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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Yoichi Ochiai (落合陽一) : O Homem que Tentou Compilar o Mundo Físico em Código

 

Bellacosa Mainframe homenagem a Yoichi Ochiai


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Yoichi Ochiai (落合陽一)

O Homem que Tentou Compilar o Mundo Físico em Código

"Quando um Engenheiro Descobre que Hardware, Software e Natureza Talvez Sejam Apenas Diferentes Versões do Mesmo Programa..."


Quem é Yoichi Ochiai?

Imagine alguém que mistura...

  • Alan Turing

  • Hayao Miyazaki

  • Steve Jobs

  • Nikola Tesla

  • um pesquisador da IBM Research

  • um artista digital

...e coloca tudo isso dentro da mesma pessoa.

Esse é Yoichi Ochiai.

Nascido em 1987, em Tóquio, pertence a uma geração que nunca viu separação entre computadores e mundo físico.

Enquanto muitos pesquisadores perguntavam:

"Como fazer computadores melhores?"

Ochiai perguntava:

"E se o computador deixar de ser um objeto e virar parte da natureza?"

Essa pergunta define praticamente toda sua carreira. (Yoichi Ochiai)


Formação

Graduou-se e concluiu doutorado extremamente cedo.

Especializou-se em:

  • Computação

  • Óptica Computacional

  • Inteligência Artificial

  • Realidade Aumentada

  • Levitação acústica

  • Interfaces Homem-Máquina

Hoje atua como professor na Universidade de Tsukuba e também mantém atividades de pesquisa e empreendedorismo. (Yoichi Ochiai)


O conceito que mudou sua carreira

Digital Nature

Segundo Ochiai,

não existe mais uma divisão clara entre

  • mundo digital

e

  • mundo físico.

No futuro:

uma árvore poderá conter sensores.

Uma pedra poderá responder.

Uma janela poderá ser uma tela.

Uma parede poderá conversar.

O computador desaparece.

A computação permanece.

É quase como imaginar um sistema operacional rodando no planeta inteiro.


O que ele pesquisa?

Entre dezenas de áreas:

  • IA

  • computação espacial

  • holografia

  • realidade aumentada

  • realidade mista

  • interfaces naturais

  • levitação por ultrassom

  • computação óptica

  • arte generativa

  • robótica

  • acessibilidade

Sua carreira é multidisciplinar por definição. (Ochiai Laboratory)


Trabalhos mais conhecidos

Embora não produza mangás, seus projetos chamam tanta atenção quanto uma grande obra de ficção científica.

Fairy Lights in Femtoseconds

Usa lasers ultrarrápidos para criar pontos luminosos no ar.

Literalmente.

Luz flutuando.

Parecia magia.

Mas era física.


Levitação Acústica

Talvez seu trabalho científico mais famoso.

Utiliza ondas ultrassônicas para suspender pequenos objetos.

Sem fios.

Sem ímãs.

Sem contato físico.

É um dos trabalhos que ajudaram a popularizar pesquisas sobre manipulação acústica. (arXiv)


Expo Osaka 2025

Foi um dos produtores temáticos da Expo 2025.

Criou instalações imersivas que misturam:

  • arquitetura

  • IA

  • computação

  • arte

  • filosofia oriental

Tudo baseado na ideia de Digital Nature. (Yoichi Ochiai)


Livros

Entre seus livros mais conhecidos:

  • Digital Nature

  • Magic Century

  • Survival Strategy in the AI Era

  • Future Changed by Generative AI

  • The World Atlas of 2030

Misturam filosofia, tecnologia e futuro da sociedade. (Yoichi Ochiai)


Prêmios

A lista impressiona.

Entre eles:

🏆 World Technology Award

🏆 Prix Ars Electronica

🏆 STARTS Prize

🏆 SXSW Creative Experience Awards

🏆 MIT Technology Review Innovators Under 35 Japan

🏆 Apollo 40 Under 40 Art & Tech

Pouquíssimos pesquisadores transitam com destaque entre ciência e arte dessa maneira. (Yoichi Ochiai)


Personagens?

Como não é mangaká,

ele não possui personagens clássicos.

Mas, metaforicamente, seus "personagens" são:

  • partículas de luz

  • ondas sonoras

  • algoritmos

  • IA

  • robôs

  • hologramas

  • pessoas interagindo com tecnologia

Ou seja...

o protagonista é o próprio futuro.


Polêmicas

Ochiai costuma gerar debates por defender uma integração profunda entre IA e sociedade.

Entre as discussões:

  • excesso de automação;

  • impacto da IA sobre empregos;

  • questões filosóficas sobre o que é "natural";

  • visão otimista em contraste com críticos da tecnologia.

São debates intelectuais, e não grandes escândalos pessoais conhecidos. (Yoichi Ochiai)


Curiosidades

Ele concluiu o doutorado muito rapidamente.

Foi considerado um dos jovens pesquisadores mais brilhantes do Japão.


Trabalha entre arte e engenharia.

Para ele:

não existe diferença.


É empresário.

Além da carreira acadêmica, atua no desenvolvimento de tecnologias aplicadas por meio da Pixie Dust Technologies. 


Participa de políticas públicas

Já integrou conselhos ligados à inovação, cultura digital e tecnologia no Japão, influenciando discussões sobre o futuro da sociedade conectada. (Yoichi Ochiai)


Easter Eggs Bellacosa Mainframe

Easter Egg 1

Digital Nature lembra muito o conceito do z/OS:

O sistema operacional praticamente desaparece...

...mas está coordenando tudo.


Easter Egg 2

Para um programador COBOL,

um programa conversa com:

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • VSAM

Para Ochiai,

o programa conversa com:

  • árvores

  • luz

  • vidro

  • pessoas

  • cidades


Easter Egg 3

Se IBM criasse um laboratório dentro de um anime cyberpunk,

provavelmente pareceria um laboratório do Yoichi Ochiai.


O legado

Embora não desenhe mangás,

Yoichi Ochiai desenha algo talvez ainda maior:

uma visão de futuro.

Ele pertence à rara categoria de pessoas capazes de reunir:

  • arte;

  • ciência;

  • engenharia;

  • filosofia;

  • inteligência artificial;

  • design;

  • computação.

Seu trabalho inspira pesquisadores, artistas e engenheiros a imaginar um mundo onde a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a integrar o ambiente de forma quase invisível — uma espécie de "sistema operacional" da realidade.


