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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Beijo do Enigma (relicário de memórias)

 


O Beijo do Enigma 

Houve um tempo em que o mundo cabia dentro de um teatro.
Chamava-se Enigma, e era mais que um lugar — era um refúgio.
Entre cortinas vermelhas e risadas de juventude, encontrei Patrícia.
A musa que não pedi, mas que o destino insistiu em colocar no meu caminho.

Ela chegou como se o universo tivesse dado “play” em uma nova trilha sonora.
Aos treze, não sabia o que era o amor — só o senti.
Ela se tornou o meu norte, meu referencial, meu verso inacabado.
O beijo dela... ah, aquele beijo… ainda vive em mim,
como se o tempo tivesse parado só para assistir.

E havia as cartas.
O carteiro que atravessava a cidade trazia o mundo dela em envelopes simples,
cada palavra escrita como um fio que me puxava para perto dela.

E havia também as ligações.
O telefone tocava, e ouvir sua voz era sentir o universo inteiro
reduzido a segundos de riso, de hesitação, de calor.
Cada “alô” carregava o poder de parar a respiração,
de fazer o coração dançar entre alegria e saudade.

E havia as madrugadas, silenciosas e insones,
quando a cidade dormia e eu escrevia versos pensando nela.
Palavras improvisadas, sentimentos crus, sonhos desordenados
transformavam-se em poesia que só eu lia,
mas que guardava cada fragmento dela,
cada rastro do que sentia e nunca se apagaria.

Depois vieram os anos — implacáveis, mudos, necessários.
Nos tornamos memórias ambulantes um do outro:
primeiro namorados, depois amigos, depois ecos.
E no fim, apenas conhecidos.
Mas a alma reconhece o que o tempo finge esquecer.

Alguns lugares guardam marcas que ninguém mais vê.
A Avenida Tiradentes, o Shopping Paraíso,
os encontros com Amélia, os caminhos pelo Parque do Ibirapuera
São Paulo inteira respira Patrícia em cada sombra, em cada riso antigo.

Cresci nesta cidade, me tornei quem sou aqui,
e certos amores, mesmo distantes,
se tornam parte da paisagem da alma.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Broletto : Coral cantando no centro de Novara

Cantando Enigma no interior do Broletto.


O Broletto era a antiga sede de uma cidade situada na província do Piemonte, mais precisamente na cidade de Novara,  cidade rica em monumentos antigos, possuindo um castelo bem conservado, uma porta medieval, restos da muralha, diversas igrejas e um patrono que foi imortalizado em uma belíssima catedral.

Antes de chegarmos no tema musical, deixe-me falar um pouco sobre Novara, uma rica cidade do norte da Italia, com grandes plantações de arroz, sendo um entrocamento ferroviária possibilita ligação a diversas cidades e seu legado religioso é composto por catedrais, basílicas e igrejas espalhados por todo o município.

Seu centro histórico mantem todo o traçado medieval, com ruas estreitas, circulares e com diversos becos sem saída, ainda possui calçamento em pedra e diversos casarões que remetem ao século XV e o renascimento.

O Broletto parece uma fortaleza com torres e um claustro com fonte e diversos balcões e corredores apoiados por arcos e colunas, uma impressionante construção com seus tijolos e acabamentos, em seu claustro no outono de 2012, foi promovido um evento cultural em que um coral interpretou diversas canções do grupo Enigma

Na Itália é sempre assim, são raros os finais de semana que não acontece algum evento cultural. Não me canso de repetir que o povo italiano adora conviver, apreciando consertos musicais, corais, duetos, trios, quartetos, quintetos e orquestras, museus com exposições e tantos prédios históricos nos aguardam, sempre terminando em algum bom local para comer um petisco delicioso.




sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Pinacoteca e a Ilusão de Ótica luz neon rosa

Bellacosa Mainframe e a exposição na Pinacoteca

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎨 A Pinacoteca — Quando São Paulo Era o Meu Quintal

Da Estação da Luz às luzes de neon: décadas entrando pelas mesmas portas e sempre descobrindo alguma coisa nova

Existem lugares que visitamos.

E existem lugares que, de alguma maneira, crescem conosco.

A Pinacoteca de São Paulo pertence ao segundo grupo.

