☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Isekai Karutetto : Quando os Maiores Heróis dos Isekai Descobrem que a Maior Aventura Não é Salvar um Mundo… É Sobreviver à Sala de Aula

 

Bellacosa Mainframe apresenta Isekai Karutetto

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Isekai Karutetto (Isekai Quartet) sem Mistérios

Quando os Maiores Heróis dos Isekai Descobrem que a Maior Aventura Não é Salvar um Mundo… É Sobreviver à Sala de Aula

Existe uma velha máxima entre os programadores COBOL:

"Colocar um sistema legado para conversar com outro legado já é complicado. Imagine integrar seis universos completamente diferentes sem quebrar nenhuma regra de negócio."

É exatamente isso que Isekai Karutetto (Isekai Quartet) faz.

O anime pega alguns dos maiores protagonistas dos isekais modernos, cada um vindo de um universo completamente diferente, e coloca todos dentro da mesma escola.

O resultado poderia ser um desastre...

Mas acabou se tornando uma das maiores homenagens já feitas ao gênero isekai.

Para um Programador COBOL Padawan, imagine algo semelhante a reunir, no mesmo ambiente de execução:

  • CICS

  • IMS

  • Db2

  • MQ

  • z/OS Connect

  • Java

  • Linux on Z

...e descobrir que todos conseguem trabalhar juntos sem provocar um ABEND.

É exatamente essa a magia de Isekai Quartet.


Ficha Técnica

ItemInformação
Título Original異世界かるてっと (Isekai Karutetto)
Título InternacionalIsekai Quartet
Criação OriginalCrossover baseado nas light novels de Kugane Maruyama, Natsume Akatsuki, Tappei Nagatsuki e Carlo Zen
DireçãoMinoru Ashina
RoteiroMinoru Ashina
Character DesignMinoru Takehara
EstúdioStudio PuYUKAI
ProdutoraKadokawa
Primeira Exibição9 de abril de 2019
FormatoAnime para TV (episódios curtos)
Temporadas3
Total de Episódios35 (12 + 12 + 11)
FilmeIsekai Quartet: The Movie – Another World (2022) 

O Studio PuYUKAI

Ao contrário dos grandes estúdios focados em animações cinematográficas, o Studio PuYUKAI especializou-se em animações no estilo Super Deformed (SD ou Chibi).

Esse estilo reduz os personagens para versões pequenas, de cabeça grande e traços simplificados, permitindo:

  • animações mais econômicas;

  • grande expressividade facial;

  • ritmo acelerado para comédia;

  • preservação da identidade visual de cada franquia.

Isso foi essencial para reunir personagens de estilos muito diferentes sem causar estranhamento.  


A Origem do Projeto

A Kadokawa percebeu algo curioso.

Ela possuía várias das light novels de maior sucesso da década:

  • Overlord

  • Re:Zero

  • KonoSuba

  • Youjo Senki

Todos pertenciam ao mesmo grupo editorial.

Então surgiu uma pergunta extremamente simples:

"E se colocássemos todos juntos?"

Nascia um crossover oficial que depois passou a incorporar personagens de The Rising of the Shield Hero, Cautious Hero e, mais tarde, The Eminence in Shadow. (KADOKAWA Animation Portal)


Sinopse

Um botão misterioso aparece simultaneamente em diversos mundos.

Naturalmente...

Todos apertam.

Instantaneamente, heróis, vilões, reis demônios, aventureiros e soldados são transportados para uma escola em um novo universo.

Agora precisam frequentar aulas, participar de festivais escolares, atividades esportivas e eventos absurdos enquanto tentam descobrir por que foram reunidos.


Resumo da História

A escola funciona como um enorme laboratório social.

Ali convivem personagens que, normalmente, jamais se encontrariam.

Entre eles:

  • Ainz Ooal Gown

  • Kazuma

  • Subaru

  • Tanya Degurechaff

  • Naofumi

  • Seiya

  • Cid Kagenou

  • Aqua

  • Emilia

  • Rem

  • Raphtalia

  • Megumin

  • Albedo

  • Shalltear

Cada um mantém exatamente a personalidade da obra original.

Esse é um dos maiores méritos do roteiro.


Os Personagens

Overlord

Representa o poder absoluto.

Ainz é praticamente um administrador root.

Tudo parece simples para ele...

Até precisar lidar com adolescentes.


Re:Zero

Representa perseverança.

Subaru sofre continuamente.

Mesmo numa comédia, seu trauma permanece evidente.


KonoSuba

Representa o caos.

Kazuma, Aqua, Megumin e Darkness conseguem transformar qualquer situação comum em desastre.


Youjo Senki

Representa disciplina.

Tanya encara absolutamente tudo como operação militar.


Shield Hero

Naofumi simboliza responsabilidade.

É um dos poucos que realmente tenta resolver problemas.


Cautious Hero

Seiya leva planejamento ao extremo.

Para ele, todo exercício escolar merece preparação digna de uma batalha contra um deus.


The Eminence in Shadow

Cid Kagenou acrescenta uma nova camada de humor ao interpretar um personagem que vive entre fantasia e realidade.


O Grande Diferencial

Outros crossovers costumam alterar completamente seus protagonistas.

Aqui acontece o contrário.

Cada personagem continua sendo exatamente quem sempre foi.

Por isso:

  • Aqua continua irritando Ainz;

  • Tanya continua desconfiando de todos;

  • Kazuma continua preguiçoso;

  • Subaru continua emocional;

  • Megumin continua querendo explodir tudo.

O humor nasce do choque entre personalidades, não da descaracterização.


Temáticas

Apesar da aparência infantil, Isekai Quartet aborda temas interessantes.

Diversidade

Cada universo possui:

  • regras próprias;

  • magia diferente;

  • valores diferentes;

  • religiões diferentes.

Mesmo assim...

Todos convivem.


Cooperação

Pessoas completamente incompatíveis aprendem a trabalhar juntas.

É praticamente uma metáfora para equipes multidisciplinares.


Identidade

Nenhum personagem precisa abandonar quem é para fazer parte do grupo.


Humor como linguagem universal

Até personagens extremamente sombrios conseguem produzir excelentes momentos cômicos quando colocados em contexto diferente.


As Aventuras

Embora quase tudo aconteça na escola, vemos:

  • festivais;

  • provas;

  • treinamento militar;

  • competições;

  • apresentações;

  • excursões;

  • eventos sobrenaturais;

  • invasões inesperadas;

  • missões especiais.

Cada episódio possui aproximadamente doze minutos, mantendo um ritmo rápido e repleto de referências.


As Mensagens Ocultas

O verdadeiro protagonista é o gênero Isekai

Isekai Quartet não celebra apenas personagens.

Ele celebra toda uma geração de obras.


Todo herói possui defeitos

Mesmo os personagens considerados invencíveis demonstram inseguranças, vaidade ou limitações quando retirados de seu ambiente original.


O poder depende do contexto

Ainz domina um mundo inteiro.

Na escola?

Precisa obedecer horários.

É uma forma bem-humorada de lembrar que autoridade e competência dependem do ambiente.


Colaboração supera competição

Ao reunir protagonistas tão diferentes, a série mostra que habilidades complementares costumam valer mais do que força isolada.


Curiosidades

  • O roteiro está repleto de piadas internas que só fazem sentido para quem assistiu aos animes originais.

  • Grande parte do elenco de dubladores reprisou seus papéis originais, preservando a identidade de cada personagem.

  • O sucesso da série levou ao lançamento do longa Isekai Quartet: The Movie – Another World em 2022 e, posteriormente, à terceira temporada.  


Impacto Cultural

Isekai Quartet consolidou uma tendência que já existia no mercado japonês:

crossovers oficiais entre franquias de uma mesma editora.

Além de divertir os fãs antigos, a série serviu como porta de entrada para novos espectadores. Muitos começaram por Isekai Quartet e depois passaram a assistir às obras originais para entender todas as referências e piadas. Essa estratégia fortaleceu o catálogo da Kadokawa e mostrou o potencial comercial de universos compartilhados dentro do anime. 


O Que um Programador COBOL Pode Aprender?

Aqui começa a analogia Bellacosa Mainframe.

Imagine que:

  • Overlord é o CICS (poderoso e centralizador);

  • Re:Zero é o Recovery Manager, insistindo até que tudo funcione;

  • KonoSuba é aquele ambiente de desenvolvimento onde sempre aparece um erro inesperado;

  • Tanya é o WLM, distribuindo prioridades com rigor militar;

  • Naofumi lembra um bom administrador de produção, absorvendo impactos para proteger o restante do sistema;

  • Seiya representa o engenheiro que testa exaustivamente antes do deploy.

Separados, cada componente é excelente.

Juntos, formam um ecossistema muito mais rico.

Essa talvez seja a maior lição de Isekai Quartet: grandes sistemas — e grandes equipes — prosperam quando tecnologias, habilidades e personalidades diferentes aprendem a coexistir, assim como acontece diariamente em um ambiente IBM Z moderno, onde COBOL, Java, APIs REST, Db2, MQ e Linux compartilham o mesmo "campus" sem perder sua identidade.