 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

20 Anos Depois da Bolha da Internet : O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital

 

Bellacosa Mainframe e o impacto da bolha da internet 25 anos apos os eventos

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

25 Anos Depois da Bolha da Internet

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital

"Nem toda inovação sobrevive. Mas toda inovação deixa código, cicatrizes e conhecimento."


Introdução — A História se Repete... Apenas Troca de Interface

Imagine um jovem programador COBOL entrando pela primeira vez no CPD em 1999.

Enquanto ele aprendia JCL, CICS e Db2, do outro lado do mundo acontecia algo considerado "o futuro absoluto".

Internet.

Sites.

Portais.

E-commerce.

Empresas que nunca haviam vendido absolutamente nada estavam sendo avaliadas em bilhões de dólares.

Bastava colocar ".com" no nome da empresa.

O dinheiro aparecia.

Investidores compravam ações sem perguntar uma única coisa:

"Como essa empresa ganha dinheiro?"

Foi provavelmente o maior delírio coletivo já visto na história da tecnologia moderna.

E, como quase toda bolha financeira...

Ela estourou.

Milhões perderam dinheiro.

Empresas desapareceram.

Profissionais ficaram desempregados.

Projetos gigantescos foram abandonados.

Mas...

Curiosamente...

Foi justamente daquele caos que nasceram praticamente todas as gigantes digitais que usamos hoje.

Google.

Amazon.

Netflix.

PayPal.

Salesforce.

Wikipedia.

LinkedIn.

A bolha destruiu milhares de empresas.

Mas fortaleceu as poucas que realmente tinham fundamentos.

Hoje, mais de vinte anos depois, vale perguntar:

Estamos vivendo algo parecido novamente?

Prepare seu café.

Vamos voltar para 1995.


Capítulo 1 — O Mundo Antes da Internet Comercial

Para quem nasceu depois dos anos 2000 é difícil imaginar.

Não existia:

  • Google

  • YouTube

  • WhatsApp

  • Streaming

  • Redes sociais

  • Smartphones

A internet era praticamente um ambiente acadêmico.

Empresas utilizavam:

  • Mainframes

  • AS/400

  • UNIX

  • Novell

  • Lotus Notes

Os sistemas corporativos eram fechados.

A Web ainda parecia um experimento.

Até surgir algo revolucionário.

O navegador gráfico.

Primeiro Mosaic.

Depois Netscape.

Pela primeira vez qualquer pessoa podia navegar clicando em imagens.

Parecia magia.


Capítulo 2 — A Febre das Dot-Com

Entre 1995 e 2000 aconteceu uma explosão.

Todo empreendedor dizia possuir uma startup.

Na época nem existia esse nome.

Chamavam simplesmente de empresas ".com".

Qualquer ideia parecia revolucionária.

Vendia-se:

  • comida

  • livros

  • flores

  • brinquedos

  • viagens

  • carros

Tudo online.

Investidores passaram a acreditar que a internet substituiria completamente o comércio tradicional em poucos anos.

Começou uma corrida maluca.


A lógica da época era assustadoramente simples

Não importava:

  • lucro

Nem:

  • faturamento

Nem:

  • clientes

Nem:

  • produtos

Importava apenas:

"Crescimento."

Era comum ouvir frases como:

"Primeiro conquistamos usuários.
Depois descobrimos como ganhar dinheiro."

Soa familiar?


Capítulo 3 — A Economia do "Queime Caixa"

Hoje chamamos isso de:

Burn Rate.

Na época:

Era praticamente um esporte.

Empresas queimavam milhões de dólares por mês.

Publicidade.

Marketing.

Escritórios luxuosos.

Contratações gigantescas.

Sem receita.

Sem lucro.

Sem modelo sustentável.

O dinheiro vinha dos investidores.

Enquanto houvesse investidores...

Tudo parecia funcionar.


Capítulo 4 — O Mercado Entrou em Histeria

O índice NASDAQ praticamente explodiu.

As ações subiam diariamente.

Jornais diziam:

"A Nova Economia chegou."

Especialistas afirmavam:

"O lucro não importa mais."

Foi um dos maiores erros intelectuais da história econômica.

Durante alguns anos...

Parecia verdade.


Capítulo 5 — O Estouro da Bolha (2000)

Então veio a pergunta que ninguém queria responder.

"Essas empresas realmente valem isso?"

A resposta apareceu rapidamente.

Não.

O capital desapareceu.

Os investidores correram.

As ações despencaram.

Empresas quebraram em semanas.

O NASDAQ perdeu aproximadamente 78% de seu valor entre março de 2000 e outubro de 2002, marcando um dos maiores colapsos da história dos mercados financeiros.

Bilhões evaporaram.


Capítulo 6 — O Efeito Dominó

Quando uma startup quebrava...

Ela deixava de pagar:

  • fornecedores

  • publicidade

  • hospedagem

  • infraestrutura

  • salários

Outra empresa também quebrava.

Depois outra.

Depois outra.

O caos espalhou-se rapidamente.

Era um problema sistêmico.


Capítulo 7 — Milhares de Programadores Ficaram Sem Emprego

Esse ponto costuma ser esquecido.

A bolha não afetou apenas investidores.

Ela afetou profissionais.

Desenvolvedores.

Analistas.

Administradores.

DBAs.

Engenheiros.

Muitos mudaram completamente de carreira.

Outros voltaram para empresas tradicionais.

Inclusive para...

Mainframes.

Enquanto muitas startups desapareciam...

Bancos continuavam funcionando.

Seguradoras continuavam processando milhões de transações.

Governos continuavam pagando aposentadorias.

Os grandes sistemas corporativos permaneceram de pé.


Capítulo 8 — Amazon Quase Morreu

Pouca gente sabe.

A Amazon perdeu cerca de 95% de seu valor de mercado durante o colapso.

Muitos analistas afirmavam:

"A empresa nunca dará lucro."

Jeff Bezos tomou uma decisão histórica.

Reduzir custos.

Melhorar eficiência.

Pensar no longo prazo.

Não abandonar a visão.

Essa disciplina permitiu que a empresa sobrevivesse quando milhares desapareceram.


Capítulo 9 — Google Nasceu no Meio da Crise

Outro fato curioso.

Google surgiu praticamente durante o caos.

