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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Metaverso: A Próxima Revolução da Computação?

 

Bellacosa Mainframe e o metaverso o novo hype?

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Metaverso: A Próxima Revolução da Computação?

Um Guia para o Programador COBOL Padawan — Escrito em 2021, Quando o Futuro Ainda Está Sendo Programado

"Este artigo foi escrito sob a perspectiva de 2022. Ainda não conhecemos o futuro do Metaverso. Não sabemos se ele se tornará a próxima Internet ou apenas mais uma etapa na evolução da computação. O objetivo é registrar o momento histórico, as expectativas e os desafios vividos nesta época."


"Padawan... você consegue imaginar um terminal 3270 em três dimensões?"

Essa pergunta parece absurda.

Você provavelmente olha para sua tela verde, abre o ISPF, executa um programa COBOL, consulta uma tabela Db2 e pensa:

"Por que eu precisaria de um mundo virtual para fazer isso?"

É uma excelente pergunta.

Mas curiosamente...

Quando surgiu a Internet, muita gente fez exatamente a mesma pergunta.

Quando apareceu o smartphone, também.

Quando surgiu o Cloud Computing...

Novamente.

A história da computação é repleta de tecnologias inicialmente desacreditadas.

Algumas fracassaram completamente.

Outras mudaram o planeta.

Hoje, em 2021, existe uma palavra ocupando praticamente todas as conferências de tecnologia.

Metaverso.

Será ele a próxima revolução?

Ou apenas mais um buzzword?

Ainda não sabemos.

E justamente por isso vale a pena estudar sua origem.


Afinal... o que é o Metaverso?

A definição mais simples seria:

Um ambiente virtual persistente onde pessoas, empresas e sistemas podem interagir utilizando representações digitais chamadas avatares.

Mas essa definição é simplista.

Na prática, o Metaverso tenta unir diversas tecnologias:

  • Internet

  • Computação gráfica

  • Realidade Virtual (VR)

  • Realidade Aumentada (AR)

  • Inteligência Artificial

  • Blockchain

  • Computação em Nuvem

  • Redes de alta velocidade (5G)

  • Sensores

  • Interfaces naturais

É menos uma tecnologia única e mais uma convergência tecnológica.


O Metaverso nasceu muito antes do Facebook

Muita gente acredita que Zuckerberg inventou o conceito.

Na realidade...

Ele apenas popularizou o nome.

A verdadeira origem está na literatura.


1992 — Snow Crash

O escritor Neal Stephenson publicou o romance de ficção científica Snow Crash.

Ali apareceu pela primeira vez o termo:

Metaverse.

No livro, milhões de pessoas acessavam um universo virtual compartilhado.

Cada usuário possuía um avatar.

Existiam ruas.

Prédios.

Empresas.

Publicidade.

Economia.

Tudo muito parecido com uma Internet tridimensional.

Hoje, olhando em 2022, impressiona perceber quantas ideias daquele livro parecem tecnologicamente possíveis.


Ainda Antes...

Mesmo antes do nome Metaverso existir, várias experiências já caminhavam nessa direção.

Na década de 1980 surgiram ambientes gráficos multiusuário.

Na década de 1990 apareceram mundos persistentes online.

Os primeiros MMOs começaram a demonstrar algo interessante:

As pessoas gostam de viver experiências compartilhadas em mundos digitais.


Os Games Sempre Chegaram Primeiro

Existe uma curiosidade fascinante.

Quase toda grande inovação de interface chega primeiro aos videogames.

Foi assim com:

  • mouse

  • placas aceleradoras

  • áudio 3D

  • captura de movimentos

  • realidade virtual

O Metaverso também segue esse caminho.


Ultima Online

Em 1997...

Milhares de jogadores conviviam dentro do mesmo mundo.

Economia própria.

Comércio.

Guildas.

Casamentos.

Política.

Era um pequeno Metaverso.


EverQuest

Depois veio EverQuest.

O conceito evoluiu.

Os mundos tornaram-se maiores.

Mais persistentes.

Mais sociais.


World of Warcraft

Talvez nenhum jogo tenha demonstrado tão claramente o potencial de um universo virtual.

Milhões de jogadores.

Economia.

Mercado.

Profissões.

Eventos.

Organizações complexas.

Na prática...

Muitos jovens aprenderam liderança dentro de guildas.


Second Life

Em 2003 surgiu um caso extremamente curioso.

Second Life.

Ao contrário dos jogos tradicionais...

Não existia exatamente um objetivo.

As pessoas apenas viviam.

Compravam terrenos.

Construíam casas.

Realizavam reuniões.

Criavam empresas.

Faziam palestras.

Até universidades passaram a experimentar esse ambiente.

Será que o Second Life estava apenas vinte anos adiantado?

Ainda não sabemos.


Os Avatares

No Metaverso...

Você praticamente nunca aparece como realmente é.

Você cria um representante digital.

Seu Avatar.

A palavra vem do sânscrito.

Originalmente significava:

Manifestação.

Encarnação.

Representação.

Hoje passou a significar nossa identidade digital.

Talvez, no futuro, um profissional possua diferentes avatares.

Um corporativo.

Outro social.

Outro para entretenimento.


A Busca Pela Imersão

Durante décadas a indústria tenta responder uma pergunta.

Como fazer alguém esquecer que está olhando para uma tela?

Essa busca criou diversos equipamentos.


Data Glove

Na década de 1980 surgiram luvas capazes de detectar movimentos dos dedos.

Pareciam ficção científica.

Mas funcionavam.


Bellacosa Mainframe e a lendaria luva power glove

Nintendo Power Glove

Aqui existe um dos maiores ícones da cultura pop.

Em 1989 surgiu a famosa Power Glove.

