quinta-feira, 17 de julho de 2014

🚀 CI/CD & DevOps

 

Bellacosa Mainframe apresenta CI CD e DEVOPS 

🚀 CI/CD & DevOps

Uma análise Bellacosa Mainframe (com história, bastidores e verdades inconvenientes)

“Automatize tudo. O que sobrar, automatize de novo.”
— Filosofia não oficial do DevOps

CI/CD não é moda, não é ferramenta, não é YAML bonito no GitHub.
É mudança cultural, redução de sofrimento humano e, principalmente, fim do deploy manual de sexta-feira às 18h.


🧠 CI e CD: irmãos, não gêmeos

🔁 Continuous Integration (CI)

CI nasceu para resolver um problema clássico:

“Funciona na minha máquina.”

CI é integração contínua de código, feita com:

  • branches curtas

  • commits frequentes

  • pull requests pequenos

  • testes automáticos

👉 Resultado?
Menos conflito, menos retrabalho e menos ódio entre desenvolvedores.

📌 Fases clássicas da CI

  • Plan – o que vamos fazer

  • Code – escrever o código

  • Build – compilar / empacotar

  • Test – validar automaticamente

💡 Dica Bellacosa:
Se seu pipeline de CI demora mais que um café passado na hora… algo está errado


🚚 Continuous Delivery (CD)

CD entra depois da CI, quando o código já funciona.

CD garante que:

  • o software esteja sempre pronto para produção

  • o deploy seja repetível, confiável e sem drama

  • humanos não fiquem clicando “Next, Next, Finish”

📌 Fases clássicas da CD

  • Release – versionamento

  • Deploy – entrega automatizada

  • Operate – operação e monitoramento

⚠️ Atenção:
CD ≠ Continuous Deployment

  • Delivery: pronto para produção

  • Deployment: vai direto para produção (sem pedir bênção)


🧬 CI/CD como código: o YAML que manda na sua vida

Quando pipelines viram código:

  • versionamento acontece

  • rollback fica fácil

  • auditoria fica feliz

🧾 GitHub Actions

📅 Lançamento: novembro de 2019

  • Já vem em todo repositório GitHub

  • Usa YAML

  • Marketplace recheado de actions prontas

📂 Estrutura clássica:

.github/ └── workflows/ └── pipeline.yml

💬 Comentário Bellacosa:
“Pipeline que não está versionado é script secreto de sysadmin disfarçado.”


🧑‍🤝‍🧑 Social Coding: menos ego, mais qualidade

CI/CD só funciona bem quando:

  • pull requests são pequenos

  • revisão é colaborativa

  • erro vira aprendizado, não caça às bruxas

📈 Benefícios reais:

  • código melhor

  • menos bugs em produção

  • mais confiança no deploy

🧠 Curiosidade:
Empresas que adotam CI de verdade fazem deploy dezenas de vezes por dia.
Quem não adota… faz change freeze 😬


🧱 Infraestrutura como Código (IaC)

📅 Conceito popularizado: ~2011 (com Puppet, Chef, depois Terraform)

IaC permite:

  • subir ambientes em minutos

  • destruir tudo e recriar sem chorar

  • versionar infraestrutura

💡 Dica de ouro:
Se você não consegue recriar seu ambiente do zero… você não controla seu ambiente.


⚙️ Tekton: CI/CD raiz, Kubernetes feelings

📅 Lançamento: 2018 (Knative Build → Tekton)

Tekton é:

  • CI/CD nativo Kubernetes

  • Declarativo

  • Baseado em CRDs

🧩 Conceitos-chave

  • Task – unidade de trabalho

  • Pipeline – encadeamento

  • Step – comando

  • Trigger – evento externo

  • PipelineRun – execução real

💬 Fofoquinha técnica:
Tekton é poderoso, mas não é para iniciantes.
Quem aprende… vira referência. Quem não aprende… chama de “complicado demais”.


🔄 GitOps & Argo CD: Git manda, cluster obedece

📅 Argo CD: 2018

GitOps segue um princípio simples:

“Se não está no Git, não existe.”

