✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
quinta-feira, 4 de abril de 2024
IBM Tape Data Cartridge 700 GB
quarta-feira, 3 de abril de 2024
terça-feira, 2 de abril de 2024
O mundo do Mainframe nos anos cinquenta do século passado
sábado, 16 de março de 2024
🧾 JCL – Linha do Tempo Completa
🧾 JCL – Linha do Tempo Completa
Do cartão perfurado ao DevOps no z/OS
🧠 Antes do JCL (anos 1950 – início dos 60)
Contexto
-
Programas rodavam em batch puro, controlados manualmente.
-
Operadores plugavam cabos, montavam fitas, ajustavam switches.
-
Cada sistema tinha seu próprio “jeito” de rodar jobs.
📌 Problema:
Não existia uma linguagem padrão para dizer o que rodar, quando e com quais recursos.
👉 Solução da IBM: criar uma linguagem declarativa para controlar o sistema.
🟦 1964 – NASCE O JCL (OS/360)
Sistema: OS/360
Hardware: IBM System/360
Evento histórico: um único SO para toda a linha de hardware.
O que surge
-
JCL formalmente introduzido
-
Conceitos fundamentais:
-
//JOB -
//EXEC -
//DD
-
-
Sintaxe baseada em cartões perfurados
-
Colunas fixas, 80 caracteres, tolerância zero a erro
📌 Impacto
-
Pela primeira vez, o operador deixa de decidir tudo manualmente
-
O job descreve:
-
programa
-
datasets
-
dispositivos
-
prioridade
-
🧨 Easter Egg histórico
Fred Brooks (IBM) disse que JCL foi uma das linguagens mais difíceis já criadas —
mas impossível de abandonar.
🟨 1966–1971 – JCL no DOS/360 e OS/360 amadurece
Sistemas: DOS/360, OS/360 MFT/MVT
Evolução
-
Pequenas variações de JCL entre DOS e OS
-
Mais parâmetros em
DD -
Introdução de:
-
datasets temporários
-
concatenação
-
procedimentos simples
-
📌 Nota Bellacosa
Aqui nasce a primeira dor do mainframer:
👉 “Esse JCL roda no MVT mas não no DOS?”
🟧 1972–1974 – A Era do Virtual Storage (OS/VS → MVS)
Sistemas: OS/VS1, OS/VS2, depois MVS
O que muda no JCL
-
Nada quebra (compatibilidade total)
-
Mas o poder cresce:
-
mais steps
-
mais memória
-
mais jobs simultâneos
-
-
Procedures catalogadas se tornam padrão
-
JCL passa a ser infraestrutura crítica
📌 Marco invisível
O JCL deixa de ser “controle de job”
e vira linguagem de orquestração do datacenter.
🟥 Final dos anos 70 – JES2 / JES3
Subsistemas: JES2 e JES3
Evolução prática
-
JCL começa a dialogar mais com o spool
-
Controle refinado de:
-
SYSOUT
-
classes
-
prioridades
-
-
Ambientes multi-LPAR começam a surgir
🧠 Filosofia
JCL continua simples…
mas o ambiente em volta vira um monstro.
🟪 Anos 80 – Estabilidade Absoluta
Sistemas: MVS/XA, MVS/ESA
O que muda
-
Quase nada na sintaxe
-
Muitos novos parâmetros
-
JCL vira uma “linguagem fossilizada viva”
📌 Realidade
Um JCL de 1975 ainda roda.
Um COBOL também.
O estagiário não.
🟩 1995 – OS/390 (o JCL entra na era corporativa moderna)
Sistema: OS/390
Evolução
-
Consolidação:
-
MVS
-
JES
-
DFSMS
-
-
JCL passa a lidar fortemente com:
-
SMS
-
storage groups
-
políticas corporativas
-
📌 Mudança cultural
O JCL deixa de ser “do operador”
e vira ativo estratégico da empresa.
