| Bellacosa Mainframe e a mcnamara fallacy |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
McNamara Fallacy: Doctor Who, COBOL e o Dia em que o Dashboard Provava que Estávamos Vencendo — Só Faltava Avisar a Realidade
Uma viagem pela TARDIS dos incidentes para entender como podemos começar medindo aquilo que é fácil, ignorar aquilo que é difícil, concluir que o não mensurável não importa e terminar administrando uma realidade imaginária construída pelos próprios indicadores
08:27.
Segunda-feira.
War Room.
Café forte.
Muito forte.
No telão:
INCIDENT RESPONSE SCORECARD
MTTR .................... -38%
TICKETS CLOSED .......... +42%
CHANGE SUCCESS .......... 99.7%
SERVER AVAILABILITY ..... 99.99%
TRAINING COMPLETION ..... 100%
SECURITY CONTROLS ....... 100%
OVERALL STATUS .......... GREEN
Diretor:
— Excelente.
Gerente:
— Todos os indicadores melhoraram.
Operations:
silêncio.
Nosso jovem programador COBOL levanta a mão.
— Posso perguntar uma coisa?
— Claro.
— Quantas intervenções manuais estamos fazendo por madrugada?
— Não temos esse indicador.
— Quantos clientes precisam repetir transações?
— Não medimos exatamente isso.
— Quantas pessoas sabem executar o restart do settlement se o João estiver de férias?
— Também não temos uma métrica.
— Quantas horas estamos gastando em workarounds?
Silêncio.
O diretor olha novamente para:
OVERALL STATUS: GREEN
— Mas os indicadores principais estão ótimos.
Nosso jovem olha para ele.
Depois:
para a equipe cansada.
Depois:
para a garrafa térmica vazia.
— Então o sistema está ótimo...
Pausa.
— ou só estamos ótimos naquilo que conseguimos medir?
Silêncio.
VWORP.
VWORP.
VWORP.
A TARDIS aparece ao lado do projetor.
A porta abre.
O Doctor sai.
Olha para o dashboard.
— Tudo verde.
Diretor:
— Exatamente.
O Doctor olha para Operations.
— E vocês?
Um operador responde:
— Três madrugadas sem dormir direito.
O Doctor volta ao dashboard.
— Curioso.
Aponta.
— Onde aparece isso?
— Não aparece.
— Então não conta?
Silêncio.
Ele sorri.
— Ah.
— O quê?
— Parece que vocês avançaram para o estágio seguinte da Metric Fixation.
Pausa.
— Não apenas confiam demais naquilo que medem.
— E qual seria o próximo estágio?
— Começar a acreditar que aquilo que não conseguem medir não existe.
Bem-vindo à:
McNamara Fallacy
Também chamada:
Quantitative Fallacy
A ideia central é simples:
tomar decisões com base excessiva ou exclusivamente naquilo que conseguimos quantificar, desprezando informações importantes porque são difíceis de transformar em números.
🧠 De onde vem o nome?
O nome remete a Robert McNamara, secretário de Defesa dos Estados Unidos entre 1961 e 1968.
McNamara tinha forte formação quantitativa e ficou associado ao uso intensivo de estatísticas, análise de sistemas e indicadores na administração militar.
Durante a Guerra do Vietnã, medidas como:
número de inimigos mortos;
missões executadas;
território;
munição;
sorties;
perdas relativas
ganharam enorme importância na tentativa de medir progresso.
O problema fundamental era:
uma guerra política, social, cultural e psicológica estava sendo comprimida em indicadores quantitativos que não conseguiam representar toda a realidade estratégica.
A associação da McNamara Fallacy ao Vietnã é especialmente ligada ao uso de métricas como body counts para inferir progresso numa guerra de atrito; críticas posteriores destacaram como incentivos ligados a essas contagens podiam distorcer o próprio dado.
☕ Em Bellacosa:
Imagine tentar entender:
uma War Room
olhando apenas:
NUMBER OF COMMANDS EXECUTED
Quanto mais comandos:
melhor?
Talvez não.
Pode significar:
mais desespero.
A métrica é verdadeira.
A interpretação:
não necessariamente.
🧠 Daniel Yankelovich e os quatro degraus
A formulação clássica atribuída ao sociólogo Daniel Yankelovich descreve uma progressão em quatro estágios. A formulação original é conhecida justamente por mostrar como uma preferência razoável por medidas pode degenerar numa negação do que não é quantificado.
Vamos traduzir para:
Bellacosa Mainframe.
🟢 Estágio 1 — Medir aquilo que conseguimos medir facilmente
Isso é:
normal.
Correto.
Útil.
CPU:
CPU = 67%
Queue:
MQ DEPTH = 240
Elapsed:
BATCH = 01:42:13
Incidents:
P1 = 3
Excelente.
Temos:
sensores.
Não há problema.
☕ A primeira etapa é saudável
Mainframe sem medição seria:
arqueologia em produção.
SMF.
RMF.
SDSF.
Logs.
Traces.
Tudo existe porque precisamos:
observar.
🟡 Estágio 2 — Ignorar aquilo que não conseguimos medir facilmente
Agora começa:
o problema.
Pergunta:
— A equipe está exausta?
Resposta:
— Temos métrica disso?
— Não.
— Próximo.
Pergunta:
— Existe conhecimento concentrado em uma pessoa?
— Qual o KPI?
— Não existe.
— Próximo.
Pergunta:
— O cliente está confiando menos no serviço?
— Temos score?
— Não.
— Então não conseguimos provar.
Ops.
🧠 O não quantificado começa a perder status
Essa é uma mudança silenciosa.
Antes:
“Não sabemos medir.”
Depois:
“Então isso é subjetivo.”
Depois:
“Então provavelmente é menos importante.”
Danger.
🟠 Estágio 3 — Concluir que o difícil de medir não é importante
Agora entramos:
em terreno perigoso.
Exemplo:
mentoria.
Difícil medir.
Logo:
menos valorizada.
Documentação.
Difícil relacionar diretamente a receita.
Logo:
menos valorizada.
Resiliência.
Difícil provar o incidente que:
não aconteceu.
Logo:
parece custo.
Experiência.
Difícil colocar em:
score.
Logo:
certificação parece mais objetiva.
☕ O invisível começa a desaparecer
Não porque:
deixou de existir.
Mas porque:
deixou de entrar no modelo.
🔴 Estágio 4 — Concluir que aquilo que não conseguimos medir não existe
Agora:
ABEND.
Um operador experiente diz:
“Esse comportamento está estranho.”
Dashboard:
verde.
Resposta:
“Os dados não mostram.”
O operador insiste:
“Nunca vi esse padrão funcionar assim.”
Resposta:
“Sem métrica não podemos considerar.”
Duas horas depois:
P1.
Parabéns.
A realidade tinha:
um bug de compatibilidade com o dashboard.
👻 Easter Egg nº 1 — Dalek Analytics
Dalek:
— CUSTOMER SATISFACTION: 100%.
