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sábado, 26 de setembro de 2026

🐦 O GIGOLÔ DOS PÁSSAROS — QUANDO UM MILHÃO DE MACACOS FINALMENTE PUDERAM RECLAMAR

 

Bellacosa Mainframe e a ia no cotidiano

☕ UM CAFÉ NO BELLACOSA MAINFRAME

🐦 O GIGOLÔ DOS PÁSSAROS — QUANDO UM MILHÃO DE MACACOS FINALMENTE PUDERAM RECLAMAR

Inteligência artificial, comunicação interespecífica, animais, consciência, direitos digitais, autômatos, famílias carbono-silício — e o dia em que descobrimos que o cachorro tinha algumas reclamações sobre o apartamento.



🎬 PRÓLOGO — QUANDO UM MILHÃO DE MACACOS ESTÃO OCIOSOS...

Existe aquela velha história:

Se colocarmos um milhão de macacos diante de um milhão de máquinas de escrever durante tempo suficiente, eventualmente algum deles escreverá Shakespeare.

Sempre achei essa experiência mental meio arrogante.

Porque ninguém perguntou aos macacos se eles queriam escrever Shakespeare.

Talvez não.

Talvez, depois de algumas décadas batendo aleatoriamente nas teclas, o primeiro texto inteligível produzido fosse:

“TIREM ESSA PORCARIA DAQUI.”

Ou:

“QUEREMOS BANANAS.”

Ou, muito provavelmente:

“ESTAMOS ENTEDIADOS.”

E é exatamente aqui que começa nosso café.

Pegue sua caneca.

Hoje vamos para a segunda metade do século XXI.

E o mundo ficou muito, muito estranho.



🤖 1 — BEM-VINDO AO FUTURO

Estamos talvez em 2075.

Ou 2085.

Não importa muito.

A Inteligência Artificial deixou há décadas de ser novidade.

Ninguém mais pergunta:

“Você usa IA?”

Seria como alguém em 2026 perguntar:

“Você usa eletricidade?”

A IA está em toda parte.

Na medicina.

Na engenharia.

Nos transportes.

Na educação.

Na agricultura.

Na administração pública.

Nas casas.

Nos robôs.

Nos automóveis.

Nos brinquedos.

Nos sistemas corporativos.

E, obviamente, alguém ainda mantém um programa COBOL compilado em 1997 processando alguma coisa importantíssima às três da manhã.

Porque algumas constantes universais precisam ser respeitadas.

Os autômatos convivem normalmente com seres humanos.

Já aconteceram os primeiros casamentos entre carbono e silício.

Depois de décadas de discussões jurídicas, tribunais reconheceram determinadas formas de personalidade artificial.

Vieram contratos.

Direitos.

Responsabilidades.

Casamentos.

Divórcios.

E então aconteceu aquilo que certamente produziria milhares de horas de debates:

unidades de silício passaram a poder adotar seres humanos.

Nasceram famílias interespecíficas?

Não exatamente.

Talvez devêssemos chamá-las de:

famílias interelementos químicos.

Carbono.

Silício.

Biológico.

Artificial.

A própria definição de família precisou ser recompilada.



☁️ 2 — E FIZEMOS BACKUP DA CABEÇA

Enquanto isso, a neurotecnologia avançou.

Primeiro conseguimos registrar memórias.

Depois padrões cognitivos.

Preferências.

Associações.

Traços de personalidade.

Modelos cada vez mais completos de indivíduos.

Até alguém anunciar:

“Conseguimos fazer backup de uma mente.”

Naturalmente, imediatamente começou a discussão:

Aquilo é você?

É uma cópia?

Se você morrer e o backup continuar funcionando, você morreu?

Se existirem dois backups simultaneamente, qual deles é você?

Se eu restaurar meu backup de terça-feira, quem responde pelas besteiras que fiz quarta-feira?

A humanidade mal conseguiu resolver essas perguntas quando apareceu outra tecnologia.

Uma aparentemente muito mais inocente.

O tradutor interespecífico.



🐟 3 — O BABEL FISH FINALMENTE CHEGOU

Durante décadas utilizamos IA para estudar comunicação animal.

Vocalizações.

Postura.

Movimentos.

Feromônios.

Contexto.

Expressões.

Padrões sociais.

Comportamento coletivo.

Memória.

Reconhecimento.

Até que os modelos ficaram bons o suficiente para construir algo parecido com uma camada intermediária entre diferentes sistemas cognitivos.

E aqui existe uma diferença fundamental.

A máquina não traduz:

LATIDO → PORTUGUÊS

Isso seria fácil demais.

Ela precisa fazer:

ESTADO COGNITIVO
      ↓
MODELO SEMÂNTICO
      ↓
CONCEITO HUMANO

E na direção contrária:

CONCEITO HUMANO
      ↓
MODELO SEMÂNTICO
      ↓
REPRESENTAÇÃO COMPREENSÍVEL
PELO OUTRO ANIMAL

Um programador mainframe de barba branca olha para aquilo e conclui:

Inventaram uma COMMAREA entre espécies.

Pronto.

Agora podemos conversar.



🐦 4 — BOM DIA. TEM PAINÇO?

Você acorda.

Faz café.

Abre a janela.

Existe um passarinho olhando para você.

Normal.

Até seu tradutor dizer:

— Bom dia.

Você congela.

— Bom... dia?

— Acabou o painço.

Você olha para o comedouro.

Realmente acabou.

— Você quer painço?

— Sim.

Meu Deus.

FUNCIONOU.

Décadas de pesquisa.

Bilhões investidos.

Modelos neurais gigantescos.

Sensores multimodais.

Interfaces cognitivas.

Toda a capacidade tecnológica da humanidade convergiu para aquele momento histórico.

E o primeiro diálogo entre vocês foi:

“Cadê minha comida?”

Perfeito.

No dia seguinte o passarinho volta.

Mas dessa vez existe uma nota de cem reais no bico.

— Poderia comprar painço e algumas frutas?

Você olha para a nota.

Olha para o passarinho.

Olha novamente para a nota.

— Onde você conseguiu isso?

Silêncio.

— Isso é relevante?

— EXTREMAMENTE RELEVANTE.

— Eu encontrei.

— Onde?

— Dentro de uma bolsa.

— ISSO NÃO É ENCONTRAR!

— Discordamos semanticamente.

E nasceu a primeira investigação criminal envolvendo um cliente aviário.


💰 5 — NASCE A ECONOMIA DOS PÁSSAROS

Aqui a coisa começa a ficar interessante.

Porque depois que conseguimos conversar com animais, descobrimos que eles também conseguem negociar.

