terça-feira, 18 de maio de 2010

O FANTASMA MECÂNICO DA ULTRECHT EM URUPÊS– UM MODELO A (QUASE) IMORTAL

 


O FANTASMA MECÂNICO DA ULTRECHT EM URUPÊS– UM MODELO A (QUASE) IMORTAL

por Bellacosa Mainframe


Há fotos que parecem simples lembranças de infância… e há fotos que funcionam como um dump de memória completo, um SYSUDUMP emocional, com direito a nostalgia, cheiro de gasolina velha e bits de poeira dos anos 50, 60 e 70 misturados num mesmo frame. Esta imagem é exatamente isso: dois pequenos padawans do passado sentados no que, para muitos, seria apenas “um carro velho”. Mas para o Bellacosa Mainframe — e, claro, para o nosso querido El Jefe Midnight Lunch — nada é “apenas”.

Então vamos ao que interessa:
Que criatura mecânica é essa, repousando como um dinossauro de lata na calçada?


🔍 IDENTIFICAÇÃO DO VEÍCULO

(ou: decodificando o JCL arqueológico automotivo)

Pelas linhas suaves, faróis redondos externos, para-lamas arqueados, capô longo com as entradas de ventilação e, principalmente, pelo estilo phaeton/roadster com capota conversível dobrada para trás, o veículo da foto bate muito fortemente com:

👉 Ford Model A — Phaeton / Roadster (1928–1931)

Por que Model A?

  • Faróis circulares expostos suspensos por braços metálicos típicos do Ford da época.

  • Radiador alto e vertical, com moldura simples (o Model A tinha um desenho mais “espartano” que o Chevrolet contemporâneo).

  • Capô com vincos e fileiras de aberturas verticais, característica marcante do Model A.

  • Formato do para-lama dianteiro, grande, arredondado e com aquele “tônus” quase cartoon.

  • Estilo conversível, comum em Phaetons (quatro portas) e Roadsters (duas portas).

Como a foto mostra só parte da carroceria, pode ser Phaeton ou Roadster — mas o espírito é o mesmo: um clássico absoluto.


🏭 ANO DE FABRICAÇÃO (Estimado)

Entre 1928 e 1931.
Foi o período em que a Ford produziu o Model A, sucessor direto do lendário Model T.


📜 HISTÓRIA EM MODO MAINFRAME

O Ford Model A foi o “SYS2” da Ford — a reescrita completa do sistema operacional automotivo da marca.
Depois do Model T (produzido por quase 20 anos e com arquitetura já obsoleta), Henry Ford rebotou tudo:

  • Novo motor 3.3L de 40 cv

  • Transmissão de 3 marchas

  • Direção mais leve

  • Melhores freios

  • Conforto superior

  • Novos estilos de carroceria (inclusive o elegante Phaeton)

O Model A foi um dos carros mais populares da sua época e chegou ao Brasil ainda antes da fundação oficial da fábrica Ford no país. Muitos viraram táxis, carros de família, veículos de fazenda e… monumentos nostálgicos parados em calçadas, como este aqui.



🎩 CURIOSIDADES NO ESTILO EL JEFE x BELLOCOSA MAINFRAME

🕶 1. Carro de boêmios, coronéis e fotógrafos

No Brasil, o Model A era comum entre comerciantes, viajantes e — olha só — fotógrafos itinerantes. A escolha de quem precisava carregar equipamento pesado em longas estradas de terra.

🎞 2. O primeiro Ford com painel “bonitinho”

O Model A foi o primeiro com um painel minimamente organizado. Nada de apenas um velocímetro triste. Ele tinha medidor de combustível integrado e chave de ignição no painel. Luxo puro para época.

🛠 3. Peças intercambiáveis

Sim: muitos donos dos anos 60 e 70 faziam upgrades caseiros, adaptavam peças de caminhonetes F-1, de Jeep Willys, ou qualquer coisa que encaixasse.
Model A no Brasil era um mashup mecânico vivo.

🐎 4. Velocidade de cruzeiro?

45 mph (72 km/h).
E olha… isso parecia voar.