Doctor:
— Como sabem?
— ZERO COMPLAINTS REGISTERED.
— Os clientes conseguem reclamar?
— NO.
— Então talvez...
Dalek:
— SATISFACTION CONFIRMED.
Doctor:
— Impressionante.
— THANK YOU.
— Não foi elogio.
🧠 McNamara versus Metric Fixation
No capítulo anterior:
Metric Fixation.
A obsessão:
métrica ganha autoridade excessiva.
McNamara Fallacy é quase:
o algoritmo.
MEASURE EASY THINGS
↓
IGNORE HARD THINGS
↓
DOWNGRADE HARD THINGS
↓
DENY HARD THINGS
É:
Metric Fixation executada até o fim.
🧠 Goal Substitution entra logo antes
Objetivo:
confiabilidade.
Difícil.
Proxy:
uptime.
Fácil.
Depois:
uptime substitui confiabilidade.
Goal Substitution.
Metric Fixation:
uptime ganha autoridade.
McNamara:
tudo fora do uptime desaparece.
☕ A metamorfose completa
REALIDADE
↓
MÉTRICA DA REALIDADE
↓
META
↓
OBJETIVO
↓
VERDADE
Não.
A ordem deveria continuar:
REALIDADE
↓
EVIDÊNCIAS
↓
DECISÃO
🧠 Goodhart entra sorrindo
Meta:
MTTR < 30 MIN
Equipe aprende:
fechar incidente rapidamente.
Goodhart.
Mas talvez:
root cause fique aberta.
Reconciliation:
pendente.
Incident:
closed.
McNamara Fallacy aparece quando direção conclui:
MTTR caiu, portanto nossa capacidade de incident response melhorou.
Talvez.
Ou melhoramos:
aquilo que MTTR consegue enxergar.
🧠 Campbell aumenta a pressão
Agora bônus depende:
MTTR.
Mais pressão.
Mais gaming.
Mais tendência:
a realidade adaptar-se ao indicador.
Campbell.
🧠 Cobra Effect
Pago:
por ticket resolvido.
Agora tickets:
valem dinheiro.
Cobra.
🧠 Ratchet Effect
MTTR chega:
Nova meta:
Chega:
Meta:
Ratchet.
🧠 Goal Gradient
Incident está:
95% resolvido.
Equipe quer:
fechar.
Goal Gradient.
🧠 McNamara olha tudo isso e pergunta:
“Qual número temos?”
E talvez esqueça:
de perguntar:
“O que está realmente acontecendo?”
🎯 Pergunta Bellacosa nº 1
Quando dashboard mostrar:
verde,
pergunte:
“Que parte importante da realidade não possui uma linha neste dashboard?”
Essa pergunta pode:
salvar projeto.
🧠 O CC=0000 perfeito
Nosso iniciante COBOL precisa entender isso cedo.
Você executa:
JOB PAYMENT
SDSF:
CC 0000
Sucesso?
Tecnicamente:
programa terminou sem retornar erro relevante ao scheduler.
Mas:
control totals?
Account balance?
Record count?
Reconciliation?
Downstream?
Cliente?
Imagine:
IF INVALID-DATA
DISPLAY 'WARNING'
MOVE ZERO TO RETURN-CODE
END-IF.
JES:
feliz.
Banco:
talvez menos.
☕ McNamara Fallacy versão JES
“O job terminou com zero, logo tudo que importa aconteceu corretamente.”
Não.
O scheduler sabe:
scheduler things.
🧠 Instrumentos possuem domínio
CPU sabe:
CPU.
Database knows:
database.
Network knows:
network.
Customer knows:
customer.
Nenhum sozinho:
possui toda a verdade.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 2
“Essa métrica está respondendo à pergunta que realmente estamos fazendo?”
Porque muitas vezes:
não.
🧠 Exemplo: disponibilidade
Dashboard:
SERVER UP:
100%
Pergunta real:
Cliente consegue pagar?
Server uptime responde:
outra pergunta.
☕ Servidor pode estar maravilhosamente vivo
enquanto aplicação:
morre lentamente.
🧠 Quantidade versus significado
Esse é o coração da McNamara Fallacy.
Números respondem muito bem:
quanto?
Mas nem sempre:
por quê?
com que qualidade?
em qual contexto?
com quais consequências?
🧠 War Room quantitativa
Imagine:
COMMANDS EXECUTED: 147
Isso significa:
incident response excelente?
Talvez significa:
ninguém sabia o que estava fazendo.
☕ Número sozinho não conhece ironia
Precisamos:
interpretar.
🧠 Body count e o Vietnã
A associação histórica mais conhecida da falácia está justamente na tentativa de usar contagens — notadamente baixas inimigas — como medida de progresso estratégico na Guerra do Vietnã. Críticos argumentaram que transformar essas contagens em indicador de sucesso criava incentivos para exagero e não capturava fatores políticos, sociais e estratégicos decisivos para o conflito.
Em linguagem de TI:
imagine medir:
incidentes resolvidos
sem medir:
incidentes evitados.
O time com:
100 incidentes
e:
100 resolvidos
parece muito ativo.
O time com:
5 incidentes
talvez:
pareça menos produtivo.
Qual você prefere administrar seu pagamento?
Pois é.
🧠 Contar o que acontece pode punir prevenção
Incidente evitado:
não gera ticket.
Vulnerabilidade eliminada cedo:
não gera P1.
Capacity planning correto:
não gera War Room.
Resultado:
trabalho excelente produz:
ausência de evento.
Ausência é difícil:
de contar.
McNamara Fallacy pode:
subvalorizar prevenção.
☕ O herói invisível
Talvez aquele sysprog que ninguém chamou às 03:00 porque:
ele fez direito às 15:00.
Não ganhou:
foto na War Room.
Mas talvez seja:
o verdadeiro herói.
🧠 Hero Culture aparece
Quem apaga incêndio:
visível.
Quem evita:
invisível.
Se promotion mede:
incidents resolved,
adivinhe:
qual trabalho tem carreira melhor?
Campbell.
Perverse Incentive.
McNamara.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 3
“Estamos premiando aquilo que conseguimos contar ou aquilo que gostaríamos que acontecesse?”
🧠 Conhecimento tácito
Agora entramos num território importantíssimo.
Um profissional experiente olha:
RMF.
Algo incomoda.
Não sabe ainda:
explicar.
Ele diz:
“Tem alguma coisa estranha aqui.”
Júnior pergunta:
— Qual métrica?
— Ainda nenhuma específica.
Isso é:
inútil?
Não.
Pode ser:
pattern recognition.
Experiência acumulada.
Recognition-Primed Decision.
Milhares de situações anteriores.
☕ O famoso:
“Esse batch está com cheiro estranho.”
Não existe:
SMF FIELD = SMELL.
Ainda.
🧠 Experiência não substitui dados
Importante.