Enquanto empresas quebravam...

Google construía tecnologia.

Não publicidade exagerada.

Não marketing.

Infraestrutura.

Algoritmos.

Qualidade.

Foi exatamente isso que fez diferença.


Capítulo 10 — A Grande Lição

Tecnologia não substitui fundamentos.

Ela apenas acelera.

Uma empresa ruim...

fica ruim mais rápido.

Uma empresa boa...

escala mais rapidamente.


Capítulo 11 — O Que Isso Tem a Ver com COBOL?

Muito mais do que parece.

Durante toda a bolha, muitos diziam:

"O mainframe morreu."

"O COBOL acabou."

"O futuro pertence apenas às startups."

Vinte anos depois...

Quem continua processando:

  • cartões

  • folha salarial

  • bolsas de valores

  • pagamentos

  • impostos

  • previdência

São justamente sistemas construídos com décadas de engenharia sólida.

O hype passou.

Os sistemas críticos permaneceram.


Capítulo 12 — As Lições para o Padawan COBOL

Imagine um sistema bancário.

Você pode criar uma interface moderna.

Pode colocar IA.

Pode usar Kubernetes.

Pode rodar APIs REST.

Mas...

Se a transação financeira falhar...

Nada disso importa.

A base continua sendo:

  • confiabilidade;

  • consistência;

  • disponibilidade;

  • recuperação;

  • auditoria.

São princípios que existiam antes da Web e continuam indispensáveis.


Capítulo 13 — Comparando com Outras Bolhas

A história econômica mostra um padrão recorrente. A tecnologia muda, mas o comportamento humano permanece semelhante.

A bolha ferroviária (século XIX)

As ferrovias revolucionaram o transporte, e investidores aplicaram recursos em qualquer empresa ligada aos trilhos. Muitas fracassaram, mas a infraestrutura construída transformou a economia mundial.

A bolha das empresas de energia e telecomunicações

No fim dos anos 1990, além das empresas de internet, houve excesso de investimentos em redes de fibra óptica e telecomunicações. Muitas companhias faliram, mas os cabos permaneceram e sustentaram a internet de alta velocidade dos anos seguintes.

A crise financeira de 2008

O problema não era uma nova tecnologia, mas a crença de que o mercado imobiliário subiria para sempre. Quando essa premissa caiu, todo o sistema financeiro sofreu.

As criptomoedas

Entre 2017 e 2022 surgiram milhares de projetos sem utilidade real. Muitos desapareceram, mas a tecnologia de blockchain continuou evoluindo para aplicações específicas.

O Metaverso

Após 2021, diversas empresas anunciaram que o metaverso substituiria a internet tradicional. O entusiasmo foi muito maior do que a adoção real. Ainda assim, tecnologias como realidade virtual, aumentada e computação espacial continuam evoluindo.

A Inteligência Artificial Generativa

Vivemos hoje um momento que lembra, em alguns aspectos, a era das dot-com. Há investimentos bilionários, criação acelerada de startups e expectativas elevadas. A diferença é que a IA já demonstra aplicações concretas em produtividade, programação, pesquisa, atendimento e automação. Ainda assim, permanece a mesma pergunta fundamental:

Qual problema real está sendo resolvido?


Capítulo 14 — Os Efeitos na Sociedade

A bolha deixou marcas profundas.

Mudou a forma como investidores analisam empresas.

Fortaleceu a cultura das startups.

Popularizou o capital de risco (venture capital).

Acelerou a transformação digital.

Criou milhões de empregos na economia digital nos anos seguintes.

Também ensinou que inovação precisa caminhar ao lado de governança, gestão financeira e planejamento.


Capítulo 15 — Os Efeitos no Trabalho

Depois do colapso, o mercado passou a valorizar muito mais profissionais capazes de construir sistemas robustos do que apenas criar demonstrações impressionantes.

Ganharam espaço competências como:

  • arquitetura de sistemas;

  • segurança da informação;

  • banco de dados;

  • integração entre plataformas;

  • engenharia de software;

  • testes automatizados;

  • observabilidade;

  • continuidade de negócios.

É exatamente esse perfil que encontramos em muitos profissionais de mainframe.


Capítulo 16 — Os Riscos dos Novos Hypes

Hoje ouvimos frases parecidas com as do ano 2000:

  • "A IA substituirá todos os programadores."

  • "Não será mais necessário aprender arquitetura."

  • "Modelos resolvem tudo."

  • "Quem não usar IA ficará para trás."

Essas afirmações podem conter parte da verdade, mas também escondem exageros.

Um modelo de IA depende de:

  • dados de qualidade;

  • infraestrutura;

  • governança;

  • segurança;

  • integração;

  • pessoas.

Assim como uma página HTML não fazia uma empresa lucrativa em 1999, um chatbot não transforma automaticamente um negócio em sucesso.


Capítulo 17 — O Mainframe e a Sabedoria dos Sistemas Duradouros

Uma das maiores lições da bolha da internet é que tecnologia de verdade não é aquela que aparece nas manchetes, mas a que continua funcionando décadas depois.

Mainframes atravessaram:

  • a popularização do PC;

  • a internet;

  • o comércio eletrônico;

  • os smartphones;

  • a computação em nuvem;

  • os microsserviços;

  • a IA generativa.

Não porque resistiram à mudança, mas porque evoluíram continuamente.

Hoje, plataformas IBM Z executam Linux, Kubernetes, APIs REST, OpenShift, criptografia avançada e aceleradores para IA, sem abrir mão da confiabilidade que sempre os caracterizou.


Easter Egg Bellacosa Mainframe 🍵

Na Frota Estelar existe uma regra não escrita:

Nunca escolha um capitão apenas porque a nave é bonita. Escolha porque ela consegue voltar para casa.

Foi exatamente isso que aconteceu com as dot-com.

Muitas tinham interfaces espetaculares.

Poucas tinham motores confiáveis.

As que sobreviveram aprenderam que design atrai, marketing encanta, inovação impressiona — mas são arquitetura, disciplina, execução e sustentabilidade que mantêm uma empresa viva por décadas.


Conclusão — A História Não se Repete, Mas Costuma Rimar

Vinte anos após o estouro da bolha da internet, percebemos que ela não foi o fim da revolução digital. Pelo contrário, foi seu processo de amadurecimento.

