☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta minas gerais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta minas gerais. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

A cachoeira da Lua e o caminho a Sobradinho em São Tomé das Letras

Bellacosa Mainframe e as poeirentas estradas de terra em São Tomé das Letras 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌙 A Cachoeira da Lua e o Caminho para Sobradinho

Quando o jovem Vagner em 1994 continuou andando e descobriu que o mundo era muito maior do que imaginava.

Existem viagens que começam quando colocamos o pé na estrada. Outras começam muito antes, quando surge aquela inquietação de descobrir o que existe depois da próxima curva.

Aquela aventura por São Thomé das Letras, seguindo pela estrada de terra em direção a Sobradinho, foi uma dessas viagens.

Para o jovem Vagner, significava aumentar mais alguns quilômetros naquele mapa invisível que vinha construindo desde menino. Cada cidade visitada empurrava um pouco mais para longe as fronteiras do mundo conhecido.

E São Thomé parecia pertencer a outro mundo. Poder voltar a essa cidade é se encher de energia e descobrir um outro mundo.

Era uma cidade cercada por histórias, lendas, cavernas, grutas, cachoeiras e formações rochosas. Havia histórias sobre a ocupação humana da região misturadas às narrativas populares, ao misticismo e aos mistérios que transformaram São Thomé das Letras em um lugar tão particular.

Mas uma das maiores descobertas estava simplesmente na paisagem.

Eu estava acostumado ao verde da Mata Atlântica, às árvores grandes, à umidade e àquela vegetação que, observada à distância, parece formar um enorme mar verde.

Ali tudo parecia diferente.

A paisagem ganhava tons amarelados, marrons e ocres. Havia muita pedra, vegetação mais baixa e menos árvores gigantescas dominando o horizonte. O céu parecia maior.

Era como descobrir que o Brasil mudava de cor conforme avançávamos pela estrada.

E nós continuávamos avançando.



Rumando sem rumo.

Essa talvez seja a melhor definição daquela aventura.

Pegávamos estradas de terra, observávamos sítios e pequenas propriedades rurais, atravessávamos caminhos desconhecidos e procurávamos cachoeiras. Nem sempre era necessário encontrar uma atração famosa.

Às vezes bastava encontrar água.

Um ribeirão.

Um córrego.

Uma pequena cachoeira escondida entre as pedras.

Depois de caminhar debaixo do sol e sentir o calor acumulado nas pedras, entrar naquela água fria era um pequeno ritual.

Primeiro os pés.

Depois as pernas.

O corpo protestava por alguns segundos contra a diferença de temperatura.

E então vinha o mergulho.

A água gelada deixava de ser inimiga e se transformava em recompensa.

Nadávamos nos ribeirões, entrávamos debaixo das pequenas quedas d'água e simplesmente aproveitávamos aquele pedaço de natureza encontrado pelo caminho. Ao redor, novos pássaros, insetos, plantas e animais reforçavam a sensação de estarmos explorando um ambiente diferente daquele que conhecíamos.

Depois era hora de continuar.

Roupa secando no próprio corpo, poeira da estrada novamente nos sapatos e mais uma curva esperando adiante.



E havia ainda outra recompensa: a comida sul-mineira.

Depois de caminhar, nadar e explorar, sentar diante daquela comida simples, generosa e cheia de sabores da terra completava a experiência. Viajar também era descobrir um lugar pelo prato.

Hoje percebo que naquela estrada para Sobradinho eu não estava apenas procurando a Cachoeira da Lua.

Estava aprendendo algo que continuaria comigo durante muitas outras viagens:

o mundo é absurdamente grande.

E uma das melhores maneiras de conhecê-lo é continuar andando.

Mesmo quando não sabemos exatamente onde a estrada vai terminar.

Porque, algumas vezes, perder-se um pouquinho é justamente a maneira de encontrar aquilo que nunca soubemos que estávamos procurando.


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Uma estrada de terra com muita poeira.


Estamos em busca de novas cachoeiras, rumando sem rumo pela estrada de Sobradinho, perdidos no interior de São Tomé. Vendo a bela paisagem, sítios e chácaras.


#SaoTomeDasLetras #Piramide #PedraDaBruca #tocaFurada #mirante #cruzeiro #IGrejaAssombrada #Castelo #Trilha #Ecoturismo #ViagemAstral #Ufo #et #duende #fada #weed #hippie #bichogrilo #cachoeira #cascata #corredeira #Caverna #pedradabruxa #panorama #ChicoTaquara #Gruta #saoTome #igrejarosario #sobradinho #eubioese #shangrila #poçoazul #poçodasesmeraldas #paraiso #veudanoiva #valedasborboletas #lua #gruta




sábado, 18 de junho de 2016

BR 383 Subindo a serra

Bellacosa Mainframe e as aventuras na estrada BR-383 com Juliana subindo a serra rumo a Campos do Jordão

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 BR-383 — Subindo a Serra com Juliana

10.000 quilômetros de estradas, viagens e memórias entre São Paulo e Minas Gerais

Pequenas crônicas pelas estradas da Região Sudeste do Brasil

Existem viagens que começam quando colocamos as malas no carro. Outras começam muito antes, quando alguém simplesmente pergunta:

— Vamos dar uma volta?


