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sexta-feira, 16 de maio de 2025

🎮 Isekai List 2025

 

Bellacosa Mainframe apresenta a lista de isekai 2025

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

2025 — O Ano em que o Isekai Começou a Experimentar Novos Algoritmos

Durante anos, bastava um caminhão, um salário excessivo no Japão ou um herói derrotado para nascer mais um isekai. Em 2025, entretanto, aconteceu algo curioso: o gênero resolveu compilar novas ideias.

Ainda tivemos reencarnações, sistemas de RPG, reis demônios e aventureiros absurdamente poderosos, mas os estúdios começaram a experimentar novos conceitos. Surgiram histórias onde o protagonista não era necessariamente o escolhido, mundos menos "MMORPG", mais fantasia clássica, e até produções originais que brincavam com a ideia de viajar entre dimensões.

No Bellacosa Mainframe costumo comparar os isekais ao IBM z/OS.

Nos primeiros anos existia apenas um "batch" simples.

Depois vieram centenas de jobs iguais.

Em 2025 alguns programadores finalmente abriram o fonte e disseram:

"Talvez possamos melhorar esse sistema..."

O resultado foi uma temporada bastante variada, misturando continuações gigantes com estreias promissoras. (GameRant)



Os principais Isekais de 2025


1. Welcome to Japan, Ms. Elf!

Título original: Nihon e Youkoso Elf-san.
Episódios: 12

Resumo

Kazuhiro consegue dormir e acordar em um mundo de fantasia.

O detalhe divertido?

Ele consegue trazer uma elfa para conhecer o Japão moderno.

Grande parte da graça da série é justamente inverter o clichê: em vez do humano conhecer outro mundo, vemos uma aventureira medieval descobrindo supermercados, trens, restaurantes e tecnologia.

Personagens

  • Kazuhiro Kitase

  • Marie (Ms. Elf)

Easter Eggs

  • inúmeras referências à cultura japonesa;

  • choque cultural invertido;

  • culinária japonesa como "magia".


2. The Red Ranger Becomes an Adventurer in Another World

Título original: Sentai Red Isekai de Boukensha ni Naru

Episódios: 12

Resumo

Imagine um Power Ranger sendo transportado para um RPG medieval.

É exatamente isso.

O protagonista continua lutando como herói tokusatsu enquanto todos ao redor acreditam que seus golpes são magia ancestral.

Personagens

  • Asagaki Tougo

  • Princesa Idola

  • Companheiros aventureiros

Easter Eggs

  • referências constantes aos Super Sentai;

  • poses exageradas;

  • monstros dignos de seriados dos anos 80.


3. Teogonia

Título original: Teogonia

Episódios: 12

Resumo

Um dos isekais mais maduros do ano.

Mistura fantasia, guerra e sobrevivência.

Kai descobre conhecimentos de outra existência enquanto tenta proteger sua vila contra criaturas monstruosas.

Personagens

  • Kai

  • Jose

  • Orha

Easter Eggs

  • inspiração em mitologia;

  • construção política bastante elaborada;

  • menos humor, mais estratégia.


4. The Water Magician

Título original: Mizu Zokusei no Mahoutsukai

Episódios: 12

Resumo

Ryo renasce em outro mundo com magia da água.

Ao contrário de muitos protagonistas overpower, ele cresce lentamente através de treinamento constante.

Personagens

  • Ryo

  • Abel

  • Companheiros de aventura

Easter Eggs

  • evolução baseada em prática;

  • exploração do mundo;

  • magia utilizada de forma científica.


5. Onmyo Kaiten Re:Birth Verse

Título original: Onmyo Kaiten Re:Birth Verse

Episódios: 12

Resumo

Uma produção original que mistura isekai com onmyōji, viagens dimensionais e batalhas sobrenaturais.

O visual da David Production chamou bastante atenção.

Personagens

  • Takeru

  • Tsukimiya

  • Abe no Seimei

Easter Eggs

  • referências ao folclore japonês;

  • yin-yang;

  • mitologia oriental em vez da fantasia europeia tradicional. (Wikipedia)


6. My Status as an Assassin Obviously Exceeds the Hero's

Título original: Assassin de Aru Ore no Status ga Yuusha yori mo Akiraka ni Tsuyoi no da ga

Episódios: 12

Resumo

Uma turma inteira é convocada para outro mundo.

Enquanto todos recebem funções heroicas, Akira ganha a classe de assassino...

...que acaba sendo muito mais poderosa que a do próprio herói.

Personagens

  • Akira Oda

  • Amelia

  • Herói convocado

Easter Eggs

  • sátira ao protagonista tradicional;

  • sistema de classes;

  • habilidades furtivas extremamente criativas. (Wikipedia)


O que tornou 2025 relevante?

2025 mostrou que o gênero ainda possui espaço para inovação.

Entre os destaques:

  • maior variedade de protagonistas;

  • mais fantasia clássica e menos "videogame genérico";

  • experimentação com mitologia japonesa;

  • produção original (Onmyo Kaiten Re:Birth Verse);

  • fortalecimento das continuações de grandes franquias como The Rising of the Shield Hero e Campfire Cooking in Another World. (Ranker)


☕ Conclusão — Quando o Mainframe Recebe Novas Instruções

Durante muito tempo parecia que o compilador dos isekais havia entrado em um LOOP PERFORM UNTIL FALSE.

Herói morria.

Reencarnava.

Recebia nível 9999.

Montava um harém.

Derrotava o Rei Demônio.

END-JOB.

Mas 2025 começou a quebrar esse ciclo.

Ainda existem muitos clichês, mas vários estúdios passaram a experimentar novas arquiteturas narrativas, personagens menos previsíveis e mundos construídos com maior cuidado. É como um ambiente IBM z/OS que, após anos executando os mesmos JCLs, recebe uma atualização do compilador: a base continua sólida, porém os recursos disponíveis permitem soluções muito mais elegantes.

Para quem acompanha isekais desde Aura Battler Dunbine, passando por Fushigi Yûgi, Inuyasha, Sword Art Online e a explosão pós-Mushoku Tensei, 2025 representa um ponto interessante na evolução do gênero. Não foi o ano com a maior quantidade de obras memoráveis, mas foi um ano em que os desenvolvedores do "Sistema Operacional Isekai" finalmente começaram a refatorar o código-fonte.

No Bellacosa Mainframe, isso merece um sorriso e mais uma xícara de café. Afinal, até os sistemas mais antigos precisam de novas instruções para continuar surpreendendo seus usuários.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Portal Isekai — A Linha do Tempo dos Mundos Paralelos

Atravesse o portal e explore os animes isekai lançados entre 2009 e 2025. Cada grimório anual reúne títulos, personagens, episódios, curiosidades, referências e mundos que mudaram o gênero.

