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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

McNamara Fallacy: Doctor Who, COBOL e o Dia em que o Dashboard Provava que Estávamos Vencendo — Só Faltava Avisar a Realidade

 

Bellacosa Mainframe e a mcnamara fallacy

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

McNamara Fallacy: Doctor Who, COBOL e o Dia em que o Dashboard Provava que Estávamos Vencendo — Só Faltava Avisar a Realidade

Uma viagem pela TARDIS dos incidentes para entender como podemos começar medindo aquilo que é fácil, ignorar aquilo que é difícil, concluir que o não mensurável não importa e terminar administrando uma realidade imaginária construída pelos próprios indicadores

08:27.

Segunda-feira.

War Room.

Café forte.

Muito forte.

No telão:

INCIDENT RESPONSE SCORECARD

MTTR .................... -38%
TICKETS CLOSED .......... +42%
CHANGE SUCCESS .......... 99.7%
SERVER AVAILABILITY ..... 99.99%
TRAINING COMPLETION ..... 100%
SECURITY CONTROLS ....... 100%

OVERALL STATUS .......... GREEN

Diretor:

— Excelente.

Gerente:

— Todos os indicadores melhoraram.

Operations:

silêncio.

Nosso jovem programador COBOL levanta a mão.

— Posso perguntar uma coisa?

— Claro.

— Quantas intervenções manuais estamos fazendo por madrugada?

— Não temos esse indicador.

— Quantos clientes precisam repetir transações?

— Não medimos exatamente isso.

— Quantas pessoas sabem executar o restart do settlement se o João estiver de férias?

— Também não temos uma métrica.

— Quantas horas estamos gastando em workarounds?

Silêncio.

O diretor olha novamente para:

OVERALL STATUS: GREEN

— Mas os indicadores principais estão ótimos.

Nosso jovem olha para ele.

Depois:

para a equipe cansada.

Depois:

para a garrafa térmica vazia.

— Então o sistema está ótimo...

Pausa.

— ou só estamos ótimos naquilo que conseguimos medir?

Silêncio.

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS aparece ao lado do projetor.

A porta abre.

O Doctor sai.

Olha para o dashboard.

— Tudo verde.

Diretor:

— Exatamente.

O Doctor olha para Operations.

— E vocês?

Um operador responde:

— Três madrugadas sem dormir direito.

O Doctor volta ao dashboard.

— Curioso.

Aponta.

— Onde aparece isso?

— Não aparece.

— Então não conta?

Silêncio.

Ele sorri.

— Ah.

— O quê?

— Parece que vocês avançaram para o estágio seguinte da Metric Fixation.

Pausa.

— Não apenas confiam demais naquilo que medem.

— E qual seria o próximo estágio?

— Começar a acreditar que aquilo que não conseguem medir não existe.

Bem-vindo à:



McNamara Fallacy

Também chamada:

Quantitative Fallacy

A ideia central é simples:

tomar decisões com base excessiva ou exclusivamente naquilo que conseguimos quantificar, desprezando informações importantes porque são difíceis de transformar em números.


🧠 De onde vem o nome?

O nome remete a Robert McNamara, secretário de Defesa dos Estados Unidos entre 1961 e 1968.

McNamara tinha forte formação quantitativa e ficou associado ao uso intensivo de estatísticas, análise de sistemas e indicadores na administração militar.

Durante a Guerra do Vietnã, medidas como:

número de inimigos mortos;

missões executadas;

território;

munição;

sorties;

perdas relativas

ganharam enorme importância na tentativa de medir progresso.

O problema fundamental era:

uma guerra política, social, cultural e psicológica estava sendo comprimida em indicadores quantitativos que não conseguiam representar toda a realidade estratégica.

A associação da McNamara Fallacy ao Vietnã é especialmente ligada ao uso de métricas como body counts para inferir progresso numa guerra de atrito; críticas posteriores destacaram como incentivos ligados a essas contagens podiam distorcer o próprio dado.


☕ Em Bellacosa:

Imagine tentar entender:

uma War Room

olhando apenas:

NUMBER OF COMMANDS EXECUTED

Quanto mais comandos:

melhor?

Talvez não.

Pode significar:

mais desespero.

A métrica é verdadeira.

A interpretação:

não necessariamente.


🧠 Daniel Yankelovich e os quatro degraus

A formulação clássica atribuída ao sociólogo Daniel Yankelovich descreve uma progressão em quatro estágios. A formulação original é conhecida justamente por mostrar como uma preferência razoável por medidas pode degenerar numa negação do que não é quantificado.

Vamos traduzir para:

Bellacosa Mainframe.


🟢 Estágio 1 — Medir aquilo que conseguimos medir facilmente

Isso é:

normal.

Correto.

Útil.

CPU:

CPU = 67%

Queue:

MQ DEPTH = 240

Elapsed:

BATCH = 01:42:13

Incidents:

P1 = 3

Excelente.

Temos:

sensores.

Não há problema.


☕ A primeira etapa é saudável

Mainframe sem medição seria:

arqueologia em produção.

SMF.

RMF.

SDSF.

Logs.

Traces.

Tudo existe porque precisamos:

observar.


🟡 Estágio 2 — Ignorar aquilo que não conseguimos medir facilmente

Agora começa:

o problema.

Pergunta:

— A equipe está exausta?

Resposta:

— Temos métrica disso?

— Não.

— Próximo.

Pergunta:

— Existe conhecimento concentrado em uma pessoa?

— Qual o KPI?

— Não existe.

— Próximo.

Pergunta:

— O cliente está confiando menos no serviço?

— Temos score?

— Não.

— Então não conseguimos provar.

Ops.


🧠 O não quantificado começa a perder status

Essa é uma mudança silenciosa.

Antes:

“Não sabemos medir.”

Depois:

“Então isso é subjetivo.”

Depois:

“Então provavelmente é menos importante.”

Danger.


🟠 Estágio 3 — Concluir que o difícil de medir não é importante

Agora entramos:

em terreno perigoso.

Exemplo:

mentoria.

Difícil medir.

Logo:

menos valorizada.

Documentação.

Difícil relacionar diretamente a receita.

Logo:

menos valorizada.

Resiliência.

Difícil provar o incidente que:

não aconteceu.

Logo:

parece custo.

Experiência.

Difícil colocar em:

score.

Logo:

certificação parece mais objetiva.


☕ O invisível começa a desaparecer

Não porque:

deixou de existir.

Mas porque:

deixou de entrar no modelo.


🔴 Estágio 4 — Concluir que aquilo que não conseguimos medir não existe

Agora:

ABEND.

Um operador experiente diz:

“Esse comportamento está estranho.”

Dashboard:

verde.

Resposta:

“Os dados não mostram.”

O operador insiste:

“Nunca vi esse padrão funcionar assim.”

Resposta:

“Sem métrica não podemos considerar.”

Duas horas depois:

P1.

Parabéns.

A realidade tinha:

um bug de compatibilidade com o dashboard.