Argo CD:

  • observa o Git

  • compara com o cluster

  • reconcilia automaticamente

🔥 Easter Egg GitOps:
Deletou algo no cluster manualmente?
O Argo recria… sem pedir desculpa 😈


☁️ OpenShift Pipelines & GitOps

OpenShift:

  • integra Tekton nativamente

  • facilita CI/CD corporativo

  • conversa bem com Argo CD

📌 Padrões GitOps suportados:

  • On-Cluster Reconciler

  • External Reconciler

💬 Comentário Bellacosa:
Mainframe tinha controle, rastreabilidade e auditoria antes de ser cool.
DevOps só deu nome bonito.


🔐 Compliance contínua: segurança sem freio de mão

Pipeline moderno inclui:

  • scan de código

  • scan de imagem

  • gestão de segredos

  • trilha de auditoria

💡 Dica de sobrevivência:
Segurança manual não escala.
Compliance contínua sim.


🧨 Verdades inconvenientes (Bellacosa Edition)

  • Ferramenta não salva cultura ruim

  • CI quebrado diariamente não é CI

  • Pipeline lento é gargalo oculto

  • Deploy manual é dívida técnica

  • YAML sem comentário é armadilha futura


🧠 Conclusão Bellacosa Mainframe

CI/CD não é sobre:
❌ Jenkins
❌ GitHub Actions
❌ Tekton
❌ Argo CD

É sobre:
✅ previsibilidade
✅ automação
✅ qualidade
✅ confiança
✅ dormir tranquilo após o deploy

“O melhor deploy é aquele que ninguém percebe.”



quarta-feira, 16 de julho de 2014

📜 Luigi Bellacosa – O Gigante da Mooca

 


📜 Luigi Bellacosa – O Gigante da Mooca

A lenda napolitana que virou bairro, virou história e virou mito

Todo bairro tem seus personagens.
Alguns são fofocas, alguns são sombras…
E outros, como o bisavô Luigi, são tão enormes que nem passam na porta da História:
entram derrubando o batente, sorrindo, com aquela força gentil que só os verdadeiros gigantes têm.

Eu o conheci quando já estava no ocaso — mas, mesmo assim, era maior que a vida.




👣 1. O Homem que a Mooca não esquecia

Imagine um homem com quase dois metros, forte como estivador do Porto de Nápoles, mas com olhar azul de mar tranquilo e cabelo castanho claro de mocinho de cinema mudo.

Luigi fez de tudo:

  • jogador profissional de futebol,

  • político improvisado,

  • representante comunitário,

  • operário de fábrica,

  • pedreiro,

  • e até delegado adjunto, daqueles que entram e resolvem sem precisar de BO, bastava um olhar.

Era bom de briga, fã de luta livre e, ao mesmo tempo, amigo dos animais, especialmente cachorros abandonados — o que lhe rendeu o apelido carinhoso de dogueiro da Mooca.
Homem de muitos amores e muitas histórias, um tipo que hoje chamariam de “lendário”, mas na época chamavam só de Luigi.

Tanta gente o amava quanto o temia.
E isso diz muito sobre um homem.

Mesmo em 1993, dez anos após sua morte, ainda se falava dele nas calçadas da Rua Javari, nas padarias, nos botecos, nas rodinhas de dominó.
Histórias verdadeiras e exageros folclóricos se misturavam, como boa tradição mooquense exige.




🩸 2. Um gigante de carne, osso, cicatriz e ausência

Quando o conheci, era criança — e para mim ele era um personagem de fábula.
Tinha uma cicatriz no rosto, resultado das caçadas nos tempos brutos;
e faltava-lhe uma orelha, levada por um tumor que enfrentou sem drama, como quem arruma uma infiltração na parede.

Falava num dialeto próprio:
meio italiano napolitano, meio português da Mooca, meio carcamano.
Uma língua tão única quanto ele.

Era bonachão, brincalhão e poderoso como um tronco velho de árvore centenária.
E, no entanto, havia em seus gestos uma doçura que só os grandes conhecem — porque só quem é gigante sabe o peso de machucar alguém sem querer.

Gostava de falar do seu tempo de futebolista, defendendo a camiseta grená, dos antigos jogos, da camisa suada e o orgulho de fazer parte da esquadra. O Juventus da Mooca era o seu coração.




👨‍👦 3. O dia em que vi meu pai pequeno

Meu pai sempre foi gigante para mim.
Mas, ao se aproximar do avô Luigi, ele diminuía — não em respeito, mas em amor.

