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sexta-feira, 21 de julho de 2017

A construção dos trilhos do Tram: Parte II

As maquinas não param.


Em nossa postagem anterior publicamos parte da construção dos novos trilhos do Tram de Milão, agora neste curto vídeo, mostro como se processa a remoção do modulo de carris.

Desta maneira a construção de trilhos é feito por módulos, vindos direto da fabrica prontos para serem colocados, demandando pouco esforço e grande agilidade na construção de novos ramais.

O guindaste remove os trilhos e coloca nos caminhões que seguiram rumo a fundição, para reciclar estas barras de aço, para construir novos ramais. Os trilhos de bonde cortam toda a cidade facilitando a locomoção, permitindo a integração com as Estações de Trem, Terminais de Ônibus, a título de curiosidade existem bondes com mais de 100 anos e estão em circulação na cidade.

Existe a historia triste que muitos bondes foram destruídos durante os bombardeiros da Segunda Guerra Mundial, no pós-guerra muitos foram sendo restaurados e deixados com a mesma aparência que tinham a época. Por isso andar de transporte publico em Milão é fazer uma viagem no tempo e conhecer toda a evolução das viagens sobre os trilhos de uma metrópole.




terça-feira, 18 de julho de 2017

Trem de passageiros da Trenord circulando pelos trilhos

Trenord e a ligação regional da Lombardia.


O Castello Sforzesco é um monumental castelo em estilo Renascentista, outrora um bastião defensivo da cidade de Milão, no antigo campo de caça, hoje existe um belo parque com lago, uma torre moderna em ferro, uma arena esportiva com um passado negro, o aquário municipal e ao fundo um Arco Triunfal e cercado por bancos em formato de arena.

O castelo Sforzesco tem uma coleção de museus em seu interior, ocupando as antigas salas do castelo, feito em tijolo e com belas e imponentes torres, deixa os turistas boquiabertos com seu tamanho. Lembrando que ainda tem um enorme chafariz que refresca o ambiente em dias quentes de verão.

Andando sem rumo me deparo com trilhos da Trenord e aproveito para capturar alguns momentos da passagem do trem urbano, belos vagões com dois andares rumo a estação Garibaldi de Milão. Este é outro exemplo do rico sistema de transporte italiano. Próximo ao castelo também tem a estação de Porta Genova.







sexta-feira, 14 de julho de 2017

Construindo trilhos em tempos modernos

Como se constrói os trilhos do bonde (tram) em Milão?


Sou uma pessoa curiosa e investigativa, andando por Milão fiquei admirado pela quantidade de trilhos espalhados pela cidade, esses carris de ferro são utilizados por diversos tipos de bondes e trams, apreciando esse maravilhoso sistema ferroviário, surgiu uma duvida, como será feito a construção do mesmo?

Será que os trilhos são colocados sobre os dormentes como eram no passado? Operários com pás e picaretas? Não meus amigos, usando o melhor da engenharia moderna, grandes maquinas com guindastes pega os módulos prontos e vai conectando como seu fosse um lego gigante. Incrível e rápido as linhas vão sendo colocadas e aparafusadas ao restante do caminho.

Andando por Milão com um pouco de sorte podemos assistir uma equipe construindo um novo ramal, vemos os trilhos espalhados pela asfalto, sendo retirado de um caminho e colocados no novo ramal. Este pequeno vídeo é uma homenagem aos trabalhadores que constroem os trilhos desta ferrovia urbana, que são invisíveis para nós no dia a dia corrido
.


Trilhos, trans, bondes e sua construção por guindastes e módulos semi-construídos nas ruas de Milão.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Uma tarde chuvosa parado e apenas vendo o tram

Pego de surpresa por uma chuva forte.


Meu prazer é capturar cenas do cotidiano, aquelas cenas que ninguém presta atenção no dia a dia. Este vídeo é a continuação do meu passeio em Milão, estava na rua caminhando rumo a Igreja de São Lourenço quando fui pego pela forte chuva.

Abrigado em uma marquise e entediado por não poder sair dali, resolvi filmar a rua, devo dizer que estava muito surpreendido pela chuva de granizo e também maravilhado com o sistema de transporte publico de Milão.

A cidade é planejado para o pedestre com linhas de metro, linhas de trem, bondes e trans todos interligados se encontrando em diversos pontos, com um simples bilhete podemos usufruir de todos os serviços.

