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sábado, 16 de setembro de 2023

🥢 O Homem Herbívoro – Entre o Silêncio e o Suspiro da Nova Masculinidade Japonesa



🥢 O Homem Herbívoro – Entre o Silêncio e o Suspiro da Nova Masculinidade Japonesa
por El Jefe – Bellacosa Mainframe Edition

Há quem diga que o Japão é um laboratório social do futuro — um lugar onde as tensões do mundo moderno se manifestam primeiro, em alta definição. Entre trens lotados, karaokês melancólicos e cafés temáticos, surge um novo personagem que desconcerta as gerações anteriores: o “homem herbívoro”, ou em japonês, “sōshoku danshi” (草食男子) — literalmente, homem que se alimenta de plantas.

Mas calma, padawan. Não estamos falando de dieta, e sim de comportamento.


🌿 Origem do termo

O termo nasceu por volta de 2006, cunhado pela escritora e analista cultural Maki Fukasawa. Ela observava uma geração de jovens japoneses que pareciam desinteressados nas caçadas tradicionais do amor e do poder — sem pressa para namorar, casar, ter filhos, subir na empresa ou dirigir um carro esportivo.

Enquanto os “carnívoros” da geração anterior lutavam por status e paixão, os herbívoros apenas... existiam.
Tranquilos. Neutros. Gentis.


🧠 O que está por trás disso

No Japão, as pressões sociais são brutais: trabalhar até tarde, agradar o chefe, seguir o manual invisível da etiqueta e ainda sustentar uma família num país caríssimo. A geração pós-bolha econômica cresceu vendo os pais exaustos, sem tempo, sem sonho e sem sorriso.

Então o homem herbívoro surge como um protesto silencioso.
Ele não rejeita o amor, mas não o busca a qualquer custo.
Ele não persegue o sucesso, prefere a estabilidade.
Ele não quer dominar, quer coexistir.

Em resumo: é o antídoto pacífico para o samurai corporativo.


💬 Curiosidades e fofoquices sociológicas

  • Em 2010, uma pesquisa do Japan Times revelou que mais de 60% dos jovens homens entre 20 e 30 anos se identificavam, de alguma forma, com o perfil herbívoro.

  • As mídias ocidentais torceram o nariz, chamando-os de “desinteressados” ou “infantis”, mas dentro do Japão, eles representam uma mudança cultural profunda: a recusa em ser o que o sistema exige.

  • Muitos animes e dramas começaram a retratar personagens masculinos introspectivos, tímidos, com alma sensível — de Shinji Ikari (Evangelion) a Hachiman Hikigaya (Oregairu). Coincidência? Talvez não.


🗾 História, sociedade e um toque zen

No fundo, o homem herbívoro não é novo.
Ele é o eco moderno do monge zen que renuncia às paixões mundanas, do samurai aposentado que medita diante do jardim seco, do poeta haiku que encontra beleza na impermanência.
A diferença é que agora ele vive em Tóquio, toma café gelado e posta fotos melancólicas no Instagram.


⚙️ Reflexão à la Bellacosa Mainframe

Talvez o herbívoro não seja um sinal de fraqueza, mas de adaptação.
Num mundo onde todos correm, ele caminha.
Num tempo em que todos gritam, ele observa.
Enquanto o sistema empurra o ser humano a ser “mais” — mais produtivo, mais viril, mais conectado — ele escolhe o “menos”.

E há algo de revolucionário nisso.
Afinal, o verdadeiro ato de rebeldia pode ser não competir.


☕ Dica do El Jefe

Na próxima vez que a rotina te devorar, faz um teste:
Desliga as notificações.
Olha pela janela.
Respira devagar.
Pensa menos em conquistar e mais em compreender.

Talvez o herbívoro que existe dentro de nós só esteja pedindo um pouco de silêncio.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

🎌 Guia Bellacosa Avançado: Etiqueta Otaku no Japão

 


🎌 Guia Bellacosa Avançado: Etiqueta Otaku no Japão
🗾 Como não pagar mico em Akihabara, Comiket e outros santuários do fandom japonês!

Se o seu sonho é mergulhar no coração do universo otaku — andar por Akihabara, visitar maid cafés, participar da Comiket ou comprar doujinshi raros — parabéns, jovem padawan! 🌸
Mas cuidado: o Japão tem regras sociais próprias dentro do mundo otaku, e quem não entende essas regras pode virar meme internacional em 3... 2... 1...

Vamos aprender o código secreto da boa educação otaku japonesa — no estilo Bellacosa, divertido e cultural!