Entre 2013 e 2018, Juliana tornou-se personagem constante de muitos dos pequenos vídeos, fotografias e fragmentos que fui deixando espalhados pelo blog. Ela gostava de dirigir. Eu gostava de descobrir lugares. A combinação era perigosa para o hodômetro.

Foram aproximadamente 10.000 quilômetros rodando juntos, principalmente pelas estradas de São Paulo e Minas Gerais.

Litoral, interior, serras, montanhas, pequenas cidades, grandes rodovias e aquelas estradinhas que pareciam perguntar: “Vocês têm certeza de que querem continuar?”

Quase sempre continuávamos.

Campos do Jordão era uma das aventuras de que Juliana mais gostava. A subida da serra já fazia parte do passeio: curvas, túneis, muretas, paredões, precipícios e a paisagem mudando conforme ganhávamos altitude.

Mas havia também outro ponto importante naquele mapa.

Taubaté.

Mais precisamente Quiririm, onde meu pai morava. Assim, muitas dessas viagens misturavam passeio e família. Visitávamos meu pai e depois continuávamos pela estrada, subindo em direção à Mantiqueira e a Campos do Jordão.

Hoje percebo que aqueles pequenos vídeos não registraram somente rodovias.

Registraram uma época.

Uma câmera apontada através do para-brisa podia estar filmando apenas uma curva da serra. Mas, tantos anos depois, consigo enxergar muito mais naquela imagem.

Consigo lembrar quem estava dirigindo.

Para onde estávamos indo.

Quem encontraríamos pelo caminho.

E principalmente aquela sensação maravilhosa de que ainda havia uma estrada inteira pela frente.

Talvez seja por isso que estou chamando esses registros de Pequenas Crônicas pelas Estradas da Região Sudeste do Brasil.

Não são grandes documentários de viagem.

São fragmentos.

Alguns possuem poucos minutos. Outros são apenas fotografias e algumas linhas escritas às pressas.

Mas, quando colocados novamente em ordem, tornam-se pontos de um mapa muito maior.

Um mapa feito de estradas, cidades, pessoas e memória.

E naquele mapa existe uma Juliana ao volante, um Vagner olhando pela janela e milhares de quilômetros esperando para serem percorridos.

A estrada não era apenas o caminho para a aventura.

A estrada era a aventura.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Um túnel em meio a serra.


Curioso que o quotidiano nos faz deixar de prestar atenção nas coisas normais, estáticas e acabamos não nos apercebendo das belezas que nos cercam.



Olhar pela janela do carro em movimento, ver a serra a estrada e seus pequenos detalhes. Túneis e muretas, abismos e encostas.

São tantas coisas para apreciar e as vezes viajamos em tão alta velocidade que nem nos apercebemos destes detalhes.



terça-feira, 5 de abril de 2016

Caminhada pelos sertoes de Carrancas

Uma boa aventura em Carrancas-MG

Formula para uma aventura unica: junte um grupo de amigos porra loucas, uma boa cidade com muitas trilhas, cachoeiras, corredeiras, cavernas, fauna e flora protegida e bastante area verde.

E proximos a nos existe uma cidade que reune tudo isso: Carrancas MG, estes videos referem-se a uma aventura ocorrida em no ano 2000. Divirtam-se

A Cidade de Carrancas.



Caminhando para fora da cidade.



Gruta, tuneis e cavernas em Carrancas




Rios e cachoeiras





Corredeiras e aventuras





domingo, 3 de abril de 2016

BR 381 Fernao Dias e o retorno a casa


Retorno de Monte Verde

A ponte que quase cai.


Acabou o final de semana magico, vamos retornar para a realidade da semana corrida, stress com horários e idas e vindas.



Mas para ficar um gostinho de quero mais ainda temos que pegar 30 kilometros de estrada ate Camanducaia e mais 50 de Fernão Dias e Dom Pedro.

Para nossa sorte pegamos a porcaria de um caminhão velho na frente, que o pilantra não nos deixou ultrapassar, fizemos aquela fila dos diabos na estrada.

Pelo lado positivo viemos apreciando a paisagem e nos quilómetros finais consegui filmar a ponte de madeira, bem louco olha o estrago que a chuvas de Março/2016 fizeram, a ponte original em concreto foi completamente destruída.

Por sorte a fizemos nosso percurso bem sem nenhuma surpresa.

sábado, 2 de abril de 2016

Monte Verde e suas estradas rurais

Estamos chegamos a pousada.


Pessoal depois de alguns quilómetros em estrada asfaltada, entramos numa estrada de terra, totalmente esburacada devido as constantes chuvas que caíram no mês de março aqui na região.



Por outro lado tudo esta verde e bonito, as árvores com novas folhas, a grama alta um verdadeiro colirio para os olhos, depois de uma semana inteira vendo aqueles prédios horríveis de São Paulo e aquele céu cinzento e poluído, enfim os olhos puderem descansar um pouco do cinza vendo tanto verde, isso não tem preço.

Acompanhem o chacoalhar do pretinho, o lento avanço dentro dos buracos que haviam na pista... ou melhor crateras, ao mesmo tempo o cheio de mato, o gado e as aves tornam a paisagem tão bucólica.

Ver la longe os montes e colinas, árvores nativas e plantações criam um cenário perfeito para um final de dia fantástico.