Voltando a chuva, as vezes não temos nada para fazer, só ficar esperando a chuva passar, aproveitar por estar abrigado da chuva e olhando o tram parado por falta de eletricidade. Um pouco "noiso" porém podemos contemplar o tram e pegar todos os seu detalhes para quem não conhece este tipo de veiculo.

Espero que gostem.



terça-feira, 11 de julho de 2017

Um cruzamento de trans com diversos modelos operacionais

Trilhos na cidade de Milão


Em nossa caminhada pelo centro de Milão encontramos os mais diversos tesouros escondidos, aqui onde o antigo se junta ao moderno, numa bela simbiose arquitetônica, existem maravilhas mecânicas, muitos trilhos de bonde e cruzamentos entre vias e trilhos, neste entroncamento de trans (bondes), podemos apreciar os mais diversos modelos de tram fabricados na Itália e que circulam por Milano.

Os amantes dos transporte por trilho se deliciarão com este túnel do tempo como modelos de trans dos anos 70, 80 e 90 do seculo passado.

Um museu a céu aberto que atrai turistas e o melhor oferece a população meios de transporte não poluidores e eficientes que ajudam a deixar os carros em casa e tornar a cidade mais acolhedora sem transito e sem stress de motoristas mau preparados para dirigirem em ruas estreitas.

Seria um sonho tão difícil de realizar um dia as cidades brasileiras terem serviços públicos de transporte coletivo tão eficientes que as pessoas deixassem seus carros em casa? Poluíssem menos o nosso ar e nossos ouvidos. Metros, trens, bonde, ônibus, esteiras rolantes, escadas rolantes e elevadores para interligarem as cidades brasileiras de modo eficiente e rápido?

Boa viagem e apreciem o modelo italiano na cidade de Milão.




domingo, 29 de maio de 2016

Mais detalhes desta maravilhosa mini ferrovia

Bellacosa Mainframe e a cabine 2 clube de feerromodelismo

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Mais Detalhes Desta Maravilhosa Mini Ferrovia — Um Mundo Inteiro Dentro da Cabine nº 2

Era mais um sábado na Estação Cultura de Campinas.

Ana Paula estava em sua aula de teatro amador e, enquanto esperava o ensaio terminar, eu tinha algumas horas disponíveis para fazer aquilo que já havia se tornado quase um ritual: zanzar pelo antigo complexo ferroviário.

E havia muito para explorar.

A velha estação e suas construções guardavam marcas de uma época em que aquele lugar não era patrimônio histórico, espaço cultural ou cenário para fotografias. Era uma ferrovia viva. Havia gente trabalhando, locomotivas circulando, oficinas funcionando e trens chegando e partindo.

Para alguém apaixonado por ferrovias, história e máquinas, esperar algumas horas ali estava muito longe de ser um castigo.

Era uma oportunidade.

E naquele sábado meus passos acabaram novamente diante de um dos meus lugares favoritos de todo o complexo.



🚦 Meu pequeno templo ferroviário

A famosa Cabine nº 2 de comandos.

Só o edifício já era especial.

Em outra época, cabines como aquela faziam parte do cérebro operacional da ferrovia. Ali, homens acompanhavam movimentos de trens, comandavam aparelhos e ajudavam a decidir por quais trilhos aquelas enormes máquinas deveriam passar.

Mas os tempos haviam mudado.

A velha cabine ganhara outra função.

Em seu interior funcionava um clube de ferromodelismo.

E talvez não pudesse existir destino melhor para ela.

A ferrovia em tamanho real havia desaparecido de boa parte daquele cenário, mas, dentro da antiga cabine de comandos, ela renascia alguns centímetros de cada vez.

Em miniatura.



🏙️ Uma cidade inteira sobre uma mesa

Desta vez não fiquei apenas olhando os trens circularem.

Comecei a observar a maquete com mais calma.

E foi aí que ela começou a revelar seus segredos.

Havia trilhos, naturalmente.

Muitos trilhos.

Linhas se cruzavam, desviavam, desapareciam atrás de construções e reapareciam alguns metros adiante.

Mas reduzir aquela obra a uma coleção de trilhos seria uma tremenda injustiça.

Ali estava representado praticamente um pequeno universo ferroviário.

Pontes.

Árvores.

Oficinas.

Máquinas.

Locomotivas.

Vagões.

Carros.

Caminhões.

Um bonde.

