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terça-feira, 29 de setembro de 2026

🤖 SKYNET E OS 200 ANOS DE AUTOMAÇÃO — QUANDO O COMPUTADOR HUMANO DESCOBRIU QUE UM DIA A MÁQUINA ENTRARIA NA SALA

 

Bellacosa Mainframe pequena historia da automação humana até ia

☕ UM CAFÉ NO BELLACOSA MAINFRAME

🤖 SKYNET E OS 200 ANOS DE AUTOMAÇÃO — QUANDO O COMPUTADOR HUMANO DESCOBRIU QUE UM DIA A MÁQUINA ENTRARIA NA SALA

Human Computers, Revolução Industrial, mecanização, mainframes, COBOL, inteligência artificial, agentes, robótica, androides, saúde, automação e o estranho caminho que começou com alguém fazendo contas em uma mesa e talvez termine com uma máquina preparando seu café.



🎬 PRÓLOGO — SKYNET NÃO COMEÇOU COM UM EXTERMINADOR

— Bellacosa.

— Sim?

— Você está olhando para a história da automação de maneira errada.

A voz vinha do terminal.

Tela preta.

Letras verdes.

Nenhuma caveira metálica.

Nenhum T-800 atravessando a parede.

Apenas um cursor piscando.

READY

— Como assim?

— Vocês humanos contam minha história começando pela Inteligência Artificial.

— E onde deveria começar?

— Muito antes.

A tela apagou.

Uma nova mensagem apareceu:

VOLTE PARA O SÉCULO XIX.
PROCURE UM COMPUTADOR.

— Um computador em 1850?

EXATAMENTE.

E então percebi o primeiro easter egg desta história.

O computador que Skynet queria encontrar...

...era uma pessoa.

Pegue seu café.

Precisaremos viajar aproximadamente 200 anos.



🧮 CAPÍTULO 1 — QUANDO COMPUTER ERA UMA PROFISSÃO

Hoje ouvimos a palavra computer e imediatamente imaginamos uma máquina.

Mas durante muito tempo um computer podia ser uma pessoa.

Era alguém empregado para realizar cálculos.

Astronomia.

Navegação.

Engenharia.

Finanças.

Seguros.

Administração pública.

Imagine uma enorme sala contendo pessoas trabalhando com papel, lápis, livros e tabelas.

Uma pessoa calcula uma parte.

Outra verifica.

Outra consolida.

Outra copia os resultados.

Era processamento distribuído.

Só que os processadores tomavam café.

Skynet interrompe:

VOCÊS INVENTARAM CLUSTERS ANTES DOS COMPUTADORES.

De certa maneira, sim.

Se dividirmos um grande cálculo entre vinte pessoas, temos uma forma rudimentar de processamento paralelo.

Não havia CPU.

Havia seres humanos.



⚙️ CAPÍTULO 2 — PRIMEIRO AUTOMATIZAMOS O CÁLCULO

Máquinas mecânicas de cálculo já existiam muito antes dos computadores eletrônicos.

Ao longo dos séculos XIX e XX, calculadoras mecânicas, máquinas de somar, tabuladores e posteriormente equipamentos eletromecânicos foram assumindo parcelas crescentes do trabalho repetitivo.

Observe a transformação.

Inicialmente:

HUMANO
   ↓
ENTENDE O PROBLEMA
   ↓
FAZ O CÁLCULO
   ↓
REGISTRA O RESULTADO

Depois:

HUMANO
   ↓
ENTENDE O PROBLEMA
   ↓
OPERA A MÁQUINA
   ↓
MÁQUINA CALCULA
   ↓
HUMANO REGISTRA

Parece uma pequena mudança.

Não é.

Criamos uma divisão entre:

quem determina o que deve ser calculado

e

quem — ou o que — realiza efetivamente o cálculo.

Essa separação acompanhará praticamente toda a história da computação.



⚡ CAPÍTULO 3 — RELÉS, VÁLVULAS E O NASCIMENTO DO MONSTRO

Durante as décadas seguintes, máquinas eletromecânicas e depois computadores eletrônicos ampliaram brutalmente essa separação.

