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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

🌅 O Quintal de Itatiba – onde as aves cantam o tempo 🕊️

 



🌅 O Quintal de Itatiba – onde as aves cantam o tempo 🕊️
por Bellacosa Mainframe

Há lugares que não cabem em palavras — e meu quintal em Itatiba é um desses.
Nele, o tempo não corre: flutua entre o canto dos pássaros e o perfume das frutas maduras.

O sol nasce devagar, iluminando o coqueiro guerreiro que resiste às mandrovas e serve de farol às maritacas que chegam aos bandos. A goiabeira, generosa, se enfeita de doçura; as mamoeiras, filhas do Quiririm, recordam a casa de meu pai; e entre laranjas, pitangas e jabuticabas, a vida vai brotando como se o próprio chão lembrasse histórias antigas.

Mas o melhor presente de Deus — aquele que nenhum dinheiro compra — é a orquestra viva das aves.
Pelas manhãs, colibris namoram flores, pardais fazem algazarra nos beirais, rolinhas pulam felizes pelo chão.
Lá do alto, o joão-de-barro trabalha incansável, enquanto o bem-te-vi anuncia o dia com sua voz clara.
E quando penso que já ouvi de tudo, surge um canário, amarelo como o sol, abrindo o coração em música.
Há também os anônimos — pequenas vozes que não sei nomear — mas que completam a sinfonia da vida.

Do nascer ao pôr do sol, sou parte desse concerto.
E, vez ou outra, um maluco canta na madrugada, lembrando que nem o silêncio é absoluto quando a natureza tem algo a dizer.

Amo essas aves. Amo seus sons, suas asas, sua leveza.
Elas fazem do meu dia uma pintura viva — um quadro onde o som é cor e a alma encontra repouso.
🌿✨


sexta-feira, 3 de maio de 2019

Uma tarde deliciosa no Parque da Paz em Almada Portugal

Um local de muita paz e tranquilidade.


Estamos em Almada Portugal, próximo a uma autoestrada que liga o Algaver/Alentejo a Lisboa, posição estratégica para as ligação norte sul.


Em meio a tanto agito, existe um pulmão verde, um local bucólico com muita área verde, vegetação e lagos para podermos relaxar após uma dura semana.

O Parque da Paz é um parque relativamente novo com menos de 20 anos, porém transformou-se em um belo lugar para relaxar, caminhar por trilhas em meio a um bosque, repleto de vida selvagem. Apreciar os lagos com seus patos, cisnes, gansos, marrecos, gaivotas, pombos e tantas outras aves que aproveitam o espaço.

As crianças andam de bicicleta, jogam bola no gramado e aproveitam para entrar em contato com a natureza, curtindo o verde, respirando ar puro e tomando sol, apesar do dia frio de outono.

Espero que curta este vídeo, aprecie as maravilhas de Portugal em nossa playlist, deixe seu joinha, comenta e caso não seja inscrito, favor inscreva-se em nosso canal. Toda ajuda é Bem-Vinda.

Tags


#Portugal #Almada #ParqueDaPaz #Aves #Gansos #Fauna #Cisnes #Parque #Lago #Gaivota #Marreco #Pinheiro #Carvalho #Muralha #Pedras #Paz #Bucolico #Recanto

domingo, 3 de abril de 2016

Uma gaiola bem divertida

Bellacosa Mainframe em uma aventura numa gaiola divertida

Uma gaiola bem divertida 

Uma gaiola muito divertida e muito louca


Se voce para e fica apreciando a cada momento surge algo novo, tem muitos passaros nesta gaiola. E um dos tucanos eh biruta, repare o q ele faz... bate cabeca vira e mexe.



E se for rapido consegue ver uma tartaruga... boa sorte...

Cococoriiiccooooooooooooooo

domingo, 20 de março de 2016

Outro viveiro de aves

Bellacosa Mainframe e a costela na brasa e um viveiro a beira da estrada

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🦜 O Viveiro à Beira da Dom Pedro — Um Domingo com Gosto de Roça

Costela na brasa, sertanejo raiz, Formiguinha explorando cada canto e a beleza contraditória de pássaros que eu preferia ver voando livres

Era um domingo de 2016.