🟦 2000 – z/OS nasce (JCL entra no século XXI)
Sistema: z/OS 1.1
O que muda (sem quebrar nada)
-
Integração com:
-
Unix System Services (USS)
-
arquivos POSIX
-
-
JCL agora convive com:
-
shell scripts
-
Java
-
C/C++
-
-
Melhor controle condicional
📌 Importante
Nenhum “JCL 2.0”
Nenhuma revolução sintática
👉 só evolução silenciosa.
🟨 2005–2015 – JCL + Automação
Novidades
-
IF / THEN / ELSE / ENDIFno JCL -
Mais lógica declarativa
-
Menos dependência de retorno via utilitários externos
📌 JCL começa a pensar
Não é programação…
mas já decide caminhos.
🟧 2016–2020 – JCL encontra o DevOps
Mudanças indiretas
-
JCL versionado em Git
-
Edição em VS Code (Z Open Editor)
-
Integração com pipelines
-
JCL analisado, validado, automatizado
🧠 Paradoxo
A linguagem mais antiga do datacenter
vira parte do pipeline moderno.
🟥 2020–2025 – JCL nos z/OS atuais (2.5, 3.x)
Situação atual
-
JCL continua:
-
estável
-
retrocompatível
-
crítico
-
-
Novos parâmetros continuam surgindo
-
Integração com:
-
Zowe
-
APIs
-
observabilidade
-
automação corporativa
-
📌 Verdade absoluta
Se o JCL parar,
o banco para.
O país sente.
🧭 Linha do tempo resumida
| Ano | Sistema | Estado do JCL |
|---|---|---|
| 1964 | OS/360 | JCL nasce |
| 1974 | MVS | JCL escala |
| 1980s | MVS/XA/ESA | JCL estabiliza |
| 1995 | OS/390 | JCL corporativo |
| 2000 | z/OS | JCL moderno |
| 2010s | z/OS | JCL condicional |
| 2020s | z/OS 3.x | JCL + DevOps |
☕ Comentário final (Bellacosa Mode ON)
JCL não evoluiu para agradar desenvolvedores.
Evoluiu para não quebrar o mundo.
Enquanto linguagens vêm e vão,
o JCL permanece,
silencioso, feio, poderoso
e absolutamente indispensável.
quinta-feira, 14 de março de 2024
📜 O Retorno, Parte II — O Velho da Montanha e o Silêncio do Mundo
📜 O Retorno, Parte II — O Velho da Montanha e o Silêncio do Mundo
por El Jefe, Bellacosa Mainframe Edition
Dez anos se passaram desde o retorno.
O tempo fez o que sempre faz: apagou alguns rastros, aprofundou outros, deixou a alma com cicatrizes que só se sentem em dias de silêncio.
Cinquenta anos de idade — a curva do caminho onde o corpo desacelera, mas o pensamento ganha fôlego.
Hoje, olho pra trás e me vejo partindo em 2002, cheio de sonhos, cruzando o Atlântico com a cabeça leve e o coração aberto. O mundo parecia vasto, possível, ainda cheio de cores.
A Europa era o cenário, mas o enredo era meu.
Quando voltei, em 2014, o Brasil me pareceu um espelho embaçado.
Agora, dez anos depois, percebo que o mundo inteiro virou esse espelho — rachado, confuso, ruidoso.
Guerras, extremismos, ruínas políticas, falsos profetas de todas as ideologias.
Não existe mais aquele “lá fora” que um dia me encantou.
E o “aqui dentro” aprendeu a se defender ficando quieto.
A dorzinha ainda está aqui.
Não é grito, é suspiro.
Um incômodo discreto, desses que se sentam contigo no fim do dia e perguntam:
“Lembra de quem você era?”
Sim, lembro. E às vezes sinto falta.
Mas entre um voo e outro — Lisboa, Porto, Madrid, Paris — já aprendi que o retorno nunca mais será completo.
Hoje cruzo o oceano como turista, e talvez seja isso que me mantém são: saber que o passado continua lá, mas que não há mais casa possível no tempo.
Meu filho cresce em Portugal.
