quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Como os algoritmos sequestraram a liberdade de escolha

 


Como os algoritmos sequestraram a liberdade de escolha

Quando a internet decide por você

A promessa inicial da internet era simples: liberdade. Escolher o que ler, o que assistir, o que explorar. Mas, pouco a pouco, a realidade se distanciou dessa utopia. Hoje, parece que não escolhemos mais — somos escolhidos por algoritmos.

Mas como isso aconteceu? E por que sentimos que nossas decisões online não são mais nossas?


1. Algoritmos como “curadores invisíveis”

Tudo que aparece no feed, no TikTok, no Instagram ou no YouTube é resultado de cálculos matemáticos. O algoritmo decide:

  • O que você verá primeiro

  • O que é “relevante” para você

  • O que gera engajamento — e, portanto, lucro

O efeito é sutil, mas poderoso: o usuário passa a acreditar que está explorando livremente, quando na verdade está sendo conduzido.


2. O princípio da recompensa constante

Algoritmos exploram gatilhos psicológicos: likes, comentários, cliques e recompensas imediatas. Cada ação é registrada e usada para refinar o conteúdo entregue.

O problema é que isso modela o comportamento, reforçando apenas aquilo que já gostamos ou com o que reagimos.
Exemplo: alguém que gosta de memes de anime tende a receber apenas memes similares, perdendo exposição a obras diferentes ou críticas construtivas.


3. Filtragem de ideias e censura algorítmica

Além de moldar gostos, os algoritmos filtram informações consideradas sensíveis, ofensivas ou politicamente arriscadas.
O resultado é:

  • Conteúdos legítimos sendo ocultados

  • Opiniões divergentes sufocadas

  • Narrativas uniformizadas

A sensação de que tudo que é fora do padrão é proibido não é coincidência — é efeito direto da automação de decisões.


4. Ilusão de escolha

O perigo é o mais sutil: acreditamos que temos autonomia. Escolhemos clicar, mas as opções já foram pré-selecionadas.

É como entrar em uma loja onde apenas algumas prateleiras são visíveis. Você acha que decide livremente, mas o inventário real é maior — e invisível.


5. Consequências culturais e individuais

  • Cultura: algoritmos uniformizam tendências e tornam o consumo previsível

  • Psicológico: reforçam bolhas, vícios de atenção e reforço de comportamentos

  • Criativo: conteúdos arriscados, inovadores ou complexos desaparecem, pois não garantem engajamento imediato

Em resumo: o algoritmo substituiu a curiosidade por conforto e previsibilidade.


6. O que ainda podemos fazer

  • Reconhecer os padrões: entender que a maioria do que vemos é curadoria automática

  • Procurar fontes alternativas: feeds não convencionais, blogs, fóruns especializados

  • Praticar consumo crítico: questionar “por que estou vendo isso?”

  • Experimentar o “offline”: criar espaço fora do fluxo de recomendação

Mesmo sob controle algorítmico, ainda existe espaço de liberdade consciente.


Conclusão

O algoritmo sequestrou a liberdade de escolha, mas não a eliminou completamente.
Ele organiza, recomenda e direciona, mas cabe ao usuário redescobrir o sentido de navegar por vontade própria.

A pergunta que fica: estamos usando a internet ou apenas sendo usados por ela?

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Debugando programa COBOL

DISPLAY e BUG TRAP as melhores maneiras de debugar um programa COBOL. Qual é a sua técnica? #ibm #mainframe #cobol #debug #trap #bug #returncode #maxcc #jcl #sdsf #job

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Conversão do REAL um grande trabalho da informática mainframe


A resiliência e a tenacidade técnica dos Analistas de Sistemas Mainframe, que em quatro dias conseguiram virar a chave, convertendo sistemas críticos para a conversão de moeda, do URV para o REAL. 



Feriado bancário na Sexta-feira, mas Segunda-feira estava tudo no ar, funcionando, quatro dias de loucura no Departamento de Informatica, muita pizza, companheirismo, horas-extra, mas sensação de dever cumprido. 




 Programas em COBOL, PLI e Natural em Sistemas Mainframe alterados para a conversão da Moeda, sem perdas ou prejuízos aos clientes e empresas. Sendo um Caso de Estudo de Sucesso, visto de perto pelas autoridades europeias, que passado 7 anos repetiram o processo na Conversão do Euro.