🍿 5. Hollywood adorava

Todo filme de gangster dos anos 30 tinha um Model A tomando bala.
Era o “veículo padrão ANSI X3.4-1967” do crime cinematográfico.


EASTER-EGG BELLOCOSA MAINFRAME

A toalha pendurada no para-lama?
Um clássico ritual brasileiro de garagem:
“veículo velho, porém amado.”

Nos anos 60–70, quem tinha um carro antigo deixava sempre um pano para secar água, limpar poeira, polir farol ou simplesmente evitar que o sol estragasse a pintura já cansada. Uma espécie de EXIT CLEANUP do dia.

E o melhor:
Isso também era sinal de carro em restauração eterna, aquele projeto lendário que o proprietário jurava que ia terminar “no próximo fim de semana”.
— Mas que nunca terminava.


🚗 O VEREDICTO DO EL JEFE MIDNIGHT LUNCH

O carro da foto é quase certamente um Ford Model A Phaeton/Roadster (1928–1931) — um dos veículos mais icônicos do pré-guerra e, no Brasil, um sobrevivente heróico das décadas de poeira, improviso, peças adaptadas e romantismo automobilístico.

E nesta foto ele cumpre seu papel:
um monumento silencioso acompanhando duas crianças em um raro momento onde o mundo ainda era simples, macio e cheio de aventuras.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Aventura do Barbinha no Aquario da Expo

Um dia diferente no aquario


Estamos no Oceanário de Lisboa na primeira visita do Barbinha, ele ficou encantado, explorando cada pocinha de agua, ficando maluquinho vendo os peixinhos e peixoes.



E curioso que nos adultos não olhamos com a mesma surpresa e satisfação que uma criança, é incrível pois tamanha maravilha deveria ser vista com olhos de crianças.

Milhares de litros d'agua imitando as características dos 7 mares, desde aguas frias do antárctico as aguas tropicais. Peixes, crustáceos e moluscos das mais diversas variedades.

domingo, 16 de maio de 2010

☕ Lei da Entropia — ou: se você não cuidar, vira bagunça (e rápido)

 

Bellacosa Mainframe e Lei da entropia

Lei da Entropia — ou: se você não cuidar, vira bagunça (e rápido)

Vou começar do jeito mais honesto possível: a Lei da Entropia sempre esteve certa. O que muda é o tempo que ela leva pra provar isso. Em casa, no trabalho, nos relacionamentos, no código, no mainframe… se você parar de cuidar, o caos assume o controle.

📜 Origem da Lei da Entropia

A entropia nasce na física, lá no século XIX, com a termodinâmica. Em termos simples: todo sistema isolado tende ao aumento da desordem. Energia se dissipa, estruturas se degradam, organização custa esforço contínuo.

Traduzindo para a vida real:

manter ordem dá trabalho, deixar virar bagunça é grátis.

🧠 Entropia explicada no “modo Bellacosa”

Um data center não vira caos porque alguém quer. Ele vira caos porque ninguém documentou, ninguém limpou, ninguém revisou. O mesmo vale para:

  • Um guarda-roupa

  • Um casamento

  • Um código COBOL sem comentários

  • Um JCL “herdado” de 1989

  • Uma amizade esquecida

A entropia não é vilã. Ela só faz o trabalho dela.

🖥️ Entropia no Mainframe (easter egg técnico)

Todo mainframeiro já viveu isso:

  • Dataset temporário que virou permanente “sem querer”

  • Job que ninguém sabe mais por que existe

  • Parâmetro mágico comentado como: * NAO MEXER

  • PROC copiada, colada e adaptada até ninguém entender a original

👉 Isso é entropia organizacional.

📺 Curiosidades & Easter Eggs

  • O vilão Thanos, da Marvel, é praticamente um evangelizador maluco da entropia

  • Em Neon Genesis Evangelion, a entropia psicológica dos personagens é maior que a física

  • Em TI, quanto mais antigo o sistema, maior a entropia acumulada — e maior o respeito por quem mantém vivo

🗣️ Fofoquices filosóficas

O curioso é que o ser humano odeia entropia, mas vive alimentando ela:

  • Compra coisa que não usa

  • Guarda rancor

  • Acumula arquivos inúteis

  • Evita conversa difícil

  • Procrastina manutenção

Depois reclama do caos.