Muito antes de compreender completamente o que havia dentro daquele prédio, eu já conhecia sua presença. Quando criança, passava pela região com meus pais, seguindo em direção à Estação da Luz, à antiga Rodoviária ou à Estação Sorocabana.

Aquele pedaço de São Paulo fazia parte do mapa da minha infância.

Depois vieram os anos entre 1987 e 1991, quando comecei a circular constantemente pela região por causa do programa Enigma, no Teatro Franco Zampari.

São Paulo começava a deixar de ser simplesmente a enorme cidade onde eu morava.

A cidade estava virando meu quintal.

Eu gostava de sair, caminhar, explorar e descobrir.

E, quando sobrava tempo, o Parque da Luz e a Pinacoteca estavam ali.



🌳 Do Parque da Luz para dentro do museu

Era muito fácil transformar uma caminhada aparentemente comum em uma pequena aventura.

Entrar no Parque da Luz.

Caminhar entre as árvores.

Observar os prédios antigos.

E então atravessar as portas da Pinacoteca.

Depois de algumas visitas, comecei a reconhecer salas, caminhos, obras e pequenos detalhes que alguém chegando pela primeira vez provavelmente não perceberia.

Cheguei ao ponto de certa vez servir de guia para a Patricia, do Enigma.

Aquilo devia ser divertido: um moleque que já tinha explorado o lugar algumas vezes assumindo orgulhosamente o papel de guia turístico.

— Vem por aqui. Quero te mostrar uma coisa...

Eu conhecia alguns dos “segredos” daquele lugar.

Não os segredos oficiais dos historiadores da arte.

Eram os meus segredos.

Aquela sala interessante.

Aquele corredor.

Uma obra que merecia alguns minutos.

Uma passagem que levava a outra descoberta.

Décadas depois percebo que talvez tenha começado ali um hábito que carregaria pela vida inteira:

não gosto simplesmente de chegar a um lugar. Gosto de explorá-lo.



❤️ Um museu que atravessou meus relacionamentos

Com o passar dos anos, voltei outras vezes.

E também levei algumas namoradas.

Isso transformou a Pinacoteca em algo curioso dentro da minha memória.

As obras continuavam nas paredes.

O prédio permanecia ali.

O Parque da Luz continuava do lado de fora.

Mas as pessoas ao meu lado mudavam.

Cada visita criava uma camada nova sobre as anteriores.

É quase uma arqueologia afetiva.

Em algum corredor pode existir a lembrança de uma conversa.

Em determinada sala, uma risada.

Em outra exposição, uma surpresa.

Talvez seja exatamente por isso que alguns lugares se tornam especiais para nós.

Não é apenas pelo que existe neles.

É por quem fomos quando estivemos ali.

💗 E então apareceram as luzes de neon

Em 2017, lá estava eu novamente.

Dessa vez com Juliana.

Mas aquela não era simplesmente outra visita à Pinacoteca.

Era a continuação de uma tradição que havia começado décadas antes.

Só que o museu também havia mudado.

Entre obras, salas e exposições encontramos uma experiência completamente diferente: luzes, cores, neon rosa, movimento e ilusão de ótica.

Era arte brincando com nossos sentidos.

A luz modificava aquilo que enxergávamos.

As cores enganavam o cérebro.

A percepção fazia parte da própria obra.

E achei aquilo fantástico.

Porque existe uma ideia equivocada de que museu é um lugar onde entramos silenciosamente para observar objetos antigos atrás de uma barreira.

Museus podem ser exatamente o contrário.

Podem provocar.

Confundir.

Brincar.

Enganar os olhos.

Fazer alguém parar e pensar:

“Mas que diabos está acontecendo aqui?”

E essa sensação de surpresa é maravilhosa.

🧠 Quando os olhos não contam toda a verdade

Uma ilusão de ótica também carrega uma pequena lição.

Nós confiamos absurdamente em nossos olhos.

Entretanto, aquilo que chamamos de “ver” é uma interpretação produzida pelo cérebro.

Luz, sombra, contraste, perspectiva e cores podem alterar completamente nossa percepção.

Naquela instalação, portanto, o visitante não estava apenas olhando para a obra.

O próprio cérebro do visitante fazia parte dela.

Talvez seja essa uma das coisas mais interessantes da arte contemporânea.

O quadro não precisa mais terminar na moldura.

A obra pode ocupar uma sala inteira.

Pode utilizar luz.

Pode utilizar som.

