quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

🖥️🎬 20 filmes para quem rodou Jogador Nº 1 em modo FULL NOSTALGIA

 

🖥️🎬 20 filmes para quem rodou Jogador Nº 1 em modo FULL NOSTALGIA

🖥️🌐 Realidade Virtual no Século XXI: o terminal que virou mundo

ao estilo Bellacosa Mainframe

A realidade virtual (VR) no século XXI não é apenas um avanço tecnológico; é a transformação do terminal em ambiente existencial. O que começou como simulador tosco, com latência alta e resolução sofrível, evoluiu para sistemas imersivos capazes de treinar cirurgiões, pilotos, engenheiros e — ironicamente — fugir da própria realidade.

Para o olhar mainframer, a VR é um front-end extremo rodando sobre infraestruturas críticas: data centers, redes de baixa latência, computação gráfica massiva e economias digitais persistentes. Nada disso é novo. O novo é o nível de envolvimento humano. O usuário deixa de “usar” o sistema e passa a habitar o sistema.

No século XXI, a VR impacta educação, saúde, indústria, entretenimento e relações sociais. Treinamento virtual reduz riscos reais; ambientes simulados aceleram aprendizado; mundos digitais criam novas formas de trabalho e identidade. Mas o trade-off é claro: escapismo, dependência e a diluição da fronteira entre o real e o simulado.

A lição Bellacosa é simples: toda tecnologia poderosa exige governança, limites e consciência histórica. Assim como o mainframe sustenta sistemas invisíveis que movem o mundo, a realidade virtual revela um futuro onde o maior risco não é a máquina falhar — é o humano preferir não sair dela.

🖥️ Sistema estável. Usuário em teste.


🖥️🎬 Lista não definitiva


1️⃣ Tron (1982)

🇧🇷 Tron – Uma Odisseia Eletrônica
🎭 Jeff Bridges
💬 Usuário preso dentro do sistema.
🥚 Primeiro “VR” do cinema. Vetores = mainframe feelings.

2️⃣ Tron: Legacy (2010)

🇧🇷 Tron: O Legado
🎭 Jeff Bridges
💬 Sistema herdado sai do controle.
🤫 Todo sysadmin entende isso.

3️⃣ The Matrix (1999)

🇧🇷 Matrix
🎭 Keanu Reeves
💬 Realidade como simulação.
🥚 Baudrillard escondido no código.

4️⃣ Wreck-It Ralph (2012)

🇧🇷 Detona Ralph
🎭 John C. Reilly
💬 Personagens sabem que são jogo.
🥚 Arcade é personagem.

5️⃣ Free Guy (2021)

🇧🇷 Free Guy: Assumindo o Controle
🎭 Ryan Reynolds
💬 NPC acorda.
🤫 Bug vira herói.

6️⃣ Avalon (2001)

🇧🇷 Avalon
🎭 Małgorzata Foremniak
💬 Jogo militar e existencial.
🥚 Filosofia japonesa pesada.

7️⃣ Existenz (1999)

🇧🇷 eXistenZ
🎭 Jude Law
💬 Jogo orgânico, desconfortável.
🤫 Cronenberg trollando gamers.

8️⃣ Gamer (2009)

🇧🇷 Gamer
🎭 Gerard Butler
💬 Humanos controlados como avatares.
🥚 Crítica social explícita.

9️⃣ Sword Art Online: Ordinal Scale (2017)

🇧🇷 SAO – Ordinal Scale
🎭 Vozes originais
💬 VR + AR + trauma.
🤫 Anime entende melhor o OASIS.

🔟 Summer Wars (2009)

🇧🇷 Summer Wars
🎭 Anime
💬 Rede social vira campo de batalha.
🥚 Família vs sistema.


1️⃣1️⃣ Alita: Battle Angel (2019)

🇧🇷 Alita
🎭 Rosa Salazar
💬 Identidade, upgrades, memória.
🤫 RPG cyberpunk disfarçado.

1️⃣2️⃣ Scott Pilgrim vs The World (2010)

🇧🇷 Scott Pilgrim Contra o Mundo
🎭 Michael Cera
💬 Vida como videogame.
🥚 HUD emocional.

