| Bellacosa Mainframe e o mercado das linguagens de programação |
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O Mercado das Linguagens sem Mistérios para Programadores COBOL
Quando um Programador Descobre que Wall Street Não Compra Linguagens — Compra Risco, Poder, Escala e Sistemas que Não Podem Parar
“A linguagem mais valiosa não é necessariamente a mais popular. É aquela que está executando quando alguém aperta o botão ‘transferir’.”
Imagine a manhã começando em Manhattan.
Táxis amarelos brigam por centímetros de asfalto. Executivos atravessam a calçada segurando café, telefone e a certeza temporária de que compreenderam o mercado. Telas verdes e vermelhas piscam nos escritórios. Alguém acaba de ganhar uma fortuna. Outro ainda não descobriu que perdeu a empresa inteira.
No alto de um prédio, um jovem programador observa um gráfico circular sobre linguagens de programação.
De um lado, estão os ativos considerados promissores: Go, Elixir, Swift e TypeScript.
Do outro, aparecem tecnologias classificadas como custo, substituição, obsolescência ou passado industrial: COBOL, PL/I, RPG, Fortran, C e outras sobreviventes de guerras computacionais que já deveriam ter sido encerradas segundo dezenas de consultorias, centenas de palestrantes e aproximadamente quinze mil artigos escritos por pessoas que nunca viram um fechamento bancário.
O jovem aponta para o gráfico e pergunta:
— Então COBOL está morrendo?
O veterano do mainframe olha pela janela, ajeita o paletó e responde:
— Filho, neste mercado há duas maneiras de enriquecer. A primeira é descobrir o futuro. A segunda é cobrar caro para manter funcionando aquilo que todos afirmaram que não teria futuro.
Bem-vindo ao pregão das linguagens.
Aqui, popularidade não é receita.
Quantidade de repositórios não é volume financeiro.
Curtidas não são transações.
E um sistema escrito em uma linguagem considerada “antiga” pode movimentar mais dinheiro antes do almoço do que milhares de aplicativos modernos movimentarão durante toda a existência.
O gráfico original: elegante, sedutor e perigosamente incompleto
O diagrama analisado anteriormente tenta organizar as linguagens em um ciclo de mercado.
Ele apresenta quatro grandes regiões:
Advantage, ou vantagem;
Choice, ou escolha;
Cost, ou custo;
Replacement, ou substituição.
Também inclui marcos como:
início de mercado;
nascimento dos padrões;
auge da industrialização;
crepúsculo da obsolescência;
comoditização.
Como modelo intelectual, é interessante.
Como fotografia absoluta do mercado, é tão confiável quanto um corretor que telefona na sexta-feira à tarde dizendo que determinada ação “não tem como cair”.
O primeiro problema é que o gráfico tenta colocar em uma única circunferência coisas completamente diferentes:
idade da linguagem;
quantidade de novos projetos;
custo de manutenção;
popularidade;
disponibilidade de profissionais;
maturidade de ferramentas;
valor econômico;
perspectiva de substituição.
Essas dimensões não caminham juntas.
Uma linguagem pode ser antiga e barata.
Outra pode ser moderna e caríssima.
Uma pode ter milhões de programadores e produzir sistemas descartáveis.
Outra pode ter poucos especialistas e sustentar operações que não admitem interrupção.
Portanto, a primeira correção necessária é abandonar a ideia de que todas as linguagens percorrem o mesmo caminho.
Linguagens não são ações negociadas na mesma bolsa.
Rust não compete diretamente com COBOL em processamento de folha salarial.
JavaScript não substitui automaticamente Fortran em simulações científicas.
Python não é obrigatoriamente a melhor escolha para firmware.
COBOL não precisa vencer TypeScript na construção de interfaces web.
Comparar essas tecnologias sem considerar o domínio é como analisar uma companhia ferroviária e uma fabricante de perfumes apenas porque ambas possuem funcionários e pagam impostos.
A verdadeira bolsa de valores das linguagens
O mercado real deveria avaliar uma linguagem em pelo menos seis dimensões:
adoção em novos projetos;
base instalada;
valor dos sistemas existentes;
custo de substituição;
disponibilidade de profissionais;
capacidade de integração com tecnologias modernas.
