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sábado, 12 de novembro de 2011

Astarotte no Omocha! Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Legado Deve Ser Julgado Pela Interface

 

Bellacosa Mainframe apresenta astarotte no omocha

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Astarotte no Omocha! (アスタロッテのおもちゃ!)

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Legado Deve Ser Julgado Pela Interface

"No IBM Z aprendemos uma lição importante: alguns sistemas parecem simples por fora, mas escondem uma arquitetura extremamente sofisticada. Outros parecem problemáticos à primeira vista, mas quando compreendemos suas regras de negócio percebemos que existe muito mais profundidade do que imaginávamos. Astarotte no Omocha! segue exatamente essa filosofia."


Ficha Técnica

Título original: アスタロッテのおもちゃ! (Astarotte no Omocha!)

Título internacional: Astarotte's Toy

Mangá: Lotte no Omocha!

Autor: Yui Haga

Publicação do mangá: junho de 2007 a dezembro de 2013

Volumes: 9

Estúdio: Diomedéa

Diretor: Fumitoshi Oizaki

Roteiro: Deko Akao

Música: Twinpower

Exibição:
10 de abril de 2011 a 26 de junho de 2011

OVA: Astarotte no Omocha! EX (7 de setembro de 2011)

Episódios: 12 + 1 OVA, com cerca de 23 minutos cada. 


Sinopse

Ygvarland é um reino habitado por súcubos.

Diferentemente da mitologia tradicional, essas criaturas precisam absorver energia masculina para manter seus poderes e garantir a continuidade da linhagem real.

A jovem princesa Astarotte "Lotte" Ygvar, entretanto, possui um enorme problema:

ela simplesmente odeia homens.

Como futura rainha, deveria formar um harém.

Sua dama de companhia Judith decide então procurar um homem no mundo humano capaz de conviver com ela.

O escolhido é Naoya Touhara, um pai solteiro extremamente gentil que acaba sendo transportado para aquele mundo fantástico.

O que parecia ser apenas uma comédia ecchi rapidamente se transforma em uma história sobre família, amadurecimento e cura emocional.


Resumo da História

A série acompanha o cotidiano de Naoya vivendo em Ygvarland ao lado da princesa.

Pouco depois, sua filha Asuha também chega ao reino mágico, modificando completamente a dinâmica da narrativa.

Ao invés de desenvolver um harém convencional, a obra passa a explorar:

  • convivência familiar;

  • amizade;

  • aceitação das diferenças;

  • política do reino;

  • magia;

  • amadurecimento da princesa;

  • descobertas sobre o passado de diversos personagens.

Existe um mistério envolvendo as origens de Naoya e suas conexões com o reino mágico que é revelado gradualmente.

O anime intercala episódios leves com momentos surpreendentemente emocionantes.


O Estúdio Diomedéa

A Diomedéa é conhecida por produzir séries de fantasia, romance e comédia.

Em 2011 ainda era um estúdio relativamente jovem, mas já demonstrava excelente qualidade técnica.

Entre suas características estão:

  • personagens extremamente expressivos;

  • ótima direção de cores;

  • excelente animação facial;

  • cenários claros e muito detalhados;

  • forte influência do estilo "moe".

Em Astarotte no Omocha!, a direção artística cria uma atmosfera confortável que suaviza temas delicados.


Principais Personagens

Astarotte Ygvar

A protagonista.

Princesa do reino.

Apesar de ser uma súcubo, possui enorme trauma relacionado aos homens.

É inteligente, orgulhosa e emocionalmente muito frágil.

Sua evolução constitui praticamente toda a jornada da obra.


Naoya Touhara

Um dos protagonistas masculinos mais diferentes dos animes de harém.

É um pai responsável.

Paciente.

Educado.

Nunca força situações.

Age sempre como adulto.

Sua presença transforma completamente a vida da princesa.


Asuha Touhara

Filha de Naoya.

Provavelmente a personagem que mais humaniza a série.

Sua inocência cria um ambiente familiar onde seria esperado apenas humor romântico.


Judith Snorrevik

Dama de companhia da princesa.

Mistura competência política, humor irreverente e carinho genuíno por Lotte.

É responsável por iniciar toda a trama.


Rainha Mercelída

Uma personagem cercada por segredos.

Sua história explica boa parte dos conflitos emocionais da princesa.


Temática

Embora seja vendido como um anime ecchi, seus verdadeiros temas são:

Família

A verdadeira família nem sempre é formada por laços de sangue.