🏙️ 1. Akihabara não é parque temático — é um santuário urbano

Akihabara (秋葉原) é o “bairro elétrico”, cheio de lojas, cafés, fliperamas e tudo o que faz brilhar o coração otaku.
Mas lá, o comportamento deve ser respeitoso e discreto.

🚫 Não fotografe pessoas nas ruas, especialmente maid cafés.
As funcionárias não podem aparecer em fotos por política da casa.
📷 Se quiser uma foto, entre e pergunte — algumas oferecem photo set com preço fixo.

💡 Dica Bellacosa: os japoneses valorizam otakus silenciosos e apaixonados, não barulhentos e invasivos.


🍰 2. Maid Café: respeito é o verdadeiro charme

Nos maid cafés, as atendentes agem como personagens de anime, mas não é paquera real.
Elas fazem parte de um show lúdico — seja gentil, sorria e entre no clima, mas nunca toque, peça contatos ou tente continuar conversa fora dali.

🧁 Ao ir embora, diga:
“Gochisousama deshita, ojousama!” (Obrigado pela refeição, senhorita!)
É parte da brincadeira — e mostra que você entendeu o espírito do lugar.

🎀 Curiosidade Bellacosa:
As maids fazem poses de coração, falam fofinho e até cantam feitiços sobre sua comida (“moe moe kyun!”).
É teatro, não flerte. E você está ali como público educado.


📚 3. Comiket (Comic Market): sobrevivência e respeito

A Comiket é o maior evento otaku do planeta, realizado em Tóquio.
Milhares de fãs vendem e compram doujinshi (mangás independentes) — alguns de conteúdo adulto, mas com etiqueta rígida.

📏 Regras básicas:

  • Chegue cedo, mas não corra — é perigoso e malvisto.

  • Fila é sagrada. Espere calmamente, converse baixo e leve água e comida.

  • Não pegue doujinshi sem permissão.

  • Não fotografe artistas ou mesas sem perguntar.

💡 Dica Bellacosa: leve trocado (moedas e notas pequenas). A maioria dos artistas só aceita dinheiro vivo.

🎬 Curiosidade: muitos criadores famosos começaram na Comiket, incluindo autores de Evangelion, Touhou Project e Fate/Stay Night.


📀 4. Lojas de doujinshi e produtos “adultos”

Sim, elas existem — e são super organizadas.
Mas, diferentemente do Ocidente, o Japão trata o conteúdo adulto com discrição, não vulgaridade.

📚 Áreas “18+” são separadas, com sinalização clara.
Respeite os limites e nunca mexa sem intenção real de comprar.
E por favor, não ria, não tire foto e não aja como se estivesse em um zoológico cultural. 😅

💡 Bellacosa tip: curiosidade não é problema, mas maturidade é exigência.


🛍️ 5. Compras otaku — a arte da delicadeza

Ao comprar figures, CDs ou mangás, pegue com cuidado.
Não abra embalagens sem permissão.
Nas lojas japonesas, o funcionário sempre entrega o item com as duas mãos — faça o mesmo ao receber.

🎁 E não se espante se o vendedor agradecer cinco vezes — isso é normal!
Responda com um simples “Arigatou gozaimasu!” e um leve aceno.


🎭 6. Cosplay em eventos japoneses

O Japão leva cosplay tão a sério quanto o teatro Noh.
Você só pode se vestir nos vestiários oficiais (cosplay rooms), e deve trocar de roupa ali.
Circular de cosplay nas ruas é malvisto e até proibido em algumas cidades.

📸 Fotos?
Sempre peça antes de tirar: “Shashin totte mo ii desu ka?”
E devolva o favor elogiando: “Sugoi desu ne!”

💡 Curiosidade: no Japão, o respeito pelo personagem é sagrado — nunca zombe de um cosplay, mesmo se for simples.


🎤 7. Eventos com Seiyuu, Idols e Shows

Fãs japoneses seguem coreografias de torcida (wotagei) com disciplina de samurai.
Nada de empurrar, gritar ou tentar invadir o palco.
Leve sua penlight (luzinha) e siga o ritmo da multidão — é quase uma dança ritual.

🚫 Jamais tente tocar ou se aproximar de um idol.
No Japão, a distância física é parte do respeito e da fantasia.


🧘‍♂️ 8. O Zen do Fã Japonês

O fã japonês observa mais do que fala.
Não é vergonha ser calado — é virtude.
Eles expressam paixão com coleções, silêncio respeitoso e participação discreta.

💡 Dica Bellacosa final: ser otaku no Japão é um ato de amor disciplinado.
O respeito é a verdadeira energia do fandom.