1️⃣3️⃣ Ready Player One (2018)

🇧🇷 Jogador Nº 1
🎭 Tye Sheridan
💬 O manual visual do livro.
🤫 Pause sempre.

1️⃣4️⃣ The Lawnmower Man (1992)

🇧🇷 O Passageiro do Futuro
🎭 Pierce Brosnan
💬 VR pré-histórica.
🥚 CGI jurássico, ideia visionária.

1️⃣5️⃣ Johnny Mnemonic (1995)

🇧🇷 Johnny Mnemonic
🎭 Keanu Reeves
💬 Dados na cabeça.
🤫 William Gibson puro.

1️⃣6️⃣ Hackers (1995)

🇧🇷 Hackers
🎭 Angelina Jolie
💬 Hacker como pop star.
🥚 Moda cyberpunk exagerada.

1️⃣7️⃣ Ghost in the Shell (1995)

🇧🇷 A Fantasma do Futuro
🎭 Anime
💬 Identidade digital.
🤫 Influenciou Matrix.

1️⃣8️⃣ Her (2013)

🇧🇷 Ela
🎭 Joaquin Phoenix
💬 Relação com sistema.
🥚 Solidão high-tech.

1️⃣9️⃣ The Thirteenth Floor (1999)

🇧🇷 O 13º Andar
🎭 Craig Bierko
💬 Simulação dentro da simulação.
🤫 Mainframe inception.

2️⃣0️⃣ Blade Runner (1982)

🇧🇷 Blade Runner
🎭 Harrison Ford
💬 O que é real?
🥚 Base filosófica do cyberpunk.


🖥️ Comentário final Bellacosa:
Se Jogador Nº 1 é o front-end colorido, essa lista é o backend legado que sustenta tudo. Assista com olhar de operador:
todo sistema conta a história de quem o criou.


terça-feira, 4 de janeiro de 2022

🛡️ IBM Z Resiliency : Por que o mainframe foi feito para não cair — e o mundo digital ainda corre atrás

 


🛡️ IBM Z Resiliency

Por que o mainframe foi feito para não cair — e o mundo digital ainda corre atrás

“Downtime não é um incidente técnico. É um evento de negócio.”

No mundo atual, onde uma falha de segundos vira trending topic e uma indisponibilidade de minutos custa milhões, resiliência deixou de ser luxo e virou sobrevivência.
E é exatamente aqui que o IBM Z entra em cena — não como moda, mas como engenharia.

Este artigo nasce do conteúdo do curso IBM Z Resiliency, mas vai além: traduz conceitos, conecta história, provoca reflexão e mostra por que o mainframe continua sendo o porto seguro do digital.




☕ O que é Resiliência — e por que não é só “alta disponibilidade”

Muita gente confunde resiliência com uptime.
Mas uptime é métrica. Resiliência é comportamento.

Um sistema resiliente:

  • Falha (porque tudo falha)

  • Se adapta

  • Se recupera rápido

  • E, muitas vezes, falha sem que o usuário perceba

📌 No IBM Z, o objetivo não é evitar a falha a qualquer custo — é garantir que ela não vire um problema de negócio.


💥 Quando o sistema cai, o negócio cai junto

Downtime não afeta só TI. Ele afeta:

  • 💳 Transações não realizadas

  • 🏦 Operações financeiras interrompidas

  • ⚖️ Penalidades regulatórias

  • 😡 Clientes que não voltam

E no mundo digital:

  • 99,9% não é “excelente”

  • 99,99% é o mínimo aceitável

  • 99,999% (five nines) é onde o IBM Z opera por padrão

👉 Five nines significa menos de 5 minutos de indisponibilidade por ano.
Não é marketing. É engenharia.


📊 Como se mede disponibilidade (e por que isso importa)

A conta é simples:

Disponibilidade = (Tempo total – Downtime) / Tempo total

Mas a interpretação não é.

Porque uma hora fora do ar:

  • Às 3h da manhã ≠

  • Às 11h de uma segunda-feira bancária

📢 Resiliência não é quanto tempo você ficou fora — é o impacto que isso causou.