Ele olhava o velho patriarca com um brilho que eu nunca vi em mais ninguém.
Um menino reverenciando seu mito.
Até hoje acho que meu pai amava mais o avô do que ao próprio pai, e não há nada de errado nisso:
alguns vínculos são simplesmente mais fortes, mais formadores, mais eternos.

Quando Luigi morreu em 1982, vi um pedaço do meu pai desabar.
E, meses antes, já havíamos perdido outro gigante:
tio-bisavô Arthur, o primeiro “Dudu” do Palmeiras lá pelos anos 1930.
Dois irmãos napolitanos que vieram ao Brasil, plantaram raízes na Mooca e viraram mitologia de boteco, arquibancada e vizinhança.

A dupla Luigi & Dudu era tão grande que parecia tirada de um romance épico italiano.
Quando um se foi, o outro não demorou.
E o bairro inteiro chorou.




🏘️ 4. A Mooca dos Gigantes

A Mooca do início do século XX não era bairro:
era um território de imigrantes cansados, sonhadores, briguentos e apaixonados.
Um mundo onde cada esquina tinha um pedaço de Europa, América e fantasia.

Para mim, criança de 8 anos vendo tudo de baixo, pareceram heróis mitológicos:
homens fortes como os de Homero, mas com corações enormes como histórias de família costumam ter.

E hoje percebo:
os Bellacosa daquela época eram parte da paisagem, como os trilhos, os armazéns, o cheiro de pão fresco e o grito "Ô loco, meu!" ecoando no bairro.

Eles eram os gigantes que carregaram a Mooca nas costas.
E eu cresci com a sorte de ouvir suas histórias de dentro, não da calçada.




📚 5. Por que lembramos dos gigantes?

Porque gigantes não são feitos de altura.
São feitos de:

  • impacto,

  • amor,

  • personalidade,

  • exagero,

  • coragem,

  • defeitos épicos,

  • e uma presença tão forte que 40 anos depois ainda deixa sombra.



Luigi foi tudo isso.
Um capítulo vivo da Mooca.
Um homem tão grande que, mesmo velhinho, mesmo doente, mesmo com uma orelha só…
ainda assim ocupava o ambiente inteiro, o respeito inteiro — e o imaginário inteiro de quem o conheceu.




🖋️ Epílogo: o menino que viu gigantes

Hoje, ao recordar, entendo que minha memória não exagera:
meu bisavô era mesmo maior do que eu podia captar.

E talvez seja isso que faz certas famílias serem especiais:
não o sangue, não o sobrenome, mas as histórias que atravessam gerações e continuam vivas, mesmo quando quem viveu já virou saudade.

A Mooca teve muitos personagens.
Mas o Gigante Luigi Bellacosa continua caminhando por lá, invisível,
presente em cada lembrança,
em cada conto exagerado,
em cada sorriso que começa com um “você lembra do Luigi?”.

E é assim que os gigantes permanecem:
não nas fotos, não nos documentos —
mas na memória dos que tiveram o privilégio de viver à sua sombra.

🕰️ O Brasil Que Se Partiu — Um Echo de 2013

 


🕰️ O Brasil Que Se Partiu — Um Echo de 2013
📖 Por Bellacosa Mainframe


Houve um tempo em que o Brasil parecia prestes a despertar.
As ruas pulsavam, os rostos eram jovens, e as bandeiras — ainda limpas — tremulavam não por um time, mas por uma promessa: mudar tudo aquilo que estava aí.

Era junho de 2013, e a alma brasileira — aquela feita de carnaval, memes e improviso — decidiu que não queria mais apenas sambar: queria ser ouvida.
Os gritos vinham dos ônibus lotados, das faculdades sufocadas, das timelines que começavam a se tornar palanques digitais.
Era o momento em que um país inteiro — sem líderes, sem partidos, sem centro — acreditou, por um breve instante, que a democracia podia ser reinventada na base do asfalto quente e das redes sociais.

Mas o que se seguiu, Bellacosa?
O que aconteceu com aquele país vibrante, cheio de energia, criatividade e esperança?


⚡ O Curto Verão da Utopia

As jornadas de 2013 começaram com 20 centavos.
Mas não se enganem — nunca foram apenas 20 centavos.
Foram o estopim de algo muito maior: a raiva acumulada de uma geração que viu o futuro escapar pelos dedos.
Um país que prometera ascensão, mas entregava dívidas, filas e corrupção como currículo.

