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sábado, 17 de fevereiro de 2024

Todos os Homens do Prefeito — Quando Bellacosa Ligou a Câmera, o YouTube Sofreu um ABEND e Itatiba Descobriu que a Verdade Tinha Backup

 


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Todos os Homens do Prefeito — Quando Bellacosa Ligou a Câmera, o YouTube Sofreu um ABEND e Itatiba Descobriu que a Verdade Tinha Backup

Ou: uma nota de repúdio chegou pronta, um menor apareceu no centro de uma acusação, vinte mil pessoas receberam o log da confusão, cinquenta mil apertaram PLAY — e um programador COBOL aprendeu que narrativa política sem trilha de auditoria é apenas um arquivo sequencial escrito por quem chegou primeiro.



Prólogo — A redação, a garagem e a câmera que não deveria estar ali

Em All the President’s Men, dois repórteres seguem pistas, conferem versões, protegem fontes e descobrem que o poder não teme apenas denúncias. O poder teme documentos que possam ser verificados por alguém de fora do círculo oficial.

Nossa história não se passa em Washington, não começa no edifício Watergate e não tem uma fonte misteriosa fumando num estacionamento subterrâneo. Ela acontece em Itatiba, no interior de São Paulo, entre 2016 e 2019, dentro e ao redor de uma Câmara Municipal onde situação e oposição travavam suas batalhas políticas semanais.

No lugar dos repórteres do Washington Post, havia um suplente do PMDB conhecido como Vagner Bellacosa. No lugar do caderninho, uma câmera digital. No lugar de uma máquina de escrever, YouTube, Facebook e grupos de WhatsApp. E, no lugar do conselho “siga o dinheiro”, o sistema parecia sussurrar:

Siga a sequência dos acontecimentos.

Bellacosa frequentava as sessões da Câmara quase toda quarta-feira. Não era um observador invisível: tinha posição política, relações partidárias e acesso a muitos grupos locais. Mas carregava algo que se tornaria mais importante que qualquer discurso — a capacidade de registrar o evento inteiro.

Esse detalhe parece banal numa época em que todos possuem celular. Não era. Uma câmera na posição correta funciona como o SYSLOG de um ambiente político: ela não elimina conflitos, mas dificulta que alguém reescreva o processamento depois do RETURN-CODE.



1. Quando o incidente aconteceu, a narrativa já estava compilada

Segundo o relato de Bellacosa, houve uma discussão entre grupos ligados à oposição e à situação. O confronto era essencialmente verbal. Entretanto, pessoas dispostas a criar confusão teriam sido colocadas no ambiente, entre elas um menor de idade. Em algum momento surgiu a acusação de que o menor havia levado um golpe.

A engrenagem começou a funcionar depressa.

Havia a suposta vítima. Havia testemunhas. Houve registro na delegacia. E a prefeitura publicou rapidamente uma nota de repúdio, já assinada, condenando o episódio.

Rapidez, sozinha, não prova planejamento. Uma assessoria pode redigir uma nota em pouco tempo. Da mesma forma, coincidência não é evidência automática de conspiração. Um bom analista precisa separar três campos:

  • aquilo que está documentado;

  • aquilo que foi testemunhado;

  • aquilo que é inferido a partir dos indícios.

Essa separação é tão importante na política quanto em COBOL. Se um campo PIC X(10) contém texto, não devemos tratá-lo como PIC 9(10) apenas porque gostaríamos de somá-lo. Fato, testemunho e hipótese possuem formatos diferentes.

Ainda assim, a combinação era politicamente devastadora. O acusado enfrentava uma narrativa completa: menor agredido, testemunhas, ocorrência policial, posicionamento oficial e provável repercussão no jornal. Em circunstâncias normais, a versão inicial ganharia velocidade antes que a defesa conseguisse calçar os sapatos.

O problema para os autores da narrativa era que existia um log independente.

Bellacosa havia filmado o acontecimento.

Não apenas o segundo mais barulhento. Não somente a reação de alguém. O contexto estava registrado: aproximações, posições, movimentos, falas, antes e depois. A câmera estava no lugar certo.

Em investigação, continuidade vale ouro. Um corte de oito segundos pode transformar defesa em ataque, ironia em ameaça e reação em provocação. Uma sequência longa permite reconstruir a ordem dos eventos.

Para o programador iniciante, é a diferença entre receber apenas a mensagem ABEND S0C7 e possuir também o dump, o offset, o conteúdo dos campos e o job log completo.



2. A nota oficial era o relatório; o vídeo era o dump

Uma nota de repúdio é uma interpretação institucional. Pode ser sincera, precipitada ou deliberadamente orientada. Ela organiza os acontecimentos numa estrutura compreensível para o público: vítima, agressor, ato condenável e resposta da autoridade.

O vídeo não era neutro no sentido filosófico — toda câmera possui posição, enquadramento e limitações. Porém, fornecia elementos verificáveis que a nota não controlava.

Uma testemunha dizia ter visto um golpe? O vídeo permitia localizar o segundo, verificar a distância e observar o movimento. Alguém afirmava que a agressão surgiu do nada? A gravação mostrava o que ocorreu antes. Uma versão omitia a provocação? A linha do tempo a recuperava.

O documento não precisava dizer “a prefeitura está errada”. Bastava tornar impossível sustentar determinados detalhes sem enfrentar as imagens.

Essa é uma lição fundamental sobre evidência digital:

A prova mais poderosa nem sempre é aquela que acusa. Muitas vezes é aquela que obriga todas as versões a caberem na mesma linha do tempo.

Em sistemas corporativos, chamamos isso de rastreabilidade. Uma transação financeira séria deixa identificadores, horários, usuário, terminal e estados intermediários. Se cada departamento puder escrever sua própria versão sem correlação, não existe auditoria — existe literatura criativa.

Na política local, o vídeo de Bellacosa introduziu um TIMESTAMP que ninguém conseguia editar por decreto.



3. O jornal chegou à banca; a réplica já estava em produção

Aqui começa a parte que as antigas estruturas de comunicação demoraram a compreender.

Bellacosa participava de numerosos grupos de WhatsApp de Itatiba. Mal o jornal impresso chegou às bancas, o vídeo já estava carregado no YouTube e compartilhado com aproximadamente vinte mil pessoas. Os destinatários fizeram aquilo que redes distribuídas fazem melhor: replicaram.

O vídeo original alcançou cerca de cinquenta mil visualizações.

Antes da internet, a contestação dependeria do mesmo porteiro que havia publicado a acusação. Seria necessário pedir espaço no jornal, aguardar a edição seguinte, negociar tamanho, título e posição. Quando a correção aparecesse, a acusação já teria se transformado em memória coletiva.

WhatsApp e YouTube eliminaram essa janela de controle.

O YouTube funcionou como repositório. O WhatsApp, como middleware de distribuição. Os cidadãos, como nós de replicação. O vídeo não precisava convencer todos os habitantes; precisava chegar rapidamente às pessoas interessadas no assunto e permitir que elas próprias comparassem as versões.

