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sexta-feira, 9 de junho de 2023

10 animes Slice of Life sobre criação, evolução e desafios

Bellacosa Mainframe e 10 animes slice of life

10 animes Slice of Life sobre criação, evolução e desafios

O anime Usagi Drop (também conhecido como Bunny Drop) é um elogiado slice of life que aborda a temática da paternidade/cuidado de uma criança em circunstâncias inesperadas, focando no crescimento emocional dos personagens e no cotidiano da nova família. A ressalva do "limite ético" geralmente se refere ao final do mangá, que diverge drasticamente do anime.

Considerando o foco do anime (relação pura de cuidado, calor humano, cotidiano, amadurecimento e "família não convencional"), aqui está uma lista de 10 animes com temáticas semelhantes, todos dentro do limite ético e do gênero slice of life / drama familiar:

#AnimeAno de LançamentoAutor (Mangaká Original)
1Amaama to Inazuma (Doçura & Relâmpago)2016Gido Amagakure
2Barakamon2014Satsuki Yoshino
3Kakushigoto2020Kōji Kumeta
4The Yakuza's Guide to Babysitting (Guia do Yakuza para Cuidar de Crianças)2022Tsukiya
5Aishiteruze Baby (Aishiteruze Baby ★★)2004Yōko Maki
6Udon no Kuni no Kiniro Kemari (Poco's Udon World)2016Shinomaru Nodoka
7Somali to Mori no Kamisama (Somali e o Espírito da Floresta)2020Yako Gureishi
8If It's for My Daughter, I'd Even Defeat a Demon Lord (Sewayaki Kitsune no Senko-san)2019CHIROLU (Light Novel)
9Deaimon: Recipe for Happiness2022Ren Mochizuki
10Chichin Puipui! (curta-metragem/ONA)2013Takashi Taniguchi

1. Amaama to Inazuma (Doçura & Relâmpago)

  • Sinopse: Kōhei Inuzuka, um professor viúvo, está lutando para cozinhar refeições nutritivas para sua filha pequena, Tsumugi. Ao se deparar com Kotori Iida, uma de suas alunas, que oferece um jantar em sua casa, ele descobre que cozinhar com outras pessoas e compartilhar as refeições pode ser uma atividade deliciosa e fortalecedora de laços. O anime foca na culinária como meio de união familiar.

  • Personagens Principais: Kōhei Inuzuka (Pai, professor), Tsumugi Inuzuka (Filha pequena), Kotori Iida (Colega de escola de Kōhei).

  • Dica: Perfeito para quem ama a combinação de comida e conforto (iyashikei). As reações de Tsumugi à comida são um show à parte.

  • Curiosidade: O mangaká, Gido Amagakure, costuma incluir receitas detalhadas no final de cada capítulo do mangá.


2. Barakamon

  • Sinopse: Handa Seishuu, um jovem e talentoso calígrafo, é enviado para uma ilha remota após agredir um crítico de arte. Esperando encontrar paz para se concentrar em sua arte, ele encontra a agitada e caótica Naru Kotoishi, uma garotinha local. O relacionamento inesperado e as interações com os moradores da ilha forçam Handa a crescer como pessoa e como artista.

  • Personagens Principais: Seishuu Handa (Calígrafo), Naru Kotoishi (Criança da ilha).

  • Dica: É um excelente anime de desenvolvimento de personagem, mostrando como a ingenuidade de uma criança pode ensinar lições valiosas a um adulto.

  • Curiosidade: O anime tem um spin-off chamado Handa-kun, que é uma comédia focada na vida de Handa no ensino médio, antes dos eventos de Barakamon.


3. Kakushigoto

  • Sinopse: Kakushi Gotō é um mangaká de sucesso que desenha mangás com conteúdo adulto e um tanto questionável. Ele faz de tudo para esconder sua profissão da sua filha, Hime, que ele cria sozinho, acreditando que ela seria julgada e envergonhada se descobrisse seu segredo. O anime transita entre o hilário cotidiano de esconder a verdade e flashforwards mais emocionais.

  • Personagens Principais: Kakushi Gotō (Pai, mangaká), Hime Gotō (Filha).

  • Dica: Ótimo para quem gosta de comédia com um forte toque de drama familiar, semelhante à forma como Usagi Drop mistura fofura e a seriedade da paternidade.

  • Curiosidade: O autor, Kōji Kumeta, é conhecido por seu estilo de comédia satírica e seu trabalho mais famoso é Sayonara Zetsubou Sensei.


4. The Yakuza's Guide to Babysitting (Guia do Yakuza para Cuidar de Crianças)

  • Sinopse: Toru Kirishima é um yakuza temido conhecido por sua violência. Cansado de lidar com sua natureza destrutiva, seu chefe lhe dá a tarefa mais difícil de sua vida: ser o babá de sua filha de sete anos, Yaeka Sakuragi. O anime segue a transformação gradual de Toru e o vínculo crescente entre a dupla.

  • Personagens Principais: Toru Kirishima (Yakuza, babá), Yaeka Sakuragi (Filha do chefe).

  • Dica: Assim como Usagi Drop, mostra um adulto "durão" ou sem experiência se tornando responsável por uma criança, forçando-o a mudar de vida.

  • Curiosidade: O contraste entre a aparência intimidante de Toru e seu jeito desajeitado, mas atencioso, com Yaeka é o motor da comédia e emoção.


5. Aishiteruze Baby (Aishiteruze Baby ★★)

  • Sinopse: Kippei Katakura, um estudante do ensino médio popular e despreocupado, tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua tia, após um colapso nervoso, abandona sua filha de 5 anos, Yuzuyu Sakashita. Kippei é forçado a assumir a responsabilidade de cuidar da prima, descobrindo o peso e a alegria da paternidade responsável.

  • Personagens Principais: Kippei Katakura (Estudante, primo/cuidador), Yuzuyu Sakashita (Prima de 5 anos).

  • Dica: É um shoujo clássico com uma abordagem muito honesta sobre a responsabilidade e o amadurecimento através do cuidado. Tem uma forte semelhança temática com Usagi Drop.

  • Curiosidade: O mangá aborda o desenvolvimento romântico de Kippei e como ele equilibra a vida escolar, social e a nova responsabilidade.


6. Udon no Kuni no Kiniro Kemari (Poco's Udon World)

  • Sinopse: Souta Tawara, um web designer de 30 anos que trabalha em Tóquio, volta à sua cidade natal na província de Kagawa após a morte de seu pai. Lá, ele encontra um garoto misterioso (Poco) em seu antigo restaurante de udon. O garoto acaba sendo um tanuki (espécie de guaxinim mágico japonês) que assume a forma humana. Souta decide cuidar de Poco, redescobrindo sua cidade e lidando com memórias do seu pai.

  • Personagens Principais: Souta Tawara (Web designer), Poco (Tanuki/Garoto).

  • Dica: Mistura o calor humano e a temática familiar de Usagi Drop com elementos de fantasia suave. Focado na paisagem rural e na culinária regional.

  • Curiosidade: A província de Kagawa é famosa no Japão pela produção de udon, e o anime faz um belo trabalho em mostrar a cultura e os pontos turísticos da região.


7. Somali to Mori no Kamisama (Somali e o Espírito da Floresta)

  • Sinopse: Em um mundo habitado por espíritos, goblins e outras criaturas, onde os humanos foram quase extintos, um Golem (ser guardião da floresta com pouco tempo de vida) encontra uma garotinha humana chamada Somali. O Golem assume o papel de pai e embarca em uma jornada com Somali para encontrar outros humanos, tudo isso enquanto seu tempo de vida se esgota.