Classificação Bellacosa Mainframe: ⭐⭐⭐⭐⭐ (9,5/10)

Não é apenas uma comédia. É uma celebração inteligente do gênero isekai, construída com respeito às obras originais, excelente timing cômico e um crossover que recompensa tanto o fã veterano quanto quem deseja descobrir por que esses personagens se tornaram ícones da fantasia japonesa.  


domingo, 14 de julho de 2019

O Caso das Duas Filas Fantasmas : Descobriu que uma Delas Guardava Segredos... e a Outra Fazia as Evidências Desaparecerem

 

Bellacosa Mainframe e o caso das duas filas fantasmas

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Caso das Duas Filas Fantasmas

Quando um Jovem Programador COBOL Descobriu que uma Delas Guardava Segredos... e a Outra Fazia as Evidências Desaparecerem

"Naquela madrugada, o silêncio do CPD era interrompido apenas pelo zumbido constante dos refrigeradores do IBM Z. Em algum lugar, milhões de transações cruzavam o sistema financeiro do país. Nenhum cliente imaginava que duas estruturas invisíveis decidiam, a cada milissegundo, o destino de seus dados. Elas eram conhecidas apenas por três letras: TSQ e TDQ."


Prólogo — O Mistério das Filas Invisíveis

Existe um momento na vida de todo programador COBOL em que ele percebe que escrever programas é apenas metade do trabalho.

A outra metade consiste em responder uma pergunta aparentemente simples:

"Onde vou guardar meus dados enquanto ainda não terminei de processá-los?"

Parece uma questão banal.

Mas ela já provocou perdas financeiras, sistemas travados, filas gigantescas de processamento, auditorias intermináveis e incontáveis noites sem dormir para programadores de bancos.

Foi justamente para resolver esse problema que o CICS criou duas ferramentas extraordinárias:

  • TSQ (Temporary Storage Queue)

  • TDQ (Transient Data Queue)

À primeira vista, ambas parecem fazer exatamente a mesma coisa.

As duas armazenam dados temporários.

As duas trabalham com filas.

As duas existem há décadas.

Mas basta observá-las um pouco mais de perto para perceber que estamos diante de duas personalidades completamente diferentes.

Como dois investigadores de uma história policial.

Um arquiva provas.

O outro as encaminha imediatamente para o laboratório.


Capítulo 1 — O CICS Nunca Faz Nada por Acaso

Existe uma frase muito conhecida entre veteranos de mainframe:

"Se o CICS possui dois comandos diferentes, existe um excelente motivo para isso."

Essa regra vale praticamente para tudo.

READ e READNEXT.

LINK e XCTL.

SYNCPOINT e ROLLBACK.

ENQ e DEQ.

TSQ e TDQ.

Nada foi criado por acaso.

Na década de 1970, memória era absurdamente cara.

Discos eram lentos.

CPU custava milhões de dólares.

Era impossível desperdiçar recursos.

Por isso os engenheiros da IBM criaram estruturas especializadas.

Cada uma fazia apenas aquilo em que era excelente.

E continua funcionando assim cinquenta anos depois.


Capítulo 2 — O Arquivo Secreto da Investigação

Imagine um detetive investigando um grande roubo.

Todos os dias ele recebe novas informações.

Fotografias.

Depoimentos.

Mapas.

Digitais.

Relatórios.

Ele não pode simplesmente jogar tudo fora após ler.

Muito menos enviar imediatamente ao juiz.

Ele precisa voltar inúmeras vezes.

Comparar evidências.

Adicionar observações.

Modificar hipóteses.

Esse arquivo secreto é exatamente uma TSQ.

Ela guarda informações temporárias.

Permite consultas infinitas.

Aceita alterações.

Nada desaparece até que alguém mande apagar.


TSQ é uma memória temporária extremamente inteligente

Ela permite:

✔ escrever

✔ ler

✔ alterar

✔ reler

✔ apagar

Quantas vezes forem necessárias.

Ela funciona quase como um pequeno banco de dados temporário.


Capítulo 3 — A Esteira da Delegacia

Agora imagine outra cena.

Chegam milhares de boletins de ocorrência.

Cada um precisa seguir imediatamente para outro departamento.

Ninguém volta para consultá-los.

Ninguém altera o conteúdo.

Ninguém lê novamente.

Eles entram.

São processados.

Desaparecem.

Essa é exatamente a filosofia da TDQ.

Ela não existe para guardar.

Ela existe para transportar.

É praticamente uma esteira de produção.


O Grande Segredo

Muitos iniciantes acreditam que a diferença entre TSQ e TDQ é apenas técnica.

Na verdade...

A diferença é filosófica.

TSQ pergunta:

"Você ainda precisará desta informação?"

TDQ pergunta:

"Você terminou de usá-la?"

Essas duas perguntas definem praticamente toda a arquitetura de inúmeras aplicações bancárias.


Capítulo 4 — A Anatomia da TSQ

Vamos abrir essa caixa preta.

Uma TSQ é composta por uma sequência de registros.

Algo parecido com isto:

ITEM 1
CPF

ITEM 2
Nome

ITEM 3
Saldo

ITEM 4
Limite

ITEM 5
Agência

Cada registro recebe um número chamado ITEM.

E aqui aparece uma enorme vantagem.

Você pode pedir diretamente:

Leia o ITEM 4

Sem precisar ler:

1

2

3

4

Isso é chamado de:

Random Access

(acesso aleatório)

É parecido com abrir um livro diretamente na página 218.


TSQ também lê em sequência

Ela também consegue fazer:

1

↓

2

↓

3

↓

4

↓

5

Ou seja...

Possui os dois mundos.

Acesso direto.

Ou sequencial.

Essa flexibilidade explica por que ela é tão utilizada em aplicações interativas.


Capítulo 5 — Como Funciona uma TDQ

Agora imagine uma fila de embarque em um aeroporto.

A pessoa entra.

Chega sua vez.

Passa pelo portão.

Nunca mais volta para a fila.

É exatamente isso.

Registro 1

↓

Registro 2

↓

Registro 3

↓

Registro 4

Quando um registro é lido...

Ele desaparece.

Não existe UPDATE.

Não existe REWRITE.

Não existe ITEM.

Não existe voltar.


Curiosidade Bellacosa ☕

Você sabia que muitos sistemas bancários antigos geravam milhões de registros de auditoria diariamente usando TDQs?

Se utilizassem TSQs para isso...

O armazenamento do CICS cresceria continuamente, consumindo recursos preciosos.

Foi justamente para evitar esse desperdício que a TDQ nasceu.

Ela "come" os registros conforme eles são processados.


Capítulo 6 — O Empréstimo Bancário

Vamos acompanhar uma situação real.

Carlos deseja financiar um automóvel.

Tela 1

Dados pessoais.

Tela 2

Endereço.

Tela 3

Renda.

Tela 4

Garantias.

Tela 5

Confirmação.

Enquanto Carlos navega...

Nada vai para o Db2.

Nada vai para VSAM.

Tudo permanece em uma TSQ.

Se ele voltar da tela cinco para a dois...

Os dados continuam lá.

Inclusive podendo ser modificados.

É exatamente por isso que aplicações de múltiplas telas adoram TSQs.


Capítulo 7 — O Caixa Eletrônico

Agora outro cenário.

São duas horas da manhã.

Milhares de caixas eletrônicos continuam funcionando.

Cada saque gera um registro.

ATM

↓

TDQ

↓

Batch Noturno

↓

Sistema Contábil

Quando o batch lê...

O registro desaparece.

Acabou.

Não faz sentido mantê-lo.

Ele cumpriu sua missão.


Easter Egg Nº 1 🕵️

Nas histórias policiais dos anos 1950 existia sempre uma sala chamada:

Arquivo Morto.

A TDQ seria exatamente isso.

Depois que o investigador utiliza uma informação...

Ela sai definitivamente da mesa.

Já a TSQ é a pasta que continua aberta sobre o escritório durante toda a investigação.


Capítulo 8 — A Diferença que Decide Arquiteturas

Imagine construir um sistema de internet banking.

Se você usar TDQ para guardar dados das telas...

O cliente aperta "Voltar".

Os dados sumiram.

Desastre.

Agora imagine utilizar TSQ para registrar milhões de logs.

Todos ficarão armazenados.

O consumo de armazenamento crescerá rapidamente.

Outro desastre.

Percebe?

Não existe estrutura melhor.

Existe estrutura correta.


Capítulo 9 — A Relação com Outros Comandos do CICS

Nenhum comando vive sozinho.

TSQ conversa naturalmente com:

  • LINK

  • XCTL

  • COMMAREA

  • HANDLE CONDITION

  • HANDLE ABEND

  • SYNCPOINT

Imagine:

Programa A

LINK

Programa B

TSQ

Programa C

LINK

TSQ

Diversos programas podem consultar a mesma informação temporária enquanto a lógica da aplicação continua.


Já TDQ normalmente aparece ligada a:

  • processamento batch

  • geração de logs

  • auditoria

  • interfaces

  • integração entre sistemas

É quase uma ponte entre o mundo online e o mundo batch.


Capítulo 10 — Os Dois Tipos de TDQ

Poucos livros explicam isso para iniciantes.

Existem duas categorias.

Intra-partition

Tudo acontece dentro do próprio CICS.

É extremamente rápida.

Ideal para comunicação interna.


Extra-partition

Conecta o CICS ao mundo externo.

Pode gravar em:

  • datasets

  • impressoras

  • arquivos

  • sistemas externos

É como uma porta de saída do CICS.


Curiosidade Histórica

Antes do IBM MQ dominar muitos ambientes corporativos, inúmeras integrações eram realizadas utilizando TDQs.

Durante décadas elas foram verdadeiras "mensageiras" do processamento batch.