Eu, Juliana e o pequeno Formiga estávamos em um restaurante às margens da Rodovia Dom Pedro I. Na postagem original escrevi Campinas, mas, revendo minhas memórias tantos anos depois, faço a correção: estávamos em Valinhos.

E o lugar combinava perfeitamente com um domingo sem pressa.

Era daqueles restaurantes rústicos, com jeito de roça, onde a experiência começava antes mesmo de a comida chegar à mesa. Madeira, ambiente simples, natureza ao redor e, completando o cenário, sertanejo raiz.

Mas sertanejo raiz mesmo.

Nada daquela parafernália eletrônica moderna. Era música que parecia pertencer ao próprio ambiente, dessas que você imagina sendo tocadas num rancho enquanto uma viola acompanha uma conversa comprida.

E havia a costela.

Costela na brasa.

Daquelas que transformam o almoço no evento principal do domingo.

Depois de comer muito bem, fizemos aquilo que tantas vezes aparece nas minhas antigas fotografias e vídeos: fomos explorar.

Com uma criança curiosa ao lado, dificilmente um passeio terminava na mesa do restaurante.

E encontramos o viveiro.

Era realmente muito bonito.



Havia patos, marrecos, calopsitas, agapórnis, periquitos e outras aves, formando aquela algazarra característica de dezenas de pequenos habitantes dividindo o mesmo espaço.

Para o Formiga aquilo era uma descoberta.

Para mim, porém, havia dois sentimentos acontecendo ao mesmo tempo.

Eu adorava observar aquelas aves. As cores, os sons, os movimentos, as pequenas interações entre elas.

Mas também sentia certa tristeza.

Porque estavam presas.

Sempre houve alguma coisa nessa ideia que mexeu comigo. Talvez porque eu goste demais da liberdade. Gosto de olhar para uma ave e imaginar que ela pode simplesmente abrir as asas e ir embora.

Voar para uma árvore.

Depois para outra.

Escolher onde pousar.

Desaparecer no horizonte se quiser.

Ser dona do próprio caminho.

Por isso um viveiro pode ser belíssimo e, simultaneamente, despertar em mim uma pequena melancolia.

Algumas daquelas aves também acionavam outra máquina poderosíssima: a memória.

Já tive agapórnis e calopsitas em outros momentos da minha vida. Assim, olhar para aqueles pequenos pássaros em 2016 também significava reencontrar silenciosamente outros tempos, outros lugares e outros personagens da minha própria história.

Ali perto havia ainda um lago.

Carpas nadavam tranquilamente, acompanhadas por bagres e outros peixes. Água, aves, vegetação e o restaurante rústico criavam uma paisagem quase idílica.

E provavelmente era exatamente disso que precisávamos naquele domingo.

Nada extraordinário aconteceu.

Nenhuma grande viagem.

Nenhum monumento famoso.

Nenhum acontecimento capaz de entrar para os livros de História.

É justamente por isso que gosto tanto desses pequenos registros.

Porque a vida também acontece assim.

Uma costela na brasa.

Uma viola tocando ao fundo.

Juliana fazendo companhia.

Formiguinha descobrindo um viveiro.

Patos andando de um lado para outro.

Carpas desaparecendo sob a água.

E eu observando aquelas pequenas aves coloridas enquanto pensava que seriam ainda mais bonitas se pudessem simplesmente abrir as asas e escolher para onde voar.

Hoje, dez anos depois, aquele pequeno vídeo ganha outro significado.

Ele não registra apenas um viveiro de aves em um restaurante de Valinhos.

Registra um domingo feliz.

Uma boa companhia.

Um almoço delicioso com gosto de comida da roça.

Uma criança explorando o mundo.

E algumas horas de uma vida que naquele momento pareciam absolutamente comuns.

Talvez essa seja uma das coisas mais curiosas da memória.

No instante em que estamos vivendo, pensamos:

"É apenas um domingo."

Dez anos depois, abrimos uma fotografia, assistimos novamente a alguns segundos de vídeo e descobrimos:

não era apenas um domingo.

Era a nossa vida acontecendo.

E, felizmente, alguém resolveu apertar o botão de gravar.

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Outro viveiro de aves


Realmente este restaurante é uma caixinha de surpresas, encontramos outro viveiro, agora povoado de Agapornes, periquitos, papagaios, patos e no laguinho logo abaixo peixes.