Uma linguagem pode parecer fraca em uma dimensão e ser praticamente indestrutível nas outras.
É exatamente o caso do COBOL.
1. Adoção em novos projetos
Essa é a métrica preferida dos rankings.
Ela responde:
Quantos sistemas novos estão sendo iniciados nesta linguagem?
Aqui, linguagens como TypeScript, Python, JavaScript, Java, Go, C# e outras tendem a aparecer com força.
No GitHub, por exemplo, TypeScript tornou-se a linguagem mais usada em agosto de 2025, ultrapassando Python e JavaScript. O movimento foi impulsionado pelo crescimento de aplicações web, ferramentas de inteligência artificial e pela preferência crescente por linguagens tipadas em projetos de grande escala. (The GitHub Blog)
Na pesquisa Stack Overflow de 2025, JavaScript apareceu entre as tecnologias mais utilizadas, enquanto Python ganhou participação de forma significativa, associado principalmente a inteligência artificial, ciência de dados, automação e desenvolvimento de backend. (survey.stackoverflow.co)
Se analisarmos somente os novos projetos visíveis na internet, COBOL parecerá pequeno.
Mas esse é apenas o salão da bolsa aberto ao público.
Os cofres estão em outro andar.
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2. Base instalada
A base instalada representa tudo aquilo que já existe, funciona, recebe manutenção e não pode ser desligado por capricho arquitetural.
É aqui que o mapa muda.
Considere dois projetos hipotéticos.
Projeto A
Uma aplicação em TypeScript criada há seis meses:
20 mil linhas de código;
15 microsserviços;
800 usuários;
faturamento ainda experimental;
possibilidade de substituição relativamente simples.
Projeto B
Um sistema COBOL criado ao longo de quatro décadas:
milhões de linhas;
centenas de programas;
milhares de arquivos e tabelas;
integrações com CICS, Db2, IMS e MQ;
processamento de milhões de clientes;
regras fiscais, contratuais e contábeis acumuladas;
funcionamento contínuo há décadas.
O Projeto A é mais novo.
O Projeto B é mais valioso.
A linguagem não recebe valor apenas pelo código que poderá ser escrito amanhã. Recebe valor também pelo patrimônio lógico que representa hoje.
Essa distinção raramente aparece em rankings.
COBOL não é uma ação de crescimento; é infraestrutura soberana
Wall Street adora empresas de crescimento.
Empresas que prometem conquistar novos mercados, multiplicar receitas e transformar o mundo antes da próxima apresentação trimestral.
COBOL não pertence a essa categoria.
COBOL é mais parecido com:
uma empresa de energia;
uma rede ferroviária;
um sistema de compensação;
uma usina;
um porto;
um conjunto de cofres subterrâneos.
Ele não precisa ser excitante.
Precisa estar funcionando.
A própria IBM descreve COBOL como uma linguagem criada especificamente para aplicações empresariais e ainda presente em sistemas essenciais. A modernização desses ambientes não significa simplesmente abandonar COBOL, mas atualizar práticas, ferramentas, integrações, arquitetura e processos em torno das aplicações existentes. (IBM)
Esse é um ponto fundamental para o iniciante:
Modernização não é sinônimo de reescrita.
Muitas empresas modernizam sistemas COBOL por meio de:
APIs;
integração com Java;
serviços REST;
mensageria;
pipelines de CI/CD;
Git;
testes automatizados;
novos compiladores;
análise estática;
observabilidade;
interfaces web e móveis;
inteligência artificial aplicada à compreensão do código.
O programa COBOL permanece no centro porque continua executando a regra de negócio.
O que muda é a forma de acessá-lo, testá-lo, implantá-lo e governá-lo.
O erro da coluna “Cost”
O gráfico coloca COBOL, Java, C++, PHP, JavaScript, Python e outras linguagens próximas da região de custo.
Essa classificação é enganosa porque toda tecnologia possui custo.
A pergunta correta não é:
Quanto custa manter?
A pergunta correta é:
Quanto custa manter em comparação com o valor produzido e com o risco de substituir?
Imagine que um sistema COBOL custe dez milhões por ano para operar.
À primeira vista, parece caro.
Mas suponha que ele processe centenas de bilhões em transações, cobranças, pagamentos, apólices ou benefícios.