17 anos catalogados
2009–2025 linha do tempo
1 portal dimensional

A grande biblioteca dos animes isekai

Um portal se abriu dentro do Bellacosa Mainframe. Do outro lado, aventureiros reencarnados, heróis convocados, jogadores presos em mundos virtuais, magos, demônios, fazendeiros, cozinheiros e administradores de reinos aguardam sua próxima missão.

Este índice organiza os artigos anuais da série Isekai List, começando em 2009 e avançando até 2025. Use a busca para localizar um ano, escolha a ordem cronológica ou abra cada artigo diretamente em uma nova aba. Também é possível visualizar o conteúdo dentro do próprio portal.

🧭 Console de Navegação Dimensional

17 grimórios encontrados.

Arquivo recuperado do mainframe

Grimórios Isekai por Ano

Sistema online
2025
Nova geração

Isekai List 2025

O ano em que o isekai começou a experimentar novos algoritmos, misturando fórmulas clássicas, continuações e novas variações.

2024
Expansão dimensional

Isekai List 2024

Um ciclo carregado de continuações, novos sistemas mágicos, protagonistas improváveis e múltiplas atualizações de firmware.

2023
Diversificação

Isekai List 2023

Fantasia, culinária, agricultura, aventura e slow life dividem espaço em um dos anos mais variados do gênero.

2022
Firmware atualizado

Isekai List 2022

Novas temporadas, adaptações aguardadas e mundos paralelos operando com sistemas cada vez mais especializados.

2021
Reinos conectados

Isekai List 2021

Heróis, vilões, estrategistas e habitantes de outros mundos disputam espaço em uma temporada de forte produção.

2020
Produção intensiva

Isekai List 2020

O gênero domina o horário de produção e se transforma em uma das principais forças da indústria de anime.

2019
Linha de montagem

Isekai 2019

A indústria amplia o catálogo e transforma mundos paralelos em uma linha constante de lançamentos e adaptações.

2018
Produção em massa

Isekai List 2018

O gênero entra definitivamente em produção em massa, multiplicando mundos, heróis e sistemas de habilidades.

2017
Industrialização

Isekai List 2017

O isekai vira linha de produção, recebe novas fórmulas narrativas e conquista uma audiência cada vez maior.

2016
Reinicialização

Isekai List 2016

Um ano decisivo, marcado por obras que reiniciaram o sistema operacional do gênero e redefiniram suas possibilidades.

2015
Ascensão imperial

Isekai List 2015

O isekai deixa de ser apenas um nicho, amplia seu público e começa a construir um verdadeiro império comercial.

2014
Permanência no outro mundo

Isekai List 2014

Os protagonistas descobrem que voltar para casa nem sempre é o objetivo principal de uma aventura em outro mundo.

2013
Nova identidade

Isekai List 2013

O gênero encontra uma identidade moderna e começa a estabelecer elementos que dominariam a década seguinte.

2012
Grande reinicialização

Isekai List 2012

O ano em que mundos virtuais, light novels e comunidades online ajudaram a reiniciar a indústria dos animes.

2011
Compilando o futuro

Isekai List 2011

Um período de transição em que os elementos do isekai moderno começam a ser compilados dentro da indústria.

2010
Pré-explosão

Isekai List 2010

Antes da grande explosão comercial, o gênero reiniciava silenciosamente seus códigos narrativos fundamentais.

2009
Código ancestral

Isekai List 2009

O começo desta linha do tempo: um gênero ainda em reinicialização, preparando terreno para sua evolução.

Janela dimensional

🌀 Visualizador de Artigos

Escolha “Ver no portal” em qualquer ano para carregar o artigo.

Portal em modo de espera Selecione um ano para iniciar a transferência.

O que você encontra neste índice de animes isekai?

Animes por ano

Uma organização cronológica dos lançamentos e continuações mais relevantes entre 2009 e 2025.

Histórias e personagens

Resumos, protagonistas, companheiros, vilões, sistemas mágicos e elementos marcantes de cada produção.

Curiosidades e easter eggs

Referências escondidas, relações com light novels, mangás, RPGs, jogos e outras obras da cultura japonesa.

Estilo Bellacosa

Uma viagem descontraída pelos mundos paralelos, misturando anime, nostalgia, tecnologia e o bom humor do mainframe.

Um Café no Bellacosa Mainframe
Onde cada anime é um programa e cada mundo paralelo é uma nova LPAR.

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quinta-feira, 15 de maio de 2025

🔥 CICS Mainframe — As Últimas Grandes Releases (Linha do Tempo Mítica)

 


🔥 CICS Mainframe — As Últimas Grandes Releases (Linha do Tempo Mítica)


Nota: a IBM evolui o CICS através de releases principais (major), com novidades, foco em produtividade, segurança e modernização contínua. Este índice usa datas de general availability históricas e o que cada versão trouxe de mais bacana, junto com curiosidades e contexto técnico.


🧠 Como ler este índice Bellacosa

Cada item abaixo tem:

Versão e versão legível
Data de lançamento (GA / Generally Available)
Fim do ciclo de suporte (quando aplicável)
Principais novidades
Comentários Bellacosa



🔟 1) CICS Transaction Server for z/OS 5.1

📅 GA: ~3 out 2012
📌 Fim de Vida: já fora de serviço
Principais novidades: foco em eficiência operacional e service agility — foi grande passo para integração com padrões web e automação.
💬 Bellacosa comenta: primeira versão que rompeu claramente com legado puro, abrindo portas para aplicativos modernos.


2) CICS TS 5.2

📅 GA: 7 abr 2014
📌 Fim de Vida: fora de serviço
Novidades: melhorias em SOA, JSON e REST, suporte a mobilidade e service delivery.
💬 Coffeelore: a galera bancária vibrou — finalmente dava pra integrar com apps modernos sem sacrificar velocidade.


3) CICS TS 5.3

📅 GA: 5 out 2015
📌 Fim de Vida: 31 dez 2021
Novidades: DevOps no mainstream, métricas expandidas, simplicidade de gestão e segurança mais firme.
🐣 Easteregg: a versão que “pegou fogo” por incluir mais de 300 pedidos de clientes!


4) CICS TS 5.4

📅 GA: 16 mai 2017
📌 Fim de Vida: 31 dez 2023
Novidades: Mixed language app-serving, APIs assíncronas potentes, gestão dinâmica e MQ ampliado.
💬 Bellacosa talk: começou a se parecer com um app server corporativo moderno.


5) CICS TS 5.5

📅 GA: 2 out 2018
📌 Fim de Vida: 30 set 2025 (planejado para z/OS?)
Novidades: Suporte a Node.js, GraphQL API, melhor CICS Explorer e segurança.
🔎 Curiosidade: primeira versão com foco explícito em modern workloads (JavaScript e Node).


