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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Batalha dos peões.

Bellacosa Mainframe memorias de uma batalha de peões

Batalha dos peões.

Semana de ferias na escola tem que ter imaginação para entreter o formiga.


Estamos em Dezembro sem aulas no Catatau, como isso devemos inventar coisas para entreter o formiguinha, filmes e desenhos estão em baixa. Por isso mexendo nos brinquedos encontramos estes peões.


Após estudar um pouco o funcionamento, montamos a arena e começamos as batalhas, foram algumas horas de diversão, com o jiga joga dos peões.

Boa diversão e algumas bagunças.





📝 Nota especial — Quando alguns peões derrotaram a televisão

Relendo este pequeno registro tantos anos depois, percebo que naquele dia aconteceu uma coisa muito simples — e justamente por isso muito bonita.

Era dezembro.

Não havia aula no Catatau.

O Formiga estava de férias e chegamos àquele velho problema conhecido por qualquer pessoa responsável por uma criança cheia de energia:

como entreter esta criatura hoje?

Filmes?

Já não interessavam.

Desenhos?

Também estavam em baixa.

Era necessário recorrer a uma tecnologia extremamente sofisticada, desenvolvida durante milhares de anos pela humanidade:

fuçar nas coisas até encontrar alguma coisa interessante.

E encontramos os peões.


🌀 Mas como funciona esse negócio?

Primeiro veio a investigação.

Pegamos os brinquedos.

Tentamos entender o mecanismo.

Testamos.

Erramos.

Tentamos novamente.

Até que alguém teve a ideia inevitável:

— E se a gente fizer uma batalha?

Pronto.

Acabávamos de transformar alguns brinquedos esquecidos numa competição oficial.

Montamos nossa arena.

Definimos aproximadamente as regras — porque regras domésticas possuem uma extraordinária capacidade de serem modificadas quando o resultado não agrada a um dos competidores — e começaram as batalhas.

Peão contra peão.

Rodada após rodada.

Jiga-joga.

Bate daqui.

Escapa dali.

Um gira mais.

Outro cai.

Tem revanche.

Tem discussão sobre quem ganhou.

Tem nova rodada porque aquela anterior “não valeu”.

E assim algumas horas simplesmente desapareceram.


📺 A televisão perdeu por W.O.

Essa talvez seja minha parte favorita quando releio o texto original.

Naquele dia não foi necessário grande planejamento.

Não compramos uma atração.

Não instalamos aplicativo.

Não havia algoritmo recomendando a próxima atividade.

Encontramos alguns peões.

E usamos imaginação.

Só isso.

Hoje parece quase revolucionário.

Naquele momento era apenas:

“Formiga está de férias. Precisamos inventar alguma coisa.”


🐜 E o Formiga estava devidamente entretido

Naturalmente, diversão com o Formiga nunca significava apenas seguir as instruções existentes na embalagem.

Alguma bagunça precisava acontecer.

Fazia parte do protocolo.

O brinquedo fornecia a infraestrutura.

Nós fornecíamos a imaginação.

E o restante era produzido pelo caos.

FORMIGA.STATUS = ENTRETIDO

PEAO_01 = GIRANDO

PEAO_02 = ATACANDO

ARENA = OPERACIONAL

TELEVISAO = IGNORADA

BAGUNCA = DENTRO_DOS_PARAMETROS

DIVERSAO = ALGUMAS_HORAS


📹 E alguém teve a boa ideia de filmar

Na época parecia apenas mais um vídeo.

Provavelmente liguei a câmera porque a batalha estava divertida.

Hoje vejo outra coisa.

Vejo uma tarde comum.

E tardes comuns são justamente aquilo que quase nunca pensamos em preservar.

Filmamos aniversários.

Filmamos viagens.

Filmamos festas.

Filmamos apresentações.

Mas raramente pensamos:

“Vou registrar esta tarde de dezembro em que estamos sentados brincando de peão.”

Ainda bem que algumas vezes pensamos.

Porque anos depois o brinquedo deixa de ser a parte mais importante da gravação.

O que queremos rever é o pequeno Formiga.

A voz.

As reações.

A expectativa enquanto o peão gira.

A comemoração quando vence.

A indignação absolutamente fundamentada quando perde.

A bagunça.

E aquele mundo pequeno onde algumas horas de felicidade podiam nascer simplesmente porque alguém encontrou uns peões guardados.


Hoje consigo olhar para aquele vídeo e perceber algo que naquele dezembro seria impossível enxergar:

não estávamos apenas procurando uma maneira de passar o tempo.

Estávamos criando uma memória.

Sem saber.

Sem planejar.

Sem perceber que algum dia aquela tarde comum ficaria distante.

E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas destes registros.

Não eram grandes acontecimentos.

Eram nossas pequenas aventuras.

A quadrilha.

Os cowboys.

A dança do laço.

A batalha dos peões.

Um pequeno universo em que o Formiga aprontava e seu companheiro de bagunça aparecia com uma câmera.

📼 BACKUP: DEZEMBRO

🐜 FORMIGA: PRESENTE

🌀 PEÕES: GIRANDO

❤️ MEMÓRIA: PRESERVADA

E se alguém perguntar quem venceu aquela batalha de peões tantos anos atrás...

sinceramente, já não importa.

Nós dois ganhamos.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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