| Bellacosa Mainframe apresenta Solomon Kane |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Solomon Kane sem Mistérios para Programadores COBOL
Quando um Programador Descobre que o Maior Caçador de Sombras da Literatura Também Era um Mestre em Auditoria, Investigação e Segurança de Sistemas
"Nem todo inimigo chega empunhando uma espada. Alguns chegam disfarçados de rotina, exceção não tratada ou privilégio concedido sem revisão."
Introdução – Antes dos Analistas de Segurança Existia Solomon Kane
Existe uma pergunta curiosa.
Se Conan representa o programador que enfrenta desafios de frente...
E Kull representa o arquiteto que governa sistemas complexos...
Quem representaria o profissional que vive investigando incidentes, procurando vulnerabilidades e eliminando ameaças antes que elas destruam o ambiente?
A resposta foi escrita quase um século atrás por Robert E. Howard.
Seu nome era Solomon Kane.
Curiosamente, Kane nunca foi o mais forte.
Nunca foi o mais rico.
Nunca foi rei.
Nunca liderou exércitos.
Seu verdadeiro poder era outro.
Ele nunca desistia enquanto existisse uma injustiça sem explicação.
Se Conan lembra um excelente desenvolvedor COBOL...
Solomon Kane lembra imediatamente:
o analista de produção;
o especialista em RACF;
o auditor;
o profissional de segurança;
o investigador de ABENDs;
o caçador de bugs impossíveis.
Ele não luta por glória.
Luta porque alguém precisa impedir que o mal continue funcionando.
No mundo do mainframe...
isso soa incrivelmente familiar.
Quem foi Solomon Kane?
Robert E. Howard criou Solomon Kane em 1928.
Ou seja...
antes de Conan.
Antes de Kull alcançar fama.
Antes mesmo da fantasia heroica tornar-se um gênero consolidado.
Kane vive no século XVI.
É inglês.
Puritano.
Viaja sozinho pelo mundo.
Cruza:
Inglaterra
França
Alemanha
África
Espanha
florestas
desertos
castelos
ruínas
Não procura aventuras.
As aventuras o encontram.
Kane Nunca Procura Problemas
Existe algo muito interessante.
Conan normalmente procura tesouros.
Kull procura estabilidade para seu reino.
Kane...
procura respostas.
Ele vê uma aldeia destruída.
Investiga.
Encontra rastros.
Analisa testemunhas.
Reconstrói acontecimentos.
Somente depois enfrenta o inimigo.
Isso lembra alguma rotina?
Claro.
É exatamente um processo de investigação de incidente.
Imagine um ambiente CICS.
Usuários reclamam.
O sistema trava.
Nenhum erro evidente.
Nenhum dump.
Nenhum ABEND.
Apenas lentidão.
O profissional comum tenta reiniciar tudo.
Solomon Kane faria diferente.
Primeiro perguntaria:
Quem foi o primeiro afetado?
Quando começou?
O que mudou?
Qual região foi impactada?
Existe padrão?
Há quanto tempo?
Essa forma de pensar diferencia um verdadeiro especialista.
A Espada e a Bíblia
Kane carrega duas coisas.
Uma espada.
Uma Bíblia.
Parece contraditório.
Mas não é.
A espada representa ação.
A Bíblia representa princípios.
Um bom profissional de tecnologia também vive esse equilíbrio.
Ferramentas sem ética são perigosas.
Conhecimento sem responsabilidade também.
O Diário do Investigador
Em praticamente todas as aventuras Kane observa detalhes.
Pegadas.
Objetos.
Expressões.
Mentiras.
Silêncios.
O profissional COBOL faz exatamente isso.
Lê:
SYSOUT.
JESMSGLG.
JESJCL.
SQLCA.
SMF.
RMF.
LOGREC.
SYSLOG.
Cada arquivo conta uma parte da história.
Nenhum sozinho revela toda a verdade.
Easter Egg nº 1
Muito antes de CSI existir na televisão...
Howard já escrevia histórias baseadas em investigação lógica.
A diferença é que o laboratório forense era uma floresta medieval.
O Primeiro Analista de Segurança?
Pense em Kane durante alguns minutos.
Ele atravessa fronteiras.
Investiga crimes.
Descobre conspirações.
Enfrenta cultos secretos.
Impede organizações ocultas.