🧱 RAS: o DNA do IBM Z

Quando falamos de IBM Z, falamos de RAS:

🔧 Reliability (Confiabilidade)

  • Componentes redundantes

  • Correção automática de erros

  • Falhas detectadas antes de virarem incidentes

📌 Há casos reais em que o cliente nunca soube que um componente falhou.


⏱ Availability (Disponibilidade)

  • Substituição de peças com sistema ligado

  • Workloads realocados automaticamente

  • Sysplex mascarando falhas de LPAR ou CPC

📢 No mundo distribuído, reiniciar é normal.
No mainframe, é exceção.


🛠 Serviceability (Manutenibilidade)

  • Diagnóstico preciso

  • Call Home automático

  • Menos tempo para resolver, menos impacto

👉 O IBM Z foi feito para ser consertado em produção.


🌍 Modelos de Resiliência no IBM Z

Nem todo ambiente precisa do mesmo nível de proteção. Por isso existem modelos de resiliência.

1️⃣ Sistema único resiliente

  • Um IBM Z

  • Forte uso de RAS

  • Recuperação rápida

✔️ Simples
❌ Sem proteção contra desastre físico


2️⃣ Alta disponibilidade local

  • Sysplex

  • Múltiplos LPARs

  • Failover quase invisível

✔️ Excelente para ambientes críticos
❌ Ainda preso a um único site


3️⃣ Resiliência geográfica (GDPS)

  • Sites separados

  • Replicação de dados

  • Failover automatizado

✔️ Proteção real contra desastre
✔️ RTO extremamente baixo
💰 Investimento maior, mas justificado


4️⃣ Disponibilidade contínua

  • Zero downtime percebido

  • Automação total

  • Planejamento extremo

📢 Aqui não se fala em “se cair”, mas em “quando cair, ninguém percebe”.


🧠 Planejar Resiliência é mais do que comprar hardware

Um erro clássico: achar que resiliência se compra.

Ela se projeta.

Princípios fundamentais:

✔️ Falhas são normais
✔️ RTO e RPO bem definidos
✔️ Automação acima de intervenção manual
✔️ Testes frequentes de DR
✔️ Pessoas treinadas e processos claros

📌 Plano de desastre não testado é ficção técnica.


🧩 O diferencial do IBM Z

O IBM Z não é resiliente por acaso.

Ele nasceu em uma época em que:

  • Sistemas não podiam cair

  • Transações não podiam ser perdidas

  • Clientes não aceitavam erro

Enquanto muitos ambientes ainda tentam alcançar resiliência com camadas de software, o mainframe nasceu resiliente.


🎯 Conclusão – Resiliência não é moda. É sobrevivência.

No fim do dia, a pergunta não é:

“Meu sistema vai falhar?”

Mas sim:

“O que acontece quando ele falhar?”

No IBM Z, a resposta é simples:

O negócio continua.

☕💻 Isso é resiliência. Isso é mainframe.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

🧠 Ferramentas para Análise de Código COBOL Legado no IBM Mainframe

 

🧠 Ferramentas para Análise de Código COBOL Legado no IBM Mainframe

Regra de ouro: no mainframe moderno, 80% do trabalho é entender o que já existe antes de mudar uma linha sequer.




🔎 1. IBM Code Review for COBOL (z/OS & IDz)

🎯 Finalidade

Análise estática de código COBOL baseada em regras configuráveis.

🛠 O que detecta

Exatamente as regras que você listou (e mais):

  • Código inacessível (Unreachable Code)

  • EVALUATE sem WHEN OTHER

  • PERFORM potencialmente recursivo

  • Violação de intervalo PERFORM

  • GO TO não estruturado

  • Uso inadequado de EXIT

  • ALTER (👻 proibidão moderno)

  • ACCEPT FROM CONSOLE / SYSIN / SYSIPT

  • STOP RUN

  • Escopos implícitos e terminadores opcionais

  • Parágrafos vazios

  • Múltiplos verbos na mesma linha

  • NEXT SENTENCE suspeito

  • CONTINUE mal utilizado

📌 Ponto forte:
Excelente para ambientes regulados, auditoria, padronização e hardening de código legado.