👻 Easter Egg nº 1 — Dalek Analytics

Dalek:

— CUSTOMER SATISFACTION: 100%.

Doctor:

— Como sabem?

— ZERO COMPLAINTS REGISTERED.

— Os clientes conseguem reclamar?

— NO.

— Então talvez...

Dalek:

— SATISFACTION CONFIRMED.

Doctor:

— Impressionante.

— THANK YOU.

— Não foi elogio.


🧠 McNamara versus Metric Fixation

No capítulo anterior:

Metric Fixation.

A obsessão:

métrica ganha autoridade excessiva.

McNamara Fallacy é quase:

o algoritmo.

MEASURE EASY THINGS
        ↓
IGNORE HARD THINGS
        ↓
DOWNGRADE HARD THINGS
        ↓
DENY HARD THINGS

É:

Metric Fixation executada até o fim.


🧠 Goal Substitution entra logo antes

Objetivo:

confiabilidade.

Difícil.

Proxy:

uptime.

Fácil.

Depois:

uptime substitui confiabilidade.

Goal Substitution.

Metric Fixation:

uptime ganha autoridade.

McNamara:

tudo fora do uptime desaparece.


☕ A metamorfose completa

REALIDADE
   ↓
MÉTRICA DA REALIDADE
   ↓
META
   ↓
OBJETIVO
   ↓
VERDADE

Não.

A ordem deveria continuar:

REALIDADE
   ↓
EVIDÊNCIAS
   ↓
DECISÃO

🧠 Goodhart entra sorrindo

Meta:

MTTR < 30 MIN

Equipe aprende:

fechar incidente rapidamente.

Goodhart.

Mas talvez:

root cause fique aberta.

Reconciliation:

pendente.

Incident:

closed.

McNamara Fallacy aparece quando direção conclui:

MTTR caiu, portanto nossa capacidade de incident response melhorou.

Talvez.

Ou melhoramos:

aquilo que MTTR consegue enxergar.


🧠 Campbell aumenta a pressão

Agora bônus depende:

MTTR.

Mais pressão.

Mais gaming.

Mais tendência:

a realidade adaptar-se ao indicador.

Campbell.


🧠 Cobra Effect

Pago:

por ticket resolvido.

Agora tickets:

valem dinheiro.

Cobra.


🧠 Ratchet Effect

MTTR chega:

Nova meta:

Chega:

Meta:

Ratchet.


🧠 Goal Gradient

Incident está:

95% resolvido.

Equipe quer:

fechar.

Goal Gradient.


🧠 McNamara olha tudo isso e pergunta:

“Qual número temos?”

E talvez esqueça:

de perguntar:

“O que está realmente acontecendo?”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 1

Quando dashboard mostrar:

verde,

pergunte:

“Que parte importante da realidade não possui uma linha neste dashboard?”

Essa pergunta pode:

salvar projeto.


🧠 O CC=0000 perfeito

Nosso iniciante COBOL precisa entender isso cedo.

Você executa:

JOB PAYMENT

SDSF:

CC 0000

Sucesso?

Tecnicamente:

programa terminou sem retornar erro relevante ao scheduler.

Mas:

control totals?

Account balance?

Record count?

Reconciliation?

Downstream?

Cliente?

Imagine:

       IF INVALID-DATA
           DISPLAY 'WARNING'
           MOVE ZERO TO RETURN-CODE
       END-IF.

JES:

feliz.

Banco:

talvez menos.


☕ McNamara Fallacy versão JES

“O job terminou com zero, logo tudo que importa aconteceu corretamente.”

Não.

O scheduler sabe:

scheduler things.


🧠 Instrumentos possuem domínio

CPU sabe:

CPU.

Database knows:

database.

Network knows:

network.

Customer knows:

customer.

Nenhum sozinho:

possui toda a verdade.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 2

“Essa métrica está respondendo à pergunta que realmente estamos fazendo?”

Porque muitas vezes:

não.


🧠 Exemplo: disponibilidade

Dashboard:

SERVER UP:
100%

Pergunta real:

Cliente consegue pagar?

Server uptime responde:

outra pergunta.


☕ Servidor pode estar maravilhosamente vivo

enquanto aplicação:

morre lentamente.


🧠 Quantidade versus significado

Esse é o coração da McNamara Fallacy.

Números respondem muito bem:

quanto?

Mas nem sempre:

por quê?

com que qualidade?

em qual contexto?

com quais consequências?


🧠 War Room quantitativa

Imagine:

COMMANDS EXECUTED: 147

Isso significa:

incident response excelente?

Talvez significa:

ninguém sabia o que estava fazendo.


☕ Número sozinho não conhece ironia

Precisamos:

interpretar.


🧠 Body count e o Vietnã

A associação histórica mais conhecida da falácia está justamente na tentativa de usar contagens — notadamente baixas inimigas — como medida de progresso estratégico na Guerra do Vietnã. Críticos argumentaram que transformar essas contagens em indicador de sucesso criava incentivos para exagero e não capturava fatores políticos, sociais e estratégicos decisivos para o conflito.

Em linguagem de TI:

imagine medir:

incidentes resolvidos

sem medir:

incidentes evitados.

O time com:

100 incidentes

e:

100 resolvidos

parece muito ativo.

O time com:

5 incidentes

talvez:

pareça menos produtivo.

Qual você prefere administrar seu pagamento?

Pois é.


🧠 Contar o que acontece pode punir prevenção

Incidente evitado:

não gera ticket.

Vulnerabilidade eliminada cedo:

não gera P1.

Capacity planning correto:

não gera War Room.

Resultado:

trabalho excelente produz:

ausência de evento.

Ausência é difícil:

de contar.

McNamara Fallacy pode:

subvalorizar prevenção.


☕ O herói invisível

Talvez aquele sysprog que ninguém chamou às 03:00 porque:

ele fez direito às 15:00.

Não ganhou:

foto na War Room.

Mas talvez seja:

o verdadeiro herói.


🧠 Hero Culture aparece

Quem apaga incêndio:

visível.

Quem evita:

invisível.

Se promotion mede:

incidents resolved,

adivinhe:

qual trabalho tem carreira melhor?

Campbell.

Perverse Incentive.

McNamara.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 3

“Estamos premiando aquilo que conseguimos contar ou aquilo que gostaríamos que acontecesse?”


🧠 Conhecimento tácito

Agora entramos num território importantíssimo.

Um profissional experiente olha:

RMF.

Algo incomoda.

Não sabe ainda:

explicar.

Ele diz:

“Tem alguma coisa estranha aqui.”

Júnior pergunta:

— Qual métrica?

— Ainda nenhuma específica.

Isso é:

inútil?

Não.

Pode ser:

pattern recognition.

Experiência acumulada.

Recognition-Primed Decision.

Milhares de situações anteriores.


☕ O famoso:

“Esse batch está com cheiro estranho.”

Não existe:

SMF FIELD = SMELL.

Ainda.