Rodovia Agostinho Patrus saindo de Monte Verde e voltando a pousada

Retorno a pousada em Monte Verde


Depois de um dia delicioso estamos retornando para a pousada, pegando uma estradinha toda esburacada e cheia de surpresas. Esta estradinha é o convite perfeito para aqueles que curtem a emoção de voltar no tempo, andando por picadas e estradas rurais, ver as cercas de arame farpado, gado solto, ouvir ao longe latido dos cães, sentir o cheiro de mato e terra.



Uma visão linda com araucarias, hortencias, vaquinhas e cavalos, muito verde e montes e colinas que encantam o olhar.

Muitos buracos, laguinhos e surpresas que servem para tornar cada viagem , uma viagem única. Para aumentar a emoção com as tempestades de verão, a ponde em concreto ruiu e para atravessar um ribeirão passamos por uma ponte em madeira.

Passeando por Monte Verde saindo da cidade

Uma visão geral da saída de Monte Verde.


Para aqueles que não conhecem Monte Verde, eis uma pequena visão da rua principal ate o Portal da cidade com sua maquina a vapor e a avioneta para fotos.



Se repararem bem tem esquilos de pelúcia no portal, vemos saindo prontos para pegar a estrada rumo a pousada. Vemos auracaias, vales muito verde, numa pequena estrada bem estilo  anos 80.

Pequenina e sinuosa uma delicia para os amantes da direcção, com uma paisagem de tirar o fôlego e para tornar tudo mais lindo pegamos a estrada com o por do sol.

A fabrica de chocolate em Monte Verde

Assistindo a temperagem do chocolate.


Realmente o chocolate deixa-nos loucos, aquele cheiro delicioso, o sabor, sentir ele derretendo na boca, depois aquela sensação de prazer único.



Após um almoço delicioso onde devoramos truta, fomos passear e acabamos indo na fabrica de chocolate da cidade, bem na hora em que a Chocolateira temperava chocolate branco.

Ficamos ali bem uma meia hora assistindo todo o processo de choque térmico,  depois vimos as meninas enrolando a massinha de leite ninho, posteriormente recheando com nutella e enfim envolvendo tudo isso no chocolate branco.

Foi uma verdadeira aula, assistir todas as etapas deste processo, sempre aprendemos algo novo, sem contar que a visão maravilhosa do chocolate não tem preço.

E convido a todos aqueles que gostam de chocolate a visitarem no facebook a pagina de doces da Juju: https://www.facebook.com/Juliana-Cunha-making-Brigadeiros

A rua principal de Monte Verde

A cidade de uma só rua.


Estamos passeando por Monte Verde, um refugio na montanha da Serra da Mantiqueira próximo da fronteira entre os estados de São  Paulo e Minas Gerais.



Um lugar romântico, um refugio para casais curtirem bons momentos a 2, cercado de chalets em meio ao verde das montanhas.

No inverno curtir uma lareira com queijinho fundido e um bom vinho torna tudo ainda mais romântico.

A cidade porem é bem pequenina, somente tem uma rua principal onde todo o comercio esta centralizado, com casa de doces, onde recomendo vivamente provarem o delicioso doce de abóbora com coco.

Passeando pela rua principal nos deparamos com muitos motociclistas passando uma agradável tarde de sábado em suas maquinas.

Recantos escondidos de Monte Verde

Lugares legais em Monte Verde.


Andando sem destino por Monte Verde, vamos descobrindo seus encantos, achamos um outro portal, mais chacaras e casas de interesse, uma galeria de arte.



As ruas na sua maior parte são estradinhas esburacadas e sem asfalto, então se seu carro alérgico a poeira é melhor ficar no centro. Porem se curte aventura estas estradinhas são um prato cheio.

Sobe, desce, curva a direita, curva a esquerda, crateras e árvores no meio do caminho... uma diversão única para uma tarde de sábado sem compromisso.

A cachacaria de Monte Verde

Destilando agua que passarinho não bebe.


Em nosso passeio por Monte Verde andando pelas estradinha esburacadas e poeirentas fomos parar num alambique. Um verdadeiro achado em meio as diversas quintas e chacaras.



O delicioso cheirinho da cachaça invade as narinas, dando agua na boca, um grande barril de carvalho envelhece a agua que passarinho não bebe.

Diversas garrafas com as mais diversas misturas de sabores, natural, envelhecida no carvalho, com sabor a frutas e ervas diversas.

Ao fundo para quem quiser aprender esta um alambique em cobre, para destilar o mosto, separando o álcool da garapa fermentada.

A titulo de curiosidade a cachaça sai do destilador em vapor, passa por uma serpentina onde liquidifica e sai com uma graduação alcoólica de 44°, que para poder ser consumida deve passar por um processo de mistura, onde acrescenta-se agua para diluir o álcool.

Um ritual brasileiro a garapa, caldo de cana moido na hora


As arvores e a cidade de Monte Verde

Bellacosa Maifnrame e memorias de uma viagem a Monte Verde

🌲 As Árvores e a Cidade de Monte Verde

Uma cidade aconchegante entre montanhas, casas, jardins e muito verde

Era começo de outono em Monte Verde, e lá estávamos nós passeando tranquilamente pelas ruas dessa pequena cidade escondida no alto da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.