Muitos bancos ainda utilizam esse mecanismo hoje.


Capítulo 11 — Performance

Uma pergunta frequente.

Qual é mais rápida?

A resposta correta é:

Depende do problema.

TSQ faz muito mais.

Ela:

  • altera

  • regrava

  • relê

Logo...

Possui mais operações.

TDQ é mais simples.

Escreveu.

Leu.

Removeu.

Por isso consegue ser extremamente eficiente para fluxos sequenciais.


Capítulo 12 — O Que Acontece em Caso de Erro?

Aqui aparece outro detalhe interessante.

Imagine:

Programa gravou informações na TSQ.

Ocorreu um ABEND.

Dependendo da forma como a fila foi definida (recoverable ou não), ela pode participar da Unidade de Trabalho (UOW) do CICS e ser afetada por um SYNCPOINT ROLLBACK.

Esse comportamento é controlado pela configuração do ambiente e é um tema importante para arquiteturas críticas.

O mesmo vale para TDQs: o comportamento de recuperação varia conforme o tipo da fila e sua definição administrativa.

É por isso que arquitetos CICS sempre conversam com administradores antes de decidir qual fila utilizar.


Capítulo 13 — Os Erros que Todo Iniciante Comete

Erro 1

Guardar sessão do usuário em TDQ.

Resultado:

Nada funciona ao voltar de tela.


Erro 2

Guardar logs em TSQ.

Resultado:

Consumo enorme de armazenamento.


Erro 3

Nunca apagar TSQs.

Resultado:

Acúmulo desnecessário de filas temporárias.


Erro 4

Esperar alterar um registro da TDQ.

Não existe UPDATE.

Nem REWRITE.


Erro 5

Achar que COMMAREA substitui TSQ.

Não substitui.

COMMAREA é excelente para transportar dados entre programas na mesma transação.

TSQ é melhor quando a informação precisa permanecer disponível durante várias etapas ou quando seu volume excede o que é conveniente manter na COMMAREA.


Dicas de Ouro para Entrevistas

Quando o entrevistador perguntar:

"Quando usar TSQ?"

Nunca responda apenas:

"Quando preciso guardar dados."

Diga:

"Quando preciso manter informações temporárias disponíveis para múltiplas leituras, possíveis atualizações e acesso por item durante o processamento da aplicação."


Quando perguntarem:

"Quando usar TDQ?"

Responda:

"Quando os dados representam um fluxo de processamento sequencial e devem ser consumidos apenas uma vez, como logs, auditorias e interfaces batch."

Essa resposta demonstra que você compreendeu a filosofia por trás de cada estrutura, não apenas a sintaxe.


Easter Egg Nº 2 ☕

Observe as iniciais:

Temporary Storage Queue

TSQ

A palavra importante não é Queue.

É Storage.

Ela nasceu para armazenar.

Já em:

Transient Data Queue

TDQ

A palavra importante é Transient.

Ela nasceu para passar, transitar, seguir viagem.

Os próprios nomes entregam sua verdadeira natureza.


Curiosidade IBM

Nos grandes bancos é comum encontrar milhares de TSQs e TDQs sendo utilizadas simultaneamente por aplicações diferentes. O CICS gerencia tudo isso de forma transparente, mantendo isolamento entre transações e garantindo alto desempenho mesmo sob cargas gigantescas.


Bellacosa Insight ☕

Existe uma frase que poderia estar gravada na porta de todo CPD:

"Dados que ainda contam uma história pertencem à TSQ. Dados que já cumpriram sua missão pertencem à TDQ."

Essa simples ideia resume décadas de experiência em arquitetura CICS.


O Veredito Final

No fim da investigação, o jovem programador percebeu que o verdadeiro mistério nunca foi descobrir como gravar dados em uma fila, mas entender por que o CICS oferece duas filas com comportamentos tão distintos.

A TSQ é o caderno do investigador: guarda pistas, aceita anotações, permite voltar páginas e revisar hipóteses até que o caso seja encerrado. Ela representa o estado temporário da aplicação, preservando contexto, formulários, cálculos intermediários e informações que ainda podem mudar.

A TDQ, por outro lado, é a esteira do departamento de evidências: cada registro segue seu caminho, é analisado uma única vez e então desaparece. É a ferramenta ideal para logs, auditorias, integração com processamento batch e qualquer fluxo em que a informação deve ser consumida sem possibilidade de retorno.

Dominar essa diferença é um dos ritos de passagem de todo desenvolvedor COBOL/CICS. Afinal, escrever um programa que funciona é importante; escrever um programa que escolhe a estrutura correta para cada tipo de dado é o que separa o iniciante do profissional capaz de manter aplicações que movimentam bilhões de reais todos os dias.

E, como em toda boa história noir dos anos 1950, o maior segredo estava escondido à vista de todos: as duas filas sempre estiveram lado a lado, mas apenas quem compreende sua natureza sabe qual delas abrir quando uma nova transação bate à porta do CICS.


quarta-feira, 10 de julho de 2019

🚍 Lanches da Rodoviária – O Banquete do Asfalto e da Saudade

 


🚍 Lanches da Rodoviária – O Banquete do Asfalto e da Saudade
por El Jefe – Bellacosa Mainframe Midnight Lunch Edition

Há cheiros que te teleportam no tempo.
Um deles é o da chapa da rodoviária — gordura antiga, café passado no coador de pano e pão francês tostando ao lado de um pastel tristonho, enquanto alto-falantes anunciam partidas e reencontros.
Os lanches de rodoviária, meus caros padawans do asfalto, são a gastronomia dos que estão de passagem.
O combustível sentimental de quem carrega mala, lembrança e esperança.

🧳 Origem – Nascidos no coração da viagem
Tudo começou nos anos 1960, quando São Paulo expandia seu império de concreto e o Terminal Rodoviário do Parque Dom Pedro II virou o ponto de partida dos viajantes do interior.
Os bares e lanchonetes que surgiram ali precisavam ser rápidos, baratos e honestos.
Assim nasceram os lanches de rodoviária: misto quente, pão com pernil, coxinha, empada, pastel e café preto — a santíssima trindade do viajante brasileiro.

Com o tempo, a grande São Paulo ganhou a Rodoviária do Tietê, nos anos 80 — e com ela, uma nova geração de bares de balcão inox, atendentes com avental e cardápio que parecia não mudar desde a ditadura.
Ali, o lanche era mais que comida: era um intervalo existencial entre o que ficou e o que vem pela frente.

🥪 O menu da saudade
O pão com presunto e queijo era o clássico absoluto.
Mas o hit da madrugada era o X-Tudo rodoviário, um monumento de camadas: hambúrguer, presunto, queijo, ovo, milho, bacon e batata palha — uma pilha que desafiava as leis da física e da digestão.
Pra acompanhar, o onipresente café expresso servido fervendo, aquele que queimava o céu da boca mas curava a alma cansada.

🚌 O ritual do balcão
O verdadeiro lanche de rodoviária não é saboreado sentado — é consumido em pé, apoiando o cotovelo no balcão de alumínio, observando o fluxo humano.
Ao lado, um motorista da Viação Cometa cochila; do outro, uma senhora segura um saco de pão com frango e farofa; e ao fundo, toca um rádio chiando Amado Batista.
É o teatro da brasilidade em loop infinito.

📜 Lendas e personagens do embarque
Dizem que o primeiro X-Tudo do Tietê foi inventado por um cozinheiro que trabalhava nas madrugadas e, cansado de repetir pedidos, jogou “tudo que tinha na chapa”.
Outro mito conta que um balconista famoso, o Seu Gervásio, lembrava o pedido de cada freguês habitual — do “misto sem queijo, café sem açúcar” ao “cachorro-quente duplo da 1h da manhã”.
E há quem jure que o melhor pastel de carne da cidade era o da rodoviária, “porque o óleo já tinha história”.

🍴 Adaptações e modernidades
Hoje, a rodoviária é Wi-Fi, ar-condicionado e franquia. O lanche virou combo, o café virou latte, e a coxinha vem em embalagem sustentável.
Mas os clássicos de raiz sobrevivem nos cantos esquecidos: o balcão antigo, o pão murcho mas sincero, o garçom que ainda chama de “chefe”.
Esses lugares resistem ao avanço da gourmetização como um CICS antigo que ninguém ousa desligar — porque se desligar, talvez o sistema (e a alma paulistana) não volte mais.

💬 Fofoquices do asfalto
Consta que muitos romances começaram com um “me passa o açúcar?” no balcão da rodoviária.
Que músicos de bar escreveram letras inteiras ali, entre um café e outro.
E que o segurança que trabalha no Tietê há 30 anos diz ter visto mais despedidas reais do que qualquer telenovela.

💡 Dicas do Bellacosa
Se quiser sentir o gosto da estrada sem sair da cidade:

  • Vá ao Terminal Tietê entre 23h e 2h;

  • Peça um X-Tudo e um pingado bem tirado;

  • E observe o embarque — cada ônibus é um capítulo, cada lanche, um alívio.

🖤 Reflexão do El Jefe Midnight Lunch
Os lanches da rodoviária são o BIOS do Brasil — sempre carregando, sempre reiniciando.
Eles alimentam quem chega e quem parte, quem chora e quem volta rindo.
Na pressa do embarque, é ali que a gente entende que a vida é feita de pequenos intervalos entre a partida e o destino.