Para um aluno COBOL, podemos representar o processamento assim:

ENTRADA: acontecimento filmado
VALIDAÇÃO: sequência integral e contexto
ARMAZENAMENTO: upload no YouTube
DISTRIBUIÇÃO: grupos de WhatsApp
REPLICAÇÃO: encaminhamentos dos usuários
SAÍDA: pressão pública por correção

A prefeitura acabou emitindo uma nota corrigindo o texto. Mais importante: a pessoa acusada utilizou o vídeo na própria defesa durante o inquérito. Como a gravação continha o acontecimento, a acusação não avançou e o envolvido foi inocentado, conforme o relato de Bellacosa.

O vídeo deixou de ser apenas conteúdo político. Tornou-se elemento defensivo com consequência concreta.



4. Quando não foi possível refutar o arquivo, tentaram provocar DELETE

A história poderia terminar com a correção. Não terminou.

O primeiro upload sofreu uma campanha de denúncias no YouTube. Algumas pessoas alegavam “violência gratuita”. Outras afirmavam que aquilo “não era real”. As reclamações eram incompatíveis: se a violência era real e gratuita, o vídeo não podia simultaneamente ser uma fabricação completa.

Essa inconsistência sugere que a preocupação central não era classificar corretamente o conteúdo. O objetivo aparente era encontrar qualquer regra capaz de retirá-lo do ar.

O nome moderno desse comportamento é brigading: um grupo coordenado ou convergente aciona em massa os mecanismos de denúncia de uma plataforma. É uma espécie de DDoS burocrático. Em vez de sobrecarregar um servidor com pacotes, sobrecarrega-se a moderação com reclamações.

Bellacosa precisou contestar e lutar para manter o material disponível. O link que sobrevive atualmente corresponde a um segundo upload.

Aqui aparece uma das vulnerabilidades centrais da internet regulada por plataformas: a assimetria.

  • Denunciar exige alguns cliques.

  • Defender exige contexto, documentos, recursos e persistência.

  • A remoção pode ser imediata.

  • A restauração pode chegar depois que o interesse público desapareceu.

Se a plataforma teme multas pesadas por manter conteúdo denunciado, mas enfrenta pouca consequência por remover injustamente uma publicação legítima, seu algoritmo escolherá a precaução. Remover primeiro e analisar depois torna-se a opção economicamente racional.

É assim que uma ferramenta criada para combater violência, fraude e abuso pode ser transformada numa borracha política.

Easter egg para o operador veterano: quem nunca viu um usuário tentar resolver um problema cancelando o job errado não sabe o que é governança.



5. Passo a passo: como preservar uma evidência sem virar Igor da perícia

Se você presencia um acontecimento de interesse público, não basta apertar REC. A utilidade jurídica e histórica do material depende da preservação.

Passo 1 — Filme a sequência, não apenas o clímax

Quando for seguro, registre o antes, o durante e o depois. Evite interromper a gravação para produzir pequenos clipes. Contexto reduz a possibilidade de interpretação enganosa.

Passo 2 — Preserve o arquivo original

Não edite a única cópia. Mantenha o arquivo exatamente como saiu da câmera ou do celular, incluindo metadados. Produza versões separadas para publicação.

Passo 3 — Crie redundância

Use pelo menos três cópias: dispositivo original, armazenamento externo e local remoto confiável. Uma evidência guardada apenas numa plataforma pode desaparecer por denúncia, falha técnica ou perda da conta.

Passo 4 — Registre a integridade

Um hash criptográfico, como SHA-256, funciona como impressão digital do arquivo. Qualquer alteração posterior gera outro resultado. Ele não prova sozinho quem filmou, mas ajuda a demonstrar que determinada cópia não foi modificada.

Passo 5 — Documente o contexto

Anote data, horário aproximado, local, posição da câmera e pessoas capazes de confirmar a gravação. Preserve mensagens, avisos de remoção e protocolos de recurso.

Passo 6 — Proteja pessoas vulneráveis

Se houver menores, vítimas ou dados sensíveis, avalie ocultar rostos e informações na versão pública. O original deve permanecer preservado para advogado ou autoridade competente.

Passo 7 — Entregue a prova pelo canal adequado

Viralização não substitui defesa jurídica. Quando houver inquérito ou processo, o advogado deve receber o original e avaliar a forma correta de juntada.

Passo 8 — Não aceite provocações

Depois de publicar material politicamente sensível, considere que alguém poderá tentar produzir um segundo episódio contra você. Mantenha autocontrole, evite confrontos e registre ameaças pelos canais apropriados.

Em resumo: não seja Igor copiando o arquivo para VIDEO-FINAL-AGORA-VAI-3.MP4 e apagando o original para economizar espaço.



6. “Cuidado, o Bellacosa está presente”

Depois do episódio, Bellacosa virou uma espécie de piada interna na Câmara. Quando ele aparecia, alguém dizia:

“Olha que o Bellacosa está presente e pode te filmar.”

Era brincadeira, mas também aviso operacional.

Sua presença modificava o comportamento do ambiente. Ele havia demonstrado que sabia registrar, publicar, distribuir, enfrentar denúncias e permanecer em cena. Mesmo quando a câmera não estivesse ligada, ninguém teria certeza.

Isso é o efeito do observador aplicado à política: pessoas calculam melhor suas ações quando existe possibilidade de auditoria independente.

Ao mesmo tempo, transformar o episódio em piada ajudava a instituição a digerir o constrangimento. Era mais confortável retratar Bellacosa como “o homem da câmera” do que discutir por que uma gravação externa havia sido necessária para impedir uma acusação injusta.

Nos dias seguintes, porém, não havia apenas humor. Bellacosa comparecia às sessões com medo. Continuar indo toda quarta-feira reforçava sua posição: ele sustentava publicamente aquilo que havia publicado. Mas também se expunha a intimidação, provocação ou agressão.

Sua condição partidária oferecia alguma proteção. Como integrante do PMDB e suplente, possuía relações e custo político. Um militante de partido pequeno, isolado ou facilmente rotulado como radical talvez não tivesse o mesmo escudo.

Essa constatação impede que romantizemos a expressão “qualquer pessoa pode publicar”. Tecnicamente, qualquer pessoa pode. Nem todas conseguem suportar campanha de denúncias, pressão presencial, advogado, exposição pública e risco físico.

Liberdade formal sem proteção prática pode existir apenas para quem possui rede, recursos ou coragem para enfrentar o corredor na quarta-feira seguinte.



7. Eleição 2020: a hipótese da mão santa

No pleito municipal de 2020, o mesmo prefeito tentou a reeleição. Segundo Bellacosa, o político costumava brincar que Facebook não ganhava eleição.

Na reta final, Bellacosa decidiu apoiar um candidato da oposição e realizou campanha intensa dentro das regras eleitorais. Àquela altura, a rede original de aproximadamente vinte mil pessoas teria crescido em mais vinte mil depois dos acontecimentos anteriores.