  • Personagens Principais: Golem (Pai adotivo), Somali (Menina humana).

  • Dica: Embora seja um anime de fantasia, o cerne da história é a relação paternal e a proteção incondicional, muito parecida com a de Usagi Drop e com uma grande carga emocional.

  • Curiosidade: A animação é notável pela sua direção de arte e a beleza dos cenários de fantasia, transportando o espectador para um mundo visualmente rico e melancólico.


8. If It's for My Daughter, I'd Even Defeat a Demon Lord

  • Sinopse: Dale, um aventureiro talentoso e reservado, encontra Latina, uma jovem garota demônio, abandonada em uma floresta. Sem conseguir deixá-la sozinha, ele a adota e se torna seu pai. A vida de aventureiro de Dale é substituída pelas alegrias e desafios da paternidade, enquanto ele faz tudo para proteger Latina.

  • Personagens Principais: Dale (Aventureiro/Pai), Latina (Garota demônio/Filha).

  • Dica: É uma série de fantasia que, na verdade, é um slice of life disfarçado. O foco está quase inteiramente nas interações adoráveis de Latina e no instinto superprotetor e carinhoso de Dale.

  • Curiosidade: Assim como em Usagi Drop, a história original (light novel/mangá) também possui uma progressão que pode ser polêmica para alguns leitores, mas o anime de TV se concentra apenas na fase de paternidade/infância, mantendo o tom "fofo e ético".


9. Deaimon: Recipe for Happiness

  • Sinopse: Nagomu Irino, de 30 anos, retorna à sua casa em Kyoto para assumir a tradicional loja de doces japoneses (wagashi) da família, depois que seu pai é hospitalizado. No entanto, ele descobre que a herdeira "escolhida" é Itsuka Yukihira, uma garota de 10 anos que foi acolhida pela família Irino. Nagomu e Itsuka aprendem a conviver, e ele assume um papel de mentor e figura familiar para a garota.

  • Personagens Principais: Nagomu Irino (Filho que retorna), Itsuka Yukihira (Garota de 10 anos).

  • Dica: Um anime calmante (iyashikei) que usa a culinária tradicional e a atmosfera de Kyoto para explorar as dinâmicas familiares, a responsabilidade e o conceito de lar.

  • Curiosidade: O anime dedica bastante tempo a detalhes sobre a criação dos doces wagashi e sua conexão com as estações do ano, sendo também uma celebração da cultura local.


10. Chichin Puipui! (Curta-metragem/ONA)

  • Sinopse: Um adorável curta-metragem/Original Net Animation que se passa em uma época mais antiga, acompanhando o dia a dia de um homem mais velho que cuida de sua neta pequena em uma casa rural. A história é simples, focada nos pequenos momentos de ternura, nas brincadeiras e no calor do lar, sem diálogo, apenas com música e sons ambientes.

  • Personagens Principais: Avô, Neta.

  • Dica: Se você gostou da atmosfera tranquila e da pura inocência infantil do anime Usagi Drop, este curta é uma dose concentrada desse sentimento.

  • Curiosidade: O estilo de animação e o design de som criam uma atmosfera de conto de fadas, sendo um exemplo perfeito de como os animes podem evocar emoções fortes com uma simplicidade sublime.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Uma tarde deliciosa no Parque da Paz em Almada Portugal

Um local de muita paz e tranquilidade.


Estamos em Almada Portugal, próximo a uma autoestrada que liga o Algaver/Alentejo a Lisboa, posição estratégica para as ligação norte sul.


Em meio a tanto agito, existe um pulmão verde, um local bucólico com muita área verde, vegetação e lagos para podermos relaxar após uma dura semana.

O Parque da Paz é um parque relativamente novo com menos de 20 anos, porém transformou-se em um belo lugar para relaxar, caminhar por trilhas em meio a um bosque, repleto de vida selvagem. Apreciar os lagos com seus patos, cisnes, gansos, marrecos, gaivotas, pombos e tantas outras aves que aproveitam o espaço.

As crianças andam de bicicleta, jogam bola no gramado e aproveitam para entrar em contato com a natureza, curtindo o verde, respirando ar puro e tomando sol, apesar do dia frio de outono.

Espero que curta este vídeo, aprecie as maravilhas de Portugal em nossa playlist, deixe seu joinha, comenta e caso não seja inscrito, favor inscreva-se em nosso canal. Toda ajuda é Bem-Vinda.

Tags


#Portugal #Almada #ParqueDaPaz #Aves #Gansos #Fauna #Cisnes #Parque #Lago #Gaivota #Marreco #Pinheiro #Carvalho #Muralha #Pedras #Paz #Bucolico #Recanto

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Usagi Drop — Quando a doçura se transforma em desconforto

Bellacosa Mainframe e o desconforto em usagi drop

 Usagi Drop — Quando a doçura se transforma em desconforto

“Usagi Drop” começou como uma das histórias mais ternas e humanas já contadas em um anime slice of life. Lançado em 2011, baseado no mangá de Yumi Unita, encantou o público com a jornada de Daikichi Kawachi, um homem de 30 anos que decide cuidar de Rin, uma garotinha que descobre ser filha ilegítima de seu falecido avô.
A trama era sobre empatia, amadurecimento e paternidade. Até que… veio o final.


🌸 O encanto inicial

Durante boa parte da história, “Usagi Drop” foi celebrado por retratar a paternidade responsável sob uma ótica sensível e realista. Daikichi aprende a cozinhar, cuidar da escola, e reorganizar sua vida em função de Rin. O público se apegou ao vínculo pai e filha de coração — puro, afetuoso, carregado de humanidade.
Era um refúgio emocional. Um lembrete de que família vai muito além de sangue.


💔 O ponto da ruptura — o salto temporal

Porém, no mangá, após o final “inocente” mostrado no anime, há um salto temporal de dez anos. Rin cresce… e confessa que quer se casar com Daikichi.
Sim, o mesmo homem que a criou desde os 6 anos.

Esse desfecho chocou fãs no Japão e no Ocidente. A ideia de que uma relação construída sob base paternal evolui para romance foi vista como inapropriada, confusa e até incômoda. O público se sentiu traído — o tom doce e cotidiano foi trocado por uma virada moralmente controversa.


🔥 Por que gerou tanto ódio

  1. Inversão emocional: o público havia criado uma relação de pai e filha. Transformar isso em romance soou como quebra de confiança.

  2. Choque cultural: ainda que no Japão o conceito de “não consanguíneo” possa suavizar o tabu, para o público ocidental o vínculo afetivo pesava mais que o biológico.

  3. Falha de comunicação narrativa: muitos sentiram que a autora rompeu a coerência emocional construída ao longo da história.

  4. Ressonância real: o tema toca em questões éticas profundas — paternidade, consentimento, maturidade emocional — o que ampliou o desconforto.



🧩 Curiosidades

  • A autora, Yumi Unita, afirmou em entrevistas que queria explorar a ambiguidade do amor, não necessariamente defender a relação.

  • O anime termina antes do salto temporal, justamente para evitar a polêmica.

  • No Japão, o mangá foi debatido em fóruns sobre tabus familiares e limites da ficção, com defensores e críticos quase em igual número.

  • Muitos fãs reescrevem finais alternativos, criando fanfics que encerram a história antes da virada.


Comentário Bellacosa

“Usagi Drop” é um exemplo raro de obra que evolui de doce para amargo, e justamente por isso, permanece viva nas discussões.
Talvez o erro de Yumi Unita não tenha sido o final em si, mas a forma abrupta como destruiu o pacto emocional com o leitor.
A ficção tem direito ao desconforto — mas precisa preparar o coração do público para isso.