#ibm #mainframe #real #urv #conversao #cobol #natural #jcl #pli #db2 #adabas #job #sistemas #dev #programador #sucesso
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

⚠️ A Filosofia do Desejo em Anime

 


⚠️ A Filosofia do Desejo em Anime

Entre o Fetiche, o Amor e o Tempo

Introdução
O desejo humano sempre foi um sistema arcaico, cheio de ruídos, desvios e obsessões.
Nos animes, ele encontra formas estéticas, narrativas e simbólicas que transformam o olhar em filosofia.
Esta série explora seis aspectos do desejo: o fetiche pelo corpo, pelo poder, pela solidão, pelo caos e, finalmente, pela eternidade.
Não se trata de pornografia nem de moralismo — trata-se de entender como o humano deseja e como o desejo se manifesta através da arte japonesa.


Índice

  1. Parte 1 — Entre o Desejo e o Estilo: 5 Animes na Fronteira do Fetichismo

  2. Parte 2 — Poder, Submissão e o Mito da Mulher Ideal

  3. Parte 3 — O Fetiche da Solidão: amor, vazio e hiperconectividade

  4. Parte 4 — O Amor como Simulação: quando o humano compete com o virtual

  5. Parte 5 — O Amor e o Fetiche do Caos: quando o desejo vira autodestruição

  6. Parte 6 — O Amor e o Fetiche da Eternidade: quando o desejo desafia o tempo


<a name="parte-1"></a>

Parte 1 — Entre o Desejo e o Estilo: 5 Animes na Fronteira do Fetichismo

Existem animes que flertam com o fetiche sem cruzar a linha do hentai.
Eles exploram o corpo, o poder e o detalhe, transformando o olhar em experiência estética.

Animes e destaques:

  • Kill la Kill (2013) — Uniformes que concedem poder e vulnerabilidade.

  • Neon Genesis Evangelion (1995) — O corpo como prisão e desejo psicológico.

  • Prison School (2015) — Controle, punição e humor exagerado.

  • Code Geass (2006) — Poder como sedução.

  • Black Lagoon (2006) — Força e agressividade feminina como fetiche.

Reflexão de Balcão:
O fetiche não é vulgaridade, é olhar, símbolo e poesia do desejo humano.

Inicio


<a name="parte-2"></a>

Parte 2 — Poder, Submissão e o Mito da Mulher Ideal

O desejo humano é ambivalente: dominar e se entregar.
Nos animes, isso aparece como poder e submissão, e o fetiche se torna filosofia visual.

Animes e destaques:

  • Code Geass — O olhar que domina e seduz.

  • Evangelion — Vulnerabilidade e confiança.

  • Personagens femininas — Rei Ayanami, Belldandy, Esdeath, Revy: ideal vs. força.

Reflexão de Balcão:
O fetiche é o que nos revela o que mais desejamos e tememos: o poder e a entrega.

Parte 2


<a name="parte-3"></a>

Parte 3 — O Fetiche da Solidão: amor, vazio e hiperconectividade

A era digital transformou o desejo em pixel, tela e notificação.
O fetiche moderno é o “quase amor”, a conexão impossível e a saudade virtual.

Animes e destaques:

  • Your Name (2016) — Amor à distância e conexão impossível.

  • Oshi no Ko (2023) — Idol como objeto de desejo consumível.

  • Sword Art Online (2012) — Amor simulado em mundos digitais.

  • Violet Evergarden (2018) — Amor traduzido em cartas e palavras.

Reflexão de Balcão:
O fetiche da solidão mostra que o toque pode não existir, mas o desejo persiste.

Parte 3


<a name="parte-4"></a>

Parte 4 — O Amor como Simulação: quando o humano compete com o virtual

O desejo humano se projeta em máquinas e inteligência artificial.
O fetiche se torna programação emocional, onde amar é interagir com a perfeição sintética.

Animes e destaques:

  • Chobits (2002) — Amor por androide que aprende a sentir.

  • Plastic Memories (2015) — Paixão por IA com prazo de validade.

  • Her (2013) — Vínculo emocional digital perfeito.

  • NieR:Automata (2017) — Androides que amam e sofrem como humanos.

Reflexão de Balcão:
O novo fetiche é amar sem risco físico, mas sentir a dor de forma intensamente real.

Parte 4


<a name="parte-5"></a>

Parte 5 — O Amor e o Fetiche do Caos: quando o desejo vira autodestruição

O amor pode ser destrutivo e fascinante ao mesmo tempo.
O fetiche do caos é amar sabendo que vai doer.

