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quarta-feira, 28 de junho de 2023

💋 O que é o Delivery Health (Deriheru)

 


💋 O que é o Delivery Health (Deriheru)

🔹 1. Origem do nome

Nos anos 1980, com o aumento dos controles sobre os soaplands, muitos empresários buscaram uma alternativa legal.
A ideia era simples:

“Se o cliente não vem ao prazer, o prazer vai até o cliente.”

Para contornar a lei, registraram os negócios como “massagem domiciliar de saúde” — daí o nome Delivery Health.
O “health” é um eufemismo para “prazer físico”.




🔹 2. Como funciona

  • O cliente escolhe uma atendente por site, catálogo ou aplicativo.

  • Faz uma reserva e indica um local (geralmente hotel).

  • A profissional vai até o local e oferece massagens e outros serviços sensuais.

  • Sexo completo é oficialmente proibido — mas na prática, muitos “extras” são negociados pessoalmente.

O pagamento inclui:

  • Taxa da agência (geralmente 60–120 minutos).

  • Transporte da atendente.

  • Eventuais “opções extras” (roupas, fetiches, tipo de atendimento etc.).


🔹 3. Legalidade

O deriheru opera dentro da lei, pois:

  • Não possui local fixo de atendimento (evita registro como prostíbulo).

  • Oferece “massagem relaxante” e não “sexo explícito”.

⚠️ Porém:

  • Qualquer ato sexual explícito não pode ser contratado oficialmente — se houver, é considerado “acordo pessoal”.

  • Exploração, tráfico, coerção ou atendimento de menores são crimes severos.

A polícia local fiscaliza as agências, exigindo registro e comprovação de idade das funcionárias.


🔹 4. Tipos de Deriheru

O mercado é enorme e dividido por nichos:

TipoDescrição
Standard DeriheruAtendentes comuns, catálogo online, preços médios.
High-Class DeriheruMulheres modelo, empresárias ou ex-hostesses; clientes VIP.
JK Deriheru (ilegal)Fantasia de “colegial” — amplamente perseguido pela polícia.
Mature DeriheruMulheres mais velhas, público masculino 40+.
Cosplay DeriheruAtendentes fantasiadas (enfermeira, policial, anime, etc.).
SM DeriheruFetiches e dominação, mas dentro de limites de segurança.

🔹 5. Cultura e curiosidades

  • 💻 O deriheru é uma indústria digitalizada — com sites que exibem fotos, perfis, avaliações e rankings.

  • 🌸 Muitas atendentes se apresentam com nomes artísticos e estilos de comunicação “fofos” (kawaii).

  • 💬 Algumas agências permitem conversas prévias por LINE (mensageiro japonês), o que cria laços emocionais.

  • 🏮 Há áreas específicas em Tóquio conhecidas por isso — como Ikebukuro e Gotanda.

  • 📸 Alguns mangás e dramas japoneses retratam esse universo, como Shinjuku Swan (sobre recrutadores de fūzoku).


🔹 6. Por que é tão popular?

  • Mais discreto que soapland.

  • Mais prático — o cliente não precisa se deslocar para um bairro de prazer.

  • Mais acessível financeiramente.

  • Permite variedade e anonimato.

Mas também há críticas sociais:

  • Muitos veem o deriheru como um símbolo da solidão moderna japonesa — prazer rápido, sem vínculo emocional.

  • Algumas mulheres usam o trabalho como fonte paralela de renda, especialmente universitárias.


🎭 Conclusão

O Deriheru é a versão moderna do Yoshiwara portátil:
um serviço que adapta o prazer japonês à vida urbana e digital, equilibrando legalidade, sigilo e fantasia.

É uma parte essencial da cultura fūzoku — discreta, codificada e incrivelmente organizada.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

JSON no COBOL Mainframe : O Guia Definitivo para um Programador Padawan Entender Como o IBM Z Conversa com o Mundo Moderno

 

Bellacosa Mainframe e o json no cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

JSON no COBOL Mainframe

O Guia Definitivo para um Programador Padawan Entender Como o IBM Z Conversa com o Mundo Moderno

"O COBOL nunca teve dificuldade em processar dados. O desafio sempre foi aprender novos idiomas. JSON é apenas mais um idioma."


Introdução

Durante décadas, o mundo Mainframe conversou utilizando formatos extremamente bem definidos.

Arquivos VSAM.

Registros fixos.

Copybooks.

Layouts COBOL.

MQ.

CICS COMMAREA.

IMS.

Tudo extremamente organizado.

Enquanto isso, o restante do mercado passou a utilizar um formato muito mais simples para troca de informações:

JSON (JavaScript Object Notation).

Hoje praticamente toda API REST utiliza JSON.

Aplicativos móveis.

Sites.

Microsserviços.

Open Banking.

Pix.

Cloud.

Inteligência Artificial.

ChatGPT.

IBM watsonx.

Todos utilizam JSON.

E é justamente por isso que um programador COBOL moderno precisa dominar este formato.

A boa notícia?

Desde o Enterprise COBOL V6, a IBM adicionou suporte nativo através dos comandos:

  • JSON PARSE

  • JSON GENERATE

Sem bibliotecas externas.

Sem escrever um parser manual.

Sem sofrimento.


O que é JSON?

JSON é simplesmente uma forma de representar dados usando pares:

nome : valor

Exemplo:

{
   "cliente": "João",
   "idade": 35,
   "saldo": 1250.75,
   "ativo": true
}

Perceba que ele lembra um registro COBOL.

No COBOL escreveríamos:

01 CLIENTE.
   05 NOME        PIC X(30).
   05 IDADE       PIC 9(3).
   05 SALDO       PIC 9(7)V99.
   05 ATIVO       PIC X.

A diferença é apenas o formato.


JSON x Copybook

Um copybook descreve campos.

JSON descreve informações.

Copybook:

05 NOME PIC X(30).

JSON

"nome":"Maria"

A IBM simplesmente faz o mapeamento entre ambos.


Estrutura básica

Um objeto:

{
   "nome":"Maria",
   "idade":28
}

Um vetor

{
   "telefones":[
      "1111",
      "2222"
   ]
}

Objeto dentro de objeto

{
   "cliente":{
      "nome":"Carlos",
      "cidade":"São Paulo"
   }
}

Tudo isso pode ser representado em COBOL.


Como declarar no COBOL

01 WS-CLIENTE.

   05 WS-NOME          PIC X(30).
   05 WS-IDADE         PIC 999.
   05 WS-SALDO         PIC 9(7)V99.
   05 WS-ATIVO         PIC X.

Agora um campo contendo o JSON.

01 WS-JSON.

   05 WS-DADOS PIC X(5000).

Este será o buffer utilizado para leitura ou gravação.


Lendo JSON

Imagine receber:

{
   "nome":"Luke",
   "idade":22,
   "saldo":1500.50,
   "ativo":"S"
}

Basta executar:

JSON PARSE WS-DADOS
     INTO WS-CLIENTE
END-JSON

Pronto.

A IBM faz todo o trabalho.

Após isso:

WS-NOME = LUKE

WS-IDADE = 22

WS-SALDO = 1500.50

WS-ATIVO = S

Sem IF.

Sem UNSTRING.

Sem parser.


Programa exemplo de leitura

IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. JSONREAD.

DATA DIVISION.

WORKING-STORAGE SECTION.

01 WS-JSON.
   05 WS-DADOS PIC X(500).

01 WS-CLIENTE.
   05 WS-NOME PIC X(30).
   05 WS-IDADE PIC 999.
   05 WS-SALDO PIC 9(7)V99.
   05 WS-ATIVO PIC X.

PROCEDURE DIVISION.