Ela nasce da convivência.

Da confiança.

Do cuidado.


Trauma

O medo de Lotte não surge do nada.

É consequência de acontecimentos familiares.

O anime mostra como traumas moldam nossa visão do mundo.


Crescimento

Toda a história acompanha o amadurecimento emocional da protagonista.

Ela precisa aprender que crescer não significa abandonar sua personalidade.


Aceitação

O anime mostra que conhecer alguém de verdade costuma destruir preconceitos.


Responsabilidade

Naoya demonstra constantemente que maturidade não está ligada ao poder.

Está ligada às escolhas.


O que há de diferente?

Aqui encontramos a maior qualidade da obra.

Muitos espectadores abandonam o anime após ler sua sinopse.

Entretanto, quem continua descobre algo bastante diferente.

O anime praticamente desconstrói seu próprio gênero.

O harém existe apenas como contexto político.

O ecchi existe, mas é muito menos dominante do que a fama sugere.

Grande parte dos episódios funciona como um slice of life familiar ambientado em um reino de fantasia. Além disso, a adaptação suavizou bastante o humor sexual presente no mangá e reorganizou diversos acontecimentos para enfatizar as relações familiares. 


As Aventuras

As aventuras são pequenas, mas significativas.

Entre elas:

  • festivais do reino;

  • estudos de magia;

  • passeios pelo mundo humano;

  • descobertas familiares;

  • encontros diplomáticos;

  • conflitos entre nobres;

  • investigações sobre o passado da família real;

  • crescimento da amizade entre Lotte e Asuha.

Não existem grandes guerras.

O verdadeiro conflito é emocional.


Mensagens Ocultas

Nunca julgue apenas pela aparência

Talvez seja a maior mensagem da obra.

Quem vê apenas a capa acredita estar diante de um anime ecchi.

Quem realmente assiste encontra uma história sobre afeto e amadurecimento.


Bons líderes primeiro aprendem a confiar

Lotte acredita que governar significa controlar.

Naoya mostra que governar também significa confiar.


Crianças aprendem observando adultos

Asuha representa isso perfeitamente.

Ela muda o comportamento de praticamente todos os personagens apenas sendo ela mesma.


O passado influencia, mas não determina o futuro

Toda a evolução de Lotte consiste em romper o ciclo iniciado por experiências traumáticas.


A maturidade masculina

Naoya talvez seja uma das representações mais positivas de um pai em animes de fantasia.

Não é um herói pela força.

É um herói pela responsabilidade.


Aspectos Técnicos

A trilha sonora é suave e reforça o clima acolhedor da obra.

A abertura "Tenshi no CLOVER" transmite fantasia e inocência, enquanto o encerramento "Manatsu no Photograph" destaca o lado emocional da narrativa. (Rotte no Omocha!)


Impacto Cultural

Astarotte no Omocha! nunca foi um fenômeno comercial comparável aos grandes sucessos de 2011.

Mesmo assim, conquistou um público fiel justamente por contrariar expectativas.

Até hoje, muitos fãs destacam que a obra é muito mais calorosa e focada em vínculos familiares do que sua premissa inicial faz parecer, embora também continue sendo debatida por causa de alguns elementos controversos relacionados à idade aparente de personagens e ao humor ecchi. 


Classificação

Gêneros

  • Fantasia

  • Comédia

  • Romance

  • Ecchi

  • Harém

  • Slice of Life

Demografia do mangá: Seinen.

Classificação indicativa: voltado para público mais velho, devido a humor sexual e temas sugestivos. 


☕ Bellacosa Mainframe

Imagine um programa COBOL legado.

Ao abrir o fonte, o comentário inicial diz apenas:

"Módulo de Cadastro."

Mas, ao analisar o código, você descobre que ele também implementa regras de negócio, auditoria, validações, integração com Db2, controle transacional em CICS e rotinas de segurança. O nome do programa não faz justiça à complexidade do sistema.

Astarotte no Omocha! é exatamente esse tipo de software.

A fachada sugere uma comédia ecchi sobre um harém de fantasia. Porém, ao explorar sua "arquitetura interna", encontramos uma obra sobre confiança, família, responsabilidade e superação de traumas.