💡 Dica para quem vai assistir

Veja o anime como uma obra independente do mangá.
Ele é sobre amor incondicional, laços que nascem do cuidado e a beleza das pequenas rotinas.
Se quiser manter a ternura intacta, pare por aí.
Mas, se tiver curiosidade e estômago forte, leia o mangá até o fim e tire suas próprias conclusões.

Nem todo final precisa ser feliz — mas alguns, simplesmente, machucam por demais o que era puro.


Usagi Drop nos lembra que crescer é também perder a inocência — às vezes, até a das histórias que amamos.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2022/07/quando-inocencia-encontra-o-desejo-o.html

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Quadrilha e o forro do São João

Bellacosa Mainframe e lembranças da Festa Junina no Colégio São José

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌽 Quadrilha e o Forró do São João — Uma Festa Perdida no Tempo

Voltamos ao Colégio São José, naquela animada Festa Junina em que os verdadeiros protagonistas eram o pequeno Formiga e seus colegas.

Era uma daquelas quermesses escolares feitas para reunir todo mundo. Crianças, professores, papais, mamães, irmãos, avós e convidados dividiam o mesmo espaço entre bandeirinhas coloridas, música, barracas e os inevitáveis comes e bebes de uma boa festa junina.

Mas a grande atração eram mesmo as crianças.

Ao longo da festa, cada turma, cada classe e cada série tinha preparado sua própria apresentação. A cada hora, aproximadamente, um novo grupo ocupava o espaço da dança para mostrar a coreografia ensaiada durante os dias anteriores.

E começava novamente aquele pequeno ritual.

Os pais procuravam um bom lugar.

Celulares e câmeras apareciam.

Alguém chamava:

— Olha aqui!

Outro tentava descobrir onde estava o próprio filho no meio daquele pequeno exército de chapéus de palha, vestidos coloridos e rostos pintados.

E então começava a música.



🎶 Cada turma contava sua própria história

Não era simplesmente colocar todas as crianças para repetir a mesma quadrilha.

Cada grupo havia preparado sua apresentação, criando coreografias diferentes e enriquecendo ainda mais aquela tarde de festa.

Em uma delas, as crianças formavam círculos. Em outro momento, os meninos ficavam agachados enquanto as meninas circulavam ao redor deles. Depois os papéis se invertiam.

Tudo acompanhado pelo ritmo alegre do forró e pela atenção absoluta dos familiares.

Para as crianças provavelmente era principalmente uma grande brincadeira.

Para os pais havia outra coisa acontecendo.

Era orgulho.

Aquele instante em que você procura seu filho no meio de dezenas de crianças e, quando finalmente o encontra, praticamente esquece todo o restante da apresentação.

Ali está ele.

E pronto.

Durante alguns minutos, aquele pequeno dançarino torna-se a pessoa mais importante de toda a festa.

Naquele dia, para mim, esse pequeno protagonista era o Formiga.



📹 Na época era apenas um vídeo

Talvez esta seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.

Em 2017 eu estava simplesmente registrando o presente.

Peguei a câmera, filmei alguns minutos, publiquei o vídeo e escrevi sobre aquilo que estava acontecendo diante dos meus olhos.

Não parecia História.

Era apenas sábado.

Era apenas uma Festa Junina.

Era apenas uma apresentação das crianças.

Era apenas mais um daqueles pequenos acontecimentos do cotidiano que imaginamos que estarão disponíveis para sempre.

Mas não estão.

O tempo passou.

E aquele pequeno vídeo começou silenciosamente a mudar de significado.



⏳ As crianças cresceram

Hoje, ao rever essas imagens tantos anos depois, existe uma sensação completamente diferente.

Aquelas crianças cresceram.

Muitas são hoje adolescentes. Outras já estão entrando na vida adulta.

Possivelmente algumas delas nem se lembram mais espontaneamente daquela Festa Junina do Colégio São José.

Vieram outras escolas, outros professores, provas, amizades, namoros, vestibulares, empregos e milhares de acontecimentos que foram sendo empilhados sobre aquela memória.

Talvez alguém que aparece durante poucos segundos naquele vídeo jamais tenha pensado novamente naquele dia.

Até apertar PLAY.

Então acontece uma coisa maravilhosa.

A música começa.

A imagem se movimenta.

Aparecem os colegas.

Surge um rosto conhecido.

— Nossa! Fulano!

Depois outro.

— Olha eu ali!

E, subitamente, uma tarde aparentemente perdida de 2017 reaparece.

Não apenas intelectualmente.

A memória começa a reconstruir detalhes que a pessoa nem sabia que ainda guardava.

Talvez se lembre da roupa.

Do professor.

Do amigo que estava ao lado.

Do ensaio.

Da vergonha de dançar.

Da mãe filmando.

Do pai assistindo.

Do cheiro da comida.

Da música.

De alguma pequena confusão ocorrida minutos antes da apresentação.

É o poder curioso de uma fotografia ou de alguns segundos de vídeo: eles funcionam como índices para arquivos que o nosso cérebro acreditava ter apagado.

🏮 Uma festa perdida no tempo

É justamente por isso que hoje gosto ainda mais deste pequeno registro.

Ele deixou de ser apenas o vídeo de uma quadrilha.

Transformou-se numa espécie de cápsula do tempo do Colégio São José.

Ali estão roupas, músicas, brincadeiras, professores, famílias e principalmente crianças congeladas em determinado ponto de suas vidas.

Durante alguns minutos ninguém precisava pensar no que aconteceria dez anos depois.

Não existiam vestibulares.

Não existiam currículos.

Não existiam boletos.

Não existiam chefes.

Não existia a pergunta sobre qual profissão seguir.

Existia apenas:

— Agora é a nossa turma!

E lá iam eles.

Dançar.

Errar um passo.

Olhar para o colega.

Tentar lembrar a coreografia.

Procurar os pais no meio da multidão.

E continuar dançando.

❤️ O verdadeiro valor aparece depois

Talvez ninguém naquela tarde tivesse consciência de que estava construindo uma memória.

É justamente isso que torna esses registros cotidianos tão preciosos.

As grandes ocasiões nós sabemos que devemos fotografar.

Casamentos, formaturas, aniversários importantes e viagens recebem centenas de fotografias.

Mas são esses pequenos momentos aparentemente banais que frequentemente adquirem um valor gigantesco décadas depois.

Uma Festa Junina escolar.

Uma quadrilha.

Um prato de alguma coisa comprado numa barraca.

Uma criança usando chapéu de palha.

Uma música tocando.

Um pai segurando uma câmera.

Nada disso parecia extraordinário naquele momento.

Hoje é impossível repetir exatamente aquela tarde.

Podemos fazer outra festa.

Podemos montar as mesmas barracas.

Podemos tocar as mesmas músicas.

Podemos até reunir algumas das mesmas pessoas.

Mas jamais conseguiremos reunir novamente aquelas crianças, com aquelas idades, naquele Colégio São José, naquele instante de suas vidas.

Essa festa existe agora somente nas lembranças de quem esteve lá — e nos pequenos fragmentos que tivemos a sorte de guardar.

Por isso este vídeo continua aqui.

Para o Formiga.

Para seus antigos colegas.

Para os papais e mamães que estavam orgulhosos assistindo às apresentações.

E talvez para algum daqueles pequenos dançarinos que, muitos anos depois, encontre esta página por acaso, aperte PLAY e reconheça a si mesmo correndo ou dançando no fundo da imagem.