O custo representa uma pequena fração do valor protegido.
Agora imagine uma tentativa de reescrever tudo em outra linguagem por 300 milhões, durante cinco anos, sem garantia de equivalência funcional.
O sistema antigo deixa de parecer caro.
Ele passa a parecer o adulto responsável na sala.
O mercado não calcula apenas custo de desenvolvimento.
Calcula:
risco operacional;
risco regulatório;
risco de indisponibilidade;
risco de perda de dados;
risco reputacional;
risco de fraude;
risco de interpretação incorreta das regras;
risco de migração;
risco de dependência de fornecedor;
risco de a equipe moderna descobrir tarde demais que o sistema antigo fazia 4.700 coisas que ninguém documentou.
A função do programador COBOL não é apenas escrever código.
É proteger capital operacional.
O programa de 1978 que sabe mais sobre a empresa do que a diretoria
Uma das grandes curiosidades do legado é que o código frequentemente se transforma em documentação executável da organização.
Imagine uma seguradora.
Ao longo de 40 anos, seus programas receberam alterações para:
novas leis;
novos produtos;
decisões judiciais;
mudanças de moeda;
planos especiais;
regras de exceção;
fusões empresariais;
acordos com clientes;
tratamentos para contratos antigos;
cálculos atuariais;
arredondamentos específicos;
datas de corte.
O programa pode conter uma condição como:
IF DATA-ADESAO < 19940701
COMPUTE TAXA-FINAL = TAXA-ANTIGA * FATOR-TRANSICAO
ELSE
COMPUTE TAXA-FINAL = TAXA-NOVA
END-IF
O programador iniciante olha e pensa:
— Isso é feio. Vamos simplificar.
O veterano pergunta:
— Você sabe por que julho de 1994 está ali?
Silêncio.
Talvez a data represente:
uma mudança monetária;
uma norma;
um produto encerrado;
um contrato coletivo;
um ajuste de transição;
uma determinação jurídica.
Apagar aquela condição sem compreender o contexto pode gerar milhões em pagamentos incorretos.
Eis a verdadeira mercadoria do programador COBOL:
conhecimento de negócio encapsulado em código.
O que os rankings realmente medem?
Outro erro comum é interpretar índices como se todos medissem a mesma coisa.
Não medem.
TIOBE
O TIOBE mede sinais de popularidade obtidos em mecanismos de busca, cursos, fornecedores e disponibilidade de profissionais. O próprio índice avisa que não mede qual é a melhor linguagem nem quantas linhas de código foram escritas em cada uma. (TIOBE)
Portanto, subir no TIOBE significa ganhar visibilidade relativa naquele método.
Não significa automaticamente:
mais vagas;
salários maiores;
mais sistemas críticos;
melhor desempenho;
maior faturamento;
maior relevância estratégica.
GitHub
O GitHub enxerga principalmente o universo hospedado na plataforma:
open source;
projetos públicos;
empresas que utilizam GitHub;
código criado ou espelhado ali.
É uma fonte extremamente importante, mas não enxerga perfeitamente:
bibliotecas internas antigas;
ambientes isolados;
código proprietário;
instituições financeiras restritas;
sistemas governamentais;
aplicações mantidas em ferramentas tradicionais;
organizações que ainda não levaram todo o patrimônio para Git.
Se um banco possui dezenas de milhões de linhas COBOL protegidas por controles internos, elas não aparecerão em um ranking público.
Isso não as torna inexistentes.
Torna-as confidenciais.
Stack Overflow
A pesquisa Stack Overflow reflete a comunidade que responde ao levantamento.
Isso ajuda a compreender preferências e práticas contemporâneas, mas profissionais de certos setores podem estar sub-representados.
Um programador de startup provavelmente usa fóruns públicos com frequência.
Um especialista responsável por um sistema financeiro confidencial pode encontrar respostas em:
documentação interna;
Redbooks;
manuais IBM;
bases corporativas;
colegas;
contratos de suporte;
comunidades especializadas.
O silêncio público não significa ausência econômica.
Às vezes significa segurança.
A correção realista das principais linguagens do gráfico
COBOL: de “custo” para “ativo crítico de baixa visibilidade”
COBOL deveria ocupar uma categoria própria:
Infraestrutura empresarial consolidada com alto custo de substituição.