Pode utilizar movimento.

E pode utilizar você.

🚶 A velha tradição continuava viva

Olhando hoje para aquela pequena postagem de 2017, percebo algo que provavelmente não pensei naquele momento.

Aquela visita com Juliana era um resgate de uma tradição muito antiga.

O garoto que caminhava por São Paulo décadas antes continuava ali.

Mais velho, naturalmente.

Com milhares de quilômetros percorridos pelo mundo.

Com outras histórias.

Outras pessoas.

Outras preocupações.

Mas ainda existia a mesma curiosidade:

“Vamos entrar ali para ver o que encontramos?”

Talvez essa seja uma das poucas coisas que nunca mudaram.

Sempre gostei de sair.

Explorar.

Descobrir.

Entrar em museus.

Percorrer estações.

Caminhar por parques.

Dobrar uma esquina simplesmente para descobrir onde aquela rua terminava.

Durante muitos anos, São Paulo foi meu enorme parque de diversões particular.

Ou melhor:

São Paulo era o meu quintal.

E naquele quintal existiam lugares quase sagrados.

A Estação da Luz.

O Parque da Luz.

As antigas estações ferroviárias.

Os teatros.

As ruas do centro.

E a Pinacoteca.

🕰️ O verdadeiro truque de ilusão

Talvez exista ainda outra ilusão escondida naquela exposição.

Não uma produzida pelo neon.

Mas pelo tempo.

Entramos novamente em um lugar conhecido e, durante alguns segundos, todas as versões de nós mesmos parecem coexistir.

O garoto passando com os pais.

O adolescente indo ao Enigma.

O jovem explorando o Parque da Luz.

O guia improvisado mostrando a Pinacoteca para Patricia.

O namorado voltando anos depois acompanhado de outras pessoas.

E finalmente o homem caminhando pelo museu com Juliana diante de uma instalação de luz neon rosa.

Todos estão separados por anos.

Mas basta atravessar determinada porta para que algumas dessas distâncias desapareçam.

Talvez seja esse o maior poder dos lugares que fazem parte da nossa história.

Eles funcionam como pequenos CHECKPOINTs da memória.

Você volta.

O sistema lê o ambiente.

Encontra registros antigos.

E silenciosamente executa:

RESTORE MEMORIES

De repente, alguma coisa que estava arquivada há trinta anos volta para a memória principal.

Easter egg encontrado.



☕ Algumas aventuras não precisam estar longe

Passei boa parte da vida viajando e descobrindo lugares.

Mas algumas das aventuras mais importantes não exigiram avião, passaporte ou milhares de quilômetros.

Às vezes bastava pegar um ônibus ou um trem.

Descer no centro de São Paulo.

E começar a andar.

A Pinacoteca foi um desses lugares.

Um templo da arte, certamente.

Mas para mim também se tornou um templo da memória.

E aquela exposição de luz, cores, ação e ilusão de ótica foi apenas mais uma camada acrescentada sobre dezenas de outras.

Naquele dia com Juliana, mais uma vez fiz aquilo que já fazia quando garoto:

entrei por uma porta sem saber exatamente o que encontraria do outro lado.

E encontrei alguma coisa.

Porque talvez a aventura nunca tenha sido apenas a exposição.

Talvez a verdadeira aventura sempre tenha sido continuar curioso o suficiente para entrar.

São Paulo era meu quintal.

A Pinacoteca era um dos seus lugares secretos.

E, felizmente, depois de tantos anos, eu ainda continuava explorando.

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A Pinacoteca e suas exposições.

São inúmeras salas com algumas replicas de obras clássicas feitas pelos alunos, outras salas como obras originais e únicas. Convidamos a todos para explorarem este museu. Conheçam obras de arte que fazem parte de nossa Pinacoteca.

E nós continuamos explorando a Pinacoteca e encontramos uma nova ilusão de ótica, desta vez sob o efeito de luz rosa, recomendo visitarem este museu sempre tem boas surpresas escondidas te esperando.





quinta-feira, 15 de março de 2012

Programa Enigma na TV Cultura, um lugar magico que deixa saudades.

 


Crônicas Mainframe — Enigma (TV Cultura, 1987–1990)




 “Eu sou Tutancâmon, Faraó de todo o Egito. Vocês perturbaram o meu descanso de 34 séculos. Por essa ousadia, deverão pagar com perícia, coragem e conhecimento. Eu os desafio a descobrirem o meu Enigma. E não se esqueçam, a morte virá com asas ligeiras para aquele que perturbar o sono do Faraó...”