Animes e destaques:

  • Neon Genesis Evangelion (1995) — Traumas e desejo de fusão emocional.

  • Perfect Blue (1997) — A obsessão com a própria imagem.

  • Koi Kaze (2004) — Amor proibido e culpa.

  • Nana (2006) — Destruição mútua e vício afetivo.

Reflexão de Balcão:
O caos revela o humano em sua forma mais crua: desejo, dor e vulnerabilidade.

Parte 5


<a name="parte-6"></a>

Parte 6 — O Amor e o Fetiche da Eternidade: quando o desejo desafia o tempo

O último estágio do fetiche é a memória e a saudade.
O amor se torna eterno na lembrança, mesmo quando o tempo insiste em separar.

Animes e destaques:

  • Your Name (2016) — Conexão impossível e destino.

  • 5 Centimeters per Second (2007) — Amor lento e doloroso.

  • Vivy: Fluorite Eye’s Song (2021) — Amor e falha atravessando décadas.

  • The Garden of Words (2013) — Instantes suspensos, o toque que não acontece.

Reflexão de Balcão:
O fetiche da eternidade é amar alguém que talvez nunca exista — e, ainda assim, sentir-se pleno por isso.

Parte 6


Conclusão da Série

Do corpo ao espírito, do toque ao pixel, do caos à eternidade:
o anime nos ensina que o desejo humano é multifacetado.
O fetiche não é apenas sexual, mas filosófico, psicológico e estético.
É o modo de compreender o amor, a saudade, a solidão e a eternidade.

Como todo bom café de balcão, ele deixa resquícios:
uma sensação de prazer, um pouco de dor e muito sobre o que somos.


domingo, 28 de julho de 2024

O que é fanservice inteligente: exemplos que realmente funcionam

 


O que é fanservice inteligente: exemplos que realmente funcionam

Fanservice é frequentemente entendido como apelo visual voltado ao público, como cenas sensuais, poses exageradas ou piadas insinuativas. Contudo, o conceito é mais amplo. Trata-se de qualquer elemento inserido para agradar expectativas do fã: referências, nostalgia, easter eggs, combates elaborados, ships e reencontros marcantes.

Fanservice só se torna “problema” quando desvia a narrativa de seu propósito e transforma personagens em instrumentos vazios de estímulo. Já o fanservice inteligente contribui para o enredo, amplia o engajamento emocional e reforça a imersão.


Características do fanservice inteligente

  1. Tem função narrativa
    Constrói arco dramático ou desenvolve personagem.

  2. Conhece o próprio público
    Identifica o que a comunidade valoriza e entrega sem romper coerência interna.

  3. Recompensa quem está atento
    Easter eggs e callbacks que criam senso de pertencimento.

  4. Equilíbrio entre sugestão e sutileza
    Não interrompe o ritmo para chamar atenção a si mesmo.

  5. Amplia o universo ficcional
    Fanservice que expande lore, não apenas estímulos visuais.


Exemplos de fanservice inteligente em animes

1. Referências que constroem significado

Séries de fantasia que revisitam elementos antigos como parte do crescimento do herói.

2. Reuniões dramáticas de personagens

Reforçam temas como amizade, legado e superação, elevando a carga emocional da história.

3. Humor situacional coerente com a personalidade

Piadas sobre traços já estabelecidos do personagem, sem descaracterização.

4. Retorno de transformações icônicas

Quando surge no momento narrativo certo, simboliza evolução, não regressão.


Estudos de caso

One Piece
Momentos de retorno de personagens queridos funcionam como reafirmação de laços, além de expandirem a mitologia da obra.

Fullmetal Alchemist: Brotherhood
Easter eggs e interações cômicas funcionam para aliviar a tensão sem descaracterizar os protagonistas.

My Hero Academia
Transformações e poses heroicas reforçam identidade e ethos do gênero sem quebrar a lógica dramática.


O oposto: quando o fanservice atrapalha

Situações que objetificam personagens sem conexão com personalidade ou contexto enfraquecem a obra. O público percebe quando há desespero por atenção e não entrega significativa.

Consequências típicas:

  • Perda de credibilidade diegética

  • Quebra do ritmo narrativo

  • Redução dos personagens a estereótipos vazios

Em outras palavras: se o público lembra do fanservice e não da cena, houve um problema.