O clima ainda estava agradável. Nada daquele frio rigoroso que normalmente imaginamos quando alguém fala de Monte Verde. Era simplesmente um belo dia para andar sem muita pressa e observar a cidade.

E havia muito para observar.

Nossa missão naquele momento era bastante simples: encontrar um lugar para almoçar.

Mas procurar restaurante também acabou virando uma pequena exploração.

Em vez de ficarmos somente nas ruas mais movimentadas e turísticas, começamos a circular por lugares mais tranquilos. Ruas onde apareciam casas, pequenos jardins, pousadas e, principalmente, muitas árvores.

🌲🌲🌲



Talvez essa seja uma das características mais interessantes de Monte Verde.

A natureza parece fazer parte da própria cidade.

As árvores surgem entre as construções, acompanham as ruas e aparecem nos terrenos e jardins. Em alguns pontos temos quase a impressão de que as casas foram cuidadosamente colocadas no meio da vegetação.

Enquanto seguíamos procurando nosso almoço, continuávamos descobrindo pequenos detalhes.

Uma casa diferente aqui.

Um jardim acolá.

Uma rua tranquila que provavelmente passaria despercebida para quem estivesse preocupado apenas com os pontos turísticos.

E justamente por isso gosto desses passeios.

Nem sempre uma viagem precisa ser uma sequência de atrações famosas, fotografias obrigatórias e lugares marcados em um mapa.

Às vezes a melhor parte é simplesmente zanzar pela cidade.

Sem roteiro.

Sem horário.

Olhando as casas, as pessoas, os jardins e as árvores.

Naquele começo de outono de 2016, Monte Verde mostrou um pouco dessa outra face.

E pensar que tudo começou porque estávamos apenas procurando um lugar para almoçar.



-----------------------------------------------------------------------------------

Uma cidade aconchegante.


Estamos no alto da montanha, curtindo os primeiros dias do outono, esta um calorzinho estamos passeando pelas ruas desta encantadora vilazinha da serra.



Um recanto de tranquilidade estamos em busca de um lugar delicioso para almoçar, circulando pelas ruas não muito turísticas, onde vemos casas normais e ainda muito verde com arvores ocupando os jardins.

Criaçao de trutas em Monte Verde

Bellacosa Mainframe e o restaurante e criadoro de trutas

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 Criação de Trutas em Monte Verde — Do Tanque ao Nosso Prato

Monte Verde tinha frio, montanha, lareira e aquele clima perfeito para desaparecer do mundo durante um fim de semana. Juliana era apaixonada pelo lugar e, sempre que podíamos, pegávamos a estrada para mais uma pequena aventura a dois. Em uma delas, fomos almoçar num restaurante onde a atração começava muito antes de a comida chegar à mesa.

Juliana era apaixonada por Monte Verde.

E talvez por isso não precisássemos de grandes desculpas para voltar.

Sempre que aparecia uma oportunidade, partíamos para um fim de semana por lá. Era um daqueles programas simples que funcionavam perfeitamente: viajar a dois, caminhar sem muita pressa, aproveitar o frio da serra, entrar nas lojinhas, comer alguma coisa diferente e, no final do dia, voltar para o aconchego da lareira.

Monte Verde tinha essa capacidade de transformar um simples fim de semana numa pequena viagem para longe da rotina.

E em uma dessas viagens descobrimos que até o almoço poderia virar passeio.


🐟 Um restaurante onde o almoço ainda estava nadando

Fomos almoçar em um restaurante que possuía sua própria criação de trutas.

Mas aquilo não era simplesmente um restaurante com alguns peixes decorativos nadando num laguinho.

Havia vários tanques.

E caminhando entre eles era possível observar as diferentes etapas da criação das trutas.

Peixes menores em determinados tanques, outros já maiores, diferentes estruturas, circulação constante da água, redes de proteção e todo um pequeno sistema funcionando silenciosamente diante dos visitantes.

Para quem gosta de observar como as coisas funcionam — e eu sempre gostei — aquilo era quase uma visita técnica disfarçada de almoço.

Só que havia uma diferença fundamental.

No final daquela linha de produção havia manteiga, temperos e um prato esperando por nós.

🌊 Do tanque para a cozinha

A experiência ficava ainda mais interessante porque o comensal podia escolher a própria truta.

Não era aquela abstração que normalmente existe num restaurante.

Você olha o cardápio.

Pede peixe.

Algum tempo depois aparece um filé no prato.

Pronto.

Ali não.

O peixe estava diante de nós.

Nadando.

Você acompanhava parte daquele pequeno ecossistema, observava os tanques, escolhia a truta e ela seguia para ser preparada.

Pouco tempo depois chegava à mesa.

É difícil imaginar um peixe mais fresco.


🍽️ O sabor daquilo que acabou de sair da água

E existe diferença.

Uma enorme diferença.

A sensação de comer uma truta que pouco antes estava nadando naquele mesmo lugar é completamente diferente daquela proporcionada por um peixe que passou por processamento, transporte, armazenamento, refrigeração, distribuição e finalmente chegou ao restaurante.

Ali a distância entre origem e prato podia ser medida em metros.

E o sabor acompanhava essa distância.

A carne delicada, a textura e principalmente aquela percepção de frescor faziam parte da experiência.

Não era simplesmente:

"Vamos comer truta."