Não é a principal escolha para uma nova rede social.
Mas continua excelente para:
processamento em lote;
transações comerciais;
cálculos financeiros;
grandes volumes de registros;
regras de negócio;
integração com bancos de dados empresariais;
sistemas que exigem previsibilidade e continuidade.
COBOL não está no “fim da vida”.
Está em um mercado maduro, especializado e menos visível.
A IBM continua promovendo recursos, interoperabilidade, modernização e ferramentas voltadas a aplicações COBOL, inclusive integração com Java e uso de IA para compreender e transformar aplicações. (@ibmdeveloper)
Java: de “custo” para “coluna vertebral empresarial”
Java não é novidade.
Exatamente por isso é valioso.
Ele possui:
ecossistema gigantesco;
bibliotecas maduras;
JVM;
frameworks;
profissionais;
ferramentas;
aplicações bancárias;
sistemas governamentais;
plataformas empresariais;
serviços de backend;
Android em sua trajetória histórica.
Java talvez não produza a mesma euforia de uma linguagem recém-lançada.
Mas continua sendo uma base fundamental do desenvolvimento corporativo. O próprio GitHub o descreve como uma das fundações de aplicações empresariais escaláveis e seguras. (The GitHub Blog)
No pregão tecnológico, Java não é uma startup exótica.
É uma corporação que possui prédios, clientes, contratos e advogados.
JavaScript e TypeScript: da improvisação ao império
No gráfico antigo, JavaScript aparece em uma posição que já não representa a realidade.
JavaScript deixou de ser apenas uma linguagem de pequenos scripts no navegador.
Hoje está presente em:
frontend;
backend;
aplicações desktop;
ferramentas;
automação;
servidores;
plataformas;
aplicações móveis;
ambientes cloud.
TypeScript adicionou tipagem estática e melhor estrutura para grandes bases de código. Em 2025, ultrapassou JavaScript e Python no GitHub, tornando-se o exemplo perfeito de como um gráfico tecnológico pode envelhecer rapidamente. (The GitHub Blog)
CoffeeScript, que no diagrama aparece perto do “nascimento dos padrões”, perdeu relevância justamente porque TypeScript ocupou seu espaço de maneira mais poderosa.
O mercado não recompensa apenas quem chega primeiro.
Recompensa quem resolve melhor o problema no momento certo.
Python: a moeda preferida da era da IA
Python cresceu porque conseguiu tornar-se simultaneamente:
acessível para iniciantes;
útil para automação;
forte em ciência de dados;
dominante em inteligência artificial;
presente no backend;
adequado para protótipos;
cercado por bibliotecas.
A pesquisa Stack Overflow de 2025 registrou aumento expressivo de adoção de Python, associando-o à IA, ciência de dados e backend. (survey.stackoverflow.co)
Isso não significa que Python substituirá todas as linguagens.
Ele é poderoso porque atua como uma espécie de língua franca entre áreas.
Mas não elimina:
C em sistemas;
COBOL em regras empresariais;
Java em plataformas corporativas;
JavaScript e TypeScript na web;
Fortran em computação científica;
Rust em sistemas que exigem segurança de memória.
Wall Street gosta de narrativas absolutas.
A engenharia prefere contexto.
C e C++: petróleo bruto da computação
C e C++ aparecem em muitos discursos como tecnologias antigas.
Entretanto, continuam presentes em:
sistemas operacionais;
bancos de dados;
compiladores;
jogos;
navegadores;
dispositivos;
sistemas embarcados;
telecomunicações;
aplicações de alto desempenho.
Você pode escrever uma interface moderna em uma linguagem recente.
Mas em algum ponto inferior da pilha haverá uma quantidade considerável de C ou C++ fazendo o trabalho pesado.
Eles não desapareceram.
Tornaram-se subterrâneos.
Como cabos, tubulações e cofres.
Fortran: o velho cientista que ainda controla o reator
Fortran não disputa atenção com frameworks web.
Ele disputa precisão, desempenho e décadas de código científico validado.
Permanece relevante em:
meteorologia;
física;
engenharia;
modelagem;
simulações;
supercomputação;
pesquisa climática.