Nesse momento talvez venha um sorriso involuntário.

E aquela sensação tão estranha e gostosa:

— Meu Deus... eu lembro disso.

Então, durante alguns minutos, aquela Festa Junina perdida no tempo estará acontecendo novamente.

As bandeirinhas voltarão a balançar.

O forró voltará a tocar.

As crianças voltarão para suas posições.

E o pequeno Formiga e seus colegas serão crianças outra vez.

Nem que seja apenas enquanto durar o vídeo.

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Forro do São João no São José


Chapéu de palha, vestidinho de chita e sardinhas nos rostos rosados estas caipirinhas estão todas paramentadas prontas para a festa.

As crianças da Quadrilha não param de aprontar, agora estão dançando um forro de São João todas as crianças estão em círculos: os meninos agachados e as meninas em rodando os círculos, depois os meninos circulando as rodinhas e aproveitando para fazer a maior farra... você já dançou a quadrilha?




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma pescaria dos miúdos na quermesse

Bellacosa Mainframe e a pescaria na quermesse


Um Café no Bellacosa Mainframe

🎣 Uma Pescaria dos Miúdos na Quermesse — Quando o Formiga Recarregou a Bateria

No Colégio São José de Campinas havia quadrilha, sanfona, comes e bebes — mas nenhuma boa festa junina estaria completa sem aquele pequeno universo de pescarias, argolas, latas, bingo, cadeia e brincadeiras onde o prêmio importava muito menos que a aventura.

Há pequenos vídeos que parecem registrar quase nada.

Algumas crianças brincando.

Uma barraca.

Uma vara de pescaria.

Adultos observando.

Barulho de festa ao fundo.

Talvez alguns segundos.

Mas quase dez anos depois, quando voltamos a assistir, descobrimos que a câmera estava gravando muito mais.

Ela estava fazendo backup de uma tarde inteira.

E voltamos novamente àquele nosso dia mágico no Colégio São José, em Campinas.

🌽 Muito além da quadrilha

Já contei em outros pequenos fragmentos dessa festa sobre as apresentações, as quadrilhas, o forró, o sanfoneiro, as crianças fantasiadas e aquele pequeno personagem que naquele dia parecia possuir energia suficiente para alimentar metade de Campinas:

o Formiga.

Mas uma festa junina brasileira não vive apenas de dança.

Também não vive apenas de comida — embora seja bastante difícil explicar isso diante de uma mesa contendo pastel, cachorro-quente, pipoca, bolo, paçoca, milho, doces e outras maravilhas capazes de transformar qualquer tentativa de dieta em ficção científica.

Existe outro elemento fundamental da velha quermesse:

as barracas de jogos.

E talvez seja justamente nelas que sobreviva uma das partes mais antigas e bonitas dessas festas.

Não precisamos de videogame.

Não precisamos de realidade virtual.

Não precisamos de uma GPU monstruosa.

Precisamos apenas de algumas latas, uma bola feita de meia, argolas, garrafas, varinhas improvisadas, papel, barbante e...

imaginação.

O resto as crianças fazem.



🎣 A pescaria que não precisa de rio

Uma das barracas mais tradicionais é a pescaria.

Pequenos peixes ficam escondidos ou espalhados em uma área decorada, normalmente com números que correspondem aos prêmios.

A criança recebe uma pequena vara.

Na ponta, algum mecanismo simples permite “pescar” o peixe.

E começa a operação.

Olhos atentos.

Mão tentando ficar firme.

A vara balançando.

— Aquele!

Não.

— O outro!

Quase.

— Vai, Formiga!

Até que finalmente...

PESCAMOS!

Para um adulto é apenas uma brincadeira.

Para uma criança, naquele instante, provavelmente estamos diante de uma operação de pesca comercial no Atlântico Norte.

O peixinho é levantado como se tivesse quinze quilos.

Descobre-se o número.

Procura-se o prêmio correspondente.

E nasce aquele sorriso.

O objeto recebido pode ser simples.

Mas existe uma diferença gigantesca entre ganhar alguma coisa e conquistar alguma coisa.

O brinquedinho agora possui uma história.

Eu pesquei.

E isso muda tudo.



🔋 Formiga.exe voltou com CPU em 100%

Antes dessa etapa da festa, naturalmente existiu uma operação extremamente importante:

abastecimento.

O Formiga havia passado pelos comes e bebes.

Comeu.

Bebeu.

Recuperou energia.

E retornou para a festa aparentemente com a bateria novamente em:

100%.

Se existisse SDSF para crianças, provavelmente veríamos algo semelhante:

JOBNAME   CPU%   STATUS
FORMIGA   99.9   RUNNING
VAGUINHO  47.2   FOLLOWING
JULIANA   63.8   FOLLOWING

E lá fomos nós.

Eu e Juliana acompanhando o pequeno em sua peregrinação pelas barracas.

Para ele, cada uma representava uma aventura diferente.

Para nós, existia outro espetáculo acontecendo simultaneamente:

ver a alegria dele.




🎯 O parque de diversões construído pela comunidade

Essas barracas possuem algo que sempre achei fascinante.

Elas são simples.

Muito simples.

A famosa brincadeira de derrubar latas, por exemplo, pode utilizar literalmente:

latas vazias + bola de meia.

Hardware praticamente gratuito.

Mas o software?

Esse está instalado na imaginação.

De repente aquelas latas tornam-se um grande desafio de precisão.

O jogo de argolas transforma algumas garrafas em alvos disputadíssimos.

A pescaria transforma papelão e plástico em um lago cheio de tesouros.

O bingo transforma números sorteados em suspense coletivo.

E cada escola, igreja, bairro ou comunidade acaba inventando suas próprias variações.

Essa talvez seja uma das grandes características da quermesse:

ela é hackeável.

Cada geração modifica alguma coisa.

Alguém inventa uma brincadeira.

Outro professor acrescenta uma regra.

Um grupo de pais constrói uma barraca.

Os alunos ajudam.

E no ano seguinte alguém copia a ideia.

É quase um software open source cultural.


💌 Correio elegante

Existe ainda aquele clássico absolutamente maravilhoso:

o correio elegante.

Alguém escreve um bilhetinho.

Um mensageiro atravessa a festa.

Procura o destinatário.

Entrega.

Às vezes existe assinatura.

Às vezes não.

Às vezes é declaração.

Às vezes brincadeira.

Às vezes alguém passa os próximos vinte minutos tentando descobrir:

QUEM MANDOU ISSO?!

Muito antes de WhatsApp, Instagram, mensagens instantâneas e notificações, a quermesse já possuía sua própria rede social.

Só que o protocolo de transporte era um aluno correndo pelo pátio.


🚔 Você está preso!

Outra brincadeira clássica, hoje menos comum em algumas festas, era a famosa cadeia.

A lógica era maravilhosamente absurda.

Você pagava ao “delegado” para prender alguém.

Dois voluntários apareciam.

A vítima era conduzida para a cadeia da festa.

E precisava cumprir alguma condição da brincadeira para sair.

Era inevitável.

Amigos prendiam amigos.

Namorados prendiam namoradas.

Crianças queriam prender os pais.

Pais conspiravam contra outros pais.

Durante algumas horas surgia no meio da quermesse um sistema jurídico paralelo administrado provavelmente por alguém usando um chapéu de xerife comprado numa loja de fantasias.

E funcionava perfeitamente.

Ou quase.



🎁 De onde vinham os prêmios?

Existe ainda uma história escondida atrás das barracas.

Os prêmios não apareciam magicamente.