Conclusão

Fanservice inteligente não é sobre negar o desejo do fã, mas integrá-lo ao design narrativo. Quando bem aplicado, fortalece vínculos emocionais, estabiliza a identidade da obra e respeita o arco dos personagens. A pergunta que todo roteirista deveria fazer é simples:

“Isto serve à história ou apenas tenta provocar reação instantânea?”

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Quando o arquétipo vira clichê: sinais de alerta para roteiristas

 


Quando o arquétipo vira clichê: sinais de alerta para roteiristas

O ponto exato em que o familiar se torna preguiçoso

Arquétipos são o coração dos animes. Eles fazem com que, desde o primeiro episódio, já compreendamos quem é quem, o que esperar, para onde a trama pode caminhar. Só que existe uma linha tênue: quando um arquétipo deixa de emocionar e passa a irritar, temos um clichê.

Durante minhas maratonas mais recentes, percebi que alguns animes tropeçam exatamente no momento em que escolhem o caminho mais fácil, trocando profundidade por fórmulas vazias.

A pergunta que fica é:
quando o arquétipo deixa de funcionar e vira apenas repetição?


1️⃣ O personagem não muda

Arquétipos devem crescer com a história. Sempre.

Sinal vermelho quando:
• a tsundere passa 12 episódios apenas gritando e batendo
• o protagonista improvável continua bobo e inútil até o final
• o vilão filosófico não tem qualquer ponto coerente

Se o personagem termina igual ao que começou, o arquétipo virou carimbo.

O público não assiste para ver o mesmo, e sim para ver o conhecido se transformar.


2️⃣ A função narrativa é substituída por “checklist”

“Precisamos de um alívio cômico, coloca um.”
“Falta uma moe, joga ali.”
“Coloca um senpai que ninguém liga.”

Quando o arquétipo é colocado apenas para preencher espaço, o roteiro cria ruído. O personagem está presente, mas não serve ao enredo.

Exemplo clássico: mascotes fofos que nada acrescentam, apenas piscam e vendem chaveiros.


3️⃣ Reações previsíveis a cada cena

Se o espectador sabe exatamente qual será a fala seguinte do personagem, há um problema de previsibilidade.

Indícios claros:
• a mesma piada repetida até perder graça
• gatilhos dramáticos que sempre levam ao mesmo choro
• romance arrastado, sem qualquer evolução de intimidade real

Surpresa é o tempero do arquétipo bem usado.


4️⃣ O mundo não influencia o personagem

Arquétipos não podem existir no vácuo. O cenário deve moldá-los.

Falha comum em isekai:
O protagonista vai para um mundo completamente novo, mas continua com mentalidade de colégio e atitudes idênticas ao primeiro episódio.

Se o mundo não transforma a pessoa, a jornada perde propósito.


5️⃣ O fanservice domina a personalidade

Fanservice é válido quando complementa. Torna-se clichê quando substitui.

Sintomas:
• o personagem existe apenas para mostrar pele
• seu fetiche é sua única característica
• qualquer conflito é resolvido “no grito ou no decote”

Quando o arquétipo vira objeto, deixou de ser personagem.


Por que os clichês irritam tanto?

Porque nós amamos potencial.
Vemos um arquétipo e pensamos: “isso pode ser incrível”.
Quando o roteiro não cumpre essa promessa, sentimos frustração.

O clichê não falha por ser familiar.
Ele falha por não surpreender.


Como resgatar um arquétipo antes que morra

Sugestões simples que fazem diferença:

✔ Mudança de contexto: coloque a tsundere em posição vulnerável
✔ Quebra de expectativa: deixe o protagonista falhar feio
✔ Objetivos pessoais além da função de “amar o herói”
✔ Motivação clara, mesmo para o alívio cômico
✔ Vilões com razão para acreditar que estão certos

Pequenas subversões reativam a curiosidade do público.


Conclusão de um otaku que já viu de tudo

Arquétipos são como ingredientes clássicos de ramen:
a massa e o caldo podem ser os mesmos, porém o tempero precisa ser novo.

O clichê não nasce do arquétipo.
O clichê nasce da falta de risco.

Se o roteirista parar de perguntar “qual personagem preciso?”
e começar a perguntar “quem essa pessoa quer ser?”,
o clichê desaparece e o anime floresce.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

 


Arquétipos narrativos em anime

Por que eles funcionam e como moldam nossas maratonas

Todo fã de anime já percebeu que certas personalidades aparecem repetidas vezes nas histórias. A tsundere que esconde o coração mole, o mestre misterioso que sabe mais do que diz, o protagonista desengonçado que descobre poderes absurdos. Esses padrões não surgem por falta de criatividade. Eles são arquétipos narrativos: modelos simbólicos que refletem emoções e comportamentos humanos recorrentes.