Reescrever um modelo científico validado durante décadas não é apenas um projeto de programação.
É uma nova validação científica.
Uma fórmula convertida incorretamente pode continuar compilando e produzindo números aparentemente plausíveis.
Esse é o tipo mais perigoso de erro: o erro elegante.
PL/I e RPG: mercados menores, porém reais
PL/I e RPG não possuem a visibilidade de Python ou JavaScript.
Porém, continuam presentes em ambientes empresariais específicos.
RPG possui forte associação com IBM i.
PL/I continua ligado a sistemas corporativos, inclusive ambientes mainframe.
O número de novos programadores é menor.
Isso cria um paradoxo interessante:
menos vagas totais;
menos candidatos qualificados;
maior dependência de conhecimento especializado;
risco de sucessão;
oportunidades para quem combina legado e modernização.
Não é um mercado de massa.
É um mercado de nicho com portas pesadas.
Passo a passo para o programador COBOL iniciante ler o mercado
Passo 1 — Não pergunte apenas “qual linguagem está crescendo?”
Pergunte:
Em qual setor?
Em qual país?
Em qual plataforma?
Para qual tipo de aplicação?
Em empresas de qual tamanho?
Em projetos novos ou manutenção?
Com qual nível de responsabilidade?
“Python está crescendo” é verdadeiro.
“Python substituirá todo COBOL bancário” é uma aposta muito mais arriscada.
Passo 2 — Aprenda a diferenciar popularidade de valor
Popularidade mede atenção.
Valor mede consequência.
Um aplicativo com milhões de downloads pode falhar por alguns minutos e causar reclamações.
Um sistema de liquidação pode falhar por segundos e gerar impactos financeiros, operacionais e regulatórios.
A criticidade muda o preço da competência.
Passo 3 — Construa uma combinação, não uma prisão
O iniciante não deve aprender apenas COBOL.
Também não deve abandonar COBOL para perseguir toda nova linguagem que aparece no noticiário.
Uma combinação poderosa inclui:
COBOL;
JCL;
Db2;
CICS ou IMS;
VSAM;
Git;
APIs;
Linux ou Unix;
noções de Java ou Python;
testes;
CI/CD;
observabilidade;
fundamentos de segurança.
O profissional mais valioso não é aquele que defende uma linguagem como time de futebol.
É aquele que conecta mundos.
Passo 4 — Aprenda negócio
Um programador COBOL que entende apenas sintaxe possui valor limitado.
Um programador que entende:
contabilidade;
crédito;
seguros;
pagamentos;
previdência;
logística;
faturamento;
tributação;
conciliação;
processamento batch;
transforma-se em especialista.
No mercado financeiro, código é apenas a camada visível.
A verdadeira riqueza está na compreensão da operação.
Passo 5 — Aprenda a modernizar sem destruir
Modernização responsável começa com perguntas:
O que o sistema faz?
Quais aplicações dependem dele?
Quais dados utiliza?
Qual o volume processado?
Quais regras são críticas?
Quais exceções históricas existem?
Quais interfaces podem ser expostas?
O que pode ser refatorado?
O que deve permanecer?
Como testar equivalência?
Depois vêm as ferramentas.
Nunca o contrário.
Escolher um framework antes de compreender o sistema é como comprar um terno antes de descobrir se você foi convidado para uma reunião ou para um funeral.
Curiosidade: o ativo invisível não aparece no balanço
Empresas costumam registrar servidores, imóveis, licenças e equipamentos como ativos.
Mas raramente conseguem representar adequadamente o valor acumulado de décadas de regras de negócio em código.
Um sistema COBOL pode conter o conhecimento de centenas de:
analistas;
contadores;
especialistas;
advogados;
operadores;
gestores;
programadores;
auditores.
Muitos já se aposentaram.
Alguns faleceram.
Outros sequer lembram por que determinada regra foi criada.
O código permaneceu.
Nesse sentido, o programa não é apenas software.
É memória institucional compilável.
Easter egg do pregão: GREED IS GOOD, mas integridade referencial é melhor
Em filmes sobre mercados financeiros, a cobiça aparece como motor de ascensão e queda.