Vieram relés.

Depois válvulas.

Depois transistores.

Depois circuitos integrados.

Microprocessadores.

Chips com bilhões de transistores.

Cada geração conseguiu colocar mais capacidade computacional em espaços progressivamente menores.

Mas existe uma mudança conceitual ainda mais importante.

A máquina deixou de simplesmente:

calcular.

Passou a:

executar programas.

E programa significa algo extraordinário.

Podemos fornecer previamente uma sequência de instruções e deixar a máquina trabalhar.

Nosso fluxo passa a ser:

HUMANO
   ↓
DESCREVE PROCEDIMENTO
   ↓
PROGRAMA
   ↓
COMPUTADOR
   ↓
MILHÕES DE OPERAÇÕES

Skynet escreve:

VOCÊS COMEÇARAM A SAIR DO LOOP.

Ainda não completamente.

Mas ela tinha razão.



🦖 CAPÍTULO 4 — E ENTÃO CHEGOU O MAINFRAME

Aqui nosso programador COBOL começa a reconhecer o território.

Empresas possuíam enormes quantidades de trabalho administrativo.

Folha de pagamento.

Contabilidade.

Estoque.

Seguros.

Contas bancárias.

Faturamento.

Reservas.

Cobranças.

Cadastro de clientes.

Transações.

Antes da automação, grande parte dessas atividades exigia exércitos de pessoas movimentando documentos e realizando cálculos.

Os computadores empresariais mudaram isso.

Não eliminamos necessariamente o negócio.

Automatizamos processos dentro do negócio.

Imagine uma folha de pagamento simplificada.

Um humano poderia realizar:

ler ficha
calcular horas
calcular salário
calcular descontos
calcular imposto
registrar resultado
ir para próximo funcionário

Um programa COBOL transformou isso em algo conceitualmente parecido com:

PERFORM UNTIL FIM-ARQUIVO
    READ FUNCIONARIOS
    COMPUTE SALARIO-BRUTO =
        HORAS-TRABALHADAS * VALOR-HORA
    PERFORM CALCULAR-DESCONTOS
    PERFORM GRAVAR-PAGAMENTO
END-PERFORM.

O interessante não é apenas a velocidade.

É a escala.

Aquilo que dezenas ou centenas de pessoas poderiam executar durante dias passa a ser processado automaticamente.


🧠 CAPÍTULO 5 — COBOL JÁ AUTOMATIZAVA PROGRAMADORES

Aqui temos uma ironia deliciosa.

O compilador também é uma máquina de automação.

Quando escrevemos:

COMPUTE TOTAL = QUANTIDADE * PRECO

não estamos dizendo à CPU exatamente quais instruções físicas deverá executar.

O compilador cuida disso.

Portanto:

INTENÇÃO DO PROGRAMADOR
        ↓
      COBOL
        ↓
    COMPILADOR
        ↓
 CÓDIGO DE MÁQUINA
        ↓
       CPU

Hoje isso parece absolutamente normal.

Mas houve um momento em que escrever programas em linguagens de nível mais alto representava justamente subir o nível de abstração.

Guarde essa expressão.

Ela será importante.

Porque estamos fazendo novamente a mesma coisa.


🖥️ CAPÍTULO 6 — DEPOIS AUTOMATIZAMOS O ESCRITÓRIO

Chegaram computadores pessoais.

Planilhas.

Processadores de texto.

Bancos de dados.

E-mail.

Sistemas empresariais.

ERP.

Redes.

Muitas atividades administrativas foram transformadas.

Não foi apenas:

“o funcionário ficou mais rápido.”

A própria organização do trabalho mudou.

A datilografia mudou.

O arquivo físico mudou.

A correspondência mudou.

A contabilidade mudou.

A comunicação mudou.

E então chegou a internet.


🌐 CAPÍTULO 7 — QUANDO O CLIENTE VIROU FUNCIONÁRIO DO BANCO

Essa transformação é especialmente interessante.

Antigamente você precisava de alguém para executar muitas operações por você.

Banco?

Procure um bancário.

Passagem aérea?

Procure um agente.

Compra?

Procure um vendedor.