Era:

"Vamos conhecer de onde vem a nossa truta."

E isso transforma uma refeição em memória.


🐟 Os tanques contavam uma história

Antes ou depois do almoço, podíamos caminhar entre os tanques e observar as várias etapas da criação.

E talvez essa fosse uma das coisas mais interessantes daquele lugar.

Quando encontramos o produto pronto no supermercado, toda a história anterior desapareceu.

Vemos apenas a embalagem.

Naquele restaurante, não.

Os tanques mostravam que existia um processo.

A truta não aparecia magicamente no prato.

Existiam diferentes fases de desenvolvimento, manejo dos peixes, alimentação, circulação da água e cuidados necessários para que chegassem ao tamanho adequado.

Era praticamente possível caminhar pela história do peixe.

Tanque → crescimento → seleção → cozinha → prato.

Uma pequena cadeia produtiva acontecendo diante dos nossos olhos.

❄️ Por que justamente trutas em Monte Verde?

Existe também uma explicação interessante para encontrarmos esse tipo de criação nas regiões serranas.

A truta-arco-íris é um peixe associado a águas frias, limpas e bem oxigenadas.

Isso ajuda a explicar por que regiões montanhosas e de clima mais frio tornaram-se tão associadas à criação e ao consumo de trutas.

Monte Verde reúne justamente o cenário que combina com essa experiência.

Montanhas.

Frio.

Água.

Turismo.

Gastronomia.

E, naturalmente, trutas.

De repente aquele peixe no prato fazia parte da própria paisagem.

🧊 E dava para levar Monte Verde para casa

A experiência ainda tinha uma continuação.

Também era possível comprar trutas congeladas para levar.

E claro que isso era interessante.

Depois do fim de semana, podíamos voltar para casa carregando um pequeno pedaço gastronômico da viagem.

Dias depois, preparar uma daquelas trutas era quase apertar um botão de RESTORE:

Monte Verde recuperado com sucesso.

O sabor trazia novamente alguma coisa daquele fim de semana.

A estrada.

O frio.

As montanhas.

A lareira.

Os passeios.

Juliana.

E aquele restaurante.

Mas havia uma coisa impossível de congelar.

❤️ O peixe congelado voltava conosco. A experiência, não.

A truta que levávamos para casa podia ser excelente.

Mas aquela que comíamos ali tinha algo que nenhuma embalagem conseguiria reproduzir.

Não era somente o frescor.

Era o contexto.

Estávamos em Monte Verde.

Estávamos passeando.

Estávamos juntos.

Tínhamos acabado de caminhar entre os tanques e observar aqueles peixes.

Escolhíamos nossa truta.

Pouco depois ela chegava preparada à mesa.

Comíamos sem pressa.

Era uma refeição inserida dentro de uma aventura.

E talvez seja justamente por isso que, tantos anos depois, eu não me lembre apenas de ter comido uma boa truta.

Eu me lembro dos tanques.

Lembro do passeio.

Lembro da experiência de observar as várias etapas da criação.

Lembro daquela estranha satisfação de saber que o almoço estava absurdamente fresco.

E principalmente lembro que estávamos fazendo aquilo que tantas vezes fizemos juntos:

transformando um simples fim de semana numa pequena aventura.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hoje consigo perceber uma coisa que provavelmente não pensei naquele almoço.

Nós acreditávamos estar simplesmente visitando Monte Verde novamente.

Mas estávamos alimentando outra coisa.

Um enorme banco de dados de pequenas memórias.

Nenhuma delas parecia particularmente extraordinária naquele momento.

Um restaurante.

Alguns tanques.

Trutas nadando.

Um almoço.

Uma lareira.

Um fim de semana.

Separadamente, são registros pequenos.

Juntos, tornam-se uma época inteira da vida.

Talvez memória funcione exatamente assim.

Você não sabe quais momentos serão importantes enquanto eles estão acontecendo.

Então simplesmente vive.

Décadas depois, abre uma postagem antiga, encontra algumas fotografias e percebe que aquele almoço aparentemente banal preservou muito mais que o sabor de uma truta.

Preservou quem estava sentado do outro lado da mesa.

🥚 Easter egg Bellacosa

Em algum lugar daquele criadouro havia uma espécie de processamento em batch acontecendo:

INPUT → TRUTA NO TANQUE
PROCESS → COZINHA
OUTPUT → TRUTA NO PRATO

A diferença é que naquele sistema havia um SLA particularmente agressivo.

Do tanque para a mesa em minutos.

E pela primeira vez na carreira deste programador COBOL, ninguém queria aumentar o tempo de retenção do arquivo.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A criação de trutas em Monte Verde.


Visitamos um criadouro de trutas perdido em Monte Verde, montes de tanques com vários estágios de criação de peixe. é divertido explorar e aprender como funciona.



Ver as bombas de agua, as redes de proteçao  e o cheirinho a peixe no ar, super instrutivo ver como funciona a criação e engorda de Truta Arco-iris.

Ao fundo tinha um alambique onde pude provar uma aguinha que passarinho não bebe, no restaurante saboreamos uma truta fresquinha assada na brava.

Estamos chegando a Monte Verde

Monte Verde logo pela manha.

Saímos de Camanducaia e pegamos 30 kilometros em uma estrada pequenina, sinuosa que passa por entre as belas colinas verdejantes.



