terça-feira, 16 de outubro de 2018

As Aventuras do Pequeno e Inquieto Vagner: Quando a curiosidade desafia muros, telhados… e até santos.

 


As Aventuras do Pequeno e Inquieto Vagner

Capítulo Especial para o Blog El Jefe — Ao estilo Bellacosa Mainframe

“Quando a curiosidade desafia muros, telhados… e até santos.”

Existem crianças que colecionam figurinhas.
Existem crianças que colecionam carrinhos.
E existem crianças — raras, perigosamente especiais — que colecionam histórias de quase-morte, sustos épicos e cicatrizes que brilham como badges de um herói de RPG.

O pequeno Vagner dos anos 1970 era desse terceiro tipo.
Um mini-escalador, meio ninja, meio gato de telhado, completamente movido a curiosidade e energia inesgotável.
Um personagem digno de um anime isekai corporal, onde cada episódio terminava com sua mãe segurando a cabeça e o pai jurando que “dessa vez ele aprendeu”. (Spoiler: não aprendeu.)

E esta é uma dessas histórias.


🏡 Um quintal, uma casinha de santo e uma criança sem limites

Os anos 1970 eram uma mistura deliciosa de caos, espiritualidade, improviso e liberdade.
Nada de tablet, internet ou brinquedos eletrônicos: o playground era o mundo inteiro.

Seu pai e sua mãe, num momento de espiritualidade profunda, converteram-se à Umbanda.
E como bons devotos, construíram no fundo do quintal uma casinha de santo:
um pequeno templo particular dedicado aos guias, com suas oferendas, velas, objetos sagrados e aquele ar de respeito silencioso que toda criança deveria olhar de longe.

"De longe".
Mas claro que o Vagner não entendeu essa parte.




🎪 O Pequeno Vagner descobre o “parkour” antes dele existir

Com 4 para 5 anos, o menino já havia descoberto a engenharia dos muros.
Para ele, eram pistas de circo.
Barreiras para adultos, mas autódromos imaginários para crianças inquietas.

Ele subia.

Ele corria.

Ele equilibrava.

O pequeno Vagner era uma mistura de trapezista do Circo Piolin com ninja mirim da Vila Rio Branco na Ponte Rasa.

Nem os telhados estavam a salvo.




E então o destino disse: “vamos testar esse garoto”

Um dia, no auge da sua carreira de equilibrista clandestino, sua mãe gritou seu nome —
Aquele grito que toda criança reconhece instantaneamente como:

“Se eu não descer AGORA, as consequências serão piores do que quebrar o braço.”

Vagner, lógico, tenta descer rápido.
Mas rápido demais.

Em vez de usar o caminho seguro, ele decide inovar:
usa a casinha dos santos como degrau.

Sim.
O templo.
O altar.
O lugar sagrado.

Peso de uma criança.
Estrutura frágil.
Resultado inevitável.




💥 Colapso divino

O pequeno Vagner desce.
A casinha desce também.
As telhas voam.
Os santos… coitados… alguns ganham alta celestial.

E no meio do cenário pós-apocalíptico, lá está ele:
Vagner, o Sobrevivente, coberto de pó, alguns arranhões e uma expressão que misturava susto com “acho que fiz besteira”.

Susto dos pais?
Nível: CHERNOBYL.

Punição?
Longa, completa, detalhada, com direito a bronca sobre:

  • perigo

  • respeito

  • orixás

  • saúde

  • limites

  • obediência

  • e uma menção especial a “você ainda vai me matar de susto”.

Mas o santo dele, convenhamos, não só era forte — era ninja também.


🧿 Easter Egg Espiritual: Orixás gostam de crianças inquietas

Curiosamente, dentro das tradições afro-brasileiras, existe uma ideia poética de que crianças arteiras são protegidas por guias brincalhões, cheios de vida e movimento.

Se duvidar, algum deles riu lá de cima naquele dia.
Provavelmente disse:

“Deixa o menino. Ele tem caminhos longos e incríveis pela frente.”