6) CICS TS 5.6

📅 GA: 12 jun 2020
📌 Fim de Vida: não listado (suporte atual até pelo menos 2025)
Novidades: Experiência do dev, melhorias de resiliência, segurança e gerenciamento.
💬 Bellacosa: aqui o “desenvolvedor CICS” começou a cantar alto — Maven, Spring Boot ligando nativo.


7) CICS TS 6.1

📅 GA: 5 abr 2022
📌 Fim de Vida: não anunciado
Novidades: Produtividade de dev, segurança e gestão modernizada.
📌 Bellacosa insight: versão guardiã — preparou base para zero trust e infra crítica.


8) CICS TS 6.2

📅 GA: 14 jun 2024
📌 Fim de Vida: 30 set 2025
Novidades:

  • Suporte Java 17

  • Node.js 18

  • Contêiner e produtividade

  • Segurança e conformidade reforçada

  • Threadsafe data reads

  • Policy extensões
    🎉 Easteregg: CAFC já tinha day-one support no mesmo dia em 2024!


9) CICS TS 6.3

📅 GA: 05 set 2025 (confirmado)
📌 Fim de Vida: prevista ~2027/2028, sujeito a IBM SAP policy
Novidades anunciadas:

  • OpenTelemetry distributed tracing

  • Observabilidade e configuração simplificada

  • AI agent ready

  • Java 21, Jakarta EE 10, MicroProfile 6

  • VS Code dev experience

  • Mais segurança Zero Trust

  • Políticas enriquecidas e TLS extendido
    🚀 Bellacosa Spoiler: esta versão é a carta na manga para times que querem CICS moderno de verdade.


🧾 Releases “Ancestrais” (meramente contexto)

Antes da série 5.* e 6.*, houve clássicos que ainda ecoam:

  • CICS TS V3.1 / V3.2 — base sólida de integração e performance nos anos 2000

  • CICS TS V2.x série — primeira expansão empresarial no início dos anos 2000

  • E claro, versões históricas de OS/390 que definiram o padrão corporativo.


🧠 Linha do tempo Bellacosa (Resumo de Open e End of Life)

VersãoGAEnd of Life / EOSDestaque
5.12012EoS passadoAgilidade operacional
5.22014EoS passadoSOA / JSON / mobile
5.320152021DevOps e métricas
5.420172023Mixed-language & async
5.520182025+Node.js & GraphQL
5.62020suporteDev + Resiliência
6.12022suporteProdutividade & segurança
6.220242025Modern app support
6.32025futuroObservability & AI readiness

(EOS = End of Service; marcas com * estarão no manual oficial IBM Lifecycle)


🎓 Bellacosa Insights & Eastereggs

CICS nunca morre: a cada release, CICS não “recomeça”, ele amplia — ampliando suporte a linguagens modernas, contêineres e infra corporativa.
🐣 Dev-centric shift: CICS TS 5.5+ foi a transição de “sistema OLTP puro” para plataforma de desenvolvimento moderna.
🧠 Continuous delivery: além dos grandes marcos, IBM injeta capacidades via APAR e continuous delivery entre versões.


🚀 Conclusão Bellacosa

CICS segue vivo e evoluindo com:

Modernização para nuvem e contêiner
🔐 Segurança Zero Trust
📊 Observabilidade distribuída (OpenTelemetry)
🛠️ Experiência de desenvolvimento integrada (VS Code)

🔥 Lição de casa: dominar CICS TS não é conhecer versões — mas saber o que cada release habilita em arquitetura, dev experience e operações.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

☕ O Holocron da Inteligência de Dados: Por que a IA Não Entende seu COPYBOOK e Como o watsonx.data Está Tentando Resolver Isso

Bellacosa Mainframe e a ajuda do watsonx no mainframe


☕ O Holocron da Inteligência de Dados: Por que a IA Não Entende seu COPYBOOK e Como o watsonx.data Está Tentando Resolver Isso

"Muitos Padawans acreditam que Inteligência Artificial significa apenas conversar com um chatbot. Os Mestres sabem que a verdadeira batalha acontece muito antes: na compreensão dos dados."


Introdução – O Dia em que o Padawan Descobriu que a IA Não Sabia o que era um PIC X(10)

Imagine a seguinte cena.

Você é um programador COBOL júnior.

Recebe a missão de modernizar uma aplicação bancária construída há quase quarenta anos.

O gerente de inovação aparece sorrindo.

— Vamos colocar IA nisso.

Você pensa:

— Fácil. Basta enviar os dados para um modelo generativo.

Então encontra o seguinte layout:

01 CLIENTE-REG.
   05 CLI-NUMERO        PIC 9(09).
   05 CLI-NOME          PIC X(40).
   05 CLI-RENDA-LIQ     PIC S9(07)V99.
   05 CLI-SITUACAO      PIC X.

A IA observa aquilo.

E responde:

Não faço ideia do que seja CLI-RENDA-LIQ.

Nesse momento, o Padawan aprende uma das maiores lições da Engenharia de Dados moderna.

IA não entende tabelas.

IA entende contexto.

E é exatamente aqui que entra o conceito de Data Intelligence.


Durante muitos anos, empresas compraram ferramentas separadas

O mercado tradicional funcionava assim.

Equipe de Governança:

Possui uma ferramenta.

Equipe de Qualidade:

Possui outra.

Equipe de Catálogo:

Possui outra.

Equipe de Linhagem:

Mais uma.

Equipe de Compliance:

Outra plataforma.

Equipe de Segurança:

Mais uma solução.

Resultado?

Cinco contratos.

Cinco bancos de metadados.

Cinco interfaces.

Cinco APIs.

Cinco equipes discutindo.

Algo parecido com isto:

Governança
     │
Qualidade
     │
Lineage
     │
Catálogo
     │
Compliance
     │
IA

Parece organizado.

Mas na prática é um enorme spaghetti corporativo.


O que a IBM percebeu

A IBM começou a observar um padrão interessante.

As perguntas feitas pelas equipes eram sempre parecidas.

Governança pergunta

Quem é o dono?

Quem aprovou?

Quem pode acessar?


Qualidade pergunta

Posso confiar?

Está completo?

Possui erros?


Lineage pergunta

De onde veio?

Quem alterou?

Qual programa produz?


IA pergunta

O que significa?

Posso usar?

Existe restrição?

Na realidade, todas essas perguntas falam sobre a mesma coisa.

Conhecimento sobre os dados.


A pilha do watsonx.data intelligence

Podemos imaginar a arquitetura como um holocron dividido em cinco camadas.


Primeira camada

Hybrid Cloud Platform

É a fundação.

Conecta:

Db2

Oracle

SAP

Snowflake

MongoDB

Kafka

AWS

Azure

IBM Z

IMS

VSAM

CICS

É como um grande tradutor universal.