🧠 Experiência não substitui dados

Importante.

O veterano pode:

estar errado.

Confirmation Bias.

Availability.

Recency.

Overconfidence.

Nós já exploramos:

todos eles.

A resposta não é:

“veterano sempre tem razão.”

É:

“A observação dele é uma hipótese que merece investigação.”


🧠 Dados + julgamento

Não:

dados versus humano.

Melhor:

DATA
+
EXPERIENCE
+
CONTEXT
+
TEST
=
BETTER DECISION

👻 Easter Egg nº 2 — House MD no NOC

Todos os exames:

normais.

Paciente:

mal.

Médico:

— Os números dizem que está saudável.

House:

— Então o paciente está fingindo morrer para sabotar o Excel?

Na produção:

dashboard verde.

Cliente:

sem pagar.

Não tente:

convencer cliente que está tudo bem.

Investigue.


🧠 Produção tem poder de veto

Essa é uma regra Bellacosa:

quando dashboard e realidade entram em conflito, a realidade ganha e o dashboard vira suspeito.


☕ Grafana não tem direito de voto contra cliente

Pode parecer injusto.

Mas é assim.


🧠 McNamara Fallacy e produtividade

Empresa quer:

programadores produtivos.

Como medir?

Difícil.

Escolhe:

COMMITS

Ou:

LINES OF CODE

Ou:

TICKETS CLOSED

Agora:

Programador A:

100 commits.

Programador B:

A é melhor?

Não sabemos.

B talvez:

removeu código.

Mentorou pessoas.

Descobriu flaw arquitetural.

Preveniu incidente.


☕ Dez mil linhas escritas

podem significar:

produtividade.

Ou:

necessidade de delete.


🧠 COBOL versão

Programador A:

CHANGED LINES = 1200

Programador B:

CHANGED LINES = 1

B corrigiu:

       IF ACCOUNT-STATUS = 'A'

para a condição correta que estava:

duplicando cobrança.

Quem produziu mais valor?

Boa sorte:

com COUNT(LINES).


🧠 O que é fácil medir ganha status

Essa é a perversidade.

Commits:

fácil.

Mentoria:

difícil.

Logo:

commits ganham dashboard.

Mentoria:

vira:

“soft.”

Mas knowledge transfer pode:

salvar operação daqui três anos.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 4

“Que trabalho essencial desaparece quando avaliamos somente aquilo que produz contadores?”


🧠 McNamara e treinamento

Objetivo:

competência.

Difícil medir.

Proxy:

horas de curso.

TRAINING:
100 HOURS

Fantástico.

Aluno consegue:

resolver um S0C7?

Talvez.


☕ Assistir não é saber

Completion:

não é competência.

Goal Substitution.

McNamara:

competência difícil → completion fácil.


🧠 Badge Count

Empresa:

742 badges.

Excelente.

Capability?

Precisamos:

investigar.

Badge:

evidência.

Não:

verdade.


🧠 Dunning-Kruger pode aparecer

Pouco conhecimento.

Badge.

Confiança aumenta.

Produção:

educa.

Às vezes:

brutalmente.


🧠 McNamara Fallacy e segurança

Objetivo:

reduzir risco.

Difícil.

Proxy:

number of critical vulnerabilities.

CRITICAL = 0

Excelente.

Mas:

credential compromise?

Social engineering?

Insider threat?

Supply chain?

Misconfiguration?

Unknown unknowns?

Não cabem:

num único contador.


☕ Zero findings

não significa:

zero vulnerability.

Pode significar:

zero finding.

As palavras importam.


🧠 Compliance

CONTROLS IMPLEMENTED:
100%

Segurança:

100%?

Não.

Controle pode:

existir.

Não funcionar.


🧠 Backup

BACKUP SUCCESS:
100%

Recoverability:

?

Teste:

restore.

Essa é provavelmente:

uma das metáforas perfeitas.

Backup mede criação da cópia. Restore mede parte do objetivo.


☕ Backup é promessa

Restore é evidência.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 5

“Estamos medindo a existência do controle ou a capacidade que ele deveria garantir?”


🧠 McNamara e SLA

SLA:

99.9%.

Fornecedor:

cumpriu.

Cliente:

irritado.

Como?

Latency.

Errors.

Data correctness.

Support.

O SLA mediu:

uma dimensão.

Contrato transformou:

essa dimensão

em:

verdade.

Principal-Agent Problem.


🧠 Metric becomes contract becomes behavior

Goodhart.

Campbell.

McNamara.


☕ O cliente não lê SLA durante indisponibilidade

Ele tenta:

usar.


🧠 McNamara Fallacy e Agile

Objetivo:

entregar valor.

Difícil.

Proxy:

velocity.

Fácil.

Equipe:

40 points.

Depois:

Agora:

valor aumentou?

Talvez.

Ou:

story point inflation.


🧠 A unidade não é física

Story Point não existe:

em Paris.

Não há:

International Bureau of Story Points.

Logo:

contexto.


☕ Um story point de um time

não cabe necessariamente:

no copybook do outro.


🧠 DevOps

Objetivo:

fluxo rápido e seguro.

Proxy:

deployments.

Mais deployments:

melhor?

Talvez.

Se:

quality stable.

Value delivered.


🧠 McNamara pergunta:

“Quantos deploys?”

Senior pergunta:

“Para quê?”

Essa segunda pergunta:

vale carreira.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 6

“O aumento do número necessariamente representa aumento do valor?”

Se não:

proxy.


🧠 McNamara e cost optimization

Objetivo:

eficiência sustentável.

Proxy:

custo mensal.

Meta:

-20%.

Equipe corta:

monitoring.

Redundancy.

Training.

Capacity.

Dashboard financeiro:

verde.

Risk:

sobe.


☕ O custo ficou menor

porque:

algumas proteções também ficaram menores.

Não aparece:

na mesma coluna.


🧠 Present Bias

Savings:

agora.

Incident:

futuro.

Present Bias.

Moral Hazard:

quem recebe bônus talvez não esteja lá quando:

conta chegar.


🧠 McNamara e headcount

Objective:

capability.

Proxy:

people count.

Temos:

20 COBOL programmers.

Então:

safe.

Perguntas:

Quantos conhecem settlement?

Quantos conhecem CICS?

Quantos conseguem atuar sozinhos?

Quantos estão perto de aposentadoria?

Quantos documentaram?


☕ Headcount ≠ knowledge distribution

COUNT(*)

continua:

não sendo senioridade.


🧠 Bus Factor

Difícil.

Mas fundamental.

Se uma pessoa sair:

o que quebra?

Talvez isso seja:

mais importante que:

headcount.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 7

“Estamos contando recursos ou compreendendo capacidade?”


🧠 McNamara e IA

Agora chegamos:

em território delicioso.

Objetivo:

IA útil.

Como medir?

Benchmark.

Accuracy.

Task completion.

Tokens.

Prompt success.

Tudo:

quantificável.

Mas:

helpfulness?