Durante os preparativos da festa, alunos e famílias ajudavam a arrecadar brindes.

Havia doações.

Pequenos presentes.

Objetos oferecidos por comerciantes.

Colaborações de pais.

Doações de verdadeiros mecenas da quermesse.

Depois tudo aquilo era organizado e distribuído pelas diferentes brincadeiras.

Um pequeno ecossistema comunitário começava a funcionar semanas antes de a primeira música tocar.

É fácil chegar à festa pronta e enxergar somente bandeirinhas.

Mas existe muito trabalho escondido ali.

Professores.

Funcionários.

Pais.

Alunos.

Voluntários.

Gente carregando mesa.

Gente montando barraca.

Gente separando prêmio.

Gente preparando comida.

Gente testando brincadeira.

Quando finalmente os portões abrem, toda aquela infraestrutura desaparece atrás da festa.

Como deve acontecer com uma boa infraestrutura.



🇧🇷🇯🇵 Espera... eu já vi isso em algum anime

Anos depois comecei a perceber uma coisa curiosa assistindo aos meus animes.

Especialmente os slice of life.

Chega determinado episódio e os personagens vão para algum festival.

Barracas.

Comida.

Jogos.

Prêmios.

Amigos caminhando juntos.

Crianças tentando ganhar alguma coisa.

Casais tímidos.

Luzes.

Música.

Gente circulando.

E inevitavelmente pensei:

peraí... isso é uma quermesse!

Naturalmente existem diferenças culturais enormes entre uma festa junina brasileira e os diversos festivais tradicionais japoneses.

Mas a lógica social por trás de muitos desses momentos é surpreendentemente familiar.

A comunidade se reúne.

Existem comidas características.

Existem brincadeiras.

Existem barracas.

Existem pequenos prêmios.

Existe o prazer de caminhar sem muita pressa.

E existe principalmente aquela sensação de que, durante algumas horas, aquele lugar pertence às pessoas que estão ali juntas.

Talvez seja por isso que essas cenas de anime pareçam tão familiares mesmo acontecendo do outro lado do planeta.

Troque algumas lanternas por bandeirinhas.

Troque determinadas comidas por pastel, milho e paçoca.

Coloque uma sanfona tocando ao fundo.

E talvez algum brasileiro olhe para aquilo e pense:

— Rapaz... conheço esse ambiente.


🧠 A brincadeira é maior que o prêmio

Talvez esteja aí uma coisa que os adultos frequentemente esquecem.

Nós avaliamos o prêmio pelo valor.

Uma criança avalia pela história.

Um brinquedinho barato comprado numa loja pode ser apenas um brinquedinho.

Mas aquele mesmo objeto conquistado depois de três tentativas para derrubar uma pilha de latas torna-se:

O PRÊMIO QUE EU GANHEI.

Existe esforço.

Existe expectativa.

Existe ritual.

Existe testemunha.

— Olha, Juju!

— Olha, Vaguinho!

E então o pequeno prêmio entra no inventário afetivo daquela criança.

Alguns desaparecem dias depois.

Outros quebram.

Outros ficam esquecidos numa gaveta.

Mas curiosamente a lembrança pode sobreviver ao próprio objeto.


🐜 E o Formiga?

O Formiga estava exatamente onde uma criança deveria estar naquela tarde.

Correndo.

Brincando.

Experimentando.

Gastando toda a energia recém-adquirida nos comes e bebes.

Descobrindo cada barraca.

Provavelmente pensando muito pouco sobre memória, tradição, cultura brasileira ou antropologia das festas populares.

Ainda bem.

Essa parte ficou conosco.

Ele tinha uma tarefa muito mais importante:

divertir-se.

Eu e Juliana simplesmente acompanhávamos a farra.

Naquele momento talvez não percebêssemos que estávamos armazenando algo.

Hoje percebo.


🥚 Easter egg — o prêmio verdadeiro estava fora da barraca

Existe um pequeno easter egg escondido nesse vídeo.

Durante toda a pescaria, naturalmente olhamos para a criança tentando pegar o peixe.

Depois olhamos para o prêmio.

Qual número saiu?

O que ele ganhou?

Mas quase uma década depois o objeto já não importa muito.

Talvez nem consigamos lembrar qual foi.

O verdadeiro prêmio estava fora da barraca.

Era aquela tarde.

Era Juliana.

Era o Formiga.

Era eu.

Era a música ao fundo.

Eram dezenas de famílias circulando.

Era aquele pequeno mundo do Colégio São José funcionando durante algumas horas como se nada mais existisse.

A pescaria era apenas a interface.

O prêmio era estar lá.


💾 Um backup chamado vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses pequenos vídeos aparentemente banais.

Não são grandes acontecimentos.

Não existe monumento.

Não existe viagem internacional.

Não existe acontecimento histórico.

Existe uma criança brincando numa quermesse.

Mas são justamente essas coisas que o tempo destrói primeiro.

O jeito de falar.

A altura da criança.

A voz.

A roupa.

O movimento.

As pessoas passando ao fundo.

Uma decoração que nunca mais será montada exatamente daquela maneira.

Até aquele pequeno brinquedo desaparecido.

Então apertamos REC sem imaginar muito.

Anos depois apertamos PLAY.

E acontece uma coisa extraordinária.

Por alguns segundos...

o Formiga volta a estar com a bateria em 100%.

Juliana está ali.

Eu estou acompanhando.

A pescaria continua funcionando.

A quadrilha ainda não terminou.

O sanfoneiro continua tocando em algum outro fragmento daquele dia.

As barracas continuam cheias.

E a festa junina do Colégio São José ainda não acabou.

Talvez essa seja uma das funções mais bonitas desses velhos vídeos.

Eles não registram simplesmente o passado.

São pequenos RESTORE POINTS da nossa vida.

E enquanto conseguirmos apertar PLAY...

aquele JOB ainda pode rodar novamente.

//FORMIGA JOB (SAOJOSE),'FESTA JUNINA'
//STEP01 EXEC PGM=MEMORIA
//SYSIN DD *
PESCAR
BRINCAR
RIR
GUARDAR
/*

MAXCC = 0000

Bellacosa Mainframe — porque algumas das rotinas mais importantes da nossa vida nunca foram documentadas. Apenas vividas.

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Aspectos lúdicos da Festa Junina


Uma festa junina digna desse nome não pode deixar de ter as famosas barraquinhas que fazem a alegria da criançada, jogos sociais típicos das Festas Populares tais como pescaria, roleta, tiro ao alvo com bolas, bingo e outras barracas.

Na quermesse do São José teve barraca de pescaria, da cadeia, de acertar o alvo, chutar bolo no gol....

O formiga adorou a pescaria e ficou ali um bom tempo lutando para conseguir apanhar seus peixinhos.


Formiga e o Sanfoneiro na Quadrilha

Bellacosa Mainframe e o sanfoneiro da festa junina do colégio são Jose

Um Café no Bellacosa Mainframe

🪗 Formiga e o Sanfoneiro na Quadrilha — Quando o Vaguinho Saiu das Histórias

Uma festa junina no Colégio São José, um sanfoneiro tocando, dezenas de pequenos caipiras correndo pelo pátio e um analista de sistemas descobrindo que, para os amigos do Formiga, ele não era exatamente um adulto: era um personagem das histórias.

Existem vídeos que registram acontecimentos importantes.

Casamentos.

Formaturas.

Viagens.

Aniversários.

E existem aqueles pequenos vídeos que aparentemente não registram absolutamente nada de extraordinário.

São justamente esses que, anos depois, tornam-se extraordinários.