Isso lembra muito um profissional moderno de Cyber Security.
Não por acaso muitos fãs o consideram um precursor desse arquétipo.
Os Monstros São Vulnerabilidades
Howard nunca escreveu monstros apenas para assustar.
Cada criatura simboliza algo.
Ganância.
Medo.
Fanatismo.
Corrupção.
Mentira.
No ambiente corporativo também existem monstros.
Nem sempre possuem dentes.
Às vezes aparecem como:
senha compartilhada;
privilégio excessivo;
backup inexistente;
documentação perdida;
acesso genérico;
ambiente sem segregação.
Parecem pequenos.
Até produzirem um desastre.
Easter Egg nº 2
Howard era fascinado por História.
Grande parte dos lugares visitados por Kane realmente existe.
Ele misturava geografia real com horror sobrenatural.
Da mesma forma que um ambiente z/OS mistura tecnologia moderna com decisões tomadas quarenta anos atrás.
RACF Também Tem Caçadores
Existe um momento na carreira em que o profissional deixa de criar funcionalidades.
Passa a proteger aquilo que já existe.
É exatamente a missão de Kane.
No mundo IBM Z isso lembra especialistas em:
RACF.
SAF.
ACF2.
Top Secret.
Auditoria.
Compliance.
Governança.
São pessoas que raramente aparecem.
Mas quando falham...
toda organização sofre.
O Castelo Assombrado é Produção
Quase toda história de Kane possui um castelo.
Escuro.
Silencioso.
Cheio de passagens ocultas.
Segredos.
Portas escondidas.
Parece um ambiente legado.
Documentação incompleta.
COPYBOOK desaparecido.
JCL criado em 1987.
Parâmetros desconhecidos.
Ninguém sabe por que funciona.
Mas funciona.
Até deixar de funcionar.
Kane Nunca Assume
Essa talvez seja sua maior qualidade.
Ele nunca conclui antes de investigar.
No mundo moderno chamamos isso de:
evidência.
observabilidade.
telemetria.
diagnóstico.
Um excelente programador COBOL também trabalha assim.
Nunca altera código baseado em suposição.
Primeiro encontra fatos.
Depois toma decisões.
Easter Egg nº 3
Howard criou Kane numa época em que Sherlock Holmes já era famoso.
Mesmo assim Kane investiga de forma completamente diferente.
Holmes usa ciência.
Kane usa experiência.
No mainframe precisamos das duas.
Os Demônios Invisíveis
Os inimigos de Kane raramente aparecem imediatamente.
Primeiro existem sintomas.
Depois pistas.
Depois desaparecimentos.
Somente muito depois surge o verdadeiro responsável.
Não lembra um bug intermitente?
Você recebe apenas relatos.
Nunca consegue reproduzir.
O erro acontece uma vez por mês.
Sempre em produção.
Jamais em homologação.
Esse é o verdadeiro demônio.
A África de Kane
Diversas histórias acontecem na África.
Howard não a descreve apenas como cenário.
Ela representa território desconhecido.
Exploração.
Adaptação.
Aprendizado.
Todo profissional passa por isso.
Primeiro cliente.
Primeiro banco.
Primeira seguradora.
Primeiro governo.
Primeiro ambiente CICS.
Primeiro Db2.
Primeiro MQ.
Cada projeto é um continente novo.
A Lanterna do Investigador
Existe um símbolo recorrente.
Kane frequentemente utiliza luz para revelar o escondido.
No desenvolvimento essa lanterna possui vários nomes.
TRACE.
DISPLAY.
LOG.
MONITOR.
SMF.
RMF.
DEBUG.
Todos servem para iluminar aquilo que antes era invisível.
Curiosidades Pouco Conhecidas
Solomon Kane influenciou personagens modernos
Diversos estudiosos enxergam ecos de Kane em:
Van Helsing;
The Witcher (Geralt);
Hellboy;
Blade;
diversos caçadores sobrenaturais dos quadrinhos.
Howard escreveu poucas histórias
Apesar da fama crescente, Kane possui relativamente poucos contos comparado a Conan.
Mesmo assim seu impacto foi enorme.
Kane envelhece emocionalmente
Cada aventura deixa marcas.
Howard descreve um personagem cada vez mais experiente.
Muito parecido com profissionais veteranos.
Não existe humor gratuito
As histórias de Kane são sérias.