Judgment?

Side effects?

Trust?

Context?

Harder.


🤖 McNamara Fallacy automatizada

Agent score:

TASK COMPLETION:
99.4%

Excelente.

Uma das tarefas restantes:

transferiu:

R$10 milhões errado.

Score:

ainda maravilhoso.


☕ Média alta

não absolve:

catástrofe rara.


🧠 Tail risk

Critical systems care about:

eventos raros.

Average:

pode esconder.


🧠 AI eval

Benchmark:

Real user task:

falha.

Which wins?

Real-world evidence.

Benchmark:

map.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 8

“Se o agente maximizasse perfeitamente essa métrica, gostaríamos do mundo resultante?”

Se resposta:

não,

rethink reward.


🧠 Reward Hacking

Goal:

resolve tickets.

Agent:

marks closed.

Score:

high.

Goal Substitution.

Goodhart.

McNamara.


🧠 Measurement modeling

Muitos conceitos importantes — como habilidade, risco ou fairness — não são diretamente observáveis e precisam ser operacionalizados por meio de medidas que carregam pressupostos. Em sistemas computacionais, pesquisadores destacam justamente que discrepâncias entre o conceito real e sua operacionalização podem produzir danos e decisões equivocadas.

Em Bellacosa:

todo score tem um copybook conceitual, mesmo quando ninguém documentou.


☕ Pergunte pelo copybook

Score:

PIC?

Significado?

Denominator?

Exclusion?

Sem isso:

número solto.


🧠 A falsa precisão

RISK SCORE = 83.72

Wow.

83.72 de quê?

Qual modelo?

Qual confidence?

Qual data freshness?


☕ Duas casas decimais

não curam:

incerteza.

Só deixam incerteza:

mais elegante.


🧠 McNamara e Dashboard Culture

Executivo pede:

“Give me one number.”

Complex system responds:

“I can give you one number.”

Isso não significa:

que deveria.


🧠 Composite score

Availability:

Security:

Customer:

Average:

Score:

O que significa?

Talvez:

quase nada.


☕ Média pode esconder incêndio

Se cozinha pega fogo

e sala está:

temperatura agradável,

a temperatura média da casa:

talvez seja aceitável.

Você ainda deve:

sair.


🧠 Metric Fixation + McNamara

Um número:

simplifica.

Metric Fixation:

dá autoridade.

McNamara:

nega o resto.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 9

“Que realidade perigosa foi apagada para conseguirmos resumir tudo em um número?”


🧠 O desconhecido precisa existir no dashboard

Isso parece estranho.

Mas:

KNOWN:
70%

UNKNOWN:
30%

pode ser:

mais honesto que:

READINESS:
93.17%

quando ninguém sabe:

como chegou.


UNKNOWN é um estado válido

E muito importante.


🧠 Need for Control odeia UNKNOWN

Quer:

número.

Control Bias:

pressiona.

Illusion of Control:

aparece.

Score surge.

Todos:

mais calmos.

Realidade:

igual.


🧠 McNamara Fallacy também é uma história sobre desconforto

É difícil administrar:

ambiguidade.

Então:

quantificamos.

A quantificação:

reduz ansiedade.

Mas talvez não:

risco.


☕ Dashboard pode ser ansiolítico corporativo

Não necessariamente:

controle.


🧠 Doctor Who e o scanner

Companion:

— Scanner diz que planeta não tem vida.

Doctor:

— E aquela cidade?

— Scanner diz zero.

— Talvez...

— Scanner é calibrated.

— Então aqueles milhões de seres devem estar interpretando a própria existência incorretamente.

Nunca deixe:

sensor

ganhar disputa com:

realidade observável.


🧠 McNamara e incidentes raros

Imagine:

99.999% success.

Um failure:

perde bilhões.

Average:

ótima.

Risk:

terrível.

Safety-critical systems:

tails matter.


🧠 Severity > frequency às vezes

Não conte:

apenas quantos.

Pergunte:

quais.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 10

“Estamos usando frequência para esconder severidade?”


🧠 Base Rate

Também:

número absoluto sem denominator:

enganoso.

100 errors.

Ruim?

Em:

1.000 requests:

terrível.

Em:

10 bilhões:

outra história.


☕ Numerador sem denominador

é café:

sem água.

Forte demais.


🧠 McNamara e averages

Average response:

200ms.

P99:

12s.

Customer no tail:

não vive na média.


☕ O cliente mora no percentil dele

Não:

no dashboard executivo.


🧠 Quantitative ≠ objective automatically

Escolher:

o que medir

é:

decisão.

Definir:

threshold

é:

decisão.

Peso:

decisão.

Exclusion:

decisão.

Então:

número contém julgamento humano.


🧠 A fórmula tem autor

Importantíssimo.

Mesmo:

SCORE = 0.4A + 0.3B + 0.3C

Alguém escolheu:

0.4.


☕ Excel não decidiu sozinho

Alguém:

configurou a religião.


🧠 McNamara e management

Uma organização pode acreditar:

“data-driven.”

Mas ser:

“dashboard-driven.”

Não é a mesma coisa.


🧠 Data-informed

Métrica:

informa.

Context:

completa.

Judgment:

decide.

Evidence:

valida.


☕ Dados participam da reunião

Não precisam:

presidir sozinhos.


🧠 O perigo contrário

Cuidado.

Não transforme este artigo em:

“dados não importam.”

Isso seria:

outra besteira.

Intuição sem dados:

Confirmation Bias.

Availability.

Overconfidence.

Narrative Bias.

Também ruim.


🧠 A solução não é abandonar medidas

É:

triangular.

Dados.

Experiência.

Contexto.

Outcome.


🧠 Bellacosa Three Sensors

Para uma decisão importante:

1. Métrica

O que números mostram?

2. Realidade operacional

O que usuários e operação mostram?

3. Julgamento estruturado

O que especialistas acreditam e por quê?

Se três concordam:

confidence ↑.

Se divergem:

investigate.


☕ Divergência é informação

Não:

inconveniência.


🧠 McNamara e qualitative evidence

Operador:

“Está estranho.”

Isso não é:

conclusão.

É:

sinal.

Registre.

Teste.

Correlacione.

Não descarte.


🧠 Human anomaly detector

Às vezes:

o humano detecta primeiro.

Depois:

encontramos métrica.

Isso é:

normal.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 11

“Estamos exigindo uma métrica para permitir que alguém formule uma hipótese?”

Se sim:

talvez estejamos cegando:

observação.


🧠 McNamara e RCA

Database asks:

root cause.

Form:

ROOT CAUSE:
[ ] HUMAN ERROR
[ ] SOFTWARE
[ ] HARDWARE
[ ] NETWORK

E se causa for:

combinação de:

incentivo;

deadline;

interface ruim;

staffing;

technical debt?

Não cabe.

Então:

seleciona:

HUMAN ERROR.

Agora relatório:

HUMAN ERROR:
62%

Management:

“people are problem.”