O Formiguinha deu um grito de satisfação quando viu tamanha algazarra dentro do viveiro, realmente é uma diversão sem fim, ver a bagunça que nossos amigos empenados fazem.

Um pouco triste ver tão alegres aves presas em um viveiro, mas é agradável ao olhar ver tantas espécies juntas.

domingo, 13 de março de 2016

Lagoa do Taquaral zoeira com as aves aquáticas

Bellacosa Mainframe e as aves aquaticas da Lagoa Taquaral

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🌅 Quando os chimpanzés vão embora

Este pequeno vídeo junta-se a tantos outros fragmentos daquele dia agradável que passei com Juliana e o Formiga no Parque Portugal, nossa velha Lagoa do Taquaral.

Não aconteceu nada extraordinário.

E talvez justamente por isso tenha sido extraordinário.

Comemos pastel no lanche da tarde, bebemos água de coco e caldo de cana, caminhamos, rimos, brincamos e fizemos aquilo que às vezes esquecemos de fazer quando nos tornamos adultos:

simplesmente curtimos o momento.

Sem obrigação.

Sem horário apertado.

Sem precisar transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

O pequeno Formiga observava os animais, eu inventava histórias e, naturalmente, começávamos a imaginar o que aquelas aves estariam pensando sobre aquela invasão diária de seres humanos.

Porque existe outra Lagoa do Taquaral que nós quase nunca vemos.

É o Taquaral depois que vamos embora.


🦆 Finalmente os humanos foram embora!

Durante o dia somos milhares.

Crianças correndo.

Adultos conversando.

Bicicletas passando.

Gente caminhando.

Cães latindo.

Fotografias.

Música.

Gritos.

Risadas.

E, evidentemente, alguns humanos especialmente barulhentos — feito chimpanzés fugitivos de algum zoológico imaginário — acabando com a paz dos verdadeiros moradores do parque.

😄

Então chega o final da tarde.

O Sol começa a desaparecer.

Os portões fecham.

Os últimos visitantes caminham em direção à saída.

Os cachorros voltam para casa.

Os gatos procuram outros territórios.

As pessoas começam a pensar no jantar.

E finalmente...

silêncio.

Talvez seja justamente aí que comece o verdadeiro expediente dos moradores do Taquaral.



🌳 O parque depois dos humanos

Quando o ruído da cidade diminui, outros sons voltam a ocupar o espaço.

A água correndo.

As folhas farfalhando sob o vento.

Um galho balançando.

O bater de asas.

O pequeno ruído produzido por uma ave entrando na água.

Aquilo que durante o dia parece apenas cenário volta a ser um ecossistema.

As aves aquáticas deslizam tranquilamente pela superfície da lagoa.

Algumas procuram alimento.

Outras procuram abrigo.

Algumas sobem para galhos mais altos.

Outras desaparecem entre moitas rasteiras.

E certamente existem centenas de pequenos acontecimentos ocorrendo ali enquanto nós estamos em nossas casas completamente alheios a eles.

Para nós, o parque fechou.

Para eles, talvez o parque finalmente tenha aberto.



🏙️ Natureza cercada por concreto

Existe também algo curioso nessa paisagem.

Campinas já foi uma região marcada por fazendas, plantações e grandes extensões rurais.

A cidade cresceu.

Vieram ruas.

Avenidas.

Automóveis.

Prédios.

Condomínios.

E os espigões de concreto passaram a dominar boa parte do horizonte.

Mas dentro dessa enorme estrutura urbana permanecem pequenas ilhas onde fauna e flora continuam dividindo espaço conosco.

A Lagoa do Taquaral é uma delas.

Talvez por isso observar aqueles animais tenha algo de especial.

Não precisamos viajar centenas de quilômetros para encontrar natureza.

Às vezes ela está ali, diante de nós, tentando continuar sua rotina enquanto construímos uma cidade inteira ao redor dela.



💻 Um homem dos bits olhando para o céu

Talvez exista ainda uma pequena contradição pessoal nisso tudo.

Passei grande parte da vida profissional trabalhando com computadores.

Bits.

Bytes.

Memória.

Processadores.

Programas.

Mainframes.

Sistemas nos quais praticamente tudo precisa possuir uma lógica, uma sequência e um propósito.