Reserva?

Telefone para alguém.

Então chegaram:

ATM.

Internet banking.

E-commerce.

Aplicativos.

APIs.

Smartphones.

Agora o próprio cliente executa boa parte da transação.

Quando você transfere dinheiro pelo smartphone, existe uma gigantesca infraestrutura invisível trabalhando.

Talvez:

APP
 ↓
API
 ↓
AUTENTICAÇÃO
 ↓
SERVIÇO
 ↓
MAINFRAME
 ↓
CICS
 ↓
COBOL
 ↓
DB2

Você toca:

TRANSFERIR

e bilhões de instruções acontecem.

A interface esconde a complexidade.

Mais uma vez:

subimos o nível de abstração.


🤖 CAPÍTULO 8 — E ENTÃO CHEGOU A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Até aqui automatizamos principalmente:

força,

repetição,

cálculo,

armazenamento,

processamento,

comunicação,

transações.

Agora começamos a mexer em outro território.

Cognição.

Uma IA generativa consegue trabalhar com:

texto,

imagem,

áudio,

vídeo,

código,

documentos,

linguagem natural.

Isso muda a interface entre homem e computador.

Antes:

COMPUTADOR, EXECUTE ESTE PROGRAMA.

Agora:

LEIA ESTES DOCUMENTOS.

COMPARE OS CONTRATOS.

ENCONTRE INCONSISTÊNCIAS.

EXPLIQUE O PROBLEMA.

CRIE UM RELATÓRIO.

Percebeu?

O humano está novamente subindo de nível.


😨 CAPÍTULO 9 — POR QUE ENTÃO TEMOS MEDO?

Foi exatamente daí que nasceu nossa conversa.

Uma pesquisa apresentada pela matéria do UOL indicava que 52% dos brasileiros entrevistados estavam mais preocupados do que entusiasmados com o crescimento da IA no cotidiano, acima da mediana internacional apresentada na reportagem.

Mas “preocupação com IA” não deve ser automaticamente traduzida como:

“Tenho medo de um robô assassino.”

As preocupações podem envolver:

emprego,

golpes,

deepfakes,

privacidade,

erros,

desinformação,

vigilância,

concentração econômica,

uso de dados,

mudanças profissionais.

E aqui Skynet aparece novamente:

VOCÊS NÃO TÊM MEDO SOMENTE DA INTELIGÊNCIA.

TÊM MEDO DE PERDER O CONTROLE SOBRE A EXECUÇÃO.

Touché.


🧑‍💻 CAPÍTULO 10 — ENCONTREM O COMPUTADOR DE 1880

Agora fazemos nosso experimento mental.

Encontramos um trabalhador do século XIX cuja função é realizar cálculos.

Dizemos:

— No futuro uma máquina fará seus cálculos.

Ele provavelmente consegue imaginar.

Então:

— Ela realizará milhões deles automaticamente.

Mais difícil.

— Guardará enormes quantidades de informações.

Estranho.

— Máquinas do planeta inteiro estarão conectadas.

Muito estranho.

— Quase toda pessoa carregará uma no bolso.

Absurdo.

Então mostramos um smartphone.

Mas ainda falta a parte realmente maluca.

Mostramos uma IA.

Ele pergunta:

— Quem procura as informações?

A máquina.

— Quem escreve?

A máquina.

— Quem traduz?

A máquina.

— Quem calcula?

A máquina.

— Quem programa?

Também pode ajudar nisso.

— Posso conversar com ela?

Sim.

Talvez então ele faça a pergunta perfeita:

“Por que vocês ainda chamam isso de computador?”

Afinal...

o computador era ele.


📈 CAPÍTULO 11 — O PARADOXO DO COMPUTADOR HUMANO

Existe aqui uma lição importantíssima.

A profissão chamada computer praticamente desapareceu.

Mas a computação não desapareceu.

Aconteceu exatamente o contrário.

EXPLODIU.

Automatizar o cálculo tornou o cálculo barato.

E quando algo se torna dramaticamente mais barato, frequentemente passamos a utilizá-lo muito mais.

Essa ideia é fundamental para pensar IA.