Naquele momento, a internet ainda parecia libertadora, o Facebook era uma praça pública e o Twitter, um megafone.
A juventude brasileira, conectada como nunca, acreditou que podia derrubar os muros entre governantes e governados.
E por um segundo, conseguiu.

Mas como todo movimento espontâneo, faltou estrutura, direção e narrativa.
E quando o povo sai das ruas, alguém sempre ocupa o vácuo deixado.


🕳️ O Pêndulo do Desencanto

O Brasil que nasceu em 2013 morreu jovem — vítima da polarização e da manipulação digital.
As mesmas redes que uniram começaram a dividir.
A indignação, antes coletiva, virou combustível para o ódio e para o medo.

A crítica virou meme.
O debate virou ofensa.
E o sonho virou trincheira.

A promessa de um “novo país” foi sequestrada, desmontada, reembalada — e devolvida como um manual de extremismos.
A revolta foi privatizada.
E cada brasileiro virou um algoritmo ambulante, vigiado e treinado para reagir — não para pensar.


🏚️ O País dos Fragmentos

Hoje, dez anos depois, o Brasil de 2013 parece uma lembrança com cheiro de chuva e gás lacrimogêneo.
Um país que ousou se levantar — mas não soube o que fazer quando o chão começou a tremer.

O resultado?
Um povo cansado, cínico, dividido, mas ainda assim… teimosamente esperançoso.
Porque, por mais distópico que pareça, a chama de 2013 nunca apagou de vez.
Ela apenas dorme — nas músicas, nos memes, nas conversas sussurradas de quem ainda acredita que o país pode ser mais do que um “feed” em guerra.


☕ Comentário para os Padawans

Toda geração tem o seu 2013.
O seu momento de achar que pode mudar o mundo com uma hashtag e uma vontade genuína.
Mas o tempo ensina — e o Bellacosa confirma:

Revoluções sem propósito se tornam ruídos.
E ruídos, sem diálogo, viram só silêncio.

Se o Brasil quiser voltar a ser vibrante, não basta gritar.
É preciso escutar — com o mesmo fervor com que se sonha.


Bellacosa Mainframe

“Em 2013, o Brasil subiu no palco da História.
O problema é que o som estava alto demais para ouvir o que dizíamos.” 🎭

quinta-feira, 10 de julho de 2014

🔥🕹️ Post Bellacosa Mainframe / El Jefe – “O Dia em que o Pixel Aprendeu a Jogar: os Primeiros Arcades dos Anos 1970”

 



🔥🕹️ Post Bellacosa Mainframe / El Jefe – “O Dia em que o Pixel Aprendeu a Jogar: os Primeiros Arcades dos Anos 1970”

Da luz catódica ao culto das fichas: quando o jogo eletrônico virou religião de fliperama


Houve um tempo em que “jogar” não era apertar start num console, mas enfiar uma ficha no eslote, na epoca o Brasil passada pela ditadura militar e uma inflação alta, que dificultava o uso de moedas. Ai o jeitinho brasileiro adaptou a ficha a ser inserida numa máquina barulhenta, que piscava luzes e fazia sons metálicos de pura magia digital.
Os anos 1970 foram o Big Bang dos videogames — a década em que o transistor virou diversão e os circuitos descobriram o prazer de perder (e ganhar) vidas.

Prepare-se, padawan dos pixels, para uma viagem pela pré-história do gaming, onde cada bit era precioso e cada bug virava lenda urbana.


🧠 A Linguagem das Máquinas

Antes do C, antes do BASIC, antes até do “Hello World!”, os primeiros jogos nasceram no hardware cru, em Assembly e circuitos TTL (Transistor-Transistor Logic).
Nada de sistemas operacionais, nada de bibliotecas. Era ferrugem, osciloscópio e pura genialidade eletrônica.
Os criadores literalmente desenhavam o jogo com fios de cobre e solda.




🕹️ A Primeira Ficha: Computer Space (1971)

  • Fabricante: Nutting Associates

  • Criadores: Nolan Bushnell e Ted Dabney (que depois fundariam a Atari)

  • Hardware: Discreto, baseado em lógica TTL — sem CPU! Tudo analógico-digital.