É estranho vê-lo seguir um caminho que parece o mesmo que um dia escolhi, mas com uma leveza que já não tenho.
Ele é o futuro, eu sou o arquivo — um dataset antigo, ainda funcional, mas lido apenas por quem entende a linguagem.
A política ficou pra trás.
As ilusões também.
Sobrou o professor, o consultor e o velho da montanha — meio ermitão, meio filósofo de estrada, vivendo longe da confusão, aprendendo a ouvir o som do vento e o ruído da própria respiração.
Descobri que a paz não é o oposto da guerra, é a arte de não participar dela.
E que o silêncio, esse companheiro fiel, é o mais honesto dos diálogos.
Hoje, se me perguntam se sou feliz, não sei responder.
Mas sei que sou inteiro — mesmo que em pedaços.
E isso, aos cinquenta, é uma forma de vitória.
☕️ Bellacosa Mainframe — porque algumas almas só rodam bem no modo batch, processando o tempo em silêncio.
domingo, 10 de março de 2024
🎌✨ Geek vs Otaku — Entenda as diferenças com estilo Bellacosa!
🎌✨ Geek vs Otaku — Entenda as diferenças com estilo Bellacosa!
Ei, Padawan! Já percebeu que muita gente usa “geek” e “otaku” como se fossem a mesma coisa? Pois é, mas apesar de viverem no mesmo universo nerd, esses dois mundos têm regras próprias, culturas diferentes e origens cheias de curiosidades. Então prepara o café (ou o ramen 🍜) e vem comigo nessa viagem!
🧠 O que é ser Geek:
Ser geek é viver conectado com tecnologia, cultura pop, quadrinhos, filmes, games e gadgets. O geek é aquele que ama saber como as coisas funcionam — o tipo que desmonta o computador pra “dar uma olhadinha” e depois vira o herói da TI da família.
👉 Geek é o cientista, o gamer, o dev, o fã da Marvel e o entusiasta de ficção científica.
🎌 O que é ser Otaku:
O otaku vem da cultura japonesa e é o fã apaixonado por animes, mangás, doramas e cultura nipônica. A palavra “otaku” originalmente, no Japão, era usada pra se referir a pessoas muito reclusas e obcecadas por um tema — mas o Ocidente ressignificou tudo e transformou em orgulho cultural.
👉 Otaku é o que chora em Your Name, debate Naruto vs Luffy e sabe cantar todas as aberturas de Bleach.
📜 Origens rápidas:
-
“Geek” vem do alemão geck, que significava “esquisito” — e evoluiu pra “pessoa obcecada por tecnologia e cultura pop”.
-
“Otaku” vem do japonês お宅 (otaku), que significa literalmente “sua casa”, usado pra falar com formalidade — e virou gíria pra quem vive mergulhado em seus hobbies.
💡 Curiosidades do multiverso geek/otaku:
-
No Japão, chamar alguém de “otaku” ainda pode soar meio negativo. Já no Ocidente, é título de respeito.
-
Muitos geeks também são otakus — o crossover é real!
-
O Japão tem eventos gigantes como o Comiket, e o mundo geek tem a Comic-Con.
⚙️ Dica Bellacosa:
Quer o melhor dos dois mundos? Seja um Tech-Otaku, aquele que programa de dia e maratona Attack on Titan à noite. 😉
🌌 Resumo Jedi:
-
Geek = tecnologia, cultura pop e conhecimento.
-
Otaku = animes, mangás e cultura japonesa.
Ambos vivem de paixões, curiosidade e um toque de loucura criativa — e isso é o que faz cada um de nós único nesse vasto universo nerd.
#BellacosaMainframe #GeekVsOtaku #PadawanCulture #NerdPower #OtakuLife
terça-feira, 5 de março de 2024
⚡ Quando o Homem Médio Desperta: Salarymen que Quebraram o Sistema nos Animes
⚡ Quando o Homem Médio Desperta: Salarymen que Quebraram o Sistema nos Animes
Durante décadas, o salaryman foi o retrato da obediência: o homem que não falava alto, não sonhava alto e não errava em público.