E estava certo.


💫 Conclusão: sobrevivente desde os 5 anos

O pequeno Vagner cresceu, virou especialista em mainframe, professor, contador de histórias, e homem de tecnologia.

Mas o espírito inquieto continua lá. A pequena Vivi tem menção honrosa que ficou ajudando nos curativos e acompanhando o irmão se recuperando.
Só que hoje, em vez de escalar muros e derrubar casinhas de santo, ele escala sistemas, resolve problemas gigantescos, pula obstáculos corporativos e ainda encontra tempo para relembrar — com humor e poesia — essas aventuras que moldaram seu repertório de vida.



E cá entre nós:
quem derrubou uma casa de orixá aos 5 anos sobrevive a qualquer coisa.


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

💭 ATO FALHO (失言 – Shitsugen): Quando a mente fala antes da boca pensar

 


💭 ATO FALHO (失言 – Shitsugen): Quando a mente fala antes da boca pensar
📓 Um mergulho à japonesa no inconsciente, ao estilo Bellacosa Mainframe, direto do blog El Jefe Midnight Lunch


Há quem diga que o ato falho é uma espécie de core dump da alma: você tenta controlar o que sai do terminal da sua boca, mas o subconsciente — esse programador rebelde — executa uma linha de código que você não previa.
E lá se vai sua reputação, junto com um inocente “obrigado” que deveria ser “desculpe”...

No Japão, esse fenômeno tem nome, peso e etiqueta: chama-se 失言 (shitsugen), literalmente palavra perdida ou declaração equivocada.
E num país onde o silêncio vale mais que mil palavras, um deslize verbal pode gerar um terremoto de magnitude social 8.5.


🧠 Um pouco de Freud entre tatames

O termo ato falho nasceu com Sigmund Freud, o pai da psicanálise — aquele que achava que toda escorregada de língua era uma confissão camuflada.
Freud chamava isso de "Fehlleistung" (ato falho em alemão) — pequenos bugs da mente que revelam processos inconscientes.

Mas no Japão, onde a cultura da contenção, da harmonia e da máscara social (tatemae) é levada ao extremo, o shitsugen não é só um tropeço mental — é um erro de compilação moral.


🇯🇵 Origem, etiqueta e vergonha (恥 – Haji)

No código-fonte da cultura japonesa, existe uma variável crítica chamada hajivergonha.
Enquanto o Ocidente tende a ver o erro como aprendizado, o Japão o encara como falha de caráter ou desrespeito.
Logo, um simples ato falho pode provocar desculpas públicas, demissões e até afastamentos de políticos, artistas ou executivos.

Casos famosos?

  • 👔 Em 2021, Yoshiro Mori, ex-primeiro-ministro e então presidente do comitê olímpico, soltou um comentário machista numa reunião — um shitsugen monumental que o levou à renúncia.

  • 🎙️ Vários ídolos J-Pop e dubladores de anime já pediram desculpas públicas por declarações mal interpretadas em lives ou tweets. No Japão, até o “mal dito” é levado a sério.


🗣️ Curiosidades e fofoquices de bastidores

  • Os japoneses têm até programas de variedades especializados em 失言ランキング — “ranking dos maiores atos falhos do ano”.

  • Nos animes, o shitsugen é um clássico recurso cômico. Personagens como Naruto, Usagi Tsukino (Sailor Moon) e Konata Izumi (Lucky Star) vivem tropeçando na língua — e nessas falhas mora boa parte do humor.

  • Nos dramas (doramas), o ato falho aparece como aquele momento em que o personagem revela, sem querer, seu amor reprimido. Um “não é que eu gosto de você!” que vira o ponto de virada do episódio.