📎 Documentação oficial:
IBM Docs – Code Review for COBOL Rules


🧰 2. IBM Developer for z/OS (IDz)

🎯 Finalidade

IDE moderna para desenvolvimento e análise de código existente.

🛠 Recursos-chave

  • Navegação de código legado

  • Call Hierarchy (quem chama quem)

  • Data Flow Analysis

  • Impact Analysis

  • Syntax Check avançado

  • Integração com Git / RTC

  • Integração direta com Code Review for COBOL

📌 Ponto forte:
Transforma o “monolito obscuro” em algo navegável e compreensível.

🧠 Easter egg Bellacosa:
IDz é o “ISPF com esteroides, café gourmet e DevOps”.


🧬 3. IBM Application Discovery & Delivery Intelligence (ADDI)

🎯 Finalidade

Raio-X completo do legado

🛠 O que faz

  • Mapeia dependências entre:

    • Programas COBOL

    • Copybooks

    • JCL

    • DB2

    • CICS

    • VSAM

  • Gera diagramas automáticos

  • Análise de impacto de mudanças

  • Identifica código morto

  • Classifica aplicações por risco

📌 Ponto forte:
Ideal antes de modernização, refactoring ou migração.

🔥 Uso típico:

“Se eu mexer nesse campo, o que quebra no banco inteiro?”


🧪 4. IBM Debug Tool for z/OS

🎯 Finalidade

Análise dinâmica (runtime).

🛠 Recursos

  • Debug passo a passo

  • Inspeção de variáveis

  • Breakpoints condicionais

  • Debug em batch, CICS e IMS

  • Análise de loops e PERFORMs suspeitos

📌 Ponto forte:
Quando o código parece correto, mas explode em produção.

🧨 Bellacosa mode:
“Quando o dump mente, o Debug Tool fala a verdade.”


📊 5. Fault Analyzer for z/OS

🎯 Finalidade

Análise pós-falha (dump analysis).

🛠 O que entrega

  • Dumps estruturados

  • Análise de corrupção de memória

  • Identificação de variáveis problemáticas

  • Histórico de falhas

  • Integração com IDz

📌 Ponto forte:
Essencial para legado crítico 24x7.


📐 6. IBM Application Performance Analyzer (APA)

🎯 Finalidade

Entender performance do código legado.

🛠 Mede

  • Hotspots de CPU

  • I/O excessivo

  • Loops ineficientes

  • Uso de tabelas e ODO

  • Gargalos históricos

📌 Ponto forte:
Antes de “otimizar no chute”.


🔁 7. IBM Migration Utility for z/OS

🎯 Finalidade

Análise para migração e modernização.

🛠 Usado para

  • Identificar incompatibilidades

  • Preparar código para novos compiladores

  • Migrar ambientes antigos

  • Avaliar riscos técnicos

📌 Ponto forte:
Preparação técnica antes de mexer em décadas de história.


🧠 8. Ferramentas Clássicas (não subestime!)

🟢 ISPF

  • SRCHFOR

  • CHANGE

  • BROWSE

  • COMPARE

🟢 SDSF

  • Dumps

  • Jobs históricos

  • Outputs de teste

🟢 Abend-AID (quando disponível)

  • Análise visual de dumps

  • Navegação estruturada

📌 Ponto forte:
Ferramentas simples, mas insubstituíveis no dia a dia.


🧭 Como tudo isso se conecta (visão prática)

EtapaFerramenta
Entender o sistemaADDI
Ler e navegar códigoIDz
Padronizar e revisarCode Review for COBOL
Testar e depurarDebug Tool
Analisar falhasFault Analyzer
Melhorar performanceAPA
Planejar modernizaçãoMigration Utility



🧠 Conclusão Bellacosa

COBOL não sobreviveu por sorte.
Ele sobreviveu porque aprendeu a conviver com ferramentas modernas.