O entusiasmo excessivo financiou infraestrutura, talentos e ideias que pareciam exageradas para a época. Muitas fracassaram, mas deixaram sementes que floresceram em empresas capazes de transformar a economia global.

Para um Padawan COBOL, essa história traz uma mensagem poderosa. Não se deixe levar apenas pelo brilho das novidades nem rejeite toda inovação por apego ao passado. O profissional valioso é aquele que consegue distinguir modismo de transformação estrutural.

Hoje, enquanto Inteligência Artificial, agentes autônomos, computação quântica e novas arquiteturas ocupam as manchetes, a pergunta continua a mesma de 1999:

Existe um problema real sendo resolvido?

Se a resposta for "sim", estamos diante de uma tecnologia com potencial para mudar o mundo.

Se a resposta depender apenas de apresentações bonitas, promessas vagas e crescimento sem fundamentos, talvez estejamos apenas assistindo ao próximo capítulo de uma história que já vimos antes.

Como todo bom oficial da Frota Estelar sabe, a missão não é perseguir cada estrela que aparece no radar, mas construir naves capazes de atravessar gerações. O mesmo vale para empresas, carreiras e sistemas: as tecnologias mudam, os princípios permanecem. E é justamente essa combinação entre inovação e fundamentos que separa um fenômeno passageiro de um verdadeiro legado tecnológico.


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Projeto IBM : APPDEV Final do Projeto 2025/2026

Bellacosa Mainframe e a conclusão do projeto APPDEV

Chegamos ao final de mais uma grande jornada!


Essta semana encerramos oficialmente o Programa APPDEV 2025, um ciclo marcado por muito aprendizado, troca de experiências e crescimento profissional.

Foi uma enorme honra atuar como MSE (Master Subject Expert), conduzindo mais de 30 encontros e 60 horas de treinamentos, compartilhando conhecimento sobre desenvolvimento de aplicações, IBM Z, COBOL e tecnologias corporativas com uma turma extremamente dedicada.

Meu sincero agradecimento à IBM, aos organizadores, coordenadores e a todos que tornaram este programa possível.

Agradeço, principalmente, a cada participante pelo comprometimento, pelas perguntas, pelos desafios e pela vontade constante de aprender. Ensinar é uma das melhores formas de continuar aprendendo.

Parabéns a todos que concluíram esta jornada! Cada certificado representa muito mais do que horas de estudo: representa disciplina, perseverança e o desejo de evoluir profissionalmente.

Que este seja apenas o início de uma longa trajetória de sucesso no ecossistema IBM Z e no desenvolvimento de aplicações corporativas.
Nos vemos nos próximos desafios.

O aprendizado nunca termina.
Parabéns, turma APPDEV 2025!

Foi um privilégio fazer parte dessa história.
#APPDEV2025 #IBM #IBMZ #Mainframe #COBOL #EnterpriseComputing #ApplicationDevelopment #TechEducation #Learning #DigitalTransformation #IBMSkills #OpenMainframe #SystemZ #Gratidão #Parabéns

We are excited to announce the launch of our new project! #newproject

terça-feira, 30 de junho de 2026

Inteligência Artificial: Ferramenta ou Autora?

 

Bellacosa Mainframe inteligencia artificial ferramenta ou autora?

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Inteligência Artificial: Ferramenta ou Autora?

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Criatividade, Direitos Autorais, Plágio, Engenharia de Prompt e Por Que a Maior Discussão da IA Não É Tecnológica — É Humana

"Um compilador nunca foi considerado autor de um programa COBOL. Então por que uma IA deveria ser considerada autora de um texto?"

Vivemos um momento curioso da história.

Talvez o mais curioso desde o surgimento da Internet.

Há poucos anos, quem escrevia um artigo digitava palavra por palavra.

Quem criava uma imagem precisava dominar Photoshop, Illustrator ou desenhar à mão.

Quem escrevia um livro passava meses organizando ideias.

Então surgiram os modelos generativos.

Hoje uma pessoa escreve um prompt de três linhas e, em poucos segundos, recebe um artigo inteiro, uma apresentação, uma música, uma imagem ou até centenas de linhas de código.

E imediatamente nasce a pergunta.

Quem criou aquilo?

A IA?

Ou a pessoa?

Essa pergunta parece simples.

Mas envolve filosofia, direito, ética, engenharia de software, criatividade, educação e até psicologia.

Infelizmente, boa parte da discussão acontece de forma apaixonada.

Pouca reflexão.

Muito preconceito.

Muito medo.

E pouca compreensão de como essas ferramentas realmente funcionam.

Vamos tomar um café.

Porque essa conversa merece calma.


Primeiro precisamos esquecer Hollywood

Hollywood nos ensinou uma imagem completamente errada da Inteligência Artificial.

Robôs conscientes.

Máquinas que pensam.

Computadores que possuem vontade própria.

Nada disso descreve um LLM moderno.

ChatGPT.

Claude.

Gemini.

Copilot.

Llama.

Mistral.

Nenhum deles "pensa" como uma pessoa.

Eles calculam probabilidades.

A próxima palavra.

Depois a próxima.

Depois outra.

Bilhões de vezes.

Existe um modelo matemático gigantesco por trás disso.

Mas não existe intenção.

Não existe desejo.

Não existe inspiração.

Não existe ego.

Não existe sofrimento.

Não existe orgulho.

E principalmente...

não existe autoria consciente.


Um martelo não constrói uma casa

Imagine um carpinteiro.

Ele possui:

  • martelo

  • serra

  • furadeira

  • parafusadeira

  • esquadro

Quem construiu a casa?

O martelo?

Claro que não.

O martelo apenas ampliou a capacidade humana.

Agora pense em um compilador COBOL.

Você escreve o código.

O compilador gera milhares de instruções de máquina.

Quem escreveu o programa?

O compilador?

Nunca.

Ele apenas traduziu.

A IA faz algo semelhante.

Só que muito mais sofisticado.

Ela amplia nossa capacidade intelectual.


O prompt é uma forma de engenharia

Existe uma enorme diferença entre pedir:

"Escreva um artigo."

e pedir:

"Escreva um artigo de 2.000 palavras para arquitetos IBM Z. Use analogias com COBOL, DevOps e Kubernetes. Explique historicamente. Utilize linguagem técnica, mas acessível. Finalize com aplicações práticas."