MOVE
'{"nome":"Luke","idade":22,"saldo":1500.50,"ativo":"S"}'
TO WS-DADOS

JSON PARSE WS-DADOS
    INTO WS-CLIENTE
END-JSON

DISPLAY WS-NOME
DISPLAY WS-IDADE
DISPLAY WS-SALDO
DISPLAY WS-ATIVO

STOP RUN.

Como funciona internamente

O parser da IBM:

  1. lê caractere por caractere

  2. identifica as chaves

  3. procura o campo correspondente

  4. converte texto para número

  5. grava nas variáveis COBOL

Tudo automaticamente.


Gravando JSON

O caminho inverso também existe.

Suponha:

MOVE "ANA" TO WS-NOME

MOVE 30 TO WS-IDADE

MOVE 999.99 TO WS-SALDO

MOVE "S" TO WS-ATIVO

Agora:

JSON GENERATE WS-DADOS
    FROM WS-CLIENTE
END-JSON

Resultado:

{
   "nome":"ANA",
   "idade":30,
   "saldo":999.99,
   "ativo":"S"
}

Programa exemplo de geração

IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. JSONWRITE.

DATA DIVISION.

WORKING-STORAGE SECTION.

01 WS-DADOS PIC X(1000).

01 WS-CLIENTE.

   05 WS-NOME PIC X(30).
   05 WS-IDADE PIC 999.
   05 WS-SALDO PIC 9(7)V99.
   05 WS-ATIVO PIC X.

PROCEDURE DIVISION.

MOVE "ANA" TO WS-NOME

MOVE 30 TO WS-IDADE

MOVE 1500.75 TO WS-SALDO

MOVE "S" TO WS-ATIVO

JSON GENERATE WS-DADOS
    FROM WS-CLIENTE
END-JSON

DISPLAY WS-DADOS

STOP RUN.

Gravando em arquivo

Após gerar o JSON basta gravá-lo normalmente.

WRITE REGISTRO-SAIDA

ou

STRING

WS-DADOS

DELIMITED BY SIZE

INTO REGISTRO

END-STRING

WRITE REGISTRO

Pode ser salvo em:

  • Sequential File

  • VSAM ESDS

  • UNIX USS

  • MQ

  • FTP

  • API REST

  • Kafka

  • IBM MQ

  • z/OS Connect


Tratando erros

Nunca assuma que o JSON está correto.

Utilize:

JSON PARSE
...
ON EXCEPTION

DISPLAY "JSON INVALIDO"

NOT ON EXCEPTION

DISPLAY "SUCESSO"

END-JSON

Isso evita que dados inválidos sejam processados.


Exemplo completo

JSON PARSE WS-DADOS

INTO WS-CLIENTE

ON EXCEPTION

MOVE "ERRO" TO WS-STATUS

NOT ON EXCEPTION

MOVE "OK" TO WS-STATUS

END-JSON

Arrays

JSON

{
 "produtos":[
   "Mouse",
   "Teclado",
   "Monitor"
 ]
}

COBOL

05 PRODUTO OCCURS 10 TIMES.

   10 NOME PIC X(30).

A IBM faz o relacionamento automaticamente quando os nomes e a estrutura são compatíveis.


Objetos aninhados

JSON

{
 "cliente":{
   "nome":"Carlos",
   "cidade":"Campinas"
 }
}

COBOL

01 CLIENTE.

   05 DADOS.

      10 NOME PIC X(30).

      10 CIDADE PIC X(20).

Valores opcionais

Nem sempre todos os campos existirão.

Exemplo

{
   "nome":"Pedro"
}

Sem idade.

Sem saldo.

Os campos COBOL permanecerão com seus valores iniciais (SPACES, ZEROS ou VALUE), por isso é importante inicializar a estrutura antes do JSON PARSE, geralmente com:

INITIALIZE WS-CLIENTE

Campos numéricos

Muito cuidado.

JSON

"idade":"ABC"

Jamais poderá alimentar

PIC 999

O parser gerará exceção.


Decimais

JSON

123.45

COBOL

PIC 9(5)V99

O ponto decimal é interpretado automaticamente conforme as regras do compilador e da representação numérica.


Booleanos

JSON

true
false

COBOL não possui um tipo booleano tradicional.

Uma prática comum é utilizar:

05 ATIVO PIC X.
   88 CLIENTE-ATIVO VALUE "S".
   88 CLIENTE-INATIVO VALUE "N".

Ou mapear para indicadores específicos conforme o padrão da aplicação.


Controle de tamanho

Um erro comum dos iniciantes.

Criar

PIC X(100)

para um JSON de

500 caracteres.

Resultado?

Truncamento.

Sempre dimensione com folga ou utilize áreas compatíveis com o tamanho esperado.


Performance

O parser da IBM é extremamente eficiente.

Mesmo assim:

  • Evite gerar JSON gigantescos.

  • Não faça PARSE repetidamente da mesma informação.

  • Reutilize áreas de trabalho.

  • Inicialize apenas quando necessário.

  • Evite cópias desnecessárias do buffer.


Armadilhas

Nomes diferentes

JSON

customerName

COBOL

CLIENTE-NOME

Não haverá correspondência automática sem mecanismos de mapeamento.


Campos obrigatórios

Nem sempre existirão.

Sempre valide.


Tipos incompatíveis

Número enviado como texto.

Texto enviado como número.

Boolean enviado como string.

São causas clássicas de erro.


Caracteres especiais

JSON utiliza UTF-8 com frequência.

Aplicações tradicionais em z/OS podem utilizar EBCDIC.

Em integrações, pode ser necessário converter a codificação antes do JSON PARSE ou após o JSON GENERATE.


Riscos

Os maiores riscos não estão no JSON.

Estão nos dados.

Por exemplo:

  • JSON malformado.

  • Dados incompletos.

  • Campos inesperados.

  • Tamanho excessivo.

  • Conteúdo malicioso.

  • Falhas de conversão de caracteres.

  • Exposição de informações sensíveis em logs.

Valide sempre a entrada e registre apenas o necessário.


Vantagens

Utilizar JSON no Mainframe oferece inúmeras vantagens:

  • integração simples com APIs REST;

  • comunicação natural com aplicações Java, .NET, Python e Node.js;

  • suporte a microsserviços;

  • facilidade de integração com nuvem;

  • menor necessidade de conversões proprietárias;

  • manutenção mais simples;

  • suporte nativo do Enterprise COBOL;

  • excelente desempenho quando comparado a parsers desenvolvidos manualmente.


Onde ele é utilizado?

Hoje praticamente em todos os projetos modernos.

  • Open Banking

  • PIX

  • Internet Banking

  • Aplicativos Mobile

  • APIs REST

  • IBM z/OS Connect

  • IBM API Connect

  • IBM MQ

  • Kafka

  • Cloud

  • Inteligência Artificial

  • IBM watsonx

  • Integrações híbridas entre IBM Z e plataformas distribuídas


Boas práticas

Um Padawan COBOL deve criar alguns hábitos desde o primeiro dia:

  • Inicialize as estruturas antes do processamento (INITIALIZE).

  • Utilize ON EXCEPTION e trate todos os erros.

  • Dimensione corretamente o buffer JSON.

  • Valide obrigatoriedade e formato dos campos.

  • Documente o layout esperado.

  • Mantenha os nomes consistentes entre JSON e estrutura COBOL sempre que possível.

  • Evite expor informações confidenciais em arquivos de log.

  • Teste com JSONs válidos, inválidos, incompletos e com dados extremos.


Conclusão

Durante muito tempo existiu o mito de que o Mainframe "não falava JSON". Isso deixou de ser verdade há anos. O Enterprise COBOL trouxe comandos nativos que simplificam enormemente a leitura e a geração desse formato, permitindo que aplicações escritas há décadas conversem com APIs modernas, serviços em nuvem, aplicações móveis e plataformas de Inteligência Artificial.