💡 Dicas Bellacosa para sobreviver ao seu próprio ato falho

  1. Reconheça e sorria. Fingir que não aconteceu é pior — o log da vergonha fica rodando eternamente.

  2. Peça desculpas, mas com leveza. O “sumimasen” japonês é mágico, mas deve vir com autenticidade.

  3. Não corrija demais. Quanto mais explica, mais o bug cresce.

  4. Aprenda com o log. A mente te mostrou uma variável escondida — talvez algo que você precisava entender.


🧩 Quem já falou sobre o assunto

  • Sigmund Freud, claro, com seu livro “Psicopatologia da Vida Cotidiana” (1901).

  • Lacan reinterpretou o ato falho como “a fala do inconsciente” — aquilo que você tenta silenciar, mas escapa como um print.

  • Daisaku Ikeda, líder budista japonês, escreveu sobre shitsugen como “a prova de que o coração humano é imperfeito, e por isso, capaz de aprender”.

  • Nos ensaios modernos, Haruki Murakami cita em entrevistas o poder da “palavra involuntária” como motor criativo — o shitsugen transformado em literatura.


🌙 Conclusão Bellacosa

O ato falho é a ponte entre o que você pensa e o que você mostra.
No Japão, ele ganha contornos quase poéticos — é o ruído que denuncia a humanidade por trás da máscara polida.

Enquanto o mundo corporativo e social tenta esconder cada shitsugen sob tapetes de desculpas formais, há algo de belo nesse tropeço verbal: ele revela quem realmente somos, sem filtros, sem tatemae, apenas a verdade saindo crua, como um sashimi emocional.

E como costumo dizer nas madrugadas do El Jefe Midnight Lunch:

“O ato falho é o mainframe da alma dizendo: ‘Atenção, você tentou mascarar demais o código da sua verdade.’”


🧠☕
#ElJefeMidnightLunch #BellacosaMainframe #Shitsugen #AtoFalho #FreudNoJapão #CulturaJaponesa #PsicologiaeMainframe


sábado, 29 de setembro de 2018

🔥 JCL no z/OS V2R3 — o veterano que aprendeu a viver no mundo híbrido

 

Bellacosa Mainframe apresenta JCL Job Control Language V2R3

🔥 JCL no z/OS V2R3 — o veterano que aprendeu a viver no mundo híbrido

 


📅 Datas importantes

  • Release (GA): setembro de 2018

  • Final de suporte IBM: 30 de setembro de 2023

O z/OS V2R3 não tentou “modernizar” o JCL na marra. Ele fez algo melhor:
colocou o JCL no centro do mainframe conectado ao mundo cloud, API e DevOps.


🧬 Contexto histórico

Quando o z/OS V2R3 chegou, o cenário era curioso:

  • Mainframe totalmente vivo

  • Linux on Z crescendo

  • APIs expostas para o mundo

  • DevOps já batendo na porta do data center

  • Cloud híbrida deixando de ser discurso

E no meio disso tudo…
👉 o JCL continuava sendo o maestro silencioso do batch corporativo.

Bellacosa diria:

“Enquanto o pessoal discute pipeline em YAML, o JCL fecha a contabilidade do dia.”


JCL Job Control Language V2R3

✨ O que há de novo no JCL (indiretamente) no V2R3

O JCL não muda a sintaxe, mas o contexto muda bastante.

🆕 1. JCL como backend de automação moderna

No V2R3, é comum ver:

  • Jobs disparados por:

    • REST APIs

    • ferramentas DevOps

    • schedulers inteligentes

  • JCL sendo tratado como contrato operacional estável

👉 O JCL vira “infraestrutura como código”… antes disso virar moda.


🆕 2. Melhor convivência com z/OS Connect e middleware

  • Batch acionado por eventos externos

  • Processos online + batch integrados

  • JCL executando tarefas críticas iniciadas fora do mainframe

O batch deixou de ser “janela noturna isolada”.