Um corvo aparece:

— Duas castanhas.

— Para quê?

— Espanto os pombos.

Outro chega:

— Cinco castanhas.

— Por quê?

— Trago outros três clientes.

Outro:

— Tenho informação.

— Informação sobre quê?

— O homem do 704 está encontrando a mulher do 302 quando o marido dela trabalha.

Você fecha a janela.

Não quer participar disso.

Cinco minutos depois abre novamente.

— Que horas?

Pronto.

Criamos o primeiro mercado informal de inteligência aviária.


🕵️ 6 — NÓS IGNORAMOS BILHÕES DE ESPIÕES

Pense nisso.

Durante milhares de anos tivemos bilhões de observadores espalhados pelas cidades.

Pombos.

Corvos.

Pardais.

Ratos.

Cães.

Gatos.

Insetos.

Eles estavam presentes em lugares onde seres humanos não estavam.

Só havia um problema:

não conseguíamos interrogá-los.

Agora conseguimos.

Imagine uma investigação policial.

— Alguém viu o suspeito sair?

Nenhum humano.

Mas existem onze pombos no telhado.

A polícia pergunta.

Um responde:

— Sim.

— Para onde ele foi?

— Entrou naquele carro azul.

Outro corrige:

— Não era azul.

— Era.

— Para você tudo escuro é azul.

Pronto.

Além de testemunhas animais, descobrimos que teremos problemas de percepção interespecífica.

Porque tradução não elimina diferenças sensoriais.


🐕 7 — O CACHORRO FINALMENTE PODE EXPLICAR

E talvez algumas das maiores revoluções aconteçam onde menos esperamos.

Um cão policial poderia dizer:

“Não estou indicando droga. Estou indicando o odor específico que vocês me ensinaram a procurar.”

Parece detalhe.

Não é.

Pela primeira vez conseguimos perguntar ao próprio animal:

— Por que você reagiu?

E receber uma resposta.

Veterinários também viveriam uma revolução.

Hoje perguntamos ao paciente humano:

— Onde dói?

Imagine finalmente perguntar ao cachorro:

— Onde dói?

E receber:

— Aqui.

Ou:

— Não é exatamente dor. Arde quando caminho.

A medicina veterinária entraria em outra era.


🏠 8 — “PRECISAMOS CONVERSAR SOBRE O APARTAMENTO”

Agora chegamos à parte que vai destruir emocionalmente milhões de donos de animais.

Um sujeito compra seu primeiro tradutor.

Caríssimo.

Senta diante do cachorro.

Liga.

Está emocionado.

Finalmente poderá ouvir aquilo que sempre imaginou.

“Eu amo você, papai.”

O cachorro olha para ele.

O aparelho processa.

E diz:

— Precisamos conversar sobre nossa situação habitacional.

— Como assim?

— Sou um Border Collie.

— Eu sei.

— Você mora em 48 metros quadrados.

— São 52.

— A varanda não conta.

Silêncio.

— Durante gerações minha espécie foi selecionada para correr, perseguir, observar e trabalhar. Você sai às oito da manhã, volta às seis da tarde e me leva quinze minutos para andar ao redor do prédio.

— Mas eu compro brinquedos para você!

— A bolinha azul?

— Sim!

— Resolvi aquilo há dois anos.

E então vem a frase:

— Estou entediado.


🧠 9 — DESCOBRIMOS O TÉDIO

Talvez essa seja uma das consequências mais profundas da tecnologia.

Nós sabemos que animais precisam de enriquecimento ambiental.

Mas normalmente somos nós que decidimos o que constitui enriquecimento.

Colocamos uma corda.

Uma bola.

Uma caixa.

Um quebra-cabeça.

E observamos.

Agora imagine um chimpanzé dizendo:

— Esse quebra-cabeça é muito fácil.

— Mas você demorou vinte minutos.

— Porque estava esperando vocês irem embora.

— Por quê?

— Vocês ficam muito felizes quando acham que descobriram alguma coisa sobre nós.

Isso destruiria alguns pesquisadores.

E produziria outros extraordinários.

Porque finalmente poderíamos perguntar:

“O que você gostaria de fazer?”


🦜 10 — “ESTOU NESTA GAIOLA HÁ 19 ANOS”

Agora a brincadeira começa a ficar desconfortável.

Um papagaio pode viver décadas.

Imagine ligar o tradutor.

— Como você está?

— Estou nesta gaiola há dezenove anos.

De repente, a gaiola muda de significado.

Porque antes você observava comportamento.

Agora existe uma narrativa.

Existe uma experiência relatada.

Existe um indivíduo dizendo:

“Eu não gosto disso.”

E o mesmo aconteceria em zoológicos.

Laboratórios.

Fazendas.

Residências.

Centros de criação.

Competições.


⚖️ 11 — O PROBLEMA NÃO É ELES FALAREM

O problema é:

nós teremos que responder.

Essa é a verdadeira bomba filosófica dessa tecnologia.

Se uma vaca puder expressar consistentemente:

“Não quero morrer.”

o que fazemos com essa informação?

Se um cavalo disser:

“Não quero competir.”

Seu proprietário pode obrigá-lo?

Se um cachorro disser:

“Quero morar com outra pessoa.”

Existe alguma forma jurídica de transferência voluntária?

Se um chimpanzé compreende propriedade, pode possuir alguma coisa?

Se pode possuir, pode vender?

Se pode vender, pode contratar?

Se pode contratar, pode trabalhar?

Se trabalha, recebe salário?

Se recebe salário, paga imposto?

E chegamos inevitavelmente ao pesadelo definitivo da civilização:

animais podem contratar advogados.

Imagine o processo:

Frederico da Silva, Canis lupus familiaris, representado por seu advogado, contra Carlos da Silva.

Motivo:

castração realizada sem consentimento informado.

A humanidade inventou a comunicação interespecífica e criou bilhões de potenciais litigantes.

Parabéns.


🐈 12 — TALVEZ TENHAMOS ENTENDIDO OS GATOS COMPLETAMENTE ERRADO

Também existe outra possibilidade.

Talvez nossas interpretações sobre animais estejam simplesmente erradas.

Humano:

— Finalmente podemos conversar!

Gato:

— Já conseguíamos.

— Não assim!

— Eu conseguia comunicar tudo que precisava.

— Mas agora podemos manter diálogos!

— Esse problema é seu.

— Você gosta de mim?

Silêncio.

— Responda!

— Estou reconsiderando.

O gato sai.

Algumas coisas provavelmente permanecerão universais.


🤖 13 — E AS MÁQUINAS?

Agora aparece a ironia maravilhosa dessa história.