Para um Programador Padawan, aprender JSON significa abrir uma porta para o futuro sem abandonar os fundamentos que fazem do COBOL uma das linguagens mais confiáveis do mundo. Quem domina registros, copybooks e validação de dados aprenderá JSON rapidamente. A diferença está apenas na forma de representar a informação.

O verdadeiro desafio não é escrever JSON PARSE ou JSON GENERATE. É compreender a estrutura dos dados, validar corretamente o conteúdo recebido, tratar exceções, garantir compatibilidade de tipos e proteger informações sensíveis. Esses princípios sempre fizeram parte do desenvolvimento em Mainframe e continuam válidos na era das APIs.

No fim das contas, JSON não substitui o COBOL. Ele amplia sua capacidade de comunicação. E um IBM Z que conversa com o mundo moderno continua fazendo aquilo que sempre fez melhor: processar dados com segurança, desempenho e confiabilidade.


domingo, 25 de junho de 2023

A Ditadura da Beleza Digital nas Redes Sociais

 

Bellacosa Mainframe e a ditadura da beleza digital

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Ditadura da Beleza Digital

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Algoritmos, Psicologia, Sociologia e Como a Economia da Atenção Está Reescrevendo os Padrões de Beleza do Século XXI

"O algoritmo não olha para o espelho. Ele olha para as métricas. E, ao fazer isso, acaba amplificando aquilo que nós mesmos escolhemos enxergar."


Introdução

Existe uma pergunta aparentemente simples, mas profundamente desconfortável.

Por que quase não existem pessoas "comuns" nas redes sociais?

Abra o Instagram.

Role alguns minutos.

Você verá:

  • corpos extremamente definidos;

  • rostos praticamente sem imperfeições;

  • dentes impecáveis;

  • peles sem marcas;

  • viagens paradisíacas;

  • roupas de luxo;

  • casas cinematográficas;

  • casais aparentemente perfeitos.

É coincidência?

É manipulação?

É culpa da Inteligência Artificial?

Ou sempre fomos atraídos por determinados padrões de beleza, e agora os algoritmos apenas potencializaram esse comportamento?

A resposta talvez seja uma mistura de tudo isso.

Estamos vivendo uma transformação inédita na história da humanidade.

Pela primeira vez, bilhões de pessoas disputam atenção em um ambiente onde visibilidade pode ser convertida diretamente em dinheiro.

E, nessa nova economia, a aparência deixou de ser apenas uma característica física.

Ela tornou-se um ativo econômico.


O Algoritmo Não Ama a Beleza

Existe uma ideia muito difundida de que o Instagram, TikTok ou outras plataformas "preferem pessoas bonitas".

Tecnicamente isso não é correto.

O algoritmo não possui gosto estético.

Ele não acorda pensando:

"Hoje vou mostrar pessoas loiras."

Ele faz algo muito mais simples.

Aprende.

E aprende observando bilhões de interações humanas.

Se milhões de usuários:

  • param mais tempo diante de determinado rosto;

  • curtem mais determinado tipo de corpo;

  • compartilham determinadas imagens;

  • comentam determinados vídeos;

o algoritmo interpreta isso como um sinal estatístico.

Não existe julgamento moral.

Existe otimização matemática.

O objetivo é simples:

maximizar atenção.


A Atenção Vale Mais do Que Ouro

Na Economia da Atenção, o recurso mais escasso deixou de ser informação.

É atenção.

Cada segundo que permanecemos olhando para uma tela pode gerar receita publicitária.

Isso cria um incentivo poderoso.

Mostrar aquilo que mais prende nossos olhos.

Independentemente do motivo.

Admiração.

Desejo.

Curiosidade.

Inveja.

Indignação.

Tudo isso aumenta engajamento.


A Engenharia da Aparência

Ao longo dos últimos anos surgiu uma verdadeira indústria dedicada à otimização da aparência.

Ela reúne:

  • fotografia profissional;

  • iluminação;

  • maquiagem;

  • harmonização facial;

  • cirurgia plástica;

  • personal trainer;

  • nutricionistas;

  • filtros;

  • edição por IA;

  • retoques digitais.

O resultado é uma realidade visual extremamente distante da vida cotidiana.

Mesmo pessoas consideradas muito bonitas frequentemente publicam versões cuidadosamente produzidas de si mesmas.

Comparar-se com essas imagens é como comparar um ambiente de produção perfeitamente monitorado com um laboratório cheio de testes.


O Efeito Halo

Em 1920, Edward Thorndike descreveu um fenômeno psicológico conhecido como Halo Effect.

Quando percebemos alguém como atraente, tendemos a atribuir automaticamente outras características positivas.

Inteligente.

Competente.

Honesta.

Gentil.

Bem-sucedida.

Mesmo sem qualquer evidência.

Esse viés continua sendo observado em inúmeras pesquisas.

E ajuda a explicar por que rostos considerados atraentes frequentemente recebem mais atenção, confiança e oportunidades.


Beauty Premium

Economistas utilizam a expressão Beauty Premium.

Ela descreve a vantagem econômica frequentemente associada à atratividade percebida.

Pesquisas encontraram associações entre aparência física e:

  • salários mais altos;

  • maiores chances de contratação;

  • promoções;

  • melhores avaliações;

  • maior influência em determinados mercados.

Isso não significa que beleza determine competência.

Significa que seres humanos frequentemente misturam aparência e julgamento.

O algoritmo apenas amplifica esse comportamento.


Existe Uma Ditadura da Beleza?

A palavra "ditadura" provoca impacto.

Ela transmite a sensação de imposição.

Sob certo aspecto, essa metáfora faz sentido.

Milhões de pessoas são expostas diariamente aos mesmos padrões visuais.

Mas existe um paradoxo importante.

Ninguém obriga alguém a clicar.

Ninguém obriga alguém a compartilhar.

Ninguém obriga alguém a seguir influenciadores.

O algoritmo aprende justamente aquilo que nós escolhemos consumir.

Nesse sentido, talvez vivamos menos uma ditadura tecnológica e mais uma retroalimentação entre comportamento humano, interesses econômicos e sistemas algorítmicos.


Leon Festinger e a Comparação Social

Leon Festinger demonstrou que seres humanos constroem parte de sua identidade comparando-se com outras pessoas.

Esse mecanismo fazia sentido em pequenas comunidades.

Hoje, porém, nossa comparação tornou-se global.

Antes comparávamos nossa casa com a do vizinho.

Hoje com mansões em Beverly Hills.

Antes comparávamos nosso corpo com colegas da escola.

Hoje com modelos, atletas, atores e influenciadores cuidadosamente editados.

A régua tornou-se praticamente inalcançável.


Privação Relativa

A sociologia chama esse fenômeno de Privação Relativa.

Não nos sentimos pobres apenas pelo que temos.

Sentimo-nos pobres pelo que vemos.

Uma pessoa pode viver melhor que seus pais e, ainda assim, sentir fracasso ao comparar sua vida com o feed de celebridades.

Nunca tivemos tantos recursos.

Mas talvez nunca tenhamos sentido tanta insuficiência.


Pierre Bourdieu e o Capital Estético

Pierre Bourdieu mostrou que riqueza não se resume ao dinheiro.

Existe capital:

  • econômico;

  • cultural;

  • social;

  • simbólico.

Na sociedade digital, muitos pesquisadores acrescentam outro elemento.

O capital estético.

Uma aparência valorizada pode abrir portas para:

  • contratos;

  • publicidade;

  • seguidores;

  • convites;

  • influência;

  • renda.

O corpo passa a funcionar como um investimento.


O Corpo Como Produto

Na lógica das plataformas, a imagem tornou-se uma vitrine.

Isso transforma o próprio corpo em uma espécie de produto.

Não basta viver.