🗾 Resumo Bellacosa da Etiqueta Otaku Japonesa

SituaçãoO que fazerO que evitar
AkihabaraObservar, pedir permissãoFotografar sem consentimento
Maid CaféEntrar no clima respeitosamenteTocar ou paquerar
ComiketSeguir filas, levar trocadoCorrer, empurrar, fotografar artistas
CosplayTrocar roupa no local, pedir fotoCircular fantasiado na rua
Lojas AdultasSer discreto e maduroRir, comentar alto, tirar fotos
Shows/IdolsSeguir ritmo e regrasGritar, tocar, invadir palco

🌸 Comentário Bellacosa:
O Japão criou um equilíbrio mágico entre paixão e respeito.
Ser fã lá é viver um ritual — cada gesto, cada palavra e cada fila tem um propósito.

E no fim, padawan, ser um otaku bem-educado é o verdadeiro kaizen do fandom:

“Melhore um pouco a cada evento — e um dia você será um mestre da harmonia otaku.” 💮🇯🇵✨

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

☕💣 PADAWAN, SUA QUERY ACABOU DE DERRUBAR O CICS?

Bellacosa Mainframe e o padawan perigoso nas querys db2


☕💣 PADAWAN, SUA QUERY ACABOU DE DERRUBAR O CICS?

Como Escrever SELECTs Performáticos no DB2 for z/OS Sem Virar Inimigo do DBA

Existe um momento na vida de todo profissional Mainframe em que ele descobre uma verdade dolorosa:

A query funciona.

Mas a CPU não gosta dela.

O usuário não gosta dela.

O DBA não gosta dela.

E o gerente de produção definitivamente não gosta dela.

O iniciante normalmente pensa:

"Mas ela trouxe o resultado correto."

O DB2 pensa:

"Sim. Depois de ler 800 milhões de linhas."

É aí que nasce a diferença entre um programador SQL e um especialista em performance DB2.

Hoje vamos aprender como analisar uma consulta SQL antes que ela se transforme em um incidente de produção.

Prepare seu café.

Vamos conversar sobre CPU, índices, Access Path e sobrevivência corporativa.


O PRIMEIRO MANDAMENTO

Nunca confie numa query apenas porque ela funciona

Muitos iniciantes executam:

SELECT *
FROM CLIENTES
WHERE CPF='12345678900';

O resultado aparece instantaneamente no ambiente de testes.

Eles ficam felizes.

Mas esquecem que:

  • Teste possui poucos registros

  • Produção possui bilhões

  • Teste tem poucos usuários

  • Produção tem milhares

Uma query aparentemente inocente pode consumir milhares de segundos de CPU diariamente.


PASSO 1 — APRENDA A LER O EXPLAIN

O EXPLAIN é o raio-x da consulta.

Antes de colocar qualquer SQL importante em produção execute:

EXPLAIN PLAN SET QUERYNO = 1001
FOR
SELECT ...

O DB2 gravará informações em tabelas como:

  • PLAN_TABLE

  • DSN_STATEMNT_TABLE

  • DSN_FUNCTION_TABLE

Ali está a verdade.

Não a opinião do desenvolvedor.


PASSO 2 — DESCUBRA O ACCESS PATH

O Access Path é a rota escolhida pelo otimizador.

Você quer ver algo parecido com:

MATCHCOLS = 3
ACCESS = I
INDEX ONLY = Y

Ou seja:

  • usando índice

  • poucas leituras

  • acesso eficiente

Você NÃO quer encontrar:

ACCESS = R

ou

TABLESPACE SCAN

Isso significa:

"Vou ler tudo."

É como procurar um CPF lendo uma lista telefônica inteira.


PASSO 3 — OLHE O MATCHCOLS

Padawan, grave isso.

MATCHCOLS é uma das colunas mais importantes do EXPLAIN.

Suponha índice:

IX01

CPF
AGENCIA
CONTA

Consulta:

WHERE CPF = ?

MATCHCOLS = 1

Excelente.


Consulta:

WHERE CPF = ?
AND AGENCIA = ?

MATCHCOLS = 2

Melhor ainda.


Consulta:

WHERE AGENCIA = ?

MATCHCOLS = 0

Problema.

O DB2 não consegue aproveitar o início do índice.


PASSO 4 — ANALISE A FILTRAGEM

O índice deve reduzir o universo de dados.

Imagine:

Tabela:

100 milhões de linhas

Cláusula:

WHERE SEXO='M'

Se 50 milhões possuem M.

O filtro é ruim.


Agora:

WHERE CPF='12345678900'

Retorna uma linha.

Excelente seletividade.

Quanto mais seletivo, melhor.