🛠️ A prática da antientropia (sim, isso existe)

A única forma de lutar contra a entropia é energia consciente:

  • Revisar

  • Limpar

  • Organizar

  • Documentar

  • Conversar

  • Manter

No Japão isso vira filosofia. No mainframe, vira sobrevivência.

🧘 Como entender a Lei da Entropia sem sofrer

Aceite três verdades:

  1. Nada fica organizado sozinho

  2. Ordem é temporária

  3. Manutenção é parte da vida, não castigo

Não é pessimismo. É realismo maduro.

🌏 Importância da Lei da Entropia

Ela nos ensina:

  • Humildade (tudo se desgasta)

  • Responsabilidade (manter dá trabalho)

  • Valor do cuidado diário

  • Respeito pelo tempo e pela história

No Japão, isso conversa com mottainai, wabi-sabi e mujo. No mainframe, conversa com disciplina operacional.

☕ Conclusão Bellacosa

A entropia não quer te derrotar.
Ela só quer ver se você está acordado.

Quem entende a Lei da Entropia:

  • valoriza quem mantém sistemas antigos

  • cuida melhor das relações

  • respeita o passado

  • entende que ordem é um ato de resistência

E no fim das contas…
manter é tão nobre quanto criar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

SMP/E for z/OS Workshop – Execution Requirements

 

Bellacosa Mainframe apresenta SMP/E Execition Requirements

SMP/E for z/OS Workshop – Execution Requirements

O dia em que o SMP/E acorda para trabalhar ☕🖥️

Quem já administrou SMP/E sabe: ele não roda sozinho. Antes de qualquer RECEIVE, APPLY ou ACCEPT, existe um ritual sagrado chamado Execution Requirements. É aqui que muita gente tropeça, cria JCL quilométrico ou passa a madrugada brigando com DD statement faltando.

Neste post, vamos destrinchar como o SMP/E é executado, quais datasets ele exige, e por que a alocação dinâmica é um divisor de águas, tudo no melhor estilo Bellacosa Mainframe: prático, direto e com dicas que salvam produção.


🧭 Formas de invocar o SMP/E

O SMP/E pode ser iniciado de duas formas clássicas:

1️⃣ Diálogos ISPF

  • Painéis interativos

  • Geram JCL automaticamente

  • Ideais para aprendizado e tarefas pontuais

2️⃣ Batch (JCL direto)

  • Total controle do ambiente

  • Essencial para automação e produção

  • Base para procedures catalogadas

💡 Dica Bellacosa: ISPF ensina, batch sustenta produção.


⚙️ O coração da execução: GIMSMP

Toda execução do SMP/E passa por ele:

//EXEC PGM=GIMSMP

Ou por uma procedure catalogada que, no fundo, também chama o GIMSMP.

Parâmetros importantes no EXEC

ParâmetroFunção
CSIDataset do Global Zone
DATETimestamp das entradas no CSI
LANGUAGEIdioma das mensagens (default EN)
PROCESSWAIT ou END quando recurso não está disponível

📌 Erro comum: esquecer o CSI e confiar que o SMP/E vai “adivinhar”. Ele não adivinha.


📦 Os datasets primários do SMP/E

O SMP/E trabalha com 10 datasets primários, variando conforme o comando:

DDNAMEFunção
SMPPTSTemporary storage de SYSMOD
SMPMTSTemporary storage de macros
SMPSTSTemporary storage de source
SMPLTSTemporary storage de load modules
SMPSCDSSave control datasets
SMPLOGLog do SMP/E
SMPCSIVSAM cluster do Global Zone
Target ZonesControle do target
DLIB ZonesControle de distribuição

🚨 SMPPTS: pequeno no físico, gigante no impacto

  • SMPPTS é PDS

  • PDS = um único volume físico

  • Limitação real em ambientes grandes

A solução moderna: SMPPTS Spill

SMPPTS
SMPPTS1
SMPPTS2
...
SMPPTS99

🔧 Pode ser definido via:

  • DD statements

  • DDDEFs em todas as zones (GZONE, TZONE, DZONE)

💡 Dica Bellacosa: Se esquecer de definir spill em uma zone, o erro aparece só quando dói.