Esses dois resultados serão completamente diferentes.

Por quê?

Porque o segundo caso envolve projeto.

Planejamento.

Objetivo.

Conhecimento.

Curadoria.

Existe intenção humana.

E intenção é parte essencial da criação.


A IA cria do nada?

Não.

Nem seres humanos fazem isso.

Shakespeare leu outros autores.

Newton estudou Galileu.

Einstein estudou Maxwell.

Os Beatles ouviram blues.

Todo conhecimento humano é construído sobre conhecimento anterior.

A IA faz exatamente isso.

Aprende padrões estatísticos.

Não consulta um cérebro mágico.

Não recebe inspiração divina.

Ela reorganiza padrões.

Os humanos também reorganizam padrões.

A diferença está na consciência.


Então quem é o autor?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares.

Imagine quatro situações.

Caso 1

Você escreve um livro inteiro.

A IA apenas corrige ortografia.

Autor?

Você.

Sem discussão.


Caso 2

Você escreve um livro.

A IA melhora estilo.

Reorganiza capítulos.

Sugere títulos.

Autor?

Continua sendo você.

Da mesma forma que um editor não vira autor do livro.


Caso 3

Você fornece estrutura.

Capítulos.

Argumentos.

Pesquisa.

Exemplos.

Reescreve metade.

Remove trechos.

Inclui experiências pessoais.

Autor?

Ainda é você.

A IA foi uma ferramenta.

Muito poderosa.

Mas ferramenta.


Caso 4

Você escreve:

"Escreva um romance."

Copia.

Publica.

Sem alterar uma linha.

A situação muda bastante.

Nesse caso, sua contribuição criativa foi mínima.

Você dificilmente poderia reivindicar integralmente aquela criação como fruto de um trabalho intelectual profundo.


O problema não é usar IA

O problema é fingir que não usou.

É parecido com uma calculadora.

Um engenheiro usa calculadora.

Um contador usa planilhas.

Um médico usa tomografia.

Ninguém considera isso fraude.

Fraude ocorre quando existe mentira.

Imagine um concurso literário cujo regulamento diz:

"Somente textos escritos integralmente por humanos."

Você usa IA escondido.

Isso é antiético.

Agora imagine outro concurso que permite IA.

Não existe problema.

O contexto importa.


O fantasma do plágio

Outro tema que aparece constantemente.

"IA é plágio."

Será?

Nem sempre.

Plágio significa apresentar como seu algo criado por outra pessoa identificável.

Os LLMs normalmente não copiam livros inteiros.

Eles geram novos textos baseados em padrões aprendidos.

Isso não significa que nunca possam reproduzir trechos existentes.

Pode acontecer.

Especialmente quando o conteúdo solicitado é muito específico.

Por isso sempre vale revisar.

Verificar.

Conferir fontes.

A responsabilidade continua sendo humana.


A sociedade condena porque ainda está aprendendo

Toda grande tecnologia passou por isso.

Quando surgiu a imprensa:

"Haverá excesso de livros."

Quando surgiu a calculadora:

"As crianças nunca aprenderão matemática."

Quando surgiu a Internet:

"Ninguém mais estudará."

Quando surgiu o Google:

"As pessoas deixarão de memorizar."

Quando surgiu a Wikipédia:

"Ela destruirá a educação."

Agora chegou a IA.

A história se repete.

O medo normalmente aparece antes da compreensão.


O verdadeiro diferencial deixou de ser escrever

Durante muito tempo, escrever era uma habilidade rara.

Hoje produzir texto ficou barato.

Muito barato.

O valor mudou.

Agora vale mais:

  • fazer perguntas inteligentes;

  • validar informações;

  • conectar ideias;

  • identificar erros;

  • exercer pensamento crítico;

  • tomar decisões;

  • assumir responsabilidade.

Isso nenhuma IA faz por você.


Um excelente prompt não nasce por acaso

Existe um equívoco comum.

Algumas pessoas imaginam que um prompt seja apenas uma frase.

Na realidade, um bom prompt pode representar anos de experiência.

Quando um médico solicita uma análise complexa a uma IA, ele sabe exatamente o que perguntar.

Quando um advogado pede uma minuta contratual, ele conhece os riscos jurídicos.

Quando um arquiteto IBM Z pede uma arquitetura resiliente, ele conhece CICS, DB2, MQ, RACF, WLM, Sysplex e dezenas de tecnologias.

A qualidade do resultado depende diretamente da qualidade de quem pergunta.

Garbage In.

Garbage Out.

Esse princípio continua absolutamente verdadeiro.


A IA não substitui experiência

Imagine pedir à IA:

"Projete um sistema bancário."

Ela consegue.

Mas será um projeto realmente adequado?

Talvez.

Talvez não.

Quem identifica os riscos?

Quem percebe uma inconsistência regulatória?

Quem sabe que determinada arquitetura falhou em um banco há dez anos?

Quem entende as restrições do negócio?

Quem responde perante um cliente?

Sempre haverá uma pessoa.

A responsabilidade nunca desaparece.


E na educação?

Esse talvez seja o debate mais importante.

Muitos professores proíbem IA.

Outros incentivam.

Quem está certo?

Depende do objetivo.

Se a intenção é avaliar escrita manual, talvez o uso de IA realmente prejudique a avaliação.

Mas se o objetivo é resolver problemas reais...

Proibir IA pode ser semelhante a proibir computadores em um curso de informática.

O mercado não fará essa proibição.

Os profissionais usarão IA.

Os melhores profissionais aprenderão a utilizá-la com responsabilidade.

A escola precisa ensinar isso.

Não fingir que a tecnologia não existe.


Detectores de IA nem sempre acertam

Outra polêmica.

Ferramentas que afirmam detectar textos produzidos por IA.

Elas existem.

Mas nenhuma é infalível.

Diversos estudos já mostraram falsos positivos.

Textos escritos por humanos foram classificados como IA.

Textos feitos por IA passaram despercebidos.

Por isso, utilizar esses detectores como única prova de fraude é extremamente problemático.

Eles podem auxiliar.

Jamais substituir análise humana.


O futuro pertence aos profissionais híbridos

No início da computação existia resistência ao computador.

Depois veio resistência ao Excel.

Depois ao Google.

Depois ao GitHub.

Depois ao Stack Overflow.

Agora chegou a IA.