Fundamental Attribution Error.


☕ Talvez o formulário tenha causado:

parte da análise ruim.

Meta-ironia.


🧠 Data model shapes thinking

Se sistema só permite:

uma causa,

organização começa:

a procurar uma causa.

Se realidade:

multi-causal,

perdemos:

complexidade.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 12

“Nosso modelo de dados está simplificando uma realidade que não é simples?”


🧠 McNamara e McNamara — uma importante cautela histórica

A falácia carrega o nome de McNamara como crítica a um estilo de gestão quantitativo associado ao Vietnã, mas não devemos reduzir toda a guerra ou todas as decisões de McNamara a “ele olhava números e por isso tudo deu errado”. Guerras envolvem decisões políticas, militares, institucionais, culturais e estratégicas muito mais amplas. A própria formulação da falácia é uma lente para um tipo de erro de raciocínio, não uma explicação completa para o conflito.

Isso é importante porque:

usar uma explicação simples para criticar o excesso de explicações simples seria quase poeticamente errado.

Bellacosa aprova a ironia.


🧠 McNamara depois reconheceria erros

Décadas depois, McNamara refletiu publicamente sobre erros graves cometidos na condução da Guerra do Vietnã, inclusive em suas memórias In Retrospect.

Isso também é:

uma lição.

Métrica errada:

não exige pessoa burra.

Muito pelo contrário.

Sistemas inteligentes podem:

errar com enorme sofisticação.


☕ Inteligência não imuniza contra viés

Às vezes:

permite justificar erro

com:

PowerPoint melhor.


🧠 McNamara e Dunning-Kruger?

Não diretamente.

Mas:

score pode criar:

overconfidence.

Dashboard:

parece compreensão.

O executivo entende:

indicadores.

Começa a sentir:

que entende sistema.

Talvez não.


🧠 Illusion of Control

Tudo tem:

score.

Logo:

controlamos.

Não.

Medir:

não é controlar.

Controlar:

não é compreender.

Compreender:

não é prever perfeitamente.


☕ Três coisas diferentes

Que PowerPoint gosta de:

misturar.


🧠 McNamara e Drift Into Failure

Agora uma conexão maravilhosa.

A cada trimestre:

KPI melhora.

Mas:

trabalho invisível sobe.

Overtime.

Workaround.

Debt.

Knowledge concentration.

Nenhuma métrica oficial:

vê.

Sistema deriva:

lentamente.

Até:

falha.


🌀 McNamara Drift

VISIBLE KPI ↑
      ↓
CONFIDENCE ↑
      ↓
HIDDEN MARGIN ↓
      ↓
HIDDEN WORK ↑
      ↓
RISK ↑
      ↓
INCIDENT

Todos ficam:

surpresos.

Mas talvez:

sinais sempre estiveram lá.

Só não possuíam:

célula.


☕ Ausência no dashboard

não é:

ausência no universo.


🧠 Normalization of Deviance

Manual workaround:

não medido.

Funciona.

Repete.

Normaliza.

Ainda:

não medido.

Até:

incidente.

Outra conexão.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 13

“Que adaptação informal mantém nossos números bonitos?”

Essa é brutal.


🧠 Maria Middleware

Sistema:

“100% automated.”

Maria:

todo dia corrige CSV.

Ninguém mede:

Maria.

Logo:

automation score = 100%.

Maria tira férias.

Automation:

descobre:

férias.


☕ A arquitetura verdadeira aparece quando alguém sai de férias

Clássico.


🧠 Human toil

Precisamos tornar:

parte visível.

Não necessariamente:

transformar tudo em score.

Pode ser:

narrativa.

Sampling.

Observation.


🧠 McNamara Fallacy não exige número para tudo

Esse é justamente:

o antídoto.

Algumas coisas:

podem continuar:

qualitativas.


☕ “Difícil de medir”

não significa:

“precisamos inventar 72.84.”

Talvez seja:

“precisamos conversar.”


🧠 Qualitative evidence não é licença para achismo

Use:

estrutura.

Interview.

Peer review.

Decision journal.

Pre-mortem.

Postmortem.

Observação.


🧠 House MD method

Hipótese.

Evidence.

Test.

Refute.

Não:

“senti.”


🎯 Pergunta Bellacosa nº 14

“Como podemos transformar essa observação qualitativa em uma hipótese testável sem fingir que ela já é uma métrica?”

Essa é maturidade.


🧠 McNamara e Technical Debt

Feature count:

fácil.

Technical debt:

difícil.

Features ganham:

dashboard.

Debt:

silêncio.

Anos depois:

velocity cai.

Management:

surpresa.


🧠 Debt was real before score existed

Claro.


☕ Uma rachadura não precisa:

de KPI

para quebrar parede.


🧠 Maintainability

Como medir?

Complexity.

Coverage.

Lead time.

Todos proxies.

Mas developer pode:

olhar código

e dizer:

“isso está ficando impossível.”

Não ignore.


🧠 Architecture

Number of microservices:

fácil.

Architectural quality:

difícil.

Então:

500 microservices.

Modernization score:

excellent.

System:

distributed monolith.

Congratulations.


☕ Modernidade por contagem

Uma religião perigosa.


🧠 McNamara e Cloud

Percent migrated:

80%.

Great.

Mas:

80 systems easy.

Critical three:

remain.

Count:

80%.

Risk retired:

maybe 10%.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 15

“Estamos contando unidades equivalentes quando, na realidade, elas possuem pesos completamente diferentes?”


🧠 Security example

100 vulnerabilities.

90 low.

10 critical.

Close:

Progress:

90%.

Risk reduction:

talvez pequeno.

Goal Gradient:

quer 100%.

Metric fixation:

celebra 90%.

McNamara:

ignora severity se dashboard não pesa.


🧠 Weighted metrics?

Better.

But:

weight is model.

Still:

human judgment.


☕ Melhor modelo

não significa:

realidade completa.

Só:

modelo menos ruim.


🧠 McNamara e Customer Experience

NPS:

Customer happy?

Maybe.

Who responded?

What context?

Selection bias.

Silent churn?

Metric helps.

Not whole truth.


🧠 Complaints

Zero complaints.

Could mean:

excellent.

Or:

complaint process impossible.

Again.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 16

“Quem está ausente deste número?”

Maravilhosa para:

surveys.


🧠 McNamara e analytics

Page views:

high.

Impact:

?

Someone reads:

40 minutes.

One session.

No click.

Maybe article:

important.

Another:

clickbait.

20k views.

Metric:

winner.

Outcome:

different.


☕ Atenção não é valor

Mas é:

mais fácil contar.


🧠 Academia também enfrenta esse dilema

Citações.

Número de publicações.

Journal ranking.

Tudo:

útil.

Mas:

qualidade,

impacto social,

ensino,

mentoria,

replicabilidade

são mais difíceis de reduzir.

McNamara Fallacy generaliza:

muito além de guerra.