O prefeito perdeu a reeleição por pouco mais de seiscentos votos.

É possível provar que Bellacosa decidiu o pleito? Não.

Não existe grupo de controle, pesquisa individual de exposição, rastreamento entre postagem e voto ou experimento capaz de isolar sua influência das demais variáveis. Alcance também não corresponde a eleitores únicos: há duplicidade, pessoas de outras cidades, apoiadores já convencidos, abstenções e mensagens nunca abertas.

Mas podemos fazer uma conta divertida.

Se quarenta mil pessoas estavam potencialmente na rede, seiscentos votos representam 1,5% desse total. Num confronto direto, quando um eleitor deixa o prefeito e escolhe o adversário, a margem se altera em dois votos: um sai de um lado e entra no outro. Em modelo extremamente simplificado, pouco mais de trezentas conversões poderiam gerar uma diferença superior a seiscentos votos.

Isso não demonstra causalidade. Mostra apenas plausibilidade.

A formulação cientificamente honesta seria:

“Não posso provar que minha mão derrubou o prefeito. Numa eleição decidida por pouco mais de seiscentos votos, ninguém também pode provar que ela foi irrelevante.”

No Boteco de Itatiba, depois de uma cerveja, essa hipótese recebe seu nome acadêmico definitivo: Teoria da Mão Santa de Bellacosa.

Correlação não é causalidade. Mas algumas correlações combinam maravilhosamente com amendoim.



8. O que um programador COBOL aprende com essa investigação

O iniciante costuma imaginar COBOL como linguagem de contas, arquivos e relatórios. Na realidade, sistemas confiáveis ensinam uma filosofia de responsabilidade.

Registro é diferente de narrativa

O relatório gerencial apresenta uma interpretação. O log preserva eventos. Precisamos dos dois, mas nunca devemos confundi-los.

Ordem importa

Em processamento sequencial, trocar dois registros pode alterar o resultado. Em vídeo, remover o que ocorreu antes de uma reação pode transformar completamente seu significado.

Auditoria exige independência

Se a mesma entidade pratica o ato, registra o ato, interpreta o registro e decide quem pode consultá-lo, não temos uma auditoria robusta.

Redundância protege contra falhas e interesses

Backup não serve apenas para disco quebrado. Também protege contra remoção indevida, erro humano e tentativa deliberada de apagar evidências.

Autoridade não substitui validação

Uma nota oficial merece atenção, mas não se torna verdadeira apenas porque possui brasão. Da mesma maneira, um arquivo marcado como PRODUCAO não está correto apenas porque foi colocado na biblioteca principal.

Toda automação possui viés de incentivo

Se o sistema de moderação é punido por deixar algo no ar e quase nunca por remover injustamente, ele será programado para retirar em excesso. A regra de negócio molda o algoritmo.

O operador também faz parte da segurança

Bellacosa tinha câmera, arquivo e plataforma. O elemento decisivo, contudo, foi insistir: preservar, reenviar, contestar e continuar comparecendo. Tecnologia sem operador disposto a sustentá-la vira apenas equipamento caro.



Epílogo — A verdade não venceu sozinha

É tentador encerrar dizendo que a verdade sempre vence. Seria bonito, cinematográfico e falso.

A verdade daquele episódio precisou de câmera posicionada corretamente, gravação contínua, arquivo preservado, upload rápido, vinte mil contatos iniciais, dezenas de milhares de visualizações, pessoas dispostas a compartilhar, recurso contra denúncias e alguém com coragem para voltar à Câmara na quarta-feira seguinte.

Ela não venceu porque possuía uma força mística. Venceu porque recebeu infraestrutura.

Essa talvez seja a maior lição para quem discute regulação da internet. Redes sociais espalham mentiras, fraudes e violência, e precisam de mecanismos responsáveis. Porém, os mesmos mecanismos de denúncia podem ser capturados por grupos organizados para retirar provas legítimas. Uma regra mal desenhada não pergunta quem está dizendo a verdade; pergunta apenas qual lado consegue produzir maior risco para a plataforma.

Uma internet livre não é uma internet sem lei. É uma internet em que remoções possuem fundamento, transparência, possibilidade de recurso e proteção especial para documentação de interesse público. É uma rede na qual autoridades também podem ser contestadas por registros independentes.

No final, o prefeito tinha nota, assessoria, testemunhas e máquina política. Bellacosa tinha uma câmera, uma conta no YouTube, grupos de WhatsApp e backup.

Anos depois, resta uma vitória moral impossível de colocar numa planilha eleitoral. Talvez sua campanha tenha influenciado cinquenta votos. Talvez trezentos. Talvez mil. Não sabemos.

Mas toda vez que a caneca toca o balcão do Boteco de Itatiba, o sistema executa novamente o mesmo pequeno programa:

       IF PREFEITO-PERDEU
          AND DIFERENCA-DE-VOTOS <= 0600
              MOVE 'MAO SANTA' TO PARECER-HISTORICO
              PERFORM BRINDE-ATE-FECHAR-O-BOTECO
       END-IF.

No rodapé do relatório, uma observação permanece piscando em verde-fósforo:

Causalidade não comprovada. Satisfação pessoal processada com sucesso.

E, em algum estacionamento escuro de Itatiba, uma voz misteriosa completa:

“Siga o log.”

 


 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

O Tesouro Perdido de Itatiba — Quando Jack Sparrow Desembarcou no Jacaré, Procurou Dois Milhões numa Chácara e Descobriu que Toda Cidade Tem sua Ilha da Caveira

 


☕ Lendas de Itatiba

O Tesouro Perdido de Itatiba — Quando Jack Sparrow Desembarcou no Jacaré, Procurou Dois Milhões numa Chácara e Descobriu que Toda Cidade Tem sua Ilha da Caveira

Ou: uns juram que eram 600 mil, outros aumentam para 2 milhões, um segredo teria morrido durante a pandemia, paredes foram interrogadas a marretadas — e até hoje ninguém sabe se o tesouro existiu, desapareceu ou já paga gasolina de carro novo.

Nota ao leitor — antes que Igor chame a perícia: este texto registra uma lenda oral do imaginário popular de Itatiba. Não é denúncia, investigação nem afirmação de fatos. Não apresentamos documentos, provas ou testemunhos verificáveis. Os personagens são tratados de forma genérica, os valores variam conforme a versão e nenhuma pessoa ou organização deve ser considerada identificada ou acusada. É um “causo”: mistura de diz que me diz, memória coletiva, humor e folclore político.


Prólogo — Um pirata pergunta onde fica o porto

Jack Sparrow chegou a Itatiba sem navio.

Isso, por si só, não o incomodou. Jack já perdera embarcações, tripulações, bússolas, garrafas, reputações e provavelmente alguns processos administrativos. O que realmente o deixou desconcertado foi descobrir que a cidade não tinha mar.