Segunda camada

Data Governance

O catálogo corporativo.

Aqui ficam armazenadas informações como:

Campo:

CPF

Classificação:

PII

Sensível:

Sim

LGPD:

Aplicável

Owner:

Área Financeira


Terceira camada

Data Quality

Pergunta simples.

Posso confiar?

Exemplo.

Esperado:

CPF válido

99,99%

Encontrado:

88%

Problema detectado.


Quarta camada

Data Lineage

Talvez a mais fascinante.

Permite responder:

De onde veio?

Imagine:

COBOL

VSAM

DFSORT

Db2

Kafka

Data Lake

LLM

Tudo rastreado.


Quinta camada

Data Product Hub

Talvez seja a ideia mais moderna.

Os dados deixam de ser arquivos.

Viram produtos.

Exemplo.

Produto:

Customer360

Contém:

Dados cadastrais

Histórico

Score

Endereços

Risco

Consumidores:

Fraude

CRM

Analytics

IA


Um exemplo para o Programador COBOL Jr.

Imagine este campo.

05 CLI-RENDA-LIQ PIC S9(07)V99.

Você sabe o que significa.

Mas a IA não.

Precisamos adicionar conhecimento.

Nome comercial:

Renda Líquida Mensal

Descrição:

Valor recebido após descontos.

Periodicidade:

Mensal

Sensibilidade:

Alta

Origem:

Programa COBCL001

Arquivo:

CLIENTES.KSDS

Consumidores:

CRM

Motor de crédito

Modelo IA

Agora sim.

A IA consegue responder.

Pergunta:

"Qual renda média dos clientes premium?"

Resposta:

Campo identificado.

Qualidade validada.

Autorização concedida.

Origem conhecida.

Consulta realizada.


E o Mainframe?

Aqui está a parte que mais interessa ao leitor Bellacosa Mainframe.

O IBM Z sempre teve metadados.

Só nunca os chamamos assim.

O catálogo Db2

É metadado.


Copybooks

São metadados.


RACF

É metadado.


JCL

É metadado.


DBD IMS

É metadado.


SMF

É metadado.


SYS1.PARMLIB

Também.

Durante décadas, o Mainframe guardou informações valiosíssimas.

O problema é que elas estavam dispersas.

E não eram consumidas por modelos de IA.


O novo ouro das empresas

Muitos acreditam que o ativo mais importante seja o modelo generativo.

Não é.

Modelos podem ser trocados.

GPT.

Granite.

Llama.

Mistral.

Claude.

O diferencial competitivo está em algo muito mais difícil.

Os metadados.

Porque representam conhecimento acumulado.

Décadas de regras de negócio.

Decisões.

Políticas.

Histórico.

Governança.

É aquilo que impede uma IA de produzir respostas brilhantes e completamente erradas.


Conselhos para o Padawan COBOL

Se você está iniciando sua jornada no IBM Z, comece a olhar seus programas de outra forma.

Não enxergue apenas instruções COBOL.

Enxergue conhecimento de negócio.

Documente copybooks.

Padronize nomes.

Descreva regras.

Mantenha linhagem.

Entenda quem consome seus dados.

Aprenda governança.

Estude LGPD.

Conheça APIs.

Explore Data Mesh.

Entenda catálogos modernos.

Porque o profissional mais valorizado da próxima década talvez não seja aquele que apenas programa COBOL.

Será aquele capaz de explicar para uma Inteligência Artificial o significado dos cinquenta anos de sabedoria escondidos dentro de um simples:

05 CLI-RENDA-LIQ PIC S9(07)V99.

E quando esse dia chegar, o velho programador COBOL descobrirá algo surpreendente.

Ele nunca foi apenas um codificador.

Ele sempre foi o guardião dos holocrons de dados da empresa.

Espero que este artigo ajude o Padawan COBOL a perceber que Data Intelligence é, em grande parte, a evolução natural da disciplina que o Mainframe pratica há décadas: conhecer profundamente a origem, o significado, a qualidade e a responsabilidade de cada byte armazenado no sistema corporativo.


terça-feira, 13 de maio de 2025

O Paciente Vibe Coding: IA, COBOL e o Dia em que Programar Virou Conversar com a Máquina

Bellacosa Mainframe e a vibe coding

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Paciente Vibe Coding: IA, COBOL e o Dia em que Programar Virou Conversar com a Máquina

Imagine a seguinte cena.

São duas da manhã.

O CPD está silencioso.

Algumas luzes piscam no rack.

O JES2 continua recebendo jobs como se nada tivesse acontecido.

O Db2 segue trabalhando.

O CICS atende transações.

E em algum lugar existe um programador COBOL iniciante olhando para uma tela e pensando:

— Eu preciso mesmo aprender tudo isso?

Antes que alguém responda, a porta da sala se abre.

Entra um médico de sistemas.

Não usa estetoscópio.

Usa um terminal 3270.

Olha para o paciente.

O paciente é um jovem sistema chamado:

VIBE CODING.

Sintomas:

  • cria programas apenas com descrições;

  • escreve código em segundos;

  • corrige erros automaticamente;

  • às vezes inventa coisas que não existem;

  • parece extremamente inteligente;

  • eventualmente faz besteiras monumentais com absoluta confiança.

Diagnóstico preliminar:

Síndrome Aguda de Inteligência Artificial Assistida por Linguagem Natural.

Prognóstico:

Pode transformar completamente a programação.

Também pode destruir seu ambiente se você acreditar em tudo que ele diz.

Como qualquer bom médico de sistemas diria:

O código não mente.
Mas quem gera código pode estar errado.

E é exatamente aqui que começa nossa investigação.


1. Afinal, o que é Vibe Coding?

Vibe Coding é uma maneira de construir software utilizando principalmente linguagem natural.

Em vez de começar escrevendo código linha por linha, você descreve o que deseja.

Por exemplo:

Crie uma aplicação que permita cadastrar clientes, consultar saldo, fazer transferências e gerar um histórico de movimentações.

A Inteligência Artificial interpreta essa descrição e começa a criar:

  • arquivos;

  • funções;

  • classes;

  • banco de dados;

  • APIs;

  • páginas;

  • testes;

  • documentação;

  • scripts de instalação.

Você não está necessariamente programando no sentido tradicional.

Você está orientando a construção do software.

Essa diferença parece pequena.

Não é.