É preciso parecer viver bem.

Não basta viajar.

É preciso registrar.

Não basta treinar.

É preciso publicar.

Não basta comer.

É preciso fotografar.

O cotidiano converte-se em marketing pessoal.


Guy Debord Estava Certo?

Em 1967, Guy Debord publicou A Sociedade do Espetáculo.

Sua principal tese era que a representação passaria a substituir a experiência.

Décadas depois, essa previsão parece assustadoramente atual.

Vivemos para experimentar?

Ou experimentamos para publicar?

O espetáculo deixou de acontecer apenas na televisão.

Agora cabe no bolso.


Byung-Chul Han e a Sociedade do Desempenho

O filósofo Byung-Chul Han afirma que deixamos de viver sob uma sociedade disciplinar para viver em uma sociedade do desempenho.

Não somos apenas consumidores.

Somos empreendedores de nós mesmos.

Cada perfil funciona como uma pequena empresa.

Cada fotografia representa marketing.

Cada postagem torna-se publicidade pessoal.

A beleza converte-se em investimento.


Zygmunt Bauman

Bauman descreveu uma modernidade líquida.

Tudo muda rapidamente.

Tendências duram semanas.

Padrões estéticos também.

O resultado é insegurança permanente.

Nunca parece suficiente.

Sempre existe uma nova referência.


Existe Um Padrão Racial?

Este é um dos temas mais delicados.

Diversos estudos mostram que, historicamente, publicidade, cinema e moda privilegiaram determinados padrões eurocêntricos.

Ao mesmo tempo, as redes ampliaram a visibilidade de influenciadores negros, asiáticos, indígenas, latinos e de inúmeras outras identidades antes pouco representadas.

As duas afirmações podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

Ainda existem assimetrias de representação.

Mas também existe maior diversidade do que em décadas anteriores.

O cenário é dinâmico e varia conforme país, plataforma e nicho.


O Lookism

Existe inclusive um termo para discriminação baseada na aparência.

Lookism.

Assim como preconceitos relacionados a gênero, raça ou idade, pesquisadores discutem até que ponto a aparência influencia oportunidades sociais.

Em entrevistas de emprego.

Na escola.

Na política.

Nas redes sociais.

A aparência pode funcionar como vantagem inicial, embora não explique sozinha resultados de longo prazo.


A Inteligência Artificial Também Aprende Preconceitos?

Infelizmente, sim.

Modelos de IA são treinados com grandes volumes de dados produzidos por seres humanos.

Se esses dados refletem desigualdades históricas, a IA pode reproduzir parte desses vieses.

Por isso surgiram áreas como:

  • AI Fairness;

  • Responsible AI;

  • Explainable AI;

  • Algorithmic Accountability.

O objetivo é tornar sistemas mais transparentes e reduzir discriminações injustificadas.


O Grande Paradoxo

As mesmas redes sociais que ampliam padrões estéticos também criaram movimentos como:

  • Body Positivity;

  • Body Neutrality;

  • Moda Inclusiva;

  • Diversidade Étnica;

  • Inclusão de Pessoas com Deficiência;

  • Valorização do Envelhecimento.

Nunca houve tanta pressão estética.

Mas também nunca existiu tanto espaço para contestá-la.

O algoritmo distribui ambos.

Quem decide qual ganhará força somos nós, coletivamente.


A Psicologia da Inveja Silenciosa

Poucas emoções são tão mal compreendidas quanto a inveja.

Ela raramente aparece como ódio explícito.

Normalmente surge como sensação de inadequação.

"Por que minha pele não é assim?"

"Por que meu corpo não parece aquele?"

"Por que minha vida não é tão interessante?"

Essas perguntas corroem lentamente a autoestima.

Não porque sejam verdadeiras.

Mas porque a comparação é injusta.

Estamos comparando nossa realidade cotidiana com conteúdos cuidadosamente produzidos.


O Custo Invisível

A pressão estética possui consequências reais.

Ansiedade.

Depressão.

Transtornos alimentares.

Uso indiscriminado de procedimentos estéticos.

Endividamento.

Baixa autoestima.

Dependência de validação digital.

Especialistas em saúde mental alertam que esses problemas são multifatoriais — família, cultura, personalidade e contexto também influenciam —, mas a exposição contínua a padrões idealizados pode contribuir para agravá-los em parte da população.


O Que Podemos Fazer?

Não existe solução simples.

Mas existem caminhos.

Como indivíduos:

  • seguir perfis diversos;

  • compreender como funcionam os algoritmos;

  • limitar comparações;

  • reduzir tempo de exposição;

  • desenvolver pensamento crítico.

Como plataformas:

  • investir em transparência;

  • pesquisar vieses algorítmicos;

  • ampliar diversidade de recomendações.

Como educadores:

  • ensinar alfabetização midiática;

  • discutir autoestima digital;

  • mostrar que popularidade não equivale a valor humano.

Como sociedade:

  • reconhecer diferentes formas de beleza;

  • valorizar competência acima da aparência;

  • estimular ambientes digitais mais inclusivos.


O Que Todo Programador Mainframe Pode Ensinar

Quem trabalha com IBM Z sabe que um sistema crítico não pode ser avaliado apenas pela interface.

O que realmente importa está nos bastidores.

Arquitetura.

Confiabilidade.

Segurança.

Governança.

Desempenho.

Talvez devêssemos olhar para as pessoas da mesma forma.

A interface gráfica nunca contou toda a história.


Conclusão

Talvez a pergunta mais importante não seja:

"O algoritmo favorece pessoas bonitas?"

Talvez seja:

"O que nós ensinamos ao algoritmo a valorizar?"

Os algoritmos não nasceram admirando determinados rostos, corpos ou estilos de vida.

Eles aprenderam observando bilhões de pequenas decisões humanas.

Cada curtida.

Cada compartilhamento.

Cada segundo de atenção.

Cada clique.

No fim, a chamada "ditadura da beleza" não é apenas tecnológica. Ela é também cultural, econômica e psicológica. As plataformas aceleram tendências, os mercados lucram com elas e nós, muitas vezes sem perceber, ajudamos a reforçá-las.

Mas há uma boa notícia.

Se fomos capazes de ensinar máquinas a amplificar certos padrões, também somos capazes de ensinar uma nova geração de algoritmos — e principalmente uma nova geração de pessoas — a valorizar diversidade, autenticidade e competência.

Porque nenhuma Inteligência Artificial decide, sozinha, o que significa ser belo.

Essa decisão continua sendo humana.

E talvez essa seja a responsabilidade mais importante da sociedade digital do século XXI.


sábado, 24 de junho de 2023

IEBPTPCH: Como um Padawan COBOL Pode Enxergar os Segredos dos Data Sets do IBM Z Sem Invocar IDCAMS, ISPF ou Magia Negra

 

Bellacosa Mainframe e o iebptpch para analise de copybooks

☕ O Holocron do IEBPTPCH

Como um Padawan COBOL Pode Enxergar os Segredos dos Data Sets do IBM Z Sem Invocar IDCAMS, ISPF ou Magia Negra

"O Mainframe nunca escondeu seus segredos. Apenas esperava que alguém tivesse paciência suficiente para imprimir seus antigos holocrons."

— Bellacosa Mainframe

Introdução – O dia em que o Padawan encontrou um artefato esquecido

Todo programador COBOL passa por algumas iniciações obrigatórias.

Primeiro aprende a editar no ISPF.

Depois descobre o SDSF.

Em seguida entende que JCL não é exatamente uma linguagem, mas uma espécie de contrato legal escrito por advogados intergalácticos.

E então chega um dia estranho.

Seu Tech Lead aparece.

Pergunta:

— Bellacosa Jr., consegue verificar o conteúdo do copybook ACCOUNT-COMMON sem abrir o ISPF?