Para padawans do audiovisual: história, origem, conceito, curiosidades, apresentadores, teatro — e por onde cavar os vestígios hoje.


Resumo rápido: Enigma foi um game show ao vivo da TV Cultura que misturava quiz de conhecimentos (história antiga, geografia, arqueologia/astrologia, curiosidades contemporâneas) com uma ambientação teatral inspirada no universo de aventura/arqueologia (pense: ecos de Indiana Jones). Estreou em 1987, passou pelo fim de tarde/noite de sábado as 19 horas e teve exibições até o fim da década, a princípio somente no estado de São Paulo, posteriormente em rede nacional num consórcio das diversas TV Culturas estaduais. — hoje vive em trechos arquivados no YouTube e nas lembranças da plateia. 





Origem & conceito

A ideia nasceu de Vagner Anselmo Matrone, que pegou referências do cinema de aventura (os filmes Indiana Jones e O Enigma da Pirâmide aparecem como influência declarada) e traduziu isso para um palco de auditório: abertura com um faraó, trilha épica, cenografia que simulava o interior de uma pirâmide, melhor dizendo uma tumba egípcia, cheia de referências ao Antigo Egito e havia provas/armadilhas que remetiam a maldições egípcias — tudo para transformar perguntas de cultura geral em espetáculo. 

O formato valorizava plateia, ao vivo e interação: Concurso de Cartazes, Fantasias e ligação do telespectador para Responder o Enigma da Noite.





Quando e onde foi exibido

O programa estreou em abril de 1987 e foi exibido ao vivo no Auditório Cultura (Teatro Franco Zampari) às tardes/noites de sábado; a veiculação em rede aconteceu até o fim dos anos 80. Trechos e programas completos estão resgatados em canais de vídeo e arquivos de fãs. 





Apresentadores e elenco fixo

  • Cassiano Ricardo — coapresentador, figura central na apresentação do jogo, muito zoeira e adorava interagir e bagunçar com a plateia, quebrando a quarta parede constantemente. 

  • Cornélia Herr — coapresentadora ao lado de Cassiano, contribuía para a dinâmica “par de heróis/heroínas” que lembrava os personagens dos filmes de aventura da época. Mais reservada, porém dona de um sorriso, que derrubava os adolescente e fazia uma ebulição de hormonas.

  • Roslaine Savieiro foi uma das assistentes de palco (Cleópatra).


  • Os participantes usando jalecos de arqueologos, sendo composto por 4 elementos, o campeão da semana anterior e 3 que passavam pelo portal, acertando uma pergunta sobre o Tema Historia Antiga.


  • Conceição Marques foi uma outra das assistentes de palco (Cleópatra). Houve outras Cleópatras, ao longo do programa, mas a memória do tiozão já não é mais a mesma.





Formato do jogo (como funcionava na prática)



  1. Inscrição/seleção: candidatos chegavam cedo ao estúdio e inscreviam-se para participar.

  2.  As 15 horas era feito um sorteio entre os inscritos, 40 pessoas passavam por pré-seleção e dinâmicas de grupo no interior do Teatro.

  3. Fases: de um grupo inicial de 40 pessoas, eram escolhidos 12.

  4. Esses sortudos, passavam por um portal que remetia a Tumba de Thutankhamon, onde tinham que  acerta a pergunta sobre história Antiga, era um momento hilário, pois saiam cada pérola de participantes despreparados.

  5. Ate que depois eliminatórias levavam a 3 + o campeão da semana anterior (total 4).

  6. Provas: perguntas de Geografia, História Geral e Astrologia; provas senográficas (Câmara Sagrada, Corredor da Morte,) que "eliminavam" participantes.

  7. No decorrer do programa os apresentadores iam fornecendo pistas sobre o Enigma da Noite, algo sobre cultura contemporanea e 

  8. Prêmios: itens que eram cobiçados na época — videogame Atari, computadores (no fim dos 80), videocassetes, aparelhos de som, etc.