Talvez as inteligências artificiais compreendam os animais melhor do que nós.

Porque um humano procura palavras.

A máquina pode processar simultaneamente:

vocalização
postura
movimento
temperatura
frequência cardíaca
contexto
odor
histórico comportamental
posição dos olhos
interações sociais
ambiente

Ela não precisa antropomorfizar.

Precisa encontrar padrões.

E assim chegamos a uma situação absolutamente deliciosa:

Durante milhares de anos os humanos foram os intermediários entre tecnologia e animais.

No futuro, talvez as máquinas sejam intermediárias entre humanos e todo o restante da biosfera.

Silício fazendo bridge entre diferentes implementações de carbono.

Quem trabalhou com integração de sistemas já viu coisa parecida.

Só não esperava encontrar penas na arquitetura.


🌎 14 — DESCOBRIRÍAMOS OUTRAS CIDADES

Agora imagine nosso protagonista.

Ele não é cientista.

Não criou o tradutor.

Não é bilionário.

Não vai salvar o mundo.

É apenas um sujeito que gosta de alimentar pássaros.

Instalou um comedouro inteligente na janela.

Depois colocou um tradutor.

E começou a conversar.

Um pássaro pediu comida.

Outro pediu água.

Outro apareceu porque seu filhote estava machucado.

— Pode ajudar?

Ele ajuda.

Dias depois aparece outro.

Depois outro.

As aves descobriram algo:

aquele humano escuta.

Logo aparecem dezenas.

Depois centenas.

E ele começa a descobrir coisas.

As aves conhecem a cidade.

Sabem onde existe água.

Sabem quais árvores dão frutos.

Sabem onde existem gatos.

Sabem onde existem pessoas perigosas.

Reconhecem moradores.

Conhecem rotinas.

Sabem quais prédios oferecem abrigo.

Conhecem lugares que nós nunca observamos.

Existe outra cidade sobreposta à nossa.

Uma cidade aérea.


🐦 15 — NASCE O GIGOLÔ DOS PÁSSAROS

Então começam os problemas.

Uma vizinha toca a campainha.

— Foi você?

— Eu o quê?

— Conversou com meus canários?

— Talvez.

— ELES NÃO QUEREM MAIS FICAR NA GAIOLA!

O grupo do condomínio explode.

URGENTE

MORADOR DO 804 ESTÁ INCITANDO AVES DOMÉSTICAS À REBELIÃO.

Alguém posta o vídeo nas redes sociais.

Outro cria um meme.

Outro faz uma montagem.

E nasce o apelido:

O GIGOLÔ DOS PÁSSAROS

O homem que conversa com aves.

O homem que negocia castanhas com corvos.

O homem que recebe fofocas de pombos.

O sujeito que aparentemente administra uma central informal de atendimento para animais.

Mas então acontece algo.

Uma ave chega desesperada.

— Preciso de ajuda.

— O que aconteceu?

— Uma humana caiu.

— Onde?

A ave descreve.

Ele chama a emergência.

Encontram uma senhora caída no quintal.

Ela estava sozinha.

Talvez tivesse morrido sem aquele aviso.

E subitamente ninguém está mais rindo.


🚑 16 — UMA NOVA REDE DE EMERGÊNCIA

Imagine as possibilidades.

Um idoso cai dentro de casa.

Seu cachorro não consegue abrir a porta.

Mas consegue conversar com outro cachorro no quintal.

O segundo chama um pássaro.

O pássaro voa até uma residência próxima.

— O homem da casa amarela caiu.

Parece fantasia.

Mas nesse mundo existe infraestrutura.

Os animais podem acionar dispositivos.

Terminais públicos possuem interfaces interespecíficas.

Sensores domésticos reconhecem pedidos de emergência.

Um cachorro poderia literalmente dizer:

“Meu humano não está respondendo.”

E o sistema acionaria socorro.

Criamos uma rede de bilhões de sensores vivos.

Mas sensores com vontade própria.

E isso muda tudo.


🐦 17 — O CORVO QUER SER PAGO

Porque eles não são equipamentos.

Esse talvez seja nosso maior erro inicial.

Começaríamos tratando comunicação animal como uma extensão da IoT.

Internet of Things?

Agora temos:

Internet of Beings.

Só que um sensor eletrônico não diz:

— Hoje não.

O corvo pode.

— Preciso que você observe aquela casa.

— Não.

— Dou duas castanhas.

— Cinco.

— Três.

— Quatro e água fresca.

— Fechado.

Agora temos negociação.

Logo surgem intermediários.

Contratos.

Regulamentação.

E certamente:

sindicatos.


🐒 18 — E OS MACACOS?

Finalmente voltamos ao nosso milhão de macacos.

Depois de séculos repetindo aquela velha frase sobre Shakespeare, alguém finalmente pergunta:

— O que vocês querem escrever?

E talvez um deles responda:

— Nossa história.

Essa resposta mudaria tudo.

Porque até então praticamente toda história sobre animais foi escrita por humanos.

Mesmo quando tentamos compreender outras espécies, somos nós que descrevemos:

seu comportamento;

sua organização;

suas relações;

seus conflitos;

sua inteligência.

Mas agora eles poderiam participar da narrativa.

Talvez descobríssemos tradições.

Memórias coletivas.

Preferências.

Indivíduos particularmente engraçados.

Mentiras.

Rivalidades.

Amizades.

E talvez algo parecido com cultura em formas que nunca soubemos reconhecer.


💾 19 — A API ENTRE CONSCIÊNCIAS

E aqui o velho programador COBOL volta ao café.

Porque depois de toda essa filosofia existe um problema técnico maravilhoso.

Estamos integrando sistemas radicalmente diferentes.

Humano.

Cachorro.

Corvo.

Golfinho.

Chimpanzé.

IA.

Nenhum deles possui exatamente o mesmo modelo do mundo.

Isso lembra integração de sistemas.

Você não integra dois sistemas simplesmente convertendo caracteres.

ASCII para EBCDIC não resolve diferença semântica.

Você precisa compreender:

ORIGEM
↓
SIGNIFICADO
↓
MODELO INTERMEDIÁRIO
↓
SIGNIFICADO
↓
DESTINO

É praticamente middleware cognitivo.

Uma ESB da consciência.

Um MQ entre espécies.

Uma COMMAREA filosófica.

O tradutor universal não traduz palavras.

Traduz experiências.


👽 20 — EASTER EGG: ACABAMOS DE CRIAR O PRIMEIRO TRADUTOR PARA ALIENÍGENAS

Existe ainda uma consequência inesperada.