Trabalhar com código legado não é retrabalho — é engenharia de precisão, e essas ferramentas são o seu kit de sobrevivência.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

💉 2021: O Ano das Vacinas e das Conspirações

 


💉 2021: O Ano das Vacinas e das Conspirações

Por ElJefe — Crônicas do Pós-Caos para Padawans


Padawan, bem-vindo à segunda temporada do reality show mais caro da história da humanidade:
“Planeta Terra — a luta contra o invisível (parte II)”.
Depois do terror de 2020, chegou 2021, o ano em que o mundo quis acreditar que tudo voltaria ao normal.
Mas — spoiler alert — o normal já era.


⚔️ A Guerra das Agulhas

A palavra mágica do ano: vacina.
Pfizer, AstraZeneca, Coronavac, Moderna, Janssen — nomes que pareciam times de Fórmula 1, mas eram, na verdade, as grandes armas da humanidade.

Países começaram a disputar doses como se fossem ouro digital.
Alguns estocaram, outros mendigaram.
E no meio disso tudo, cada ser humano do planeta virou especialista em imunologia de WhatsApp.

— “Essa dá reação?”
— “E a eficácia?”
— “Mistura dá superpoder?”

Padawan, era o caos com bula.


🧠 O Exército das Teorias

Enquanto a ciência suava nos laboratórios, o Exército da Desinformação marchava firme pelas redes sociais.
De repente, tínhamos “médicos” de Facebook, “pesquisadores” de TikTok e “cientistas” de grupo de família.

Vacina tinha chip.
Máscara causava hipoxia.
Bill Gates queria te rastrear.
E a Terra? — ainda plana, claro.

ElJefe observava tudo com um café na mão e um suspiro no peito:

“A ignorância também é contagiosa, padawan — e o antivírus é o conhecimento.”




🕶️ O Mundo com Máscara (Ainda)

Mesmo com as vacinas, as variantes apareceram — Alpha, Delta, Ômicron.
Parecia um crossover de Pokémon com Resident Evil.
E o mundo descobriu que o vírus também sabia fazer update.

Trabalhar remoto virou padrão, as escolas tentaram se adaptar, e os tapetes vermelhos das premiações voltaram… mas com testagem e álcool em gel.
Era um mundo meio online, meio real, 100% confuso.


🏛️ Política, Polarização e Pandemia

2021 foi também o ano em que o vírus virou arma política.
Governos brigavam por narrativas, influenciadores vendiam pílulas mágicas, e a sociedade se dividia entre “vacinados” e “livres pensadores”.
O diálogo morreu, substituído por threads no Twitter e textões no Facebook.

Mas havia resistência: grupos de médicos, professores e cientistas que, mesmo exaustos, continuaram a lutar pela verdade.
E foi graças a eles que, pouco a pouco, o medo começou a perder força.


🌈 Os Primeiros Raios de Esperança

Lá pelo meio do ano, algo mudou:
As filas de vacinação começaram a andar, os gráficos de contágio começaram a cair, e o mundo voltou a sorrir — mesmo que por trás das máscaras.

As pessoas voltaram às ruas, os abraços voltaram a acontecer (ainda tímidos), e os sonhos começaram a ser reescritos.
A humanidade, ferida, mas resiliente, lembrava o que era viver.


☕ Epílogo de ElJefe

2021 foi o ano do antídoto, mas também da reflexão.
Descobrimos que a cura não vem só da seringa — vem da empatia, da paciência e do discernimento.

O vírus revelou não apenas nossa vulnerabilidade biológica, mas nossa fragilidade emocional e social.
E quando o pó baixou, restou a pergunta:

“Depois de tanto isolamento… ainda sabemos ser humanos?”

Padawan, 2021 ensinou que a ciência salva corpos,
mas a verdade e o amor salvam civilizações.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Brasil 2021: quando o sistema continuou em modo degradação e a esperança virou dependência externa

 

Restrospectiva

Brasil 2021: quando o sistema continuou em modo degradação e a esperança virou dependência externa

Meu oitavo ano pós-retorno ao Brasil foi 2021. Um ano estranho, pesado, psicológico. Se 2020 tinha sido o impacto bruto, 2021 foi a fase mais cruel dos sistemas críticos: quando tudo continua funcionando, mas já sem energia, sem alegria, sem certeza de que vale a pena manter o serviço no ar.