Este é um deles.

Estamos novamente na Festa Junina do Colégio São José, em Campinas.

O pátio está tomado por crianças vestidas de caipirinhas, famílias observando as apresentações, professores tentando manter alguma organização no meio daquela maravilhosa confusão e, nos bastidores de tudo isso, a festa continua acontecendo.

Barracas.

Comes e bebes.

Conversas.

Risadas.

Crianças correndo.

Pais fotografando.

E música.

Muita música.

No meio daquele pequeno universo junino havia um personagem fundamental:

o sanfoneiro.

🪗

Sentado com seu instrumento, ele fazia aquilo que gerações de músicos fizeram antes dele nas festas populares brasileiras.

Abriu a sanfona.

Fechou a sanfona.

E deixou o ar atravessar os foles transformando movimento em música.

Ao redor dele, a festa acontecia.

Mas havia outro personagem naquela história.



🐜 O Formiga estava impossível

Nosso pequeno Formiga encontrava-se em estado de absoluta euforia.

E quem conhece criança em festa escolar sabe exatamente o que isso significa.

Ele queria correr.

Brincar.

Conversar.

Encontrar os amigos.

Mostrar alguma coisa.

Sumir durante alguns segundos.

Aparecer do outro lado.

Voltar correndo.

Contar uma história começando pelo final.

E imediatamente desaparecer novamente porque alguma coisa muito mais importante acabara de acontecer a cinco metros dali.

Era o processamento paralelo infantil funcionando em sua capacidade máxima.

Se colocássemos aquilo num monitor de performance, provavelmente encontraríamos:

CPU: 100%

Threads: incontáveis

Prioridade: todas

Tempo de resposta: imediato

Controle de mudanças: inexistente

😂

Mas naquele dia aconteceu uma coisa particularmente divertida.

O Formiga resolveu apresentar o Vaguinho aos amigos.


👨‍💻 "Esse é o Vaguinho!"

E aqui a história fica interessante.

Porque existe o Vagner que eu conheço.

Analista de sistemas.

Programador.

Homem dos bits.

Um sujeito que já havia atravessado aeroportos, cidades, países e continentes.

Um sujeito que trabalhou com computadores enormes, sistemas corporativos e aquelas maravilhosas geringonças tecnológicas que fazem bancos, empresas e governos continuarem funcionando enquanto praticamente ninguém percebe.

Um brasileiro que já havia percorrido uma boa parte deste planeta.

Mas nada disso tinha muita importância naquele pátio.

Para aquelas crianças eu possuía uma credencial muito mais importante:

eu era o Vaguinho.

😂

O personagem das histórias do Formiga.

De repente aqueles pequenos seres humanos vestidos de caipirinhas estavam conhecendo em carne e osso aquele adulto meio amalucado que aparecia nas histórias contadas por ele.

Provavelmente alguma coisa como:

— Esse é o Vaguinho!

E pronto.

Currículo apresentado.

Não precisava de LinkedIn.

Não precisava de crachá.

Não precisava explicar profissão.

Muito menos mostrar certificados.

Para aquela turma, minha reputação profissional era construída sobre qualificações muito mais importantes.

🎮 Um adulto suspeitamente incompatível com o cargo

Eu era o adulto que jogava videogame.

Montava LEGO.

Assistia desenhos animados.

Inventava brincadeiras.

Fazia zoeira.

Contava histórias.

E, principalmente, não parecia considerar que brincar fosse uma atividade exclusiva das crianças.

Isso provavelmente causava certa incompatibilidade lógica.

Adultos deveriam fazer coisas de adultos.

Conversar sobre assuntos incompreensíveis.

Mandar crianças não correrem.

Perguntar sobre notas.

Dizer:

— Cuidado para não sujar a roupa!

O Vaguinho aparentemente tinha recebido outro manual de operação.

Se havia LEGO:

vamos montar.

Se havia videogame:

liga isso aí.

Se havia desenho animado:

qual episódio?

E entre os desenhos que faziam parte daquele nosso pequeno universo estava uma criatura que se tornaria praticamente patrimônio cultural da casa:



🐑 Shaun the Sheep

Ou, como ficou eternamente registrada em nosso vocabulário:

a famosa Ovelha Xone.

😂

A maravilhosa Shaun the Sheep.

Aquela ovelha extremamente inteligente, cercada por outras ovelhas nem sempre tão inteligentes, vivendo aventuras absurdas enquanto o pobre cachorro Bitzer tenta desesperadamente impedir que a fazenda entre em colapso.

Pensando bem...

Talvez fosse um treinamento precoce para trabalhar com sistemas corporativos.

Shaun cria o incidente.

As outras ovelhas ampliam o incidente.

Bitzer tenta administrar o incidente.

O fazendeiro não sabe que existe um incidente.

E no final todos trabalham desesperadamente para que o ambiente volte ao normal antes que o responsável descubra.

Isso é praticamente um War Room rural.

🐑💻

Talvez por isso eu gostasse tanto.



🪗 Enquanto isso, a sanfona continuava tocando

No fundo daquele pequeno caos perfeitamente organizado, estava o sanfoneiro.

E isso hoje chama minha atenção muito mais do que provavelmente chamou naquele momento.

Porque ele não era simplesmente alguém fornecendo música ambiente.

Era parte essencial daquela experiência.

A festa poderia ter caixas de som.

Poderia ter músicas gravadas.

Poderia simplesmente apertar PLAY.

Mas havia ali um músico.

Uma pessoa.

Um instrumento.

Um fole respirando.

Dedos percorrendo teclas e botões.

A música sendo criada naquele instante.

Cada execução era ligeiramente diferente da anterior.

Nenhum algoritmo.

Nenhum MP3.

Nenhum streaming.

Nenhum buffer.

Apenas músico e instrumento.

Uma tecnologia maravilhosamente analógica.

E ao som daquela sanfona, as crianças realizavam suas coreografias.

🌽 Os pequenos caipiras entram em produção

Cada turma havia preparado sua apresentação.

Durante semanas professores provavelmente organizaram passos, músicas, posições e entradas.

Crianças ensaiaram.

Erraram.

Riram.

Esqueceram.

Tentaram novamente.

Até chegar o grande momento.

Os pequenos entravam vestidos de caipirinhas.

Camisas xadrez.

Vestidos coloridos.

Chapéus de palha.

Pintinhas no rosto.

Bigodes desenhados.

Trancinhas.

Remendos propositalmente costurados nas roupas.

Então começava a música.

E do outro lado estava uma plateia completamente parcial.

Os genitores maravilhados.

😂

Não importava se uma criança virasse para o lado errado.

Se outra esquecesse a coreografia.

Se duas começassem a conversar durante a apresentação.

Se alguém simplesmente parasse no meio da dança procurando a mãe na plateia.

Para os pais aquilo era Broadway.

Era o Scala de Milão.

Era uma apresentação histórica.

Celulares e câmeras eram levantados.

Fotografias eram tiradas.

Vídeos eram gravados.

E aplausos surgiam ao final.

📹 E eu também estava fazendo meu pequeno backup

Naquele momento eu apenas registrava cenas.

Um pequeno vídeo aqui.

Outro ali.

Sem qualquer grande pretensão documental.

Era simplesmente:

REC.

Alguns minutos.

STOP.

Próxima cena.

O que eu não percebia era que estava executando um backup.

Não de arquivos.

Não de programas.

Não de bancos de dados.

Estava fazendo backup de uma época.

Da voz das crianças.

Das roupas.

Das brincadeiras.

Do sanfoneiro.

Do pátio.