E a maravilhosa rotunda ferroviária, uma daquelas estruturas que imediatamente chamam a atenção de qualquer apaixonado por ferrovias.

Quanto mais eu olhava, mais coisas apareciam.



🔍 O segredo estava nos detalhes

Essa talvez fosse a parte mais divertida daquela maquete.

Você podia olhar durante alguns minutos, afastar-se e pensar que já havia visto tudo.

Não havia.

Era só aproximar novamente o rosto e alguma coisa surgia.

Uma pequena pessoa que passara despercebida.

Um trabalhador.

Um detalhe em uma oficina.

Um veículo parado em determinado canto.

Um cachorro.

Depois outro personagem.

Era quase uma espécie de Onde Está Wally ferroviário.

Só que ninguém estava procurando Wally.

Estávamos procurando histórias.

Porque os modelistas não haviam construído simplesmente uma ferrovia.

Eles haviam criado cenas.

🍺 Até o ferroviário precisava descansar

Em determinado ponto aparecia um bar.

E dentro dele...

Uma mesa de sinuca.

Aquilo me divertia justamente porque demonstrava o cuidado colocado na construção daquele mundo.

Não bastava colocar locomotivas sobre trilhos.

Se existe uma ferrovia, existem ferroviários.

Se existem ferroviários, existem pessoas.

E pessoas trabalham, descansam, conversam, bebem alguma coisa, jogam uma partida de sinuca e continuam suas vidas.

De repente, aquela pequena mesa deixava de ser apenas um objeto decorativo.

Ela sugeria uma história.

Talvez alguns trabalhadores tivessem terminado o turno.

Talvez alguém estivesse esperando o próximo serviço.

Talvez houvesse uma aposta valendo uma cerveja imaginária.

A maquete não dizia.

Nossa imaginação completava.

🐕 Havia até cachorros

E naturalmente naquele pequeno mundo também havia cachorros.

Pequenos cães espalhados pelo cenário.

Detalhes absolutamente desnecessários para fazer um trem elétrico funcionar.

E justamente por isso maravilhosos.

Porque são essas pequenas coisas aparentemente inúteis que dão vida a um diorama.

Um cachorro não melhora o contato elétrico dos trilhos.

Não controla um desvio.

Não alimenta uma locomotiva.

Não aciona um sinal.

Mas coloca vida naquele cenário.

Assim como as pequenas figuras humanas.

A ferrovia deixa de parecer uma demonstração técnica e começa a parecer um lugar.

👷 O uniforme não precisava estar limpo

Outra coisa que me chamou atenção foi o cuidado com as figuras.

Nem tudo parecia recém-saído da caixa.

Havia trabalhadores representados em seu ambiente de serviço, inclusive com a aparência coerente com aquele universo de oficinas, graxa, carvão, óleo e manutenção.

Uniformes sujos.

Pequenas marcas.

Cores cuidadosamente aplicadas.

São detalhes minúsculos.

Mas nosso cérebro percebe essas coisas.

Um ferroviário perfeitamente limpo diante de uma locomotiva sendo reparada pareceria artificial.

Um pouco de sujeira na roupa conta imediatamente uma história:

aquele homem estava trabalhando.

Talvez seja esse o segredo dos bons dioramas.

Eles não precisam explicar tudo.

Um detalhe bem colocado faz nossa cabeça construir o restante.

🔧 A oficina em miniatura

E naturalmente fiquei fascinado pela oficina.

Máquinas, trabalhadores, equipamentos e pequenos elementos mecânicos compunham aquele ambiente.

Era possível imaginar manutenção acontecendo ali.

Uma locomotiva chegando.

Uma ferramenta sendo utilizada.

Uma peça sendo desmontada.

Um trabalhador atravessando a oficina.

Outro reclamando que alguma coisa estava atrasada.

Nada disso realmente acontecia.

Mas parecia que poderia acontecer.

Esse é o ponto em que uma boa maquete deixa de ser brinquedo e passa a ser narrativa tridimensional.

🌳 Nem tudo era ferro

Outro detalhe importante eram as árvores e a vegetação.

Quando pensamos em ferromodelismo, nossa cabeça imediatamente vai para locomotivas, trilhos, estações e pontes.

Mas uma ferrovia existe dentro de uma paisagem.

E reproduzir essa paisagem é justamente aquilo que dá escala às máquinas.

Árvores ajudam nossos olhos a entender o tamanho das locomotivas.