🥪 Bellacosa Mainframe – porque até o lanche da rodoviária merece um post com alma e graxa de chapa.


terça-feira, 9 de julho de 2019

🐗 ASTERIX, OBELIX E O CAPACITY PLANNING DA ALDEIA QUE RESISTIA AOS INCIDENTES

 

Bellacosa Mainframe capacity planning

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🐗 ASTERIX, OBELIX E O CAPACITY PLANNING DA ALDEIA QUE RESISTIA AOS INCIDENTES

COBOL, SMF, RMF, WLM, CICS, Db2, MQ, CPU, I/O, filas, latência, observabilidade, performance, forecasting — e o dia em que Obelix descobriu que capacidade infinita só existe para quem caiu no caldeirão quando era pequeno.



🎬 PRÓLOGO — TODA A GÁLIA ESTÁ OCUPADA...

Estamos no ano 50 antes de Cristo.

Toda a Gália foi ocupada pelos romanos.

Toda?

Não!

Uma pequena aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor.

Séculos depois, algo muito parecido acontece dentro de um enorme datacenter.

Toda a empresa foi tomada por containers, microsserviços, Kubernetes, APIs, dashboards coloridos e aplicações distribuídas.

Toda?

Não!

No centro do datacenter existe uma pequena — bem, pequena é modo de dizer — plataforma que continua processando milhões de transações.

O mainframe.

Na entrada dessa aldeia digital encontramos um jovem programador COBOL.

Ele olha assustado para uma tela do SDSF.

CPU UTILIZATION = 92%

Ele arregala os olhos.

— Asterix! Temos um incidente! A CPU está em 92%!

Asterix observa tranquilamente.

Obelix chega carregando dois javalis e pergunta:

— Podemos bater nos romanos?

— Ainda não, Obelix.

Panoramix aparece segurando uma concha de sua poção mágica.

Ele olha para o jovem programador e pergunta:

— 92% de quê? Durante quanto tempo? Para qual workload? Em qual LPAR? Qual era o volume de transações? Qual era o objetivo definido no WLM? Houve fila? O SLA foi violado?

Silêncio.

O jovem programador olha novamente para a tela.

Naquele momento começa nossa aventura.

Porque um número sem contexto não é diagnóstico.



🏛️ CAPÍTULO 1 — A ALDEIA CHAMADA z/OS

Imagine o z/OS como nossa aldeia gaulesa.

Dentro dela existem muitos moradores:

                    ALDEIA z/OS

       ┌─────────────────────────────┐
       │                             │
       │   COBOL      CICS           │
       │                             │
       │   Db2        IMS            │
       │                             │
       │   MQ         VSAM           │
       │                             │
       │   JES2       USS            │
       │                             │
       │   RACF       WLM            │
       │                             │
       └─────────────────────────────┘

Todos compartilham recursos.

CPU.

Memória.

I/O.

DASD.

Canais.

Filas.

Locks.

Cada workload possui características diferentes.

Uma transação de cartão precisa responder rapidamente.

Um relatório pode esperar um pouco.

Um batch de fechamento talvez possa consumir enormes quantidades de recursos durante a madrugada.

O primeiro erro do jovem Padawan COBOL é imaginar que o mainframe executa apenas seu programa.

Não.

Seu programa vive dentro de um ecossistema.

E performance é consequência da interação entre essas partes.



🔭 CAPÍTULO 2 — ASTERIX DESCOBRE A OBSERVABILIDADE

Certo dia, chega uma mensagem:

“O sistema está lento.”

Essa talvez seja uma das frases mais perigosas da informática.

Asterix pergunta:

— Qual sistema?

— O sistema.

— Qual transação?

— Todas.

— Desde quando?

— Hoje.

Isso não é diagnóstico.

Isso é o início de uma investigação.

Monitoramento normalmente responde perguntas conhecidas:

CPU está alta?

CICS está UP?

Db2 está disponível?

MQ está funcionando?

Há espaço em DASD?

Observabilidade vai além.

Ela permite investigar:

Por que o comportamento mudou?

Imagine:

Response Time

  ↑
2s|                       ███
  |                     ██   ██
1s|____________________█       █____
  |
  +--------------------------------→ tempo
                         14:32

O monitoramento diz:

ALERTA:

Response Time > 2 segundos

Ótimo.

Agora Asterix pergunta:

POR QUÊ?

E abre-se um exército de suspeitos:

                   LENTIDÃO
                      │
       ┌──────────────┼──────────────┐
       │              │              │
      CPU            Db2            I/O
       │              │              │
      WLM           LOCK             DASD
       │              │              │
     CICS             MQ            REDE
       │              │              │
   STORAGE          FILA           CÓDIGO

Observabilidade existe para transformar esses suspeitos em evidências.



🧙 CAPÍTULO 3 — PANORAMIX E OS INGREDIENTES DA POÇÃO

Panoramix explica que uma boa observabilidade possui ingredientes.

Os três famosos são:

METRICS
LOGS
TRACES

Mas na aldeia do z/OS podemos acrescentar uma enorme quantidade de registros e eventos operacionais.

Temos:

SMF
RMF
SYSLOG
OPERLOG
JES
SDSF
CICS logs
Db2 traces
MQ events
RACF records

Panoramix coloca tudo no caldeirão.

Obelix tenta beber.

— Você não, Obelix!

O objetivo não é simplesmente acumular dados.

Esse é um ponto fundamental.

Uma empresa pode armazenar terabytes de logs e ainda possuir péssima observabilidade.

Observabilidade não significa:

“Tenho muitos dados.”

Significa:

“Consigo utilizar esses dados para compreender o comportamento do sistema.”



📜 CAPÍTULO 4 — SMF, O ESCRIBA DA ALDEIA

Toda boa aldeia precisa de alguém registrando o que aconteceu.

No z/OS existe um mecanismo extremamente importante:

System Management Facilities — SMF.

Imagine um escriba sentado no centro da aldeia.

Passa um job.

Ele anota.

Um workload consome recursos.

Ele registra.

Um subsistema executa determinada atividade.

Outro registro pode ser produzido.

Simplificando bastante:

        z/OS
          │
   ┌──────┼───────┐
   │      │       │
 JOBS    CPU     I/O
   │      │       │
 CICS    Db2      MQ
   │      │       │
   └──────┼───────┘
          ▼
         SMF
          │
          ▼
       RECORDS
          │
          ▼
       ANÁLISE

Existem numerosos tipos e subtipos de registros.

O iniciante frequentemente pergunta:

— Preciso decorar todos?

Não.

Asterix responde:

— Primeiro aprenda qual pergunta você está tentando responder.

Essa é uma excelente regra de performance.

Não comece pela ferramenta.

Comece pela pergunta.


📊 CAPÍTULO 5 — RMF E O ESCUDO DE ASTERIX

Se SMF registra uma enorme quantidade de acontecimentos, o Resource Measurement Facility — RMF ajuda a observar recursos e comportamento do sistema.

Pense no RMF como o painel de instrumentos da aldeia.

                    RMF
                     │
       ┌─────────────┼─────────────┐
       │             │             │
      CPU          STORAGE        I/O
       │             │             │
      WLM          PAGING       DEVICES
       │                           │
       └─────────────┬─────────────┘
                     ▼
                 PERFORMANCE

Agora encontramos outra armadilha.

CPU em 90% não significa automaticamente problema.

CPU em 30% também não significa automaticamente ambiente saudável.

A pergunta correta é:

O workload está conseguindo cumprir seus objetivos?

Podemos ter 90% de CPU com excelentes tempos de resposta.

E podemos ter 30% de CPU enquanto determinada aplicação sofre esperando locks, I/O ou algum recurso externo.

Performance exige contexto.


🚦 CAPÍTULO 6 — WLM, O ABRACURCIX DOS WORKLOADS

Abracurcix, o chefe da aldeia, possui um problema.

Todo mundo quer alguma coisa.

O ferreiro quer trabalhar.

O peixeiro quer vender peixe.

Obelix quer javalis.

Asterix precisa expulsar os romanos.

E o bardo Assurancetourix quer cantar.

Este último talvez possa esperar.

No z/OS temos problema semelhante.

Diferentes workloads disputam recursos.

Entra o Workload Manager — WLM.

Simplificando:

                 RECURSOS
                    │
                   WLM
                    │
       ┌────────────┼────────────┐
       │            │            │
     ONLINE       BATCH      RELATÓRIO
       │            │            │
   importante    importante    pode esperar

WLM trabalha com conceitos como:

  • service classes;

  • goals;

  • importance;

  • periods;

  • workloads.

Não pense nele simplesmente como uma tabela fixa de prioridades.

A ideia é muito mais interessante:

gerenciar recursos procurando atender objetivos de serviço definidos para os workloads.

Isso aproxima tecnologia de negócio.


⏱️ CAPÍTULO 7 — OBELIX DESCOBRE QUE RESPONSE TIME NÃO É CPU TIME

Chega uma transação demorando:

1.800 ms

Obelix declara:

— O COBOL gastou 1,8 segundo!

Panoramix quase deixa cair o caldeirão.

Não necessariamente.

Response time pode conter diversos componentes.

Didaticamente:

RESPONSE TIME
     │
     ├── CPU
     ├── I/O Wait
     ├── Db2 Wait
     ├── Lock Wait
     ├── Queue
     ├── Dispatch Delay
     ├── Network
     └── outros tempos

Imagine:

Response Time ........ 1800 ms

CPU ..................  110 ms
Db2 ..................  420 ms
I/O ..................  260 ms
Lock .................. 650 ms
Queue/Dispatch ........ 260 ms
Network ............... 100 ms

Nosso COBOL efetivamente consumiu apenas uma parcela daquele tempo.