🗂️ Zones e alocação automática

  • SMPCSI aponta para o Global Zone

  • Zone Index no GZONE permite alocação dinâmica de:

    • Target Zones

    • Distribution Zones

📌 Se não houver DD explícito, o SMP/E consulta o Zone Index.


📥 RECEIVE: datasets clássicos

DDNAMEConteúdo
SMPPTFINSYSMOD input (CBPDO, ESO, CUM)
SMPHOLD++HOLD / ++RELEASE

📼 Curiosidade raiz:

  • CBPDO: SMPPTFIN costuma ser o 5º file

  • HOLDDATA geralmente o 3º file


🔧 APPLY / ACCEPT: quem entra em cena

  • TXLIB / LKLIB → texto de modificação

  • SYSLIB → concatenação de macros, objetos e loads

  • SMPJCLIN → leitura estrutural de SYSGEN / GENERATE

📌 Sem SMPJCLIN bem definido, o SMP/E fica cego para a estrutura do sistema.


🧾 Controle, parâmetros e saída

Comando SMP/E

  • SMPCNTL → comandos

  • SMPPARM → customização

Saídas principais

DDNAMEConteúdo
SMPLISTLIST output
SMPRPTReports
SMPOUTMensagens SMP/E
SYSPRINTSaída de utilities
SMPSNAPDump em erro severo
SMPPUNCHUnload, BUILDMCS

🌐 SMP/E e HFS (Network Install)

  • SMPDIR define diretórios HFS

  • Necessário para RECEIVE FROMNETWORK

  • DDDEF não define arquivo, apenas diretório

📌 Use DD para arquivos, DDDEF para diretórios.


🎯 O problema: DD demais

Resultado clássico:

  • Procedures enormes

  • Duplicadas por zone

  • Difíceis de manter

A solução profissional: Alocação Dinâmica


🔄 Dynamic Allocation: o pulo do gato

O SMP/E busca informações nesta ordem:

1️⃣ DD statements no JCL
2️⃣ Parâmetros EXEC (CSI)
3️⃣ Zone Index do Global Zone
4️⃣ DDDEFs da zone atual
5️⃣ GIMDDALC (SMPPARM)
6️⃣ Defaults

Quando encontra, para a busca.


🏆 Vantagens reais da alocação dinâmica

1️⃣ Override fácil

  • Precisa mudar algo pontual?

  • Basta um DD no JCL

2️⃣ Mesmo DDNAME, datasets diferentes por zone

  • Teste ≠ Produção

  • Sem procedures duplicadas

3️⃣ Menos enqueue, mais controle

  • Dataset liberado a cada SET

  • Não fica preso ao JOB STEP inteiro

💡 Bellacosa Truth: Uma boa estratégia de DDDEF reduz 80% da dor operacional.


📊 File Allocation Report

  • Gerado para todo comando exceto SET

  • Gravado no SMPRPT

  • Lista DDNAME → dataset físico

  • Inclui HFS e links simbólicos

📌 Ferramenta essencial para auditoria e troubleshooting.


🧠 Conclusão Bellacosa

SMP/E não é difícil. Difícil é entender quem manda em quem.

Quando você domina:

  • execução via GIMSMP

  • papel de cada dataset

  • alocação dinâmica

…o SMP/E deixa de ser um monstro e vira um mordomo extremamente exigente.

No próximo capítulo do workshop, entramos no RECEIVE e REJECT, o primeiro passo real da cadeia de instalação.

🚀 Continue firme. Mainframe não perdoa, mas recompensa quem estuda.


domingo, 25 de abril de 2010

📦 Lei do Acúmulo

 

Bellacosa Mainframe e a lei do acumulo

📦 Lei do Acúmulo

Ou: nada surge do nada — tudo é soma, batch após batch

Tem uma coisa que a vida, o mainframe e a filosofia me ensinaram muito bem:

👉 ninguém acorda bom em algo do dia pra noite.