Casas dão proporção aos trilhos.

Pessoas mostram a dimensão dos vagões.

Carros e caminhões colocam a ferrovia dentro de uma cidade.

Aos poucos, deixamos de enxergar objetos sobre uma bancada.

Passamos a enxergar um recorte do mundo.

🚋 E lá estava o bonde

No meio de tudo aquilo ainda havia um bonde.

Mais um daqueles elementos capazes de prender minha atenção.

Porque o bonde conecta dois mundos.

O ferroviário e o urbano.

Ele nos lembra de uma época em que trilhos não estavam apenas escondidos em pátios ferroviários ou reservados aos grandes trens.

Eles faziam parte das ruas.

Ao redor dele estavam carros, caminhões, construções e pequenas pessoas.

Era Campinas reduzida a uma escala em que cabia diante dos nossos olhos.

🌉 Pontes, trilhos e a rotunda

Naturalmente, algumas estruturas roubavam a cena.

As pontes eram uma delas.

A rotunda, outra.

A rotunda ferroviária possui algo quase hipnótico para quem gosta desse universo.

Sua própria geometria denuncia sua função.

Locomotivas chegando de diferentes direções, sendo posicionadas e encaminhadas.

Na maquete, aquele elemento ajudava a contar a história de um complexo ferroviário que havia sido gigantesco.

O curioso era pensar onde eu estava.

Eu observava uma reprodução em escala do complexo ferroviário...

estando dentro do próprio complexo ferroviário.

Uma ferrovia dentro da ferrovia.

Uma memória dentro da memória.

⚡ E por baixo daquele mundo havia tecnologia

Mas havia outra camada fascinante.

Aquela cidade minúscula precisava funcionar.

Por trás das árvores, prédios, oficinas e personagens existia a parte que normalmente não aparece nas fotografias bonitas:

a engenharia.

Fiação.

Circuitos.

Comandos.

Controles eletrônicos.

Motores.

Iluminação.

Mecanismos.

Era essa infraestrutura escondida que dava vida ao cenário.

Luzes acendiam.

Trens se movimentavam.

Elementos respondiam aos controles.

Sons completavam a experiência.

Aquilo tinha algo que sempre me fascinou nas grandes máquinas: existe uma camada visível que encanta o público e outra, escondida, que faz tudo funcionar.

Talvez por isso eu gostasse tanto daquele lugar.

Na superfície havia arte.

Por baixo havia lógica.

🎛️ O antigo e o novo dividindo a mesma cabine

E tudo aquilo acontecia justamente dentro de uma antiga cabine ferroviária de comandos.

Existe uma bela ironia nisso.

Décadas antes, controles naquele prédio ajudavam a movimentar trens verdadeiros.

Agora outros controles movimentavam trens em miniatura.

Mudaram as escalas.

Mudaram as tecnologias.

Mudaram os operadores.

Mas permaneceu a mesma ideia fundamental:

alguém precisava dizer ao trem para onde ir.

A Cabine nº 2 continuava comandando uma ferrovia.

Só que agora ela cabia dentro da própria cabine.

🎥 A câmera tenta registrar tudo

Naturalmente levei a câmera comigo.

Filmei a maquete procurando registrar aqueles detalhes.

Os trilhos.

As construções.

As pontes.

A rotunda.

O bonde.

Os veículos.

As pessoas.

Os cachorros.

A oficina.

Os controles.

As luzes.

Os movimentos.

Mas existe um problema.

O vídeo nunca captura tudo.

Não porque a câmera seja ruim.

Mas porque nosso olhar funciona de maneira diferente.

Quando estamos diante de uma maquete dessas, podemos parar.

Voltar.

Aproximar.

Olhar novamente.

Descobrir alguma coisa escondida atrás de uma construção.

Perceber uma figura que estava ali desde o começo.

Então olhar pela terceira vez e descobrir mais alguma coisa.

A câmera registra aquilo para onde apontamos.

A memória registra também aquilo que sentimos.

🔎 Sempre havia alguma coisa que eu não tinha visto

Talvez essa seja minha lembrança mais forte daquela visita.

A sensação de descoberta permanente.

Eu olhava.

Encontrava alguma coisa.

Continuava.

Voltava.

E percebia:

— Caramba... isso estava aqui antes?

Estava.

Eu é que não tinha visto.

E isso se repetia.