Se o programador passar uma semana tentando economizar 10 ms de CPU enquanto existem 650 ms relacionados a lock, ele está atacando o romano errado.


🕵️ CAPÍTULO 8 — ASTERIX INVESTIGA O INCIDENTE

Asterix cria um método:

SINTOMA
   ↓
ESCOPO
   ↓
MÉTRICAS
   ↓
CORRELAÇÃO
   ↓
HIPÓTESE
   ↓
EVIDÊNCIA
   ↓
CAUSA
   ↓
CORREÇÃO
   ↓
VALIDAÇÃO

Recebemos:

“CICS está lento.”

Primeira pergunta:

Desde quando?

Depois:

Todas as transações?

Depois:

Uma região?

Um programa?

Uma API específica?

Uma LPAR?

Um horário?

Agora correlacionamos.

14:00 normal

14:15 deploy

14:20 Db2 calls ↑

14:22 I/O ↑

14:25 Response Time ↑

14:30 reclamações

De repente temos uma história.

Isso é muito mais útil do que observar cinco dashboards isoladamente.


🧮 CAPÍTULO 9 — O JAVALI PRECISA DE DENOMINADOR

Obelix comeu ontem:

10 javalis

Hoje:

13 javalis

Asterix anuncia:

— Seu consumo aumentou 30%!

Matematicamente correto.

Mas imagine que ontem Obelix enfrentou 100 romanos e hoje enfrentou 200.

Precisamos de contexto.

No mainframe:

CPU ontem = 1000 segundos

CPU hoje = 1300 segundos

Parece pior.

Mas:

Ontem:
1.000.000 transações

Hoje:
1.500.000 transações

Então precisamos analisar também algo como:

CPU / transação

Apesar de a CPU total ter aumentado, o custo por transação pode ter diminuído.

Essa ideia é poderosíssima.

Podemos acompanhar:

CPU / transaction
CPU / customer
CPU / order
CPU / batch record
I/O / transaction
SQL / transaction
messages / transaction

Estamos aproximando a linguagem técnica da linguagem do negócio.


💾 CAPÍTULO 10 — OBELIX E OS QUATRO MILHÕES DE EXCPS

Nosso jovem COBOL escreve:

PERFORM UNTIL WS-EOF = 'S'
    READ ARQUIVO
    ...
END-PERFORM.

Funciona.

Então ele pergunta:

— Está bom?

Asterix responde:

— Quantos registros?

10.000?

10.000.000?

1.000.000.000?

E como eles são acessados?

Sequencialmente?

Aleatoriamente?

VSAM?

Db2?

Qual é o comportamento de buffers?

Qual é o padrão de I/O?

Compare:

PROGRAMA A

CPU ........ 40 segundos
EXCP ....... 80.000

com:

PROGRAMA B

CPU ........ 45 segundos
EXCP ....... 4.000.000

Olhando somente CPU, parecem próximos.

Olhando I/O, descobrimos dois animais completamente diferentes.


🗄️ CAPÍTULO 11 — O ROMANO ESCONDIDO DENTRO DO Db2

Considere:

EXEC SQL
   SELECT NOME,
          SALDO
     INTO :WS-NOME,
          :WS-SALDO
     FROM CLIENTE
    WHERE CPF = :WS-CPF
END-EXEC.

O COBOL parece inocente.

Mas por trás podem existir:

INDEX
ACCESS PATH
BUFFER POOL
GETPAGE
I/O
LOCK
SORT
STATISTICS
CONCURRENCY

Por isso:

PROGRAMA LENTO

não significa automaticamente:

COBOL LENTO

Talvez o access path tenha mudado.

Talvez a tabela tenha crescido.

Talvez existam estatísticas inadequadas.

Talvez tenhamos lock contention.

O programador COBOL moderno precisa aprender a enxergar além do código COBOL.


📬 CAPÍTULO 12 — O CORREIO DE OBELIX CHAMADO MQ

Imagine IBM MQ.

Produtor:

5.000 mensagens/s

Consumidor:

4.500 mensagens/s

Tudo está UP.

Queue Manager funcionando.

Channels funcionando.

Aplicações funcionando.

Mas temos:

+500 mensagens/s

acumulando.

Depois de uma hora:

500 × 3600
=
1.800.000 mensagens

Nada necessariamente “caiu”.

Mesmo assim temos um incidente em formação.

Por isso não basta perguntar:

MQ está UP?

Precisamos observar também:

Queue Depth
Arrival Rate
Consumption Rate
Oldest Message Age
Retries
DLQ
Latency
Channel Status

Essa é uma das diferenças entre disponibilidade e observabilidade.


🌙 CAPÍTULO 13 — A BATALHA DA JANELA BATCH

Quando a aldeia dorme, começam os jobs.

22:00 ─────────────────────── 06:00

            BATCH WINDOW

Hoje:

JOB A  22:00 → 23:00

JOB B  23:00 → 01:30

JOB C  01:30 → 03:00

JOB D  03:00 → 04:30

Tudo perfeito.

Mas o negócio cresce 10% ao mês.

Pouco a pouco:

Mês 1   █████████████

Mês 2   ███████████████

Mês 3   █████████████████

Mês 4   ████████████████████

Até que:

BATCH ────────────────────────→
                         │
                         ▼
                    06:00 ONLINE

A janela estourou.

E é aqui que aparece nosso terceiro personagem:

Capacity Planning.


🔮 CAPÍTULO 14 — PANORAMIX NÃO TEM POÇÃO DE CAPACIDADE INFINITA

Capacity Planning não significa esperar CPU chegar a determinado percentual e comprar uma máquina maior.

A pergunta correta é:

Com a capacidade atual, crescimento previsto, perfil dos workloads e objetivos de serviço, durante quanto tempo conseguiremos atender a demanda de maneira sustentável?

Precisamos combinar:

CAPACIDADE ATUAL
       +
UTILIZAÇÃO
       +
CRESCIMENTO
       +
SAZONALIDADE
       +
NOVAS APLICAÇÕES
       +
ROADMAP
       +
EFICIÊNCIA
       +
OBJETIVOS DE SERVIÇO
       =
CAPACITY PLANNING

Isso muda completamente a conversa.


📈 CAPÍTULO 15 — QUAL É O NORMAL DA ALDEIA?

Antes de detectar uma anomalia, precisamos conhecer o normal.

Chamamos isso de baseline.

Imagine:

00h   ███

02h   █████████████

04h   ██████████

06h   ████

10h   ████████

12h   ███████████

18h   █████

22h   █████████

CPU alta às 02:00 pode ser completamente normal.

Talvez seja fechamento diário.

Então:

alto não significa anormal.

E:

baixo não significa saudável.

Baseline nos permite perguntar:

Esse comportamento é esperado para esse workload, nesse horário, nesse dia e com esse volume?


🎄 CAPÍTULO 16 — OS ROMANOS ATACAM NA BLACK FRIDAY

Médias podem ser perigosas.

Imagine:

CPU média diária = 55%

Parece confortável.

Mas escondemos:

00h ───────────────────────────── 24h

30%  35%  40%  98%  99%  35%  30%
               ↑─────↑
               PEAK

Se essas duas horas representam o horário crítico de Black Friday, a média de 55% é praticamente inútil para entender o risco.

Capacity Planning precisa conhecer:

peak hour
peak interval
peak day
sazonalidade
eventos especiais

O mesmo ocorre com latência.

Uma média:

300 ms

pode esconder:

P50 = 180 ms
P95 = 900 ms
P99 = 4,8 s

Para uma pequena parcela dos clientes, o sistema pode estar terrível enquanto a média continua bonita.


💰 CAPÍTULO 17 — ASTERIX DESCOBRE QUE MILISSEGUNDO VALE DINHEIRO

Antes:

CPU / transaction = 8 ms

Depois da otimização:

CPU / transaction = 6 ms

Economizamos:

2 ms

Obelix ri.

— Dois milissegundos?

Agora multiplicamos por:

100.000.000 transações/mês

Temos:

0,002 × 100.000.000
=
200.000 CPU seconds

Aproximadamente:

55,6 CPU hours

Agora Obelix para de rir.

Em sistemas de enorme escala:

pequenas economias multiplicadas milhões de vezes deixam de ser pequenas.

Performance também possui dimensão econômica.


🚨 CAPÍTULO 18 — UTILIZAÇÃO NÃO É SATURAÇÃO

Imagine a taberna gaulesa.

Existem 20 mesas.

18 estão ocupadas.

Utilização = 90%

Mas ninguém espera.

Agora temos:

20 mesas ocupadas

+ 40 gauleses esperando

O recurso está saturado.

Essa distinção é essencial.

Utilização pergunta:

Quanto do recurso está sendo utilizado?

Saturação pergunta:

Existe trabalho esperando porque o recurso não consegue atendê-lo imediatamente?

Por isso investigamos:

queues
waits
contention
paging
locks
dispatch delay
I/O contention

Um gráfico de utilização sozinho nunca conta toda a história.


🚗 CAPÍTULO 19 — PANORAMIX APRESENTA LITTLE'S LAW

Panoramix escreve numa pedra:

L = λW

Obelix pergunta:

— Isso é receita de poção?

Quase.