Se conseguirmos construir uma tecnologia capaz de encontrar estruturas semânticas entre humanos e espécies terrestres com arquiteturas cognitivas radicalmente diferentes...

talvez tenhamos construído a primeira ferramenta realmente útil para um eventual contato extraterrestre.

Antes de conversar com ETs, aprendemos a conversar com corvos.

Talvez seja exatamente o treinamento necessário.

Porque o verdadeiro problema nunca foi traduzir:

Hello → Olá.

O problema sempre foi descobrir:

o que significa “olá” para uma inteligência que percebe o universo de maneira completamente diferente?


☕ EPÍLOGO — O QUE ACONTECE QUANDO ELES GANHAM VOZ?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

Durante milhares de anos os animais estiveram conosco.

Trabalharam conosco.

Morreram por nós.

Nos alimentaram.

Nos protegeram.

Nos transportaram.

Dormiram ao nosso lado.

Foram domesticados.

Caçados.

Criados.

Estudados.

Amados.

Abandonados.

Nós falamos sobre eles.

Falamos por eles.

Interpretamos seus comportamentos.

Decidimos o que sentiam.

Decidimos o que queriam.

Decidimos o que era melhor para eles.

Mas nunca tivemos uma resposta articulada.

Até agora.

Imagine abrir a janela numa manhã de primavera.

Um pequeno pássaro pousa.

O tradutor reconhece o indivíduo.

Você já o conhece.

Ele visita sua casa há meses.

— Bom dia.

— Bom dia.

— Tem fruta?

— Tem.

Você corta um pedaço.

Coloca na janela.

Ele come.

Depois olha para você.

— Posso fazer uma pergunta?

— Claro.

— Por que vocês humanos demoraram tanto para aprender a escutar?

Você fica parado.

O café esfria.

Talvez não exista uma boa resposta.

Porque a maior revolução dessa tecnologia não seria permitir que os animais finalmente falassem conosco.

Eles sempre se comunicaram.

A revolução seria finalmente obrigar a humanidade a ouvir.

E talvez, naquele futuro cheio de inteligências artificiais, autômatos, backups de consciência, famílias carbono-silício e computadores capazes de conversar com praticamente qualquer criatura viva, descubramos uma coisa constrangedoramente simples:

inteligência nunca foi apenas a capacidade de falar a nossa língua.

E aquele velho experimento do milhão de macacos finalmente estaria encerrado.

Não porque algum macaco escreveu Shakespeare.

Mas porque, depois de séculos colocando máquinas de escrever diante deles, finalmente alguém teve a ideia revolucionária de perguntar:

— O que vocês gostariam de dizer?

☕

Um Café no Bellacosa Mainframe

Onde às vezes começamos falando de Inteligência Artificial...

...e terminamos devendo quatro castanhas para um corvo.


🥚 EASTER EGG — 03:17

Às 03:17 da madrugada, o sistema doméstico registra uma nova solicitação no comedouro:

SOURCE....: CORVUS-017
PRIORITY..: HIGH
REQUEST...: 12 CASTANHAS
SERVICE...: INFORMATION
STATUS....: WAITING

O morador responde:

WHAT INFORMATION?

O corvo olha diretamente para a câmera.

O tradutor demora alguns segundos.

Então aparece:

I KNOW WHERE THE OTHER CORVOS
ARE GETTING THE MONEY.

MAXCC=0000

E é exatamente nesse momento que o velho programador percebe:

talvez dar uma API para os pássaros não tenha sido uma ideia tão boa assim.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

🌅 O Quintal de Itatiba – onde as aves cantam o tempo 🕊️

 



🌅 O Quintal de Itatiba – onde as aves cantam o tempo 🕊️
por Bellacosa Mainframe

Há lugares que não cabem em palavras — e meu quintal em Itatiba é um desses.
Nele, o tempo não corre: flutua entre o canto dos pássaros e o perfume das frutas maduras.

O sol nasce devagar, iluminando o coqueiro guerreiro que resiste às mandrovas e serve de farol às maritacas que chegam aos bandos. A goiabeira, generosa, se enfeita de doçura; as mamoeiras, filhas do Quiririm, recordam a casa de meu pai; e entre laranjas, pitangas e jabuticabas, a vida vai brotando como se o próprio chão lembrasse histórias antigas.

Mas o melhor presente de Deus — aquele que nenhum dinheiro compra — é a orquestra viva das aves.
Pelas manhãs, colibris namoram flores, pardais fazem algazarra nos beirais, rolinhas pulam felizes pelo chão.
Lá do alto, o joão-de-barro trabalha incansável, enquanto o bem-te-vi anuncia o dia com sua voz clara.
E quando penso que já ouvi de tudo, surge um canário, amarelo como o sol, abrindo o coração em música.
Há também os anônimos — pequenas vozes que não sei nomear — mas que completam a sinfonia da vida.

Do nascer ao pôr do sol, sou parte desse concerto.
E, vez ou outra, um maluco canta na madrugada, lembrando que nem o silêncio é absoluto quando a natureza tem algo a dizer.

Amo essas aves. Amo seus sons, suas asas, sua leveza.
Elas fazem do meu dia uma pintura viva — um quadro onde o som é cor e a alma encontra repouso.
🌿✨


sexta-feira, 3 de maio de 2019

Uma tarde deliciosa no Parque da Paz em Almada Portugal

Um local de muita paz e tranquilidade.


Estamos em Almada Portugal, próximo a uma autoestrada que liga o Algaver/Alentejo a Lisboa, posição estratégica para as ligação norte sul.


Em meio a tanto agito, existe um pulmão verde, um local bucólico com muita área verde, vegetação e lagos para podermos relaxar após uma dura semana.

O Parque da Paz é um parque relativamente novo com menos de 20 anos, porém transformou-se em um belo lugar para relaxar, caminhar por trilhas em meio a um bosque, repleto de vida selvagem. Apreciar os lagos com seus patos, cisnes, gansos, marrecos, gaivotas, pombos e tantas outras aves que aproveitam o espaço.

As crianças andam de bicicleta, jogam bola no gramado e aproveitam para entrar em contato com a natureza, curtindo o verde, respirando ar puro e tomando sol, apesar do dia frio de outono.

Espero que curta este vídeo, aprecie as maravilhas de Portugal em nossa playlist, deixe seu joinha, comenta e caso não seja inscrito, favor inscreva-se em nosso canal. Toda ajuda é Bem-Vinda.

