| Bellacosa Mainframe e a beiçola do Privacy |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
A Beiçola, o Mainframe e o Santo Graal da Putaria Digital: COMMIT, ROLLBACK e o Dia em que Descobrimos que a Internet Não Possui Botão UNDO
🍊 Martina Oliveira, Privacy, OnlyFans, outdoors, Telegram, professores, arrependimento digital, creator economy, Monty Python e a inevitável pergunta do programador COBOL: “Bellacosa, que diabos isso tem a ver com mainframe?”
Prólogo — E agora algo completamente diferente
Imagine um programador COBOL chegando tranquilamente ao Um Café no Bellacosa Mainframe.
Ele espera encontrar:
COBOL
CICS
Db2
JCL
VSAM
RACF
IMS
Prepara o café.
Abre o artigo.
E encontra:
BEIÇOLA DO PRIVACY.
Ele fecha a página.
Abre novamente.
Confere o endereço.
Bellacosa Mainframe.
Está correto.
Continua lendo.
OnlyFans.
Privacy.
Outdoor.
Conteúdo adulto.
Telegram.
Professora.
Ex-atriz arrependida.
Personagens produzidas por inteligência artificial.
O COBOLzeiro começa a suar.
— Meu Deus. O Bellacosa surtou.
Não.
Ou talvez tenha surtado.
Mas existe método nessa loucura.
Porque esta não é realmente uma história sobre pornografia.
É uma história sobre algo que todo programador de sistemas críticos deveria compreender:
O que acontece quando informação deixa de pertencer ao contexto no qual foi criada?
E para explicar isso precisaremos de Martina Oliveira.
Sim.
A Beiçola do Privacy acaba de entrar no Data Center.
Capítulo I — Quem diabos é a Beiçola?
Em 2023, Martina Oliveira tinha 20 anos e já havia construído uma identidade digital extremamente peculiar.
Ela ficou conhecida como:
Beiçola do Privacy
O apelido nasceu da comparação de sua aparência com Beiçola, personagem interpretado por Marcos Oliveira em A Grande Família.
Aqui ocorre nosso primeiro fenômeno digno de estudo.
Uma jovem que trabalha comercialmente com a própria imagem recebe uma comparação que, dentro da lógica tradicional da indústria da beleza, dificilmente seria a primeira escolha de um diretor de marketing.
A Internet diz:
“Você parece o Beiçola.”
O departamento de marketing convencional provavelmente convocaria uma reunião de emergência.
Martina aparentemente fez algo muito mais eficiente:
IF INTERNET-ME-CHAMA-DE-BEICOLA
MOVE "BEICOLA DO PRIVACY"
TO MARCA-PESSOAL
END-IF.
Bug became feature.
Em dezembro de 2023, o UOL já a descrevia como um dos destaques daquele ano nas plataformas de conteúdo adulto. Martina dizia ter faturado mais de R$ 1 milhão no período — número declarado pela própria criadora, portanto não um balanço financeiro auditado.
Mas simplesmente vender conteúdo não explica por que tanta gente que jamais assinou seu perfil passou a conhecê-la.
Para isso precisamos entrar no maravilhoso mundo do:
MARKETING DO ABSURDO.
Capítulo II — O outdoor
Porto Alegre.
Martina decide anunciar seu conteúdo adulto através de outdoors, cartazes e lambe-lambes.
Um QR Code fazia a ponte entre uma mídia quase pré-Internet e a economia digital de assinaturas.
Pense nisso tecnicamente:
OUTDOOR
|
v
OLHO HUMANO
|
v
CURIOSIDADE
|
v
SMARTPHONE
|
v
QR CODE
|
v
PLATAFORMA
|
v
ASSINATURA
É um funil de conversão.
Só que instalado numa avenida.
Em outubro de 2023, a história ficou ainda melhor.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul entrou em cena.
Pronto.
Temos agora:
sexo + outdoor + Ministério Público.
O algoritmo jornalístico começa a emitir fumaça.
Mas existe um detalhe delicioso: segundo a cobertura do UOL, o inquérito estava relacionado a poluição visual/dano ambiental, e o órgão declarou que a medida não tinha relação com o conteúdo adulto anunciado.
Ou seja:
INTERNET:
"PROIBIRAM O OUTDOOR POR CAUSA DA PUTARIA!"
REALIDADE:
IF PROBLEMA = CONTEUDO-ADULTO
DISPLAY "NAO"
ELSE
DISPLAY "POLUICAO VISUAL"
END-IF
Monty Python dificilmente escreveria melhor.