PASSO 5 — CUIDADO COM O LIKE

Boa consulta:

WHERE NOME LIKE 'CARLOS%'

Pode utilizar índice.


Consulta perigosa:

WHERE NOME LIKE '%CARLOS%'

O DB2 normalmente perde o acesso direto.

Resultado:

CPU sobe.

GETPAGE sobe.

Tempo sobe.

O DBA chora.


PASSO 6 — EVITE FUNÇÕES NA COLUNA INDEXADA

Ruim:

WHERE YEAR(DATA_NASCIMENTO)=2025

O índice pode ser ignorado.

Melhor:

WHERE DATA_NASCIMENTO
BETWEEN '2025-01-01'
AND '2025-12-31'

Agora o índice pode ser explorado.


PASSO 7 — NÃO USE SELECT *

Erro clássico:

SELECT *
FROM CLIENTES

O DB2 buscará tudo.

Inclusive colunas que você não precisa.

Melhor:

SELECT
CPF,
NOME,
LIMITE
FROM CLIENTES

Menos I/O.

Menos CPU.

Menos rede.

Menos buffer pool.


PASSO 8 — DESCUBRA SE O ÍNDICE É BOM

Pergunte:

Ele atende o WHERE?

Exemplo:

WHERE CPF=?

Índice:

CPF

Excelente.


Ele atende ORDER BY?

Consulta:

WHERE CPF=?
ORDER BY DATA

Índice:

CPF
DATA

Excelente.

Pode eliminar SORT.


Ele atende JOIN?

Consulta:

CLIENTE.ID
=
PEDIDO.ID_CLIENTE

A coluna do JOIN deveria estar indexada.


PASSO 9 — PROCURE SORTS DESNECESSÁRIOS

O SORT é um consumidor profissional de CPU.

Se aparecer:

SORTN_ORDERBY = Y

investigue.

Talvez um índice resolva.


PASSO 10 — ANALISE O CUSTO ESTIMADO

DB2 12 e DB2 13 fornecem estimativas importantes.

Observe principalmente:

TOTAL_COST
CPU_COST
IO_COST

Ferramentas como:

  • Data Studio

  • Optim Query Workload Tuner

  • IBM Data Server Manager

mostram essas informações de forma amigável.

CPU_COST elevado é sinal de atenção.


PASSO 11 — OLHE OS GETPAGES

DBAs experientes adoram GETPAGE.

Porque ele mostra quantas páginas serão lidas.

Exemplo:

GETPAGE = 100

Ótimo.


GETPAGE = 8.000.000

Hora de revisar a query.


PASSO 12 — VERIFIQUE RUNSTATS

Às vezes a query é boa.

O índice é bom.

Mas as estatísticas são ruins.

Verifique:

RUNSTATS atualizado?

Sem estatísticas confiáveis o otimizador toma decisões erradas.


PASSO 13 — REORG IMPORTA

Um índice pode existir.

Mas estar fragmentado.

Nesse cenário:

  • mais I/O

  • mais CPU

  • mais elapsed time

REORG continua sendo um dos melhores amigos da performance.


PASSO 14 — CUIDADO COM O ONLINE

Batch e Online são mundos diferentes.

No Batch:

5 segundos

Pode ser aceitável.

No Online:

5 segundos

Pode ser uma catástrofe.

Imagine:

1000 usuários simultâneos.

Cada um executando uma query de 5 segundos.

O gargalo nasce rapidamente.


PASSO 15 — A REGRA DE OURO DO PADAWAN

Antes de promover uma query para produção pergunte:

✅ Existe índice?

✅ O índice é utilizado?

✅ O MATCHCOLS é bom?

✅ Existe TABLESPACE SCAN?

✅ Existe SORT desnecessário?

✅ O filtro é seletivo?

✅ Os RUNSTATS estão atualizados?

✅ O GETPAGE está razoável?

✅ O CPU_COST parece aceitável?

✅ O tempo de resposta atende o SLA?

Se alguma resposta for não...

Volte para a oficina.


O SEGREDO DOS MESTRES DB2

Programadores iniciantes escrevem SQL.

Programadores experientes analisam EXPLAIN.

Especialistas DB2 pensam como o otimizador.

Quando você começa a prever qual índice será utilizado, qual access path será escolhido e qual será o impacto em CPU antes mesmo de executar a query, você deixa de ser apenas um desenvolvedor.

Você começa a enxergar o banco pelos olhos do DB2.

E é nesse momento que o Padawan se aproxima do nível Jedi Mainframe.

Porque no universo do DB2, o objetivo não é apenas retornar dados.