Era justamente esse processo que tornava a maquete tão deliciosa de observar.

Ela recompensava quem tivesse paciência.

Não era uma atração para olhar durante cinco segundos e seguir adiante.

Era necessário explorar.

Quase como eu fazia com a própria Estação Cultura enquanto esperava Ana Paula terminar sua aula.

Talvez por isso aquelas duas experiências combinassem tão bem.

Do lado de fora eu explorava um gigantesco complexo ferroviário real procurando vestígios de seu passado.

Dentro da Cabine nº 2 eu explorava sua versão em miniatura procurando pequenos detalhes construídos pelos modelistas.

Macro e micro.

Ruína e preservação.

Passado e representação.

🕰️ Oito anos dentro de alguns metros quadrados

Pensar que aquele trabalho havia consumido anos de dedicação tornava tudo ainda mais impressionante.

Cada árvore precisou ser colocada.

Cada trilho, alinhado.

Cada construção, montada.

Cada personagem, posicionado.

Cada detalhe, pintado.

Cada circuito, instalado.

Cada problema elétrico, resolvido.

E certamente muita coisa foi feita, refeita e melhorada.

Quem observa uma maquete pronta durante alguns minutos dificilmente consegue perceber a quantidade de horas humanas escondidas dentro dela.

Talvez essa seja outra semelhança com uma ferrovia verdadeira.

O passageiro vê o trem chegando.

Não vê milhares de horas de manutenção, engenharia, sinalização, operação e trabalho necessárias para que aquilo aconteça.

Na maquete era parecido.

Víamos o pequeno trem circulando.

Por baixo dele existiam anos de trabalho.

🚂 Um mundo que continuava existindo

Quando saí da Cabine nº 2 naquele sábado, Ana Paula provavelmente ainda estava envolvida com seu teatro.

E eu havia conseguido novamente matar algumas horas.

Mas chamar aquilo de simplesmente "matar o tempo" seria injusto.

Eu havia viajado.

Sem sair da estação.

Durante algum tempo caminhei por uma Campinas ferroviária reduzida a alguns metros quadrados.

Vi oficinas.

Pontes.

Trens.

Trabalhadores.

Cachorros.

Um bar.

Uma mesa de sinuca.

Um bonde.

Carros.

Caminhões.

Árvores.

Luzes.

Movimentos.

E provavelmente dezenas de coisas que estavam lá e que nem naquele dia consegui perceber.

Talvez essa seja a maior qualidade de uma grande maquete ferroviária.

Você nunca termina realmente de olhar.

Sempre existe outra pequena história escondida em algum canto.

E, tantos anos depois, aquele vídeo ainda permite fazer exatamente a mesma coisa:

dar play...

aproximar os olhos...

e procurar mais uma vez por algum pequeno detalhe que passou despercebido.

Porque dentro daquela antiga Cabine nº 2 havia algo muito maior que uma maquete.

Havia um mundo inteiro esperando para ser descoberto.

☕🚂 Bellacosa Mainframe — histórias, máquinas, memória e aqueles pequenos detalhes que só aparecem para quem resolve olhar uma segunda vez.

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Rica em detalhes


Para quem ama ferromodelismo esta mini ferrovia tem tudo para alegrar.

Construída por um grupo de amigos no decorrer de 8 anos, foram incorporados diversos temas, construções, diversas linhas se intercomunicam fazendo um show para os visitantes.

 Sem contar a sensação única de estar na cabine de controle, onde os operadores através de alavancas, movimentavam os trilhos para ligar ramais internos a malha ferroviária.

Nesta maquete tem diversos tipos de túneis, pontes, construções e ate uma replica de uma refinaria de petróleo.


domingo, 13 de março de 2016

O bondinho indo embora


Um Café no Bellacosa Mainframe

🚋 O Bondinho Indo Embora — Uma Máquina do Tempo Sobre Trilhos

Há máquinas que merecem um lugar no museu. Outras merecem continuar trabalhando.

Mais um delicioso final de semana.

Eu, Juliana e o Formiga novamente em um daqueles lugares que, durante muito tempo, funcionaram como nosso pequeno templo sagrado da diversão familiar: o Parque Portugal, em Campinas, muito mais conhecido por todos simplesmente como Lagoa do Taquaral.

Não precisava existir uma grande programação.

Não precisava viajar centenas de quilômetros, reservar hotel ou preparar uma expedição.