Daquele Formiga pequeno e eufórico.

E até daquele Vagner que existia naquele momento.

Porque ele também mudou.

💾 O backup contém versões antigas de nós mesmos

Existe uma coisa curiosa nos vídeos antigos.

Quando assistimos novamente, normalmente prestamos atenção nas pessoas que filmamos.

Mas existe alguém invisível dentro de todo vídeo:

a pessoa que segurava a câmera.

Ela também ficou gravada ali.

Não aparece necessariamente na imagem.

Mas está presente.

Na escolha do enquadramento.

Naquilo que chamou sua atenção.

Na risada atrás da câmera.

Na voz.

Na maneira como observava o mundo.

Por isso, quando revejo um fragmento como este, não estou apenas vendo o Formiga criança.

Estou encontrando uma versão anterior de mim mesmo.

O Vagner daquele dia.

O Vaguinho.

🐜 O personagem aparece em carne e osso

Talvez este seja meu detalhe favorito dessa lembrança.

Para mim, eu simplesmente estava acompanhando o Formiga numa festa escolar.

Para ele, entretanto, havia outra coisa acontecendo.

Ele estava apresentando um pedaço do mundo dele aos amigos.

As crianças provavelmente já tinham ouvido histórias.

O Vaguinho que jogava.

O Vaguinho que brincava.

O Vaguinho que montava LEGO.

O Vaguinho das zoeiras.

O adulto que assistia Ovelha Xone.

Então, subitamente:

lá estava o sujeito.

Materializado no pátio.

😂

É quase como encontrar pessoalmente um personagem sobre o qual alguém vive contando histórias.

E existe algo muito bonito nisso.

Porque significa que, naquele pequeno universo infantil, eu havia conquistado uma categoria diferente de adulto.

Não era simplesmente:

"um adulto".

Era:

"o Vaguinho".



🥚 Easter egg — quem estava apresentando quem?

Durante muitos anos pensei naquela cena como:

o Formiga apresentando o Vaguinho aos amigos.

Hoje não tenho tanta certeza.

Talvez estivesse acontecendo exatamente o contrário.

Talvez o Formiga estivesse me apresentando ao mundo dele.

Aqueles eram os amigos dele.

A escola dele.

As brincadeiras dele.

Os códigos sociais dele.

As histórias dele.

Eu era o visitante.

Por alguns minutos recebi uma credencial temporária para entrar naquele universo.

E o responsável pelo meu acesso era um pequeno administrador chamado Formiga.

USERID: VAGUINHO

ACCESS: FRIENDS

RESOURCE: FESTA.JUNINA.SAOJOSE

PERMISSION: READ / PLAY / ZOEIRA

RACF emocional: ACCESS GRANTED

😂

🕰️ E então o tempo executou seu JOB

A festa terminou.

As barracas foram desmontadas.

O sanfoneiro guardou sua sanfona.

As roupas caipiras voltaram para armários e caixas.

Professores foram para casa.

Pais descarregaram centenas de fotografias.

As crianças cresceram.

Aquelas pequenas figuras que aparecem correndo pelo vídeo hoje são adolescentes ou jovens adultos.

Algumas talvez ainda sejam amigas.

Outras provavelmente nunca mais se encontraram.

Talvez algumas nem se lembrem daquele dia.

Mas existe um pequeno arquivo perdido num canto do universo digital.

E quando apertamos PLAY...

a sanfona toca novamente.

As crianças voltam a dançar.

Os pais voltam a olhar maravilhados.

O Formiga volta a ficar eufórico.

E durante alguns minutos aquele pátio do Colégio São José volta a existir exatamente como era.

Até o Vaguinho retorna.

Um pouco mais jovem.

Provavelmente fazendo alguma zoeira.

🐜🪗

E talvez seja exatamente para isso que servem esses pequenos vídeos aparentemente sem importância.

Eles não impedem que o tempo passe.

Mas deixam alguns checkpoints pelo caminho.

Lugares onde podemos voltar ocasionalmente e dizer:

"Caramba... nós estivemos aqui."

E estivemos mesmo.

O Formiga.

Seus amigos.

Os pequenos caipirinhas.

Os pais orgulhosos.

O sanfoneiro.

E aquele estranho analista de sistemas que percorreu meio mundo para descobrir que, naquele pequeno pátio de Campinas, sua credencial mais importante era simplesmente:

Vaguinho.

☕🐜🪗

Bellacosa Mainframe

Porque algumas memórias não precisam de milhões de bytes.

Precisam apenas sobreviver ao próximo backup.

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Sanfoneiro começou a festa.

O sanfoneiro iniciou a festa, o acordeão dá suas iniciais, afinando o instrumento e  chamando os dançarinos para o centro da quadra e as crianças obedecem preparando-se para a dança.

As crianças do primeiro ano dançando ao ritmo do sanfoneiro e fazendo a maior festa quando o sanfoneiro da roça só tocava isso.... batendo palmas, batendo o pé e fazendo o balanceeeee.

A diversão  esta correndo solta e dançam para la e dançam para cá...



sexta-feira, 16 de junho de 2017

Formiga no Skate e suas voltinhas no parque

Bellacosa Mainframe e o formiga skatista

🛹 Formiga no Skate — As Primeiras Voltinhas no Parque Luís Latorre

Era uma tarde tranquila no Parque Luís Latorre, em Itatiba, e naquele dia o grande desafio do Formiga estava sobre quatro pequenas rodas.

O skate ainda parecia ter vontade própria.

Subir, procurar o equilíbrio, empurrar o chão com o pé, avançar alguns metros, balançar os braços desesperadamente para não cair... e, algumas vezes, cair mesmo. 😄

Nada de grandes manobras, ollies perfeitos ou aventuras radicais. Eram apenas as primeiras voltinhas de quem estava começando a descobrir como permanecer em cima de uma prancha com rodas.

E talvez seja justamente isso que torne este pequeno registro tão especial.

Aprender a andar de skate é uma sucessão de pequenas conquistas. Primeiro conseguimos ficar parados. Depois avançamos um pouco. Descobrimos como colocar os pés, como distribuir o peso do corpo e, principalmente, aprendemos que cair também faz parte da brincadeira.

Naquela tarde, o Parque Luís Latorre tornou-se nossa pequena pista de treinamento.

Entre tentativas, corridas, desequilíbrios e algumas quedas, Formiga continuava tentando. Não havia competição nem obrigação de aprender rapidamente. O importante era brincar, experimentar e aproveitar aquele domingo no parque.

Anos depois, rever essas imagens dá outro significado ao vídeo.



Aquilo que naquele momento era simplesmente uma criança aprendendo a andar de skate tornou-se uma pequena cápsula do tempo: um registro de Itatiba, do parque, da infância e de uma tarde comum que ficou guardada para sempre.

Porque crescer talvez seja exatamente assim.

A gente sobe sem saber direito como funciona, tenta encontrar equilíbrio, começa a andar, cai algumas vezes e levanta novamente.

E então, quase sem perceber...

já estamos dando nossas próprias voltinhas pelo mundo. 🛹🐜🌳



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Treino de Skate


Domingo a tarde nosso amigo Formiga resolveu treinar novamente  suas habilidades no skate, dando voltas e se preparando melhor sobre as rodinhas.

Nada como iniciar o pequeno Formiga em uma atividade esportiva, subindo, andando, correndo e caindo, mas o importante é participar, dedicar um tempinho para aproveitar e ver o crescimento do pequeno.





domingo, 10 de julho de 2016

BR 381 Viagem noturna rumo a Itatiba


Um Café no Bellacosa Mainframe

🌙 BR-381 — Uma Viagem Noturna Rumo a Itatiba

Às vezes não é preciso viajar para muito longe para descobrir uma estrada nova. Basta voltar para casa por um caminho diferente.