Como acontece tantas vezes no IBM Z, a maior lição é não avaliar um sistema apenas pela sua interface. Os sistemas mais interessantes — e as histórias mais marcantes — costumam revelar seu verdadeiro valor somente para quem decide investigar além da primeira impressão.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mottainai – quando o desperdício vira ABEND moral no sistema da vida

Bellacosa Mainframe num momento de organização e reuso de velhos cacarecos ao melhor mottainai



Mottainai – quando o desperdício vira ABEND moral no sistema da vida

Mottainai (もったいない) é uma palavra pequena, mas com um peso filosófico que derruba qualquer batch mal escrito. No Japão, ela carrega um significado profundo: desperdiçar algo que ainda tem valor é quase um erro ético. Não é só “que pena”, é algo como: “isso não merecia esse fim”.

Se eu tivesse que traduzir para o mundo mainframe, mottainai seria aquele sentimento ao ver um programa COBOL funcionando há 30 anos ser jogado fora “porque é velho”, sem nem tentar entender sua lógica. Dá dor física 😄.


🔎 Origem do termo

A palavra vem da junção de ideias budistas e xintoístas. Originalmente, mottai se referia à “dignidade essencial das coisas”. O sufixo -nai indica ausência. Ou seja: “não reconhecer o valor intrínseco de algo”.

No Japão antigo, onde recursos eram escassos, tudo tinha uso, reaproveitamento e respeito. Nada era “só coisa”. Tudo tinha história, trabalho, esforço humano e até espírito (kami).


🧠 O significado real de Mottainai

Mottainai não é só sobre lixo ou reciclagem. É sobre:

  • Desperdiçar comida 🍚

  • Jogar fora objetos ainda úteis

  • Não valorizar tempo

  • Descartar conhecimento

  • Ignorar pessoas experientes

É um conceito que mistura economia, ética, respeito e humildade.


🧩 Mottainai na prática (vida real)

  • Comer até o último grão de arroz

  • Consertar em vez de substituir

  • Reaproveitar embalagens

  • Usar roupas até o fim da vida útil

  • Valorizar o que já existe antes de comprar algo novo

No Japão, ouvir um “mottainai!” é quase uma bronca carinhosa. Avós dizem isso para crianças. Professores dizem para alunos. É cultural.


🖥️ Easter egg mainframe 🟦

No mundo IBM Z, mottainai é:

  • Reescrever tudo em vez de otimizar

  • Jogar fora JCL estável “porque é antigo”

  • Ignorar logs, dumps e documentação

  • Não passar conhecimento adiante

Todo mainframeiro raiz já sentiu esse “mottainai tecnológico”.


🎎 Curiosidades e fofoquices japonesas

  • Após desastres naturais, japoneses costumam reaproveitar tudo que resta, por respeito

  • Muitas escolas ensinam crianças a limpar a própria sala para criar senso de valor

  • A campanha ambiental japonesa usa mottainai como slogan nacional

  • A palavra ganhou fama mundial com movimentos ecológicos nos anos 2000


🧘 Como entender (e aplicar) Mottainai hoje

Não é viver com culpa. É viver com consciência.

Perguntas simples:

  • Isso ainda pode ser usado?

  • Alguém pode aproveitar?

  • Isso custou tempo, esforço ou vida de alguém?

  • Estou descartando por necessidade ou por modinha?


🌸 Importância cultural no Japão

Mottainai está na base de:

  • Educação

  • Sustentabilidade

  • Relações humanas

  • Filosofia do trabalho

  • Respeito aos mais velhos

Ele conversa diretamente com outros conceitos japoneses como wabi-sabi, kintsugi e ikigai. Todos falam, no fundo, sobre valorizar o que existe.


☕ Comentário final do Bellacosa

Talvez o mundo moderno precise reaprender mottainai. Estamos jogando fora comida, histórias, sistemas, pessoas e memórias rápido demais. No Japão, até um objeto quebrado pode ganhar uma segunda vida. Talvez nós também possamos.

Porque no fim das contas, desperdiçar não é só perder coisas —
é perder significado.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

🔥 Program Control Operation – LINK no CICS

 

Falando sobre o comando cics link

🔥 Program Control Operation – LINK no CICS

 


☕ Midnight Lunch, stack limpo e um LINK mal feito

Todo mainframer raiz já ouviu (ou falou):

“Relaxa, é só um LINK.”

Até o dia em que esse “só um LINK” vira:

  • Loop infinito

  • Storage violation

  • Abend AEI0, ASRA ou o clássico APCT

Hoje vamos destrinchar o EXEC CICS LINK como gente grande, com história, prática, malícia técnica e aquele tempero Bellacosa.