— Toda cidade com tesouro deveria ter um porto — reclamou, diante do Ribeirão Jacaré. — É uma questão de organização narrativa.

Igor, que fora designado guia por ninguém em particular, apontou para a água e garantiu que, em época de chuva, aquilo quase parecia o Caribe.

Jack examinou o ribeirão, depois Igor e, por fim, a garrafa que trazia no casaco.

— O Caribe piorou muito.

Mas o capitão não atravessara metade do imaginário popular para discutir hidrografia. Uma história extraordinária circulava pelos balcões, grupos de mensagens e conversas ditas em voz baixa — embora sempre alta o suficiente para a mesa ao lado ouvir.

Em algum lugar de Itatiba estaria escondido um tesouro político.

Uns diziam 600 mil reais. Outros, mais generosos com o dinheiro alheio, garantiam 2 milhões. Havia quem falasse numa mala, quem preferisse caixas e quem descrevesse pacotes escondidos como se tivesse pessoalmente conferido o lacre. De acordo com a lenda, seria dinheiro de uma campanha política. Entretanto, o único guardião da localização teria morrido de Covid durante a pandemia, levando consigo a coordenada final.

Não havia mapa. Não havia recibo. Não havia fotografia. Não havia prova de que o tesouro existira.

Ou seja: para Jack Sparrow, era uma pista perfeita.


1. Todo bom tesouro começa com uma conta que não fecha

No primeiro boteco, o valor era de 600 mil.

No segundo, depois de dois cafés e uma cerveja, subiu para 800 mil.

No terceiro, um homem que conhecia um primo de alguém que “esteve perto de tudo” bateu a mão na mesa:

— Dois milhões. Posso não saber onde estão, mas sei quanto havia.

Jack inclinou-se para Igor.

— Admirável. O homem desconhece o esconderijo, a embalagem, a origem e o destino, mas conhece o saldo.

— É a contabilidade oral — explicou Igor. — Não precisa de planilha.

Essa é uma das leis mais antigas das lendas urbanas: o número nunca permanece quieto. Ele engorda a cada narrador porque a memória coletiva não trabalha com auditoria; trabalha com impacto. Seiscentos mil podem caber numa conversa. Dois milhões exigem iluminação, trilha sonora e alguém olhando para os lados antes de continuar.

O dinheiro da história, portanto, rendia sem precisar estar aplicado. Bastava mudar de mesa.


2. O homem que, segundo a lenda, conhecia o X

Toda caça ao tesouro precisa de alguém que tenha visto o mapa.

Na lenda itatibense, esse papel caberia a um secretário partidário. Segundo o causo, ele seria o único a conhecer o esconderijo. Não o prefeito, não o tesoureiro, não os candidatos, não os aliados, não o sujeito responsável por buscar café. Somente ele.

Então veio a pandemia — aquele período real, trágico e desorganizador, no qual tantas vidas e histórias foram interrompidas. O suposto guardião faleceu. Com ele, teria desaparecido a última indicação do lugar onde o dinheiro estaria.

A partir desse ponto, o relato deixa de parecer política municipal e começa a funcionar como lenda de piratas.

O morto se torna o único possuidor do segredo. O segredo se torna impossível de confirmar. E a impossibilidade de confirmação, em vez de matar a história, passa a alimentá-la.

Jack abriu sua bússola. O ponteiro girou, parou numa padaria, hesitou diante de uma adega e depois apontou para lugar nenhum.

— Ela indica aquilo que mais desejamos — disse o capitão.

— Então não serve para encontrar dinheiro dos outros — respondeu Igor.

— Meu caro, dinheiro dos outros é uma das coisas que piratas mais desejam.


3. O apartamento e a arqueologia da suspeita

Segundo uma das versões, depois da morte do guardião alguém teria entrado em seu apartamento e revirado tudo.

No edifico Praxx confusão não faltou, pobre Gavetas abertas. Armários examinados. Papéis vasculhados. Fundos falsos procurados. Talvez colchões apertados, livros sacudidos e potes de mantimentos interrogados. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu; cada narrador reorganiza o cenário conforme a própria experiência com filmes policiais.

Nada teria sido encontrado.

Mas numa lenda, “nada encontrado” não significa que nada existia. Significa apenas que o próximo capítulo precisa de um cenário maior.

Jack avaliou a situação com autoridade:

— Apartamentos são péssimos para tesouros. Muitos vizinhos, paredes finas e síndicos que tratam papagaios como infração condominial.

— E onde um profissional esconderia? — perguntou Igor.

— Numa ilha deserta.

— Não temos.

— Num navio naufragado.

— Também não.

— Numa chácara?

Igor sorriu.

O capitão percebeu que finalmente encontrara o Caribe itatibense.


4. A chácara, as paredes e a pá patriótica

Outra versão da lenda fala de uma chácara que diziam “pertencer” ao guardião. As aspas são importantes: em causos políticos, propriedade é um conceito tão flexível quanto o valor do tesouro.

Foi ali, conforme o relato popular, que a busca teria ganhado entusiasmo de expedição espanhola. Paredes teriam sido quebradas. Pontos considerados promissores teriam sido escavados. Talvez alguém tenha batido nos tijolos à procura de som oco, observado pisos recentes ou desconfiado daquela árvore plantada num ângulo excessivamente misterioso.

Não sabemos quem teria procurado, quando, com qual autorização ou se a escavação ocorreu como contam. Sabemos apenas que a imagem sobreviveu: homens sérios, possivelmente ligados à política, convertidos por algumas horas em caçadores de tesouro, perguntando a uma parede onde estavam os milhões.

Jack Sparrow caminhou pela representação imaginária da propriedade, encostou o ouvido num muro e bateu três vezes.

— O que ele disse? — perguntou Igor.

— Que deseja um advogado.

As paredes, aparentemente, conheciam melhor seus direitos do que os exploradores.


5. Hernán Cortés de Itatiba entra na expedição

Foi então que surgiu Don Alonso de los Cofres Perdidos, caçador espanhol de tesouros, falsificador de mapas turísticos e autoproclamado especialista em ouro que jamais encontrou.

Don Alonso usava chapéu largo, botas cobertas de barro e um detector de metais comprado pela internet. Falava como se cada terreno baldio fosse a entrada secreta de El Dorado.

— Capitán — anunciou —, todo tesoro deja una señal.

— Qual? — perguntou Jack.

— Gente nerviosa alrededor.

— Isso não reduz muito o mapa quando envolve política — observou Igor.

Don Alonso apresentou três pergaminhos. O primeiro marcava o apartamento. O segundo indicava a chácara. O terceiro era um mapa de pizzaria que ele havia apanhado por engano.

O detector apitou perto de uma cerca. Todos correram. Cavaram cuidadosamente e encontraram uma ferradura, duas latas enferrujadas e uma ficha telefônica.

— Sinais de uma civilização avançada — declarou Don Alonso.

Jack discordou:

— Se fosse avançada, teria escondido rum.