Este ano tivemos algumas surpresas devido as forte chuvas que caíram em Março/2016 a estrada esta bem danificada, inclusive passamos por uma ponte de madeira bem precária, pois a ponte anterior em concreto foi destruída pela correnteza.

Para quem gosta de viajar e apreciar a paisagem esta estrada é um prato cheio, apesar de todos os problemas das chuvas, a viagem ainda é uma delicia, por ser zona de reflorestamento para a industria de celulose.

A  região mantem-se verde o ano todo, com equipes de prevenção para evitar desmatamento irregular e queimadas que poderiam destruir toda a beleza da região.

Para aqueles que assistiram o video com atenção teram reparado em uma relíquia histórica parado no acostamento. Um Gurgel vermelho!!!! Quem não sabe o que é olhem no Google.

terça-feira, 20 de junho de 2000

Carrancas subterranea: as cavernas e tuneis

Brincando de tatu nas cavernas de Carrancas


Mais tesouros descoberto em Carrancas: túneis, cavernas e grutas sim... meus amigos se gostas de andar em baixo da terra, seja bem vindo o solo calcário foi todo escavado pela agua, construindo túneis com ramais e interligação que somente agora estão sendo explorados a serio.



Devido as rochas calcarias existentes na região, a açao corrosiva da agua durante milénios escavou diversos túneis e cavernas que permitem explorações espeleológicas, Visitamos algumas cavernas e vislumbramos belas estalactites e encontramos diversos morcegos.

A fauna e a flora estão bem conservada em Carrancas, podemos encontrar muitas aves e alguns mamíferos. Por acaso encontramos diversas casinhas de João de Barro, o pedreiro da natureza, que apanhando barro no bico, construí belissimas casinhas e em alguns lugares existem registro de casas com ate 3 andares, vivendo familhas inteiras.

Claro que algumas aves oportunistas usurpam estas casinhas, usando-as como ninho (ate na natureza temos grileiros)


segunda-feira, 19 de junho de 2000

Carrancas e suas Corredeiras e Cachoeiras

Piscinas naturais em Carrancas

Depois de um excelente café da manha partimos em Direcção ao campo em busca das famosas corredeiras. Carranca é uma cidade rica em rios , riachos, ribeiroes com algumas cascatas lindas, pequenas cachoeiras e diversas piscinas naturais.

O grupo do Enigma estava muito empolgado, o ar fresco da manha permitiu caminharmos rápido e avançarmos rapidamente, chegando antecipadamente numa corredeira repleta de piscinas naturais, onde ficamos nos refrescando e aproveitando ao máximo possível a estadia.


A fome bateu, apos algumas horas brincando e relaxando nas aguas frias, fizemos nosso picnic comunitário e de barriguinha cheia limpamos nossa bagunça, afinal na natureza nada se tira (alem de fotografias) e nada de se leva (devemos trazer todo nosso lixo).




domingo, 18 de junho de 2000

Carrancas e seu rio e cachoeiras

Cachoeiras, ribeiros e rio de Carranca a riqueza hidrica


Nossa exploração em Carrancas nos levou a encontrar grandes quantidades de tesouros hídricos: rios, ribeiras, minas, bicas, corredeiras, cachoeiras... foi super refrescante após caminhar em trilhas sob o sol escaldante encontrar piscinas naturais para se refrescar.



Andando pelas trilhas do sertão sob o sol escaldante, não existe prazer maior que encontrar uma lagoa ou uma pequena piscina natural para relaxar. Imagine o prazer de ficar sentado em uma pequena cascata sentindo a agua caindo fazendo massagem sob o corpo.

Esta caminhada foi organizada pelo grupo Enigma e permitiu explorar diversos pontos turisticos da cidade.

Trilhas e caminhadas pelo sertão de Carrancas

Aventureiros do sertão de Minas


Nosso grupo esta empolgado o bom tempo permite explorar todo o sertão aos arredores de Carrancas, começamos nossa trilha saindo da cidade, nosso destino final são as cachoeiras, mas por agora estamos apenas curtindo o caminho, vendo as formações rochosas, a fauna e flora, sentindo a brisa e se aventurando pelas estradinhas acidentas.


Essa aventura foi organizada pela Enigma, um grupo de caminhadas ecológicas que tive o prazer de conhecer em Itatiba. Carrancas é um destino completo tenho aventuras sobre a terra, dentro da terra, na agua e para os mais audaciosos no ar.


sábado, 17 de junho de 2000

Rios e cachoeiras de Carrancas em 2000


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🏞️ Rios e Cachoeiras de Carrancas em 2000 — Pelos Caminhos do Sertão Mineiro

Uma pequena cidade mineira, estradas pelo sertão, rios cristalinos, cachoeiras, comida mineira e uma companheira de aventura muito especial: Dona Mercedes — ou, como eu gostava de provocar, Dona Menezes.

Existem pequenos vídeos que, décadas depois, deixam de ser simplesmente vídeos.

Transformam-se em janelas no tempo.

Este é um deles.

Estamos no ano 2000, em Carrancas, Minas Gerais, uma pequena cidade que, naquela época, ainda me parecia distante dos grandes circuitos turísticos.

E talvez justamente por isso fosse tão fascinante.