O veterano pode:
estar errado.
Confirmation Bias.
Availability.
Recency.
Overconfidence.
Nós já exploramos:
todos eles.
A resposta não é:
“veterano sempre tem razão.”
É:
“A observação dele é uma hipótese que merece investigação.”
🧠 Dados + julgamento
Não:
dados versus humano.
Melhor:
DATA
+
EXPERIENCE
+
CONTEXT
+
TEST
=
BETTER DECISION
👻 Easter Egg nº 2 — House MD no NOC
Todos os exames:
normais.
Paciente:
mal.
Médico:
— Os números dizem que está saudável.
House:
— Então o paciente está fingindo morrer para sabotar o Excel?
Na produção:
dashboard verde.
Cliente:
sem pagar.
Não tente:
convencer cliente que está tudo bem.
Investigue.
🧠 Produção tem poder de veto
Essa é uma regra Bellacosa:
quando dashboard e realidade entram em conflito, a realidade ganha e o dashboard vira suspeito.
☕ Grafana não tem direito de voto contra cliente
Pode parecer injusto.
Mas é assim.
🧠 McNamara Fallacy e produtividade
Empresa quer:
programadores produtivos.
Como medir?
Difícil.
Escolhe:
COMMITS
Ou:
LINES OF CODE
Ou:
TICKETS CLOSED
Agora:
Programador A:
100 commits.
Programador B:
A é melhor?
Não sabemos.
B talvez:
removeu código.
Mentorou pessoas.
Descobriu flaw arquitetural.
Preveniu incidente.
☕ Dez mil linhas escritas
podem significar:
produtividade.
Ou:
necessidade de delete.
🧠 COBOL versão
Programador A:
CHANGED LINES = 1200
Programador B:
CHANGED LINES = 1
B corrigiu:
IF ACCOUNT-STATUS = 'A'
para a condição correta que estava:
duplicando cobrança.
Quem produziu mais valor?
Boa sorte:
com COUNT(LINES).
🧠 O que é fácil medir ganha status
Essa é a perversidade.
Commits:
fácil.
Mentoria:
difícil.
Logo:
commits ganham dashboard.
Mentoria:
vira:
“soft.”
Mas knowledge transfer pode:
salvar operação daqui três anos.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 4
“Que trabalho essencial desaparece quando avaliamos somente aquilo que produz contadores?”
🧠 McNamara e treinamento
Objetivo:
competência.
Difícil medir.
Proxy:
horas de curso.
TRAINING:
100 HOURS
Fantástico.
Aluno consegue:
resolver um S0C7?
Talvez.
☕ Assistir não é saber
Completion:
não é competência.
Goal Substitution.
McNamara:
competência difícil → completion fácil.
🧠 Badge Count
Empresa:
742 badges.
Excelente.
Capability?
Precisamos:
investigar.
Badge:
evidência.
Não:
verdade.
🧠 Dunning-Kruger pode aparecer
Pouco conhecimento.
Badge.
Confiança aumenta.
Produção:
educa.
Às vezes:
brutalmente.
🧠 McNamara Fallacy e segurança
Objetivo:
reduzir risco.
Difícil.
Proxy:
number of critical vulnerabilities.
CRITICAL = 0
Excelente.
Mas:
credential compromise?
Social engineering?
Insider threat?
Supply chain?
Misconfiguration?
Unknown unknowns?
Não cabem:
num único contador.
☕ Zero findings
não significa:
zero vulnerability.
Pode significar:
zero finding.
As palavras importam.
🧠 Compliance
CONTROLS IMPLEMENTED:
100%
Segurança:
100%?
Não.
Controle pode:
existir.
Não funcionar.
🧠 Backup
BACKUP SUCCESS:
100%
Recoverability:
?
Teste:
restore.
Essa é provavelmente:
uma das metáforas perfeitas.
Backup mede criação da cópia. Restore mede parte do objetivo.
☕ Backup é promessa
Restore é evidência.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 5
“Estamos medindo a existência do controle ou a capacidade que ele deveria garantir?”
🧠 McNamara e SLA
SLA:
99.9%.
Fornecedor:
cumpriu.
Cliente:
irritado.
Como?
Latency.
Errors.
Data correctness.
Support.
O SLA mediu:
uma dimensão.
Contrato transformou:
essa dimensão
em:
verdade.
Principal-Agent Problem.
🧠 Metric becomes contract becomes behavior
Goodhart.
Campbell.
McNamara.
☕ O cliente não lê SLA durante indisponibilidade
Ele tenta:
usar.
🧠 McNamara Fallacy e Agile
Objetivo:
entregar valor.
Difícil.
Proxy:
velocity.
Fácil.
Equipe:
40 points.
Depois:
Agora:
valor aumentou?
Talvez.
Ou:
story point inflation.
🧠 A unidade não é física
Story Point não existe:
em Paris.
Não há:
International Bureau of Story Points.
Logo:
contexto.
☕ Um story point de um time
não cabe necessariamente:
no copybook do outro.
🧠 DevOps
Objetivo:
fluxo rápido e seguro.
Proxy:
deployments.
Mais deployments:
melhor?
Talvez.
Se:
quality stable.
Value delivered.
🧠 McNamara pergunta:
“Quantos deploys?”
Senior pergunta:
“Para quê?”
Essa segunda pergunta:
vale carreira.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 6
“O aumento do número necessariamente representa aumento do valor?”
Se não:
proxy.
🧠 McNamara e cost optimization
Objetivo:
eficiência sustentável.
Proxy:
custo mensal.
Meta:
-20%.
Equipe corta:
monitoring.
Redundancy.
Training.
Capacity.
Dashboard financeiro:
verde.
Risk:
sobe.
☕ O custo ficou menor
porque:
algumas proteções também ficaram menores.
Não aparece:
na mesma coluna.
🧠 Present Bias
Savings:
agora.
Incident:
futuro.
Present Bias.
Moral Hazard:
quem recebe bônus talvez não esteja lá quando:
conta chegar.
🧠 McNamara e headcount
Objective:
capability.
Proxy:
people count.
Temos:
20 COBOL programmers.
Então:
safe.
Perguntas:
Quantos conhecem settlement?
Quantos conhecem CICS?
Quantos conseguem atuar sozinhos?
Quantos estão perto de aposentadoria?
Quantos documentaram?
☕ Headcount ≠ knowledge distribution
COUNT(*)
continua:
não sendo senioridade.
🧠 Bus Factor
Difícil.
Mas fundamental.
Se uma pessoa sair:
o que quebra?
Talvez isso seja:
mais importante que:
headcount.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 7
“Estamos contando recursos ou compreendendo capacidade?”
🧠 McNamara e IA
Agora chegamos:
em território delicioso.
Objetivo:
IA útil.
Como medir?
Benchmark.
Accuracy.
Task completion.
Tokens.
Prompt success.
Tudo:
quantificável.
Mas:
helpfulness?
Judgment?