Capítulo III — O Opala laranja
Mas por que parar no outdoor?
Em novembro de 2023 apareceu outro capítulo.
Um Chevrolet Opala 1978 laranja passou a funcionar como publicidade móvel.
O carro possuía identidade visual da Privacy, QR Code e chamada direcionando o curioso para o perfil.
O UOL relatou que o veículo tinha patrocínio da plataforma e que o QR Code inicialmente direcionava para o conteúdo de Martina.
Agora nosso sistema ficou:
OUTDOOR
+
OPALA
+
QR CODE
+
INTERNET
+
MEME
+
IMPRENSA
O programador COBOL pergunta:
— Mas ela era excepcionalmente bonita?
Pergunta errada.
No mercado da atenção:
BELEZA != NOTORIEDADE
Há milhares de pessoas extremamente atraentes publicando fotografias que nunca se transformarão em notícia.
Martina possuía algo muito mais valioso:
DISTINCTIVENESS
Você poderia esquecer a fotografia.
Mas provavelmente lembraria:
“Ah! Aquela menina chamada Beiçola do Privacy que colocou outdoor e tinha um Opala laranja.”
Isso é marca.
Capítulo IV — E então aparece o Beiçola verdadeiro
Agora Monty Python assume definitivamente o roteiro.
A jovem chamada Beiçola do Privacy conhece Marcos Oliveira.
O Beiçola original.
Segundo Martina, o encontro aconteceu depois de uma peça em Porto Alegre, justamente quando o ator enfrentava dificuldades financeiras.
Mais tarde, em 2024, ela lhe deu R$ 20 mil quando ele enfrentava problemas relacionados a aluguel e ordem de despejo.
Marcos Oliveira posteriormente defendeu Martina publicamente das críticas moralistas relacionadas à origem do dinheiro.
Observe o arco narrativo:
MULHER
|
v
INTERNET DIZ:
"PARECE O BEIÇOLA"
|
v
ELA ADOTA:
"BEIÇOLA DO PRIVACY"
|
v
FICA FAMOSA
|
v
CONHECE O BEIÇOLA REAL
|
v
AJUDA FINANCEIRAMENTE
O BEIÇOLA REAL
Se isso estivesse num roteiro, o produtor diria:
“Está forçado demais.”
Mas aconteceu.
Capítulo V — Só que alguma coisa muito maior estava acontecendo
Precisamos sair de Martina por alguns minutos.
Porque ela é apenas um nó num grafo gigantesco.
INTERNET
|
+-----------------+----------------+
| | |
CRIADORES PLATAFORMAS PÚBLICO
| | |
+---+---+ +---+---+ +---+---+
| | | | | |
anônimos famosos Privacy OnlyFans fãs curiosos
| |
+------------------+------------------------+
|
REDES SOCIAIS
|
+----------+----------+
| |
grupos mídia
| |
compartilhamento notoriedade
| |
+----------+----------+
|
REPLICAÇÃO DIGITAL
|
+-------+-------+
| |
dinheiro reputação
| |
+-------+-------+
|
VIDA
É aqui que entra o mainframe.
Calma.
Ainda não.
Antes precisamos falar do COMMIT.
Capítulo VI — OnlyFans e Privacy não inventaram pornografia
Isso parece óbvio, mas é fundamental.
OnlyFans foi lançado em 2016 e tornou-se mundialmente associado ao mercado de conteúdo adulto, embora a plataforma não seja conceitualmente limitada a ele.
A Privacy representa uma versão brasileira dessa economia de monetização direta de conteúdo.
Seus próprios termos atuais descrevem assinantes pagando para acompanhar conteúdo exclusivo de influenciadores e reconhecem inclusive a figura de agências/agentes envolvidos na rentabilização e gerenciamento de criadores.
Isso demonstra a maturidade do mercado.
Já temos:
CRIADOR
AGENTE
AGÊNCIA
PLATAFORMA
ASSINANTE
MARKETING
GESTÃO
MONETIZAÇÃO
Não estamos mais falando simplesmente de:
“alguém colocou fotografias na Internet.”
Temos uma cadeia econômica.
Capítulo VII — Telegram, grupos e o pesadelo da cópia
Agora aparece uma diferença importantíssima entre uma plataforma de assinatura e grupos de compartilhamento.