INPUT → PROCESSAMENTO → OUTPUT

Mas coloque uma ave no céu e toda essa organização desaparece.

Eu adoro vê-las voando livres.

Uma ave cruza o céu e eu frequentemente paro para acompanhar.

Ela não possui JOB.

Não possui JCL.

Não recebeu prioridade do WLM.

Não precisa abrir chamado.

Não existe SLA determinando que esteja em determinado galho às 17h32.

Ela simplesmente...

voa.

E existe algo maravilhosamente libertador nisso.



🌕 A lagoa que continua existindo sem nós

Também gosto de imaginar aquelas aves aquáticas quando a noite chega.

O Sol desaparece atrás das árvores.

A superfície da lagoa escurece.

Em noites de lua cheia, a luz da Lua encontra a água e cria pequenos reflexos enquanto alguma ave atravessa silenciosamente a superfície.

Nenhuma plateia.

Nenhuma câmera.

Nenhum celular.

Nenhum humano dizendo:

— Olha ali!

Apenas a ave.

A água.

As árvores.

O vento.

E a Lua.

Talvez aquele seja um dos momentos mais bonitos do Taquaral.

E quase nenhum de nós está lá para assistir.


☕ O pequeno vídeo que ficou

Em 2016 eu provavelmente não estava pensando em nada disso.

Estávamos apenas nos divertindo.

Juliana, Formiga e eu.

Pastel.

Água de coco.

Caldo de cana.

Patos.

Marrecos.

Brincadeiras.

Um celular registrando alguns segundos de um domingo qualquer.

Dez anos depois, porém, aquele pequeno vídeo tornou-se outra coisa.

Virou um ponteiro para a memória.

Quando olho para ele, não vejo apenas algumas aves reunidas perto da Lagoa do Taquaral.

Consigo reconstruir pedaços daquele dia.

As caminhadas.

As brincadeiras.

As conversas.

O Formiga pequeno.

As bobagens que inventávamos.

O Sol descendo lentamente.

E aquela sensação maravilhosa de não termos absolutamente nenhum lugar mais importante para estar.

Talvez seja justamente para isso que servem esses pequenos registros.

Não para documentar os grandes acontecimentos.

Os grandes acontecimentos normalmente já possuem fotografias, datas e histórias.

São os dias comuns que desaparecem.

Um pastel.

Um copo de caldo de cana.

Uma criança rindo.

Algumas aves na água.

Um pôr do sol.

Por isso aquele vídeo aparentemente insignificante continua aqui.

É mais um pequeno fragmento de um dia que terminou há muitos anos.

O parque fechou.

Nós fomos embora.

A noite chegou.

E imagino que, alguns minutos depois, escondidos entre árvores, galhos e moitas, os verdadeiros habitantes da Lagoa do Taquaral tenham finalmente olhado uns para os outros e pensado:

— Ufa! Os chimpanzés foram embora.

🦆🌙

E então a lagoa voltou a pertencer a eles.

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O clube dos marrecos


Caminhando em Direcção a concha acústica, nos deparamos com varias aves aquáticas reunidas no clubinho... claro que o Formiguinha e seu amigo imaginário não podiam deixar de fazer piada.



Os bichos reunidos aguardando o por do sol, a espera que os humanos chatos retornem as suas casas para enfim descansarem e aproveitarem a merecida paz.

Varias espécimes convivendo e dividindo seu territórios e no jogo do Formiguinha aquilo é a festa dos Patos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Passaros trollando-se em Piracicaba

Bellacosa Mainframe e um delicioso almoço em Piracicaba 

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🐦 Piracicaba, o Fusquinha Vermelho e o Pequeno Gnomo de Asas

Um almoço à beira do Rio Piracicaba, memórias de infância e um passarinho endiabrado que resolveu não deixar ninguém em paz

Piracicaba tem seu encanto.

Mas, para mim, Piracicaba nunca foi apenas o nome de uma cidade do interior de São Paulo.

Piracicaba faz parte da minha vida.

Muito antes de eu dirigir pelas estradas do interior, viajar por conta própria ou carregar uma câmera para registrar essas pequenas cenas aparentemente banais, existia um homem, um Fusquinha vermelho e uma família sendo levada para descobrir o mundo.