Às vezes bastava chegar ao parque, caminhar, olhar as árvores, observar a lagoa, descobrir alguma coisa diferente e deixar o pequeno Formiga decidir qual seria a próxima aventura.

E naquele dia havia uma máquina do tempo esperando por nós.

Ela não tinha painel cheio de luzes.

Não precisava de plutônio.

Muito menos de um capacitor de fluxo.

Tinha trilhos.

Tinha rodas de aço.

E fazia:

Clanc... clanc... clanc...

🚋

Era o bondinho da Lagoa do Taquaral.



🚋 Um pedaço da cidade que se recusou a morrer

Para uma criança, provavelmente aquilo era simplesmente uma coisa muito divertida.

Um veículo diferente.

Entrava-se nele, sentava-se e começava o passeio.

Para um adulto, entretanto, aquele pequeno bonde carregava algo muito maior.

Ele representava uma época em que nossas cidades possuíam uma relação muito diferente com o transporte coletivo.

Antes de ônibus, automóveis e avenidas dominarem definitivamente a paisagem urbana brasileira, os trilhos atravessavam várias de nossas cidades.

Bondes transportavam trabalhadores, estudantes, famílias, comerciantes e todo tipo de passageiro.

Durante décadas fizeram parte da rotina urbana.

Então desapareceram.

Os trilhos foram arrancados ou cobertos.

As redes elétricas desapareceram.

Garagens foram demolidas.

Veículos foram desmontados, abandonados ou transformados em sucata.

Pouco a pouco, aquilo que havia sido absolutamente cotidiano virou curiosidade histórica.

Por isso gosto tanto do que acontece no Taquaral.

Porque aquele bonde não está simplesmente exposto.

Ele ainda trabalha.



🔧 Não é uma peça de museu

Existe uma diferença gigantesca entre preservar uma máquina e simplesmente guardar uma máquina.

Imagine uma locomotiva perfeitamente restaurada dentro de um museu.

Você pode observá-la.

Fotografá-la.

Ler uma placa contando quando foi construída.

Pode olhar para suas rodas, cabine, bancos e instrumentos.

Tudo isso possui enorme valor histórico.

Mas existe outra experiência completamente diferente:

ouvir a máquina funcionando.

Sentir a vibração.

Escutar as rodas passando sobre os trilhos.

Entrar.

Sentar.

E ser transportado por ela.

É exatamente isso que torna o bondinho do Taquaral tão especial para mim.

Ele continua cumprindo a função para a qual aquelas máquinas foram construídas:

transportar pessoas.

Mesmo que seja apenas durante um pequeno circuito dentro de um parque.

Mesmo que hoje seus passageiros estejam ali principalmente para passear.

Durante alguns minutos, aquela tecnologia deixa de ser passado.

Volta a ser presente.

👦 E então entra o Formiga

Para as crianças aquilo naturalmente é fantástico.

Imagine enxergar aquela geringonça pela primeira vez.

Não parece um ônibus.

Não parece um carro.

Não parece exatamente um trem.

Mas anda sobre trilhos.

Você entra e ela começa a se movimentar.

Para quem nasceu em um mundo de automóveis, ônibus e metrôs modernos, existe algo quase mágico naquele veículo antigo caminhando lentamente pelo parque.

E talvez essa seja uma das maneiras mais bonitas de ensinar história.

Sem aula.

Sem prova.

Sem obrigação de decorar datas.

A criança simplesmente entra dentro da história.

Literalmente.

O Formiga podia não saber naquele momento toda a história dos bondes brasileiros.

E não precisava saber.

Primeiro vinha a experiência.

Depois, algum dia, poderia vir a curiosidade.

"Pai, antigamente tinha isso na rua?"

E pronto.

A porta da máquina do tempo estava aberta.

👴 Os adultos fazem outra viagem

As crianças viajam pelo parque.

Os adultos muitas vezes viajam para outro lugar.

Para as histórias dos pais.

Dos avós.

Para fotografias antigas das cidades.

Para aquela São Paulo, Campinas, Santos ou Rio de Janeiro que já não existe mais.

Mesmo quem nunca utilizou regularmente um bonde urbano acaba reconhecendo alguma coisa familiar naquela imagem.

Porque os bondes permaneceram no nosso imaginário.

Nas fotografias.

Nos cartões-postais.

Nas histórias familiares.

Nos filmes.

Nos livros.

E na própria arquitetura das cidades.