Você responde:

— Posso fazer um Browse...

Ele sorri.

— Não.

— Quero um spool.

— Quero evidência.

— Quero auditoria.

— Quero algo que funcione igual em 1985, 2005 e 2026.

Nesse momento surge um pequeno utilitário.

Pequeno.

Discreto.

Quase esquecido.

Chamado IEBPTPCH.

E ele provavelmente estava instalado no seu sistema antes mesmo de você nascer.


Afinal, o que é o IEBPTPCH?

IEBPTPCH é um dos utilitários clássicos do z/OS.

Seu nome vem de uma época em que desenvolvedores utilizavam cartões perfurados.

IBM Extended Basic Punch Utility

O nome ficou.

Os cartões morreram.

Mas o utilitário continua vivo.

Sua missão é extremamente simples:

Visualizar dados sem alterá-los.

Ele funciona como um scanner arqueológico.

Abre.

Lê.

Imprime.

Exporta.

Documenta.

Mas não modifica.

É quase um modo READ ONLY elevado ao estado zen.


Por que ele ainda existe?

Porque empresas grandes amam evidências.

Bancos.

Seguradoras.

Governo.

Bolsa de Valores.

Data Centers.

Auditores não gostam de ouvir:

"Confia em mim."

Eles gostam de receber:

PDF

Spool

Relatórios

Listagens

Evidências históricas

IEBPTPCH nasceu para isso.


O grande poder do utilitário

Ele consegue trabalhar com:

Dataset sequencial

PS


Biblioteca particionada

PDS

PDSE


Vários datasets concatenados

ARQ1

ARQ2

ARQ3

Tudo junto.


Membros específicos

COPYBOOKS

COBOL

JCL

PROC


Anatomia do Job

Passo 1

EXEC

//STEP01 EXEC PGM=IEBPTPCH

Nada de parâmetros.

Nada complicado.


Passo 2

SYSUT1

Entrada.

É o Holocron.

Dataset origem.

//SYSUT1 DD DSN=BANK.COPYLIB,
// DISP=SHR

Passo 3

SYSUT2

Destino.

Geralmente spool.

//SYSUT2 DD SYSOUT=*

Pode ser arquivo também.


Passo 4

SYSPRINT

Mensagens.

Diagnóstico.

//SYSPRINT DD SYSOUT=*

Passo 5

SYSIN

Comandos.

//SYSIN DD *
PRINT TYPORG=PO
/*

Fim.

Literalmente.

Acabou.

O utilitário já está funcionando.


Entendendo o TYPORG

Esse parâmetro derruba muitos padawans.

TYPORG=PO

Partitioned Organization

PDS

PDSE

Exemplo:

PRINT TYPORG=PO

TYPORG=PS

Sequential

Arquivo sequencial.

Exemplo:

PRINT TYPORG=PS

Laboratório 1 — Imprimindo um programa COBOL

Suponha:

BELLA.COBOL.SOURCE

Possui:

PGMCLIENT

Nosso objetivo:

Visualizar.

Imprimir.

Documentar.

Sem editar.


JCL

//PRINT01 EXEC PGM=IEBPTPCH

//SYSUT1 DD DSN=BELLA.COBOL.SOURCE,
/// DISP=SHR

//SYSUT2 DD SYSOUT=*

//SYSPRINT DD SYSOUT=*

//SYSIN DD *

PRINT MEMBER=PGMCLIENT,
      TYPORG=PO

/*

Resultado:

IDENTIFICATION DIVISION.

PROGRAM-ID. PGMCLIENT.

DATA DIVISION.

WORKING-STORAGE SECTION.

Tudo vai para spool.

Pode virar PDF.

Enviar email.

Arquivar.

Git.

Wiki.

Confluence.

RAG.

LLM.


Laboratório 2 — Copybook perdido

Situação real.

Padawan recebe erro:

IGYDS1089-E

Copybook não encontrado.

Ele suspeita.

Existe um copybook chamado:

CLIENTE

Mas não sabe.

Executa:

PRINT MEMBER=CLIENTE,
      TYPORG=PO

Descobre:

05 CPF PIC 9(11).

05 NOME PIC X(50).

Mistério resolvido.


Laboratório 3 — Dataset Sequencial

Arquivo:

BANK.CLIENT.FILE

Conteúdo:

000001JOSE
000002MARIA
000003ANA

JCL:

PRINT TYPORG=PS

Saída:

000001JOSE

000002MARIA

000003ANA

Simples.

Elegante.

Funciona desde o System/370.


Laboratório 4 — Concatenando datasets

Algo muito utilizado.

Exemplo:

//SYSUT1 DD DSN=FILE01,
// DISP=SHR

// DD DSN=FILE02,
// DISP=SHR

// DD DSN=FILE03,
// DISP=SHR

IEBPTPCH processa tudo.

Como se fosse um único arquivo.

Excelente para auditorias.


Easter Egg Nº 1

Pouca gente sabe.

O nome PUNCH não desapareceu.

Existe ainda.

PUNCH TYPORG=PO

Originalmente produzia cartões perfurados.

Hoje gera saída textual.

É um pequeno fóssil tecnológico preservado dentro do z/OS.


Easter Egg Nº 2

Em vários bancos brasileiros o IEBPTPCH ainda é usado por equipes SOX.

Motivo?

Auditores adoram spool.

Spool possui:

Timestamp

Classe

Owner

Jobname

Número do Job

Histórico

É praticamente uma cadeia de custódia digital.


Easter Egg Nº 3

Muitos pipelines modernos de IA podem usar IEBPTPCH.

Arquitetura:

PDS

↓

IEBPTPCH

↓

TXT

↓

Chunking

↓

Embedding

↓

Vector DB

↓

RAG

↓

Agente COBOL

Sim.

Um utilitário criado na década de 1960 pode alimentar agentes de IA em 2026.

Existe certa poesia nisso.


Comparação com outros utilitários

UtilitárioFaz o quê
IEBPTPCHVisualiza
IEBGENERCopia
IEBCOPYManipula PDS
IDCAMSVSAM
DFSORTOrdena
ISPF BrowseVisualiza
SDSFConsulta spool

Dicas de veterano Bellacosa Mainframe

Dica 1

Nunca faça EDIT apenas para olhar.

Use Browse.

Ou IEBPTPCH.


Dica 2

Quer documentação automática?

IEBPTPCH.

Spool.

PDF.

Git.

IA.


Dica 3

Quer descobrir rapidamente o que existe numa biblioteca antiga?

IEBPTPCH.


Dica 4

Em ambientes regulados, produzir evidência vale ouro.

IEBPTPCH é praticamente um gerador oficial de evidências.


O que um Padawan COBOL deve aprender com isso?

O erro comum dos iniciantes é imaginar que dominar Mainframe significa conhecer apenas COBOL, DB2 e CICS.

Não.

O verdadeiro Jedi do IBM Z entende que o ecossistema é formado por centenas de pequenos holocrons tecnológicos acumulados ao longo de mais de sessenta anos de engenharia.

IEBPTPCH é um deles.

Ele não possui interface web.

Não oferece API REST.

Não conversa diretamente com ChatGPT.

Não tem dashboard em React.

Mas continua fazendo algo extraordinariamente importante:

Permitir observar, compreender e preservar conhecimento corporativo armazenado em datasets do z/OS de forma simples, segura e praticamente imutável.

E talvez seja exatamente isso que diferencia um simples programador COBOL de um Mestre Bellacosa Mainframe: entender que, antes de modernizar sistemas, conectar APIs ou alimentar agentes de IA, é preciso primeiro abrir os antigos holocrons do datacenter e aprender a escutar o que eles ainda têm a ensinar.


sexta-feira, 23 de junho de 2023

🎮☕🔥 SHANGRI-LA FRONTIER: O MAINFRAME DOS MMORPGs — POR QUE O MELHOR ANIME DE JOGOS DA DÉCADA É SOBRE UM CARA VICIADO EM SISTEMAS QUEBRADOS?