Onde:

L = quantidade média de itens no sistema
λ = taxa média de chegada
W = tempo médio no sistema

Se recebemos:

500 transações/s

e cada uma permanece em média:

0,2 s

temos aproximadamente:

L = 500 × 0,2

L = 100

Cerca de 100 transações estão presentes simultaneamente nesse modelo simplificado.

Essa pequena equação conecta três conceitos fundamentais:

VOLUME
  │
  ▼
CONCORRÊNCIA
  │
  ▼
LATÊNCIA

Bem-vindo à teoria das filas.


🧪 CAPÍTULO 20 — O INCIDENTE DOS 100.000 SELECTS

Agora vamos juntar tudo.

Às 09:00:

Response Time = 250 ms

Às 10:30:

Response Time = 1800 ms

Asterix investiga.

CPU?

Normal.

Storage?

Normal.

I/O?

Um pouco maior.

Db2?

Espera aumentou.

Qual SQL?

Encontramos uma consulta disparando milhares de vezes.

E então descobrimos:

DEPLOY = 10:15

Alguém alterou:

PERFORM 100000 TIMES

    EXEC SQL
       SELECT ...
    END-EXEC

END-PERFORM.

Agora conseguimos construir uma narrativa causal:

DEPLOY
   ↓
ALTERAÇÃO COBOL
   ↓
MAIS SQL
   ↓
MAIS Db2 CALLS
   ↓
MAIS I/O
   ↓
MAIS CONTENÇÃO
   ↓
MAIOR RESPONSE TIME
   ↓
SLA VIOLADO

Isso é observabilidade.

Não:

CPU = 63%

Mas:

uma cadeia de evidências explicando o comportamento do serviço.


🧬 CAPÍTULO 21 — PERFORMANCE ENTRA NO CI/CD

E por que esperar produção?

Nosso pipeline poderia evoluir:

Git
 │
 ▼
Build
 │
 ▼
Unit Test
 │
 ▼
Integration Test
 │
 ▼
Performance Test
 │
 ▼
Baseline Comparison
 │
 ▼
Quality Gate
 │
 ▼
Deploy
 │
 ▼
Observability

Imagine:

VERSÃO ATUAL

CPU/transação = 4,1 ms

Nova versão:

CPU/transação = 5,8 ms

Funcionalmente:

PASS

Mas performance:

+41%

Precisamos pelo menos investigar antes de produção.

Essa é uma mudança cultural enorme.

Performance deixa de ser assunto apenas do pessoal que aparece depois do incidente.

Passa a fazer parte do ciclo de engenharia.


🤖 CAPÍTULO 22 — O DRUIDA DIGITAL: AIOps

Agora imagine décadas de dados operacionais.

SMF.

RMF.

CICS.

Db2.

MQ.

Logs.

Eventos.

Temos material excelente para:

Anomaly Detection
Forecasting
Correlation
Pattern Recognition
Capacity Forecast
Incident Clustering
Change Analysis

Uma IA não precisa simplesmente avisar:

CPU > 90%

Isso um threshold consegue fazer.

Algo mais interessante seria:

“Esse comportamento está significativamente diferente do baseline histórico desse workload para quintas-feiras entre 14:00 e 15:00.”

Melhor ainda:

CPU ........ comportamento normal

Db2 ........ comportamento normal

CICS ....... comportamento normal

MQ Depth ... +317% sobre baseline

Agora temos uma pista relevante.


🧭 CAPÍTULO 23 — OS QUATRO SINAIS DA ALDEIA

Para o jovem programador COBOL, podemos começar com quatro perguntas.

Latency

Quanto demora?

CICS response time
Db2 elapsed
MQ latency
batch elapsed
API response

Traffic

Quanto trabalho está chegando?

TPS
transactions
messages/sec
records
SQL calls
requests

Errors

Quanto está falhando?

ABEND
SQLCODE
CICS errors
MQ failures
JCL failures
timeouts

Saturation

Estamos chegando ao limite?

CPU
storage
I/O
queues
locks
paging
WLM delays

Sempre que receber:

“Está lento.”

Pense nesses quatro grupos.


🪜 CAPÍTULO 24 — O CAMINHO DO PADAWAN COBOL

Eu estudaria performance em camadas.

Nível 1 — aplicação

COBOL
JCL
CICS
Db2
VSAM
MQ

Entenda primeiro aquilo que está executando.

Nível 2 — métricas

CPU
Elapsed
EXCP
Response Time
Transactions
Throughput

Aprenda a medir.

Nível 3 — plataforma

SMF
RMF
SDSF
WLM

Aprenda de onde vêm as evidências.

Nível 4 — investigação

baseline
correlation
bottleneck
contention
queue
wait

Aprenda a encontrar relações.

Nível 5 — capacidade

trend
forecast
growth
peak
saturation
headroom

Aprenda a olhar para amanhã.

Nível 6 — enterprise

APM
OpenTelemetry
dashboards
AIOps
hybrid cloud
business observability

Agora você consegue acompanhar uma jornada atravessando plataformas.


🗺️ CAPÍTULO 25 — PASSO A PASSO PARA INVESTIGAR “ESTÁ LENTO”

Guarde este pequeno roteiro.

Quando alguém disser:

“O sistema está lento.”

Não saia alterando COBOL.

Pergunte:

Passo 1 — Quando começou?

Determine intervalo.

Passo 2 — Qual é o escopo?

Uma transação?

Uma aplicação?

Uma região CICS?

Todos os usuários?

Passo 3 — O volume mudou?

Compare TPS, registros, mensagens ou usuários.

Passo 4 — O que mudou?

deploy
configuração
Db2
JCL
WLM
rede
infraestrutura
volume

Passo 5 — Separe CPU de elapsed time.

Não trate os dois como sinônimos.

Passo 6 — Procure waits.

I/O
Db2
lock
MQ
queue
dispatch

Passo 7 — Compare com baseline.

Pergunte:

Isso já aconteceu nesse horário?

Passo 8 — Correlacione eventos.

Procure o primeiro indicador que mudou.

Passo 9 — Forme uma hipótese.

Não uma opinião.

Uma hipótese testável.

Passo 10 — Valide.

Depois da correção, compare novamente as métricas.

Sem validação, você não sabe se realmente resolveu.


🐗 CAPÍTULO 26 — CURIOSIDADES DA ALDEIA

Curiosidade 1

Mainframes historicamente geram uma quantidade extraordinária de telemetria operacional.

A dificuldade muitas vezes não é conseguir informação.

É transformá-la em conhecimento.

Curiosidade 2

Um programa pode utilizar menos CPU e ainda ficar mais lento.

Basta aumentar tempo de espera.

Curiosidade 3

Um sistema pode estar 100% disponível e operacionalmente doente.

A fila MQ crescendo continuamente é um excelente exemplo.

Curiosidade 4

Otimização local pode piorar o sistema global.

Aumentar paralelismo pode diminuir o elapsed de um batch enquanto prejudica outros workloads.

Curiosidade 5

A média pode esconder justamente os clientes que estão sofrendo.

Por isso percentis e distribuição são tão interessantes.


🥚 EASTER EGG — O INCIDENTE DAS 03:17

Certa madrugada, exatamente:

03:17

o alarme dispara.

Obelix corre para a sala:

— ROMANOS!

Não.

CPU normal.

CICS normal.

Db2 normal.

MQ normal.

Mesmo assim o batch está atrasado.

Asterix investiga.

Descobre que um pequeno job aparentemente insignificante atrasou.

Ele era predecessor de outro.

Que era predecessor de outro.

Que era predecessor de 47 outros jobs.

O pequeno job consumia quase nada.

Mas estava no critical path.

Moral do Easter Egg:

O componente que mais consome recursos nem sempre é o componente mais importante para a performance do serviço.

Às vezes um job de poucos segundos possui impacto maior no negócio do que outro que consome horas de CPU.

E sim...

03:17.

Quem acompanha o Bellacosa Mainframe já deveria desconfiar desse horário.


🏁 EPÍLOGO — POR TUTATIS, NÃO É SÓ CPU!

Depois de meses de treinamento, nosso jovem programador recebe novamente:

CPU = 92%

Obelix pergunta:

— Não vai abrir incidente?

O programador responde:

— Ainda não.

Asterix sorri.

O jovem continua:

— Quero saber qual workload está utilizando essa CPU, qual era o volume naquele intervalo, como está o response time, se existe saturação, como estão os goals do WLM, se houve mudança no comportamento de CICS, Db2, MQ ou I/O e como isso se compara ao baseline.

Panoramix sorri.

O treinamento funcionou.

Porque agora ele compreendeu:

OBSERVABILIDADE
       │
       ▼
O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
       │
       ▼
PERFORMANCE
       │
       ▼
POR QUE ESTÁ ACONTECENDO?
       │
       ▼
CAPACITY PLANNING
       │
       ▼
O QUE PODERÁ ACONTECER?
       │
       ▼
ENGENHARIA
       │
       ▼
O QUE FAREMOS ANTES?

Essa última pergunta talvez seja a mais importante de todas.

Um ambiente imaturo descobre falta de capacidade quando produção começa a sofrer.

Um ambiente maduro observa tendências.

Um engenheiro de performance procura gargalos.

Um Capacity Planner projeta crescimento.

E uma organização verdadeiramente observável consegue relacionar:

INFRAESTRUTURA
      +
APLICAÇÃO
      +
WORKLOAD
      +
EXPERIÊNCIA
      +
NEGÓCIO

Não queremos descobrir durante a Black Friday que o sistema precisava de mais capacidade.