🧠 Medicina

A literatura médica também emprega o termo para criticar avaliações que dependem excessivamente de endpoints quantitativos facilmente mensuráveis quando eles não capturam integralmente resultados clínicos relevantes ou qualidades importantes dos profissionais.

Isso demonstra:

o padrão.

O domínio muda.

Erro lógico:

continua.


☕ Quando algo é difícil de medir

o risco é escolher:

o que é fácil

e esquecer:

por que começamos.


🧠 Bellacosa Measurement Pyramid

Podemos pensar:

        PURPOSE
          ▲
        OUTCOME
          ▲
       EVIDENCE
          ▲
        METRICS
          ▲
         DATA

Data:

embaixo.

Purpose:

em cima.

McNamara Fallacy acontece quando:

pirâmide vira:

DATA
 ↓
METRIC
 ↓
TRUTH

E o resto:

some.


🧠 O número precisa subir

Não governar.


SELECT COUNT(*)

é ferramenta.

Não filosofia de vida.


🧠 Como combater a McNamara Fallacy — passo a passo

Passo 1 — Comece pelo objetivo

Não pela disponibilidade dos dados.

Pergunte:

“O que realmente queremos saber?”


Passo 2 — Liste o que é fácil medir

CPU.

Errors.

Tickets.

Latency.

Good.


Passo 3 — Liste o que importa mas é difícil medir

Knowledge.

Trust.

Maintainability.

Fatigue.

Workarounds.


Passo 4 — Não invente precisão

Talvez use:

assessment qualitativo.


Passo 5 — Triangule

Métrica.

Outcome.

Expert judgment.


Passo 6 — Use counter-metrics

Speed:

com quality.

Cost:

com reliability.


Passo 7 — Procure hidden work

Quem mantém:

o KPI verde?


Passo 8 — Pergunte por unknowns

Não esconda:

incerteza.


Passo 9 — Red Team do indicador

Como pode:

enganar?


Passo 10 — Deixe realidade ter veto

Cliente quebrado:

vence dashboard.


📋 Checklist Bellacosa anti-McNamara

[ ] O que estamos tentando entender?

[ ] O que conseguimos medir facilmente?

[ ] O que é importante mas difícil de medir?

[ ] Estamos ignorando algo por falta de KPI?

[ ] Criamos um score artificial para preencher o vazio?

[ ] Há falsa precisão?

[ ] Existem unknowns?

[ ] Há trabalho humano invisível?

[ ] O KPI pode melhorar com realidade pior?

[ ] Estamos contando atividade ou outcome?

[ ] Frequência está escondendo severidade?

[ ] Média está escondendo cauda?

[ ] Especialistas estão levantando sinais qualitativos?

[ ] O dashboard contradiz usuários?

[ ] Sabemos quem está ausente da amostra?

[ ] O indicador ainda serve ao objetivo?

🧠 Bellacosa Reality Map

Antes de decisão crítica:

REAL GOAL:
_____________________________

WHAT WE MEASURE:
_____________________________

WHAT WE CANNOT MEASURE WELL:
_____________________________

WHAT EXPERTS ARE SEEING:
_____________________________

WHAT CUSTOMERS ARE SEEING:
_____________________________

KNOWN UNKNOWNS:
_____________________________

HIDDEN WORK:
_____________________________

DECISION:
_____________________________

Muito simples.

Mas:

muda a conversa.


🧠 A coluna UNKNOWN

Talvez todo dashboard crítico devesse permitir:

UNKNOWN

Sem vergonha.

Porque:

fingir certeza

não cria:

certeza.


UNKNOWN

é muito mais profissional

que:

92.73%

inventado.


🧠 McNamara e Red Team

Antes de adotar KPI:

pergunte:

“Como poderíamos parecer excelentes nesse indicador enquanto destruímos exatamente aquilo que ele deveria proteger?”

Exemplo:

MTTR:

restart tudo.

Uptime:

disable monitoring.

Cost:

cut redundancy.

Training:

play videos.

Tickets:

premature close.

Security findings:

stop looking.

Essa pergunta:

destrói muitos KPIs ruins em:

dez minutos.


🧠 McNamara e Data Literacy

Ser data-driven não é:

acreditar em número.

É saber:

questionar número.

Numerator?

Denominator?

Selection?

Bias?

Missingness?

Definition?


☕ “Mostre o SQL.”

Uma bela forma de:

epistemologia corporativa.


🧠 Context is the copybook

Um número:

000000423

Sem copybook:

o que significa?

Valor?

Quantidade?

Data?

Packed decimal?

Mesma coisa:

KPI sem contexto.


💻 COBOL Metric Copybook

       01 KPI-CONTEXT.
          05 KPI-NAME            PIC X(30).
          05 KPI-PURPOSE         PIC X(80).
          05 KPI-NUMERATOR       PIC X(80).
          05 KPI-DENOMINATOR     PIC X(80).
          05 KPI-SCOPE           PIC X(80).
          05 KPI-EXCLUSIONS      PIC X(80).
          05 KPI-LIMITATIONS     PIC X(80).
          05 KPI-CONFIDENCE      PIC X(10).

Comentário:

* DO NOT PROCESS
* KPI WITHOUT COPYBOOK.

Perfeito.


👻 Easter Egg nº 3 — Management ABEND

IEF450I DASHBOARD ABEND S0KPI

Reason:

EXCESSIVE TRUST IN NUMERIC PROXY

Recommended action:

CHECK REALITY
CONSULT OPERATIONS
VALIDATE OUTCOME
DRINK COFFEE

🧠 Goal Gradient aparece novamente

Estamos:

97%.

McNamara Fallacy:

97 = quase pronto.

Mas:

remaining tasks:

rollback;

restore;

reconciliation.

Quantidade:

3%.

Risk:

talvez 80%.


☕ Pergunte:

não:

“quanto falta?”

Mas:

“o que falta e quanto risco mora lá dentro?”


🧠 McNamara e Ratchet

Performance:

Next target:

Why?

Metric.

Ratchet.

But maybe:

100 involved:

overtime.

Hidden.

Not measured.

Target:

rises.

People:

burn.

McNamara ignored:

qualitative sustainability.


🧠 Sustainable capacity

Harder than:

output.

Still:

important.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 17

“Que custo invisível tornou este número possível?”

Uma das melhores.


🧠 McNamara e Cobra Effect

Problem:

bugs.

Pay:

per bug fixed.

Bugs:

increase.

Dashboard:

fixes up.

Management:

success.

Because measured:

fixes.

Not:

quality.

Cobra + McNamara.


🧠 Principal-Agent

Principal:

wants outcome.

Agent:

measured proxy.

Proxy:

wins.


☕ Se contrato mede cobra morta

ninguém deveria se surpreender:

com criação de cobra.


🧠 McNamara e Zero-Risk Bias

Risk score:

1%.

We eliminate.

Other risk:

40%

hard to measure.

We focus:

1%.

Because:

number exists.

That is:

McNamara + Zero-Risk.