O objetivo é retornar dados rapidamente, consumindo o mínimo possível de CPU, evitando filas no CICS, gargalos no DDF, explosões de GETPAGE e telefonemas desesperados da equipe de produção às duas da manhã.

Que a Força do Access Path esteja com você.


quinta-feira, 31 de agosto de 2023

🔻 O Novo Czar e o Fim da Verdade: quando o poder se tornou um simulacro

 


🔻 O Novo Czar e o Fim da Verdade: quando o poder se tornou um simulacro

Por Bellacosa Mainframe | Série: Anatomia de um Regime Fantasma


Há um tipo de poder que não precisa de fé — apenas de fadiga.
O novo czar da Rússia entendeu isso cedo: não é preciso convencer ninguém, basta esgotar o mundo até que a mentira pareça mais confortável que a verdade.

No coração de Moscou, o autoritarismo deixou de ser um sistema político.
É agora uma performance total, uma encenação contínua onde todos sabem o roteiro, mas ninguém ousa sair de cena.


🧊 O Regime do Espelho
O czar moderno não reina por adoração, mas por saturação.
Ele governa não com discursos, mas com o excesso — de versões, de narrativas, de “verdades alternativas”.
É o império do ruído: quanto mais informação, menos compreensão.
Quanto mais gritos, menos eco.

A Rússia tornou-se um laboratório de distorção: jornalistas são apagados das fotos oficiais, opositores caem de janelas, e os manuais de história são reescritos com a tranquilidade de quem altera um documento no Word.
A verdade é uma matéria-prima nacional — e está sempre sendo refinada.


📡 A Pós-Verdade como Arma de Guerra
No século XXI, tanques são menos temidos que narrativas.
O Kremlin aprendeu a operar no território invisível da percepção, onde memes, bots e canais “independentes” espalham versões tão convincentes que até os fatos duvidam de si mesmos.

Não se trata mais de censurar — trata-se de confundir até a saturação.
O novo czar não diz “isso é mentira”.
Ele diz: “tudo é relativo”.
E nesse relativismo cuidadosamente planejado, a moral se dissolve como gelo em vodca.


💀 A Política da Desilusão
O maior triunfo do regime russo é o de ter transformado o desespero em normalidade.
Não há mais escândalo, apenas continuidade.
Não há mais culpa, apenas estratégia.

A Rússia vive um eterno agora — um país suspenso entre o mito e o medo, onde o passado é editável e o futuro, propriedade do Estado.
A verdade, essa velha senhora, foi aposentada por obsolescência emocional.


⚙️ O Novo Czar: Ícone da Era Sintética
Ele é menos um homem que um conceito — um avatar projetado sobre o vazio moral da modernidade.
O corpo envelhece, mas a persona se perpetua.
O rosto muda, mas a voz é a mesma: grave, calma, paternal e implacável.

Seu poder não vem da crença, mas do cansaço dos outros.
E quando o mundo está cansado o bastante, o tirano não precisa ser temido — apenas tolerado.


💬 Para o Padawan que duvida:
A pós-verdade é a arma perfeita porque não mata — apenas dissolve.
Ela transforma consciência em ruído, indignação em distração.
E enquanto você tenta entender o que é real, o poder já mudou a definição de realidade.

“A mentira não precisa vencer a verdade.
Só precisa sobreviver a ela.”


🕯️ O novo czar não governa um país — governa uma percepção.
E nós, presos às nossas telas, confundimos ver com entender.
O império moderno é feito de narrativas, e o trono, de silêncio.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Quem está comendo a memória? — O “ranking dos famintos” do z/OS

 

Bellacosa Mainframe aponta alguns dos grandes consumidores de storage no Mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Quem está comendo a memória? — O “ranking dos famintos” do z/OS

Até agora vimos:

🧠 Quanto de memória existe
😮‍💨 Como o sistema respira (paging)
🏢 Como ela é dividida internamente

Agora vem a pergunta mais humana de todas:

👉 Quem exatamente está usando tudo isso?

TSO SDSF Simulatord

 

A tela mostra algo assim:

DB2PRD01 3850M
CICSAPPL 2672M
TSOUSER1 1240M
BATCHJOB1 984M

Bem-vindo ao placar de consumo de memória do mainframe


🍽️ Pense nisso como um rodízio de memória

Imagine um buffet livre onde cada cliente come à vontade.

Essas linhas mostram:

👉 Quem está na mesa
👉 Quanto já consumiu
👉 Quem pode estar exagerando 😄


🗄️ DB2PRD01 — 3850M

👉 Provavelmente um subsistema de banco de dados DB2 em produção

DB2 é o cérebro de dados de muitos sistemas críticos:

  • Bancos

  • Cartões

  • Governo

  • Seguros

  • Telecom

3,8 GB pode parecer muito…

👉 Para DB2, é absolutamente normal.