Não queremos descobrir durante o fechamento que nossa janela batch deixou de caber na madrugada.

Não queremos descobrir depois de milhões de mensagens acumuladas que nossos consumidores MQ eram mais lentos que os produtores.

Queremos descobrir tudo isso meses antes.

Talvez numa terça-feira tranquila.

CPU em 63%.

CICS respondendo perfeitamente.

Db2 saudável.

MQ vazio.

Nenhum ABEND.

Nenhum romano à vista.

Asterix sentado sob uma árvore.

Obelix assando um javali.

E Panoramix olhando silenciosamente para um gráfico aparentemente inocente que mostra:

Capacity
100% |                         X
     |                       /
 80% |                    __/
     |                 __/
 60% |              __/
     |           __/
 40% |__________/
     |
     +----------------------------→ tempo
        HOJE             +8 meses

Ele aponta para o futuro e diz:

— É ali que teremos um problema.

Obelix olha para o gráfico.

Depois olha para o caldeirão.

— Então precisamos fazer mais poção?

Panoramix responde:

— Não, Obelix.

— Precisamos fazer Capacity Planning.

E enquanto toda a empresa continua discutindo se mainframe é antigo ou moderno, nossa pequena aldeia continua processando bilhões de transações.

Porque capacidade não é magia.

Performance não é chute.

Observabilidade não é um dashboard cheio de gráficos.

E um verdadeiro engenheiro de mainframe não espera os romanos chegarem aos portões para começar a contar quantos são.

Por Tutatis! Meça primeiro. Correlacione depois. Planeje antes. ☕🐗🖥️

domingo, 7 de julho de 2019

🈶 Tatemae e Honne — A Arte Japonesa de Equilibrar Verdade e Harmonia

 


🈶 Tatemae e Honne — A Arte Japonesa de Equilibrar Verdade e Harmonia

Título original: 建前と本音
Leitura: Tatemae to Honne
Significado literal: “A fachada construída e o som verdadeiro”
Origem: Filosofia social japonesa
Tema: A dualidade entre o que mostramos e o que realmente sentimos


🌗 Introdução: Entre o que se sente e o que se mostra

Você já engoliu uma verdade para não ferir alguém?
Já sorriu quando por dentro só queria silêncio?
Então, sem saber, você viveu o Tatemae e o Honne.

O Japão apenas deu nome e dignidade a esse conflito universal.
Lá, viver entre o que se sente e o que se mostra não é falsidade — é sabedoria social.
É entender que a harmonia (wa, 和) é um bem tão precioso quanto a verdade.


🧩 O Que É Tatemae e O Que É Honne

ConceitoSignificadoExemplo
Tatemae (建前)“Fachada construída” — o comportamento que você adota em público para manter harmonia.Dizer “estou bem” mesmo cansado, para não preocupar os outros.
Honne (本音)“Som verdadeiro” — seus sentimentos, opiniões e desejos autênticos.Pensar “eu só queria ficar sozinho hoje”.

O equilíbrio entre os dois é a dança da convivência humana.
No Japão, isso é tão natural quanto respirar — e tão essencial quanto manter a honra.


🕰️ Um Breve Contexto Histórico

Durante o Período Edo (1603–1868), a sociedade japonesa era rigidamente hierárquica.
A sobrevivência dependia de respeitar papéis sociais e preservar a aparência de harmonia.
Foi aí que o tatemae e o honne floresceram como ferramentas de coexistência.

Quando o Japão abriu suas portas ao Ocidente, essa dualidade ganhou um novo sentido:
como equilibrar tradição e modernidade, coletividade e individualismo.

Assim, o tatemae/honne se tornou a alma invisível da etiqueta japonesa — e também, o código emocional de milhões de pessoas no mundo que buscam equilíbrio entre autenticidade e empatia.


🎎 A Filosofia Por Trás do Tatemae

O tatemae não é mentira, é respeito.
Ele existe para evitar atrito, preservar relações e proteger o espaço do outro.

O japonês não pergunta: “O que é verdade?”
Ele pergunta: “O que é apropriado dizer agora, para que ninguém se fira?”

Já o honne não é rebeldia, é essência.
Ele vive guardado no íntimo, revelado apenas aos mais próximos, como quem oferece um presente raro.

O equilíbrio entre os dois é o que torna a convivência delicada, humana e suportável.


💡 Curiosidades Bellacosa

  • Na língua japonesa, há expressões que suavizam o honne, como “chotto...” (um pouquinho...) — uma forma de dizer “não” sem dizer “não”.

  • No ambiente corporativo, o tatemae é vital: confrontar um chefe diretamente pode ser visto como falta de educação, mesmo estando certo.

  • Muitos ocidentais confundem o tatemae com hipocrisia, mas no Japão ele é prova de maturidade emocional.

  • Em animes, personagens introspectivos (como Shinji Ikari de Evangelion ou Hachiman de Oregairu) vivem o conflito tatemae/honne de forma dramática e simbólica.


🧘 Como Aplicar na Vida Real (Mesmo Sem Ser Japonês)

  1. Aprenda a medir o momento. Nem toda verdade precisa ser dita na hora.

  2. Pratique empatia silenciosa. Às vezes, compreender sem julgar é mais forte que confrontar.

  3. Reserve espaço para o seu honne. Escreva, reflita, fale com quem te entende.

  4. Não confunda diplomacia com falsidade. Ser educado não é ser falso — é ser sábio.

  5. Revele o honne com propósito. Quando falar de verdade, que seja para construir, não ferir.


💬 Comentário Bellacosa

O tatemae e o honne são o que o código-fonte é para o programa:
invisíveis, mas determinantes.

Eles mostram que viver é uma constante negociação entre autenticidade e harmonia.
E que, às vezes, manter a paz também é um ato de coragem.

No fundo, quem domina o tatemae/honne não está se escondendo — está preservando a beleza do convívio humano, mesmo quando o mundo insiste em ruídos.


🌸 Especial aos Fãs de Cultura Japonesa

Quer sentir o tatemae/honne em ação?

🎬 Animes que exploram o tema:

  • Oregairu (My Teen Romantic Comedy SNAFU) – honestidade brutal versus etiqueta social.

  • Neon Genesis Evangelion – o colapso do tatemae em meio ao caos emocional.

  • Nana – duas mulheres entre o que sentem e o que mostram ao mundo.

  • March Comes in Like a Lion – o honne tímido tentando sobreviver num mundo de aparências.

📖 Frase japonesa que resume tudo:

“Omote ni wa egao, ura ni wa namida.”
“No rosto, um sorriso. Por trás, uma lágrima.”


Bellacosa conclui:
Tatemae e Honne não são máscaras — são camadas de humanidade.
O primeiro mantém o mundo girando, o segundo o mantém verdadeiro.
E quem domina ambos… vive em paz com os outros sem trair a si mesmo.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

☕🚀🏙️ Operador, e se aquilo nunca tivesse sido uma cidade?

Bellacosa Mainframe e uma teoria sobre Shoujo Shuumatsu Ryokou

☕🚀🏙️ Operador, e se aquilo nunca tivesse sido uma cidade?

A interpretação mais comum é:

"Uma megacidade construída sobre as ruínas de si mesma."

Mas existem vários elementos estranhos.

Não existe horizonte natural

Praticamente nunca vemos:

  • florestas

  • rios

  • oceanos

  • montanhas

  • animais selvagens

Tudo é:

  • concreto

  • aço

  • tubulações

  • plataformas

  • elevadores

  • corredores

É como se o ambiente inteiro tivesse sido projetado.


O Problema da Escala

Uma cidade normal cresce horizontalmente.

A de Shoujo cresce verticalmente.

E cresce de forma absurda.

Existem momentos em que:

  • não vemos o fundo

  • não vemos as laterais

  • não vemos o limite da estrutura

Isso lembra muito mais:

  • uma arcologia (cidade fechada)

  • um habitat orbital

  • uma nave geracional

do que uma cidade convencional.


Os Elevadores Gigantes

Esse detalhe sempre me chamou atenção.

Os elevadores são enormes.

Muito maiores do que seria necessário para pessoas.

Parecem projetados para transportar:

  • veículos

  • cargas industriais

  • módulos inteiros

É exatamente o tipo de infraestrutura que esperaríamos em uma colônia espacial.

Num planeta você pode construir estradas.

Num habitat vertical, você depende de transporte interno.


A Ausência de Corpos

Essa observação é excelente.

Se houve uma guerra apocalíptica que exterminou bilhões de pessoas, onde estão os restos?

Encontramos:

  • armas

  • tanques

  • aviões

  • fábricas

Mas quase nunca encontramos cadáveres.

Nem mesmo esqueletos.

Isso é muito estranho.


O Cemitério

O cemitério da série é uma pista fascinante.

O que encontramos?

Objetos.

Pertences.

Memórias.

Não corpos.

É quase um memorial simbólico.

Como se os mortos tivessem desaparecido completamente.


A Hipótese da Reciclagem Total

Imagine uma sociedade extremamente avançada.

Fechada.

Sem acesso fácil a recursos externos.

Talvez espacial.

Nesse ambiente seria lógico reciclar tudo.

Inclusive matéria orgânica.

Inclusive corpos.

Inclusive resíduos biológicos.

Uma estação espacial não pode desperdiçar recursos.

Tudo vira matéria-prima.