  • Linguagem: Nenhuma de alto nível; inteiramente lógica de circuitos.

  • Tipo: Shooter espacial

  • Gameplay: o jogador controla uma nave triangular e tenta destruir dois UFOs em uma simulação inspirada em “Spacewar!” dos PDP-1.

  • Easter Egg: a forma futurista da cabine foi desenhada para parecer uma nave espacial real — custava mais fabricar o gabinete do que o circuito.

  • Curiosidade: considerado o primeiro arcade comercial da história. Vendeu pouco, pois o público achava difícil de jogar — Bushnell percebeu que o segredo era diversão antes da ciência.




🏓 O Golpe de Mestre: Pong (1972)

  • Fabricante: Atari

  • Criador: Allan Alcorn, sob orientação de Nolan Bushnell

  • Hardware: TTL customizado, sem microprocessador

  • Linguagem: circuitos lógicos e timers — pura eletrônica

  • Tipo: Esporte / Simulação

  • Gameplay: duas barras, uma bolinha e o eterno duelo: jogador vs jogador, como um tênis digital

  • Easter Egg: o protótipo de Pong instalado em um bar de Sunnyvale quebrou não por defeito, mas porque o coletor de moedas entupiu de tanto sucesso.

  • Curiosidade: foi o primeiro jogo a transformar luz em vício, inaugurando o império da Atari e o conceito de high score.




👾 O Ataque dos Vetores: Space Invaders (1978)

  • Fabricante: Taito (Japão)

  • Criador: Tomohiro Nishikado

  • Hardware: CPU Intel 8080 modificada

  • Linguagem: Assembly 8080

  • Tipo: Shooter vertical / Defesa

  • Gameplay: defenda a Terra de ondas de alienígenas descendo lentamente; cada acerto acelera o ritmo.

  • Easter Egg: o famoso “efeito de aceleração” não foi programado de propósito — era uma limitação de hardware: quanto menos inimigos na tela, mais rápido o processador podia atualizar o jogo.

  • Curiosidade: no Japão, houve falta de moedas de 100 yen por causa da febre do jogo.




🛸 O Hipster dos Polígonos: Asteroids (1979)

  • Fabricante: Atari

  • Criadores: Lyle Rains e Ed Logg

  • Hardware: Motorola 6502 + display vetorial

  • Linguagem: Assembly 6502

  • Tipo: Shooter espacial / Sobrevivência

  • Gameplay: controle sua nave num campo de asteroides, destruindo rochas e OVNIs enquanto evita colisões.

  • Easter Egg: o primeiro high-score list com iniciais de jogadores — origem do mito das três letras eternas: AAA, JOE, GOD.

  • Curiosidade: Asteroids foi usado para treinar o reflexo de pilotos e operadores de radar, segundo a lenda urbana dos fliperamas da Força Aérea americana.




🏁 O Circuito da Revolução: Gran Trak 10 (1974)

  • Fabricante: Atari

  • Criador: Larry Emmons

  • Hardware: TTL, com ROMs de máscara

  • Linguagem: lógica de circuito

  • Tipo: Corrida

  • Gameplay: visão aérea de uma pista onde o jogador controla um carro por meio de volante e pedais físicos.

  • Easter Egg: primeiro arcade a usar volante e pedal reais, dando origem ao gênero racing simulator.

  • Curiosidade: o primeiro jogo a gerar prejuízo milionário por erro de contabilidade — a Atari esqueceu de incluir o custo das ROMs na planilha.




🧩 Os Códigos Secretos dos Fliperamas

Os técnicos dos fliperamas descobriram cedo os hacks antes do termo existir.
Muitos jogos escondiam “credit switches”, botões secretos que davam fichas infinitas, ou modos de teste ativados com combinações de botões.
Era o nascimento dos Easter Eggs, décadas antes de virarem padrão na cultura geek.




🧬 Filosofia Bellacosa Mainframe

Na era da válvula e do transistor, cada pixel era uma conquista científica.
Os arcades não eram só jogos — eram rituais luminosos, pequenas máquinas de sonho.
Em tempos sem rede, eles criaram a primeira comunidade gamer analógica:
a do fliperama de esquina, onde a amizade se media em fichas e o respeito vinha de quem fazia mais pontos no Space Invaders.