Às vezes caminhamos hoje por uma avenida sem imaginar que, décadas atrás, dois trilhos passavam exatamente debaixo de nossos pés.



🚌 Então chegaram os ônibus

A história do transporte urbano mudou.

Os ônibus conquistaram as cidades brasileiras.

Tinham uma vantagem óbvia: não precisavam seguir trilhos.

Uma linha poderia ser alterada.

Um novo bairro poderia ser atendido sem construir quilômetros de infraestrutura ferroviária.

Mas essa flexibilidade também ajudou a construir cidades cada vez mais dependentes de veículos sobre pneus e, durante décadas, de motores queimando combustível pelas ruas.

O velho bonde elétrico acabou parecendo antiquado.

Curiosamente, muitas décadas depois, cidades do mundo inteiro voltariam a investir justamente em sistemas modernos de transporte elétrico sobre trilhos.

Mudaram os nomes.

Mudaram os veículos.

Mudou a tecnologia.

Mas alguns dos princípios continuam surpreendentemente familiares.

Às vezes o futuro possui uma estranha mania de reencontrar o passado.

🏛️ Máquinas precisam funcionar

Talvez seja isso que mais me fascine no Taquaral.

Existe uma oficina.

Existem outros carros.

As composições podem se revezar.

Há manutenção.

Há conhecimento envolvido.

Há pessoas capazes de fazer aquelas máquinas continuarem se movimentando.

Isso transforma o lugar em algo maior que uma exposição.

É uma espécie de museu operacional.

E aqui meu lado de homem de tecnologia inevitavelmente encontra meu lado saudosista.

Porque penso imediatamente nos mainframes.

Podemos colocar um computador antigo dentro de uma vitrine.

Podemos colocar ao lado dele uma placa:

IBM — década de 1960.

Interessante.

Mas imagine poder ligar a máquina.

Ouvir seus componentes.

Carregar um programa.

Executar alguma coisa.

Mostrar para uma pessoa jovem:

"Era assim que funcionava."

A experiência muda completamente.

O conhecimento deixa de ser abstrato.

A máquina fala.

🚋 Pequenas sobrevivências sobre trilhos

Infelizmente experiências desse tipo tornaram-se raras.

Durante algum tempo São Paulo também manteve um pequeno passeio de bonde na região do Museu da Imigração, no complexo da antiga Hospedaria dos Imigrantes.

Santos conseguiu preservar uma experiência ainda mais ampla com seus bondes históricos circulando pelo centro.

E Campinas tem essa pequena preciosidade no Taquaral.

São sobreviventes.

Pequenos fragmentos de uma enorme rede de transporte urbano que existiu no Brasil.

Talvez alguém veja apenas um carrinho antigo dando uma volta num parque.

Eu vejo outra coisa.

Vejo engenharia preservada em movimento.

⏳ Próxima parada: final do século XIX

Entrar em um desses veículos é fazer uma pequena viagem para uma tecnologia que começou a transformar nossas cidades ainda no século XIX e marcou profundamente parte do século XX.

Olhe os bancos.

As janelas.

Os controles.

A estrutura.

O desenho do veículo.

Depois imagine que aquilo não era uma atração turística.

Era transporte público.

Alguém entrava para trabalhar.

Outro passageiro carregava compras.

Uma criança ia para a escola.

Um senhor lia jornal.

Pessoas namoravam.

Discutiam.

Chegavam atrasadas.

Perdiam o bonde.

Aliás...

"Perder o bonde."

A tecnologia desapareceu de grande parte das cidades.

Mas até a expressão ficou.

😂 E talvez esse seja o maior Easter egg

O bonde conseguiu uma façanha maravilhosa.

Foi retirado das ruas, mas permaneceu estacionado dentro da língua portuguesa.

Quem nunca ouviu:

"Fulano perdeu o bonde da história."

Talvez uma criança de hoje use a expressão sem sequer imaginar como era possível literalmente perder um bonde.

No Taquaral ela pode descobrir.

E, dependendo da velocidade das perninhas...

Pode até perder um de verdade.

😂

🎥 O bondinho indo embora

Foi justamente um desses pequenos momentos que registrei.

O bondinho estava indo embora.

Nada extraordinário parecia estar acontecendo.

Nenhum grande acontecimento.

Nenhuma cerimônia.

Nenhuma data histórica.

Era apenas mais um final de semana.

Eu.