A tendência é semelhante.

Os profissionais mais valorizados não serão aqueles que recusam a tecnologia.

Nem aqueles que dependem completamente dela.

Serão aqueles que unem:

  • experiência;

  • conhecimento;

  • criatividade;

  • ética;

  • pensamento crítico;

  • Inteligência Artificial.

Essa combinação produz resultados extraordinários.


Então a IA é autora?

Na minha visão, não.

Ela não possui intenção.

Não possui consciência.

Não possui responsabilidade.

Não possui identidade.

Ela não responde judicialmente.

Não assina contratos.

Não sente orgulho da obra.

Ela produz conteúdo.

Quem transforma esse conteúdo em conhecimento útil continua sendo o ser humano.


Talvez estejamos fazendo a pergunta errada

Talvez a pergunta nunca tenha sido:

"Quem escreveu?"

Talvez a pergunta correta seja:

Quem tomou as decisões intelectuais?

Quem escolheu o tema?

Quem definiu o público?

Quem estruturou a narrativa?

Quem validou os fatos?

Quem assumiu a responsabilidade?

Quem publicou?

Quem responderá pelos erros?

Enquanto essas respostas apontarem para uma pessoa, continuará existindo autoria humana.

A IA participa do processo.

Mas participação não significa autoria.

Assim como um compilador participa do desenvolvimento de um sistema.

Assim como um editor participa da produção de um livro.

Assim como uma câmera participa da criação de uma fotografia.

Ferramentas ampliam capacidades.

Não substituem responsabilidade.


Muito Além da Inteligência Artificial

Talvez a maior transformação provocada pela IA não seja tecnológica.

Seja filosófica.

Durante séculos acreditamos que produzir texto era prova definitiva de inteligência.

Hoje uma máquina produz milhões de palavras por minuto.

Isso nos obriga a redefinir o que realmente significa ser inteligente.

Talvez inteligência nunca tenha sido apenas escrever.

Talvez criatividade nunca tenha sido apenas combinar palavras.

Talvez conhecimento nunca tenha sido apenas memorizar informações.

O verdadeiro diferencial humano continua sendo algo que nenhuma arquitetura de redes neurais demonstrou possuir: consciência, propósito, julgamento moral, empatia e responsabilidade pelas consequências de suas escolhas.

A IA é uma das ferramentas mais poderosas já criadas pela humanidade. Como toda grande ferramenta, pode ampliar o melhor e o pior de quem a utiliza. Nas mãos de alguém desonesto, facilita fraudes. Nas mãos de um estudante preguiçoso, reduz o aprendizado. Nas mãos de um profissional ético, acelera descobertas, democratiza conhecimento, elimina tarefas repetitivas e libera tempo para aquilo que realmente importa: pensar.

Portanto, talvez devêssemos abandonar a pergunta "A IA substitui o ser humano?" e adotar outra muito mais útil:

"Como posso usar a IA para me tornar um profissional melhor, mais criativo, mais produtivo e mais responsável?"

Essa, sim, é a pergunta que definirá os vencedores desta nova era.

Porque, no fim das contas, a Inteligência Artificial não diminui o valor da inteligência humana.

Ela apenas torna ainda mais evidente onde ela realmente está.

Se desejar, posso adaptar este texto para o formato tradicional da série "Um Café no Bellacosa Mainframe", com referências a IBM Z, COBOL, compiladores, DevOps, Git, revisão por pares, casos reais do mercado e um tom ainda mais reflexivo, chegando a cerca de 2.500–3.000 palavras.

terça-feira, 16 de junho de 2026

IBM 115 Anos: A Empresa que Ajudou a Construir o Mundo Digital


Bellacosa Mainframe e historia da IBM em resumo


IBM 115 Anos: A Empresa que Ajudou a Construir o Mundo Digital

Uma viagem pela história, curiosidades, desafios e segredos da gigante que ainda move bilhões de transações por dia

16 de junho.

Para muitos, apenas mais um dia no calendário.

Para quem trabalha com Mainframe, COBOL, z/OS, CICS, DB2 e tecnologia corporativa, é uma data especial: o aniversário da IBM, uma das empresas mais influentes da história da humanidade.

Em 16 de junho de 1911 nasceu uma organização que sobreviveria a duas guerras mundiais, à Grande Depressão, à Guerra Fria, ao surgimento do computador pessoal, à internet, ao smartphone, à computação em nuvem e agora à Inteligência Artificial.

Poucas empresas conseguem permanecer relevantes durante cinco anos.

Algumas sobrevivem vinte.

Raríssimas chegam aos cinquenta.

A IBM chegou aos 115 anos.

E continua ajudando a processar boa parte do dinheiro que circula no planeta.

Para um Desenvolvedor COBOL Jr., compreender a história da IBM é entender a própria história da computação.


Bellacosa Mainframe e os 115 anos da IBM

Antes da IBM Existia um Problema

Imagine o mundo em 1890.

Não havia computadores.

Não havia bancos de dados.

Não havia internet.

Não havia sequer calculadoras eletrônicas.

Governos precisavam contar milhões de pessoas manualmente.

Empresas precisavam processar montanhas de documentos em papel.

Folhas de pagamento eram calculadas à mão.

Erros eram frequentes.

Processos demoravam meses.

Foi nesse cenário que apareceu Herman Hollerith.


O Homem que Criou o Conceito de Processamento de Dados

Herman Hollerith era um engenheiro americano que observou um problema gigantesco:

O censo dos Estados Unidos de 1880 demorou quase oito anos para ser concluído.

Se nada mudasse, o próximo censo demoraria mais do que o intervalo entre censos.

Era matematicamente impossível continuar daquele jeito.

Sua solução foi revolucionária.

Ele criou cartões perfurados capazes de armazenar informações.

Cada furo representava um dado.

Máquinas eletromecânicas liam esses cartões e realizavam contagens automaticamente.

Pela primeira vez na história, uma máquina processava dados em larga escala.

Nascia o conceito que décadas depois evoluiria para os computadores modernos.


O Verdadeiro Nascimento da IBM

Em 1911 várias empresas se fundiram para formar a:

Computing-Tabulating-Recording Company (CTR)

O nome era enorme.

Pouco elegante.

Pouco memorável.

Em 1924, Thomas J. Watson decidiu mudar tudo.