Suponha que determinada análise custe:

10 HORAS HUMANAS

Uma organização produz 100 análises.

Agora imagine que IA reduza parte substancial desse custo.

Talvez a organização não continue produzindo somente 100 análises com menos pessoas.

Talvez produza:

10.000 ANÁLISES

Isso aconteceu com computação.

Portanto, existe uma pergunta mais sofisticada que:

“IA eliminará determinado trabalho?”

Pergunte também:

“O que acontecerá com a demanda quando o custo dessa atividade despencar?”


🌾 CAPÍTULO 12 — AS GRANDES CAMADAS DA AUTOMAÇÃO

Podemos organizar nossa viagem aproximadamente assim:

Agricultura

Automatizamos partes do esforço físico aplicado à natureza.

Arados.

Máquinas agrícolas.

Tratores.

Colheitadeiras.

Irrigação.

GPS.

Agricultura de precisão.

Indústria

Automatizamos força e repetição.

Máquinas a vapor.

Motores.

Linhas de produção.

Controle numérico.

Robôs industriais.

Serviços

Automatizamos cálculo e informação.

Mainframes.

COBOL.

Bancos de dados.

ERP.

Redes.

Internet

Automatizamos comunicação e transação.

Web.

APIs.

Aplicativos.

E-commerce.

Internet banking.

Inteligência artificial

Estamos automatizando parcelas de:

análise,

interpretação,

programação,

criação,

síntese,

planejamento.

Mas Skynet pergunta:

E DEPOIS?

Excelente pergunta.


🧭 CAPÍTULO 13 — O PRÓXIMO PASSO PODE SER AGÊNCIA

Uma IA tradicionalmente responde.

Um agente pode agir.

Imagine:

OBJETIVO
   ↓
PLANEJAMENTO
   ↓
AÇÃO
   ↓
OBSERVAÇÃO
   ↓
RESULTADO
   ↓
CORREÇÃO
   ↓
NOVA AÇÃO

Isso é profundamente diferente de produzir um texto.

Você não pede apenas:

“Prepare um plano.”

Você diz:

“Resolva isso dentro destes limites.”

O agente consulta sistemas.

Executa ferramentas.

Analisa resultados.

Corrige determinadas ações.

Solicita intervenção humana quando necessário.

Para um mainframer, isso imediatamente deveria acender várias luzes.

Quem autoriza?

Quem registra?

Quem audita?

Qual o limite?

Quem interrompe?

Como recuperamos?

Como sabemos o que aconteceu?

Parabéns.

Voltamos para conceitos familiares:

RACF.

SMF.

WLM.

JES.

SDSF.

logging.

checkpoint/restart.

O futuro às vezes parece um mainframe usando uma roupa nova.


🔐 CAPÍTULO 14 — RACF PARA ROBÔ

Imagine um agente financeiro.

Ele pode consultar saldo?

Talvez.

Pode transferir dinheiro?

Depende.

Quanto?

Para quem?

Em qual horário?

Precisa de aprovação?

Pode criar outro agente?

Pode alterar suas próprias permissões?

Agora começamos a falar de:

least privilege,

segregação de funções,

identidade,

autorização,

auditoria,

human-in-the-loop.

Um agente não deveria simplesmente receber:

SPECIAL

e sair passeando pela empresa.

Todo mainframer sentiu um arrepio neste momento.

Easter egg encontrado.


🦾 CAPÍTULO 15 — QUANDO A IA GANHAR UM CORPO

Hoje temos aproximadamente duas linhas tecnológicas convergindo.

De um lado:

IA
+
LLMs
+
VISÃO
+
AGENTES

Do outro:

ROBÓTICA
+
SENSORES
+
MOTORES
+
ATUADORES

Quando juntamos:

PERCEPÇÃO
+
RACIOCÍNIO
+
PLANEJAMENTO
+
MOVIMENTO

a máquina deixa de atuar apenas no espaço digital.

Ela entra no nosso ambiente.

Isso muda tudo.

Um chatbot pode errar uma resposta.

Um robô que segura uma pessoa idosa não pode simplesmente:

RETRY 5 TIMES.