🏛️ Um pouco de história: modularidade antes do hype

Antes de:

  • microservices

  • REST

  • gRPC

  • serverless

o CICS já fazia chamada síncrona entre programas, com passagem de parâmetros, controle transacional e retorno garantido.

O LINK nasceu para:

  • Modularizar aplicações

  • Reutilizar regras de negócio

  • Separar camadas (apresentação, lógica, acesso a dados)

📌 LINK é o “call stack corporativo” do mainframe.


🧠 Conceito fundamental (grave na testa)

LINK = chamada síncrona de programa dentro do mesmo task CICS

✔ Mesma UOW
✔ Mesmo Task Number
✔ Mesmo controle transacional
✔ Retorno garantido ao programa chamador

Se não volta, tem coisa errada 😈


🔗 O que é o LINK no CICS?

O EXEC CICS LINK transfere o controle:

  • Do programa chamador

  • Para um programa chamado

  • Passando um COMMAREA

Quando o programa chamado termina:

  • O controle volta automaticamente

  • O COMMAREA pode vir atualizado


🧾 Sintaxe básica

EXEC CICS LINK PROGRAM('PGM002') COMMAREA(WS-COMMAREA) LENGTH(LEN) END-EXEC.

📌 Simples. Perigoso. Poderoso.


📦 COMMAREA – o contrato sagrado

O que é?

Área de memória compartilhada entre programas durante o LINK.

Regras não escritas (mas mortais):

  • Layout idêntico nos dois programas

  • Mesmo tamanho

  • Mesmo alinhamento

  • Mesmo entendimento semântico

🧨 1 byte errado = ASRA elegante.


🥊 LINK vs XCTL (clássico de entrevista)

CritérioLINKXCTL
RetornoSimNão
StackEmpilhaSubstitui
Uso típicoSub-rotinaTransferência de fluxo
RiscoStack overflowPerda de contexto

📌 Se precisa voltar, é LINK. Se não, XCTL.


🛠️ Passo a passo mental (antes de usar LINK)

1️⃣ Preciso que o controle volte?
2️⃣ O COMMAREA está alinhado?
3️⃣ O programa chamado é reentrante?
4️⃣ Existe risco de loop (A chama B, B chama A)?
5️⃣ O LENGTH é compatível?

Se respondeu “não sei” para algum, pare tudo.


⚠️ Armadilhas clássicas (easter eggs mainframe)

🐣 LINK dentro de LINK dentro de LINK
Stack crescendo como fila de restaurante às 12h

🐣 COMMAREA reutilizada sem inicializar
→ Dado fantasma, bug intermitente, terror noturno

🐣 LINK para programa não definido
APCT no meio da tarde

🐣 LINK circular
→ Travamento silencioso e operador suando


🧪 LINK na prática (exemplo mental)

Programa A

  • Recebe dados da tela

  • Valida campos

  • Faz LINK para regra de negócio

Programa B

  • Recebe COMMAREA

  • Aplica cálculo

  • Atualiza DB2

  • Retorna status

📌 Isso é arquitetura em camadas antes de virar moda.


📚 Guia de estudo para dominar LINK

Estude profundamente:

  • COMMAREA vs CHANNEL/CONTAINER

  • Program Reentrancy

  • CICS Program Control

  • Transaction Scope

  • Abend codes (ASRA, AEI0, APCT)

📖 Manual essencial: CICS Application Programming Guide


🤓 Curiosidades de boteco mainframe

🍺 LINK já foi usado como “service call” antes do SOA
🍺 Existem sistemas com 30 níveis de LINK (sim, sobrevivem)
🍺 Muitos bugs só aparecem sob carga por causa de LINK mal desenhado
🍺 O CHANNEL/CONTAINER nasceu para salvar o mundo do COMMAREA gigante


💬 Comentário El Jefe Midnight Lunch

“LINK é educação.
Se você não respeita o contrato,
o CICS te educa com um abend.”


🚀 Aplicações reais hoje

  • Core bancário

  • Processamento de cartões

  • Seguros

  • Sistemas governamentais

  • Regras críticas reutilizáveis

LINK ainda é:
✔ rápido
✔ previsível
✔ seguro
✔ corporativo


🎯 Conclusão Bellacosa

O EXEC CICS LINK é simples só na aparência.