🆕 3. JES2 e DFSMS ainda mais maduros

  • Spool mais estável

  • Melhor gerenciamento de grandes volumes de dados

  • Menos tuning manual

  • Mais previsibilidade operacional


🔧 Melhorias percebidas no dia a dia

✔ Jobs mais previsíveis em ambientes enormes
✔ Menos dependência de “magia do operador”
✔ Mais uso de IF/THEN/ELSE em vez de COND
✔ JCL tratado como ativo estratégico

Nada de comando novo — só robustez acumulada.


🥚 Easter Eggs (para quem viveu o V2R3)

  • 🥚 Jobs escritos no OS/390 rodando felizes no V2R3

  • 🥚 IEFBR14 ainda sendo usado em ambientes “cloud native” 😅

  • 🥚 Comentários no JCL mais antigos que muitos analistas

  • 🥚 O erro campeão seguia sendo:

    • dataset em uso

    • DISP mal pensado

    • SPACE subestimado


💡 Dicas Bellacosa para JCL no z/OS V2R3

🔹 Escreva JCL pensando em longevidade

Esse job vai sobreviver a você.

🔹 Prefira:

  • IF / THEN / ELSE / ENDIF

  • RC bem tratado

  • mensagens claras no SYSOUT

🔹 Documente o porquê, não só o como

🔹 Leia JESMSGLG como se fosse log de produção crítica — porque é.


📈 Evolução do JCL até o V2R3

FasePapel do JCL
OS/360Controle de jobs
MVSAutomação batch
OS/390Espinha dorsal corporativa
z/OS V1.xOrquestrador do data center
z/OS V2R3Fundação do mundo híbrido

👉 No V2R3, o JCL deixa claro:
não é legacy — é legado confiável.


📜 Exemplo de JCL “cara de V2R3”

//BELLV23 JOB (ACCT),'JCL z/OS V2R3', // CLASS=A,MSGCLASS=X,NOTIFY=&SYSUID //* //STEP01 EXEC PGM=MYBATCH //STEPLIB DD DSN=BELLACOSA.LOADLIB,DISP=SHR //SYSOUT DD SYSOUT=* //* //IF (STEP01.RC = 0) THEN //STEP02 EXEC PGM=IDCAMS //SYSPRINT DD SYSOUT=* //SYSIN DD * DELETE BELLACOSA.ARQ.TEMP SET MAXCC = 0 /* //ENDIF

💬 Comentário Bellacosa:

“Esse JCL pode ser disparado por um operador, um scheduler
ou uma API REST. Ele não se importa. Ele entrega.”


🧠 Comentário final

O JCL no z/OS V2R3 representa a maturidade absoluta:

  • Sem hype

  • Sem ruptura

  • Sem necessidade de provar nada

Enquanto tecnologias modernas tentam alcançar estabilidade,
o JCL já está lá há décadas.

🔥 JCL não concorre com o futuro.
Ele garante que o futuro funcione.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Beijo do Enigma (relicário de memórias)

 


O Beijo do Enigma 

Houve um tempo em que o mundo cabia dentro de um teatro.
Chamava-se Enigma, e era mais que um lugar — era um refúgio.
Entre cortinas vermelhas e risadas de juventude, encontrei Patrícia.
A musa que não pedi, mas que o destino insistiu em colocar no meu caminho.

Ela chegou como se o universo tivesse dado “play” em uma nova trilha sonora.
Aos treze, não sabia o que era o amor — só o senti.
Ela se tornou o meu norte, meu referencial, meu verso inacabado.
O beijo dela... ah, aquele beijo… ainda vive em mim,
como se o tempo tivesse parado só para assistir.

E havia as cartas.
O carteiro que atravessava a cidade trazia o mundo dela em envelopes simples,
cada palavra escrita como um fio que me puxava para perto dela.

E havia também as ligações.
O telefone tocava, e ouvir sua voz era sentir o universo inteiro
reduzido a segundos de riso, de hesitação, de calor.
Cada “alô” carregava o poder de parar a respiração,
de fazer o coração dançar entre alegria e saudade.