Quem já operou mainframe sabe: depois do desastre, vem o período mais perigoso — o da exaustão.

Economia: o sistema ligado no gerador

A economia em 2021 não colapsou de vez, mas também não se recuperou. Ela funcionava como hospital em blecaute, sustentada por geradores improvisados. Auxílios menores, inflação mais visível, comida cara, energia cara, tudo caro — menos o trabalho humano.

Para quem viveu na Europa, o contraste seguia doloroso. Lá, a discussão era como reconstruir. Aqui, ainda era como sobreviver. O dinheiro perdeu valor simbólico rápido demais. Planejamento virou luxo. O brasileiro passou a operar em janelas curtíssimas de futuro.

O sistema econômico estava tecnicamente ativo, mas já sem SLA humano aceitável.

Vacina: a esperança como external dependency

A vacina virou a maior esperança coletiva que vivi desde que voltei. Não como política pública, mas como dependência externa. Algo que vinha de fora. Algo que não estava sob nosso controle.

Era como aguardar um patch crítico desenvolvido por outro time, em outro país, enquanto o sistema local segue instável.

A esperança existia, mas vinha acompanhada de ansiedade, atraso, disputa, ruído. Cada dose aplicada era quase um commit manual, comemorado como vitória pessoal. Nunca vi um país torcer tanto por logística.

Lockdown: quando o isolamento vira corrosão

O lockdown em 2021 já não era novidade — era desgaste. O corpo aguentou menos. A mente, muito menos. O confinamento deixou de ser proteção e virou corrosão silenciosa.

Casas ficaram menores. Problemas ficaram maiores. Silêncios ficaram mais longos. Para quem tinha vivido anos na Europa, com cultura de espaço privado e saúde mental mais discutida, foi evidente: o Brasil não estava preparado emocionalmente para isolamento prolongado.

O país inteiro rodava em loop infinito.

Saúde mental: o subsistema ignorado entrou em colapso

2021 foi o ano em que a saúde mental deixou de ser tabu e virou emergência. Ansiedade, depressão, surtos, crises existenciais, colapsos emocionais. Vi gente forte quebrar. Vi gente frágil desaparecer.

O problema é que o sistema não tinha módulo de suporte. Psicologia ainda era luxo. Terapia ainda era privilégio. Descanso ainda era visto como fraqueza.

Em termos de mainframe: o sistema principal seguia rodando, mas o subsistema humano estava completamente fora de especificação.

Sociedade: normalizando a loucura

O mais assustador de 2021 foi a normalização da loucura. Pessoas em crise viraram paisagem. Ataques de raiva, choro público, rupturas familiares, surtos silenciosos.

O país inteiro parecia operar em modo estresse máximo. Qualquer input errado gerava reação exagerada. Pequenas discordâncias viravam conflitos. Pequenos atrasos viravam explosões.

O tecido social estava fino demais.

Cultura: sobrevivendo em baixa voltagem

Culturalmente, 2021 foi um ano de baixa voltagem. Pouca criação, muita repetição. Lives, conteúdos reciclados, nostalgia como anestesia. O Brasil passou a olhar para trás porque olhar para frente doía demais.

A arte não morreu — mas ficou cansada. Produzir virou esforço hercúleo. Sentir virou peso.

População: viva, mas ferida

O brasileiro de 2021 estava vivo — e isso já era muito. Mas ferido. Mentalmente, emocionalmente, financeiramente. O sorriso seguia ali, mas mais raro. A piada, mais defensiva. A esperança, condicionada.

Vi solidariedade real. Vi ajuda espontânea. Vi também egoísmo cru. Crises prolongadas não revelam o melhor — revelam tudo.

Oitavo ano pós-retorno: sem romantismo algum

Em 2021, acabou qualquer romantização definitiva. Nem do Brasil, nem da Europa, nem de mim mesmo. O mundo inteiro estava quebrado, mas cada país à sua maneira. O Brasil sofria mais porque já vinha sofrendo antes.

Eu já não comparava modelos. Comparava danos.

Epílogo: a lição mais silenciosa

2021 ensinou uma lição que nenhum manual técnico gosta de registrar:
sistemas não quebram apenas por falhas técnicas — quebram por exaustão humana.