 

Bellacosa Mainframe apresenta o doido passaro azul de Shangri-la Frontier essa mascara é froids

🎮☕🔥 SHANGRI-LA FRONTIER: O MAINFRAME DOS MMORPGs — POR QUE O MELHOR ANIME DE JOGOS DA DÉCADA É SOBRE UM CARA VICIADO EM SISTEMAS QUEBRADOS?

Quando um caçador de bugs entra no jogo perfeito... e descobre que o verdadeiro inimigo é o próprio sistema.

Se você trabalha com Mainframe, DevOps, Programação, Engenharia de Sistemas ou simplesmente gosta de entender como coisas complexas funcionam, existe uma grande chance de você se identificar mais com Shangri-La Frontier do que imagina.

À primeira vista parece apenas mais um anime sobre realidade virtual.

Mas por trás da ação existe algo muito mais interessante:

Uma história sobre exploração, aprendizado, engenharia reversa, adaptação e domínio de sistemas complexos.

Ou seja...

Praticamente a vida de um SYSprog.


📚 Ficha Técnica

Título Original

シャングリラ・フロンティア
(Shangri-La Frontier: Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su)

Tradução aproximada:

"O Caçador de Jogos Ruins Desafia o Jogo Divino"

Só esse subtítulo já explica toda a proposta.


Autor

✍️ Katarina

Inicialmente publicada como Web Novel em 2017.


Mangá

🎨 Arte:

Ryosuke Fuji

Publicado pela Kodansha.


Anime

🎬 Estúdio:

C2C

Mesmo estúdio responsável por:

  • Tsukimichi

  • Wandering Witch

  • Harukana Receive


Estreia

📅 Outubro de 2023


Episódios

Temporada 1

25 episódios

Temporada 2

25 episódios

Total atual

✅ 50 episódios

Temporada 3

🔥 Confirmada


🎯 Classificação e Gênero

Gêneros

  • Ação

  • Aventura

  • Fantasia

  • VRMMORPG

  • Ficção Científica

  • Comédia


Faixa Etária

Normalmente classificado como:

Teen / 13+


🌎 O Que é Shangri-La Frontier?

Imagine uma mistura de:

  • Sword Art Online

  • Monster Hunter

  • Dark Souls

  • Final Fantasy XIV

Misture tudo.

Agora retire:

  • drama exagerado

  • romance excessivo

  • protagonista invencível

E coloque:

  • estratégia

  • exploração

  • descoberta

Resultado?

Shangri-La Frontier.


🧠 O Conceito Genial

O protagonista não é um herói.

Ele não é escolhido.

Não possui poder secreto.

Não recebeu bênção divina.

Não renasceu em outro mundo.

Ele apenas tem uma habilidade extremamente rara:

Jogar jogos horríveis.


☕ A Filosofia do Kusoge

"Kusoge" significa:

Jogo ruim.

Mas não apenas ruim.

Ruim de verdade.

Daqueles que:

  • possuem bugs absurdos

  • controles terríveis

  • balanceamento quebrado

  • interfaces horríveis

Rakuro passa anos jogando esse tipo de jogo.


💡 A Grande Mensagem Oculta

O anime faz uma crítica muito interessante:

A dificuldade gera competência.

Enquanto outros jogadores cresceram em ambientes perfeitos...

Sunraku cresceu no caos.


☕ Analogia Mainframe

Imagine dois profissionais.

O primeiro:

  • trabalhou somente em ambientes modernos

O segundo:

  • enfrentou COBOL antigo

  • dumps

  • loops infinitos

  • JES2 travado

  • CICS congelado

  • JCL sem documentação

Quem sobrevive melhor ao desastre?

Exatamente.

O segundo.

Esse é o Sunraku.


🐦 Sunraku

Nome real:

Rakuro Hizutome


Características

  • extremamente observador

  • aprende padrões rapidamente

  • especialista em adaptação


Curiosidade

A máscara de pássaro tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos do anime.

Ela funciona quase como um avatar de anonimato digital.


⚔️ Arthur Pencilgon

Uma das personagens mais populares.


O que representa?

Caos controlado.

Ela é o tipo de jogador que:

  • explora sistemas

  • manipula eventos

  • encontra brechas


🔫 Oikatzo

Representa o jogador técnico.

Aquele que:

  • otimiza builds

  • analisa estatísticas

  • maximiza eficiência


🐺 Lycagon

Aqui encontramos um dos maiores símbolos do anime.


O que Lycagon realmente representa?

Na superfície:

Um boss lendário.

Mas em nível narrativo:

Representa o desconhecido.


☕ Analogia Bellacosa

Todo profissional possui um Lycagon.

Aquele problema que:

  • ninguém entende

  • ninguém resolveu

  • ninguém documentou

Mas que muda sua carreira para sempre.


🎮 O Diferencial Que Faz Shangri-La Frontier Brilhar

Muitos animes de MMORPG seguem a fórmula:

Entrar no jogo
↓
Ganhar poder
↓
Virar deus

Shangri-La Frontier segue outra:

Entrar no jogo
↓
Cometer erros
↓
Aprender
↓
Adaptar
↓
Sobreviver
↓
Evoluir

Essa diferença é enorme.


🌎 O Mundo do Jogo

O universo de Shangri-La Frontier parece um MMORPG real.

Possui:

  • lore consistente

  • ecossistema vivo

  • eventos raros

  • conteúdo oculto


🧩 Easter Eggs

O anime possui diversas inspirações.

Dark Souls

  • aprendizado por tentativa e erro

  • bosses brutais


Monster Hunter

  • observação de comportamento

  • estudo de padrões


MMORPGs clássicos

  • EverQuest

  • Final Fantasy XI

  • Ragnarok Online

  • Ultima Online


🧠 As Mensagens Ocultas

Muitos espectadores assistem apenas pela ação.

Mas existem mensagens interessantes.


1. O fracasso possui valor

O protagonista só se torna excepcional porque falhou milhares de vezes.


2. Conhecimento supera poder

Sunraku raramente é o mais forte.

Mas frequentemente é o mais preparado.


3. Curiosidade é uma arma

Ele avança porque explora.

Não porque segue o caminho padrão.


🎭 Houve Censura?

Não existe registro de censura significativa da obra.

O anime foi adaptado de forma bastante fiel.

As alterações observadas foram:

  • ajustes de ritmo

  • condensação de eventos

  • pequenas adaptações visuais

Nada que tenha gerado controvérsia relevante.


📈 Impacto Cultural

Shangri-La Frontier conseguiu algo raro:

Tornar MMORPG interessante novamente.

Após anos de saturação do gênero isekai, a obra mostrou que ainda era possível inovar.


Por que virou fenômeno?

Porque fala diretamente com:

  • gamers

  • programadores

  • engenheiros

  • pessoas apaixonadas por sistemas complexos


🔥 Veredito Bellacosa Mainframe

História

⭐⭐⭐⭐⭐

Personagens

⭐⭐⭐⭐⭐

Construção de Mundo

⭐⭐⭐⭐⭐

Combates

⭐⭐⭐⭐⭐

Originalidade

⭐⭐⭐⭐⭐

Reassistibilidade

⭐⭐⭐⭐⭐


☕ Conclusão Final

Shangri-La Frontier não é um anime sobre jogos.

É um anime sobre:

  • resolver problemas

  • explorar sistemas

  • aprender com falhas

  • crescer através da experiência

Por isso ele conversa tão bem com profissionais de tecnologia.