Na tecnologia, existe uma versão semelhante:
a cobiça pela linguagem nova;
a cobiça pelo projeto de migração;
a cobiça pelo contrato milionário;
a cobiça pela arquitetura com cinquenta produtos;
a cobiça por anunciar que “desligamos o legado”.
Mas sistemas empresariais não obedecem ao roteiro de Hollywood.
Quando a música termina, alguém precisa reconciliar os centavos.
Você pode convencer a diretoria a substituir um sistema considerado antigo.
O que não pode fazer é convencer o razão contábil a aceitar uma diferença de três milhões porque a nova arquitetura possui containers elegantes.
No mainframe, o verdadeiro lema não é:
“A cobiça é boa.”
É:
“O fechamento precisa bater.”
O novo mapa realista
Se redesenhássemos o gráfico, não colocaríamos COBOL caminhando simplesmente em direção ao fim.
Criaríamos zonas diferentes.
Zona 1 — Crescimento e experimentação
novas linguagens;
novos frameworks;
alto volume de projetos;
mudanças rápidas;
risco de desaparecimento.
Zona 2 — Adoção industrial
ecossistemas maduros;
forte mercado;
disponibilidade de profissionais;
ampla utilização.
Zona 3 — Infraestrutura consolidada
sistemas críticos;
grande base instalada;
alto custo de substituição;
evolução gradual;
menor visibilidade pública.
Aqui estariam COBOL, C, Java e outras tecnologias fundamentais, dependendo do domínio.
Zona 4 — Nichos especializados
Fortran;
PL/I;
RPG;
Erlang;
Haskell;
linguagens científicas, funcionais ou empresariais específicas.
Zona 5 — Declínio real
Uma linguagem só deveria entrar aqui quando houvesse combinação de:
ausência de manutenção;
fim de compiladores;
desaparecimento de fornecedores;
falta de sistemas relevantes;
impossibilidade de integração;
abandono completo do ecossistema.
Ser antiga não basta.
Ser pouco comentada também não.
Conclusão: o mercado não é uma enquete de internet
No fim do dia, as telas do pregão se apagam.
Os influenciadores fecham seus rankings.
Os consultores recolhem seus slides.
Os desenvolvedores encerram seus vídeos sobre a “linguagem que acabará com todas as outras”.
Mas, em algum lugar, um job entra no JES.
Um programa COBOL abre arquivos.
Consulta tabelas.
Processa milhões de registros.
Aplica regras criadas durante décadas.
Gera lançamentos.
Atualiza saldos.
Produz relatórios.
Dispara mensagens.
Fecha o movimento.
A empresa acordará no dia seguinte porque esse processamento terminou corretamente.
Essa é a realidade que o gráfico não consegue mostrar.
COBOL não lidera os rankings de entusiasmo.
Não domina os repositórios públicos.
Não produz a maior quantidade de tutoriais coloridos.
Não aparece diariamente nas discussões das startups.
Ainda assim, permanece onde o dinheiro, os contratos, os registros e as obrigações precisam ser processados com consistência.
O iniciante deve abandonar dois medos.
O primeiro é o medo de que COBOL desapareça amanhã.
O segundo é a ilusão de que aprender somente COBOL garantirá o futuro.
A estratégia vencedora está no meio.
Conheça profundamente o legado.
Aprenda os sistemas que o cercam.
Entenda o negócio.
Domine integração.
Use ferramentas modernas.
Estude APIs, Git, automação, testes, cloud, segurança e inteligência artificial.
Transforme-se no profissional capaz de entrar na sala onde o veterano conhece o passado e o arquiteto conhece o futuro — e conversar com ambos.
Porque o mercado não paga apenas por código.
Paga por confiança.
Paga por continuidade.
Paga por alguém que saiba qual programa pode ser alterado, qual regra deve ser preservada e qual processo jamais poderá falhar no último dia útil do mês.
No pregão das linguagens, modas sobem e descem.
Frameworks tornam-se estrelas e desaparecem.
Empresas nascem avaliadas em bilhões e terminam vendendo os móveis.
Enquanto isso, o velho COBOL permanece sentado no fundo da sala, tomando café, processando a folha de pagamento de todos os presentes.
Ele não está preocupado com o gráfico.
Ele é o sistema que imprime o extrato.
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