Quem domina:

  • Escreve sistemas limpos

  • Evita abends misteriosos

  • Constrói arquitetura durável

🔥 LINK não é atalho. É contrato.


domingo, 6 de novembro de 2011

🛣️ A Estrada Para Cornélio Procópio

 


🛣️ A Estrada Para Cornélio Procópio

ou: a primeira grande expansão de fronteira do pequeno Bellacosa
(Crônica ao estilo Bellacosa Mainframe para o El Jefe Midnight Lunch)


A memória da infância é um spool interessante:
grava só o que quer, descarta o resto em purge, e ainda assim mantém os fragmentos mais poderosos, aqueles que, mesmo meio pixelados, carregam toda a emoção intacta.

E assim é a lembrança daquela viagem — a mais longa da minha pequena infância.

Não há certeza se foi carro da família ou caravana de carros de parentes, mas uma coisa é absoluta:
era aventura.
A maior aventura da minha vida até então.



🚗 A Estrada do Sul – Quando Viajar Era Descobrir o Mundo

Nos anos 70/80, viajar não era rotina.
Não era GPS, não era playlist, não era ar-condicionado digital.
Viajar era ato solene, quase rito de passagem.

As estradas tinham poucos carros, os caminhões eram gigantes mitológicos, e cada parada em posto de gasolina era uma expedição arqueológica:

  • o cheiro de café fresco misturado com graxa,

  • os mapas dobrados em painel,

  • o “vamos esticar as pernas”,

  • e o senso de estar entrando num mundo que ia muito além da Vila Rio Branco.

Eu era pequeno, mas nesse dia já sentia que estava atravessando não só o estado — estava atravessando minha própria infância.

O velho fusquinha vermelho, superaquecia e precisa arrefecer de tempos em tempos, às vezes parávamos a beira da estrada para apanhar frutas, ver ninhos de passarinho, olhar a carcaça de algum animal morto e limpar o para-brisa com a quantidade de insetos grudados.



🌱 O Norte do Paraná – Uma Fronteira Viva

O destino era Cornélio Procópio, a terra onde sua mãe nasceu, a terra que moldou a “menina da roça”, a futura Dona Mercedes que viria a ser o eixo central da família Bellacosa. A terra roxa e conhecer Jaguapitã, Londrina, Maringa e outras cidades pelo caminho.

E aquele norte do Paraná… ah, aquilo era outro planeta.

Era uma região ainda jovem, recém desbravada, marcada por:

  • madeireiras gigantes com cheiro de pinho e serragem no ar,

  • cidades com não mais que duas décadas de vida,

  • ruas largas e poeirentas,

  • um futuro em construção.

Ali, tudo parecia temporário e definitivo ao mesmo tempo — um faroeste brasileiro moldado em madeira, café, suor e esperança.


🏡 As Casas de Madeira — Uma Revelação Americana

Mas o grande choque da viagem estava na arquitetura.

Para quem vinha da dura e concreta São Paulo, ver casas de madeira estilo americano, com:

  • lareiras,

  • chaminés,

  • telhados inclinados,

  • varandas de tábuas,

era como entrar num episódio vivo de Bonanza ou A Casa da Pradaria.

De repente tudo fez sentido:
quando minha mãe ensinava vocês a desenhar casinhas e insistia em colocar chaminés, achávamos aquilo estranho, fora da realidade paulistana.

Mas ali, naquele Paraná de clima frio e casas quentinhas, entendi:

ela desenhava a própria infância.



👪 A Grande Família – Tio-Avô Bau e o Clã Expandido

E então veio a avalanche de parentes.
Primos que surgiam como NPCs novos na história.
Gente que ria como sua mãe, gente que gesticulava como ela, gente que olhava como ela olhava.

O tio-avô Bau e sua grande família — aquela unidade expansiva que abre a porta, puxa cadeira, serve café, conta história e faz você se sentir parte de algo maior.

Era, para você criança, como descobrir uma expansão de mapa num jogo:
de repente o mundo cresceu, ganhou novas áreas, novas histórias, novas missões.




🧠 A Memória Falha — Mas o Sentimento Permanece

A mente adulta tenta puxar mais detalhes, mas não consegue.
Os pixels se perderam, o tempo deu purge, o spool girou.

Mas o essencial ficou:

  • a sensação de estrada infinita,

  • o impacto das casas de madeira,

  • o fascínio pelo sul,

  • a descoberta de um ramo inteiro da família,

  • e o primeiro contato real com a infância de sua mãe.

Essa viagem foi, sem dúvida, uma das primeiras grandes fronteiras que cruzei na vida.


📜 Epílogo Bellacosa Mainframe

E assim, sem perceber, o menino que partiu de São Paulo voltou maior.