Desafios e provas:

  • Pistas para o Enigma da Noite
  • Furar a urna e pegar a pergunta
  • Degraus da tumba
  • O Segredo das 7 chaves
  • Corredor da morte
  • Prova de Osíris
  • Câmara Sagrada
  • Blefe do Farao
  • Xarada de Tutankhamon
  • Ser amaldiçoado pelo Faraó
  • entre outros
A Maldição

O Placar


Teatro / palco / auditório — por que importa hoje



O programa era gravado/exibido ao vivo do Auditório Cultura (actual Teatro Franco Zampari), um espaço de plateia que reforçava a sensação teatral do show. Esse elo com o teatro é importante para entender por que Enigma permanece como memória viva: era um híbrido entre game show e teatro de arena. 



Hoje o próprio Teatro Franco Zampari continua a ser tema de notícias e projetos da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura — há editais e parcerias recentes para uso e revitalização do espaço, o que mantém uma ponte entre a memória do Enigma e iniciativas culturais atuais. tvcultura.com.br





O Segredo mais bem guardado do Farao

Os Enigmas da Noite, eram escolhidos aleatoriamente, às vezes coincidia com alguma data especial, as dicas eram coletadas de um grimório dos magos, que somente os iniciados sabiam qual era: 

Almanaque Abril 



Curiosidades para impressionar no café da redação

  • A abertura tinha um “faraó” que lançava a maldição-voz: “Eu sou Tutancâmon… Vocês perturbaram o meu descanso de 34 séculos…” — trechos que viraram bordão nostálgico. 

  • A estética buscava deliberadamente o pastiche: logotipo, trilha e apresentadores faziam referências cinéfilas aos anos 80. 

  • Parte do material sobre Enigma sobrevive em uploads de fãs e no acervo digital de TV Cultura; há playlists/episódios no YouTube com episódios completos (úteis para quem pesquisa formato e direção de arte). 

  • Para aqueles que participaram a emoção de ser sorteado não tinham igual.

  • Vencer a sargentona da produção na dinâmica de grupo e entrar no seleção grupos dos 12, era a gloria para rememorar por meses.

  • Existia um batismo aos frequentadores, ser carregado e jogado numa lata de lixo no centro do pátio.

  • Na plateia havia espaço para 300 pessoas, muitos, inclusive eu, costuma chegar 9 da manhã do sábado, para reservar um bom lugar.

  • Existiam inúmeras torcidas organizadas: Veteranos, Enigmania, Professia, Farraos, Arqueologos entre outras

  • Pessoas que marcaram uma epoca: Edu, Sheila, Patricia, Amelia, Alcione, Regina, Maelo, Milton, Edon, Alex, Brustein, Igor, Bozo, Luciana, Betinha e tantos outros, que a memória não guardou os nomes. 

  • Existia uma padaria nas proximidades, que vendia um nostálgico pão doce recheado com doce de leite.






Onde achar material hoje (guia prático para o padawan pesquisador)

  • YouTube — canais com episódios/extretos: procure por Programa Enigma TV Cultura; há uploads do primeiro programa (04/04/1987) e edições avulsas. Ideal para ver a cenografia, ritmo e dinâmica ao vivo. 

  • Acervos da TV Cultura / Fundação Padre Anchieta: a emissora já fez material comemorativo (50/55 anos) que resgata lembranças de programas clássicos — vale checar o site oficial e canais sociais. 

  • Matéria e listas de nostalgia (jornais e portais culturais) — artigos de retrospectiva citam Enigma como marco dos anos 80 na emissora. TV Cultura




Mini-dossiê Padawan — perguntas que valem a investigação

Ajude nosso acervo, se encontrar algo nos temas abaixo, entre em contato.
  1. Existem gravações completas no arquivo da Fundação Padre Anchieta? (procure contato com o acervo da TV Cultura). 

  2. Há créditos de direção/roteiro nas fitas preservadas — quem assinou a direção artística do programa? (isso ajuda a mapear influências estéticas). 

  3. Entrevistas com Cassiano Ricardo ou Cornélia Herr sobre Enigma: busque jornais de época e programas de nostalgia. 


Para ir mais longe

Uma excelente postagem contado a história por trás da criação de 7 programas icônicos da TV Cultura na década de 1980. Foi uma época em que voava alto e tive a oportunidade de visitar e participar na plateia de todos eles. Tínhamos um grupo composto por Marcelo Brustein, Igor Calyman e outros, que nos reuníamos na plateia para confraternizar, divertir-se e brincar na melhor época da juventude paulistana.