Uma plataforma pode estabelecer:
USUARIO
SENHA
PAGAMENTO
AUTORIZACAO
ACESSO
Mas conteúdo digital possui uma característica maravilhosa para sistemas de informação e terrível para quem deseja controlar sua distribuição:
ele é copiável.
ORIGINAL
|
+--> cópia A
|
+--> cópia B
|
+--> screenshot
|
+--> gravação
|
+--> repost
|
+--> grupo
|
+--> arquivo privado
|
+--> outro grupo
Depois disso, perguntar:
DELETE FROM INTERNET
WHERE IMAGE = 'MINHA';
produz:
SQLCODE = -INFINITO
Porque Internet não é um banco de dados centralizado.
Capítulo VIII — A professora
Agora chegamos a um caso que precisa ser contado com cuidado porque existe uma diferença gigantesca entre:
“Professora demitida porque possuía vida adulta privada.”
e:
“Professora produziu determinado conteúdo no ambiente da escola.”
Um caso documentado ocorreu no Arizona, nos Estados Unidos.
Samantha Peer, professora de ciências que utilizava o pseudônimo Khloe Karter, perdeu o emprego depois que veio à tona conteúdo sexual produzido com o marido dentro de uma sala de aula da escola.
Alunos encontraram e compartilharam o material.
O episódio ocorreu em novembro de 2022 e voltou à imprensa em fevereiro de 2023.
Isso muda completamente a discussão.
Temos:
VIDA PRIVADA
|
| normalmente existe
| separação contextual
v
TRABALHO
Mas quando o próprio ambiente profissional entra na produção:
VIDA PRIVADA
|
+----------+
|
ESCOLA
|
CONTEÚDO
|
ALUNOS
as tabelas foram unidas pela própria operação.
Não é simplesmente:
SELECT *
FROM VIDA_PRIVADA;
É:
SELECT *
FROM VIDA_PRIVADA V
JOIN AMBIENTE_PROFISSIONAL P
ON V.LOCATION = P.LOCATION;
E o JOIN muda a análise.
Capítulo IX — A ex-atriz que quer desaparecer
Existe então o fenômeno oposto.
A pessoa que, adulta, consentiu com determinada produção muitos anos atrás e posteriormente deseja que aquilo desapareça.
Filhos.
Relacionamento.
Outra profissão.
Outra identidade.
Outra fase da vida.
Outro entendimento de si mesma.
E então descobre uma característica brutal do armazenamento digital:
CONSENTIMENTO_EM_2005 = TRUE
ARREPENDIMENTO_EM_2026 = TRUE
As duas coisas podem coexistir.
O problema é:
DELETE ORIGINAL
não significa:
DELETE ALL COPIES
Essa distinção deveria ser ensinada nas escolas.
Capítulo X — Finalmente, MAINFRAME!
Nosso programador COBOL já bebeu quatro cafés.
Está irritado.
— BELLACOSA!
— Sim?
— QUE DIABOS A BEIÇOLA TEM A VER COM CICS?!
Tudo.
Bem-vindo ao verdadeiro assunto deste artigo.
Contexto.
Sistemas corporativos vivem de contexto.
No RACF:
QUEM É VOCÊ?
Depois:
O QUE VOCÊ PODE ACESSAR?
Depois:
EM QUAL CONTEXTO?
A informação existir não significa que qualquer pessoa deva acessá-la.
Esse princípio parece óbvio num mainframe.
Imagine:
FUNCIONARIO = VAGNER
Isso não implica:
ACCESS = EVERYTHING
Existe autorização.
Perfil.
Grupo.
Recurso.
Auditoria.
Contexto.
Capítulo XI — A Internet destruiu o RACF social
Durante milhares de anos possuímos algo parecido com:
FAMÍLIA
TRABALHO
AMIGOS
RELIGIÃO
SEXUALIDADE
POLÍTICA
PASSADO
Esses ambientes tinham controles de acesso sociais.
Seu chefe não necessariamente sabia o que acontecia no boteco.
Sua mãe não conhecia todas as histórias da faculdade.
Seus colegas não conheciam necessariamente sua intimidade.
Era uma espécie de:
RACF DA VIDA
A Internet começou a executar:
PERMIT * CLASS(LIFE) ACCESS(READ)
E nós ainda estamos tentando descobrir as consequências.
Capítulo XII — Context Collapse
Esse fenômeno possui um nome extremamente útil:
colapso de contexto.
Públicos anteriormente separados encontram-se.