Não em idade.
Mas em mundo.

Aquele dia não foi só a primeira viagem longa.
Foi a primeira vez que viu que:

Sua mãe tinha um passado.
Sua família tinha raízes.
E você tinha um mapa muito maior do que imaginava.

Um mapa que começava em São Paulo, descia por estradas vazias e terminava…
no coração simples de Cornélio Procópio —
e no começo da história de Dona Mercedes.


sábado, 5 de novembro de 2011

🌸 Yamato Nadeshiko — A Mulher Ideal do Japão

Bellacosa Mainframe apresenta Yamato Nadeshiko

 

🌸 Yamato Nadeshiko — A Mulher Ideal do Japão (versão Bellacosa Mainframe)

Se no mainframe temos o Master Scheduler — aquela entidade mística que, quando funciona, ninguém lembra, mas quando falha, todo mundo chora — na cultura japonesa existe o equivalente feminino simbólico: Yamato Nadeshiko.

O termo mistura tradição, idealização, pressão social, história e uma pitada de “isso ainda faz sentido hoje?”
É basicamente a imagem cultural da mulher perfeita, calma, gentil, dedicada, forte na adversidade e elegante sem esforço.


1) 🌺 Origem do Termo — da Flor ao Arquétipo

  • Yamato = nome poético antigo para o Japão.

  • Nadeshiko = uma flor (Dianthus superbus), delicada, pequena, tradicionalmente associada à feminilidade e beleza suave.

Juntando tudo:
➡️ “A flor delicada do Japão”
➡️ “A mulher ideal japonesa”

Nasceu na era clássica, reforçou-se na era Edo e virou símbolo nacional no início do século XX, especialmente durante períodos militaristas (a ideia da mulher que apoia o lar, a nação, o soldado).

Sim, é cultura… mas também é propaganda. 🫢
(E aqui começam os easter-eggs culturais.)


Dianthus superbus


2) 🏯 A Estrutura Interna do Arquétipo

Em linguagem Mainframe COBOLzística:

01 YAMATO-NADESHIKO. 05 CARATER PIC X(20) VALUE 'GENTIL'. 05 SOBRIEDADE PIC X(20) VALUE 'ELEGANTE'. 05 SACRIFICIO PIC X(20) VALUE 'SILENCIOSO'. 05 FORCA PIC X(20) VALUE 'INTERIOR'. 05 LEALDADE PIC X(20) VALUE 'ATE-O-FIM'.

É quase um COPYBOOK passado de mãe pra filha.
E, claro… quase impossível de cumprir na vida real.


Idealização e fantasia


3) 💬 Curiosidades — “isso não te contam no anime”

✔ A seleção feminina de futebol do Japão adotou o nome

A seleção feminina japonesa se chama Nadeshiko Japan.
Porque a flor representa beleza, mas também resiliência.

✔ A flor Nadeshiko era símbolo secreto entre amantes

Samurais carregavam pétalas como amuleto de amor e lealdade.

✔ Nem toda personagem “boazinha” é Yamato Nadeshiko

Precisa ter:

  • calma sobrenatural,

  • postura refinada,

  • sacrifício quase espiritual,

  • maturidade emocional.

Sim: é pesado.


Imaginação, sedução e erotismo


4) ✨ Personagens icônicas (e por quê)

1. Hinata Hyuga – Naruto

  • Tímida, dedicada, gentil, leal.

  • Conseguiu o combo "doce + forte" sem virar estereótipo vazio.

  • O fandom diz: “Hinata é a versão moderna do Nadeshiko.”

2. Belldandy – Ah! My Goddess

  • Quase um blueprint do arquétipo.

  • Educada, serena, e tem uma luz própria de “deusa doméstica de alta disponibilidade”.

3. Misuzu – Air

  • Pureza, fragilidade, sacrifício emocional…

  • Representa o lado trágico do arquétipo.

4. Sawako Kuronuma – Kimi ni Todoke

  • Doçura, bondade e evolução pessoal constante.

  • Mostra o Nadeshiko que se descobre e amadurece.

5. Tohru Honda – Fruits Basket

  • A “mãe emocional” dos amigos.

  • A versão moderna que combina bondade e independência.


5) ☕ Fofoquices Culturais (o lado B da fita)

  • Muitos japoneses usam “Yamato Nadeshiko” ironicamente para se referir a uma garota calma demais, submissa ou antiquada para os padrões modernos.