Durante décadas o processo normalmente era:

IDEIA
 ↓
REQUISITO
 ↓
ANÁLISE
 ↓
DESENHO
 ↓
CÓDIGO
 ↓
COMPILAÇÃO
 ↓
ERRO
 ↓
CORREÇÃO
 ↓
TESTE
 ↓
PRODUÇÃO

Com ferramentas baseadas em Inteligência Artificial, parte disso pode acontecer em uma conversa:

IDEIA
 ↓
PROMPT
 ↓
IA
 ↓
CÓDIGO
 ↓
TESTE
 ↓
CORREÇÃO

Em sistemas mais sofisticados:

OBJETIVO
 ↓
AGENTE IA
 ↓
PLANEJAMENTO
 ↓
IMPLEMENTAÇÃO
 ↓
TESTES
 ↓
AVALIAÇÃO
 ↓
CORREÇÃO
 ↓
NOVA TENTATIVA

É uma mudança de paradigma.


2. Quem inventou esse negócio?

O termo Vibe Coding ganhou popularidade em 2025 associado a Andrej Karpathy, conhecido por seu trabalho em Inteligência Artificial e redes neurais.

A expressão possui uma certa dose de brincadeira.

A ideia seria mais ou menos:

Você explica a "vibe" do que quer construir e deixa a IA resolver os detalhes.

Não quer dizer que ninguém escrevia código com IA antes.

GitHub Copilot, ChatGPT e ferramentas semelhantes já estavam sendo utilizados.

A diferença foi dar um nome a uma nova atitude diante da programação.

Não é apenas:

“IA, complete essa função.”

É algo mais próximo de:

“IA, faça esse sistema funcionar.”

Existe uma enorme diferença entre as duas frases.

Na primeira, a IA é assistente.

Na segunda, ela começa a assumir uma parcela muito maior da engenharia.


3. O programador COBOL encontra o Vibe Coding

Agora imagine alguém começando em COBOL.

Ele aprende:

IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. HELLO.

PROCEDURE DIVISION.

    DISPLAY 'HELLO WORLD'.

    STOP RUN.

Depois aprende:

WORKING-STORAGE SECTION.

01 WS-IDADE PIC 9(03).

PROCEDURE DIVISION.

    MOVE 25 TO WS-IDADE.

    IF WS-IDADE >= 18
        DISPLAY 'MAIOR DE IDADE'
    END-IF.

Depois aparecem:

  • arquivos sequenciais;

  • VSAM;

  • JCL;

  • Db2;

  • CICS;

  • IMS;

  • MQ;

  • RACF;

  • LE;

  • JES2;

  • datasets;

  • abends.

O jovem programador começa a suspeitar que escolheu a profissão errada.

Então aparece uma IA.

Ele pergunta:

Crie um programa COBOL que leia um arquivo de clientes e exiba apenas registros ativos.

A IA escreve algo.

O iniciante olha.

E pensa:

— Pronto. Acabou a profissão.

Não.

Calma.

Esse é o primeiro erro de diagnóstico.


4. IA gerar COBOL não significa IA entender seu mainframe

Essa distinção é fundamental.

Uma IA pode gerar:

READ ARQ-CLIENTES
    AT END
        SET EOF TO TRUE
    NOT AT END
        IF STATUS-CLIENTE = 'A'
            DISPLAY NOME-CLIENTE
        END-IF
END-READ

Isso é relativamente simples.

Agora diga:

Este programa participa do fechamento contábil de um banco, roda dentro de uma cadeia de 430 jobs, utiliza arquivos GDG, acessa Db2, envia mensagens MQ e precisa terminar antes das 05:40 porque às 06:00 começa a compensação.

Bem-vindo à medicina intensiva.

A IA pode conhecer:

  • COBOL;

  • JCL;

  • Db2;

  • MQ.

Mas talvez não conheça:

  • sua operação;

  • suas dependências;

  • seus datasets;

  • seus SLAs;

  • seus procedimentos;

  • suas convenções;

  • seus controles;

  • sua arquitetura histórica.

É aqui que o especialista humano continua essencial.


5. A grande ilusão: “a IA sabe programar”

É verdade.

E não é.

A IA é extraordinariamente boa em reconhecer padrões.

Se você disser:

Faça uma API REST de clientes em Java.

Ela provavelmente escreverá algo muito convincente.

Se disser:

Crie uma classe Python para acessar PostgreSQL.

Também.

Se disser:

Faça um JCL para executar um SORT.

Provavelmente também.

Mas existe uma diferença gigantesca entre:

gerar código plausível

e

garantir que esse código é correto no seu ambiente.

Esse é um dos pontos mais importantes deste artigo.

Uma IA pode produzir algo que:

  • compila;

  • executa;

  • parece bonito;

  • passa por testes simples;

e ainda assim está conceitualmente errado.


6. O sintoma mais perigoso: código convincente

Imagine um médico olhando um exame errado e dizendo com total segurança:

— Perfeito. O paciente está ótimo.

Esse é o equivalente técnico de uma IA produzindo código incorreto com aparência profissional.

Chamamos isso frequentemente de alucinação.

Por exemplo, a IA pode sugerir:

IBM.CICS.AUTO.REPAIR

como se fosse um parâmetro real.

Você procura.

Não existe.

Ou sugerir uma API.

Você abre a documentação.

Também não existe.

O modelo não está conscientemente mentindo.

Ele está produzindo uma sequência de palavras estatisticamente plausível.

Em desenvolvimento tradicional, o compilador geralmente avisa:

EI, ISSO NÃO EXISTE.

Mas alguns erros não aparecem na compilação.

Esse é o verdadeiro perigo.


7. Um programa pode funcionar e continuar errado

Considere:

COMPUTE WS-JUROS =
    WS-SALDO * 0.10

Perfeitamente válido.

Compila.

Executa.

Mas e se a taxa deveria ser:

0.01

O compilador não pode ajudar.

A IA também não pode saber, a menos que alguém informe.

Estamos falando de regra de negócio.

Esse é o coração de sistemas corporativos.

Programadores mainframe sabem disso muito bem.

Frequentemente o maior valor de um programa COBOL não está no código.

Está no conhecimento incorporado nele.

Pode existir uma regra escrita em 1989 que diz:

IF TIPO-CONTA = 17
   AND REGIAO = '03'
   AND DATA-MOVIMENTO < 19980101
       PERFORM ROTINA-ESPECIAL.

Por quê?

Ninguém sabe.

Apague.

Três dias depois metade da contabilidade explode.

E alguém aparece dizendo:

— Ah... isso existia por causa da fusão de 1997.

Esse tipo de conhecimento contextual ainda é um enorme desafio para sistemas de IA.


8. A história está se repetindo

Vamos voltar no tempo.

Na década de 1950, programação era extremamente próxima do hardware.

Imagine escrever instruções como:

LOAD
MOVE
ADD
JUMP
STORE

Então vieram linguagens de alto nível.

FORTRAN.

COBOL.

ALGOL.

Programadores Assembly reclamaram.

Provavelmente alguém disse:

Isso não é programação de verdade.

Décadas depois apareceu C.

Depois C++.

Depois Java.

Depois Python.

Depois frameworks.