Tudo retorna ao sistema.


O Mundo Como Um Navio

Essa foi provavelmente sua observação mais interessante.

A arquitetura lembra muito mais um navio do que uma cidade.

Observe:

  • compartimentos

  • escotilhas

  • corredores estreitos

  • plataformas técnicas

  • elevadores verticais

  • ausência de ruas convencionais

Tudo parece modular.

Funcional.

Projetado.

Não orgânico.


A Hierarquia Vertical

Outro ponto forte da teoria.

Historicamente:

Nas cidades

A elite costuma ocupar áreas específicas.

Em habitats artificiais

A hierarquia frequentemente é vertical.

Os níveis superiores:

  • mais luz

  • mais conforto

  • melhor qualidade de vida

Os níveis inferiores:

  • indústria

  • manutenção

  • logística

Shoujo parece exatamente isso.

Quanto mais sobem:

  • mais espaço

  • mais luz

  • menos maquinário pesado


O Topo É Estranho

Sem entrar em spoilers do mangá.

Mas existe uma sensação crescente de que o topo não foi construído para a vida cotidiana.

Ele parece quase uma camada de observação.

Uma interface.

Uma fronteira.

Como o convés superior de um navio.

Ou a seção externa de uma estação orbital.


A Questão Filosófica

Curiosamente, talvez Tsukumizu tenha feito isso de propósito.

Ele nunca explica claramente:

  • planeta?

  • estação espacial?

  • arcologia?

  • nave geracional?

Porque a explicação técnica não é o foco.

O foco é a sensação.

A sensação de viver dentro de um sistema tão gigantesco que ninguém mais entende sua finalidade original.


A Leitura Bellacosa Mainframe

☕🖥️🚀

Depois de assistir várias vezes, comecei a pensar que Chito e Yuuri não estão explorando uma cidade.

Estão explorando um sistema.

Um sistema fechado.

Autônomo.

Possivelmente milenar.

Onde os usuários desapareceram há tanto tempo que apenas os processos continuam executando.

Os elevadores são barramentos.

Os andares são módulos.

As fábricas são subsistemas.

As bibliotecas são backups.

Os memoriais são arquivos históricos.

E a ausência de corpos sugere algo ainda mais inquietante:

o sistema continuou funcionando depois que os usuários desapareceram.

Exatamente como em Apocalypse Hotel.

Exatamente como uma nave geracional abandonada.

Exatamente como um mainframe que continua executando jobs décadas após a saída de seus desenvolvedores.

Por isso sua teoria da estação espacial é tão sedutora. Ela explica várias anomalias visuais e arquitetônicas da obra. Talvez não seja a interpretação definitiva de Tsukumizu, mas é uma das leituras mais coerentes para aquele mundo artificial, vertical, fechado e estranhamente limpo de vestígios biológicos.

E talvez a pergunta mais assustadora nem seja "onde estão os corpos?".

Mas sim:

Quem estava pilotando esse navio — e quando ele foi abandonado? ☕🚀🖥️

terça-feira, 2 de julho de 2019

☕💥 A Jornada do Padawan COBOL – Parte 7 Desvendando o Universo dos CALLs no Mainframe

 

Bellacosa Mainframe explica o CALL em COBOL Parte VII

☕💥 A Jornada do Padawan COBOL – Parte 7

Desvendando o Universo dos CALLs no Mainframe

BALR, BASR, BASSM, SVC, PC, TCB, SRB, Cross Memory, zIIP e os Segredos dos Sysprogs Jedi do IBM Z

Ou como descobrir que, por trás de um simples CALL COBOL, existe um universo de instruções Assembly capaz de processar bilhões de transações por dia

Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe


O dia em que o Padawan descobre que COBOL é apenas uma ilusão confortável

Até agora descobrimos:

✔ Static CALL

✔ Dynamic CALL

✔ Binder

✔ LE

✔ CICS

✔ APIs

✔ MQ

✔ REST

Mas existe algo que poucos desenvolvedores COBOL enxergam.

Quando você escreve:

CALL 'SUBPGM'

O hardware IBM Z não entende COBOL.

Ele entende.

Instruções Assembly

E é aqui que começa a verdadeira aventura.


O que existe por trás do CALL

Imagine:

Programa COBOL

Compilador

LE

Assembler

CPU z16


O processador executa algo semelhante a:

BALR R14,R15

ou

BASR R14,R15

BALR

Branch and Link Register

O avô do CALL.


Exemplo

BALR 14,15

O que faz?

Salva endereço retorno.

Desvia execução.


Visualmente


MAIN


00010000


BALR


↓


SUBPGM


00025000


EXECUTA


RETORNA




BASR

Mais moderno.


Branch and Save Register


Mesmo conceito.

Melhor otimização.


BASSM

Território Jedi.

Poucos entram.


Branch And Save And Set Mode


Troca modo.

24 bits.

31 bits.

64 bits.


Exemplo

BASSM R14,R15

Por que existe?

Compatibilidade.

Programas antigos.

AMODE mistos.


O conceito de Supervisor

Padawan acredita.

Programa faz tudo.

IBM sorri.


Usuário

não faz quase nada.


Sistema faz.


SVC

Supervisor Call


Programa pede ajuda.


Exemplo

SVC 99

Sistema operacional assume.

Executa.

Retorna.


Exemplos famosos

SVC 13

ABEND


SVC 99

Dynamic Allocation


SVC 19

OPEN


O Program Call

PC Instruction


Mais rápido.

Mais seguro.

Cross Memory.


Muito usado por:

RACF

DB2

JES2

SAF


Cross Memory

Território dos Sysprogs.


Endereço A

fala com

Endereço B


Visualmente


USER SPACE


↓


PC


↓


DB2 SPACE


↓


RETORNA



TCB

Task Control Block


Representa.

Uma tarefa.


CICS

Muitos TCBs.


Batch

Normalmente um.


SRB

Service Request Block


Mais leve.

Mais rápido.


Menos overhead.


Muito usado.

RMF

SMF

DB2


TCB versus SRB

CaracterísticaTCBSRB
PesoMédioLeve
CPUNormalMelhor
WAITSimNão
PerformanceBoaExcelente

zIIP

O sonho do financeiro.


Specialty Engine


Pode executar:

XML

Java

MQ

DRDA

REST

Analytics


CPU geral agradece.


HiperDispatch

Poucos conhecem.

IBM adora.


Mantém afinidade.

CPU cache.


Melhora latência.


LE Internals

Language Environment.


Controla.

Heap

Stack

Condition Handler

Exceptions

Threads

Storage


O Condition Handler

Exemplo

ON EXCEPTION

LE intercepta.

Processa.

Retorna.


Como nasce um S0C4

Programa

CALL

LE

Assembler

PSW

Address Exception

ABEND


O PSW

Program Status Word


Coração do processador.


Guarda

Modo

Estado

Máscaras

Endereço


IPCS mostra.


Registradores

IBM Z possui

16 registradores


R14

Retorno


R15

Entrada


R13

Save Area


Veteranos decoram.


Save Area

Mágica antiga.


Assembler

STM 14,12,12(13)

Salva contexto.


Retorna depois.


Porque COBOL parece mágico

O compilador faz.

Tudo isso.

Automaticamente.


Padawan escreve

CALL 'PAGTO'

IBM executa.

Milhares.

De instruções.


Dicas Bellacosa

Dica 1

Nunca ignore PSW.


Dica 2

Aprenda registradores.


Dica 3

Entenda LE.


Dica 4

Conheça SVC99.


Dica 5

Estude TCB.


Dica 6

SRB é ouro.


Dica 7

zIIP economiza dinheiro.


Easter Egg Mainframe

Existe um grupo de profissionais.

Que olha isto.

BALR 14,15

E imediatamente sabe.

AMODE.

RMODE.

PSW.

TCB.

Offset.

Storage Key.

Cross Memory.

PC Bit.

SRB.


São conhecidos pelos desenvolvedores COBOL como:

Os Sysprogs Jedi


Checklist Jedi da Parte 7

✅ Entender BALR

✅ Entender BASR

✅ Conhecer BASSM

✅ Saber SVC99

✅ Estudar LE

✅ Aprender TCB

✅ Aprender SRB

✅ Conhecer Cross Memory

✅ Entender PSW

✅ Conhecer IPCS

✅ Aproveitar zIIP

✅ Ler Assembly sem medo


A Filosofia Jedi do CALL – Parte 7

O Padawan iniciante acredita:

COBOL chama COBOL.

O desenvolvedor intermediário pensa:

COBOL usa LE.

O especialista entende:

COBOL é uma linguagem elegante construída sobre décadas de engenharia do z/Architecture, Assembly, supervisão do z/OS e mecanismos extremamente otimizados de gerenciamento de contexto.

E o Mestre Mainframe compreende algo ainda mais profundo:

Um simples CALL 'SUBPGM' é apenas a ponta visível de uma cadeia tecnológica refinada ao longo de mais de cinquenta anos, permitindo que um IBM Z execute bilhões de instruções por segundo com níveis de disponibilidade, segurança e eficiência que ainda hoje servem de referência para toda a indústria.


Próxima aventura do Padawan COBOL – Parte 8

"As Últimas Runas do Mainframe: DLLs Avançadas, Metal C, Callable Services, SAF, RACF, PC-Bit, APF, Dataspaces, Hiperspaces, Coupling Facility e os segredos que poucos profissionais IBM Z dominam."


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...