yuuri são a personificação disso.
Elas seguem em frente porque seguir em frente é tudo o que existe.
A Crítica Mais Dolorosa
O Pequeno Príncipe critica os adultos por esquecerem o essencial.
Shoujo Shuumatsu Ryokou pergunta algo ainda mais cruel:
E se a humanidade tivesse esquecido o essencial durante tanto tempo que acabasse se destruindo?
A cidade inteira parece responder:
"Sim."
Aqueles prédios gigantescos.
Aquelas máquinas monumentais.
Aquela tecnologia absurda.
Tudo sobreviveu.
Mas as pessoas desapareceram.
É uma crítica silenciosa ao culto da eficiência, do progresso e do crescimento pelo crescimento.
Como se a obra perguntasse:
Vocês construíram um sistema impressionante.
Mas ele servia para quê?
A Leitura Bellacosa Mainframe
☕🖥️
Se O Pequeno Príncipe é um operador novato visitando vários sistemas para entender a natureza humana...
Shoujo Shuumatsu Ryokou é o operador chegando milhares de anos depois para analisar os dumps e os logs deixados por esses mesmos sistemas.
O Pequeno Príncipe ainda encontra usuários.
Chito e Yuuri encontram apenas os datasets.
O Pequeno Príncipe conversa com a humanidade.
Chito e Yuuri conversam com os vestígios dela.
E talvez por isso o anime seja tão poderoso.
Porque ele não pergunta:
"O que estamos fazendo?"
Ele pergunta:
"Quando tudo acabar, o que terá valido a pena?"
E a resposta que o anime parece sugerir é exatamente a mesma de Saint-Exupéry:
Não serão os prédios.
Não serão as máquinas.
Não serão os impérios.
Serão os laços que construímos durante a viagem. ☕🚀