Fechamento estilo Bellacosa Mainframe (curto e bonito)

Enigma é um daqueles programas que parecem um artefato: mistura de quiz, teatro e cinema de aventura, embalado por plateia e por uma estética decidida. Para o padawan curioso, é um playground de estudo: direção de arte (cenografia de “pirâmide”), design de som (trilhas emprestadas do épico), mecânica de jogo ao vivo e relação televisão–teatro. Se queres entender como a TV dos anos 80 transformava cultura geral em espetáculo, comece pelos vídeos no YouTube, depois bata à porta do acervo da Cultura.


E foi nesse espaço magico, um portal para um mundo de fantasia, que tive o momento mais feliz da vida, ao conhecer a Paty.












Quantos sábados felizes passei neste espaço, quantas horas permaneci entre iguais. Atividades varias, jogando, lendo, conversando, trocando ideias, aprendendo e ensinando. Me sentia carente e solitário, mas neste espaço, encontrei pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu. 

Era meu local magico.







quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Beijo do Enigma em uma visão paulistana

 


O Beijo do Enigma  

Houve um tempo em que o mundo cabia dentro de um teatro.
Chamava-se Enigma, e era mais que um lugar — era um refúgio.
Entre cortinas vermelhas e risadas de juventude, encontrei Patrícia.
A musa que não pedi, mas que o destino insistiu em colocar no meu caminho.

Ela chegou como se o universo tivesse dado “play” em uma nova trilha sonora.
Aos treze, não sabia o que era o amor — só o senti.
Ela se tornou o meu norte, meu referencial, meu verso inacabado.
O beijo dela... ah, aquele beijo… ainda vive em mim,
como se o tempo tivesse parado só para assistir.

Depois vieram os anos — implacáveis, mudos, necessários.
Nos tornamos memórias ambulantes um do outro:
primeiro namorados, depois amigos, depois ecos.
E no fim, apenas conhecidos.
Mas a alma reconhece o que o tempo finge esquecer.

Reconstruí o rosto dela com IA — como quem tenta conversar com o passado.
E quando vi, senti a velha vertigem:
a nostalgia que abraça…
e o “e se” que fere com doçura.

Alguns lugares guardam marcas que ninguém mais vê.
A Avenida Tiradentes, o Shopping Paraíso,
os encontros com Amélia, os caminhos pelo Parque do Ibirapuera
São Paulo inteira respira Patrícia em cada sombra, em cada riso antigo.

Cresci nesta cidade, me tornei quem sou aqui,
e certos amores, mesmo distantes,
se tornam parte da paisagem da alma.



terça-feira, 20 de junho de 2000

Carrancas subterranea: as cavernas e tuneis

Brincando de tatu nas cavernas de Carrancas


Mais tesouros descoberto em Carrancas: túneis, cavernas e grutas sim... meus amigos se gostas de andar em baixo da terra, seja bem vindo o solo calcário foi todo escavado pela agua, construindo túneis com ramais e interligação que somente agora estão sendo explorados a serio.



Devido as rochas calcarias existentes na região, a açao corrosiva da agua durante milénios escavou diversos túneis e cavernas que permitem explorações espeleológicas, Visitamos algumas cavernas e vislumbramos belas estalactites e encontramos diversos morcegos.

A fauna e a flora estão bem conservada em Carrancas, podemos encontrar muitas aves e alguns mamíferos. Por acaso encontramos diversas casinhas de João de Barro, o pedreiro da natureza, que apanhando barro no bico, construí belissimas casinhas e em alguns lugares existem registro de casas com ate 3 andares, vivendo familhas inteiras.

Claro que algumas aves oportunistas usurpam estas casinhas, usando-as como ninho (ate na natureza temos grileiros)


segunda-feira, 19 de junho de 2000

Carrancas e suas Corredeiras e Cachoeiras

Piscinas naturais em Carrancas

Depois de um excelente café da manha partimos em Direcção ao campo em busca das famosas corredeiras. Carranca é uma cidade rica em rios , riachos, ribeiroes com algumas cascatas lindas, pequenas cachoeiras e diversas piscinas naturais.

O grupo do Enigma estava muito empolgado, o ar fresco da manha permitiu caminharmos rápido e avançarmos rapidamente, chegando antecipadamente numa corredeira repleta de piscinas naturais, onde ficamos nos refrescando e aproveitando ao máximo possível a estadia.