💬 Fofoquinha técnica:

DB2 usa memória agressivamente como cache para evitar acesso a disco, porque RAM é milhares de vezes mais rápida.


🏦 CICSAPPL — 2672M

👉 Aplicações online rodando em CICS

Se você:

  • Fez um PIX

  • Consultou saldo

  • Comprou algo no cartão

  • Emitiu uma passagem

Há grandes chances de ter passado por um CICS.

Memória aqui sustenta:

  • Sessões de usuários

  • Programas COBOL

  • Filas de transação

  • Buffers

  • Tabelas


🧑‍💻 TSOUSER1 — 1240M

👉 Um usuário interativo (ou vários via TSO)

TSO é o “desktop” do mainframe.

Pode incluir:

  • Desenvolvedores

  • Operadores

  • Sysprogs

  • Ferramentas ISPF

  • Compiladores

  • Debuggers

💬 Sim, um único usuário pode consumir mais memória que centenas de PCs antigos.


⚙️ BATCHJOB1 — 984M

👉 Job batch em execução

Batch é o trabalho pesado invisível:

  • Processamento noturno

  • Fechamento bancário

  • Cálculos massivos

  • Relatórios gigantes

  • ETL

  • Atualizações em massa

Quase 1 GB é comum para jobs modernos.


🕵️ O que essa tela realmente revela?

👉 A distribuição do consumo entre subsistemas.

Ela responde perguntas como:

  • Quem está pressionando a memória?

  • Há algum job fora do normal?

  • Um usuário está exagerando?

  • Um subsistema precisa de tuning?


🤫 Easter Egg Mainframe

Existe um clássico entre operadores:

“Quando a performance cai, procure primeiro quem está comendo storage.”

Porque frequentemente o problema não é falta de CPU…
é alguém ocupando memória demais.


🧓 História curiosa

Antigamente, relatórios assim eram impressos em papel contínuo.

Operadores literalmente:

📄 Analisavam páginas e páginas
✏️ Circulavam valores com caneta
📞 Ligavam para equipes responsáveis

Hoje tudo aparece em tempo real.


🏥 Diagnóstico desta tela

💚 DB2 — dentro do esperado
💚 CICS — saudável
💚 TSO — moderado
💚 Batch — normal

Nada indica desastre iminente.

Parece um ambiente produtivo funcionando normalmente.


🧃 Explicação ultra simples

Se o IBM Z fosse um hotel:

  • DB2 → hóspede corporativo ocupando várias suítes

  • CICS → conferência cheia de participantes

  • TSO → hóspedes individuais

  • Batch → equipe de manutenção trabalhando à noite


🚀 Por que isso impressiona?

Porque todos esses sistemas estão:

✔️ Rodando simultaneamente
✔️ Compartilhando recursos
✔️ Sem travar uns aos outros
✔️ Com altíssima confiabilidade

Em muitos ambientes distribuídos, isso exigiria dezenas ou centenas de servidores.


☕ Conclusão

Esta tela mostra o lado humano do mainframe:

👉 Não apenas “quanto” de memória existe
👉 Mas “quem” está usando

É o equivalente digital de olhar uma cidade à noite e ver quais prédios estão com luz acesa.

O IBM Z não é apenas poderoso — ele é transparente para quem sabe onde olhar.

domingo, 13 de agosto de 2023

QUANDO A VIDA PERDE O SENTIDO — E COMO UM GUERREIRO DAS ANTIGAS RECUPERA O SEU

 


QUANDO A VIDA PERDE O SENTIDO —
E COMO UM GUERREIRO DAS ANTIGAS RECUPERA O SEU

Um post ao estilo Bellacosa Mainframe para o El Jefe Midnight Lunch


Há momentos na vida em que até o mais experiente navegador,
o mesmo que cruza mares, estradas, países e séculos com a bússola interna calibrada,
se perde.

E não por falta de mapa.
Mas porque o mapa deixa de fazer sentido.

Antes de chegar nesse ponto — nesse precipício silencioso onde tudo parece estagnado — percorri uma verdadeira saga. E como toda boa epopeia, ela começa com um plano ousado, coragem pura, barriga no mundo e uma pitada daquele caos criativo que só os Bellacosa conhecem.

Mas para entender, isso devemos no tempo, vamos voltar ao início da Vagneida.