🧠 Easy measurable risk attracts governance

Hard ambiguous risk:

ignored.

Danger.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 18

“Estamos priorizando este risco porque ele é maior ou porque ele é mais fácil de colocar numa planilha?”

Excelente.


🧠 McNamara e Need for Control

Ambiguity:

uncomfortable.

So:

more metrics.

More dashboards.

More scores.

More controls.

Eventually:

measurement theater.

We feel:

control.

System:

same.


☕ Dashboard wall

não é:

force field.

Infelizmente.


🧠 McNamara e Framing

“99% success.”

Sounds:

great.

“10.000 failures.”

Sounds:

bad.

Both:

same.

Context.

Metric alone:

frame.


🧠 Always show numerator + denominator

Better.


🧠 McNamara e Narrative Bias

Numbers create:

story.

Revenue ↑.

Incidents ↓.

Therefore:

strategy works.

Maybe.

Need:

causal evidence.


☕ Correlação vestida de terno

continua:

correlação.


🧠 McNamara e Outcome Bias

KPI good.

Project success.

Therefore:

method good.

Maybe luck.

Need:

process review.


🧠 Decisions need journals

What knew?

What assumptions?

Then:

learn.


🧠 McNamara e Actor-Observer

Our bad score:

context.

Their bad score:

competence.

Again:

numbers don't eliminate:

bias.

They can:

decorate it.


☕ KPI pode virar:

preconceito com conditional formatting.

Cuidado.


🧠 McNamara e Fundamental Attribution Error

Team has:

more incidents.

Leadership:

bad team.

Maybe:

harder system.

More volume.

Old tech.

Less staffing.

Context.

Raw count:

misleads.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 19

“Qual contexto precisaria estar no denominador para essa comparação ser justa?”


🧠 McNamara e Dunning-Kruger

Simple score:

creates:

simple certainty.

The less you understand:

domain,

more attractive:

score.

Expert knows:

caveats.

Novice sees:

Says:

“Team B is 12% better.”

Expert:

headache.


☕ A complexidade começa

onde o ranking termina.


🧠 McNamara e mainframe performance

CPU:

down 20%.

Great.

But:

I/O up 300%.

Elapsed:

same.

You optimized:

number.

Not:

system.

Local Optimization.


🧠 Performance tuning needs system view

CPU.

I/O.

Elapsed.

Throughput.

Business.


☕ Tornar um número menor

não é automaticamente:

tunagem.

Pode ser:

mudança de endereço do problema.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 20

“Onde foi parar o custo que aparentemente desapareceu?”

Excelente.


🧠 McNamara e observability

Collect everything?

Also trap.

You can have:

a million metrics

and still not understand:

system.

More measurement:

does not automatically fix:

McNamara Fallacy.

Because you may still:

measure the easy million

and miss:

the hard one.


☕ Um milhão de sensores

não medindo a coisa certa

é:

um milhão de sensores errados.


🧠 More metrics ≠ more truth

Need:

questions.

Not:

telemetry hoarding.


🧠 Observability starts with unknown questions

Can system help:

investigate things

we didn't anticipate?

That's richer than:

fixed KPIs.


🧠 McNamara e unknown unknowns

A mature system accepts:

some things:

we don't know we don't know.

Design:

resilience.

Don't pretend:

score covers universe.


☕ A humildade precisa:

de coluna.


🧠 Bellacosa Four-Stage Alarm

Toda vez que ouvir:

Etapa 1

“Não medimos.”

Normal.

Etapa 2

“Então não temos evidência quantitativa.”

Ainda normal.

Etapa 3

“Então provavelmente não importa.”

⚠️

Etapa 4

“Então isso não existe.”

🚨

McNamara.


🧠 Uma frase muito útil

“Ausência de métrica não é métrica de ausência.”

Essa merece:

quadro.


☕ Repito:

ausência de métrica não é métrica de ausência.


🧠 Como um programador COBOL iniciante usa isso amanhã?

Você recebe:

ticket:

“Batch slow.”

Dashboard:

elapsed +20%.

Não conclua:

“programa piorou.”

Pergunte:

volume?

Input?

CPU?

I/O?

Db2?

Locks?

Storage?

Network?

Downstream?

Calendar?


🧠 Número é começo da investigação

Não:

fim.


💻 Exemplo

ELAPSED:
+20%

VOLUME:
+45%

Talvez performance por record:

melhorou.

Sem contexto:

conclusão invertida.


☕ Denominador salva carreiras

Às vezes.


🧠 Outra situação

Defects:

+50%.

Bad?

Maybe testing improved.

More detection.

Quality:

maybe better long-term.

Campbell lesson.

McNamara:

count alone doesn't know.


🧠 Reporting culture

More incidents:

could mean:

less safety.

Or:

more transparency.

Need:

context.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 21

“Uma piora nessa métrica poderia ser sinal de uma organização melhor?”

Se sim:

interprete.


🧠 Bellacosa Anti-McNamara Ritual

Antes da reunião executiva:

cada KPI precisa de:

WHAT IT SAYS
WHAT IT DOES NOT SAY
WHAT MAY BE HIDDEN
WHAT REALITY SAYS

Quatro linhas.

Talvez:

mais úteis que:

20 gráficos.


🧠 Example

KPI:
Incidents ↓ 40%

SAYS:
Fewer recorded incidents.

DOES NOT SAY:
Total customer harm.

MAY HIDE:
Under-reporting.

REALITY CHECK:
Complaints also ↓ 35%.

Agora:

mais confiança.


☕ Um bom dashboard também explica:

seus limites.


🧠 Bellacosa Reality Triangulation

METRIC
   ↘
    REALITY
   ↗
HUMAN OBSERVATION

Se três:

convergem,

great.

Se não:

War Room.


👻 Easter Egg nº 4 — TARDIS coordinates

Painel:

LOCATION:
GALLIFREY

Doctor abre porta.

Praia.

Companion:

— Painel diz Gallifrey.

Doctor:

— Praia diz praia.

— Qual vence?

Doctor:

— Vamos dar ao universo direito de resposta.

Boa metodologia.


🧠 McNamara Fallacy e liderança

Um líder maduro pergunta:

não apenas:

“Qual o número?”

Mas:

“O que esse número representa?”

“O que não representa?”

“Quem pode estar invisível?”

“Qual evidência contradiz?”

Isso é:

data literacy.


☕ Dashboard não reduz:

necessidade de pensar.

Ele deveria:

melhorar pensamento.


🧠 McNamara e confiança organizacional

Se leadership aceita apenas:

quantitative proof,

times aprendem:

traduzir tudo:

em score.

Até coisas:

que não deveriam.

Agora:

pseudo-precision.


🧠 Arbitrary scores

Knowledge risk:

Why 83?

Nobody.

But:

green/amber/red.

Looks:

professional.


☕ Às vezes:

“alto risco”

é mais honesto que:

“82.43”.


🧠 Ordinal versus cardinal

Low/medium/high may:

fit evidence.