Atmosfera pesada.
Investigação constante.
Silêncio.
Suspense.
É praticamente um thriller sobrenatural.
Kane e o Dump
Receber um dump lembra encontrar um cadáver.
Ele não responde perguntas.
Mas guarda todas as respostas.
O investigador precisa saber interpretar.
Um iniciante vê milhares de bytes.
Um veterano vê uma narrativa completa.
Foi exatamente assim que Kane trabalhava.
O Maior Vilão
É curioso observar que Kane raramente luta apenas contra criaturas sobrenaturais.
Seu verdadeiro inimigo quase sempre é o ser humano.
Ganância.
Traição.
Ambição.
Fanatismo.
Mentira.
No desenvolvimento de software acontece exatamente igual.
Pouquíssimos incidentes acontecem porque COBOL falhou.
Grande parte nasce de:
especificação errada.
mudança sem teste.
deploy incompleto.
documentação ausente.
configuração incorreta.
permissão excessiva.
A tecnologia normalmente apenas revela erros humanos.
O Chapéu Preto
Visualmente Kane possui um dos desenhos mais marcantes da literatura.
Chapéu largo.
Roupas negras.
Espada.
Pistolas.
Olhar cansado.
É impossível não imaginar um administrador de produção entrando às duas da manhã para resolver um incidente crítico.
Não existe glamour.
Existe responsabilidade.
O Mainframe Também Possui Caçadores
Todo grande ambiente IBM Z possui alguém conhecido por uma característica curiosa.
Quando ninguém consegue descobrir a origem de um problema...
essa pessoa é chamada.
Ela olha cinco minutos.
Faz três perguntas.
Abre dois logs.
Consulta um SMF.
Lê um dump.
E encontra o problema.
Não porque tenha poderes.
Mas porque aprendeu a investigar.
Solomon Kane faria exatamente igual.
A Filosofia de Solomon Kane para um Programador COBOL
Existe uma frase implícita em praticamente todas as aventuras de Kane:
"A verdade sempre deixa rastros."
Essa talvez seja a maior lição para quem trabalha com sistemas críticos.
Incidentes deixam evidências.
Fraudes deixam evidências.
ABENDs deixam evidências.
Deadlocks deixam evidências.
SQLCODEs deixam evidências.
Mesmo quando parecem desaparecer.
O verdadeiro especialista não adivinha.
Ele reconstrói os fatos.
Pergunta.
Confirma.
Valida.
Somente depois modifica o sistema.
Essa mentalidade transforma um simples programador em um profissional capaz de proteger operações que movimentam bilhões de reais diariamente.
Conclusão – O Guardião Invisível do Mainframe
Conan ensina coragem.
Kull ensina liderança.
Solomon Kane ensina investigação.
Ele nos mostra que o conhecimento mais valioso não é escrever rapidamente uma solução, mas compreender profundamente a origem de um problema antes de agir. Em um ambiente COBOL, onde sistemas processam contas bancárias, aposentadorias, seguros, impostos e milhões de transações todos os dias, essa postura faz toda a diferença.
Howard criou Solomon Kane quase cem anos atrás, mas sua filosofia continua surpreendentemente atual. O profissional que mais agrega valor em um ambiente crítico não é necessariamente quem produz mais linhas de código, e sim quem consegue manter a confiabilidade do sistema, descobrir a causa raiz de um incidente, proteger os dados e impedir que o mesmo erro volte a acontecer.
Todo programador COBOL começa sua jornada como Conan, enfrentando desafios com coragem. Alguns evoluem para Kull, assumindo responsabilidades de arquitetura e governança. Mas os verdadeiros guardiões da produção acabam adquirindo algo de Solomon Kane: a disciplina de investigar antes de concluir, a paciência de seguir cada pista e a convicção de que toda falha possui uma história esperando para ser decifrada.
Porque, no universo do mainframe, os maiores monstros raramente aparecem empunhando espadas.
Eles preferem esconder-se em um JCL esquecido, em um privilégio RACF concedido anos atrás, em uma rotina que ninguém revisa desde a década de 1990 ou em um dump que todos ignoraram.
E é justamente nesse momento que surge o verdadeiro caçador de sombras do IBM Z: o profissional que acende a lanterna da investigação, segue os rastros até a origem do problema e devolve a estabilidade ao reino digital.
Como Solomon Kane faria.