Era noite e estávamos voltando para Itatiba depois de um domingo muito agradável em família, na Vila Rio Branco, região da Penha, em São Paulo.

Normalmente, minhas viagens para São Paulo tinham um roteiro praticamente automático. Na hora de voltar para casa, o caminho era quase sempre o mesmo: pegar a Rodovia dos Bandeirantes e seguir rumo ao interior.

Era a nossa rota conhecida.

Mas naquele domingo a geografia tinha outros planos.


🎂 Um dia especial em família

Havíamos ido até a Vila Rio Branco para comemorar o aniversário da Dona Anna, cercados de primos, tios, tias e daquela movimentação típica de uma reunião familiar.

E havia um detalhe especialmente bonito naquele encontro.

Juliana era confeiteira.

Dona Anna também havia sido confeiteira.

Assim, de certa maneira, duas gerações que conheciam muito bem farinha, açúcar, recheios, coberturas e a arte de transformar ingredientes em momentos felizes estavam se encontrando naquele aniversário.

Juliana resolveu presenteá-la da melhor maneira possível: preparando um belíssimo e delicioso bolo de aniversário.

Não era apenas um bolo comprado a caminho da festa.

Havia trabalho, conhecimento e carinho ali.

Uma confeiteira presenteando outra confeiteira.

E talvez apenas quem já trabalhou com isso consiga olhar para um bolo e perceber tudo aquilo que existe por trás dele: preparação, técnica, paciência, decoração e aquela inevitável expectativa de descobrir se todos irão gostar.

Gostaram.

Depois de um dia gostoso em família, chegou a inevitável hora de retornar para Itatiba.


🚗 O Pretinho estava pronto

Nosso companheiro daquela noite era o famoso Pretinho, nosso New Fiesta 2013.

E quem estava pilotando era a Juliana.

Só que havia uma pequena questão de logística.

Estávamos na região da Penha.

Voltar para o caminho tradicional e procurar a Bandeirantes não parecia fazer muito sentido.

Foi quando apareceu o argumento:

— Estamos praticamente do lado da Fernão Dias...

E contra a geografia fica difícil discutir.

😂

A BR-381 — Rodovia Fernão Dias oferecia um caminho muito mais lógico para quem estava saindo daquela região de São Paulo rumo a Itatiba.

Então, por que não?



🛣️ Vamos voltar pela Fernão Dias!

Hoje parece uma decisão absolutamente banal.

Coloque a rota no GPS e pronto.

Mas naquele momento havia um ingrediente que fazia toda a diferença:

não estávamos acostumados a fazer aquele caminho.

E isso transformou o retorno para casa numa pequena exploração.

Juliana pilotava o Pretinho enquanto avançávamos pela Fernão Dias.

A estrada era diferente.

As curvas eram diferentes.

Os acessos eram diferentes.

As referências eram diferentes.

Até as luzes pareciam diferentes.

Quando você dirige repetidamente pela mesma rodovia, o cérebro começa a apagar parte da viagem. Pontes, placas, curvas e saídas tornam-se referências automáticas.

Você praticamente sabe o que encontrará alguns quilômetros adiante.

Naquela noite não.

Tudo precisava ser observado.

🌃 Uma estrada conhecida por milhares — desconhecida para nós

Havia as luzes dos veículos vindo no sentido contrário.

Faróis surgiam nas curvas, aproximavam-se e desapareciam rapidamente atrás de nós.

As lanternas vermelhas dos carros à frente formavam pequenas linhas luminosas acompanhando o desenho da rodovia.

Placas refletivas surgiam repentinamente na escuridão.

Viadutos, acessos, postos e cidades apareciam como pequenas ilhas iluminadas no meio da noite.

E dentro do Pretinho havia aquele brilho característico do painel.

É curioso como uma viagem noturna muda completamente uma estrada.

Durante o dia enxergamos montanhas, construções, árvores, bairros e horizontes.

À noite o mundo fica reduzido àquilo que os faróis permitem descobrir.

Existe quase uma sensação de exploração.

A estrada vai sendo revelada alguns metros de cada vez.

🗺️ O prazer de sair da rota habitual

Não estávamos indo para nenhum lugar desconhecido.

Nosso destino era simplesmente casa.

Itatiba.

Mas havíamos mudado uma variável.

A rota.

E isso foi suficiente para transformar um deslocamento cotidiano em uma pequena aventura.

Talvez seja uma das coisas de que mais gosto em viajar.

Nem sempre precisamos atravessar oceanos ou visitar lugares extraordinários.

Às vezes basta fazer algo simples:

seguir por uma estrada pela qual normalmente não passaríamos.

A Fernão Dias, utilizada diariamente por milhares de motoristas, naquela noite era novidade para nós.

Cada curva despertava curiosidade.

Cada conjunto de luzes parecia anunciar alguma coisa.

E Juliana seguia pilotando o Pretinho enquanto eu aproveitava aquela experiência diferente.

❤️ Voltávamos felizes

Talvez a estrada também tenha ficado bonita porque nós estávamos felizes.

O dia havia sido bom.

Tínhamos passado algumas horas agradáveis com a família.

Havíamos comemorado mais um aniversário da Dona Anna.

Juliana tinha levado seu bolo.

Uma confeiteira havia presenteado outra confeiteira.

As conversas, os encontros, o parabéns e aquela pequena bagunça familiar tinham ficado para trás.

Agora restava o silêncio relativo da estrada.

O ronco do motor.

Os pneus tocando o asfalto.

As luzes passando pelas janelas.

E Itatiba esperando alguns quilômetros adiante.

🌙 Uma viagem que não deveria ter sido memorável

O mais curioso é justamente isso.

Não aconteceu nada extraordinário.

Não tivemos uma grande aventura.

Não nos perdemos.

Não houve tempestade.

Não houve pane.

Não encontramos nada espetacular pelo caminho.

Simplesmente voltamos para casa por uma estrada diferente.

E foi suficiente.

Porque memória não funciona segundo uma tabela de importância.

Existem acontecimentos enormes dos quais esquecemos detalhes poucos anos depois.

E existem noites absolutamente comuns que permanecem guardadas durante décadas.

Esta foi uma delas.

Uma noite de 2016.

Juliana pilotando o Pretinho.

O New Fiesta avançando pela BR-381.

As luzes dos carros.

O traçado desconhecido.

A sensação de explorar.

E nós dois voltando para Itatiba depois de um domingo feliz em família.

Talvez viajar seja exatamente isso.

Não apenas chegar a lugares novos.

Mas continuar sendo capaz de olhar para um caminho diferente e pensar:

“Vamos por aqui desta vez.”

E descobrir que até o caminho de casa ainda pode guardar uma pequena aventura.

Bellacosa Mainframe — porque algumas memórias ficam armazenadas durante anos, esperando apenas o JOB certo para voltar a executar.

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Domingo delicioso passado na Vila Rio Branco


Tivemos um otimo domingo que passamos juntos a família, curtindo todos os primos, tios e tias no aniversario da Vovo Anna.



No retorno a Itatiba para evitar a porcaria da marginal Tiete com velocidade reduzida, optamos por vir via Fernão Dias.

Foi uma delicia experimentar a estrada a noite, ver as luzes do painel e os carros no sentido contrario chegando a São Paulo.

Sintam a emoção de dirigir a noite numa estrada sinuosa e cheia de surpresas.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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