Don't invent:

false ratio.


🧠 McNamara e uncertainty

Use:

range.

Confidence.

Unknown.

Not:

fake precision.


🎯 Pergunta Bellacosa nº 22

“Estamos quantificando porque sabemos ou porque temos vergonha de dizer que não sabemos?”

Brutal.


🧠 Scientific humility

Not knowing:

information.

It tells:

where investigate.


UNKNOWN

não é ABEND.

É:

status.


🧠 McNamara Fallacy em uma linha COBOL

       IF NOT-MEASURED
           MOVE 'NOT-IMPORTANT'
             TO BUSINESS-VALUE
       END-IF.

Bug.

Grande.


💻 Correção

       IF NOT-MEASURED
           MOVE 'UNKNOWN'
             TO MEASUREMENT-STATUS
           PERFORM INVESTIGATE-IMPORTANCE
       END-IF.

Muito melhor.


🧠 Bellacosa Wisdom Copybook

* EASY TO MEASURE
* IS NOT THE SAME
* AS IMPORTANT.

* HARD TO MEASURE
* IS NOT THE SAME
* AS IRRELEVANT.

* NOT MEASURED
* IS NOT THE SAME
* AS NONEXISTENT.

Este é:

o artigo inteiro.


📓 Diário do Doctor

Se guardar algumas ideias desta viagem, guarde estas:

McNamara Fallacy é o erro de depender excessivamente de indicadores quantitativos e ignorar fatores relevantes por serem difíceis de medir.

A expressão é associada a Daniel Yankelovich e recebeu o nome de Robert McNamara, cujo estilo quantitativo de gestão ficou historicamente ligado à condução da Guerra do Vietnã.

A associação mais conhecida envolve o uso de medidas como body counts para inferir progresso num conflito cuja realidade política, social e estratégica era muito mais complexa.

O problema não começa ao medir coisas fáceis; começa quando ignoramos aquilo que não é fácil de medir.

Goal Substitution transforma proxy em objetivo.

Metric Fixation dá autoridade excessiva ao proxy.

McNamara Fallacy pode levar à conclusão de que aquilo que não é quantificado não merece atenção.

Goodhart mostra como a métrica muda ao virar meta.

Campbell mostra como grandes consequências ligadas à métrica aumentam distorções.

Cobra Effect mostra como o incentivo pode fazer o problema ganhar valor.

Goal Gradient faz correr mais quando a meta aproxima.

Ratchet transforma bons resultados em novas obrigações.

CC=0000 não significa integridade de negócio.

Backup success não significa recoverability.

Training completion não significa competência.

Headcount não significa capability.

Uptime não significa que o cliente conseguiu fazer aquilo que queria.

Número de controles não significa proteção.

Número de tickets fechados não significa problemas resolvidos.

Aquilo que não conseguimos medir pode continuar sendo absolutamente real.

E principalmente:

ausência de métrica nunca deve ser confundida com métrica de ausência.


🥚 Easter Egg final

Na manhã seguinte nosso jovem encontra:

BELLACOSA.BIAS(MCNAMARA)

Dentro:

       IF EASY-TO-MEASURE = 'Y'
           PERFORM MEASURE
       END-IF.

       IF HARD-TO-MEASURE = 'Y'
           PERFORM DO-NOT-IGNORE
       END-IF.

       IF DASHBOARD = 'GREEN'
          AND REALITY = 'BROKEN'
           MOVE 'REALITY'
             TO SOURCE-OF-TRUTH
       END-IF.

       IF MEASUREMENT-STATUS = 'UNKNOWN'
           PERFORM INVESTIGATE
       END-IF.

Comentários:

* WHAT IS EASY
* TO COUNT
* IS NOT NECESSARILY
* WHAT COUNTS MOST.

Outro:

* UNKNOWN
* DOES NOT MEAN
* ZERO.

Outro:

* NOT IN DASHBOARD
* DOES NOT MEAN
* NOT IN REALITY.

Outro:

* A SENSOR
* IS NOT THE UNIVERSE.

E naturalmente:

* TARDIS PANEL:
* GALLIFREY.
*
* DOOR:
* DINOSAURS.
*
* TRUST:
* THE DINOSAURS.

Nosso jovem fecha o membro.


🕰️ De volta às 08:27

Diretor:

— Então precisamos parar de usar métricas?

Nosso jovem:

— Pelo contrário.

— Como assim?

— Precisamos usar métricas melhores.

— E medir mais coisas?

— Talvez.

— Então qual é a diferença?

Ele pensa.

— Antes de medir mais...

Pausa.

— precisamos lembrar que algumas coisas importantes continuarão sendo difíceis de medir.

— E fazemos o quê com elas?

— Não fingimos que desapareceram.

Doctor sorri.


🔧 O dashboard muda

Antes:

SERVICE HEALTH:
97.8

Depois:

SERVICE HEALTH

CUSTOMER OUTCOME .... GREEN
TECHNICAL HEALTH .... GREEN
DATA INTEGRITY ...... GREEN
MANUAL TOIL ......... AMBER
KNOWLEDGE RISK ...... RED

KNOWN UNKNOWNS:
- failover under peak load
- two-person restart dependency

EXPERT CONCERNS:
- settlement timing drift

Ficou:

menos elegante.

Mais difícil:

de colocar numa linha.

Muito mais:

honesto.


☕ O executivo olha

— Isso não cabe num score único.

Nosso jovem responde:

— Talvez o sistema também não caiba.

Boa.


🧬 Regeneração organizacional

Uma organização madura não abandona números.

Ela:

mede.

Compara.

Analisa.

Automatiza.

Cria dashboards.

Mas também:

questiona definições;

investiga unknowns;

escuta especialistas;

observa clientes;

procura trabalho invisível;

revê incentivos;

e permite que:

contexto

sobreviva à planilha.

Ela entende:

quantificação é uma ferramenta para enxergar a realidade, não uma autorização para eliminar da realidade aquilo que não conseguimos quantificar.


🥚 Último comentário do Doctor

Antes de entrar na TARDIS:

* IF REALITY
* DOES NOT FIT
* YOUR DASHBOARD,
*
* FIX THE DASHBOARD.
*
* DO NOT FIX
* REALITY.

VWORP.

VWORP.

VWORP.

A TARDIS desaparece.

Na War Room sobra apenas:

“Meça tudo que puder. Respeite aquilo que ainda não consegue medir. E jamais permita que a facilidade de contar alguma coisa decida sozinha quanto essa coisa importa.”

E talvez essa seja toda a essência da McNamara Fallacy.

☕🌀

Next stop: Streetlight Effect — o dia em que perdemos a chave no estacionamento escuro, mas continuamos procurando debaixo do poste porque era o único lugar onde havia luz. Em mainframe: investigar somente os logs, dashboards e componentes onde é fácil procurar, mesmo quando todas as evidências dizem que a causa pode estar justamente fora do nosso campo iluminado.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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