No fundo, Sunraku faz exatamente o que um bom SYSprog faz todos os dias:

Entrar em um ambiente complexo, enfrentar algo que ninguém entende, sobreviver ao caos e voltar com uma solução.

E talvez seja justamente por isso que tantos espectadores terminam o anime pensando:

"Esse cara não é um jogador..."

"...é um analista de produção disfarçado de aventureiro." ☕🔥🎮🖥️

quinta-feira, 22 de junho de 2023

🔥💣 “NO MAINFRAME EXISTE JES2… NO MUNDO FANTASY EXISTE RPG FUDOUSAN!” — O ANIME QUE TRANSFORMOU IMOBILIÁRIA EM OPERAÇÃO DE MISSÃO CRÍTICA ☕🏰🐉

 

Bellacosa Mainframe uma imobiliaria bem bacaninha RPG Fudousan

🔥💣 “NO MAINFRAME EXISTE JES2… NO MUNDO FANTASY EXISTE RPG FUDOUSAN!” — O ANIME QUE TRANSFORMOU IMOBILIÁRIA EM OPERAÇÃO DE MISSÃO CRÍTICA ☕🏰🐉

Tem anime que nasce para ser batalha.

Tem anime que nasce para ser romance.

E existe aquele tipo raríssimo de anime que pega uma ideia completamente absurda…
e faz funcionar de maneira GENIAL.

RPG Fudousan (RPG Real Estate) é exatamente isso.

Imagine um mundo pós-Rei Demônio.
A paz voltou.
Os heróis aposentaram suas espadas.
Os magos agora pagam aluguel.
Os aventureiros precisam financiar imóvel.
Os dragões procuram casas resistentes a incêndio.

E no meio desse caos burocrático medieval…
surge uma imobiliária.

Sim.

UMA IMOBILIÁRIA.

Só que ao invés de vender apartamento em Osasco…
ela vende casas para necromantes, demi-humanos, aventureiros, espíritos e criaturas mágicas.

É quase:

“TSO/ISPF encontra The Sims Fantasy Edition”.


📚 FICHA TÉCNICA — O “CADASTRO DO SISTEMA”

ItemInformação
NomeRPG Fudousan / RPG Real Estate
AutorChiyo Kenmotsu
Mangá2018 – 2023
AnimeAbril de 2022 – Junho de 2022
Episódios12
EstúdioDoga Kobo
GêneroFantasy, Slice of Life, Comedy, CGDCT
Distribuição internacionalCrunchyroll
Formato originalMangá yonkoma (4-koma)

☕ “PARECIA UM ANIME FOFO… MAS TINHA MAIS CAMADAS QUE UM JCL DE PRODUÇÃO”

Esse anime engana.

E MUITO.

Nos primeiros episódios parece apenas:

  • garotas fofinhas,

  • comédia relaxante,

  • situações absurdas,

  • fantasy slice-of-life.

Mas conforme a história avança…
o anime começa lentamente a revelar:

  • trauma,

  • medo,

  • isolamento,

  • responsabilidade,

  • e principalmente:

o peso da paz depois da guerra.

Isso é extremamente raro em animes “cute”.


🏰 A HISTÓRIA — “A ERA PÓS-REI DEMÔNIO”

O mundo venceu.

O Rei Demônio foi derrotado 15 anos antes.

Só que quase nenhum anime fala sobre:

“o que acontece DEPOIS que o herói salva o mundo?”

RPG Fudousan fala.

E isso é brilhante.

Agora existem:

  • cidades reconstruídas,

  • novos moradores,

  • migração entre reinos,

  • preconceitos raciais entre espécies,

  • e problemas imobiliários reais.

A protagonista:

✨ Kotone Kazairo

uma maga recém-formada,
entra na imobiliária RPG Fudousan procurando casa…
e descobre que na verdade aquele é seu novo emprego.

E aí começa o verdadeiro coração da obra:

ajudar pessoas a encontrarem um lugar ao qual possam chamar de lar.


💣 A GENIALIDADE ESCONDIDA DO ANIME

O anime parece simples.

Mas o conceito é MUITO mais inteligente do que parece.

Porque “procurar uma casa” no anime simboliza:

  • pertencimento,

  • aceitação,

  • identidade,

  • recomeço,

  • reconstrução pós-guerra.

Cada cliente representa um problema social disfarçado de fantasia.


🐉 OS PERSONAGENS — “OS OPERADORES DO DATA CENTER FANTASY”

✨ Kotone Kazairo

A protagonista.

Ingênua.
Gentil.
Caótica.
Curiosa.

Ela representa o “junior recém-chegado no plantão”.

Tudo é novo.
Tudo parece mágico.
Tudo parece assustador.

Kotone é literalmente o operador novo tentando entender um ambiente legado gigantesco.


🐉 Fa

O coração emocional da obra.

No começo:

  • mascote,

  • engraçada,

  • fofinha,

  • energética.

Depois:

  • tragédia,

  • solidão,

  • medo,

  • destruição.

Fa é o “sistema legado perigoso” escondido atrás de uma interface amigável.

Quando o anime revela quem ela realmente é…
o tom muda completamente.


⛪ Rufuria

A sacerdotisa elegante.

Parece apenas a “onee-san madura”.
Mas ela é a personagem mais estável emocionalmente do grupo.

Ela funciona como:

“o sysprog veterano que segura o ambiente enquanto os juniors entram em pânico”.


⚔️ Rakira

Energia pura.

Briguenta.
Impulsiva.
Barulhenta.

Mas extremamente leal.

Ela é literalmente:

“o operador que resolve incidente crítico na base do improviso”.


🎭 O GRANDE EASTER EGG DO ANIME

O anime inteiro gira em torno de:

“casas”.

Mas na verdade ele fala sobre:

pertencimento.

Quase todos os clientes:

  • estão deslocados,

  • são rejeitados,

  • têm medo,

  • não se encaixam na sociedade.

A imobiliária vira quase:

“um serviço de recuperação emocional”.

Isso é MUITO mais profundo do que parece.


☕ O ESTÚDIO DOGA KOBO — “OS MESTRES DO ANIME CONFORTÁVEL”

Doga Kobo

O estúdio é conhecido por:

  • New Game!

  • Gabriel DropOut

  • Plastic Memories

  • Oshi no Ko (temporada 1)

Eles dominam:

  • expressão facial,

  • timing cômico,

  • atmosfera aconchegante,

  • direção emocional silenciosa.

E em RPG Fudousan fizeram algo impressionante:

esconder drama pesado dentro de um anime ultrafelpudo.


🎵 A TRILHA SONORA — “PARECE CAFÉ COM AÇÚCAR… ATÉ VIR O SOCO EMOCIONAL”

A abertura:

“Make Up Life!”

é absurdamente energética e moe.

Mas o anime usa música de forma inteligente:

  • melodias leves no cotidiano,

  • silêncio em cenas emocionais,

  • trilhas melancólicas nos episódios finais.

A mudança tonal é gradual.

Quase invisível.


💣 CURIOSIDADES QUE MUITA GENTE NÃO PERCEBEU

🏰 1. O mundo é pós-trauma

O anime inteiro acontece depois de uma guerra gigantesca.
Mas a série raramente mostra isso diretamente.

Ela mostra CONSEQUÊNCIAS.

Isso é narrativa madura.


🐉 2. Fa simboliza arma nuclear viva

Sem spoilers extremos:
Fa representa medo do poder descontrolado.

Ela literalmente carrega destruição dentro dela.


☕ 3. A estética moe é propositalmente enganosa

O anime usa:

  • cores pastel,

  • personagens fofas,

  • humor leve,

para baixar sua guarda emocional.

Depois ataca.


🏘️ 4. O anime é quase uma sátira de JRPG

Os problemas imobiliários são absurdamente específicos:

  • casa resistente a magia,

  • imóvel anti-dragão,

  • aluguel para fantasmas,

  • moradia para aventureiros traumatizados.