Tudo é acúmulo.
De erros.
De tentativas.
De pequenas vitórias.

E isso tem nome: Lei do Acúmulo.


🧱 O que é a Lei do Acúmulo?

A Lei do Acúmulo diz que:

grandes resultados são consequência de pequenas ações repetidas ao longo do tempo.

Nada explode do zero.
Nada floresce instantaneamente.

É o oposto do imediatismo moderno.


🏛️ Origem do conceito (não oficial, mas ancestral)

Essa lei não nasce num livro só.
Ela aparece em várias tradições:

  • Filosofia oriental (disciplina diária)

  • Budismo (prática constante)

  • Confucionismo (aperfeiçoamento contínuo)

  • Estoicismo (hábitos moldam o caráter)

E no Japão, isso se traduz em conceitos como:

  • Kaizen (melhoria contínua)

  • Shugyō (treino austero)

  • Gambaru (persistir até o fim)


🖥️ Lei do Acúmulo explicada para mainframeiro raiz

Mainframe é a própria encarnação do acúmulo:

  • sistemas construídos ao longo de décadas

  • código escrito, corrigido, remendado

  • conhecimento passado de boca em boca

  • comentários em COBOL mais velhos que o programador

Nada ali nasceu pronto.

Cada:

  • IF

  • PERFORM

  • JCL

  • PROC

é um tijolinho acumulado.


⏳ Vida real: ninguém vira mestre sem acúmulo

✔️ você não aprende COBOL em um fim de semana
✔️ você não cria memória afetiva em um dia
✔️ você não constrói confiança com um ato só

Tudo vem da soma.

E o problema?
Vivemos na era do “resultado imediato”.


🧠 Como praticar a Lei do Acúmulo

🛠️ faça um pouco todo dia
📚 estude mesmo quando não dá vontade
📝 escreva, erre, corrija
👣 aceite progresso lento

Dica Bellacosa:

Melhor um passo diário do que uma corrida anual.


🎌 Curiosidades culturais japonesas

  • Mestres artesãos treinam 30, 40, 50 anos

  • Sushi-chefs passam anos só lavando arroz

  • Calígrafos repetem o mesmo kanji milhares de vezes

Nada disso é glamour.
É acúmulo silencioso.


🥚 Easter eggs do cotidiano

  • Amizades verdadeiras são acúmulo de convivência

  • Sabedoria vem de erros repetidos

  • Memória afetiva nasce de pequenas cenas

É por isso que lembramos:

  • de um cheiro

  • de uma frase

  • de um gesto simples


🤭 Fofoquices filosóficas

  • Quem busca atalho, geralmente se perde

  • Quem ignora o processo, não sustenta o resultado

  • Quem respeita o tempo, chega mais longe


🌱 Importância da Lei do Acúmulo

Ela nos ensina:

  • paciência

  • constância

  • humildade

A Lei do Acúmulo é o antídoto contra:

  • ansiedade

  • imediatismo

  • frustração moderna


📌 Conclusão (modo batch encerrado)

Nada do que importa vem rápido.

Tudo o que vale a pena:

  • se constrói

  • se soma

  • se acumula

No fim, a vida é isso:

um grande processamento em lote, onde cada passo conta.

E quem entende a Lei do Acúmulo…
aprende a respeitar o tempo —
e a si mesmo.

sábado, 24 de abril de 2010

Lisboa Show na Baia dos Golfinhos no zoologico

Um dia especial no Zoo


O Barbinha esta quase completando 2 anos, com um feriado as portas resolvemos tirar o dia em diversão. Levamos ele num lugar magico que desde pequenino ele gosta de ir.



O Zoológico de Lisboa acreditem ou não com meses de idade trazíamos ele para passear nos jardins, ver animais. Pegar ar fresco e tomar um solzinho gostoso.

E neste dia de festa no Zoo, fomos com ele na Baía dos Golfinhos um tanque imenso onde temos shows com leões marinhos e golfinhos.