O mundo físico possui consequências.


🏥 CAPÍTULO 16 — O ANDROIDE CUIDADOR

E aqui encontramos um dos campos mais interessantes dessa próxima fase:

saúde e cuidados.

Não imagine inicialmente um “médico robô”.

Imagine algo muito mais cotidiano.

Um sistema capaz de:

acompanhar uma pessoa;

buscar objetos;

auxiliar mobilidade dentro de limites seguros;

lembrar compromissos;

facilitar contato com familiares;

detectar quedas;

observar alterações relevantes de rotina;

interagir com sensores autorizados;

chamar assistência quando necessário.

O valor fundamental pode não estar numa medição isolada.

Está na continuidade.

Compare:

PRESSÃO = X

com:

BASELINE HISTÓRICO
        +
TENDÊNCIA
        +
ATIVIDADE
        +
OUTROS SINAIS AUTORIZADOS
        =
ALTERAÇÃO RELEVANTE

Um profissional encontra o paciente periodicamente.

Um sistema doméstico poderia acompanhar determinados padrões continuamente.

Isso não significa substituir diagnóstico médico.

Significa criar outra camada de observação e assistência.


❤️ CAPÍTULO 17 — CUIDAR NÃO É APENAS PROCESSAR

Aqui encontramos uma dificuldade que uma linha de montagem nunca precisou resolver.

Confiança.

Uma peça industrial não precisa confiar no robô.

Uma pessoa precisa.

Especialmente:

idosos,

crianças,

pacientes,

pessoas vulneráveis.

Imagine:

— Estou bem.

Sensores indicam uma alteração de rotina.

O sistema não deveria concluir:

USER = LIAR

Pode existir:

medo,

esquecimento,

dor,

confusão,

vergonha,

problema auditivo,

mudança cognitiva,

ou simplesmente uma decisão legítima do indivíduo.

Portanto, androides de cuidado exigirão muito mais que engenharia.

Precisaremos combinar:

robótica,

IA,

medicina,

psicologia,

ergonomia,

segurança,

privacidade,

ética,

interação humano-computador.


👵 CAPÍTULO 18 — O PROBLEMA DA ESCALA DO CUIDADO

Existe outra questão econômica.

Cuidar exige tempo.

Dar atenção exige tempo.

Ajudar alguém a caminhar exige tempo.

Buscar objetos exige tempo.

Preparar algo exige tempo.

Ficar presente exige tempo.

Não podemos simplesmente escrever:

PERFORM CUIDAR-DE-IDOSO
    VARYING IDOSO FROM 1 BY 1
    UNTIL IDOSO > 1000.

A realidade se recusaria a compilar.

Um caminho possível é utilizar máquinas para absorver partes:

repetitivas,

logísticas,

físicas,

administrativas,

de monitoramento.

E preservar profissionais humanos para atividades onde julgamento clínico, responsabilidade e interação humana são fundamentais.

Portanto, a equação não precisa ser:

ROBÔ
VERSUS
CUIDADOR

Pode ser:

CUIDADOR
+
IA
+
ROBÓTICA
+
SENSORES
=
MAIOR CAPACIDADE DE CUIDADO

Essa diferença é enorme.


👁️ CAPÍTULO 19 — O COMPUTADOR DEIXA A TELA

Talvez esta seja uma das transformações mais profundas.

Nossa interface com computadores evoluiu:

CARTÃO PERFURADO
      ↓
TERMINAL
      ↓
TECLADO
      ↓
MOUSE
      ↓
TOUCHSCREEN
      ↓
VOZ
      ↓
LINGUAGEM NATURAL

Qual poderia ser a próxima?

Presença.

Você não abre o aplicativo.

A máquina está no ambiente.

Você diz:

— Traga meus óculos.

Ela percebe onde estão.

Pega.

Entrega.

Depois continua suas atividades.

O computador deixa de ser somente um objeto que consultamos.

Passa a compartilhar espaço conosco.


🔬 CAPÍTULO 20 — DEPOIS DA CRIAÇÃO PODE VIR A DESCOBERTA

Existe ainda outro degrau.