A fotografia destinada a:
AUDIENCE = ASSINANTES
chega a:
AUDIENCE = COLEGAS
depois:
AUDIENCE = FAMÍLIA
depois:
AUDIENCE = EMPREGADOR
depois:
AUDIENCE = FILHOS
Não necessariamente porque o conteúdo mudou.
O contexto mudou.
Programadores entendem perfeitamente isso.
Um dado correto utilizado no contexto errado pode produzir uma decisão completamente errada.
Capítulo XIII — O verdadeiro problema chama-se persistência
No mainframe adoramos persistência.
Transação confirmada?
COMMIT
Maravilhoso.
Banco consistente.
Recuperação.
Backup.
Journal.
Log.
Replicação.
Disaster Recovery.
Só que aplicamos a mesma filosofia à Internet.
BACKUP
CACHE
MIRROR
ARCHIVE
REPOST
SCREENSHOT
DOWNLOAD
Construímos uma máquina extraordinariamente eficiente para:
NÃO ESQUECER.
Depois descobrimos que seres humanos precisam justamente da capacidade de esquecer.
Monty Python entra novamente no Data Center:
“Construímos o sistema de armazenamento mais extraordinário da história!”
— Excelente!
“Ele nunca esquece!”
— Maravilhoso!
“Inclusive aquilo que queremos esquecer!”
...
— Ah.
Capítulo XIV — O Santo Graal chama-se DELETE
Nossa sociedade procura agora uma operação quase mitológica:
DELETE FROM INTERNET
WHERE SUBJECT = ME;
Sir Galahad procura.
Sir Lancelot procura.
Rei Arthur procura.
O GDPR procura.
Advogados procuram.
Plataformas procuram.
Usuários arrependidos procuram.
E aparece um francês com sotaque absurdo dizendo:
“Seu DELETE não funciona aqui, inglês idiota!”
Porque existe uma cópia num servidor.
Outra num computador.
Outra num telefone.
Outra num backup.
Outra num grupo.
Outra num arquivo.
Outra num país diferente.
O Santo Graal é o apagamento completo.
E talvez ele não exista.
Capítulo XV — E então chega a inteligência artificial
Porque aparentemente nossa história ainda não estava suficientemente absurda.
Agora podemos criar:
MULHER-VIRTUAL
Ela não precisa existir biologicamente.
Pode possuir:
NOME
ROSTO
CORPO
PERSONALIDADE
VOZ
HISTÓRIA
FOTOS
VÍDEOS
CONVERSAÇÃO
Nosso empreendedor digital pode administrar a personagem.
E aparece aquilo que, neste café, batizamos carinhosamente de:
GIGOLÔ DE IA
O PowerPoint corporativo provavelmente chamará:
Synthetic Creator Relationship Manager.
Porque nenhuma empresa receberá investimento escrevendo “Gigolô de IA” no pitch deck.
Covardes.
Capítulo XVI — A mulher perfeita versus a Beiçola
Aqui aparece uma ironia maravilhosa.
A IA pode produzir:
SIMETRIA = PERFECT
PELE = PERFECT
CORPO = OPTIMIZED
ILUMINAÇÃO = PERFECT
PERSONALIDADE = PERSONALIZED
Mas pode faltar:
HISTÓRIA = WTF
Martina possui justamente isso.
Uma mulher real recebe o apelido de Beiçola.
Adota o apelido.
Vira marca.
Coloca outdoor.
O Ministério Público aparece por poluição visual.
Compra Opala laranja.
Coloca QR Code.
Conhece o Beiçola verdadeiro.
Ajuda financeiramente o Beiçola verdadeiro.
O Beiçola verdadeiro posteriormente a defende.
Tente colocar isso num prompt.
A IA provavelmente responderia:
“Seu roteiro contém acontecimentos pouco plausíveis.”
😂
Capítulo XVII — Perfeição talvez seja um péssimo produto
Existe uma lição de sistemas aqui também.
Sistemas completamente previsíveis tornam-se invisíveis.
As pessoas lembram das exceções.
Da singularidade.
Do incidente.
Do improvável.
Da história.
1000 MODELOS PERFEITOS
↓
RUÍDO
1 BEIÇOLA DO PRIVACY
↓
MEMÓRIA
Não estou dizendo que isso foi integralmente planejado.
Estou dizendo que diferenciação venceu padronização.
Qualquer profissional de marketing reconhece imediatamente o fenômeno.