A empresa passou a se chamar:

International Business Machines

Ou simplesmente:

IBM

Uma mudança que parece simples, mas que carregava uma visão ousada.

Watson acreditava que as máquinas de processamento de dados teriam alcance mundial.

Na década de 1920 isso parecia exagero.

Hoje sabemos que ele estava certo.


O Primeiro Easter Egg da IBM

A famosa frase:

"THINK"

foi criada por Thomas Watson Sr.

Ela surgiu em uma reunião onde um executivo perguntou:

"Como resolveremos este problema?"

Watson respondeu:

"Think."

A palavra virou slogan oficial.

Décadas depois inspirou o nome do notebook ThinkPad.

Até hoje a cultura IBM incentiva seus profissionais a pensarem antes de agir.

Uma filosofia simples.

Mas extremamente poderosa.


A IBM e a Segunda Guerra Mundial

Durante os anos 1940 a IBM cresceu enormemente.

Suas máquinas de tabulação eram usadas para processar informações em velocidade inédita para a época.

A guerra acelerou a necessidade de automação.

Governos precisavam controlar:

  • Estoques

  • Logística

  • Produção industrial

  • Recursos militares

A IBM tornou-se referência mundial em processamento de informações.

Mas a verdadeira revolução ainda estava por vir.


O Computador Entra em Cena

Na década de 1950 o mundo testemunhou o nascimento dos computadores eletrônicos.

Grandes máquinas ocupavam salas inteiras.

Consumiam energia absurda.

Possuíam menos capacidade computacional que um relógio inteligente moderno.

Mesmo assim representavam um salto gigantesco.

A IBM rapidamente percebeu que o futuro estava nos computadores.

Surgiram máquinas históricas como:

IBM 650

IBM 701

IBM 704

IBM 7070

Cada uma delas ajudou a criar os alicerces da computação corporativa.


A Maior Aposta da História da Computação

Em 1964 a IBM tomou uma decisão considerada loucura por muitos analistas.

Ela investiu aproximadamente 5 bilhões de dólares no desenvolvimento de uma nova arquitetura.

A aposta recebeu um nome simples:

System/360

Hoje parece apenas mais um produto.

Na época foi uma revolução.


Bellacosa Mainframe e a evolução historica do logotipo IBM

Por Que o System/360 Mudou o Mundo?

Antes do System/360 cada computador era praticamente incompatível com os demais.

Trocar de equipamento significava reescrever programas.

Refazer processos.

Treinar equipes novamente.

A IBM propôs algo radical.

Uma família inteira de computadores compatíveis entre si.

O programa escrito para um modelo poderia funcionar em outro.

Esse conceito influenciou praticamente toda a indústria.

Windows.

Linux.

Unix.

Cloud.

Todos herdaram, direta ou indiretamente, ideias introduzidas pelo System/360.


O Nascimento do Mainframe Moderno

Quando um profissional fala em Mainframe hoje, está falando do descendente direto do System/360.

A linha evoluiu:

System/360

System/370

390

zSeries

System z

IBM Z

z16

z17

Existe uma linha evolutiva contínua de mais de sessenta anos.

Pouquíssimas tecnologias possuem essa continuidade.


Onde Entra o COBOL?

Em 1959 surgiu o COBOL.

Seu objetivo era simples:

Permitir que pessoas de negócios compreendessem programas.

Por isso comandos como:

ADD

SUBTRACT

MOVE

READ

WRITE

são tão próximos da linguagem humana.

A IBM adotou COBOL massivamente.

Bancos.

Seguradoras.

Governos.

Empresas aéreas.

Todos começaram a construir sistemas corporativos usando COBOL.

Muitos desses sistemas continuam funcionando até hoje.


O Grande Mito Sobre COBOL

Você provavelmente já ouviu:

"COBOL está morto."

Curiosamente essa frase existe desde os anos 1980.

Mas o COBOL continua processando:

  • Folhas de pagamento

  • Cartões de crédito

  • PIX

  • TED

  • DOC

  • Seguros

  • Aposentadorias

  • Impostos

Na prática, ele sobrevive porque resolve muito bem problemas de negócios.

Tecnologia não vence porque é nova.

Vence porque funciona.


A Curiosidade Que Surpreende Todo Iniciante

Muitos aplicativos modernos dependem de COBOL sem que seus usuários saibam.

Quando alguém usa:

  • Aplicativo bancário

  • Caixa eletrônico

  • Portal de investimentos

  • Sistema de previdência

Existe uma chance enorme de uma transação COBOL estar participando do processo.

O aplicativo bonito do smartphone frequentemente é apenas a ponta do iceberg.

A parte invisível muitas vezes roda em Mainframe.


O Mainframe Nunca Foi Embora

Existe uma narrativa popular de que Mainframes desapareceram.

Isso nunca aconteceu.

O que aconteceu foi algo diferente.

Eles ficaram invisíveis.

Ninguém vê o Mainframe.

Mas todos usam.

Quando você passa um cartão.

Quando faz PIX.

Quando compra uma passagem aérea.

Quando consulta um seguro.

Quando paga impostos.

Existe uma grande probabilidade de um Mainframe estar envolvido.


O Desafio dos Anos 2000

Um dos maiores momentos da história da IBM foi o famoso Bug do Milênio.

Muitos sistemas armazenavam anos usando apenas dois dígitos.

Exemplo:

99

00

Quando chegasse o ano 2000, milhões de programas poderiam interpretar:

00

como 1900.

O mundo inteiro entrou em pânico.

Governos contrataram milhares de programadores COBOL.

Muitos profissionais construíram carreiras inteiras trabalhando nesse projeto.

O curioso?

Grande parte do sucesso ocorreu justamente porque Mainframes eram sistemas extremamente bem documentados.


O Segundo Easter Egg

Existe uma brincadeira antiga no mundo Mainframe:

"Mainframe é a única tecnologia que os jornais só mencionam quando para."

Quando tudo funciona, ninguém fala.

Quando um banco fica indisponível por dez minutos, vira manchete nacional.

Isso mostra o quanto esses sistemas se tornaram essenciais.


A Era da Internet

Quando a internet surgiu, muitos especialistas declararam o fim do Mainframe.

Aconteceu exatamente o contrário.

A internet aumentou a demanda por processamento.

Mais acessos.

Mais transações.

Mais clientes.

Mais integrações.

O Mainframe tornou-se ainda mais importante.