Side effects?
Trust?
Context?
Harder.
🤖 McNamara Fallacy automatizada
Agent score:
TASK COMPLETION:
99.4%
Excelente.
Uma das tarefas restantes:
transferiu:
R$10 milhões errado.
Score:
ainda maravilhoso.
☕ Média alta
não absolve:
catástrofe rara.
🧠 Tail risk
Critical systems care about:
eventos raros.
Average:
pode esconder.
🧠 AI eval
Benchmark:
Real user task:
falha.
Which wins?
Real-world evidence.
Benchmark:
map.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 8
“Se o agente maximizasse perfeitamente essa métrica, gostaríamos do mundo resultante?”
Se resposta:
não,
rethink reward.
🧠 Reward Hacking
Goal:
resolve tickets.
Agent:
marks closed.
Score:
high.
Goal Substitution.
Goodhart.
McNamara.
🧠 Measurement modeling
Muitos conceitos importantes — como habilidade, risco ou fairness — não são diretamente observáveis e precisam ser operacionalizados por meio de medidas que carregam pressupostos. Em sistemas computacionais, pesquisadores destacam justamente que discrepâncias entre o conceito real e sua operacionalização podem produzir danos e decisões equivocadas.
Em Bellacosa:
todo score tem um copybook conceitual, mesmo quando ninguém documentou.
☕ Pergunte pelo copybook
Score:
PIC?
Significado?
Denominator?
Exclusion?
Sem isso:
número solto.
🧠 A falsa precisão
RISK SCORE = 83.72
Wow.
83.72 de quê?
Qual modelo?
Qual confidence?
Qual data freshness?
☕ Duas casas decimais
não curam:
incerteza.
Só deixam incerteza:
mais elegante.
🧠 McNamara e Dashboard Culture
Executivo pede:
“Give me one number.”
Complex system responds:
“I can give you one number.”
Isso não significa:
que deveria.
🧠 Composite score
Availability:
Security:
Customer:
Average:
Score:
O que significa?
Talvez:
quase nada.
☕ Média pode esconder incêndio
Se cozinha pega fogo
e sala está:
temperatura agradável,
a temperatura média da casa:
talvez seja aceitável.
Você ainda deve:
sair.
🧠 Metric Fixation + McNamara
Um número:
simplifica.
Metric Fixation:
dá autoridade.
McNamara:
nega o resto.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 9
“Que realidade perigosa foi apagada para conseguirmos resumir tudo em um número?”
🧠 O desconhecido precisa existir no dashboard
Isso parece estranho.
Mas:
KNOWN:
70%
UNKNOWN:
30%
pode ser:
mais honesto que:
READINESS:
93.17%
quando ninguém sabe:
como chegou.
☕ UNKNOWN é um estado válido
E muito importante.
🧠 Need for Control odeia UNKNOWN
Quer:
número.
Control Bias:
pressiona.
Illusion of Control:
aparece.
Score surge.
Todos:
mais calmos.
Realidade:
igual.
🧠 McNamara Fallacy também é uma história sobre desconforto
É difícil administrar:
ambiguidade.
Então:
quantificamos.
A quantificação:
reduz ansiedade.
Mas talvez não:
risco.
☕ Dashboard pode ser ansiolítico corporativo
Não necessariamente:
controle.
🧠 Doctor Who e o scanner
Companion:
— Scanner diz que planeta não tem vida.
Doctor:
— E aquela cidade?
— Scanner diz zero.
— Talvez...
— Scanner é calibrated.
— Então aqueles milhões de seres devem estar interpretando a própria existência incorretamente.
Nunca deixe:
sensor
ganhar disputa com:
realidade observável.
🧠 McNamara e incidentes raros
Imagine:
99.999% success.
Um failure:
perde bilhões.
Average:
ótima.
Risk:
terrível.
Safety-critical systems:
tails matter.
🧠 Severity > frequency às vezes
Não conte:
apenas quantos.
Pergunte:
quais.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 10
“Estamos usando frequência para esconder severidade?”
🧠 Base Rate
Também:
número absoluto sem denominator:
enganoso.
100 errors.
Ruim?
Em:
1.000 requests:
terrível.
Em:
10 bilhões:
outra história.
☕ Numerador sem denominador
é café:
sem água.
Forte demais.
🧠 McNamara e averages
Average response:
200ms.
P99:
12s.
Customer no tail:
não vive na média.
☕ O cliente mora no percentil dele
Não:
no dashboard executivo.
🧠 Quantitative ≠ objective automatically
Escolher:
o que medir
é:
decisão.
Definir:
threshold
é:
decisão.
Peso:
decisão.
Exclusion:
decisão.
Então:
número contém julgamento humano.
🧠 A fórmula tem autor
Importantíssimo.
Mesmo:
SCORE = 0.4A + 0.3B + 0.3C
Alguém escolheu:
0.4.
☕ Excel não decidiu sozinho
Alguém:
configurou a religião.
🧠 McNamara e management
Uma organização pode acreditar:
“data-driven.”
Mas ser:
“dashboard-driven.”
Não é a mesma coisa.
🧠 Data-informed
Métrica:
informa.
Context:
completa.
Judgment:
decide.
Evidence:
valida.
☕ Dados participam da reunião
Não precisam:
presidir sozinhos.
🧠 O perigo contrário
Cuidado.
Não transforme este artigo em:
“dados não importam.”
Isso seria:
outra besteira.
Intuição sem dados:
Confirmation Bias.
Availability.
Overconfidence.
Narrative Bias.
Também ruim.
🧠 A solução não é abandonar medidas
É:
triangular.
Dados.
Experiência.
Contexto.
Outcome.
🧠 Bellacosa Three Sensors
Para uma decisão importante:
1. Métrica
O que números mostram?
2. Realidade operacional
O que usuários e operação mostram?
3. Julgamento estruturado
O que especialistas acreditam e por quê?
Se três concordam:
confidence ↑.
Se divergem:
investigate.
☕ Divergência é informação
Não:
inconveniência.
🧠 McNamara e qualitative evidence
Operador:
“Está estranho.”
Isso não é:
conclusão.
É:
sinal.
Registre.
Teste.
Correlacione.
Não descarte.
🧠 Human anomaly detector
Às vezes:
o humano detecta primeiro.
Depois:
encontramos métrica.
Isso é:
normal.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 11
“Estamos exigindo uma métrica para permitir que alguém formule uma hipótese?”
Se sim:
talvez estejamos cegando:
observação.
🧠 McNamara e RCA
Database asks:
root cause.
Form:
ROOT CAUSE:
[ ] HUMAN ERROR
[ ] SOFTWARE
[ ] HARDWARE
[ ] NETWORK
E se causa for:
combinação de:
incentivo;
deadline;
interface ruim;
staffing;
technical debt?
Não cabe.
Então:
seleciona:
HUMAN ERROR.
Agora relatório:
HUMAN ERROR:
62%
Management:
“people are problem.”