Capítulo XVIII — O grande grafo
Agora podemos finalmente enxergar nossa história inteira:
DESEJO HUMANO
|
v
INTERNET
|
+-----------------+------------------+
| | |
v v v
CRIADOR REAL CRIADOR IA CONSUMIDOR
| | |
v v |
CONTEÚDO CONTEÚDO |
| | |
+--------+--------+ |
| |
v |
PLATAFORMA <--------------------+
|
+--------+--------+
| |
v v
MONETIZAÇÃO DISTRIBUIÇÃO
| |
v v
AGÊNCIAS GRUPOS
| |
v v
MARKETING CÓPIAS
| |
v v
NOTORIEDADE PERSISTÊNCIA
| |
+--------+--------+
|
v
IDENTIDADE DIGITAL
|
+---------+---------+
| |
v v
PRESENTE FUTURO
| |
v v
DINHEIRO REPUTAÇÃO
|
+--------+--------+
| |
v v
FAMÍLIA TRABALHO
| |
+--------+--------+
|
v
CONTEXTO
|
v
SOCIEDADE
Olhe novamente.
Isso não é um grafo sobre pornografia.
É um grafo sobre:
dados.
Capítulo XIX — O COBOLzeiro finalmente entende
O velho programador termina o café.
Olha novamente para o título.
Beiçola.
Privacy.
Mainframe.
Agora começa a fazer sentido.
Porque passou a carreira inteira aprendendo:
DADO SEM GOVERNANÇA = RISCO
ACESSO SEM AUTORIZAÇÃO = RISCO
CÓPIA SEM CONTROLE = RISCO
IDENTIDADE SEM CONTEXTO = RISCO
TRANSAÇÃO SEM ROLLBACK = RISCO
A creator economy simplesmente colocou esses problemas sobre algo extraordinariamente sensível:
a identidade humana.
Capítulo XX — A grande diferença entre Db2 e Internet
No Db2 posso executar:
BEGIN TRANSACTION;
UPDATE MY_LIFE
SET DECISION = 'BAD IDEA';
ROLLBACK;
E respirar aliviado.
Na vida:
ROLLBACK;
às vezes funciona.
Na Internet:
ROLLBACK;
Resposta:
COMMAND NOT FOUND.
E talvez essa seja a lição mais importante deste artigo inteiro.
Antes de publicar qualquer coisa íntima, controversa ou profundamente ligada à identidade, a pergunta não deveria ser apenas:
“Quero fazer isso hoje?”
Deveria existir outra:
“Consigo aceitar que uma cópia disso talvez ainda exista daqui a vinte anos?”
Não porque devemos retirar autonomia das pessoas.
Justamente pelo contrário.
Autonomia informada exige compreender persistência.
Epílogo — Bellacosa não surtou. Provavelmente.
O programador COBOL termina finalmente o artigo.
Fecha o navegador.
Fica alguns segundos olhando para o monitor.
Colega pergunta:
— O que você estava lendo?
Ele responde:
— RACF.
Tecnicamente...
não está completamente errado.
Porque começamos com uma jovem chamada Beiçola.
Passamos por outdoor.
Opala.
OnlyFans.
Privacy.
Telegram.
Uma professora.
Uma ex-atriz arrependida.
Inteligência artificial.
Monty Python.
Gigolôs digitais.
E terminamos discutindo:
IDENTITY
AUTHORIZATION
ACCESS
PERSISTENCE
REPLICATION
AUDITING
DATA GOVERNANCE
RIGHT TO DELETE
CONTEXT
Ou seja:
terça-feira absolutamente normal no Bellacosa Mainframe.
☕ Easter Egg — Knights of the Digital Grail
No fundo do Data Center encontra-se uma fita esquecida.
Etiqueta:
BACKUP.INTERNET.1997
Sir Bedevere pergunta:
— Devemos restaurá-la?
Rei Arthur pensa.
Lembra do mIRC.
Lembra da Usenet.
Lembra do modem.
Lembra das fotografias carregando linha por linha.
Olha solenemente para a fita.
— Não.
— Por quê, meu rei?
Arthur responde:
//PURGE JOB CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP01 EXEC PGM=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSIN DD *
DELETE HOLY.GRAIL.PORN.HISTORY PURGE
/*
IDCAMS responde:
IDC3012I ENTRY HOLY.GRAIL.PORN.HISTORY NOT FOUND
Silêncio.
Do fundo do Data Center alguém grita:
“Está num grupo do Telegram!”
Rei Arthur olha para a câmera.
Começam os créditos.
ABEND S0C7 — HUMANITY HAS LEFT THE BUILDING.
☕ hip hip hurraaaa edição 4000
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