Depois low-code.

Depois no-code.

Depois assistentes de IA.

Agora Vibe Coding.

Observe:

CÓDIGO DE MÁQUINA
        ↓
ASSEMBLY
        ↓
LINGUAGENS DE ALTO NÍVEL
        ↓
FRAMEWORKS
        ↓
LOW-CODE
        ↓
IA
        ↓
LINGUAGEM NATURAL

Cada camada abstrai alguma complexidade anterior.


9. COBOL já era uma forma ancestral de Vibe Coding?

Aqui temos uma bela curiosidade.

COBOL significa:

COmmon Business-Oriented Language.

Uma das filosofias da linguagem era facilitar a expressão de regras comerciais de forma relativamente próxima do inglês.

Compare Assembly:

L R1,VALUE1
A R1,VALUE2
ST R1,TOTAL

com COBOL:

ADD VALUE1 VALUE2
    GIVING TOTAL.

Agora compare com linguagem natural:

Some VALUE1 e VALUE2 e guarde em TOTAL.

A trajetória é evidente.

Talvez possamos brincar dizendo:

Assembly
 ↓
COBOL
 ↓
Prompt

Grace Hopper talvez olhasse para isso com bastante curiosidade.


10. Easter Egg: Grace Hopper entra na sala

Imagine Grace Hopper entrando no laboratório.

Um programador moderno mostra:

Crie um programa para calcular salários.

A IA gera COBOL.

Hopper observa.

Fica alguns segundos em silêncio.

Então provavelmente perguntaria:

— E quem valida o resultado?

Silêncio.

Esse talvez seja o principal conselho do Vibe Coding.

Nunca confunda geração com validação.


11. Prompt é o novo requisito?

Em parte.

Veja este prompt:

Faça um sistema bancário.

Resultado provável:

caos.

Agora:

Desenvolva uma aplicação bancária simples com cadastro de clientes, contas correntes, depósitos e transferências. Use autenticação, registre auditoria das operações, impeça saldo negativo e crie testes unitários para depósitos e transferências.

Muito melhor.

Agora evolua:

Nenhuma transferência pode ocorrer sem validação de saldo. Toda operação deve possuir timestamp, identificador de transação e trilha de auditoria. Operações superiores a R$ 10.000 devem ser registradas separadamente para análise.

Agora temos algo parecido com especificação.

O que aconteceu?

Você fez engenharia de requisitos.

Por isso existe uma ironia interessante.

A IA pode tornar o analista de sistemas ainda mais importante.


12. O melhor Vibe Coder talvez não seja o melhor digitador

Imagine dois profissionais.

Programador A:

digita 120 palavras por minuto.

Conhece a sintaxe inteira de Java.

Programador B:

entende profundamente:

  • arquitetura;

  • negócio;

  • segurança;

  • testes;

  • observabilidade;

  • infraestrutura.

Com IA gerando código, quem possui maior vantagem?

Provavelmente B.

Porque o gargalo muda.

Antes era:

Como escrever?

Agora começa a ser:

O que precisa ser feito?

E depois:

Como saber que está correto?


13. A nova profissão: programador como supervisor

Imagine uma oficina.

Antes:

HUMANO
 ↓
FAZ TUDO

Com IA:

HUMANO
 ↓
PLANEJA
 ↓
IA IMPLEMENTA
 ↓
HUMANO REVISA
 ↓
IA CORRIGE

O profissional muda de artesão puro para algo parecido com:

  • arquiteto;

  • supervisor;

  • revisor;

  • engenheiro;

  • operador.

Isso não significa que programação desaparece.

Significa que escrever código manualmente deixa de ocupar 100% do processo.


14. O programador júnior de velocidade absurda

Uma analogia muito útil é pensar na IA como um programador júnior com características bizarras.

Ele:

  • leu milhões de programas;

  • digita instantaneamente;

  • conhece centenas de linguagens;

  • nunca fica cansado;

  • trabalha 24 horas;

  • gera documentação;

  • escreve testes.

Mas possui um pequeno problema.

Às vezes inventa coisas.

E frequentemente não conhece seu ambiente.

Portanto você precisa dizer:

Não altere essa interface.

Não adicione dependências.

Preserve compatibilidade.

Use COBOL Enterprise 6.x.

O arquivo possui RECFM=FB.

LRECL=120.

Não altere o layout.

Quanto mais contexto correto você oferece, melhor.


15. Contexto é combustível

Dizer:

Corrija meu programa.

é pouco.

Dizer:

Este programa COBOL Enterprise 6.3 roda em z/OS, lê um VSAM KSDS pelo campo chave CLIENT-ID e recebe dados de CICS através de COMMAREA. O erro ocorre quando CLIENT-ID não existe.

é muito melhor.

A IA agora possui:

  • linguagem;

  • plataforma;

  • acesso;

  • estrutura;

  • condição do erro.

Resultado tende a melhorar drasticamente.


16. Vibe Coding e ferramentas modernas

O fenômeno cresceu porque surgiram ferramentas capazes de juntar diferentes capacidades.

Em vez de apenas gerar um trecho de código, ambientes modernos conseguem:

  1. ler o projeto;

  2. entender arquivos;

  3. alterar código;

  4. executar comandos;

  5. testar;

  6. examinar erros;

  7. corrigir;

  8. repetir.

Ferramentas conhecidas passaram a oferecer diferentes versões desse modelo.

Cursor.

Replit.

Lovable.

GitHub Copilot.

Windsurf.

Ambientes com agentes de programação.

O detalhe importante não é a marca.

É a arquitetura.

A IA deixou de ser apenas:

Pergunta → Resposta

e passou a ser:

OBJETIVO
 ↓
AÇÃO
 ↓
RESULTADO
 ↓
ANÁLISE
 ↓
NOVA AÇÃO

17. Isso nos leva aos agentes

Agora entramos em território ainda mais interessante.

Vibe Coding pode evoluir naturalmente para Agentic Coding.

Um agente pode receber:

Corrija o bug no módulo de cadastro.

Então:

  1. lê o código;

  2. encontra a função;

  3. procura logs;

  4. identifica possível causa;

  5. altera código;

  6. cria teste;

  7. executa;

  8. falha;

  9. modifica novamente;

  10. executa;

  11. passa.

Isso é muito mais poderoso que simples geração textual.

É um loop fechado.


18. O loop é fundamental

Considere dois sistemas.

Sistema A:

IA
 ↓
GERA CÓDIGO
 ↓
FIM

Sistema B:

IA
 ↓
GERA
 ↓
TESTA
 ↓
AVALIA
 ↓
CORRIGE
 ↓
TESTA

Sistema B possui uma vantagem gigantesca.

Ele recebe feedback.