  • Em fóruns otaku, virou meme:

    “Procuro Yamato Nadeshiko. Vale skill em culinária.”

  • Em doramas, existe o trope do ‘Nadeshiko exterior, demônio interior’ — perfeita por fora, caos absoluto por dentro.


6) 🎎 Easter-Eggs escondidos em animes

🥢 1. O penteado tradicional

Personagens Yamato Nadeshiko quase sempre têm:

  • cabelo longo,

  • cores suaves,

  • tiaras discretas,

  • movimentos de cabeça lentos.

🌸 2. O gesto “dobrar pano”

Várias protagonistas fazem aquele movimento calmo de dobrar toalhas → gesto cultural de cuidado e graça feminina.

🔪 3. O contraste: a “Yamato Nadeshiko Do Inferno”

Archetype reverso:

  • parece delicada

  • mas é uma yandere, ninja, assassina ou dominadora silenciosa.

É O easter-egg favorito dos roteiristas.
(Kurumi Tokisaki manda abraços.)


7) 🧩 Porque isso ainda aparece tanto?

Porque:

  • o Japão adora arquétipos (como classes de RPG);

  • o contraste “delicada por fora / forte por dentro” gera drama;

  • é uma ponte entre passado e presente.

E, como em mainframe, certas estruturas antigas continuam vivas porque… continuam funcionando.


8) 💡 Comentário estilo Bellacosa Mainframe

O Yamato Nadeshiko é como aquele programa COBOL setentão que ainda roda firme no banco, no governo, na seguradora —
todo mundo jura que é ultrapassado, mas delicadamente, silenciosamente… ele mantém o mundo funcionando.

É tradição, é estética, é pressão social, é literatura, é mito, é encanto, é crítica velada.
E, acima de tudo, é um reflexo de como o Japão equilibra modernidade e passado como quem equilibra JCL, RACF e CICS às 3 da manhã.

O extremo



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

🔥 COMMAREA vs CHANNEL/CONTAINER no CICS

 


🔥 COMMAREA vs CHANNEL/CONTAINER no CICS



☕ Midnight Lunch, COMMAREA gigante e o CICS olhando feio

Todo mainframer já viveu esse momento:

“Só aumentei a COMMAREA… de 2K pra 32K.”

Minutos depois:

  • ASRA misterioso

  • Storage estourando

  • Performance caindo

  • E alguém sussurra:
    👉 “Por que não usaram CHANNEL?”

Hoje vamos resolver essa treta histórica: COMMAREA vs CHANNEL/CONTAINER, com números, boas práticas, cicatrizes e filosofia Bellacosa.


🏛️ História: do bloco único ao container moderno

COMMAREA

  • Nasceu nos primórdios do CICS

  • Simples, direta, rápida

  • Pensada para pequenos volumes de dados

  • Era “o suficiente” nos anos 70/80

CHANNEL/CONTAINER

  • Introduzido no CICS TS 3.x

  • Resposta à complexidade crescente

  • Feito para dados grandes, estruturados e flexíveis

  • Arquitetura mais próxima de “mensageria moderna”

📌 Não é moda. É evolução arquitetural.


🧠 Conceito essencial (guarde isso)

COMMAREA = um bloco fixo de memória
CHANNEL/CONTAINER = coleção flexível de blocos independentes

Isso muda tudo.


📦 COMMAREA – o clássico confiável (e perigoso)

O que é?

Um único bloco contínuo de memória, passado entre programas via LINK/XCTL.

📏 Tamanho máximo

  • Até 32.767 bytes (~32 KB)

Sim. Esse é o limite duro.
Passou disso? Nem adianta insistir.


👍 Pontos fortes

✔ Simples
✔ Rápido
✔ Fácil de debugar
✔ Ideal para estruturas pequenas

👎 Limitações

❌ Tamanho limitado
❌ Forte acoplamento entre programas
❌ Layout rígido
❌ Difícil evoluir sem impacto


❌ Erros comuns com COMMAREA (easter eggs)

🐣 COMMAREA gigante “só por garantia”
🐣 Layout diferente entre programas
🐣 Reutilizar COMMAREA sem limpar
🐣 Usar COMMAREA como “dump de dados”

📌 COMMAREA não é mala de viagem.


📦 CHANNEL/CONTAINER – o adulto da sala

O que é?

Um CHANNEL é um agrupador lógico.
Um CONTAINER é um bloco individual de dados dentro do channel.