E havia as madrugadas, silenciosas e insones,
quando a cidade dormia e eu escrevia versos pensando nela.
Palavras improvisadas, sentimentos crus, sonhos desordenados
transformavam-se em poesia que só eu lia,
mas que guardava cada fragmento dela,
cada rastro do que sentia e nunca se apagaria.

Depois vieram os anos — implacáveis, mudos, necessários.
Nos tornamos memórias ambulantes um do outro:
primeiro namorados, depois amigos, depois ecos.
E no fim, apenas conhecidos.
Mas a alma reconhece o que o tempo finge esquecer.

Alguns lugares guardam marcas que ninguém mais vê.
A Avenida Tiradentes, o Shopping Paraíso,
os encontros com Amélia, os caminhos pelo Parque do Ibirapuera
São Paulo inteira respira Patrícia em cada sombra, em cada riso antigo.

Cresci nesta cidade, me tornei quem sou aqui,
e certos amores, mesmo distantes,
se tornam parte da paisagem da alma.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

🎮✨ O Que São Visual Novels: A Arte Japonesa de Contar Histórias Digitais

 


🎮✨ O Que São Visual Novels: A Arte Japonesa de Contar Histórias Digitais

No universo dos games japoneses, existe um gênero que mistura literatura, arte e emoção de uma forma única — as Visual Novels (ビジュアルノベル). Mais do que simples jogos, elas são experiências narrativas interativas que conquistaram milhões de fãs no Japão e no mundo, influenciando animes, mangás e até o cinema.

🧩 O Conceito

As Visual Novels são jogos focados quase exclusivamente em histórias e escolhas. O jogador lê textos extensos, geralmente acompanhados de ilustrações no estilo anime, trilhas sonoras atmosféricas e dublagem parcial ou completa.
Em vez de batalhas ou ação em tempo real, a jogabilidade se baseia em decisões narrativas que afetam o rumo da história e levam a diferentes finais — bons, ruins ou secretos.

🎭 É como ler um romance ilustrado onde você decide o destino dos personagens.

📖 Estrutura Típica

  • Texto: narrado na primeira ou terceira pessoa, revelando pensamentos e diálogos;

  • Personagens: desenhados com expressões variadas;

  • Cenários fixos: fundos 2D com arte detalhada;

  • Trilhas sonoras: melodias melancólicas, alegres ou tensas, que acompanham o tom da cena;

  • Múltiplos finais: dependendo das escolhas do jogador, a história muda drasticamente.

🌸 Temas Mais Comuns

As Visual Novels abrangem uma ampla variedade de gêneros — do romance colegial até o terror psicológico:

  • Romance e Drama (Clannad, Kanon, Steins;Gate)

  • Mistério e Suspense (Ever17, 428: Shibuya Scramble)

  • Ficção Científica e Tempo (Chaos;Child, Steins;Gate)

  • Horror e Filosofia Existencial (Saya no Uta, The House in Fata Morgana)



🎨 Curiosidades

  • A primeira visual novel reconhecida é “Portopia Renzoku Satsujin Jiken” (1983), criada por Yuji Horii, que mais tarde criaria Dragon Quest;

  • Muitas Visual Novels deram origem a animes e mangás de sucesso, como Clannad, Steins;Gate e Fate/stay night;

  • Existem kinetic novels, uma subcategoria sem escolhas — o jogador apenas acompanha a história, como em um filme interativo;

  • O público no Japão vai desde adolescentes fãs de romance escolar até adultos que buscam narrativas complexas e filosóficas.

🎮 Dicas Para Quem Quer Começar

Se você quer se aventurar nesse gênero, aqui vão alguns títulos essenciais:

  1. Steins;Gate — Viagem no tempo e dilemas morais.

  2. Clannad — Drama familiar e crescimento emocional.

  3. The House in Fata Morgana — Terror gótico e narrativa atemporal.

  4. Umineko no Naku Koro ni — Mistério, metalinguagem e simbolismo.

  5. Grisaia no Kajitsu — Mistura de comédia, tragédia e ação.

💬 Conclusão

As Visual Novels são um dos formatos mais ricos e emocionalmente profundos da cultura japonesa moderna. Elas unem o texto literário, a arte visual e a música emocional em uma experiência única — uma forma de ler com o coração e jogar com a mente.