O Nascimento do DB2

Outro capítulo fundamental da IBM foi o DB2.

Criado a partir das pesquisas de Edgar F. Codd sobre bancos relacionais.

O DB2 ajudou a transformar a forma como empresas armazenam dados.

Hoje conceitos como:

SELECT

JOIN

INDEX

TABLE

são comuns.

Mas houve uma época em que tudo isso era revolucionário.


A Revolução do CICS

Outro herói pouco conhecido é o CICS.

Customer Information Control System.

Ele permitiu que sistemas deixassem de ser exclusivamente batch.

Agora usuários podiam interagir online.

Em tempo real.

Caixas eletrônicos.

Terminais bancários.

Consultas instantâneas.

Tudo isso foi potencializado pelo CICS.


O Que Um COBOL Jr Deve Aprender Com a História da IBM?

Primeira lição:

Tecnologia é uma maratona.

Não uma corrida de cem metros.

A IBM não sobreviveu 115 anos perseguindo modismos.

Ela sobreviveu resolvendo problemas reais.


Segunda lição:

Confiabilidade vale ouro.

Uma aplicação pode ser bonita.

Pode usar a linguagem da moda.

Pode ter milhões de downloads.

Mas se não for confiável, não sobrevive.


Terceira lição:

Fundamentos importam.

COBOL.

JCL.

VSAM.

DB2.

CICS.

Datasets.

Esses conceitos parecem antigos.

Mas continuam sustentando operações críticas.


O Futuro Chegou

Hoje a IBM investe pesadamente em:

  • Inteligência Artificial

  • WatsonX

  • Quantum Computing

  • Cloud Híbrida

  • OpenShift

  • Red Hat

  • Automação

Mas existe algo interessante.

Ela não abandonou o Mainframe.

Pelo contrário.

Ela o integrou ao futuro.

O IBM Z moderno executa:

  • Containers

  • APIs REST

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • COBOL

  • IA

Tudo no mesmo ecossistema.


O Maior Easter Egg de Todos

Existe uma ironia divertida na história da tecnologia.

Muitos desenvolvedores passam anos tentando criar sistemas escaláveis.

Altamente disponíveis.

Seguros.

Auditáveis.

Transacionais.

E acabam redescobrindo conceitos que o Mainframe já utilizava há décadas.

Controle transacional.

Alta disponibilidade.

Particionamento.

Segurança centralizada.

Recuperação automática.

Observabilidade.

Governança.

Tudo isso já fazia parte do universo IBM muito antes da maioria das plataformas modernas existir.


Conclusão

Quando comemoramos os 115 anos da IBM, não estamos celebrando apenas uma empresa.

Estamos celebrando uma parte importante da história da computação.

Dos cartões perfurados de Hollerith ao IBM z17.

Do COBOL ao WatsonX.

Do System/360 à Inteligência Artificial.

A IBM ajudou a construir a infraestrutura invisível que move a economia global.

E para você, Desenvolvedor COBOL Jr., existe uma mensagem importante nessa história:

Aprenda as tecnologias modernas.

Explore IA.

Conheça Cloud.

Estude APIs.

Mas nunca subestime os fundamentos.

Porque enquanto o mundo muda de linguagem a cada poucos anos, os sistemas críticos continuam exigindo aquilo que sempre importou:

Confiabilidade.

Performance.

Segurança.

Disponibilidade.

E é exatamente nesse ponto que o Mainframe e a IBM construíram um legado que atravessa gerações.

Parabéns, IBM.

115 anos conectando passado, presente e futuro.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Reconhecimento pelos 5 anos no DIO Global - Digital Innovation One

 

Bellacosa Mainframe DIO Global 5 anos

O DIO Global faz 5 anos esse mês. E quando a gente olhar para essa data de verdade, o que aparece não é um número. São rostos. 

São mais de 50.000 profissionais que foram contratados em empresas de tecnologia através da DIO. Pessoas que estavam em transição de carreira, que buscavam a primeira vaga, que precisavam do inglês certo para competir com qualquer profissional do mundo. Que tinham talento, mas precisavam de um caminho. 

Você ajudou a construir esse caminho

O conteúdo que você produziu chegou a profissionais que mudaram de vida por conta do que aprenderam. Isso é raro. A maioria das pessoas passa anos trabalhando sem saber ao certo o impacto do que faz. Você sabe. 

Cinco anos é tempo suficiente para olhar para trás e ter clareza sobre quem construiu isso junto. E o seu nome está nessa lista

Em anexo você encontra um reconhecimento de gratidão da DIO pelo que você fez pela educação e pela carreira de tanta gente que confiou nesse projeto.  
 
Nosso agradecimento e reconhecimento por você ter impactado milhares de pessoas por meio da educação e empregabilidade. 
 
Obrigada pela sua contribuição.


DIO
Learning & Curriculum Lead

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Gratidão

Alcançar cinco anos de participação na DIO (Digital Innovation One) representa muito mais do que uma marca temporal. É o reconhecimento de uma trajetória construída por meio de aprendizado contínuo, troca de experiências e desenvolvimento profissional dentro de uma das maiores comunidades de tecnologia do Brasil.

Ao longo desse período, milhares de profissionais utilizaram a plataforma para expandir conhecimentos em áreas como programação, computação em nuvem, inteligência artificial, ciência de dados, segurança da informação, DevOps, arquitetura de sistemas e diversas outras especialidades do mercado tecnológico. A DIO tornou-se uma ponte entre conhecimento e oportunidades, aproximando estudantes, profissionais e empresas.

Receber um reconhecimento pelos cinco anos de jornada simboliza dedicação, persistência e compromisso com a evolução constante. Em um setor que se transforma diariamente, manter-se atualizado é um diferencial fundamental para enfrentar novos desafios e acompanhar as mudanças do mercado.

Além dos cursos e certificações, a experiência envolve participação em comunidades, eventos, bootcamps e iniciativas colaborativas que fortalecem o networking e o compartilhamento de conhecimento.

Esse marco também representa uma oportunidade para olhar para trás e perceber o quanto foi conquistado ao longo dos anos. Mais do que um certificado ou homenagem, os cinco anos na DIO refletem uma trajetória de crescimento, aprendizado contínuo e paixão pela tecnologia, valores essenciais para quem constrói uma carreira sólida na área de TI.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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