Fundamental Attribution Error.
☕ Talvez o formulário tenha causado:
parte da análise ruim.
Meta-ironia.
🧠 Data model shapes thinking
Se sistema só permite:
uma causa,
organização começa:
a procurar uma causa.
Se realidade:
multi-causal,
perdemos:
complexidade.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 12
“Nosso modelo de dados está simplificando uma realidade que não é simples?”
🧠 McNamara e McNamara — uma importante cautela histórica
A falácia carrega o nome de McNamara como crítica a um estilo de gestão quantitativo associado ao Vietnã, mas não devemos reduzir toda a guerra ou todas as decisões de McNamara a “ele olhava números e por isso tudo deu errado”. Guerras envolvem decisões políticas, militares, institucionais, culturais e estratégicas muito mais amplas. A própria formulação da falácia é uma lente para um tipo de erro de raciocínio, não uma explicação completa para o conflito.
Isso é importante porque:
usar uma explicação simples para criticar o excesso de explicações simples seria quase poeticamente errado.
Bellacosa aprova a ironia.
🧠 McNamara depois reconheceria erros
Décadas depois, McNamara refletiu publicamente sobre erros graves cometidos na condução da Guerra do Vietnã, inclusive em suas memórias In Retrospect.
Isso também é:
uma lição.
Métrica errada:
não exige pessoa burra.
Muito pelo contrário.
Sistemas inteligentes podem:
errar com enorme sofisticação.
☕ Inteligência não imuniza contra viés
Às vezes:
permite justificar erro
com:
PowerPoint melhor.
🧠 McNamara e Dunning-Kruger?
Não diretamente.
Mas:
score pode criar:
overconfidence.
Dashboard:
parece compreensão.
O executivo entende:
indicadores.
Começa a sentir:
que entende sistema.
Talvez não.
🧠 Illusion of Control
Tudo tem:
score.
Logo:
controlamos.
Não.
Medir:
não é controlar.
Controlar:
não é compreender.
Compreender:
não é prever perfeitamente.
☕ Três coisas diferentes
Que PowerPoint gosta de:
misturar.
🧠 McNamara e Drift Into Failure
Agora uma conexão maravilhosa.
A cada trimestre:
KPI melhora.
Mas:
trabalho invisível sobe.
Overtime.
Workaround.
Debt.
Knowledge concentration.
Nenhuma métrica oficial:
vê.
Sistema deriva:
lentamente.
Até:
falha.
🌀 McNamara Drift
VISIBLE KPI ↑
↓
CONFIDENCE ↑
↓
HIDDEN MARGIN ↓
↓
HIDDEN WORK ↑
↓
RISK ↑
↓
INCIDENT
Todos ficam:
surpresos.
Mas talvez:
sinais sempre estiveram lá.
Só não possuíam:
célula.
☕ Ausência no dashboard
não é:
ausência no universo.
🧠 Normalization of Deviance
Manual workaround:
não medido.
Funciona.
Repete.
Normaliza.
Ainda:
não medido.
Até:
incidente.
Outra conexão.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 13
“Que adaptação informal mantém nossos números bonitos?”
Essa é brutal.
🧠 Maria Middleware
Sistema:
“100% automated.”
Maria:
todo dia corrige CSV.
Ninguém mede:
Maria.
Logo:
automation score = 100%.
Maria tira férias.
Automation:
descobre:
férias.
☕ A arquitetura verdadeira aparece quando alguém sai de férias
Clássico.
🧠 Human toil
Precisamos tornar:
parte visível.
Não necessariamente:
transformar tudo em score.
Pode ser:
narrativa.
Sampling.
Observation.
🧠 McNamara Fallacy não exige número para tudo
Esse é justamente:
o antídoto.
Algumas coisas:
podem continuar:
qualitativas.
☕ “Difícil de medir”
não significa:
“precisamos inventar 72.84.”
Talvez seja:
“precisamos conversar.”
🧠 Qualitative evidence não é licença para achismo
Use:
estrutura.
Interview.
Peer review.
Decision journal.
Pre-mortem.
Postmortem.
Observação.
🧠 House MD method
Hipótese.
Evidence.
Test.
Refute.
Não:
“senti.”
🎯 Pergunta Bellacosa nº 14
“Como podemos transformar essa observação qualitativa em uma hipótese testável sem fingir que ela já é uma métrica?”
Essa é maturidade.
🧠 McNamara e Technical Debt
Feature count:
fácil.
Technical debt:
difícil.
Features ganham:
dashboard.
Debt:
silêncio.
Anos depois:
velocity cai.
Management:
surpresa.
🧠 Debt was real before score existed
Claro.
☕ Uma rachadura não precisa:
de KPI
para quebrar parede.
🧠 Maintainability
Como medir?
Complexity.
Coverage.
Lead time.
Todos proxies.
Mas developer pode:
olhar código
e dizer:
“isso está ficando impossível.”
Não ignore.
🧠 Architecture
Number of microservices:
fácil.
Architectural quality:
difícil.
Então:
500 microservices.
Modernization score:
excellent.
System:
distributed monolith.
Congratulations.
☕ Modernidade por contagem
Uma religião perigosa.
🧠 McNamara e Cloud
Percent migrated:
80%.
Great.
Mas:
80 systems easy.
Critical three:
remain.
Count:
80%.
Risk retired:
maybe 10%.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 15
“Estamos contando unidades equivalentes quando, na realidade, elas possuem pesos completamente diferentes?”
🧠 Security example
100 vulnerabilities.
90 low.
10 critical.
Close:
Progress:
90%.
Risk reduction:
talvez pequeno.
Goal Gradient:
quer 100%.
Metric fixation:
celebra 90%.
McNamara:
ignora severity se dashboard não pesa.
🧠 Weighted metrics?
Better.
But:
weight is model.
Still:
human judgment.
☕ Melhor modelo
não significa:
realidade completa.
Só:
modelo menos ruim.
🧠 McNamara e Customer Experience
NPS:
Customer happy?
Maybe.
Who responded?
What context?
Selection bias.
Silent churn?
Metric helps.
Not whole truth.
🧠 Complaints
Zero complaints.
Could mean:
excellent.
Or:
complaint process impossible.
Again.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 16
“Quem está ausente deste número?”
Maravilhosa para:
surveys.
🧠 McNamara e analytics
Page views:
high.
Impact:
?
Someone reads:
40 minutes.
One session.
No click.
Maybe article:
important.
Another:
clickbait.
20k views.
Metric:
winner.
Outcome:
different.
☕ Atenção não é valor
Mas é:
mais fácil contar.
🧠 Academia também enfrenta esse dilema
Citações.
Número de publicações.
Journal ranking.
Tudo:
útil.
Mas:
qualidade,
impacto social,
ensino,
mentoria,
replicabilidade
são mais difíceis de reduzir.
McNamara Fallacy generaliza:
muito além de guerra.