Esse homem era meu pai.

Meu pai tinha espírito livre e gostava de viajar.

E aquele famoso Fusquinha vermelho acabou se transformando numa espécie de máquina de aventuras da família Bellacosa.

Não precisava haver aeroporto.

Não precisava haver reserva sofisticada.

Não precisava existir um grande plano.

Havia uma estrada.

Havia uma cidade para conhecer.

E isso bastava.

Piracicaba, Limeira e tantas outras cidades do interior paulista deixaram, assim, de ser simples nomes escritos nas placas das rodovias.

Viraram lembranças.



🚗 O Fusquinha vermelho

Quando somos crianças, não entendemos muito bem o que nossos pais estão construindo.

Para a criança, aquilo é apenas:

— Vamos passear!

Entramos no carro e pronto.

Mas décadas depois percebemos que aqueles passeios estavam criando uma coisa muito maior.

Estavam construindo nosso mapa afetivo.

Certas cidades ficam associadas a pessoas.

Certas estradas ficam associadas a épocas.

Certos lugares carregam lembranças que nenhuma coordenada geográfica consegue mostrar.

Meu pai provavelmente não imaginava que, muitos anos depois, eu continuaria retornando a alguns daqueles lugares.

O Fusquinha vermelho desapareceria da estrada.

Mas a estrada continuaria.

E eu também.



❤️ A viagem continua com Juliana

Anos depois, Piracicaba voltou a fazer parte da minha história de outra maneira.

Agora eu não era mais aquela criança sendo levada pelo pai.

Eu voltava com Juliana.

Fomos algumas vezes somente nós dois.

Em outras ocasiões fomos com o Formiga.

E assim aconteceu uma coisa bonita que somente percebemos quando olhamos nossa própria história de longe:

eu comecei a repetir o ritual.

Meu pai colocava a família dentro do Fusquinha e saía pelo interior.

Décadas depois, eu também colocava minha família no carro e seguia pelas mesmas estradas.

Os carros mudaram.

As décadas mudaram.

As pessoas dentro do carro mudaram.

Mas aquela curiosidade permaneceu.

Talvez meu pai tenha me deixado uma herança muito maior do que imaginava:

a vontade de ir ver.



🐟 E em Piracicaba havia um ritual

Em nossas visitas, um dos pontos altos era praticamente obrigatório:

os rodízios de peixe à beira do Rio Piracicaba.

Para quem gosta de peixe, aquilo pode ser um pequeno paraíso.

Sentar perto do rio, comer sem pressa e observar a paisagem fazia parte do passeio.

Não era apenas entrar em um restaurante, almoçar e ir embora.

O próprio entorno fazia parte da refeição.

A correnteza.

As árvores.

A brisa.

Os sons.

As aves.

As pessoas circulando.

O rio seguindo seu caminho indiferente aos pequenos dramas humanos que aconteciam às suas margens.

E foi justamente durante um desses almoços que aconteceu a cena registrada neste pequeno vídeo.


🌳 Tudo estava tranquilo...

Estávamos no meio do almoço.

Aquela tranquilidade deliciosa.

Sentindo a brisa.

Observando a correnteza.

Olhando as árvores.

Comendo peixe.

Até que alguma coisa chamou minha atenção.

Havia um pequeno grupo de pássaros.

Pela distância e pela qualidade da gravação, não consigo identificar com segurança quais eram as aves.

Mas, naquele momento, isso pouco importava.

Porque havia algo muito mais interessante acontecendo.

Entre todas aquelas aves aparentemente sossegadas, existia uma criatura endiabrada.

😂

Um pequeno agente do caos.

Um gnomo gozador com penas e asas.

Enquanto os outros pareciam satisfeitos em praticar aquela maravilhosa atividade conhecida como não fazer absolutamente nada, o nosso protagonista aparentemente tinha acordado com outro objetivo:

incomodar todo mundo.

😈 O chato do grupo

E ele não escolhia uma vítima.

Não.

Isso seria pouco.

Era um profissional.

Incomodava um.

Depois outro.

Depois outro.

Pia.

Sobe.

Desce.

Empurra.

Voa.

Volta.

Perturba outro.

Sai correndo.

Retorna.