Ele amou o show, batia palma, ficava encantado vendo os golfinhos, ganhou beijinho do leão marinho foi demais e essas carinha laroca, toda feliz não tem preço.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

 

E.M.P.G. Marechal Juarez Tavola na ponte rasa


A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

Um poste estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Existem lugares que a gente não apenas frequenta — a gente sobrevive a eles.
E quando cresce, descobre que ali se forjou todo um jeitão de ser, pensar, sorrir, aprontar e… pular muro.
Para mim, esse lugar atende por um nome pomposo, quase militar, quase burocrático, mas cheio de magia:

EMPG Marechal Juarez Távora.
Vila Rio Branco. Ponte Rasa. 1981–1983.

Se você me conhece hoje — Bellacosa, notívago, escritor de madrugada, professor de mainframe, contador de causos, parkurista aposentado e ninja de Taubaté — saiba que metade disso começou ali.


A rigida professora Cecilia


CAPÍTULO 1 — 1981: O MENINO, A PROFESSORA E O CADERNO DE CALIGRAFIA

Primeira série.
Primeiro ano.
Primeiro choque da vida escolar.

A escola era moderna, enorme, com ambulatório médico, sala odontológica, biblioteca, banda, quadra, refeitório… um luxo educacional para os anos 70/80.
Um verdadeiro data center pedagógico com latas de tinta guache no lugar dos mainframes.

Mas minha professora, dona Cecília, tinha outra visão:
para ela, eu era um menino inteligente demais para o próprio bem.

tarefas e mais tarefas no duro caderno de caligrafia


Eu terminava tudo rápido.
Como castigo?
Me jogava num inferno chamado caderno de caligrafia.

E mais: como sou canhoto, ela implicava com a letra “torta” e me obrigava a escrever como destro.
Imagina a cena: um Bellacosa mirim, lutando contra a própria natureza, escrevendo torto com a mão errada, caligrafia virando uma pista de autorama.

amizades e boas lembranças do primario


Mas nos intervalos, renascia o guerreirinho:
eu e meu amigo Fábio desenhávamos monstros, heróis tokusatsu, ciborgues e robôs no verso das folhas.

Aqui vai um adendo, além dos versos de folhas, usávamos envelopes de laboratórios fotográficos, onde meu pai e o avô do Fabio, traziam os frutos de seus trabalhos como fotógrafos, reaproveitando folhas e criando mundos imaginários.

Ninguém segurava a criatividade.

assistindo antigos seriados japoneses


Até que veio o primeiro ato falho da minha carreira criminosa infantil:
um belo dia, cansado da professora, eu disse à minha avó Anna:

Vó, amanhã não tem aula!

E miraculosamente ganhei uma manhã deliciosa, vendo TV, vadiando, feliz da vida.

Mas a verdade é como JCL:
se tiver erro, alguém vai achar.

Apareceu a dona Cida, amiga da minha avó, perguntando por que eu não estava indo com o neto dela.
Game over.
Castigo.
Sermão.
E um Bellacosa devolvido ao Marechal.


uma breve passagem pela banda escolar

CAPÍTULO 2 — 1982: A BANDA, A NÊMESIS DA BIBLIOTECA E O SURDO NO SOL DO MEIO-DIA

Segundo ano.
Agora a máquina estava “aquecida”.

Educação física na quadra.
Banda da escola, a famosa FANFARRA.
Amigos.
Aventuras.

A banda durou pouco — ninguém explica por que alguém achou boa ideia dar um surdo gigante para uma criança de 8 anos carregar meio-dia, no sol de rachar.
Foi meu breve período como aprendiz de músico e roadie mirim.

Mas a biblioteca…
Ah, a biblioteca foi o campo de batalha.

Memorias nao agradaveis da aula na biblioteca


A professora responsável encasquetou comigo.

No dia em que ela ordenou para contar sobre a leitura do livro preferido, falei — na maior inocência — A Roupa Nova do Rei, e ainda fiz o resumo do desaventurado rei.