6. A cidade inteira transforma-se num mapa

Quando uma busca não encontra nada, duas conclusões seriam razoáveis: o objeto não estava ali ou talvez nunca tenha existido.

Mas a lenda oferece uma terceira possibilidade, muito mais divertida: procuraram no lugar errado.

Assim, qualquer imóvel relacionado remotamente à história pode ganhar um X imaginário. Um muro reformado torna-se pista. Um piso trocado parece confissão. Uma árvore removida vira operação noturna. Uma venda apressada de propriedade passa a significar que alguém sabia de alguma coisa.

Até a prosperidade posterior de qualquer conhecido pode ser absorvida pelo enredo.

Comprou carro? Achou uma parte.

Abriu empresa? Lavou o tesouro.

Reformou a cozinha? O dinheiro estava atrás do azulejo.

Mudou de cidade? Fugiu com a mala.

Continua pobre? Está disfarçando muito bem.

É assim que uma boa lenda se protege contra a realidade: qualquer evidência serve, inclusive a ausência de evidência.


7. O maior esconderijo é aquele que não pode ser revelado

O tesouro de Itatiba possui uma qualidade superior ao ouro pirata: se alguém o encontrar, provavelmente não contará.

Imagine a cena. Uma pá toca algo sólido. Surge uma caixa. Dentro dela, maços preservados pelo acaso e pela criatividade logística. O descobridor olha para os lados, fecha o buraco e passa os dez anos seguintes tentando explicar por que sua vida financeira melhorou justamente depois de uma pescaria numa chácara sem lago.

Se o dinheiro tivesse origem ilícita, apresentá-lo ao mundo seria convidar perguntas. Se tivesse origem inocente, ainda assim seria necessário explicar propriedade, localização e circunstâncias. O silêncio seria parte do prêmio.

Por isso, mesmo uma descoberta não encerraria a narrativa. Apenas criaria novos indícios: uma viagem, uma compra, uma reforma, uma generosidade inesperada.

Jack resumiu:

— O tesouro perfeito não é aquele que ninguém encontra. É aquele que, depois de encontrado, obriga o homem a continuar fingindo que procura.

Don Alonso tirou o chapéu. Igor anotou a frase para usar numa postagem sem dar crédito.


8. O que a lenda conta quando não consegue contar a verdade

Talvez nunca tenha existido dinheiro algum.

Talvez tenha existido dinheiro, mas não como a história descreve.

Talvez as buscas tenham sido reformas comuns, transformadas em escavações por vizinhos atentos. Talvez alguém realmente tenha procurado alguma coisa — documentos, objetos pessoais, papéis — e a imaginação coletiva tenha colocado maços de notas no fundo da cena.

Sem documentos e provas, não é possível ir além dessas hipóteses. E não precisamos ir.

O valor cultural do causo não está em provar um crime, mas em mostrar como uma cidade processa seus silêncios. Quando instituições não esclarecem rumores, quando personagens desaparecem e quando a política produz mais desconfiança que respostas, o povo escreve sua própria versão. Acrescenta cifras, constrói mapas e convoca testemunhas que sempre ouviram de alguém confiável.

A lenda é uma forma popular de preencher espaços vazios. Não é necessariamente verdade, mas revela aquilo que uma comunidade considerou plausível — e isso também diz muito sobre uma época.


9. Manual do caçador de tesouros que deseja continuar fora da cadeia

Antes de alguém comprar uma pá, Jack Sparrow pediu a palavra para uma rara manifestação de responsabilidade cívica.

— Não invadam imóveis. Não derrubem paredes. Não escavem propriedades. Não acusem pessoas. Não publiquem nomes. E, principalmente, não levem Igor.

O capitão estava certo.

Registrar folclore não autoriza perseguição, invasão, dano ao patrimônio ou difamação. Terrenos têm donos; mortos têm famílias; suspeitas não substituem provas. A graça está em preservar a narrativa, não em reiniciar uma suposta operação de busca.

Se algum documento autêntico surgir um dia, ele pertencerá ao campo do jornalismo, da história ou das autoridades competentes. Até lá, o tesouro vive onde sempre viveu: na conversa.


Epílogo — A bússola aponta para o boteco

Depois de dias seguindo pistas que não existiam, Jack Sparrow abriu novamente sua bússola. Dessa vez, o ponteiro permaneceu firme.

Ele atravessou algumas ruas, dobrou uma esquina e entrou no boteco onde a história começara. Na mesa do fundo, um homem contava para outros três que o valor correto não era 600 mil nem 2 milhões.

— Eram 5 milhões — sussurrou. — Meu cunhado conhece uma pessoa que viu as caixas.

Jack sorriu. Don Alonso pediu outra rodada. Igor abriu uma planilha para atualizar o patrimônio lendário.

O tesouro acabara de render novamente.

Talvez o dinheiro nunca tenha existido. Talvez tenha sido encontrado. Talvez continue sob uma parede, uma árvore ou um piso que ninguém ainda considerou promissor. Não sabemos — e qualquer pessoa honesta precisa admitir isso.

Mas, como toda boa lenda, o Tesouro Perdido de Itatiba já encontrou um esconderijo melhor que qualquer cofre: a memória da cidade.

Ali ele não mofa, não desvaloriza e não pode ser apreendido. A cada nova narração, recebe mais alguns zeros, uma parede adicional e outra testemunha indireta.

E se um dia alguém perguntar quem conhece a verdade, haverá sempre um sujeito no canto do boteco disposto a olhar para os lados, baixar a voz e dizer:

— Eu não posso provar nada… mas sei onde começaram a cavar.

Jack erguerá a caneca.

Igor salvará o mapa.

E Itatiba responderá, em seu dialeto oficial para histórias grandes demais para caber num documento:

Piu. Corcorcó.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2018/04/um-dos-ultimos-boteco-analogico-de.html

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2018/02/carnaval-de-itatiba-foi-invadido-pelos.html



domingo, 8 de novembro de 2020

Acredito no Dr. Thomas 45 para prefeito de Itatiba

Itatiba acredita em mudanças. Por mais empregos, escolhemos seguir Dr. Thomas 45 #drthomas45 #itatibanossacidade #empregos #educacao #segurança #novotempo #por2021melhor #drthomas45itatiba #progresso #democracia #uniaofazforca #itatiba2021 #lazer #cultura #biblioteca #sp #itatibense #ecologia #saude #paz #eleicao

terça-feira, 9 de abril de 2019

Dia da Toalha - 2019

Dia da Toalha em Itatiba

Novamente estamos comemorando uma data especial... mais uma homenagem ao escritor Douglas Adams...

Homenagem ao escritor Dougla Adams

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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Vinhos e Vinícolas em Itatiba - Facebook

Divulgação de produtores artesanais de vinho em Itatiba




Devido a forte imigração italiana a Itatiba, aproveitando o clima, a terra e as colinas, alguns colonos começaram a plantar uvas e a produzir vinho, atualmente mais de 10 famílias produzem vinhos artesanais e tem suas adegas prontas a servir aqueles que desejam experimentar novos sabores, produzem também grapa, cachaça, licores e vinagre. 