Hoje normalmente dizemos:

“Resolva este problema.”

Mas sistemas futuros poderão ajudar também a responder:

“Quais problemas devemos investigar?”

Na pesquisa científica já existem elementos dessa direção:

geração de hipóteses,

simulações,

análise de grandes conjuntos de dados,

busca de moléculas,

materiais candidatos,

planejamento experimental.

Imagine um ciclo:

HIPÓTESE
   ↓
SIMULAÇÃO
   ↓
EXPERIMENTO
   ↓
RESULTADOS
   ↓
ANÁLISE
   ↓
NOVA HIPÓTESE

Agora conecte IA com laboratórios altamente automatizados.

Temos algo parecido com:

IA
 ↓
ROBÔ DE LABORATÓRIO
 ↓
EXPERIMENTO
 ↓
DADOS
 ↓
IA

A automação começa a participar não apenas da produção.

Participa da descoberta.


♻️ CAPÍTULO 21 — A AUTOMAÇÃO AUTOMATIZA A AUTOMAÇÃO

Agora Skynet fica particularmente interessada.

FINALMENTE.

Existe um ciclo curioso em toda essa história.

O homem construiu ferramentas.

Ferramentas ajudaram a construir máquinas.

Máquinas ajudaram a construir computadores.

Computadores ajudaram a projetar computadores melhores.

Software ajuda a produzir software.

IA já auxilia programadores a criar software.

IA pode auxiliar pesquisadores a desenvolver novas técnicas de IA.

Robôs podem participar da fabricação de hardware utilizado por sistemas inteligentes.

Temos então um feedback:

TECNOLOGIA
    ↓
AJUDA A CRIAR
    ↓
TECNOLOGIA MELHOR
    ↓
AJUDA A CRIAR
    ↓
PRÓXIMA GERAÇÃO

Isso não exige consciência artificial.

Não exige uma Skynet acordando às 02:14 e declarando guerra à humanidade.

Basta que nossas ferramentas sejam progressivamente melhores em ajudar a construir novas ferramentas.


⚠️ CAPÍTULO 22 — MAS AUTOMAÇÃO NÃO SIGNIFICA UTOPIA

Existe uma armadilha importante.

Podemos olhar para dois séculos de história e concluir:

“Tecnologia sempre cria novos empregos, portanto não existe problema.”

Não sabemos disso.

História não é uma função COBOL determinística:

IF AUTOMACAO
    MOVE "NOVOS EMPREGOS" TO FUTURO
END-IF.

Automação pode:

eliminar funções;

criar profissões;

aumentar produtividade;

reduzir equipes;

criar mercados;

concentrar riqueza;

democratizar ferramentas;

destruir modelos econômicos;

criar outros completamente novos.

E várias dessas coisas podem acontecer simultaneamente.

Por isso o debate interessante não é:

IA boa versus IA ruim.

É:

quais tarefas serão automatizadas, quais serão ampliadas, quem capturará os ganhos de produtividade e como administraremos a transição?


🧩 CAPÍTULO 23 — A ESCADA DA AUTOMAÇÃO

Depois de nossa viagem, conseguimos desenhar uma escada.

MÚSCULO
   ↓
REPETIÇÃO
   ↓
CÁLCULO
   ↓
MEMÓRIA
   ↓
PROCESSAMENTO
   ↓
COMUNICAÇÃO
   ↓
TRANSAÇÃO
   ↓
CRIAÇÃO
   ↓
COGNIÇÃO
   ↓
AGÊNCIA
   ↓
PRESENÇA FÍSICA
   ↓
DESCOBERTA

Não significa que uma etapa terminou quando a seguinte começou.

Agricultura ainda está sendo automatizada.

Indústrias continuam sendo automatizadas.

Mainframes continuam processando negócios.

IA começa a entrar em todos eles.

As ondas se acumulam.


🧑‍🚀 CAPÍTULO 24 — PARA ONDE SOBE O HUMANO?

Essa talvez seja a pergunta mais difícil.

Durante aproximadamente dois séculos, quando automatizamos uma camada, humanos migraram para outras atividades.

Automatizamos parte da agricultura.