Tags


#Portugal #Almada #ParqueDaPaz #Aves #Gansos #Fauna #Cisnes #Parque #Lago #Gaivota #Marreco #Pinheiro #Carvalho #Muralha #Pedras #Paz #Bucolico #Recanto

domingo, 3 de abril de 2016

Uma gaiola bem divertida

Bellacosa Mainframe em uma aventura numa gaiola divertida

Uma gaiola bem divertida 

Uma gaiola muito divertida e muito louca


Se voce para e fica apreciando a cada momento surge algo novo, tem muitos passaros nesta gaiola. E um dos tucanos eh biruta, repare o q ele faz... bate cabeca vira e mexe.



E se for rapido consegue ver uma tartaruga... boa sorte...

Cococoriiiccooooooooooooooo

domingo, 20 de março de 2016

Outro viveiro de aves

Bellacosa Mainframe e a costela na brasa e um viveiro a beira da estrada

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🦜 O Viveiro à Beira da Dom Pedro — Um Domingo com Gosto de Roça

Costela na brasa, sertanejo raiz, Formiguinha explorando cada canto e a beleza contraditória de pássaros que eu preferia ver voando livres

Era um domingo de 2016.

Eu, Juliana e o pequeno Formiga estávamos em um restaurante às margens da Rodovia Dom Pedro I. Na postagem original escrevi Campinas, mas, revendo minhas memórias tantos anos depois, faço a correção: estávamos em Valinhos.

E o lugar combinava perfeitamente com um domingo sem pressa.

Era daqueles restaurantes rústicos, com jeito de roça, onde a experiência começava antes mesmo de a comida chegar à mesa. Madeira, ambiente simples, natureza ao redor e, completando o cenário, sertanejo raiz.

Mas sertanejo raiz mesmo.

Nada daquela parafernália eletrônica moderna. Era música que parecia pertencer ao próprio ambiente, dessas que você imagina sendo tocadas num rancho enquanto uma viola acompanha uma conversa comprida.

E havia a costela.

Costela na brasa.

Daquelas que transformam o almoço no evento principal do domingo.

Depois de comer muito bem, fizemos aquilo que tantas vezes aparece nas minhas antigas fotografias e vídeos: fomos explorar.

Com uma criança curiosa ao lado, dificilmente um passeio terminava na mesa do restaurante.

E encontramos o viveiro.

Era realmente muito bonito.



Havia patos, marrecos, calopsitas, agapórnis, periquitos e outras aves, formando aquela algazarra característica de dezenas de pequenos habitantes dividindo o mesmo espaço.

Para o Formiga aquilo era uma descoberta.

Para mim, porém, havia dois sentimentos acontecendo ao mesmo tempo.

Eu adorava observar aquelas aves. As cores, os sons, os movimentos, as pequenas interações entre elas.

Mas também sentia certa tristeza.

Porque estavam presas.

Sempre houve alguma coisa nessa ideia que mexeu comigo. Talvez porque eu goste demais da liberdade. Gosto de olhar para uma ave e imaginar que ela pode simplesmente abrir as asas e ir embora.

Voar para uma árvore.

Depois para outra.

Escolher onde pousar.

Desaparecer no horizonte se quiser.

Ser dona do próprio caminho.

Por isso um viveiro pode ser belíssimo e, simultaneamente, despertar em mim uma pequena melancolia.

Algumas daquelas aves também acionavam outra máquina poderosíssima: a memória.

Já tive agapórnis e calopsitas em outros momentos da minha vida. Assim, olhar para aqueles pequenos pássaros em 2016 também significava reencontrar silenciosamente outros tempos, outros lugares e outros personagens da minha própria história.

Ali perto havia ainda um lago.

Carpas nadavam tranquilamente, acompanhadas por bagres e outros peixes. Água, aves, vegetação e o restaurante rústico criavam uma paisagem quase idílica.

E provavelmente era exatamente disso que precisávamos naquele domingo.

Nada extraordinário aconteceu.

Nenhuma grande viagem.

Nenhum monumento famoso.

Nenhum acontecimento capaz de entrar para os livros de História.

É justamente por isso que gosto tanto desses pequenos registros.

Porque a vida também acontece assim.

Uma costela na brasa.

Uma viola tocando ao fundo.

Juliana fazendo companhia.

Formiguinha descobrindo um viveiro.

Patos andando de um lado para outro.

Carpas desaparecendo sob a água.

E eu observando aquelas pequenas aves coloridas enquanto pensava que seriam ainda mais bonitas se pudessem simplesmente abrir as asas e escolher para onde voar.

Hoje, dez anos depois, aquele pequeno vídeo ganha outro significado.

Ele não registra apenas um viveiro de aves em um restaurante de Valinhos.

Registra um domingo feliz.

Uma boa companhia.

Um almoço delicioso com gosto de comida da roça.

Uma criança explorando o mundo.

E algumas horas de uma vida que naquele momento pareciam absolutamente comuns.

Talvez essa seja uma das coisas mais curiosas da memória.

No instante em que estamos vivendo, pensamos:

"É apenas um domingo."

Dez anos depois, abrimos uma fotografia, assistimos novamente a alguns segundos de vídeo e descobrimos:

não era apenas um domingo.

Era a nossa vida acontecendo.

E, felizmente, alguém resolveu apertar o botão de gravar.

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Outro viveiro de aves


Realmente este restaurante é uma caixinha de surpresas, encontramos outro viveiro, agora povoado de Agapornes, periquitos, papagaios, patos e no laguinho logo abaixo peixes.



O Formiguinha deu um grito de satisfação quando viu tamanha algazarra dentro do viveiro, realmente é uma diversão sem fim, ver a bagunça que nossos amigos empenados fazem.

Um pouco triste ver tão alegres aves presas em um viveiro, mas é agradável ao olhar ver tantas espécies juntas.

domingo, 13 de março de 2016

Lagoa do Taquaral zoeira com as aves aquáticas

Bellacosa Mainframe e as aves aquaticas da Lagoa Taquaral

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌅 Quando os chimpanzés vão embora

Este pequeno vídeo junta-se a tantos outros fragmentos daquele dia agradável que passei com Juliana e o Formiga no Parque Portugal, nossa velha Lagoa do Taquaral.

Não aconteceu nada extraordinário.

E talvez justamente por isso tenha sido extraordinário.

Comemos pastel no lanche da tarde, bebemos água de coco e caldo de cana, caminhamos, rimos, brincamos e fizemos aquilo que às vezes esquecemos de fazer quando nos tornamos adultos:

simplesmente curtimos o momento.

Sem obrigação.

Sem horário apertado.

Sem precisar transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

O pequeno Formiga observava os animais, eu inventava histórias e, naturalmente, começávamos a imaginar o que aquelas aves estariam pensando sobre aquela invasão diária de seres humanos.