🧠 Medicina
A literatura médica também emprega o termo para criticar avaliações que dependem excessivamente de endpoints quantitativos facilmente mensuráveis quando eles não capturam integralmente resultados clínicos relevantes ou qualidades importantes dos profissionais.
Isso demonstra:
o padrão.
O domínio muda.
Erro lógico:
continua.
☕ Quando algo é difícil de medir
o risco é escolher:
o que é fácil
e esquecer:
por que começamos.
🧠 Bellacosa Measurement Pyramid
Podemos pensar:
PURPOSE
▲
OUTCOME
▲
EVIDENCE
▲
METRICS
▲
DATA
Data:
embaixo.
Purpose:
em cima.
McNamara Fallacy acontece quando:
pirâmide vira:
DATA
↓
METRIC
↓
TRUTH
E o resto:
some.
🧠 O número precisa subir
Não governar.
☕ SELECT COUNT(*)
é ferramenta.
Não filosofia de vida.
🧠 Como combater a McNamara Fallacy — passo a passo
Passo 1 — Comece pelo objetivo
Não pela disponibilidade dos dados.
Pergunte:
“O que realmente queremos saber?”
Passo 2 — Liste o que é fácil medir
CPU.
Errors.
Tickets.
Latency.
Good.
Passo 3 — Liste o que importa mas é difícil medir
Knowledge.
Trust.
Maintainability.
Fatigue.
Workarounds.
Passo 4 — Não invente precisão
Talvez use:
assessment qualitativo.
Passo 5 — Triangule
Métrica.
Outcome.
Expert judgment.
Passo 6 — Use counter-metrics
Speed:
com quality.
Cost:
com reliability.
Passo 7 — Procure hidden work
Quem mantém:
o KPI verde?
Passo 8 — Pergunte por unknowns
Não esconda:
incerteza.
Passo 9 — Red Team do indicador
Como pode:
enganar?
Passo 10 — Deixe realidade ter veto
Cliente quebrado:
vence dashboard.
📋 Checklist Bellacosa anti-McNamara
[ ] O que estamos tentando entender?
[ ] O que conseguimos medir facilmente?
[ ] O que é importante mas difícil de medir?
[ ] Estamos ignorando algo por falta de KPI?
[ ] Criamos um score artificial para preencher o vazio?
[ ] Há falsa precisão?
[ ] Existem unknowns?
[ ] Há trabalho humano invisível?
[ ] O KPI pode melhorar com realidade pior?
[ ] Estamos contando atividade ou outcome?
[ ] Frequência está escondendo severidade?
[ ] Média está escondendo cauda?
[ ] Especialistas estão levantando sinais qualitativos?
[ ] O dashboard contradiz usuários?
[ ] Sabemos quem está ausente da amostra?
[ ] O indicador ainda serve ao objetivo?
🧠 Bellacosa Reality Map
Antes de decisão crítica:
REAL GOAL:
_____________________________
WHAT WE MEASURE:
_____________________________
WHAT WE CANNOT MEASURE WELL:
_____________________________
WHAT EXPERTS ARE SEEING:
_____________________________
WHAT CUSTOMERS ARE SEEING:
_____________________________
KNOWN UNKNOWNS:
_____________________________
HIDDEN WORK:
_____________________________
DECISION:
_____________________________
Muito simples.
Mas:
muda a conversa.
🧠 A coluna UNKNOWN
Talvez todo dashboard crítico devesse permitir:
UNKNOWN
Sem vergonha.
Porque:
fingir certeza
não cria:
certeza.
☕ UNKNOWN
é muito mais profissional
que:
92.73%
inventado.
🧠 McNamara e Red Team
Antes de adotar KPI:
pergunte:
“Como poderíamos parecer excelentes nesse indicador enquanto destruímos exatamente aquilo que ele deveria proteger?”
Exemplo:
MTTR:
restart tudo.
Uptime:
disable monitoring.
Cost:
cut redundancy.
Training:
play videos.
Tickets:
premature close.
Security findings:
stop looking.
Essa pergunta:
destrói muitos KPIs ruins em:
dez minutos.
🧠 McNamara e Data Literacy
Ser data-driven não é:
acreditar em número.
É saber:
questionar número.
Numerator?
Denominator?
Selection?
Bias?
Missingness?
Definition?
☕ “Mostre o SQL.”
Uma bela forma de:
epistemologia corporativa.
🧠 Context is the copybook
Um número:
000000423
Sem copybook:
o que significa?
Valor?
Quantidade?
Data?
Packed decimal?
Mesma coisa:
KPI sem contexto.
💻 COBOL Metric Copybook
01 KPI-CONTEXT.
05 KPI-NAME PIC X(30).
05 KPI-PURPOSE PIC X(80).
05 KPI-NUMERATOR PIC X(80).
05 KPI-DENOMINATOR PIC X(80).
05 KPI-SCOPE PIC X(80).
05 KPI-EXCLUSIONS PIC X(80).
05 KPI-LIMITATIONS PIC X(80).
05 KPI-CONFIDENCE PIC X(10).
Comentário:
* DO NOT PROCESS
* KPI WITHOUT COPYBOOK.
Perfeito.
👻 Easter Egg nº 3 — Management ABEND
IEF450I DASHBOARD ABEND S0KPI
Reason:
EXCESSIVE TRUST IN NUMERIC PROXY
Recommended action:
CHECK REALITY
CONSULT OPERATIONS
VALIDATE OUTCOME
DRINK COFFEE
🧠 Goal Gradient aparece novamente
Estamos:
97%.
McNamara Fallacy:
97 = quase pronto.
Mas:
remaining tasks:
rollback;
restore;
reconciliation.
Quantidade:
3%.
Risk:
talvez 80%.
☕ Pergunte:
não:
“quanto falta?”
Mas:
“o que falta e quanto risco mora lá dentro?”
🧠 McNamara e Ratchet
Performance:
Next target:
Why?
Metric.
Ratchet.
But maybe:
100 involved:
overtime.
Hidden.
Not measured.
Target:
rises.
People:
burn.
McNamara ignored:
qualitative sustainability.
🧠 Sustainable capacity
Harder than:
output.
Still:
important.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 17
“Que custo invisível tornou este número possível?”
Uma das melhores.
🧠 McNamara e Cobra Effect
Problem:
bugs.
Pay:
per bug fixed.
Bugs:
increase.
Dashboard:
fixes up.
Management:
success.
Because measured:
fixes.
Not:
quality.
Cobra + McNamara.
🧠 Principal-Agent
Principal:
wants outcome.
Agent:
measured proxy.
Proxy:
wins.
☕ Se contrato mede cobra morta
ninguém deveria se surpreender:
com criação de cobra.
🧠 McNamara e Zero-Risk Bias
Risk score:
1%.
We eliminate.
Other risk:
40%
hard to measure.
We focus:
1%.
Because:
number exists.
That is:
McNamara + Zero-Risk.