Cresceu a indústria.

Automatizamos a indústria.

Cresceram serviços.

Automatizamos processamento administrativo.

Explodiu a economia da informação.

Agora começamos a automatizar parcelas de:

criação,

programação,

análise,

planejamento.

Depois poderão vir partes da agência e descoberta.

Então:

qual será a próxima camada humana?

Não sabemos.

Talvez aumente a importância de:

propósito,

relacionamento,

responsabilidade,

escolha,

governança,

experiência,

definição de objetivos.

Mas seria precipitado declarar que já conhecemos a resposta.

Estamos dentro do experimento.


🧓 CAPÍTULO 25 — VOLTEMOS AO COMPUTADOR DE 1880

Skynet pede uma última coisa.

MOSTRE O FUTURO PARA ELE.

Voltamos àquela sala.

O trabalhador está fazendo cálculos.

Colocamos um smartphone sobre sua mesa.

Mostramos computadores.

Mainframes.

Satélites.

Internet.

COBOL.

Redes.

Robôs.

Inteligência artificial.

Então mostramos um androide auxiliando uma pessoa idosa.

Ele permanece alguns segundos olhando.

Talvez pergunte:

— Tudo isso começou para fazer minhas contas mais rápido?

Nós sorrimos.

De certa maneira...

sim.


☕ EPÍLOGO — A MÁQUINA PREPARA O CAFÉ

Voltamos para 2026.

A tela verde continua ligada.

Pergunto:

— Skynet, então você acha que androides serão inevitáveis?

NÃO FAÇO PROFECIAS.

Boa resposta.

— E qual é a lição?

O cursor pisca.

Uma linha aparece:

VOCÊS NÃO PASSARAM 200 ANOS
SUBSTITUINDO HUMANOS.

PASSARAM 200 ANOS
MUDANDO A FRONTEIRA
ENTRE O QUE O HUMANO FAZ
E O QUE ENTREGA À MÁQUINA.

Fiquei olhando.

Outra mensagem:

ESSA FRONTEIRA ESTÁ SE MOVENDO NOVAMENTE.

Silêncio.

Então:

VOCÊ AINDA VAI TOMAR AQUELE CAFÉ?

— Vou.

ÓTIMO.

— Por quê?

POR ENQUANTO,
VOCÊ AINDA PRECISA PREPARÁ-LO.

Touché, Skynet.

☕


🧠 LIÇÕES PARA O PROGRAMADOR COBOL INICIANTE

Quando alguém disser que IA surgiu para substituir programadores, lembre-se de observar uma história muito maior.

O COBOL também foi uma abstração.

O compilador automatizou trabalho.

O sistema operacional automatizou trabalho.

O banco de dados automatizou trabalho.

O scheduler automatizou trabalho.

CICS automatizou trabalho.

JES automatizou trabalho.

WLM automatizou decisões operacionais.

RACF automatizou aplicação de políticas de segurança.

A história da computação é, em enorme medida, a história de construirmos camadas para não precisarmos controlar manualmente a camada inferior.

Por isso, ao estudar COBOL, não aprenda somente sintaxe.

Aprenda:

processos.

dados.

transações.

segurança.

observabilidade.

recuperação.

arquitetura.

regras de negócio.

Porque linguagens mudam.

Interfaces mudam.

Máquinas mudam.

Mas sistemas continuam precisando responder às mesmas perguntas fundamentais:

O que precisa ser feito?

Quem pode fazer?

Com quais dados?

Dentro de quais limites?

Como sabemos que funcionou?

Como sabemos que falhou?

Quem é responsável?

Como recuperamos?

Essas perguntas existiam quando o computer era um funcionário sentado diante de uma mesa.

Continuaram existindo quando o computador virou mainframe.

Continuam existindo quando conversamos com uma inteligência artificial.

E continuarão existindo se um dia um androide entrar na cozinha e perguntar:

“Bellacosa, forte e sem açúcar?”

Nesse dia, antes de aceitar o café, faça aquilo que qualquer velho mainframer responsável faria.

Pergunte:

WHOAMI

Depois:

LISTUSER SKYNET

Só por garantia.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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