As outras aves estavam simplesmente ali, curtindo a existência e provavelmente de olho em qualquer coisa deliciosa que pudesse cair das mesas humanas.

Nosso pequeno traquinas, porém, parecia possuir uma missão.

Ninguém terá paz enquanto eu estiver aqui.

😂

Era impossível não humanizar aquela cena.

Nós olhávamos e reconhecíamos imediatamente um personagem universal.

O chato do grupo.

Toda turma tem um.

Aquele sujeito que não consegue simplesmente ficar quieto.

Se todos estão conversando tranquilamente, ele cutuca alguém.

Se todos estão em silêncio, ele inventa alguma coisa.

Se ninguém está brigando, cinco minutos depois existe uma excelente possibilidade de alguém querer esganá-lo.

A diferença é que aquele tinha penas.

🐦 Não era um. Nem dois.

Essa era justamente a parte que tornava tudo ainda mais engraçado.

Ele não parecia ter qualquer preferência.

Não era uma briga específica entre duas aves.

O pequeno capeta parecia distribuir democraticamente sua inconveniência.

Incomodava várias.

Para nós, humanos sentados à mesa, aquilo começou a se transformar num espetáculo paralelo ao almoço.

E existe algo maravilhoso nisso.

Não pagamos ingresso.

Não havia roteiro.

Não existia narrador da National Geographic.

Nenhuma ave havia assinado contrato.

Simplesmente estávamos no lugar certo, olhando na direção certa, no momento certo.

E alguém tinha uma câmera.

🎥 Então apertei REC

Hoje estamos acostumados a produzir imagens deliberadamente.

Enquadramento.

Thumbnail.

Título.

SEO.

Publicação.

Mas muitos dos meus vídeos antigos nasceram de maneira completamente diferente.

Alguma coisa chamava minha atenção e eu simplesmente registrava.

Era quase um reflexo:

“Olha isso!”

E começava a filmar.

Foi exatamente o que preservou aquele pequeno acontecimento.

Talvez aqueles pássaros tenham permanecido ali durante horas.

Talvez o nosso gnomo alado tenha se acalmado dois minutos depois.

Talvez tenha encontrado outro grupo para atormentar.

Nunca saberemos.

Mas alguns segundos sobreviveram.

📼 Dez anos depois

E aqui começa outra história.

Porque quando publiquei aquele pequeno vídeo em janeiro de 2016, provavelmente não imaginava que, mais de uma década depois, estaria olhando novamente para aquelas imagens e reconstruindo tudo que existia fora do enquadramento.

A câmera mostra os pássaros.

Mas minha memória mostra muito mais.

Mostra Piracicaba.

Mostra o rio.

Mostra o almoço.

Mostra Juliana.

Mostra Formiga em outras viagens.

E, indo ainda mais para trás no tempo, aparece aquele Fusquinha vermelho.

Meu pai.

Minha infância.

As cidades do interior.

As estradas.

É extraordinário perceber como funciona a memória.

Começamos falando sobre um pássaro trollando outros pássaros...

e terminamos chegando ao nosso pai décadas antes.

🚗➡️🐦 O que não aparece no vídeo

Meu pai não aparece naquela gravação.

O Fusquinha vermelho também não.

Mas, de certa maneira, ambos estão ali.

Porque talvez eu estivesse naquele restaurante à margem do Rio Piracicaba justamente porque, muitos anos antes, alguém havia me ensinado que valia a pena entrar num carro e descobrir o que existia depois da próxima curva.

Essa curiosidade ficou.

Meu pai levou os filhos.

Depois levei minha família.

E lugares conhecidos durante a infância ganharam novas camadas.

Piracicaba da infância.

Piracicaba com Juliana.

Piracicaba com Formiga.

Piracicaba do peixe.

Piracicaba do rio.

E agora...

Piracicaba do passarinho FDP.

😂

Essa também merece entrar no mapa.

🐦 Mesmo na natureza os animais se trollam

Nós gostamos de romantizar a natureza.

Imaginamos os animais vivendo em equilíbrio absoluto.

Tudo perfeitamente organizado.

Cada passarinho respeitando educadamente o espaço do vizinho.

Mas basta observar durante algum tempo para perceber que o mundo animal também possui disputas, competição, hierarquias, invasões de espaço e comportamentos que, vistos através de nossos olhos humanos, parecem pura provocação.