🧠 Easy measurable risk attracts governance
Hard ambiguous risk:
ignored.
Danger.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 18
“Estamos priorizando este risco porque ele é maior ou porque ele é mais fácil de colocar numa planilha?”
Excelente.
🧠 McNamara e Need for Control
Ambiguity:
uncomfortable.
So:
more metrics.
More dashboards.
More scores.
More controls.
Eventually:
measurement theater.
We feel:
control.
System:
same.
☕ Dashboard wall
não é:
force field.
Infelizmente.
🧠 McNamara e Framing
“99% success.”
Sounds:
great.
“10.000 failures.”
Sounds:
bad.
Both:
same.
Context.
Metric alone:
frame.
🧠 Always show numerator + denominator
Better.
🧠 McNamara e Narrative Bias
Numbers create:
story.
Revenue ↑.
Incidents ↓.
Therefore:
strategy works.
Maybe.
Need:
causal evidence.
☕ Correlação vestida de terno
continua:
correlação.
🧠 McNamara e Outcome Bias
KPI good.
Project success.
Therefore:
method good.
Maybe luck.
Need:
process review.
🧠 Decisions need journals
What knew?
What assumptions?
Then:
learn.
🧠 McNamara e Actor-Observer
Our bad score:
context.
Their bad score:
competence.
Again:
numbers don't eliminate:
bias.
They can:
decorate it.
☕ KPI pode virar:
preconceito com conditional formatting.
Cuidado.
🧠 McNamara e Fundamental Attribution Error
Team has:
more incidents.
Leadership:
bad team.
Maybe:
harder system.
More volume.
Old tech.
Less staffing.
Context.
Raw count:
misleads.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 19
“Qual contexto precisaria estar no denominador para essa comparação ser justa?”
🧠 McNamara e Dunning-Kruger
Simple score:
creates:
simple certainty.
The less you understand:
domain,
more attractive:
score.
Expert knows:
caveats.
Novice sees:
Says:
“Team B is 12% better.”
Expert:
headache.
☕ A complexidade começa
onde o ranking termina.
🧠 McNamara e mainframe performance
CPU:
down 20%.
Great.
But:
I/O up 300%.
Elapsed:
same.
You optimized:
number.
Not:
system.
Local Optimization.
🧠 Performance tuning needs system view
CPU.
I/O.
Elapsed.
Throughput.
Business.
☕ Tornar um número menor
não é automaticamente:
tunagem.
Pode ser:
mudança de endereço do problema.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 20
“Onde foi parar o custo que aparentemente desapareceu?”
Excelente.
🧠 McNamara e observability
Collect everything?
Also trap.
You can have:
a million metrics
and still not understand:
system.
More measurement:
does not automatically fix:
McNamara Fallacy.
Because you may still:
measure the easy million
and miss:
the hard one.
☕ Um milhão de sensores
não medindo a coisa certa
é:
um milhão de sensores errados.
🧠 More metrics ≠ more truth
Need:
questions.
Not:
telemetry hoarding.
🧠 Observability starts with unknown questions
Can system help:
investigate things
we didn't anticipate?
That's richer than:
fixed KPIs.
🧠 McNamara e unknown unknowns
A mature system accepts:
some things:
we don't know we don't know.
Design:
resilience.
Don't pretend:
score covers universe.
☕ A humildade precisa:
de coluna.
🧠 Bellacosa Four-Stage Alarm
Toda vez que ouvir:
Etapa 1
“Não medimos.”
Normal.
Etapa 2
“Então não temos evidência quantitativa.”
Ainda normal.
Etapa 3
“Então provavelmente não importa.”
⚠️
Etapa 4
“Então isso não existe.”
🚨
McNamara.
🧠 Uma frase muito útil
“Ausência de métrica não é métrica de ausência.”
Essa merece:
quadro.
☕ Repito:
ausência de métrica não é métrica de ausência.
🧠 Como um programador COBOL iniciante usa isso amanhã?
Você recebe:
ticket:
“Batch slow.”
Dashboard:
elapsed +20%.
Não conclua:
“programa piorou.”
Pergunte:
volume?
Input?
CPU?
I/O?
Db2?
Locks?
Storage?
Network?
Downstream?
Calendar?
🧠 Número é começo da investigação
Não:
fim.
💻 Exemplo
ELAPSED:
+20%
VOLUME:
+45%
Talvez performance por record:
melhorou.
Sem contexto:
conclusão invertida.
☕ Denominador salva carreiras
Às vezes.
🧠 Outra situação
Defects:
+50%.
Bad?
Maybe testing improved.
More detection.
Quality:
maybe better long-term.
Campbell lesson.
McNamara:
count alone doesn't know.
🧠 Reporting culture
More incidents:
could mean:
less safety.
Or:
more transparency.
Need:
context.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 21
“Uma piora nessa métrica poderia ser sinal de uma organização melhor?”
Se sim:
interprete.
🧠 Bellacosa Anti-McNamara Ritual
Antes da reunião executiva:
cada KPI precisa de:
WHAT IT SAYS
WHAT IT DOES NOT SAY
WHAT MAY BE HIDDEN
WHAT REALITY SAYS
Quatro linhas.
Talvez:
mais úteis que:
20 gráficos.
🧠 Example
KPI:
Incidents ↓ 40%
SAYS:
Fewer recorded incidents.
DOES NOT SAY:
Total customer harm.
MAY HIDE:
Under-reporting.
REALITY CHECK:
Complaints also ↓ 35%.
Agora:
mais confiança.
☕ Um bom dashboard também explica:
seus limites.
🧠 Bellacosa Reality Triangulation
METRIC
↘
REALITY
↗
HUMAN OBSERVATION
Se três:
convergem,
great.
Se não:
War Room.
👻 Easter Egg nº 4 — TARDIS coordinates
Painel:
LOCATION:
GALLIFREY
Doctor abre porta.
Praia.
Companion:
— Painel diz Gallifrey.
Doctor:
— Praia diz praia.
— Qual vence?
Doctor:
— Vamos dar ao universo direito de resposta.
Boa metodologia.
🧠 McNamara Fallacy e liderança
Um líder maduro pergunta:
não apenas:
“Qual o número?”
Mas:
“O que esse número representa?”
“O que não representa?”
“Quem pode estar invisível?”
“Qual evidência contradiz?”
Isso é:
data literacy.
☕ Dashboard não reduz:
necessidade de pensar.
Ele deveria:
melhorar pensamento.
🧠 McNamara e confiança organizacional
Se leadership aceita apenas:
quantitative proof,
times aprendem:
traduzir tudo:
em score.
Até coisas:
que não deveriam.
Agora:
pseudo-precision.
🧠 Arbitrary scores
Knowledge risk:
Why 83?
Nobody.
But:
green/amber/red.
Looks:
professional.
☕ Às vezes:
“alto risco”
é mais honesto que:
“82.43”.