Mas em algum momento, o Japão — e o anime — começou a perguntar:
“E se ele simplesmente dissesse não?”
🕴️ O colapso do terno e gravata
A geração pós-guerra construiu o mito do trabalhador perfeito.
Mas os anos 90 trouxeram o colapso financeiro, a falência de empresas e a percepção de que o esforço cego não garantia segurança alguma.
O salaryman moderno herdou o script sem o final feliz — e começou a rasgá-lo.
Nos animes, essa ruptura aparece como despertar existencial, uma faísca que acende dentro da rotina automática.
Ele deixa de ser engrenagem e se torna indivíduo.
Às vezes pela raiva, às vezes pelo cansaço — mas sempre pela necessidade de existir de verdade.
🔥 Kintarō: o ex-gângster que virou executivo
Em “Salaryman Kintarō” (1999), o protagonista é tudo o que um salaryman tradicional não deve ser: impulsivo, emotivo, rebelde.
Ex-membro de uma gangue, ele entra em uma construtora e desafia o sistema hierárquico com honestidade brutal.
Kintarō não joga o jogo da política corporativa — ele o explode.
Sua presença é quase mítica: o homem que mostra que coragem e moral ainda podem sobreviver no asfalto corporativo.
🎤 Aggretsuko: o grito no karaokê
Retsuko é a versão milennial do salaryman: uma contadora de 25 anos, explorada, exausta e obrigada a sorrir o tempo todo.
Quando o expediente acaba, ela vai para uma cabine de karaokê e canta death metal.
A voz dela é o grito contido de uma geração inteira.
Em meio ao caos, Retsuko não destrói o sistema — mas o enfrenta à sua maneira, transformando dor em arte.
É a rebelião cotidiana, disfarçada de desabafo.
🧠 Satou (NHK ni Youkoso!): o que acontece quando o colapso é interno
Satou, o protagonista de “NHK ni Youkoso!” (2006), é o salaryman que desistiu antes mesmo de começar.
Trancado em casa, preso a teorias conspiratórias e vícios, ele é o retrato do colapso psicológico de uma geração que não conseguiu se adaptar ao modelo de sucesso japonês.
O despertar de Satou não é heroico — é doloroso, vacilante, humano.
Ele não quer mais ser parte do sistema, mas também não sabe como existir fora dele.
Seu maior inimigo é o próprio vazio.
💻 “Eden of the East”: o jovem executivo e a moral em ruínas
Em “Higashi no Eden” (2009), Akira Takizawa acorda nu, com amnésia e um celular cheio de dinheiro.
Descobre que faz parte de um jogo onde 12 pessoas podem “salvar o Japão” usando bilhões de ienes.
A série transforma o salaryman em um hacker, messias e terrorista ao mesmo tempo — uma alegoria da rebelião digital contra a burocracia e o conformismo.
🏙️ O despertar silencioso
Nem todo despertar é explosivo.
Às vezes, o homem médio desperta em silêncio — um pequeno gesto de resistência:
dizer “não” ao nomikai obrigatório,
ir pra casa mais cedo,
confessar que está cansado,
ou simplesmente lembrar quem era antes do crachá.
Animes como “Tokyo Godfathers”, “Shinya Shokudō” e “Midnight Occult Civil Servants” mostram personagens que encontram sentido nas margens da vida urbana — um prato quente, um gesto de compaixão, uma conversa após o expediente.
É a revolução em escala humana.
🌅 O novo arquétipo
Hoje, o salaryman nos animes não é apenas símbolo de submissão — é um terreno fértil de transformação.
Ele é o homem comum que cansou de sobreviver.
Que percebeu que o sistema não o salvará, mas que ainda assim pode salvar algo: sua dignidade, seus sonhos, seu riso.
O despertar não é gritar contra o mundo.
É recusar o automático.
É abrir os olhos dentro do trem e notar que há uma cidade inteira lá fora esperando — e que o herói da história, finalmente, pode ser ele mesmo.