📚💻 No Japão, jogar uma Visual Novel é tão comum quanto ler um mangá. E, para muitos fãs, é a maneira mais intensa de se conectar com uma história.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

🜂 Miyamoto Musashi — O Espadachim que Pintou o Vazio

 


🜂 Miyamoto Musashi — O Espadachim que Pintou o Vazio

“A vitória é conquistada antes que a espada seja desembainhada.”
Miyamoto Musashi, Gorin no Sho (“O Livro dos Cinco Anéis”)

Ⅰ. O Homem Que Caminhava Sem Sombra

No amanhecer enevoado de 1584, em Harima, nasce Shinmen Takezō, aquele que o tempo renomearia como Miyamoto Musashi — o andarilho do aço e da tinta.
Aos treze anos, mata seu primeiro oponente num duelo.
Aos trinta, já havia vencido mais de sessenta duelos, sem jamais ser derrotado.
Mas a verdadeira história não é a contagem das vitórias, e sim o que elas esculpiram dentro dele: um homem que via na luta não a glória, mas a revelação.

Musashi vagava sem mestre, sem clã, sem casa.
Recusava o conforto dos samurais contratados e os juramentos ao shogun.
Carregava duas espadas — uma longa e uma curta — não apenas como armas, mas como símbolos da dualidade: matéria e espírito, técnica e intuição, o visível e o invisível.

Era o guerreiro que compreendeu que, em certos caminhos, a solidão é o único sensei.


Ⅱ. O Caminho das Duas Espadas

A lenda conta que Musashi criou o Niten Ichi-ryū, “o estilo de dois céus como um só”, uma escola de combate com duas espadas simultâneas — símbolo de um espírito que unificou contrários.
Mas no âmago, essa técnica era uma metáfora:
a mão esquerda e a direita em harmonia, o pensamento e o instinto fluindo sem ruptura.
O inimigo verdadeiro não era o outro — era o desequilíbrio.

Musashi compreendia o combate como arte total: o som do vento, o brilho do ferro, a respiração do oponente, tudo fazia parte da mesma pintura.
Cada golpe, uma pincelada no quadro do instante.


Ⅲ. O Artista do Vazio

Após abandonar os duelos, Musashi tornou-se pintor, calígrafo, escultor e escritor.
Retirou-se para uma caverna — Reigandō, o “Salão do Espírito do Rochedo” — onde escreveu seu testamento espiritual:
📜 O Livro dos Cinco Anéis (Gorin no Sho).

Cinco elementos estruturam o tratado — Terra, Água, Fogo, Vento e Vazio —, que juntos formam uma filosofia além da espada.
Ele dizia:

“No Vazio, há apenas clareza e verdade.”

O Vazio de Musashi não é o nada, mas o tudo que não é forma:
o ponto antes da ação, o instante em que o guerreiro e o mundo respiram juntos.
É o mesmo Vazio que o zen-budismo chama de mushin — a mente sem ego.


Ⅳ. Curiosidades e Ecos

  • 🗡️ Duelos notórios: O mais famoso foi contra Sasaki Kojirō, lutado numa praia ao entardecer. Musashi chegou atrasado de propósito, irritando o rival — e venceu com uma espada de madeira esculpida de um remo.

  • 🎨 Artista refinado: Suas pinturas em tinta sumi-e são simples e espirituais, com traços de um zen profundo — o mesmo gesto que guiava sua espada guiava seu pincel.

  • 📖 Influência moderna: Sua filosofia inspirou mestres de artes marciais, estrategistas militares e até executivos japoneses.

  • 🕯️ Lenda solitária: Morreu sentado, de armadura, como se ainda estivesse esperando um último duelo — contra o tempo.