Programadores humanos trabalham assim há décadas.

escreve
 ↓
compila
 ↓
erro
 ↓
corrige
 ↓
executa
 ↓
erro
 ↓
corrige

Agentes estão aprendendo exatamente esse ciclo.


19. Só que existe um novo problema

Um agente pode continuar tentando indefinidamente.

Imagine:

tentativa 1
tentativa 2
tentativa 3
tentativa 4
...
tentativa 329

Cada tentativa custa:

  • tokens;

  • CPU;

  • tempo;

  • dinheiro;

  • chamadas de API.

Portanto bons sistemas agentic precisam de limites.

Chamamos isso de guardrails.


20. Guardrails: cercas ao redor do robô

Nunca devemos simplesmente dizer:

Faça o que for necessário.

Principalmente em produção.

Melhor:

Você pode:
- ler código;
- criar testes;
- modificar ambiente DEV.

Você não pode:
- acessar produção;
- alterar RACF;
- deletar datasets;
- executar deploy sem aprovação.

Isso é governança.

No mainframe essa filosofia é familiar.

RACF já existe exatamente porque:

Nem todo usuário deve poder fazer tudo.

Agentes precisam da mesma disciplina.


21. Human-in-the-loop

Outro conceito essencial.

Significa manter seres humanos nos pontos críticos.

Por exemplo:

IA cria alteração
 ↓
IA executa testes
 ↓
IA gera relatório
 ↓
HUMANO APROVA
 ↓
DEPLOY

Isso é muito mais seguro que:

IA teve uma ideia
 ↓
PRODUÇÃO

Qualquer veterano mainframe provavelmente sentiu um arrepio lendo a segunda opção.

Com razão.


22. Vibe Coding não elimina DevOps

Pelo contrário.

Quanto mais rápido produzimos código, mais importantes tornam-se:

  • Git;

  • versionamento;

  • pipeline;

  • testes;

  • code review;

  • segurança;

  • observabilidade.

Imagine gerar 50 alterações em uma hora.

Sem governança, você simplesmente produz bugs mais rápido.

Portanto:

IA + DevOps

faz sentido.

Mas:

IA - DevOps

é receita para desastre.


23. O famoso “funciona na minha máquina”

Com IA ganha uma nova versão:

“Funcionou no ambiente da IA.”

Excelente.

Agora teste:

  • DEV;

  • QA;

  • homologação;

  • integração;

  • produção.

Porque software empresarial possui dependências invisíveis.


24. Exemplo COBOL completo

Imagine um pedido:

Crie um programa COBOL para calcular desconto de clientes VIP.

A IA produz:

IF CLIENTE-VIP = 'S'
    COMPUTE VALOR-FINAL =
        VALOR-COMPRA * 0.90
ELSE
    MOVE VALOR-COMPRA TO VALOR-FINAL
END-IF.

Parece perfeito.

Até o analista perguntar:

— Clientes VIP acima de 60 anos têm desconto adicional?

Silêncio.

E clientes corporativos?

Silêncio.

E compras internacionais?

Silêncio.

E arredondamento monetário?

Silêncio.

É por isso que conhecimento de negócio continua valendo ouro.


25. Easter Egg: o paciente “IF”

Nosso médico olha para o código:

IF CLIENTE-VIP = 'S'

e pergunta:

— Por que?

O programador responde:

— Porque a documentação mandou.

— Quem escreveu?

— Não sei.

— Quando?

— 1996.

— Ainda vale?

— Acho que sim.

O médico sorri.

Esse é o momento em que o caso deixa de ser programação e vira arqueologia corporativa.

Bem-vindo ao mainframe.


26. Vibe Coding pode ajudar iniciantes?

Muito.

Desde que seja utilizado corretamente.

Um iniciante pode perguntar:

Explique este trecho COBOL linha a linha.

Pode pedir:

Mostre como funciona OCCURS.

Depois:

Crie um exemplo usando OCCURS DEPENDING ON.

Depois:

Agora mostre o mesmo conceito utilizando uma tabela de clientes.

Isso cria um tutor personalizado.

É extraordinário.

Mas existe uma regra.

Não apenas copie.

Pergunte:

Por quê?


27. Método Bellacosa para aprender com IA

Experimente este fluxo.

Passo 1 — peça um exemplo simples

Crie um programa COBOL que some dois valores.

Passo 2 — peça explicação

Explique linha por linha.

Passo 3 — altere o problema

Agora leia os valores de um arquivo.

Passo 4 — introduza erro

O que acontece se o arquivo não existir?

Passo 5 — peça produção

Como esse programa seria diferente em ambiente bancário?

Passo 6 — peça testes

Crie casos de teste.

Passo 7 — questione a própria IA

Quais riscos existem no código que você criou?

Isso ensina muito mais do que simplesmente copiar código.


28. Nunca use IA apenas como copiadora

Use-a como:

  • professor;

  • debugger;

  • revisor;

  • colega;

  • explicador;

  • gerador de exemplos.

Uma pergunta poderosa:

Explique esse programa como se eu fosse um programador COBOL iniciante.

Outra:

Agora explique como um sysprog analisaria esse problema.

Outra:

Agora liste possíveis falhas em produção.

Perceba a evolução.

Você está explorando diferentes perspectivas.


29. Segurança merece atenção

Imagine pedir:

Crie uma API de transferência bancária.

A IA talvez produza algo funcional.

Mas segurança exige:

  • autenticação;

  • autorização;

  • validação;

  • criptografia;

  • proteção contra replay;

  • logs;

  • auditoria;

  • rate limiting;

  • tratamento de erros.

E mais.

Código funcional não significa código seguro.

Essa distinção será cada vez mais importante.


30. Observabilidade também

Se sua IA cria um sistema, pergunte:

Como saberei se ele está funcionando?

Você precisa de:

LOGS

MÉTRICAS

TRACES

ALERTAS

No mundo mainframe já utilizamos ferramentas equivalentes há décadas:

  • SMF;

  • RMF;

  • logs;

  • JES;

  • CICS statistics;

  • Db2 accounting;

  • monitors.

Nada disso perde importância com IA.

Na realidade, ganha importância.

Porque sistemas serão modificados mais rapidamente.


31. O futuro pode ser estranho

Talvez daqui alguns anos alguém abra uma IDE e diga:

Temos lentidão no fechamento mensal.

O agente responde:

Analisei SMF, WLM, logs do Db2 e histórico dos últimos seis meses. O tempo médio do job aumentou 23% depois da alteração do índice X. Criei uma mudança de teste em homologação e a execução caiu de 18 para 11 minutos. Deseja revisar?

Isso não é ficção absurda.

É a direção natural da integração entre IA, observabilidade e automação.


32. Então programadores vão desaparecer?

Provavelmente não.

Mas certas tarefas podem diminuir drasticamente.

Especialmente trabalho repetitivo.