Ela prometia controlar jogos apenas com movimentos das mãos.

Era revolucionária.

Na teoria.

Na prática...

A tecnologia ainda não era suficientemente precisa.

Mesmo assim, marcou gerações.

Curiosamente...

A ideia nunca morreu.

Hoje vários controladores modernos utilizam exatamente esse conceito.


Bellacosa Mainframe e as mascaras de realidade virtual

Óculos de Realidade Virtual

Outra tentativa histórica.

Desde os anos 1990 surgiram inúmeros headsets.

Mas havia limitações:

  • peso

  • resolução

  • atraso na imagem

  • desconforto

  • custo

Agora, em 2022, a tecnologia parece finalmente atingir maturidade suficiente para uso comercial.


A Grande Mudança de 2021

Quando Mark Zuckerberg anunciou a mudança de Facebook para Meta...

O mercado inteiro parou.

Não era apenas uma troca de nome.

Era uma declaração estratégica.

A empresa estava dizendo:

"O próximo capítulo da Internet será tridimensional."

Isso desencadeou investimentos bilionários.


O Interesse das Empresas

Grandes organizações começaram a imaginar aplicações.

Treinamentos.

Universidades.

Museus.

Arquitetura.

Medicina.

Eventos.

Comércio.

Turismo.

Atendimento ao cliente.

Até bancos estudam possibilidades.


E o Mainframe?

Você pode estar pensando.

"O que isso muda para quem programa COBOL?"

Mais do que parece.

Imagine um operador de datacenter utilizando realidade aumentada para localizar rapidamente equipamentos.

Imagine treinamentos de recuperação de desastre em ambientes virtuais.

Imagine novos funcionários caminhando virtualmente por um IBM Z antes mesmo de entrar em um CPD.

Imagine documentação interativa.

Imagine um Sysprog visualizando relações entre LPARs como um mapa tridimensional.

Ainda parece ficção.

Mas várias pesquisas caminham exatamente nessa direção.


O Valor Real

Toda tecnologia precisa responder uma pergunta.

Quanto valor ela entrega?

O Metaverso promete reduzir custos em:

  • treinamento

  • engenharia

  • manutenção

  • colaboração internacional

Se cumprir essa promessa...

Poderá transformar diversas áreas.


Os Grandes Desafios

Nem tudo são flores.

Existem obstáculos importantes.

Hardware

Headsets ainda são caros.


Ergonomia

Usar um equipamento durante horas pode causar fadiga.


Redes

Experiências imersivas exigem baixa latência.


Segurança

Como proteger identidades digitais?

Como impedir fraudes?

Como autenticar usuários?


Privacidade

Sensores capturam:

  • movimentos

  • direção dos olhos

  • voz

  • expressões faciais

Quem controlará esses dados?


Padronização

Hoje cada empresa constrói seu próprio ambiente.

Será possível existir um Metaverso aberto?

Ou teremos vários "metaversos" incompatíveis entre si?


Blockchain Será Necessário?

Muitos acreditam que NFTs permitirão possuir objetos digitais.

Outros discordam.

Ainda é cedo para saber.

Em 2022 não existe consenso.


Curiosidades

Pouca gente sabe que:

  • O termo Avatar possui milhares de anos.

  • O conceito de Metaverso nasceu em um romance.

  • O Power Glove virou item cult.

  • O Second Life já permitia comprar imóveis virtuais muito antes da atual onda.

  • Muitos conceitos vistos hoje já apareciam em filmes como Tron (1982), The Lawnmower Man (1992), The Matrix (1999) e Ready Player One (2018).

A ficção científica frequentemente serve como laboratório de ideias para a engenharia.


Easter Egg Bellacosa Mainframe

Imagine um operador de 1985 ouvindo a seguinte frase:

"Daqui a algumas décadas você poderá entrar virtualmente dentro do datacenter, caminhar ao redor de um IBM Z, visualizar o uso de CPU em tempo real como hologramas e conversar com especialistas de outros países sem sair da sala."

Talvez ele respondesse:

"Primeiro me diga se o JES2 terminou o processamento da folha de pagamento."

E, honestamente...

Ele teria razão.

Porque toda inovação precisa conviver com aquilo que já funciona.


O Futuro Ainda Está Aberto

Em 2022 ninguém possui respostas definitivas.

Talvez o Metaverso se torne a maior evolução da Internet desde a Web.

Talvez encontre nichos específicos, como treinamento, engenharia, medicina e entretenimento.

Talvez leve muitos anos até amadurecer.

Talvez novas tecnologias mudem completamente essa visão.

O que sabemos é que a computação sempre evolui em ciclos. Algumas ideias chegam cedo demais, outras precisam esperar que hardware, redes e software alcancem o mesmo nível de maturidade. O Metaverso pode estar exatamente nesse ponto de inflexão.

Para o programador COBOL padawan, a lição mais importante não é apostar cegamente nem rejeitar por preconceito. É observar, estudar, experimentar e compreender como cada nova tecnologia pode complementar o ecossistema corporativo.

Afinal, quem imaginaria, há sessenta anos, que programas COBOL escritos para grandes computadores continuariam processando trilhões de dólares enquanto convivem com APIs REST, containers, nuvem, inteligência artificial e aplicações móveis?

Se existe uma lição que o IBM Z ensina todos os dias, é esta:

A inovação não acontece substituindo tudo de uma vez. Ela acontece integrando o novo com aquilo que já provou seu valor.

Talvez, daqui a dez anos, olhemos para 2022 como o verdadeiro início de uma nova era da computação. Ou talvez como apenas mais um capítulo da longa história da evolução digital.

Hoje, ainda não sabemos.

E é justamente isso que torna este momento tão fascinante.