Hoje, quando rodamos um emulador, não jogamos apenas — invocamos espíritos de silício.
E cada bip, cada tela verde e cada bug é uma oração à santíssima trindade do pixel:
Bushnell, Nishikado e o barulho de uma ficha caindo.


💾 El Jefe & Bellacosa Mainframe Museum of Retro Digital Arts
📍 Arcade é religião, ficha é fé e CRT é altar.


terça-feira, 17 de junho de 2014

🖥️ Portugal vs Brasil : Microempreendedor

 

Bellacosa Mainframe fala sobre pequenos negocios e as diferenças entre Brasil e Portugal


🖥️ Portugal vs Brasil

Por que lá o pequeno negócio sobrevive e aqui precisa virar batch noturno gigante

“Nem todo sistema precisa escalar horizontalmente. Alguns só precisam não cair.”
anotação perdida em um console IBM 3270

Sempre me perguntei a razão desta grande diferença, afinal moro numa pequena cidade do interior, por que não vejo pequenos negociantes aqui, enquanto mesmo em Lisboa existem tantos. Qual o fator de peso, qual a grande diferença, que obriga tudo ser enorme no Brasil. O que podemos fazer para mudar isso? Ajudar o pequeno, afinal nem todo negocio, nasceu para ser grande, por que vender 100 refeições num dia é tão caro e obriga o empreendedor a vender 500 ou mais. Ser escravo do empreendimento, não poder curtir as ferias e feriados, de modo semelhante aos patricios do outro lado do oceano? 


1️⃣ Custo de empregar alguém

🧱 O divisor de águas (ou de job abend)

🇵🇹 Portugal

  • Encargos trabalhistas previsíveis (não muda a cada release político)

  • Menos obrigações acessórias (menos JCL escondido)

  • Fiscalização proporcional ao porte (micro não é tratado como data center)

  • Um funcionário a mais não dobra a dor de cabeça

👉 Resultado operacional:
É viável rodar um negócio com 1, 2 ou 3 pessoas, uptime alto e custo controlado.

📌 Analogia mainframe:
Portugal permite rodar produção crítica em LPAR pequena, bem configurada, sem exigir Sysplex.


🇧🇷 Brasil

  • Encargos trabalhistas chegam a 70–100% do salário

  • CLT rígida + risco jurídico constante

  • Multas, processos e passivos imprevisíveis (abend S0C7 social)

  • Um funcionário vira bomba-relógio trabalhista

👉 Resultado operacional:
Se for para contratar, o empresário escala logo o cluster inteiro para diluir risco.

📌 Analogia mainframe:
No Brasil, cada empregado é um exit point sem documentação.

🧨 Easter egg:
O pequeno empresário brasileiro vive esperando o dump, mesmo quando o job termina com RC=0.


2️⃣ O “tamanho mínimo de sobrevivência”

💣 Quando o sistema pequeno não fecha o mês

Fenômeno silencioso brasileiro:
Negócio pequeno demais morre. Negócio médio sobrevive.

Por quê?

  • Aluguel caro (storage premium obrigatório)

  • Energia elétrica cara (MSU rodando 24x7)

  • Impostos cumulativos (job cobra mesmo com STEP em erro)

  • Contabilidade obrigatória

  • Licenças municipais, estaduais e federais (cada uma um subsystem)

📌 Conclusão técnica:
Um negócio com 2 ou 3 funcionários simplesmente não fecha o balanço.

👉 O empreendedor brasileiro já nasce pensando:

“Se não crescer rápido, fecha.”

🧠 Dica Bellacosa:
No Brasil, o problema não é falta de escala — é escala mínima obrigatória.


3️⃣ Tributação

🎭 Simplicidade real vs “Simples” de marketing

🇵🇹 Portugal

  • IVA simples e claro

  • Regimes especiais realmente funcionais para microempresas

  • Imposto sobre lucro, não sobre faturamento

📌 Regra de ouro:
Se não lucrou, não sangra.


🇧🇷 Brasil

  • Simples Nacional que de simples só tem o nome

  • Impostos sobre faturamento (mesmo no prejuízo)

  • Mudança de faixa = penalidade automática

  • Crescer 1 funcionário pode explodir a carga tributária

👉 O pequeno vira refém do regime, não do mercado.