Não sei exatamente o motivo daquele comportamento.

Poderia envolver comida.

Território.

Hierarquia.

Ou alguma dinâmica que somente aquelas aves compreendiam.

Por isso não quero transformar uma cena divertida em uma falsa explicação científica.

O que posso afirmar é aquilo que vimos:

um deles não deixava os outros em paz.

E foi divertidíssimo assistir.

💾 Pequenos vídeos, grandes backups

Existe uma lição escondida nesses arquivos antigos.

Nós normalmente sabemos que devemos fotografar os grandes acontecimentos.

Aniversários.

Casamentos.

Viagens.

Formaturas.

Monumentos.

Paisagens extraordinárias.

Mas frequentemente são os registros aparentemente inúteis que, anos depois, adquirem um valor inesperado.

Um almoço.

Uma estrada.

Uma ave.

Um Fusquinha.

Uma brincadeira.

Porque nossa memória não funciona como um banco de dados perfeitamente indexado.

Às vezes precisamos de uma chave.

Aquele pequeno vídeo é uma delas.

PLAY.

Os pássaros aparecem.

E uma cadeia inteira de memórias é recuperada.

Piracicaba.

Rio.

Peixe.

Juliana.

Formiga.

Infância.

Pai.

Fusquinha vermelho.

É praticamente um SELECT emocional executado contra décadas de memória.

E tudo começou porque um passarinho resolveu ser inconveniente.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Talvez seja justamente por isso que vale a pena recuperar essas pequenas postagens antigas.

Não para fingir que em 2016 eu pretendia escrever uma grande crônica.

Não pretendia.

Eu simplesmente achei a cena engraçada.

Filmei.

Publiquei.

E provavelmente pensei:

“Olha esse pilantra!”

Mas o tempo adiciona metadados às nossas lembranças.

Hoje percebo que aquele vídeo registra muito mais do que uma pequena confusão entre pássaros.

Registra a continuidade de uma história.

Meu pai me ensinou, talvez sem perceber, que havia um mundo esperando depois da próxima cidade.

Piracicaba tornou-se uma dessas cidades.

Depois voltei com Juliana.

Voltei com Formiga.

Comemos peixe.

Sentimos a brisa.

Olhamos o rio.

E, numa dessas tardes, enquanto uma família humana simplesmente aproveitava o almoço...

um pequeno gnomo de asas decidiu que tranquilidade demais era inadmissível.

Começou a piar.

Subir.

Empurrar.

Voar.

Perturbar um.

Perturbar outro.

Perturbar todos.

Nós assistimos.

Rimos.

E eu apertei REC.

Dez anos depois, descubro que fiz muito mais do que filmar um passarinho.

Fiz backup de uma tarde da minha vida.

E, escondido dentro desse backup, encontrei novamente um pouco do espírito livre daquele homem dirigindo seu Fusquinha vermelho pelas estradas do interior.

Meu pai não está no vídeo.

Mas agora percebo:

ele também estava naquela viagem.

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Mesmo na natureza os animais se trollam

Pensamos que apenas humanos tem rompantes de ma vizinhança, que nada na natureza as vezes encontramos uns tipinhos que são verdadeiros FDPs.

Estávamos almoçando a beira rio em Piracicaba quando notamos uma movimentação de pássaros a beira rio, nada demais, porem quando todos estavam calmos e serenos, observando nossa refeição, eis que surge....




Caricato ver a cena, um dos pilantras brigando um com os outros. Vale a pena ver o video.


sábado, 14 de agosto de 1993

Zooparque de Itatiba: Paraiso das Aves.

Santuário e abrigo para animais.


O Zooparque de Itatiba esta situado as margens da Rodovia Dom Pedro, no inicio das suas actividades desenvolvia actividades de proteçao e tratamento de aves apreendidas pelo Ibama, com a expertise adquirida e com a dedicação de todos os funcionários, foi evoluindo até se transformar em parque zoológico.

Com o passar dos anos foram chegando outras espécies repteis, anfíbios e mamíferos tornando os habitats mais completos.




Em 1993 o zooparque tinha esta aparência tinha alguns recintos sendo construídos, muito espaço em aberto e as árvores ainda eram pequenas, recém plantadas em alguma obra paisagística.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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