Porque existe outra Lagoa do Taquaral que nós quase nunca vemos.

É o Taquaral depois que vamos embora.


🦆 Finalmente os humanos foram embora!

Durante o dia somos milhares.

Crianças correndo.

Adultos conversando.

Bicicletas passando.

Gente caminhando.

Cães latindo.

Fotografias.

Música.

Gritos.

Risadas.

E, evidentemente, alguns humanos especialmente barulhentos — feito chimpanzés fugitivos de algum zoológico imaginário — acabando com a paz dos verdadeiros moradores do parque.

😄

Então chega o final da tarde.

O Sol começa a desaparecer.

Os portões fecham.

Os últimos visitantes caminham em direção à saída.

Os cachorros voltam para casa.

Os gatos procuram outros territórios.

As pessoas começam a pensar no jantar.

E finalmente...

silêncio.

Talvez seja justamente aí que comece o verdadeiro expediente dos moradores do Taquaral.



🌳 O parque depois dos humanos

Quando o ruído da cidade diminui, outros sons voltam a ocupar o espaço.

A água correndo.

As folhas farfalhando sob o vento.

Um galho balançando.

O bater de asas.

O pequeno ruído produzido por uma ave entrando na água.

Aquilo que durante o dia parece apenas cenário volta a ser um ecossistema.

As aves aquáticas deslizam tranquilamente pela superfície da lagoa.

Algumas procuram alimento.

Outras procuram abrigo.

Algumas sobem para galhos mais altos.

Outras desaparecem entre moitas rasteiras.

E certamente existem centenas de pequenos acontecimentos ocorrendo ali enquanto nós estamos em nossas casas completamente alheios a eles.

Para nós, o parque fechou.

Para eles, talvez o parque finalmente tenha aberto.



🏙️ Natureza cercada por concreto

Existe também algo curioso nessa paisagem.

Campinas já foi uma região marcada por fazendas, plantações e grandes extensões rurais.

A cidade cresceu.

Vieram ruas.

Avenidas.

Automóveis.

Prédios.

Condomínios.

E os espigões de concreto passaram a dominar boa parte do horizonte.

Mas dentro dessa enorme estrutura urbana permanecem pequenas ilhas onde fauna e flora continuam dividindo espaço conosco.

A Lagoa do Taquaral é uma delas.

Talvez por isso observar aqueles animais tenha algo de especial.

Não precisamos viajar centenas de quilômetros para encontrar natureza.

Às vezes ela está ali, diante de nós, tentando continuar sua rotina enquanto construímos uma cidade inteira ao redor dela.



💻 Um homem dos bits olhando para o céu

Talvez exista ainda uma pequena contradição pessoal nisso tudo.

Passei grande parte da vida profissional trabalhando com computadores.

Bits.

Bytes.

Memória.

Processadores.

Programas.

Mainframes.

Sistemas nos quais praticamente tudo precisa possuir uma lógica, uma sequência e um propósito.

INPUT → PROCESSAMENTO → OUTPUT

Mas coloque uma ave no céu e toda essa organização desaparece.

Eu adoro vê-las voando livres.

Uma ave cruza o céu e eu frequentemente paro para acompanhar.

Ela não possui JOB.

Não possui JCL.

Não recebeu prioridade do WLM.

Não precisa abrir chamado.

Não existe SLA determinando que esteja em determinado galho às 17h32.

Ela simplesmente...

voa.

E existe algo maravilhosamente libertador nisso.



🌕 A lagoa que continua existindo sem nós

Também gosto de imaginar aquelas aves aquáticas quando a noite chega.

O Sol desaparece atrás das árvores.

A superfície da lagoa escurece.

Em noites de lua cheia, a luz da Lua encontra a água e cria pequenos reflexos enquanto alguma ave atravessa silenciosamente a superfície.

Nenhuma plateia.

Nenhuma câmera.

Nenhum celular.

Nenhum humano dizendo:

— Olha ali!

Apenas a ave.

A água.

As árvores.

O vento.

E a Lua.

Talvez aquele seja um dos momentos mais bonitos do Taquaral.

E quase nenhum de nós está lá para assistir.


☕ O pequeno vídeo que ficou

Em 2016 eu provavelmente não estava pensando em nada disso.

Estávamos apenas nos divertindo.

Juliana, Formiga e eu.

Pastel.

Água de coco.

Caldo de cana.

Patos.

Marrecos.

Brincadeiras.

Um celular registrando alguns segundos de um domingo qualquer.

Dez anos depois, porém, aquele pequeno vídeo tornou-se outra coisa.

Virou um ponteiro para a memória.

Quando olho para ele, não vejo apenas algumas aves reunidas perto da Lagoa do Taquaral.

Consigo reconstruir pedaços daquele dia.

As caminhadas.

As brincadeiras.

As conversas.

O Formiga pequeno.

As bobagens que inventávamos.

O Sol descendo lentamente.

E aquela sensação maravilhosa de não termos absolutamente nenhum lugar mais importante para estar.

Talvez seja justamente para isso que servem esses pequenos registros.

Não para documentar os grandes acontecimentos.

Os grandes acontecimentos normalmente já possuem fotografias, datas e histórias.

São os dias comuns que desaparecem.

Um pastel.

Um copo de caldo de cana.

Uma criança rindo.

Algumas aves na água.

Um pôr do sol.

Por isso aquele vídeo aparentemente insignificante continua aqui.

É mais um pequeno fragmento de um dia que terminou há muitos anos.

O parque fechou.

Nós fomos embora.

A noite chegou.

E imagino que, alguns minutos depois, escondidos entre árvores, galhos e moitas, os verdadeiros habitantes da Lagoa do Taquaral tenham finalmente olhado uns para os outros e pensado:

— Ufa! Os chimpanzés foram embora.

🦆🌙

E então a lagoa voltou a pertencer a eles.

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O clube dos marrecos


Caminhando em Direcção a concha acústica, nos deparamos com varias aves aquáticas reunidas no clubinho... claro que o Formiguinha e seu amigo imaginário não podiam deixar de fazer piada.



Os bichos reunidos aguardando o por do sol, a espera que os humanos chatos retornem as suas casas para enfim descansarem e aproveitarem a merecida paz.

Varias espécimes convivendo e dividindo seu territórios e no jogo do Formiguinha aquilo é a festa dos Patos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Passaros trollando-se em Piracicaba

Bellacosa Mainframe e um delicioso almoço em Piracicaba 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🐦 Piracicaba, o Fusquinha Vermelho e o Pequeno Gnomo de Asas

Um almoço à beira do Rio Piracicaba, memórias de infância e um passarinho endiabrado que resolveu não deixar ninguém em paz

Piracicaba tem seu encanto.