🧨 Easter egg fiscal:
No Brasil, você paga imposto antes de saber se o job terminou bem.


4️⃣ Cultura de bairro vs cultura de sobrevivência

🇵🇹 Portugal

  • Comércio local protegido socialmente

  • Cliente fiel por décadas

  • Expectativa: estabilidade

  • Negócio passa de pai para filho

🧓 Mensagem clássica do operador:

“Essa padaria está em produção desde 1978.”


🇧🇷 Brasil

  • Concorrência predatória

  • Cliente infiel por preço

  • Expectativa: crescer ou morrer

  • Negócio visto como trampolim, não legado

🧨 Mensagem de erro comum:

“Ou vira rede… ou fecha.”

📌 Analogia mainframe:
Brasil trata todo negócio como startup cloud, mesmo quando ele só quer ser batch diário confiável.


5️⃣ Fiscalização

👮‍♂️ Educativa vs punitiva

🇵🇹 Portugal

  • Fiscal orienta antes de multar

  • Ajustes graduais

  • Menos sensação de perseguição

📌 Modelo:
Primeiro WARN, depois ABEND (se insistir).


🇧🇷 Brasil

  • Multa primeiro, explica depois

  • Regras ambíguas

  • Empreendedor tratado como suspeito

📌 Pequeno empresário brasileiro vive em estado de defesa permanente.

🧠 Dica Bellacosa:
No Brasil, a fiscalização funciona como auditoria surpresa em produção.


6️⃣ Crédito e aluguel

💸 Outro choque de realidade

🇵🇹 Portugal

  • Crédito acessível

  • Aluguéis comerciais estáveis

  • Contratos longos

👉 Dá para planejar.


🇧🇷 Brasil

  • Juros altos

  • Aluguel instável

  • Proprietário repassa risco para o lojista

👉 Pequeno negócio precisa faturar muito desde o primeiro mês.

📌 Analogia:
Você entra em produção sem ambiente de testes.


7️⃣ O efeito psicológico (o bug invisível)

🇧🇷 Brasil

  • Empreender = risco pessoal alto

  • Falir = estigma

  • Processo trabalhista = trauma permanente

🇵🇹 Portugal

  • Empreender = opção de vida

  • Fechar = recomeçar

  • Menos medo institucional

🧠 Insight:
Ambiente hostil destrói bons operadores antes do sistema cair.


🔍 Resumo brutal (modo console)

Fator🇵🇹 Portugal🇧🇷 Brasil
Custo por funcionárioBaixo a médioMuito alto
Tamanho mínimo viável1–3 pessoas8–15 pessoas
Risco jurídicoBaixoAltíssimo
ExpectativaEstabilidadeEscala
FiscalizaçãoEducativaPunitiva

💡 Conclusão direta (sem perfumaria)

👉 Portugal permite ser pequeno.
👉 O Brasil obriga a crescer ou morrer.

Não é que o brasileiro não saiba fazer negócio pequeno.
É que o sistema brasileiro pune quem tenta.


🖥️ Easter egg final (para mainframers)

“Num país, o pequeno negócio roda como um batch estável.
No outro, ele nasce em produção, sem rollback, sem backup e com auditoria ativa.”


segunda-feira, 16 de junho de 2014

🚲 Crônicas do Vaguinho — A Monareta Verde, uma phenix e a Liberdade


🚲 Crônicas do Vaguinho — A Monareta Verde, uma phenix e a Liberdade

Ao estilo Bellacosa Mainframe, para o blog El Jefe Midnight Lunch

Alguns garotos ganham a liberdade com uma chave de casa.
Outros, quando fazem 18 anos.
Eu ganhei a minha em 1984, numa época dura, de crise do petróleo, inflação louca, ditadura se desfazendo e o Brasil andando com a sola do sapato.
Liberdade, pra mim, veio na forma de duas rodas remendadas. Um natal antecipado.

E essa é a saga da minha primeira bicicleta — a Monareta Verde que virou não apenas um veículo, mas um portal para o mundo.



🛠️ A Bicicleta Ferida e o Pacto dos Padrinhos

Meu tio Pedrinho tinha uma Monareta verde. Coisa linda. Até o dia em que ele, do alto de seu desastrismo épico, resolveu medir forças com um poste.

O poste venceu.