Desde tempos imemoriais o homem produz vinho, atualmente São Paulo vem perdendo a força como polo produtor de Vinho. Cidades como Jundiaí e São Roque que eram referencia na produção de vinho deveriam investir mais em divulgação para que todos os pequenos produtores sejam beneficiados e possam produzir mais e melhor VINHO.

Ajude-nos a divulgar. Participe de nossa comunidade.

Esta página é dedicada a divulgar estes produtores e falar um pouco de VINHO. Venha conhecer nossa página. Participe, curta e conheça.

Visite as adegas de São Roque, Jundiaí, Vinhedo e Itatiba

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sábado, 14 de abril de 2018

Um dos Últimos Boteco Analógico de Itatiba: Torresmo, Universitários, Original em Território Brahma e uma Pinga que Ninguém Sabe de Onde Vem

 

Bellacosa Mainframe e o bar bhrama da camilo pires

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Um dos Últimos Boteco Analógico de Itatiba: Torresmo, Universitários, Original em Território Brahma e uma Pinga que Ninguém Sabe de Onde Vem

🍺 Há lugares que o Google conhece. E há lugares que Itatiba conhece.


Existe uma diferença enorme entre um bar e um boteco.

Bar pode ter branding.

Pode ter iluminação estudada, cardápio acessado por QR Code, IPA com nome de constelação, hambúrguer desconstruído e uma parede cuidadosamente preparada para você tirar uma fotografia e publicar no Instagram.

Boteco não.

Boteco simplesmente acontece.

Ele abre a porta pela manhã, alguém encosta no balcão, outro chega depois, uma cerveja aparece, alguém pergunta se fulano morreu, outro responde que não morreu coisa nenhuma, apenas mudou para Valinhos, um terceiro garante que encontrou o sujeito na semana passada e, quando você percebe, quatro homens reconstruíram quarenta anos da história municipal sem consultar uma única fonte primária.

Itatiba possui desses lugares.

E existe um deles no Centro, na Rua Coronel Camilo Pires, 441.

O endereço, pelo menos, conseguimos confirmar documentalmente: registros públicos de imóveis descrevem o nº 441 como prédio de destinação comercial e de serviços.

O resto?

Bem...

O resto pertence àquilo que existia muito antes do Google:

memória oral.

🍺 A placa diz Brahma. Eu peço Original.

Comecemos pela primeira heresia.

Na fachada existe uma enorme placa da Brahma.

Daquelas placas que não pedem licença para participar da arquitetura. Ela está lá dizendo:

BRAHMA.

O sujeito entra, olha para o balcão e pede:

— Uma Brahma?

Não.

Eu:

Me dá uma Original.

Original da Antarctica.

Porque coerência arquitetônica tem limites.

Aparentemente o boteco resolveu o problema da interoperabilidade muito antes da computação moderna:

FRONT-END....... BRAHMA
BACK-END........ BOTECO
CLIENTE......... BELLACOSA
REQUEST......... ORIGINAL ANTARCTICA
RETURN-CODE..... 00

É o verdadeiro ambiente multivendor.

Ninguém abre chamado.

Ninguém convoca reunião.

A cerveja chega gelada e seguimos o processamento.

🐷 E então aparece o verdadeiro sistema crítico: o torresmo

Porque cerveja você encontra em centenas de lugares.

Torresmo também.

Mas existe aquele torresmo que transforma um estabelecimento comercial em infraestrutura crítica municipal.

E, na minha opinião de frequentador — aqui não existe Michelin, TripAdvisor nem auditor independente —, ali mora o melhor torresmo de Itatiba.

Torresmo de boteco não precisa de apresentação.

Não vem acompanhado de manifesto gastronômico.

Ninguém explica que o porco foi “reinterpretado”.

Ninguém chama aquilo de:

Pork Belly Experience sobre cama de alguma coisa.

É torresmo.

PIC X(08).

TORRESMO.

Crocante onde precisa ser crocante, gorduroso onde Deus e o açougueiro determinaram que fosse gorduroso, acompanhado de cerveja e absolutamente incompatível com qualquer tentativa séria de alta gastronomia.

E boteco raiz tem outras coisas que desafiam a modernidade.

Salgados.

Não finger foods.

Salgados.

Coxinha, bolinho, pastel, quibe, qualquer criatura empanada cuja procedência você talvez prefira não investigar profundamente porque existe uma regra ancestral:

Se está quente, crocante e gostoso, não execute DISPLAY ORIGIN.

Aliás, a própria Prefeitura de Itatiba apresenta a gastronomia local misturando restaurantes sofisticados com comidas de boteco, torresmo, aipim à pururuca e outras tradições culinárias bastante brasileiras.

Mas boteco raiz possui uma característica adicional.

Existem coisas que não estão no cardápio.

🥃 A misteriosa pinga

Em algum lugar existe um alambique.

Provavelmente.

Quem produz?

Informação classificada.

Onde fica?

LOCATION UNKNOWN

Qual a marca?

Marca?

Você está fazendo perguntas demais.

😂

A pinga simplesmente aparece.

Alguém conhece alguém que conhece alguém.

Chega uma garrafa.

— É boa?

— Boa demais.

— De onde veio?

— De um conhecido.

Pronto.

Fim da rastreabilidade da cadeia produtiva.

O auditor ISO 9001 desmaia no balcão.

E aqui entra outra memória cultural itatibense que merece ser registrada justamente porque encontrei pouquíssima documentação digital sobre ela: a pinga com arruda no Sábado de Aleluia.

Essa é daquelas tradições que precisam ser tratadas como tradição oral enquanto não encontramos documentação histórica adequada.

No sábado entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, há itatibenses que preservam o costume de tomar sua dose de pinga com arruda.

Por quê?

Aí começa justamente a maravilha das tradições populares.

Pergunte para cinco pessoas e talvez consiga sete explicações.

Proteção.

Saúde.

Espantar mau-olhado.

Tradição dos antigos.

“Meu pai fazia.”

“Meu avô já fazia.”

E chega um momento em que a melhor explicação talvez seja simplesmente:

porque em Itatiba se fazia assim.

Isso merece pesquisa histórica própria.

👴 O banco de dados dos velhos itatibenses

Mas a bebida é apenas o protocolo de transporte.

O verdadeiro dado está sentado nas mesas.

Ali estão figuras antigas e folclóricas da cidade.

Homens que conhecem pessoas que você nunca conheceu, lembram estabelecimentos que já não existem e conseguem localizar acontecimentos históricos através de referências absolutamente impossíveis para um historiador profissional:

— Foi quando o Toninho ainda tinha aquele Opala.

Pronto.

TIMESTAMP RESOLVIDO.

Outro corrige:

— Não era Opala. Era Caravan.

E começa uma discussão paralela de vinte minutos.