O Brasil de 2021 não precisava só de vacina.
Precisava de descanso.
De cuidado.
De silêncio.
De tempo.

E todo operador veterano de mainframe sabe:
se você não desliga o sistema para manutenção programada,
ele desliga sozinho —
e geralmente da pior forma possível.

2021 terminou com esperança, sim.
Mas era uma esperança cansada.
Uma esperança que só pedia uma coisa simples:
que o sistema parasse de doer.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

🎄「日本のクリスマス」– O Natal no Japão: amor, bolo e frango frito🎄

 


🎄 El Jefe | Bellacosa Mainframe apresenta:

「日本のクリスマス」– O Natal no Japão: amor, bolo e frango frito

☕ Um feriado sem feriado, mas com muito coração


Enquanto o mundo ocidental se reúne em torno de lareiras, presépios e panetones, o Japão… faz fila no KFC 🍗 e reserva mesas em restaurantes chiques para encontros românticos.
Sim, meu caro leitor: o Natal japonês é uma obra-prima da reinvenção cultural, um fork da tradição ocidental com commits de fofura, marketing e amor em alta resolução.




🎅 Origens: quando o Papai Noel chegou de navio

O Japão conheceu o Natal no século XVI, quando missionários portugueses e espanhóis trouxeram o cristianismo e suas celebrações.
Mas com o fechamento do país durante o período Edo (1603–1868), a prática foi banida — o Natal sumiu dos logs.

Somente após a Restauração Meiji, com a abertura ao Ocidente, é que o espírito natalino voltou, sem religião, mas com decoração.
Lojas de Tóquio começaram a exibir vitrines iluminadas, e o Papai Noel se tornou símbolo de alegria e prosperidade — um personagem “shinto-friendly” que cabia bem no código cultural japonês.



🍰 Natal à moda japonesa: doce, leve e romântico

O Natal no Japão não é feriado nacional, mas é uma das datas mais kawaii (fofas) do calendário.
É celebrado na noite de 24 de dezembro, e o foco não é família — é romance.

Casais marcam jantares, trocam presentes e veem as luzes de inverno (イルミネーション).
🎁 Amigos trocam doces e lembrancinhas simples.
🎄 Famílias fazem jantares modestos em casa, mas sempre com dois itens obrigatórios:

🍗 Frango frito — graças a uma das campanhas de marketing mais lendárias da história do Japão.
Nos anos 1970, a KFC lançou o slogan “Kentucky for Christmas!”, e o país inteiro acreditou.
Hoje, reservar um balde de frango para o Natal é tão sério quanto comprar ingresso para o Comiket.

🍰 Bolo de Natal japonês — leve, fofo, coberto de chantilly e morangos.
Símbolo de pureza e felicidade, ele é praticamente o JCL do amor natalino: simples, bonito e sem erro de sintaxe.


🕯️ Curiosidades dignas de Bellacosa

  • 🎅 O Japão tem Natal, mas não tem feriado. O dia 25 é um dia normal de trabalho — mas as luzes continuam piscando.

  • 🍓 O Christmas Cake é tão icônico que o termo virou gíria cruel para mulheres solteiras acima de 25 — “bolo de Natal que passou do dia 25”. (Felizmente, a expressão caiu em desuso.)

  • 🕊️ Muitos templos budistas realizam concertos de sinos na virada para o Ano Novo, misturando o Natal com rituais de purificação.

  • 💡 O país investe pesado em iluminações de inverno (Winter Illuminations) — um espetáculo de LED digno de mainframe em modo gráfico.


💕 Fofoquices saídas das luzes de Tóquio

Em 1980, uma pesquisa mostrou que metade dos japoneses acreditava que o Natal era o aniversário do “Papai Noel”.
Já nos anos 2000, empresas começaram a criar pacotes de hotéis “Christmas Lovers Special” — com jantares, champanhe e vista para a Tokyo Tower iluminada.
Resultado? O Natal virou o Valentine’s Day de dezembro.