Por exemplo:

  • criar CRUD;

  • gerar boilerplate;

  • escrever getters;

  • converter formatos;

  • escrever testes simples;

  • gerar documentação inicial.

Outras tarefas aumentam em importância:

  • arquitetura;

  • regras de negócio;

  • segurança;

  • decisão;

  • integração;

  • diagnóstico;

  • governança.


33. Quem deve ficar preocupado?

Talvez não quem sabe programar.

Talvez quem apenas digita código sem entender por quê.

Isso vale para qualquer tecnologia.

COBOL.

Java.

Python.

JavaScript.

A IA é muito boa em tarefas mecânicas.

Quanto mais seu trabalho depende exclusivamente de tarefas mecânicas, maior a pressão de automação.


34. Quem ganha vantagem?

Profissionais com conhecimento profundo.

Imagine um especialista que entende:

COBOL
+
CICS
+
DB2
+
NEGÓCIO BANCÁRIO
+
DEVOPS
+
IA

Esse profissional não perde valor.

Ele pode multiplicar sua produtividade.

Porque agora possui um exército de assistentes digitais.


35. O verdadeiro Superpoder

Não é escrever prompt bonito.

É saber dizer:

Isso está errado.

Imagine a IA produzindo 500 linhas.

O iniciante pensa:

— Impressionante.

O especialista olha por 30 segundos:

— Essa transação não pode atualizar essas duas tabelas nessa ordem.

Esse conhecimento vale muito.


36. Dica de ouro: peça evidências

Quando a IA recomendar alguma coisa, pergunte:

Por que?

Depois:

Qual documentação suporta isso?

Depois:

Quais alternativas existem?

Depois:

Quais riscos?

Esse pequeno hábito muda completamente a qualidade do trabalho.


37. Dica ainda melhor: peça autocrítica

Depois da IA gerar código:

Revise criticamente o código anterior.

Depois:

Procure vulnerabilidades.

Depois:

Procure race conditions.

Depois:

Procure problemas de performance.

Depois:

Procure problemas de manutenção.

Você transforma a IA em revisora da própria IA.

Não garante perfeição.

Mas aumenta muito a qualidade.


38. A regra das três perguntas

Antes de confiar em código gerado, pergunte:

1. Compila?

2. Funciona?

3. Faz o que deveria fazer?

Essas perguntas parecem iguais.

Não são.

Um programa pode:

COMPILAR = SIM

EXECUTAR = SIM

ESTAR CORRETO = NÃO

Essa distinção é absolutamente fundamental.


39. O paciente melhora

Nosso paciente Vibe Coding está agora sentado na maca.

O médico consulta os exames.

Sintaxe:

Excelente.

Produtividade:

Altíssima.

Velocidade:

Absurda.

Conhecimento contextual:

Variável.

Segurança:

Precisa supervisão.

Confiabilidade:

Depende de validação.

Diagnóstico final:

Ferramenta extremamente poderosa com risco severo de uso irresponsável.

Tratamento recomendado:

IA
+
ENGENHARIA
+
TESTES
+
GOVERNANÇA
+
HUMANO

40. A receita do doutor do mainframe

Para utilizar Vibe Coding sem criar um monstro:

  1. Entenda o problema antes de gerar código.

  2. Dê contexto suficiente.

  3. Estabeleça restrições.

  4. Gere pequenas alterações.

  5. Revise.

  6. Compile.

  7. Teste.

  8. Observe.

  9. Versione.

  10. Nunca entregue produção diretamente à IA sem controle.

Parece conservador?

Sim.

Também funciona.


41. Curiosidade final: o programador não desaparece, ele sobe de nível

Em cada revolução tecnológica ouvimos:

Essa profissão vai acabar.

Compiladores acabariam com programadores Assembly.

COBOL acabaria com programadores.

CASE tools acabariam com programadores.

Fourth Generation Languages acabariam com programadores.

Low-code acabaria com programadores.

Outsourcing acabaria com programadores.

Cloud acabaria com infraestrutura.

Agora IA acabará com programação.

A história costuma ser mais complicada.

Tecnologias raramente simplesmente apagam profissões.

Elas mudam o que é considerado trabalho valioso.


42. Easter Egg final: produção às 03:17

São 03:17.

O telefone toca.

Produção.

— O job AB1234 terminou com S0C7.

O jovem programador abre a IA.

Explique S0C7.

A IA responde:

Data Exception. Provavelmente operação numérica sobre campo contendo dados inválidos.

Excelente.

O jovem pergunta:

Corrija o programa.

A IA altera 47 linhas.

O veterano olha.

— Não.

O jovem:

— Por quê?

— Porque o erro está no arquivo de entrada.

Silêncio.

O veterano abre o dump.

Encontra:

VALOR = '12A45'

Ele aponta para a tela.

— A IA conhece COBOL.

— E você?

— Eu conheço o sistema.

Essa é talvez a melhor definição do futuro.

A máquina terá conhecimento gigantesco.

O humano continuará responsável por contexto, julgamento e consequência.


Conclusão

Vibe Coding não é simplesmente uma moda.

Também não é uma tecnologia mágica que elimina a necessidade de programadores.

É mais uma etapa na longa história da abstração da computação.

Máquina.

Assembly.

COBOL.

Linguagens modernas.

Frameworks.

Low-code.

IA.

Linguagem natural.

Estamos lentamente removendo a necessidade de dizer ao computador exatamente como fazer cada pequena coisa.

E migrando para uma época em que dizemos principalmente o que queremos.

Isso muda o papel do desenvolvedor.

O programador do futuro talvez escreva menos código.

Mas precisará compreender mais sistemas.

Precisará dominar:

  • arquitetura;

  • negócio;

  • segurança;

  • dados;

  • integração;

  • observabilidade;

  • governança;

  • testes.

Principalmente precisará desenvolver algo que nenhum autocomplete substitui facilmente:

juízo técnico.

Para quem está começando em COBOL, portanto, não veja a Inteligência Artificial como motivo para abandonar os fundamentos.

Faça o contrário.

Use-a para aprender mais rápido.

Pergunte.

Teste.

Quebre.

Investigue.

Compare.

Peça explicações.

Leia código antigo.

Observe dumps.

Entenda JCL.

Conheça Db2.

Descubra por que aquele programa de 1987 ainda está funcionando.

Porque talvez o profissional mais poderoso da próxima década não seja aquele que escreve dez mil linhas de código.

Talvez seja aquele capaz de olhar dez mil linhas escritas por uma IA e dizer:

“Aqui.”

“É exatamente aqui que vai dar problema.”

E nesse instante o programador COBOL iniciante compreenderá uma verdade antiga do mainframe:

tecnologia muda.

Ferramentas mudam.

Linguagens mudam.

Mas alguém sempre precisa entender o paciente.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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