Essas pessoas formam uma espécie de banco de dados distribuído da memória municipal.

Não existe DBA.

Não existe backup.

Não existe normalização.

Existem duplicidades, inconsistências e versões conflitantes do mesmo registro.

Mas faça a consulta certa e aparece informação que jamais foi digitalizada.

Até que um belo dia...

🎓 Chegaram os universitários

Sangue novo.

Gente jovem.

Novos frequentadores.

E, aparentemente, eles gostaram do lugar.

Ótimo para o estabelecimento.

Só que aconteceu uma coisa inesperada.

Os velhos começaram a ficar desconfortáveis.

Não necessariamente porque os universitários estivessem fazendo alguma coisa.

A simples presença de uma geração diferente modificou o ambiente.

A piada que João fazia havia trinta anos de repente ganhou uma audiência desconhecida.

Aquela história meio indecente agora poderia receber outra interpretação.

A opinião politicamente jurássica do Seu Fulano talvez não sobrevivesse ao compilador social de 2026.

E surgiu o:

ALERTÔMETRO.

Antes de falar, pensar.

Antes da piada, olhar.

Antes do causo, verificar quem está ouvindo.

E quando você precisa fazer análise de impacto antes de contar uma piada no boteco, alguma coisa mudou.

🚨 Reunião extraordinária do CAB

A velharada então realizou aquilo que qualquer organização madura faria diante de uma alteração crítica de produção.

Formou uma comissão.

😂

Imagino a ata:

INCIDENT: BHRAMA-001

PROBLEMA:
Excesso de universitários no ambiente.

SINTOMAS:
- redução da espontaneidade;
- histórias sendo interrompidas;
- aumento do alertômetro;
- tiozões executando autocensura.

AÇÃO:
Solicitar intervenção do barman.

SEVERIDADE:
SEV2 — cerveja ainda sendo servida.

E coube ao barman resolver o problema.

🤝 O grande diplomata da Camilo Pires

E, segundo me contaram, o homem foi conversar com os jovens praticamente ao melhor estilo ChatGPT.

Cheio de paninhos.

😂

Nada de:

— Vocês precisam ir embora.

Muito pelo contrário.

A mensagem foi aproximadamente:

vocês são bem-vindos.

Podem vir.

Voltem.

A casa também é de vocês enquanto clientes.

Mas existe uma informação importante no README deste ambiente:

isto aqui é boteco de homem velho.

Tiozões da Sukita.

Homens formados socialmente em outro século.

Alguns sem exatamente aquilo que chamaríamos de refinamento social do século XXI.

Com opiniões antigas.

Piadas antigas.

Vocabulário antigo.

Maneiras antigas.

Não precisam concordar com eles.

Mas precisam compreender onde entraram.

E isso talvez tenha sido uma das melhores soluções possíveis.

Ninguém foi expulso.

Ninguém precisou passar por reeducação compulsória.

Os universitários continuaram universitários.

Os velhos continuaram velhos.

O barman simplesmente instalou uma:

CAMADA DE COMPATIBILIDADE.

🧠 Talvez seja isso que esteja faltando

A pequena história desse boteco diz alguma coisa maior sobre nosso tempo.

Estamos ficando muito bons em identificar diferenças.

Talvez estejamos ficando piores em conviver com elas.

Nem todo lugar precisa ser igual.

Nem todo grupo precisa falar da mesma maneira.

Nem toda geração precisa compartilhar exatamente os mesmos códigos.

O universitário pode olhar para o velho e pensar:

— Meu Deus, que ideia jurássica.

E o velho pode olhar para o universitário e pensar:

— Meu Deus, essa molecada inventa palavra para tudo.

Depois ambos podem pedir cerveja.

E comer torresmo.

Isso se chama sociedade.

Não precisamos necessariamente resolver todas as divergências antes da próxima rodada.

🐷 Porque no final existe o torresmo

Talvez seja esse o segredo.

Quando ideologias, gerações, costumes e vocabulários entram em conflito, alguém coloca um prato de torresmo na mesa.

O velho pega um.

O universitário pega outro.

Alguém pede uma cerveja.

Outro pergunta:

— Você conhece o fulano?

E começa outra história.

Enquanto isso, discretamente, na fachada continua escrito Brahma.

Eu continuo bebendo Original.

Uma misteriosa pinga continua chegando de algum alambique cuja localização provavelmente está protegida pelo sigilo profissional dos botequeiros.

E em algum Sábado de Aleluia alguém ainda coloca arruda dentro da cachaça porque aprendeu com alguém que aprendeu com alguém que aprendeu com alguém.

Talvez o Google nunca indexe isso.

Talvez nenhum historiador registre.

Talvez daqui a cinquenta anos ninguém saiba quem eram aqueles homens das fotografias penduradas na parede.

Por isso vale escrever.

Porque existem lugares que são mais do que estabelecimentos comerciais.

São arquivos vivos de uma cidade.

E, enquanto houver alguém na Rua Coronel Camilo Pires contando uma história, alguém duvidando dela, outro corrigindo a data e um prato de torresmo circulando...

o velho mainframe social de Itatiba continuará processando.

Sem cloud.

Sem IA.

Sem documentação.

E, preferencialmente,

sem mexer no JCL que está funcionando.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Carnaval de Itatiba foi invadido pelos Demônios da Benjamin

Abertura do carnaval de Itatiba 2018


O bloco carnavalesco "os demônios da Benjamin" mais uma vez abriram o carnaval de rua em Itatiba. Com muita irreverencia a festa do chifrudo foi demais, fazendo piada da penúria econômica da cidade e tirando sarro da politica de nossa terrinha e aloprando os políticos e personalidades que saíram no jornal em 2017;.

Que atirem a primeira pedra, mas não acertem o corno do diabo, deixa para o papai noel sem bala, noticia que virou manchete e  correu o mundo através dos noticiários da internet, ficamos famosos por ai a fora.

E tomem cuidado para não apanharem do Dito, levando cintada da cinta malvada, que botou para correr o cornelius e seus  amigos da Casa santa e no carnaval foi parar num ringue de boxe, montado sobre um carro alegórico. O grande refrão foi mesmo o Dito e sua cinta vingativa, realmente 2017 não foi nada bom para a casa santa... a prefeitura dando calote e ameaçando com auditorias e inspetorias nos serviços hospitalares.

Mas nem só de gozação foi o desfile, a raiva do povo pelo IPTU que aumentou 13%, um valor bem acima da inflação, ainda mais que os carnês de pagamento foram entregues esta semana.

No desfile teve um grupinho de foliões fantasiados de rolo de papel higiênico vazio, dizendo que foi tanta mão metida na massa, que acabou o papel higiênico.

Outros indignados gozavam o uber Unicamp que liga nossa cidade a Campinas,  ajudando a quem mais precisa, você me entende nê? Fazer o que quando a verba acabou? Foi um gastar as verbas públicas sem controle, que o cofre ficou vazio e já sabem pode gerar grandes dores de cabeça ao prefeito. Afinal o barato é marido da barata. 