Durante minhas últimas maratonas, percebi que muitos desses arquétipos não apenas estruturam enredos, mas se tornaram parte da identidade cultural do anime.

A pergunta é: por que voltamos a eles com tanto prazer?


Conceito rápido

Arquétipos narrativos são personagens que representem ideias universais. Carl Jung falava de imagens que habitam o imaginário coletivo. O anime adotou essa lógica, adicionando exagero, humor e estética própria.

Esses arquétipos facilitam a identificação imediata. Só de olhar para um personagem, sabemos o que esperar. Isso cria conexão rápida com o público e mantém a fantasia fluindo sem explicações longas.


Os principais arquétipos e por que os amamos

1️⃣ Tsundere

Quem é: rude na superfície, apaixonada no fundo. Oscila entre “vai embora” e “não me deixa”.
Função narrativa: gera tensão romântica e humor.
Exemplo popular: Taiga Aisaka (Toradora!).
Curiosidade: “tsun” significa ríspido. “Dere” significa derretido de amor.
Comentário pessoal: talvez seja o arquétipo mais exportado do Japão. Encanta porque mostra que até quem parece forte esconde fragilidade.


2️⃣ Protagonista improvável

Quem é: comum, distraído, meio azarado. De repente, escolhido pelo destino.
Função narrativa: aproxima o espectador.
Exemplo: Subaru (Re:Zero) e Deku (My Hero Academia).
Por que funciona: fantasia de transformação. Todo otaku já sonhou em sair da rotina para um mundo extraordinário.


3️⃣ A idol inocente

Quem é: símbolo de pureza, sempre sorrindo por trás do esforço brutal.
Exemplo: personagens de Love Live!
Comentário: representa a cultura idol japonesa e sua relação contraditória entre fofura e disciplina extrema.


4️⃣ Mestre misterioso

Quem é: guia que guarda segredo importante.
Exemplo: Kakashi (Naruto).
Função: entrega conhecimento aos poucos, move mistérios, instiga teorias.


5️⃣ O senpai inalcançável

Quem é: aquele que admiramos e torcemos para notar o protagonista.
Símbolo: desejo não correspondido.
Exemplo: muitos senpais escolares em animes slice of life.
Curiosidade: o termo senpai tem peso cultural no Japão. Representa hierarquia, mentoria e respeito.


6️⃣ A catgirl ou o arquétipo animal

Quem é: humana com traços de animal.
Exemplo: catgirls, kitsune, coelhinhas mágicas.
Função narrativa: simboliza instinto, liberdade, fofura exagerada.
Comentário: também se conecta com fetiches e fanservice, conforme discutido em outro post.


7️⃣ O vilão filosófico

Quem é: antagonista que acredita estar certo.
Exemplo: Meruem (Hunter x Hunter).
Função: obriga o herói e o público a refletir moralmente.
Impacto: os melhores vilões são aqueles que quase nos convencem.


O que esses arquétipos revelam sobre nós

A estrutura repetida não significa sempre repetitiva. Os japoneses entendem que arquétipos são portais para emoções profundas. Eles servem para:

• Estabelecer empatia imediata
• Guiar evolução emocional do público
• Misturar humor com drama de forma eficaz
• Refletir valores culturais (trabalho duro, disciplina, comunidade)

Quando bem trabalhados, criam personagens memoráveis. Quando mal usados, viram caricatura vazia.


Por que continuamos consumindo isso?

Talvez porque os arquétipos funcionem como espelhos confortáveis. Reconhecemos nossas quedas, medos, paixões e sonhos nesses personagens.

A cada nova obra, esperamos que o roteiro traga algo familiar, porém com toque inédito. É o equilíbrio entre tradição e surpresa que nos mantém maratonando madrugada adentro.


Conclusão da minha experiência de otaku viajante

Toda vez que uma tsundere cora ou um protagonista fracassado descobre seu propósito, sentimos a mesma fagulha que nos fez começar. Não importam quantos animes já vimos.

Arquétipos narrativos não limitam a criatividade. Eles são o alicerce sobre o qual surpresas incríveis podem ser construídas.

Da próxima vez que um mestre misterioso aparecer com tapa olho e um sorriso suspeito, respire fundo. Você sabe que coisa boa está por vir.