Não chegamos ali procurando resorts, restaurantes sofisticados ou atrações cuidadosamente preparadas para receber visitantes.

Queríamos explorar.

Queríamos caminhar.

Queríamos descobrir.

E Carrancas parecia ter sido construída exatamente para isso.



🚙 Uma viagem exploratória pelo interior de Minas

Carrancas revelava seus encantos aos poucos.

Era preciso seguir pelas estradas, caminhar por trilhas, atravessar áreas de vegetação e procurar aqueles pequenos caminhos que conduziam aos rios.

E então surgiam as recompensas.

Rios.

Riachos.

Ribeirões.

Corredeiras.

Cachoeiras.

Cascatinhas.

Piscinas naturais.

Grutas.

E até verdadeiros tobogãs naturais, onde a água havia passado milhares e milhares de anos trabalhando sobre as pedras.

Cada caminhada parecia terminar com alguma descoberta.

Não existia Google Maps no bolso.

Não havia smartphone indicando:

“Sua cachoeira está a 237 metros.”

Era outro mundo.

Você caminhava.

Observava.

Perguntava.

Explorava.

E descobria.

Talvez por isso cada lugar encontrado tivesse um sabor especial.



👵 Minha companheira de aventura

E naquela exploração eu não estava sozinho.

Minha mãe estava comigo.

Dona Mercedes.

Ou, como eu gostava de provocá-la:

Dona Menezes.

😂

Era uma daquelas brincadeiras familiares que provavelmente não significariam absolutamente nada para quem estivesse olhando de fora.

Mas nós sabíamos.

E é curioso perceber como, depois de tantos anos, são justamente esses pequenos detalhes que tornam uma lembrança preciosa.

Não lembro apenas das cachoeiras.

Lembro de estar ali com minha mãe.

Caminhando.

Descobrindo lugares.

Comendo.

Conversando.

Observando aquela paisagem completamente diferente da nossa rotina.

Hoje percebo que a verdadeira riqueza daquela viagem não estava apenas nos lugares que conhecemos.

Estava também em com quem eu estava quando os conheci.



🌾 As cores do sertão mineiro

Uma das imagens que ficaram gravadas na minha memória foi o contraste da paisagem.

O sertão mineiro apresentava uma vegetação que aos meus olhos possuía uma personalidade própria.

Poucas árvores realmente grandes.

Muitos arbustos.

Vegetação rasteira.

Capins.

Pedras.

Terra.

E uma predominância de tons que iam do ocre ao dourado.

Dependendo da posição do Sol, parecia que enormes trechos da paisagem haviam sido pintados com uma paleta de amarelos, marrons e dourados.

Mas então aparecia a água.

E tudo mudava.


💧 Azul no meio do dourado

No meio daquela paisagem seca e dourada surgiam rios e riachos surpreendentemente cristalinos.

Era um contraste maravilhoso.

Ocre da vegetação.

Dourado do capim.

Azul do céu.

Transparência da água.

E aquele som permanente de água correndo pelas pedras.

Carrancas parecia possuir água escondida por toda parte.

Você caminhava um pouco e encontrava um riacho.

Caminhava mais e aparecia uma corredeira.

Depois uma pequena queda.

Mais adiante, uma cachoeira.

Algumas eram grandes e impressionantes.

Outras eram pequenas.

E talvez justamente as menores fossem as mais deliciosas.


🌊 As cascatinhas

As pequenas cascatas eram um espetáculo à parte.

Depois de caminhar debaixo do Sol, encontrar uma delas era praticamente receber um convite:

— Entre.

E nós entrávamos.

Água gelada.

Pedras.

Barulho da correnteza.

Vegetação em volta.

Nenhuma piscina de hotel poderia competir com aquilo.

Era uma espécie de parque aquático construído durante milhares de anos pela própria geologia.

As pedras formavam escorregadores.

A correnteza criava pequenas piscinas.

Alguns trechos funcionavam como verdadeiros tobogãs naturais.

E lá íamos nós.

Porque exploração também precisava de diversão.

Muito banho.

Muita água.

Muita caminhada.

E provavelmente algumas decisões que hoje, aos 52 anos, eu observaria primeiro por alguns segundos antes de concluir:

“Será que eu realmente preciso escorregar por essa pedra?”

😂

Aos vinte e poucos anos a análise de risco funcionava com parâmetros ligeiramente diferentes.


🥾 Caminhar para descobrir

Grande parte do prazer estava justamente em caminhar.

Carrancas não era apenas um lugar para chegar.

Era um lugar para procurar.

Seguir uma trilha significava não saber exatamente o que estaria esperando depois da próxima curva.

Talvez uma cachoeira.

Talvez uma gruta.

Talvez apenas mais vegetação.

Ou talvez um daqueles pequenos lugares que nunca aparecem nos grandes cartões-postais, mas acabam sendo justamente aqueles dos quais nos lembramos décadas depois.

Havia uma sensação deliciosa de descoberta.

Era quase uma pequena expedição.

Sem grandes pretensões.

Sem necessidade de conquistar nada.

Apenas explorar.


🍲 E depois vinha Minas Gerais...

Mas existe uma consequência inevitável de passar horas caminhando, entrando em rios e subindo trilhas.

Fome.

E aí Minas Gerais apelava para golpes baixos.

Comida mineira.