É genial.


📀 MÍDIAS E EXPANSÃO

📚 Mangá

  • Serializado em Manga Time Kirara Carat

  • 6 volumes

  • formato 4-koma

📺 Anime

  • 12 episódios

  • produzido pela Doga Kobo

  • transmissão em 2022

🌎 Streaming



🔥 A VERDADE SOBRE RPG FUDOUSAN

Esse anime NÃO é sobre:

  • aluguel,

  • fantasia,

  • imobiliária.

É sobre:

  • encontrar lugar no mundo,

  • viver após trauma,

  • reconstrução,

  • amizade,

  • aceitação.

E faz isso escondido atrás de:

  • personagens fofinhas,

  • piadas bobas,

  • dragões,

  • e casas mágicas.

É quase como o mainframe:

por fora parece velho e simples…

por dentro sustenta o mundo inteiro.


☕ VEREDITO BELLACOSA MAINFRAME

RPG FUDOUSAN É:

  • moe inteligente,

  • fantasia confortável,

  • slice of life com profundidade,

  • worldbuilding escondido,

  • drama emocional disfarçado de comédia.

Um anime perigosamente subestimado.

Porque quem olha superficialmente vê:

“garotinhas alugando casas”.

Mas quem presta atenção percebe:

“um mundo inteiro tentando aprender a viver depois do apocalipse.” ☕🏰💣

quarta-feira, 21 de junho de 2023

🗺️ A História dos Yūkaku — O Japão do “Mundo Flutuante”

 

🗺️ A História dos Yūkaku — O Japão do “Mundo Flutuante”







🏮 Período Edo (1603–1868) — O nascimento do mundo flutuante (ukiyo)

Com o país unificado sob o xogunato Tokugawa, o Japão entra em um longo período de paz e isolamento.
A vida urbana floresce — especialmente em Edo (atual Tóquio), Kyoto e Osaka.
Mas, como toda sociedade controlada, surge a necessidade de um “escape” institucionalizado.

Assim nascem os Yūkaku (遊廓) — distritos murados e licenciados pelo governo, onde sexo, arte e espetáculo conviviam legalmente.


🎐 Os três grandes distritos licenciados

🏯 1. Yoshiwara (Edo / Tóquio)

  • Fundado em 1617.

  • O mais famoso e luxuoso de todos.

  • Tinha muros altos, portões de madeira e ruas organizadas — um “bairro dentro da cidade”.

  • As cortesãs mais famosas eram chamadas Oiran (花魁), verdadeiras celebridades.

    • Elas estudavam poesia, caligrafia, música e etiqueta.

    • Desfilavam em público com kimonos exuberantes e plataformas altíssimas (geta koma).

🪷 Curiosidades:

  • Visitá-las exigia três convites formais e altíssimo custo.

  • O bairro era descrito como “um sonho de seda e incenso”.

  • Artistas como Hokusai e Utamaro imortalizaram Yoshiwara em gravuras ukiyo-e, celebrando sua atmosfera sensual e efêmera.

🖼️ Estilo ukiyo-e: Lanternas pendendo nas ruas, o brilho do óleo nas roupas, mulheres com cabelos longos e olhos serenos — um retrato do prazer como arte.


🌸 2. Shimabara (Kyoto)

  • Fundado em 1640, próximo ao antigo palácio imperial.

  • Mais discreto, voltado à elite cultural da corte.

  • As cortesãs também eram chamadas Oiran, mas o foco era refinamento e arte, não ostentação.

  • Tornou-se o lar espiritual das geishas, que surgiram como artistas acompanhantes, não prostitutas.

🎎 Curiosidade:
O nome “Shimabara” vem de uma rebelião famosa — mas aqui significava “prazer controlado sob disciplina”.
As Oiran Dōchū (procissões de oiran) ainda são reencenadas em festivais até hoje.


🌆 3. Shinmachi (Osaka)

  • Fundado em 1640, o “bairro das flores noturnas”.

  • Famoso por misturar comércio, teatro e prazer.

  • Tinha uma vibração mais popular, voltada aos mercadores e artistas.

  • Inspirou inúmeras peças do teatro bunraku e kabuki, com tramas sobre amores trágicos entre cortesãs e clientes pobres.

🎭 Curiosidade:
As histórias de Shinmachi inspiraram a expressão “ninjō-bon” — romances sentimentais do Japão Edo.


🕯️ O Conceito de “Ukiyo” — O Mundo Flutuante

O termo ukiyo (浮世) significava originalmente “mundo de sofrimento”.
Mas durante o período Edo, ganhou novo sentido:
👉 “mundo flutuante”, o espaço efêmero onde se vive o prazer do momento — bebida, amor e arte — sem pensar no amanhã.

Os artistas ukiyo-e capturavam esse espírito em gravuras:

  • Utamaro Kitagawa — retratos femininos (bijin-ga) e cenas de Yoshiwara.

  • Hokusai — mostrou a mistura do erótico e do sagrado (shunga, arte sensual).

  • Hiroshige — retratou a vida urbana e o crepúsculo dos distritos de prazer.

🖼️ Curiosidade pictórica: Muitos ukiyo-e eram vendidos como souvenires em Yoshiwara, quase como cartões postais do “mundo dos sonhos”.


⚙️ Era Meiji (1868–1912) — O fim dos muros e o começo da modernidade

Com a abertura do Japão ao Ocidente, o governo Meiji aboliu os distritos murados em 1872, em nome da “moralidade moderna”.
Mas, na prática, as cortesãs apenas mudaram de endereço e nome.
O conceito de “geisha” ganhou força, substituindo as oiran como símbolo cultural.

⚖️ Em 1900, surgem leis de registro e controle das “mulheres de prazer” (jōrō).
A prostituição deixa de ser “institucionalizada”, mas continua socialmente aceita em áreas específicas.


💣 Pós-guerra (1945–1960) — As “panpan girls” e o renascimento do fūzoku

Durante a ocupação americana, o Japão devastado viu um boom de prostituição informal.
As chamadas “panpan girls” serviam soldados aliados — muitas por necessidade.
O governo então cria novas regras e em 1956 promulga a Lei Antiprostituição, proibindo o sexo pago direto.

Mas, novamente, o espírito ukiyo renasce — desta vez com outro nome:
👉 Fūzoku.

Soaplands, hostess clubs e delivery health são, em essência, os herdeiros diretos de Yoshiwara e Shimabara — adaptados à legalidade moderna.


🌃 Hoje — O Mundo Flutuante Digital

O ukiyo do século XXI vive online:

  • Sites e aplicativos de deriheru substituem os portões de Yoshiwara.

  • O glamour das oiran vive nas hostesses de Kabukichō.

  • Gravuras ukiyo-e renascem em forma de mangás eróticos e arte moderna.

Mesmo proibida “no papel”, a prostituição japonesa nunca desapareceu — apenas mudou de forma, mantendo o mesmo princípio do período Edo:
🩰 “O prazer como espetáculo e performance.”


🧭 Curiosidades extras

  • 🎨 O termo ukiyo-e inspirou o nome do movimento francês Japonisme, que influenciou artistas como Van Gogh e Toulouse-Lautrec.

  • 🔥 Em 1657, um incêndio destruiu o Yoshiwara original; o novo distrito foi reconstruído em uma ilha artificial — daí o nome “Shin-Yoshiwara” (“Novo Yoshiwara”).

  • 💄 A procissão das Oiran (Oiran Dōchū) ainda é recriada anualmente em Asakusa, atraindo turistas e fotógrafos de todo o mundo.

  • 🪷 A vida nas casas de prazer inspirou uma ética peculiar: “Ichigo ichie” — “um encontro, uma vida” — o prazer como momento irrepetível.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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