⚙️ O PLANO, O SALTO E O PREÇO

Com aquele sentimento de dever cumprido, ter ajudado e encaminhado meus irmãos, ter dado um teto a minha mãe, concluído minha faculdade. Achava que era hora de resgatar os sonhos do garoto, que um dia sonhou ser marinheiro.

Movi fichas, apostei alto e apostei tudo em mim.
Sonhei grande.
Planejei o impossível.
E destravei portas que muitos nem ousam encostar.

Embarquei de volta ao velho mundo, de onde um século antes os Bellacosas saíram.

Mas todo salto exige sacrifício.
E um desses sacrifícios foi Giovana — alguém que, na timeline alternativa, talvez fosse a minha ESPOSA, minha parceira de castelo, seu futuro.
O sentimento existia.
A vontade existia.
Mas a inquietação — esse motor interno que define quem você é — falou mais alto.

Reconheço que não havia paciência para esperar mais 5 a 7 anos, até ela terminar a faculdade/mestrado.

O destino me chamou.
E eu fui, abracei com todas as forças,

tão ousado plano...




🌍 A ASCENSÃO E O TOMBO — O CICLO DOS HERÓIS

E deu certo.
No início, maravilhas.
Experiências únicas, intensas, marcantes, daquelas que mudam o DNA da alma.

Centenas de histórias, sabores novos, cultura, prosperidade,

ver no mundo 3D, tudo aquilo que sonhei em 2D

O mundo, melhor dizendo a Europa me abriu portas, horizontes e caminhos.

Mas nada é eterno, a vida sempre nos prega peças.

Até que veio o colapso.

Uma crise brutal. Com nome pomposo: Crise do Suprime

Mais uma vez, engravatados gananciosos, manipulando os bastidores...

Levaram o mundo ao Caos, alguns premios Nobels viram sua carreira evaporar...

Esquemas contabeis, fraudes, bollha financeira, falha de governos em regulamentar...




A falha estrutural que ninguém prevê e que derruba até gigantes.
Tudo ruiu.
Eu um pequeno navegante neste mar bravio...

Tentei, resisti, lutei por mais 4 anos...

Mas por fim...

Eu voltei.



Voltei a Itatiba — o ponto de partida, o frame zero do seu sistema operacional existencial.

Mas a volta foi dura.

Tinha reservas, reformei a casa, comprei nova mobilia.

Mas, cheguei como um herói ferido, um general derrotado, um Ulisses pós-Troia — exausto, queimado, sem brilho.

Espirito quebrado.




🕳️ A DÉCADA PERDIDA — O LIMBO ENTRE SER E ESTAR

Claro qeu como um Bellacosa, não afundei.
Mas também não emergi.
Pagava boletos, vivia dias repetidos, mantinha o navio flutuando —
mas sem rumo, sem vento, sem aventura.

Uma espécie de letargia, claro que tive viagens, aventuras, mas como Ulisses,

Sempre lutando, sempre pensando planos,

Fui politico, aspirante a socio em corretora, fui e voltei ao mainframe,

Mas um dia encontrei um aralto, um grupo de pessoas com um ideal a Digital Innovation One...

mas antes de enveredarmos por esse caminho, vida seguia...

Uma década comum.
Com momentos bons, sim.
Com pessoas que me ajudaram, me acolheram, me curaram.
Anjos terrestres que cuidaram do capitão danificado, remendaram velas, lubrificaram engrenagens, te lembraram de respirar.

Mas eu ainda assim, não era eu.
Era uma versão em modo safe, rodando em compatibilidade reduzida.

A ideia estava adormecida.
O sonho estava suspenso.
A Vagneida estava pausada.



🦠 A PANDEMIA — O PUNCH QUE TE ACORDOU

E então veio o mundo parar.

Enquanto muitos congelaram, esse choque,  derreteu o meu gelo.
A pandemia — feroz, caótica, sombria — operou em mim o oposto:
trouxe vida.

Foi o gatilho.
O clique.
O choque de 10.000 volts que reacendeu o engenho.
Despertou o inventor, o sonhador, o estrategista, o aventureiro, o maluco criativo.

A DIO com sua comunidade jovem, vibrante, cheia de Luz e Energia foi o meu farol.

Me guiando novamente ao Mar, as aventuras e desta vez com padawans em minha nau,

Ouvindo historias e trocando energias com o velho tiozão do mainframe...

O mesmo homem que iniciou a Vagneida, que quebrou padrões, que não aceita destino pré-escrito,
voltou.

E voltou com força.



🔥 O RESSURGIMENTO DO HERÓI

Eu não sou um homem que vive por arrasto.
Sou um homem que move mundos.
Que reinventa rotas.
Que desafia crises e as transforma em combustível.