Num Brasil ainda com cheiro de ditadura militar e paranóia ideológica, elogiar um livro sobre um governante, sendo enganado por larápios, e humilhado em sua soberba e que anda pelado, pode ter soado… digamos… “subversivo”.

A professora me fuzilou com os olhos.
Me expôs na frente da classe.
E eu, ferido no ego e no orgulho, comecei a fugir das aulas de leitura por semanas.

Claro que a fuga acabou em outra reunião de pais.
Outro sermão.
Outro castigo.

A vida escolar é um loop: INPUT → PROCESS → ERROR → MSG → REPROCESS.


Ninja fugitivo pulando o muro da escola


CAPÍTULO 3 — OS RUFÍAS, O MAIORIAL E O NINJA DE MURO

Também havia os rufias da escola — toda escola tem seus mini-vilões.

E eu abusado e expansivo, entrei em conflito com uns rufias.
A diferença é que eu tinha um trunfo, ou melhor meu pai:
Que comentou com um amigo o problema do pequeno Vagner. Claro que socorrido pelo filho deste amigo, um veterano do quinto ano, que resolveu o problema rapidinho.
Eu ganhei o status de intocável. e eu sendo eu mesmo: virei “maiorial”.

Mas nada — absolutamente nada — marcou tanto quanto o muro.

Houve um tempo em que eu morava colado ao Marechal.
Muro compartilhado, porta da fantasia sempre aberta.

brigas e desafenças na saida da escola


E eu…
ah, eu entrava e saía da escola pulando o muro como um ninja.
Parkour puro.
Desde pequenino gostei das alturas e já era expert em escaladas e andar por muros, os orixás que me perdoem...

Velocidade, impulso, aterrissagem limpa.

Em poucos minutos estava em casa assistindo desenho, como um passe de magica, magia de teletransporte,  ou somente um travesso escalando e pulando o grande muro da escola.

Se o Naruto tivesse nascido na Ponte Rasa, o jutsu dele teria minha assinatura.


um anjo da guarda durão e bom de briga


CAPÍTULO 4 — O ANO DA TRANSMUTAÇÃO (1983)

1983 foi rajada de vento que virou a prancheta da minha vida de ponta-cabeça.

Mudamos para Pirassununga. 

Houve o caos.

Houve incêndio.

Voltamos para São Paulo.

doces e memoraveis lembranças da infancia


Houve a separação e a primeira deportação a Guaianazes.

Morei com meus bisavós Francisco e Isabel.
Voltei para o Marechal.
Fiquei um bimestre.
Fui para Taubaté.

Fim da linha.
O Marechal virou memória.
Mas que memória…

uma deliciosa merenda deliciosa


As merendas quentes.
Os amigos.
As aventuras.
A banda, a quadra, a biblioteca, o surdo gigante, o muro.
Três séries de caos, magia e infância.

sonhando em longas viagens pelo mundo

Ali eu aprendi:
• que caligrafia não define ninguém,
• que bibliotecas podem ser selvas,
• que amigos do quinto ano são firewall,
• que mentiras infantis têm monitoramento ativo,
• que o menino Bellacosa já treinava parkour sem saber,
• que crescer é sobreviver,
• e que toda escola é um pequeno mainframe:
roda programas, grava memórias, causa erros, corrige caminhos.

E, no meu core dump da vida,
a EMPG Marechal Juarez Távora ocupa uma das áreas mais quentinhas da storage.

Esta escola foi o pontapé inicial, me mostrou que o mundo não tinha limites, que bastava sonhar e correr atrás desses sonhos, se arriscar, levar nãos, quebrar a cara, mas mesmo assim, levantar-se e recompor-se.

Ser o ISEKAI que o pequeno Vagner Renato Bellacosa se tornaria o homem dos dois continentes, atravessador de oceanos, com altos e baixos, coração partido e partindo corações, vivendo, sorrindo e chorando, às vezes ambos ao mesmo tempo.

Mas sem medo de Viver, às vezes se expondo a risco, trocando o certo pelo duvidoso, sempre naquela ânsia de viver o dia de hoje, como se fosse o último, sem arrependimentos.

olhar para o passado cheio de nostalgia e satisfação