🧠 Ordinal versus cardinal
Low/medium/high may:
fit evidence.
Don't invent:
false ratio.
🧠 McNamara e uncertainty
Use:
range.
Confidence.
Unknown.
Not:
fake precision.
🎯 Pergunta Bellacosa nº 22
“Estamos quantificando porque sabemos ou porque temos vergonha de dizer que não sabemos?”
Brutal.
🧠 Scientific humility
Not knowing:
information.
It tells:
where investigate.
☕ UNKNOWN
não é ABEND.
É:
status.
🧠 McNamara Fallacy em uma linha COBOL
IF NOT-MEASURED
MOVE 'NOT-IMPORTANT'
TO BUSINESS-VALUE
END-IF.
Bug.
Grande.
💻 Correção
IF NOT-MEASURED
MOVE 'UNKNOWN'
TO MEASUREMENT-STATUS
PERFORM INVESTIGATE-IMPORTANCE
END-IF.
Muito melhor.
🧠 Bellacosa Wisdom Copybook
* EASY TO MEASURE
* IS NOT THE SAME
* AS IMPORTANT.
* HARD TO MEASURE
* IS NOT THE SAME
* AS IRRELEVANT.
* NOT MEASURED
* IS NOT THE SAME
* AS NONEXISTENT.
Este é:
o artigo inteiro.
📓 Diário do Doctor
Se guardar algumas ideias desta viagem, guarde estas:
McNamara Fallacy é o erro de depender excessivamente de indicadores quantitativos e ignorar fatores relevantes por serem difíceis de medir.
A expressão é associada a Daniel Yankelovich e recebeu o nome de Robert McNamara, cujo estilo quantitativo de gestão ficou historicamente ligado à condução da Guerra do Vietnã.
A associação mais conhecida envolve o uso de medidas como body counts para inferir progresso num conflito cuja realidade política, social e estratégica era muito mais complexa.
O problema não começa ao medir coisas fáceis; começa quando ignoramos aquilo que não é fácil de medir.
Goal Substitution transforma proxy em objetivo.
Metric Fixation dá autoridade excessiva ao proxy.
McNamara Fallacy pode levar à conclusão de que aquilo que não é quantificado não merece atenção.
Goodhart mostra como a métrica muda ao virar meta.
Campbell mostra como grandes consequências ligadas à métrica aumentam distorções.
Cobra Effect mostra como o incentivo pode fazer o problema ganhar valor.
Goal Gradient faz correr mais quando a meta aproxima.
Ratchet transforma bons resultados em novas obrigações.
CC=0000 não significa integridade de negócio.
Backup success não significa recoverability.
Training completion não significa competência.
Headcount não significa capability.
Uptime não significa que o cliente conseguiu fazer aquilo que queria.
Número de controles não significa proteção.
Número de tickets fechados não significa problemas resolvidos.
Aquilo que não conseguimos medir pode continuar sendo absolutamente real.
E principalmente:
ausência de métrica nunca deve ser confundida com métrica de ausência.
🥚 Easter Egg final
Na manhã seguinte nosso jovem encontra:
BELLACOSA.BIAS(MCNAMARA)
Dentro:
IF EASY-TO-MEASURE = 'Y'
PERFORM MEASURE
END-IF.
IF HARD-TO-MEASURE = 'Y'
PERFORM DO-NOT-IGNORE
END-IF.
IF DASHBOARD = 'GREEN'
AND REALITY = 'BROKEN'
MOVE 'REALITY'
TO SOURCE-OF-TRUTH
END-IF.
IF MEASUREMENT-STATUS = 'UNKNOWN'
PERFORM INVESTIGATE
END-IF.
Comentários:
* WHAT IS EASY
* TO COUNT
* IS NOT NECESSARILY
* WHAT COUNTS MOST.
Outro:
* UNKNOWN
* DOES NOT MEAN
* ZERO.
Outro:
* NOT IN DASHBOARD
* DOES NOT MEAN
* NOT IN REALITY.
Outro:
* A SENSOR
* IS NOT THE UNIVERSE.
E naturalmente:
* TARDIS PANEL:
* GALLIFREY.
*
* DOOR:
* DINOSAURS.
*
* TRUST:
* THE DINOSAURS.
Nosso jovem fecha o membro.
🕰️ De volta às 08:27
Diretor:
— Então precisamos parar de usar métricas?
Nosso jovem:
— Pelo contrário.
— Como assim?
— Precisamos usar métricas melhores.
— E medir mais coisas?
— Talvez.
— Então qual é a diferença?
Ele pensa.
— Antes de medir mais...
Pausa.
— precisamos lembrar que algumas coisas importantes continuarão sendo difíceis de medir.
— E fazemos o quê com elas?
— Não fingimos que desapareceram.
Doctor sorri.
🔧 O dashboard muda
Antes:
SERVICE HEALTH:
97.8
Depois:
SERVICE HEALTH
CUSTOMER OUTCOME .... GREEN
TECHNICAL HEALTH .... GREEN
DATA INTEGRITY ...... GREEN
MANUAL TOIL ......... AMBER
KNOWLEDGE RISK ...... RED
KNOWN UNKNOWNS:
- failover under peak load
- two-person restart dependency
EXPERT CONCERNS:
- settlement timing drift
Ficou:
menos elegante.
Mais difícil:
de colocar numa linha.
Muito mais:
honesto.
☕ O executivo olha
— Isso não cabe num score único.
Nosso jovem responde:
— Talvez o sistema também não caiba.
Boa.
🧬 Regeneração organizacional
Uma organização madura não abandona números.
Ela:
mede.
Compara.
Analisa.
Automatiza.
Cria dashboards.
Mas também:
questiona definições;
investiga unknowns;
escuta especialistas;
observa clientes;
procura trabalho invisível;
revê incentivos;
e permite que:
contexto
sobreviva à planilha.
Ela entende:
quantificação é uma ferramenta para enxergar a realidade, não uma autorização para eliminar da realidade aquilo que não conseguimos quantificar.
🥚 Último comentário do Doctor
Antes de entrar na TARDIS:
* IF REALITY
* DOES NOT FIT
* YOUR DASHBOARD,
*
* FIX THE DASHBOARD.
*
* DO NOT FIX
* REALITY.
VWORP.
VWORP.
VWORP.
A TARDIS desaparece.
Na War Room sobra apenas:
“Meça tudo que puder. Respeite aquilo que ainda não consegue medir. E jamais permita que a facilidade de contar alguma coisa decida sozinha quanto essa coisa importa.”
E talvez essa seja toda a essência da McNamara Fallacy.
☕🌀
Next stop: Streetlight Effect — o dia em que perdemos a chave no estacionamento escuro, mas continuamos procurando debaixo do poste porque era o único lugar onde havia luz. Em mainframe: investigar somente os logs, dashboards e componentes onde é fácil procurar, mesmo quando todas as evidências dizem que a causa pode estar justamente fora do nosso campo iluminado.