📦 Channel
└── Container A
└── Container B
└── Container C

Cada um com:

  • Tamanho próprio

  • Tipo próprio

  • Vida própria


📏 Tamanho máximo

  • Praticamente ilimitado (dependente de storage)

  • Containers podem ter megabytes

  • Muito além do limite da COMMAREA

📌 Aqui o gargalo deixa de ser o CICS e passa a ser o bom senso.


👍 Pontos fortes

✔ Estrutura flexível
✔ Baixo acoplamento
✔ Ideal para dados grandes
✔ Melhor para evolução de sistemas
✔ Integra bem com Web Services e MQ

👎 Cuidados

❌ Mais verboso
❌ Exige disciplina
❌ Overkill para casos simples


🥊 COMMAREA vs CHANNEL/CONTAINER

CritérioCOMMAREACHANNEL/CONTAINER
Tamanho máx~32 KBMuito grande
EstruturaFixaFlexível
EvoluçãoDifícilFácil
PerformanceExcelenteMuito boa
AcoplamentoAltoBaixo
ModernidadeClássicoAtual

📌 Não existe melhor. Existe mais adequado.


🛠️ Passo a passo: como escolher

1️⃣ Dados pequenos e estáveis? → COMMAREA
2️⃣ Muitos campos opcionais? → CHANNEL
3️⃣ Dados grandes (XML, JSON)? → CHANNEL
4️⃣ Sistema legado crítico? → COMMAREA (com cuidado)
5️⃣ Integração moderna? → CHANNEL/CONTAINER


⚡ Boas práticas Bellacosa

✅ COMMAREA

  • Use o menor tamanho possível

  • Documente o layout

  • Inicialize sempre

  • Evite “COMMAREA universal”

✅ CHANNEL/CONTAINER

  • Um container = um conceito

  • Nomeie containers claramente

  • Evite “container Frankenstein”

  • Libere quando não precisar

📌 Arquitetura também é educação.


🧪 Exemplo mental de otimização

Antes (COMMAREA)

  • Estrutura única de 30 KB

  • Metade dos campos nunca usados

  • Cada mudança quebra alguém

Depois (CHANNEL)

  • Container CLIENTE

  • Container PRODUTO

  • Container CONTROLE

  • Cada programa lê só o que precisa

🔥 Resultado:

  • Menos impacto

  • Mais clareza

  • Menos bug fantasma


📚 Guia de estudo recomendado

Para dominar o tema:

  • CICS Program Control

  • Storage Management

  • COMMAREA lifecycle

  • CHANNEL/CONTAINER APIs

  • Performance tuning em CICS

📖 Manual essencial: CICS Application Programming Guide


🤓 Curiosidades de boteco mainframe

🍺 CHANNEL foi criado porque COMMAREA virou “caixa de Pandora”
🍺 Há sistemas que simulam JSON dentro de COMMAREA (não faça isso)
🍺 Web Services no CICS usam CHANNEL por baixo dos panos
🍺 Muitos ainda usam COMMAREA por medo, não por necessidade


💬 Comentário El Jefe Midnight Lunch

“COMMAREA resolve rápido.
CHANNEL resolve certo.
O mainframe não perdoa preguiça arquitetural.”


🚀 Aplicações reais hoje

  • Core bancário moderno

  • APIs CICS

  • Integração com MQ

  • Processamento XML/JSON

  • Sistemas híbridos (CICS + Cloud)


🎯 Conclusão Bellacosa

COMMAREA não morreu.
CHANNEL não é bala de prata.

O mainframer experiente:

  • Sabe quando usar cada um

  • Respeita limites

  • Pensa no futuro

🔥 Arquitetura boa não dá abend. Dá orgulho.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

U 518 - Nazario Sauro submarino museu

Entrado por agua baixo, da serie afundei o submarino.

Quem nunca sonhou em entrar em um Submarino, sentir o cheiro, tocar os instrumentos, ver e ouvir. 

Uma experiência única que vale a pena conhecer. Sentir a claustrofobia, ver como sofriam os tripulantes dessas maquinas, ver o espaço reduzido, saber q partilhavam as camas, que havia poucos banheiros. 

A falta de luz solar, o stress por estar confinado, tantas coisas q so percebemos uma leve fraçao ao entrar num submarino.


A equipe que preparou o museu esta de parabéns, pois literalmente a imersão é completa, as luzes, o cheiro, os ruídos, a iluminação tudo te transporta para um submarino em operação em algum lugar secreto do Mediterrâneo.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988