Ah, e há quem diga que muitos casais terminam logo depois — quando o “romance de Natal” expira, tipo um JOB com time-out. 😅


📺 O Natal japonês nos animes

🎄 “Tokyo Godfathers” – um dos filmes mais bonitos sobre humanidade, redenção e milagre natalino nas ruas de Tóquio.
🎁 “Toradora!” – episódio natalino clássico, com drama adolescente e luzes piscando em sincronia com corações confusos.
🍓 “Love Hina Christmas Special” – a busca por amor e confissões sob o céu de dezembro.
🎅 “K-On!” e “Cardcaptor Sakura” – mostram a fofura das festas escolares e as luzes que tornam o Natal japonês um espetáculo visual.
🎆 “Amagami SS” – transformou o Natal em evento de confissões românticas e beijos sob a neve.


💡 Dica Bellacosa Mainframe

Se quiser celebrar como um verdadeiro japonês de alma geek:

  1. Compre frango frito 🍗 (pode ser KFC, mas o air fryer também compila).

  2. Faça um bolo com morangos 🍰.

  3. Acenda luzes de LED no monitor.

  4. E envie uma mensagem:

    DISPLAY "Merry Kurisumasu, from SYSJPN!" RETURN CODE = 0000

🎅 Conclusão

O Natal no Japão não fala de religião — fala de sentimento.
É sobre pequenos gestos, luzes artificiais que aquecem corações reais, e sobre como um povo pode reescrever um feriado inteiro em sua própria linguagem.

Porque no fim das contas, seja em Tóquio ou no TSO, o que importa é o mesmo comando:
PERFORM LOVE UNTIL FOREVER.


🎄 Bellacosa Mainframe – onde até o Papai Noel usa JCL para entregar presentes.
Post do blog El Jefe, edição especial de Natal japonês.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

🌑 A solidão na estrada, rumo ao adeus

 


🌑 A solidão na estrada, rumo ao adeus

(Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe)

No dia 20 de dezembro de 2021, a morte de meu pai ainda era uma notícia em suspenso, um pressentimento que pairava no ar como um fio de fumaça.


Mas o que realmente me feriu naquele dia não foi a morte em si — foi a reação da pessoa que deveria estar ao meu lado.

Minha namorada, na época, se chateou.
Disse que a perda do meu pai, tão próxima ao aniversário dela, era uma infelicidade, que “estragava a data”, que “marcaria para sempre aquele dia”.
Ouvi, em silêncio, tentando entender como a morte de um pai poderia ser tratada como um contratempo de calendário.
Ali percebi, com uma clareza quase cruel, o quanto estava sozinho — mesmo acompanhado.

Peguei o ônibus, naquela longa viagem rumo ao féretro e encarei os 300 quilômetros entre Campinas e Taubaté. Pensando num ciclo que terminaria ali, o adeus definitivo a Taubaté




A viagem prosseguiu com a alma em pedaços, tentando costurar o pensamento ao som do motor, sentindo o peso invisível da ausência. As inúmeras paradas pelo caminho, o chacoalhar do ônibus, as lembranças das primeiras idas ao Quiririm, ainda na década de 70. Pensando como a vida mudou e algumas coisas ficaram paradas no tempo.

Ao mesmo tempo, procurando não pensar no que ficou em Campinas, em tantos falatorios e por fim, tão pouca ação. Pensei que talvez ela pudesse ter vindo comigo — não por obrigação, mas por reciprocidade.


Afinal, eu mesmo já estivera ao seu lado em despedidas, em enterros de conhecidos dela, em momentos onde só a presença importava.

Mas dessa vez, não.



Dessa vez, era eu, o volante, a estrada e o eco das minhas próprias lembranças.

A cada quilômetro, crescia uma certeza amarga:
em muitas das minhas dores, sempre estive só.
E talvez essa solidão tenha sido o verdadeiro luto que começou naquele dia —
não o da morte do meu pai, mas o da ilusão de companhia.



Cheguei a Taubaté com o coração já em meio luto.
O silêncio da estrada parecia me preparar para o silêncio final que viria no dia seguinte.
Aquela viagem foi, no fundo, o velório antecipado —
do meu pai, da relação, e de uma parte minha que ainda acreditava que amor e presença eram sinônimos.