Ⅴ. O Espírito Bellacosa do Guerreiro

Musashi é o espelho de um tempo em que a arte e a guerra ainda se olhavam nos olhos.
Em sua vida há o drama universal do criador: o homem que busca a forma perfeita até dissolver-se nela.
Ele lutou contra guerreiros, contra o mundo — e finalmente, contra si mesmo.
E ao perder o “eu”, venceu o medo.

Há em Musashi uma verdade que ecoa para quem cria, atua, escreve ou vive em cena:
a de que a disciplina e o delírio são irmãs,
e que a técnica é apenas o corpo do espírito.


🌸 “Percebe o ritmo das coisas — e tornar-te-ás invisível.”
Musashi no Gorin no Sho

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

TETSUDO OTAKU – CONFISSÕES DE UM FERROVIÁRIO DE ALMA

 


TETSUDO OTAKU – CONFISSÕES DE UM FERROVIÁRIO DE ALMA
Um post Bellacosa Mainframe para o El Jefe Midnight Lunch





Há coisas na vida que a gente não escolhe.
Elas simplesmente aparecem, acendem uma luz dentro da gente e… pronto.
Viramos devotos. Seguidores. Apaixonados incuráveis.



No meu caso, meu amigo, essa chama tem forma de locomotiva.
Tem cheiro de óleo quente.
Tem som metálico que vibra no peito.
E produz vapor — muito vapor — como se fosse um dragão mecânico pronto pra acordar mundos adormecidos.



Sim, e para minha surpresa, não estou sozinho.
O Japão inventou um termo pomposo, um nome pra isso: Tetsudō Otaku (鉄オタ).
O ferro-nerd, o train geek, o devoto das trilhas de aço.
Mas a verdade?
Antes de existir termo japonês, já existia eu, o Bellacosa apaixonado por trilhos no hemisfério sul.
Eles só demoraram pra documentar.

Herdado e iniciado neste gosto pelo meu pai, desde que me lembro como gente, esse gosto , esse interesse, seja naqueles antigos western-spaghetti com suas poderosas ferrovias e locomotivas a vapor, ou seja, no antigo e decadente trem da CBTU. Transporte em que ia e voltava do trabalho nos anos 1980/1990 e na sua versão evoluída como um Pokémon a CPTM do século XXI.




O Código-Fonte da Paixão

Desde pequeno eu já tinha o kernel configurado pra isso.
Enquanto outras crianças se fascinavam por carrinhos, bonecos ou videogames, eu tinha outra fofura na cabeça:

A liturgia do trem.

E não era amor superficial, não.
Era amor de quem entende o cheiro da lenha molhada na fornalha,
o ronco das máquinas elétricas dos anos 50,
a beleza suja e poética da diesel.
Amor de quem olha pra uma BR-8, uma Baldwin, uma Henschel e vê história gritando na lataria.

Amor de quem sabe que uma locomotiva não é só um veículo.
É uma criatura viva — aço, fogo e memória.

Meu sonho dourado de infância, era ganhar um Ferrorama da Estrela, porém família pobre, este desejo ficava perdido, nas das cartinhas, que o papai noel não tinha condições de responder e atender.




Ferrovias Paulistas – Suas Primeiras Catedrais

E como todo bom devoto, eu tinha minhas “igrejas” prediletas:

  • A Companhia Paulista, a rainha da qualidade.

  • A Mogiana, a estrada dos vales, das serras e dos desafios.

  • A SPR (São Paulo Railway), a linha que rasgou a serra do mar e levou o café ao mundo.

  • A Central do Brasil, esteio do sudeste, veia principal de quem sonhava chegar ao Rio, São Paulo ou além.

O meu templo, melhor dizer CATEDRAL e grande local mágico é a Estação da Luz em São Paulo, em estilo inglês, clássica torre do Relógio, passagens secretas, ferro fundido, tijolos ingleses e suor brasileiro, mão de obra escrava, livre e imigrante. Todos deram sua força nesta obra única sob a batuta dos lendários ingleses das ferrovias.