Daquelas refeições capazes de fazer um caminhante esquecer instantaneamente qualquer promessa anterior de comer pouco.

Feijão.

Arroz.

Carnes.

Verduras.

Queijos.

Preparações simples.

Comida robusta.

Comida feita para alimentar gente que trabalha, caminha e vive no interior.

A culinária daquela região da Mantiqueira fazia parte da viagem tanto quanto os rios e as cachoeiras.

Depois de horas explorando o sertão, sentar para uma boa refeição mineira era praticamente a segunda etapa da aventura.

Primeiro alimentávamos a curiosidade.

Depois alimentávamos o explorador.

Generosamente.


🗺️ Muito antes de nós

Mas havia outra coisa que me fascinava naquela paisagem.

Nós estávamos percorrendo caminhos de uma região cuja história era muito mais antiga do que nossa pequena aventura.

Séculos antes, aqueles territórios do interior haviam sido atravessados por exploradores, sertanistas e bandeirantes.

Homens que avançavam pelo interior da América portuguesa em busca de caminhos, riquezas minerais, ouro e pedras preciosas — dentro de um processo histórico muito mais complexo, que também envolveu violência contra populações indígenas e pessoas escravizadas.

Ao avançarem pelo interior, essas expedições contribuíram para empurrar a ocupação portuguesa muito além da velha divisão imaginada entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Tordesilhas.

E ali estávamos nós, séculos depois.

Sem procurar ouro.

Sem procurar diamantes.

Nosso tesouro era outro.

Uma cachoeira.

Uma gruta.

Um riacho cristalino.

Uma boa comida.

Uma fotografia.

Um pequeno vídeo.

E um dia agradável ao lado da minha mãe.


🎥 O pequeno vídeo que ficou

O vídeo que acompanha esta postagem é pequeno.

Provavelmente simples demais quando comparado com aquilo que qualquer celular consegue registrar atualmente.

Mas isso não importa.

Porque sua resolução verdadeira não pode ser medida em pixels.

Ela é medida em memórias.

Quando revejo essas imagens, não estou apenas olhando para Carrancas.

Estou olhando para o ano 2000.

Estou vendo aquele sertão novamente.

Estou sentindo o contraste entre o calor da caminhada e a água gelada.

Estou lembrando da vegetação dourada.

Das pedras.

Dos riachos.

Das cachoeiras.

Da comida.

Das brincadeiras.

E vejo novamente minha mãe participando daquela aventura.

Dona Mercedes.

Ou...

Dona Menezes.

Porque algumas piadas familiares merecem sobreviver até mesmo ao avanço implacável do calendário.


☕ Vinte e seis anos depois

Hoje, olhando essas imagens em 2026, percebo algo que talvez o Vagner de 2000 ainda não entendesse completamente.

Nós viajamos acreditando que estamos colecionando lugares.

Mas estamos colecionando momentos.

As cachoeiras continuam lá.

Os rios continuam correndo.

Carrancas mudou.

Eu mudei.

O mundo mudou enormemente.

A câmera virou celular.

O mapa virou GPS.

A fotografia virou arquivo digital.

As trilhas agora aparecem em aplicativos.

E lugares praticamente desconhecidos podem tornar-se famosos depois de algumas fotografias publicadas nas redes sociais.

Mas aquele dia específico não existe mais.

Existe somente aqui.

Nas fotografias.

No pequeno vídeo.

E dentro da memória.

Talvez seja justamente essa a maior utilidade de manter um blog durante tantos anos.

Não estamos apenas publicando textos.

Estamos deixando CHECKPOINTS da nossa própria existência.

Pequenos registros capazes de dizer:

EU ESTIVE AQUI.

EU VI ISSO.

EU VIVI ISSO.

E, neste checkpoint específico do ano 2000:

EU ESTAVA COM MINHA MÃE.


🏞️ Carrancas, Minas Gerais — 2000

Uma pequena cidade.

Um enorme patrimônio natural.

Rios cristalinos.

Riachos.

Ribeirões.

Grutas.

Corredeiras.

Cachoeiras.

Cascatinhas.

Tobogãs naturais.

Vegetação dourada.

Comida mineira.

Caminhadas.

Descobertas.

Diversão.

E mãe e filho explorando um pedacinho do sertão mineiro.

Não encontramos ouro.

Não encontramos pedras preciosas.

Mas, vinte e seis anos depois, descobri que trouxemos de Carrancas alguma coisa muito mais valiosa.

Uma lembrança.

E algumas lembranças, quando sobrevivem ao tempo, acabam se tornando verdadeiros tesouros.

Um Café no Bellacosa Mainframe

Carrancas, Minas Gerais — checkpoint gravado no ano 2000.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

As maravilhas das aguas em Carrancas

Nossa exploração em Carrancas nos levou a encontrar grandes quantidades de tesouros hídricos: rios, ribeiras, minas, bicas, corredeiras, cachoeiras... foi super refrescante após caminhar em trilhas sob o sol escaldante encontrar piscinas naturais para se refrescar.


Andando pelas trilhas do sertão sob o sol escaldante, não existe prazer maior que encontrar uma lagoa ou uma pequena piscina natural para relaxar. Imagine o prazer de ficar sentado em uma pequena cascata sentindo a agua caindo fazendo massagem sob o corpo.



Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...