Mas, para mim, Piracicaba nunca foi apenas o nome de uma cidade do interior de São Paulo.

Piracicaba faz parte da minha vida.

Muito antes de eu dirigir pelas estradas do interior, viajar por conta própria ou carregar uma câmera para registrar essas pequenas cenas aparentemente banais, existia um homem, um Fusquinha vermelho e uma família sendo levada para descobrir o mundo.

Esse homem era meu pai.

Meu pai tinha espírito livre e gostava de viajar.

E aquele famoso Fusquinha vermelho acabou se transformando numa espécie de máquina de aventuras da família Bellacosa.

Não precisava haver aeroporto.

Não precisava haver reserva sofisticada.

Não precisava existir um grande plano.

Havia uma estrada.

Havia uma cidade para conhecer.

E isso bastava.

Piracicaba, Limeira e tantas outras cidades do interior paulista deixaram, assim, de ser simples nomes escritos nas placas das rodovias.

Viraram lembranças.



🚗 O Fusquinha vermelho

Quando somos crianças, não entendemos muito bem o que nossos pais estão construindo.

Para a criança, aquilo é apenas:

— Vamos passear!

Entramos no carro e pronto.

Mas décadas depois percebemos que aqueles passeios estavam criando uma coisa muito maior.

Estavam construindo nosso mapa afetivo.

Certas cidades ficam associadas a pessoas.

Certas estradas ficam associadas a épocas.

Certos lugares carregam lembranças que nenhuma coordenada geográfica consegue mostrar.

Meu pai provavelmente não imaginava que, muitos anos depois, eu continuaria retornando a alguns daqueles lugares.

O Fusquinha vermelho desapareceria da estrada.

Mas a estrada continuaria.

E eu também.



❤️ A viagem continua com Juliana

Anos depois, Piracicaba voltou a fazer parte da minha história de outra maneira.

Agora eu não era mais aquela criança sendo levada pelo pai.

Eu voltava com Juliana.

Fomos algumas vezes somente nós dois.

Em outras ocasiões fomos com o Formiga.

E assim aconteceu uma coisa bonita que somente percebemos quando olhamos nossa própria história de longe:

eu comecei a repetir o ritual.

Meu pai colocava a família dentro do Fusquinha e saía pelo interior.

Décadas depois, eu também colocava minha família no carro e seguia pelas mesmas estradas.

Os carros mudaram.

As décadas mudaram.

As pessoas dentro do carro mudaram.

Mas aquela curiosidade permaneceu.

Talvez meu pai tenha me deixado uma herança muito maior do que imaginava:

a vontade de ir ver.



🐟 E em Piracicaba havia um ritual

Em nossas visitas, um dos pontos altos era praticamente obrigatório:

os rodízios de peixe à beira do Rio Piracicaba.

Para quem gosta de peixe, aquilo pode ser um pequeno paraíso.

Sentar perto do rio, comer sem pressa e observar a paisagem fazia parte do passeio.

Não era apenas entrar em um restaurante, almoçar e ir embora.

O próprio entorno fazia parte da refeição.

A correnteza.

As árvores.

A brisa.

Os sons.

As aves.

As pessoas circulando.

O rio seguindo seu caminho indiferente aos pequenos dramas humanos que aconteciam às suas margens.

E foi justamente durante um desses almoços que aconteceu a cena registrada neste pequeno vídeo.


🌳 Tudo estava tranquilo...

Estávamos no meio do almoço.

Aquela tranquilidade deliciosa.

Sentindo a brisa.

Observando a correnteza.

Olhando as árvores.

Comendo peixe.

Até que alguma coisa chamou minha atenção.

Havia um pequeno grupo de pássaros.

Pela distância e pela qualidade da gravação, não consigo identificar com segurança quais eram as aves.

Mas, naquele momento, isso pouco importava.

Porque havia algo muito mais interessante acontecendo.

Entre todas aquelas aves aparentemente sossegadas, existia uma criatura endiabrada.

😂

Um pequeno agente do caos.

Um gnomo gozador com penas e asas.

Enquanto os outros pareciam satisfeitos em praticar aquela maravilhosa atividade conhecida como não fazer absolutamente nada, o nosso protagonista aparentemente tinha acordado com outro objetivo:

incomodar todo mundo.

😈 O chato do grupo

E ele não escolhia uma vítima.

Não.

Isso seria pouco.

Era um profissional.

Incomodava um.

Depois outro.

Depois outro.

Pia.

Sobe.

Desce.

Empurra.

Voa.

Volta.

Perturba outro.

Sai correndo.

Retorna.

As outras aves estavam simplesmente ali, curtindo a existência e provavelmente de olho em qualquer coisa deliciosa que pudesse cair das mesas humanas.

Nosso pequeno traquinas, porém, parecia possuir uma missão.

Ninguém terá paz enquanto eu estiver aqui.

😂

Era impossível não humanizar aquela cena.

Nós olhávamos e reconhecíamos imediatamente um personagem universal.

O chato do grupo.

Toda turma tem um.

Aquele sujeito que não consegue simplesmente ficar quieto.

Se todos estão conversando tranquilamente, ele cutuca alguém.

Se todos estão em silêncio, ele inventa alguma coisa.

Se ninguém está brigando, cinco minutos depois existe uma excelente possibilidade de alguém querer esganá-lo.

A diferença é que aquele tinha penas.

🐦 Não era um. Nem dois.

Essa era justamente a parte que tornava tudo ainda mais engraçado.

Ele não parecia ter qualquer preferência.

Não era uma briga específica entre duas aves.

O pequeno capeta parecia distribuir democraticamente sua inconveniência.

Incomodava várias.

Para nós, humanos sentados à mesa, aquilo começou a se transformar num espetáculo paralelo ao almoço.

E existe algo maravilhoso nisso.

Não pagamos ingresso.

Não havia roteiro.

Não existia narrador da National Geographic.

Nenhuma ave havia assinado contrato.

Simplesmente estávamos no lugar certo, olhando na direção certa, no momento certo.

E alguém tinha uma câmera.

🎥 Então apertei REC

Hoje estamos acostumados a produzir imagens deliberadamente.

Enquadramento.

Thumbnail.

Título.

SEO.

Publicação.

Mas muitos dos meus vídeos antigos nasceram de maneira completamente diferente.

Alguma coisa chamava minha atenção e eu simplesmente registrava.

Era quase um reflexo:

“Olha isso!”

E começava a filmar.