O grosso da capetada estava mesmo era ironizando o estado precário da saúde publica de nossa cidade, demônios em cadeiras de roda, macas, com soro na  veia e vários temas alusivos a hospital: zombies, médicos monstros, pacientes estropiados e muitos diabinhos.

Acho que falei de tudo, se não falei assista o vídeo, encontro algum amigo e partilhe o carnaval da terrinha











quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Uma vista de Itatiba através da colina do bar do Ponto Alto

Uma cidade cheia de colinas e belas vista.


Estamos num bar badalado em ritmo de Rock: Ponto Alto de Itatiba e do alto desta colina temos uma vista privilegiada da cidade de Itatiba, este pequeno vídeo mostra o panorama da cidade com suas casas e la abaixo a várzea do Ribeirão Jacaré.

Uma visão de Itatiba fora do tradicional, pois este lado é mais residencial e com poucos atrativos turísticos, por isso aparece em poucas fotos, normalmente lugar de passagem ligando a cidade até a Rodovia Dom Pedro, próximo temos o Bairro do Cruzeiro onde forame edificadas as primeiras casas do município.

Você conhece Itatiba? Tem alguma curiosidade para partilhar conosco? Para os turistas de primeira passagem, nesta região até a década de 70 do século passado existia uma pequena cachoeira, próxima ao Moinho do Denoni uma antiga construção hoje transformada em ponto turístico da cidade.




domingo, 24 de dezembro de 2017

Espirito Natalino o dia que acenderem as luzes no Telhado

O show vai começar


Ho ho ho as luzes do jardim foram acesas... e você já enfeitou sua arvore? Colocou luz no jardim e no telhado? Economizamos no horário de verão, para gastar nas luzinhas natalinas e no ar-condicionado.

Esse é nosso Natal tropical, enchemos a casa de luzinhas coloridas para animar o espirito e enfeitar nossa residência entrando no espirito natalino, todo ano é a mesma operação, vamos ao porão pegamos as caixas de bolinhas e luzes, o esqueleto da árvore que a cada ano tem menos folhas kkkkkkk

Montamos tudo deixando a casa bem animada com seus enfeites, pegamos a escada subimos ao telhado e passamos o fio e preparamos as luzinhas que durante todo o mês de dezembro ficara iluminando a rua.





sábado, 23 de dezembro de 2017

Visita a Vila Natalina no Largo do Rosário de Itatiba

Um Natal em Itatiba com sua vila Natalina


Apesar da crise e da falta de recursos para outras áreas a prefeitura de Itatiba criou uma vila de Natal com muita luz e som para animar o Natal de 2017, foi um ano difícil para o povo de Itatiba, por isso é bem vindo este desfecho de ano animado.

 Bem vindos a vila natalina de Itatiba... o largo do rosário foi o palco desta animada vila construída no centro de nossa cidade, muita luz, bonecos, casinha e uma bela árvore de Natal  eram os atrativos.

Muita gente veio ver este belo cenário, bem colorido e cheio de atrações alusivas ao Natal, casinhas e oficinas, duendes e renas, Papai Noel e uma bela árvore com milhares de luzinhas coloridas para encher o coração de alegria e esperança.

Reveja em nossos vídeos alguns momentos desta bela festa, ande com nossa câmera ao redor do cenário, veja ou reveja os detalhes e encante-se com a musica. Espero que se divirta.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Surpresas com mais detalhes da vila natalina

Luzes e cantos natalinos surpresa na praça do Rosário.

Natal de Itatiba

Simpáticos bonecos de neve, laboriosos anões, arvores e casa do
Bom Velhinho.... Sem contar o melhor de tudo... a renas do Noelmobile que estava estacionado ao lado da praça.

Muitas luzes e o povo se divertindo tirando muitas fotos e as crianças  bagunçando com muita alegria, correndo para la e ca, entre os divertidos bonecos natalinos.

Quem visitou gostou muito, pois tinha bastante atração e as luzes deram um encanto especial. Concorda comigo? A igreja do Rosário parecia uma pintura de cenário.

Espero que tenha gostado, deixe seu joinha, comente e partilhe.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Uma grata surpresa a festa no Largo do Rosário

Uma voltinha pelo centro de Itatiba e encontramos uma surpresa.


Estávamos indo ao supermercado fazer umas comprinhas para a semana, quando vimos um agito e sons vindo do largo do Rosário, quando nos aproximamos vimos a igreja toda colorida com luzes de Natal.

Pelo visto este ano não houve crise, ao menos vieram verbas para comprar luzes natalinas e enfeitar todo o centro, a praça da Bandeira com sua árvore de Natal e coreto iluminado, a praça do Rosário com a igreja e uma vila repleta de casinha, luzes e bonecos.

As crianças estão se divertindo muito, centenas de selfies estão sendo tiradas e as páginas do Facebook devem estar lotadas de fotos e sorrisos, viva o Natal, época do ano em que todos os problemas são esquecidos e o povo entra no clima, gastando aquilo que tem e não tem.

Mas falemos de coisas agradáveis ficou bonito os enfeites, terá sido caro?  Olhe os outros vídeos da Vila de Natal e espero que goste.



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Som na caixa maestro musica na Festa de São Pedro

Itatiba amarga dura crise


Em dias idos, Itatiba foi famosa por promover boas festas e atrair multidões de turistas da região, porém nos últimos tempos, fechou-se em seu próprio umbigo e perdeu um pouco do rumo, atualmente as festas tem sido apenas para o publico interno, tendo pouco destaque na região.

Enquanto a elite não se manifestar e apertar os poderes executivos e legislativo, iremos viver dias difíceis, em que nossa cidade ficara esquecida, parada no tempo e com pouca revitalização, quem visitou a festa de São Pedro, entende o que quero dizer.

Necessitamos de um programa que eleve a cidade, coloque-a a frente de seus pares e traga mais riqueza e prosperidades, que nossas festas municipais tenham afluxo de publico de outras cidades, que tenhamos shows de estrelas e ao mesmo tempo mantenha espaço para os artistas locais.

Concorda comigo? Qual a sua opinião?


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Fumaceira dos diabos em Itatiba

Um carro em chamas? Muita fumaça e perigo a vista


Estávamos indo para Campinas, andando pelo centro de Itatiba rumo a saída da cidade na Rodovia Dom Pedro, quando de repente somos pegos em meu há uma cortina de fumaça.

A principio não sabíamos o que estava acontecendo até que avistamos um carro estava queimando muito óleo e causando toda essa confusão, realmente em nosso país existe um descuido da nossa frota, com veículos que deveriam ser enviados aos desmanches, por estarem em estado deplorável de conservação.

O motor do carro esta dando seus últimos suspiro, e começou a queimar óleo e fazer muita fumaça, por sorte ele rapidamente saiu da via, e podemos continuar nossa viagem, sem muita confusão e agito.




Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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