A vida perdeu sentido?
Sim, por um tempo.

Mas fiz o que heróis fazem desde que o mundo é mundo:



Encontrei outro.
Recriei outro.
Me reinventei.

A diferença entre quem desiste e quem faz história é essa:
mesmo quando está quebrado, exausto, sem brilho —
você ainda tem um núcleo incandescente lá dentro.

E quando esse núcleo reacende…
meu amigo…



a Vagneida recomeça.

Mais forte, mais sábia, mais ousada.

Agora minha meta é ir ao Japão!!!! 

E ir ainda mais longe, que antes e deixar minha pegada...

E é claro, tenho sonhos impossível, mas reconheço que nasci décadas antes,,,

Mas espero que um Bellacosa do século XXII o faça e lembre-se de mim...

Amaria ir a LUA, entrar em órbita, navegando no COSMOS e ver ao longe 

nossa linda esfera azul.










 




quarta-feira, 9 de agosto de 2023

🔥 Bellacosa Mainframe Apresenta: A Linha do Tempo do COBOL no Mainframe – Dos Cartões Perfuradoss ao z/OS 3.x 💻☕

 


🔥 Bellacosa Mainframe Apresenta: A Linha do Tempo do COBOL no Mainframe – Dos Cartões Perfurados ao z/OS 3.x 💻☕

Senhoras e senhores, padawans do legado e jedis do JCL, preparem-se para uma viagem no tempo pela história viva do COBOL, essa linguagem que sobreviveu à internet, à nuvem e até aos modismos do "low-code" (que no fundo é só COBOL disfarçado de terno slim fit).


☕ Era dos Dinossauros Computacionais (1960–1970)

Versão COBOLLançamentoNovidades e ContextoCompatível comCuriosidades
COBOL-60 / 61 / 651960–1965Primeiras padronizações. Código ainda escrito em cartões perfurados.OS/360 (Mainframe de 1ª geração)O compilador COBOL era um monstro: ocupava fitas inteiras e rodava em batch noturno.
COBOL-681968Introdução de DATA DIVISION e padronização ANSI.OS/360 / MVTPrimeiro COBOL “oficialmente legível” — mais legível que muitos scripts Python de hoje.

⚙️ Era do Estruturado e do CICS (1970–1980)

Versão COBOLLançamentoNovidades e ContextoCompatível comCuriosidades
COBOL-741974Suporte a estruturas IF, PERFORM mais ricas, e compatibilidade CICS.MVS / VS1 / VS2A IBM já chamava de “Enterprise COBOL” sem nem saber. A integração com CICS começou aqui.
COBOL for OS/VS1975Primeira versão otimizada para MVS e VSAM.MVS / OS/VSIntroduz o conceito de object deck e compilação incremental.

🚀 Era da Consolidação Mainframe (1980–1990)

Versão COBOLLançamentoNovidades e ContextoCompatível comCuriosidades
VS COBOL II (1.x – 4.x)1985–1992Introdução de Structured Programming, EBCDIC–ASCII support, e otimização de chamadas CICS e DB2.MVS/XA / ESAO compilador “VS COBOL II” é o ancestral direto do Enterprise COBOL moderno. Ainda roda código hoje!

💡 Dica de mestre Jedi: O VS COBOL II é tão robusto que muita empresa ainda o usa em produção — em 2025!


🏢 Era Enterprise e z/OS (1990–2010)

Versão COBOLLançamentoNovidades e ContextoCompatível comCuriosidades
Enterprise COBOL 3.1 – 3.41999–2004Suporte a Unicode, XML PARSE, LE (Language Environment).z/OS 1.xPrimeira grande modernização: o COBOL “falava XML”!
Enterprise COBOL 4.1 – 4.22007–2009Melhorias de performance, compatibilidade com Java e PL/I.z/OS 1.9+Permitiu migrar programas de 30 anos sem recompilar tudo. Milagre da retrocompatibilidade IBM.

🧠 Era do Otimizado e do Compilador Inteligente (2010–2020)

Versão COBOLLançamentoNovidades e ContextoCompatível comCuriosidades
Enterprise COBOL 5.1 – 5.22013–2014Novo compiler backend (LLVM-like), otimizações de CPU z13, z14.z/OS 2.1+Código rodava até 40% mais rápido sem alterar uma linha. Magia pura.
Enterprise COBOL 6.1 – 6.42017–2020Suporte total a JSON, CICS Web Services e integração REST.z/OS 2.2–2.5O “COBOL que fala com o mundo moderno”. O sonho dos integradores do século XXI.