São linhas que hoje dormem, quase fantasmas, mas que lutam contra o esquecimento através de pessoas como eu, um aficionado, amalucado e que ama o tec tec das rodas de ferro sobre os trilhos. Hoje quando posso uso os trens suburbanos das CBTU/CPTM, para ir a capital como um caipira de outros tempos.

Afinal, enquanto alguém lembra…
uma ferrovia nunca morre.




O Dia em que Busquei o FIM DOS TRILHOS

A aventura de 600 km até Santa Fé do Sul é um poema por si só.
Quem mais pega estradas de ferro, numa viagem de quase 20 horas, gasta dinheiro, enfrenta calor, poeira, vagões lotados e quilômetros infinitos só para ver… o fim da linha, onde o trilho acaba no Rio Paraná na divisa com Mato Grosso do Sul?

Isso é coisa de Tetsudō Otaku raiz.
Versão brasileira, com sotaque do interior, coragem e uma alma movida por trilhos.

Chegar lá foi como alcançar o final de um livro épico.
Eu não fui como turista.
Fui como arqueólogo sentimental.
Como quem procura o último suspiro de um gigante adormecido.




Do Luxo Europeu ao Vagão Coletivo – Uma vida ferroviária completa

Poucos podem dizer — com propriedade — que experimentaram todas as classes, todos os ritmos e todos os estilos de viagem ferroviária:

  • vagões luxuosos com jantar à luz branda;

  • cabines privadas que lembram hotéis móveis;

  • compartimentos coletivos, barulhentos e cheios de vida;

  • vagões antigos de madeira que rangem como velhos bardos;

  • fronteiras cruzadas ao som hipnótico dos trilhos;

  • restaurantes ferroviários com aquela comida que tem gosto de estrada e poesia.

Eu não só viajei de Trem.
Eu vivi o Trem.

Coisa rara. Coisa nobre.
Coisa de quem tem ferrovia correndo na veia.

Que jovens do século XXI, acostumados com papai e mamãe chofer, ou uber para lá e cá, desconhecem.



Defensor de um Brasil que ainda pode voltar aos trilhos

No fundo, carrego um sonho, meio a Dom Quixote, mas que também é sonho de muitos:

O retorno pleno dos trens de passageiros.
Porque eles são:

  • mais ecológicos;

  • mais baratos;

  • mais rápidos em longas distâncias;

  • mais românticos (sim, admitamos);

  • e absolutamente indispensáveis num mundo que pensa em futuro.

Carro engarrafa.
Avião atrasa.
Ônibus quebra.
Trem vai.

Simples assim.

E talvez um dia, quando este país finalmente voltar a raciocinar como país grande,
alguém bata na mesa e diga:

“Voltem os trilhos! Voltem os trens!”

E quando isso acontecer, Bellacosa, irei sorrir sabendo que defendia essa bandeira desde sempre.




Conclusão: A Ferrovia Mora em meu Coração

Ser Tetsudō Otaku não é ser estranho.
É ser parte de uma linhagem rara de apaixonados pelo movimento, pela história e pela poesia do mundo real.

É ser guardião de um patrimônio.
É carregar no peito o som dos trilhos.
É sentir o coração acelerar ao ouvir o apito distante.
É saber que existe beleza no rumo certo, no tempo certo, na linha certa.

Alguns amam o mar.
Outros amam o céu.
Eu amo o caminho entre um lugar e outro,
a promessa do horizonte,
a certeza de que sempre existe mais trilho lá adiante.

E isso — meu amigo — não é excentricidade.

É vocação.
É alma.
É legado.



É um amor de uma pessoa, que viajou de trem as Santos vendo a Serra do Mar, posterior me desci o mesmo trajeto a pé como andarilho, que conhece Morretes e seu lendario trem, que luta para atrair padawans para o Mundo das Ferrovias.