Foi exatamente o que preservou aquele pequeno acontecimento.

Talvez aqueles pássaros tenham permanecido ali durante horas.

Talvez o nosso gnomo alado tenha se acalmado dois minutos depois.

Talvez tenha encontrado outro grupo para atormentar.

Nunca saberemos.

Mas alguns segundos sobreviveram.

📼 Dez anos depois

E aqui começa outra história.

Porque quando publiquei aquele pequeno vídeo em janeiro de 2016, provavelmente não imaginava que, mais de uma década depois, estaria olhando novamente para aquelas imagens e reconstruindo tudo que existia fora do enquadramento.

A câmera mostra os pássaros.

Mas minha memória mostra muito mais.

Mostra Piracicaba.

Mostra o rio.

Mostra o almoço.

Mostra Juliana.

Mostra Formiga em outras viagens.

E, indo ainda mais para trás no tempo, aparece aquele Fusquinha vermelho.

Meu pai.

Minha infância.

As cidades do interior.

As estradas.

É extraordinário perceber como funciona a memória.

Começamos falando sobre um pássaro trollando outros pássaros...

e terminamos chegando ao nosso pai décadas antes.

🚗➡️🐦 O que não aparece no vídeo

Meu pai não aparece naquela gravação.

O Fusquinha vermelho também não.

Mas, de certa maneira, ambos estão ali.

Porque talvez eu estivesse naquele restaurante à margem do Rio Piracicaba justamente porque, muitos anos antes, alguém havia me ensinado que valia a pena entrar num carro e descobrir o que existia depois da próxima curva.

Essa curiosidade ficou.

Meu pai levou os filhos.

Depois levei minha família.

E lugares conhecidos durante a infância ganharam novas camadas.

Piracicaba da infância.

Piracicaba com Juliana.

Piracicaba com Formiga.

Piracicaba do peixe.

Piracicaba do rio.

E agora...

Piracicaba do passarinho FDP.

😂

Essa também merece entrar no mapa.

🐦 Mesmo na natureza os animais se trollam

Nós gostamos de romantizar a natureza.

Imaginamos os animais vivendo em equilíbrio absoluto.

Tudo perfeitamente organizado.

Cada passarinho respeitando educadamente o espaço do vizinho.

Mas basta observar durante algum tempo para perceber que o mundo animal também possui disputas, competição, hierarquias, invasões de espaço e comportamentos que, vistos através de nossos olhos humanos, parecem pura provocação.

Não sei exatamente o motivo daquele comportamento.

Poderia envolver comida.

Território.

Hierarquia.

Ou alguma dinâmica que somente aquelas aves compreendiam.

Por isso não quero transformar uma cena divertida em uma falsa explicação científica.

O que posso afirmar é aquilo que vimos:

um deles não deixava os outros em paz.

E foi divertidíssimo assistir.

💾 Pequenos vídeos, grandes backups

Existe uma lição escondida nesses arquivos antigos.

Nós normalmente sabemos que devemos fotografar os grandes acontecimentos.

Aniversários.

Casamentos.

Viagens.

Formaturas.

Monumentos.

Paisagens extraordinárias.

Mas frequentemente são os registros aparentemente inúteis que, anos depois, adquirem um valor inesperado.

Um almoço.

Uma estrada.

Uma ave.

Um Fusquinha.

Uma brincadeira.

Porque nossa memória não funciona como um banco de dados perfeitamente indexado.

Às vezes precisamos de uma chave.

Aquele pequeno vídeo é uma delas.

PLAY.

Os pássaros aparecem.

E uma cadeia inteira de memórias é recuperada.

Piracicaba.

Rio.

Peixe.

Juliana.

Formiga.

Infância.

Pai.

Fusquinha vermelho.

É praticamente um SELECT emocional executado contra décadas de memória.

E tudo começou porque um passarinho resolveu ser inconveniente.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Talvez seja justamente por isso que vale a pena recuperar essas pequenas postagens antigas.

Não para fingir que em 2016 eu pretendia escrever uma grande crônica.

Não pretendia.

Eu simplesmente achei a cena engraçada.

Filmei.

Publiquei.

E provavelmente pensei:

“Olha esse pilantra!”

Mas o tempo adiciona metadados às nossas lembranças.

Hoje percebo que aquele vídeo registra muito mais do que uma pequena confusão entre pássaros.

Registra a continuidade de uma história.

Meu pai me ensinou, talvez sem perceber, que havia um mundo esperando depois da próxima cidade.

Piracicaba tornou-se uma dessas cidades.

Depois voltei com Juliana.

Voltei com Formiga.

Comemos peixe.

Sentimos a brisa.

Olhamos o rio.

E, numa dessas tardes, enquanto uma família humana simplesmente aproveitava o almoço...

um pequeno gnomo de asas decidiu que tranquilidade demais era inadmissível.

Começou a piar.

Subir.

Empurrar.

Voar.

Perturbar um.

Perturbar outro.

Perturbar todos.

Nós assistimos.

Rimos.

E eu apertei REC.

Dez anos depois, descubro que fiz muito mais do que filmar um passarinho.

Fiz backup de uma tarde da minha vida.

E, escondido dentro desse backup, encontrei novamente um pouco do espírito livre daquele homem dirigindo seu Fusquinha vermelho pelas estradas do interior.

Meu pai não está no vídeo.

Mas agora percebo:

ele também estava naquela viagem.

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Mesmo na natureza os animais se trollam

Pensamos que apenas humanos tem rompantes de ma vizinhança, que nada na natureza as vezes encontramos uns tipinhos que são verdadeiros FDPs.

Estávamos almoçando a beira rio em Piracicaba quando notamos uma movimentação de pássaros a beira rio, nada demais, porem quando todos estavam calmos e serenos, observando nossa refeição, eis que surge....




Caricato ver a cena, um dos pilantras brigando um com os outros. Vale a pena ver o video.


sábado, 14 de agosto de 1993

Zooparque de Itatiba: Paraiso das Aves.

Santuário e abrigo para animais.


O Zooparque de Itatiba esta situado as margens da Rodovia Dom Pedro, no inicio das suas actividades desenvolvia actividades de proteçao e tratamento de aves apreendidas pelo Ibama, com a expertise adquirida e com a dedicação de todos os funcionários, foi evoluindo até se transformar em parque zoológico.

Com o passar dos anos foram chegando outras espécies repteis, anfíbios e mamíferos tornando os habitats mais completos.




Em 1993 o zooparque tinha esta aparência tinha alguns recintos sendo construídos, muito espaço em aberto e as árvores ainda eram pequenas, recém plantadas em alguma obra paisagística.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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