A fome bateu, apos algumas horas brincando e relaxando nas aguas frias, fizemos nosso picnic comunitário e de barriguinha cheia limpamos nossa bagunça, afinal na natureza nada se tira (alem de fotografias) e nada de se leva (devemos trazer todo nosso lixo).




domingo, 18 de junho de 2000

Carrancas e seu rio e cachoeiras

Cachoeiras, ribeiros e rio de Carranca a riqueza hidrica


Nossa exploração em Carrancas nos levou a encontrar grandes quantidades de tesouros hídricos: rios, ribeiras, minas, bicas, corredeiras, cachoeiras... foi super refrescante após caminhar em trilhas sob o sol escaldante encontrar piscinas naturais para se refrescar.



Andando pelas trilhas do sertão sob o sol escaldante, não existe prazer maior que encontrar uma lagoa ou uma pequena piscina natural para relaxar. Imagine o prazer de ficar sentado em uma pequena cascata sentindo a agua caindo fazendo massagem sob o corpo.

Esta caminhada foi organizada pelo grupo Enigma e permitiu explorar diversos pontos turisticos da cidade.

Trilhas e caminhadas pelo sertão de Carrancas

Aventureiros do sertão de Minas


Nosso grupo esta empolgado o bom tempo permite explorar todo o sertão aos arredores de Carrancas, começamos nossa trilha saindo da cidade, nosso destino final são as cachoeiras, mas por agora estamos apenas curtindo o caminho, vendo as formações rochosas, a fauna e flora, sentindo a brisa e se aventurando pelas estradinhas acidentas.


Essa aventura foi organizada pela Enigma, um grupo de caminhadas ecológicas que tive o prazer de conhecer em Itatiba. Carrancas é um destino completo tenho aventuras sobre a terra, dentro da terra, na agua e para os mais audaciosos no ar.


sexta-feira, 16 de junho de 2000

Carrancas a cidade dentro da natureza

A pequena cidade de Carrancas


A cidade de Carrancas é um paraíso para os eco-turistas, tem aventuras para todos os gostos e tipos, e com certeza bolsos também, aqui na cidade é nosso ponto de partida, possuindo otimas pousadas, as delicias da culinária mineira e um povo muito hospitaleiro, vale a pena se aventurar.


Nosso grupo formado por aventureiros com todo o tipo de experiência era liderado pelo Enigma Turismo, que organizou todos os passeios, os meios de transporte necessários, acomodações e refeiçoes.

Posso dizer que andamos de caminhão em estradas normais, tratores em terreno acidentado e P2 nos caminhos mais difíceis e sem acesso. A noite relaxávamos nos pequenos barzinhos ouvindo Raul, bebendo e jogando conversa fora.

A cidade é bem pequenina com poucos edifícios marcantes, porém seu povo que com muita simpatia e hospitalidade nos fazem sentir-se em casa



quinta-feira, 24 de setembro de 1998

O Beijo do Enigma

 


O Beijo do Enigma

Houve um tempo em que o mundo cabia dentro de um teatro.
Chamava-se Enigma, e era mais que um lugar — era um refúgio.
Entre cortinas vermelhas e risadas de juventude, encontrei ela.
A musa que não pedi, mas que o destino insistiu em colocar no meu caminho.

Ela chegou como se o universo tivesse dado “play” em uma nova trilha sonora.
Aos treze, não sabia o que era o amor — só o senti.
Ela se tornou o meu norte, meu referencial, meu verso inacabado.
O beijo dela... ah, aquele beijo… ainda vive em mim,
como se o tempo tivesse parado só para assistir.

Depois vieram os anos — implacáveis, mudos, necessários.
Nos tornamos memórias ambulantes um do outro:
primeiro namorados, depois amigos, depois ecos.
E no fim, apenas conhecidos.
Mas a alma reconhece o que o tempo finge esquecer.

Reconstruí o rosto dela com IA — como quem tenta conversar com o passado.
E quando vi, senti a velha vertigem:
a nostalgia que abraça…
e o “e se” que fere com doçura.

Há amores que não pedem presença — pedem apenas respeito.
E o meu, guardado entre as paredes do Enigma,
segue respirando em silêncio.
Não para reviver, mas para lembrar que um dia eu senti algo verdadeiro.




Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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