Juliana.

Formiga.

O parque.

E um velho bonde seguindo seu caminho pelos trilhos.

Na época aquilo mereceu apenas um pequeno vídeo e algumas linhas neste blog.

Anos depois percebo que havia muito mais naquela cena.

Eu estava registrando três tempos simultaneamente.

O passado, representado pelo bonde.

O presente, representado por nós três observando aquela máquina.

E o futuro, representado por uma criança conhecendo algo que havia pertencido ao cotidiano de seus bisavós.

Talvez seja justamente para isso que servem essas pequenas filmagens aparentemente sem importância.

Nós pensamos que estamos registrando um passeio.

Na verdade estamos construindo memória.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Continuo acreditando que preservar tecnologia é muito mais interessante quando conseguimos mantê-la viva.

Uma locomotiva merece correr.

Um relógio mecânico merece marcar as horas.

Uma máquina de escrever merece escrever.

Um computador antigo merece executar um programa.

E um bonde...

Bem...

um bonde merece transportar passageiros.

Por isso gosto tanto daquela pequena linha dentro da Lagoa do Taquaral.

Durante alguns minutos, crianças descobrem uma tecnologia antiga.

Adultos encontram lembranças que talvez nem sejam propriamente suas, mas herdadas de pais e avós.

E uma velha máquina continua fazendo exatamente aquilo para o qual foi construída.

Transportando pessoas.

Só existe uma diferença.

Antigamente ela transportava passageiros de um ponto da cidade para outro.

Hoje transporta passageiros através do tempo.

🚋 Clanc... clanc... clanc...

Lá vai o bondinho indo embora.

E nós ficamos olhando.

Talvez esperando, sem perceber, a próxima viagem.


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Uma atração divertida.


Para aqueles que não conhecem o parque do Taquaral recomendo vivamente que o visitem. Este parque é fantástico cheio de segredos para serem explorados e descobertos.



Tem um que relembra o passado glorioso dos Bondes Eletricos que percorre boa parte do parque levando os turistas a viajarem ao passado e relembrarem como era o transporte publico no passado.

As crianças deliram ao verem o bondinho passando, os trilhos no parque dão um certo charme e as plataformas estrategicamentes distribuídas permitem um bom passeio.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Construindo trilhos em tempos modernos

Como se constrói os trilhos do bonde (tram) em Milão?


Sou uma pessoa curiosa e investigativa, andando por Milão fiquei admirado pela quantidade de trilhos espalhados pela cidade, esses carris de ferro são utilizados por diversos tipos de bondes e trams, apreciando esse maravilhoso sistema ferroviário, surgiu uma duvida, como será feito a construção do mesmo?

Será que os trilhos são colocados sobre os dormentes como eram no passado? Operários com pás e picaretas? Não meus amigos, usando o melhor da engenharia moderna, grandes maquinas com guindastes pega os módulos prontos e vai conectando como seu fosse um lego gigante. Incrível e rápido as linhas vão sendo colocadas e aparafusadas ao restante do caminho.

Andando por Milão com um pouco de sorte podemos assistir uma equipe construindo um novo ramal, vemos os trilhos espalhados pela asfalto, sendo retirado de um caminho e colocados no novo ramal. Este pequeno vídeo é uma homenagem aos trabalhadores que constroem os trilhos desta ferrovia urbana, que são invisíveis para nós no dia a dia corrido
.
Trilhos, trans, bondes e sua construção por guindastes e módulos semi-construídos nas ruas de Milão.



sábado, 12 de setembro de 1998

Museu da Imigração em Sao Paulo

O museu da Imigraçao no Bairro do Bresser as margens da ferrovia.


Durante anos este local foi o ponto de chegada de uma longa viagem, milhares de imigrantes que vieram para o Brasil, passaram por aqui. Desciam no porto de Santos, após semanas em um navio, preenchiam o livro de entrada e embarcavam num trem em Direcção a São Paulo.

Ficavam nestas instalações ate aprenderem rudimentos de língua portuguesa, ganharem os documentos necessários, arrumarem um trabalho e local de moradia.



Tinha enfermaria, barbearia e cozinha, onde os próprios imigrantes ajudavam, hoje tornou-se um museu com diversos itens da época, pesquisa de antepassados, passeio de Maria Fumaça, passeio de bonde.

E para aqueles que quiserem é possível tirar fotos histórica vestindo roupas de época.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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