A bicicleta… nem tanto.

  • garfos dianteiros tortos

  • guidão em forma de “S” pós-acidente

  • pneus mortos

  • ferrugem florescendo

  • freios inexistentes

  • corrente que parecia cordão de pipa desgastada

Minha avó, furiosa, queria vender a “criatura assassina”.
Mas meu avô — sábio, sereno, estrategista digno de almirante do CICS — decretou:

“Vamos dar pro Vagner. Ele não tem bicicleta. Ele arruma.”

Um decreto imperial.
E assim começou minha epopeia.

Quando minha tia Miriam e o tio Osmar surgiram no Cecap com aquela relíquia capenga, eu não ganhei apenas uma bicicleta. Ganhei um caminho.



🔧 Operação Ressurreição: Eu, Meu Pai e A Monareta Impossível

Era 1984.
Não tínhamos quase nada.
Mas tínhamos tempo, garra e a vontade do meu pai de me reconquistar depois dos dramas familiares do ano anterior.

Cada peça foi um capítulo:

  • lixar ferrugem com lixa de madeira

  • endireitar o guidão com técnica de “força bruta e esperança”

  • trocar o breque improvisando cabos

  • reapertar eixos como quem ajusta engrenagens de um mainframe

  • pintura remendada, mas feita com amor

  • garfos dianteiros alinhados com golpes suaves que mais pareciam reza

  • corrente trocada

  • pneus remendados com colinha branca, lixa fina e fé

Quando terminamos, quem olhava dizia:

“Nossa, compraram uma bike nova!”

Mas nós sabíamos.
Era mais que nova: era renascida.



🚴 A Magrela Sem Nome — Minha Nave Espacial

Eu nunca dei nome pra ela.
E, ironicamente, isso a tornava mais especial.

Era simplesmente minha magrela.
Minha amiga.
Minha confidente.
Meu passaporte.

Com ela eu:

  • cruzava o Cecap como se fosse o Velho Oeste

  • ia ao mercado comprar pão e voltar com troco (sim, existia isso)

  • levava a Vivi e o Dandan para a escola

  • atravessava trilhos da Central do Brasil

  • pedalava até Tremembé

  • ia pra Pindamonhangaba sem Google Maps

  • me aventurava em Caçapava

  • tentar subir a serra rumo a Campos do Jordão (maluco desde cedo)

  • explorar os distritos rurais do Pinheirinho e Tataúba

  • Ir até a fábrica da Volkswagen Taubaté para ver meu tio Santiago saindo do serviço

  • aprendia a reparar pneus com garfo de cozinha, porque pobre é engenheiro nato

  • virar mecânico senhor em manutenção de bicicleta 

  • fazia escambo de serviços na borracharia por um remendo a quente

  • pular rampas improvisadas,

  • tentar acompanhar o primo Marcelo em sua estilosa BMX numa pista de cross acidentada e com rampas.

  • levava tombos que viraram tatuagens naturais nas pernas

  • usar para travessuras censuráveis, tais como espionar as meninas do job, tomando banho de piscina e se bronzeando nuas em chácaras perdidas na velha estrada de Tremembé

Era meu carro, minha moto, meu skate, meu avião e meu boing 747.



🌅 A Liberdade Sobre Duas Rodas

A Monareta verde me deu algo que nenhuma outra coisa poderia dar naquele tempo:

Horizonte.

Num Brasil difícil, num lar remendado, num bairro simples, aquela bicicleta era:

  • a sensação do vento batendo no rosto

  • o barulho gostoso da corrente engatada

  • o cheiro da rua depois da chuva

  • a alegria de pedalar até o limite do sol

  • a certeza de que o mundo era maior que a sala da nossa casa

Todos temos uma primeira bicicleta.
A minha não era perfeita.
Mas era minha.
E, como tudo que nasce das mãos da gente, tinha mais alma do que qualquer bike de loja de shopping.


💚 Epílogo: A Monareta Virou História — E História Virou Afeto

Hoje, olhando pra trás, percebo:

Eu não ganhei uma bike.
Eu ganhei uma infância inteira.

A Monareta verde 1982 não existe mais.
Mas as cicatrizes nos joelhos, as viagens impossíveis e as lembranças de mim e do meu pai lado a lado…
Ah, essas sobrevivem como se fossem cromadas.