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sábado, 21 de maio de 2016

8112 Teatro na estacao: musica na linha do trem

Bellacosa Mainframe e o saxofonista nos trilhos uma peça teatral na estação cultura

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🎷 O saxofonista que nos puxou para dentro da peça

Revendo este pequeno registro dez anos depois, consigo reconstruir melhor não apenas aquilo que estava acontecendo naquela noite, mas principalmente como eu e Ana Paula fomos parar no meio daquela história.

A bem da verdade, não tínhamos ido à Estação Cultura para assistir àquela apresentação.

Estávamos ali por outro motivo.

Paula acabara de sair de mais uma de suas aulas de teatro amador, que também aconteciam dentro da antiga estação ferroviária de Campinas. Ela estava animadíssima com aquela nova experiência, descobrindo o palco, os exercícios, as personagens e toda aquela atmosfera teatral.

E eu?

Bem...

Eu desempenhava um papel muito importante naquela produção:

turista involuntário.

Enquanto esperava o término das aulas para finalmente começar meu final de semana de romance — hehehe — eu fazia aquilo que sempre fiz muito bem: zanzava.

Explorava corredores, observava portas, fotografava detalhes, olhava antigos espaços ferroviários e tentava descobrir o que existia por trás de cada canto daquela enorme estação.

Foi então que apareceu o saxofonista sobre os trilhos.

E aquilo era simplesmente invulgar demais para ser ignorado.

🎷 Um homem.

🌙 Uma estação ferroviária à noite.



🛤️ Trilhos mergulhando na escuridão.

🎶 E um saxofone tocando onde, décadas antes, locomotivas e vagões atravessavam Campinas.

Não havia como simplesmente passar reto.

O som parecia pertencer ao próprio lugar.

A arquitetura da velha estação devolvia as notas, os trilhos conduziam o olhar para a escuridão e aquele músico solitário parecia anunciar que alguma coisa estava prestes a acontecer.

A curiosidade venceu.

Eu e Paula resolvemos acompanhar.

E foi assim, praticamente sem perceber, que entramos na peça.



🎭 Uma peça que precisava ser perseguida

Não era o teatro convencional no qual compramos um ingresso, encontramos nossa poltrona e esperamos as cortinas se abrirem.

Nós precisávamos seguir a história.

E cada novo espaço da antiga estação transformava-se em cenário.

Já contei algumas dessas pequenas aventuras separadamente: a noiva nos trilhos, o boteco da estação, os caminhos pelo interior da antiga estação desativada e os diferentes atos encontrados durante aquela caminhada.

Hoje percebo que aqueles pequenos vídeos que publiquei isoladamente eram, na realidade, fragmentos de uma experiência muito maior.

O saxofonista foi a porta de entrada.

Seguimos o músico e encontramos personagens.

Seguimos os personagens e encontramos cenários.

Seguimos os cenários e começamos a descobrir uma estação completamente diferente daquela que existia durante o dia.

Era quase como atravessar uma passagem secreta.

Durante o dia, víamos patrimônio histórico.

Naquela noite, vimos um organismo vivo.

Os trilhos eram palco.

Os corredores eram bastidores.

Um vagão podia virar boteco.

Um mezanino podia receber um baile.

A escuridão podia esconder uma noiva.

E um saxofonista solitário podia transformar uma antiga plataforma ferroviária em teatro.



🚂 Quando o cenário já possui uma história

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes que consigo perceber revendo tudo isso tantos anos depois.

Os atores estavam representando personagens.

Mas a estação não precisava representar coisa alguma.

Ela já carregava sua própria história.

Milhares de pessoas haviam passado por aqueles espaços quando aquilo ainda era uma estação ferroviária em funcionamento. Houve despedidas, reencontros, trabalhadores, passageiros atrasados, famílias carregando malas, ferroviários cumprindo suas jornadas e incontáveis histórias anônimas que desapareceram junto com seus protagonistas.

Naquela noite de 2016, outras histórias ocuparam aqueles mesmos espaços.

Ficção sobre memória.

Teatro sobre história.

Personagens caminhando por lugares onde pessoas reais haviam caminhado durante décadas.

E nós caminhávamos atrás deles.

❤️ E eu só estava esperando começar o final de semana...

Existe ainda uma deliciosa ironia pessoal nisso tudo.

Enquanto Paula estava mergulhada naquele universo teatral, eu estava originalmente ali apenas esperando.

Minha programação era consideravelmente mais simples:

terminar a aula da Paula → sair da Estação Cultura → começar nosso final de semana romântico.

JOB simples.

Poucos steps.

Baixo risco de ABEND.

Só que alguém colocou um saxofonista nos trilhos.

E o processamento tomou outro caminho.

A curiosidade venceu o planejamento.

O casal que deveria estar indo embora resolveu descobrir de onde vinha aquela música.

Depois quis descobrir o que aconteceria em seguida.

Depois veio outro ato.

Outro espaço.

Outro personagem.

Outra surpresa.

Quando percebemos, já estávamos completamente envolvidos naquela experiência.

E talvez justamente por não termos planejado assistir a nada, tudo tenha ficado ainda mais especial.

Não havia expectativa.

Havia descoberta.

🕰️ Dez anos depois

Hoje, revendo aqueles vídeos, percebo uma coisa que certamente não percebia com tanta clareza naquela noite.

Eu achava que estava apenas esperando Paula terminar uma aula.

Achava que estava apenas filmando algumas coisas curiosas.

Achava que estava apenas explorando uma velha estação enquanto começava mais um final de semana.

Mas estava documentando.

O saxofonista.

Os trilhos.

Os atores.

A estação.

A Paula entusiasmada com o teatro.

E aquele Vagner que, como tantas outras vezes, não conseguia simplesmente ficar parado esperando.

Precisava zanzar.

Precisava olhar.

Precisava descobrir o que havia depois da próxima porta.

Dez anos se passaram.

Aquela apresentação terminou.

Os atores foram embora.

O saxofone silenciou.

O final de semana acabou.

Muitas outras coisas aconteceram desde então.

Mas bastou abrir novamente este pequeno vídeo para que, por alguns minutos, a música voltasse aos trilhos da velha estação.

E pensar que tudo começou porque dois curiosos olharam para um saxofonista tocando num lugar onde saxofonistas normalmente não deveriam estar e pensaram:

“Vamos ver onde isso vai dar...”

Ainda bem que fomos.

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O som continua forte


a acústica da antiga estação eh perfeita, o som do saxofone cobre os diversos ruídos da estação, tornando algo incrivelmente único na estação cultura.

a escuridão, o lado maluco de estar numa linha férrea a noite, torna o espectáculo muito mais cativante e empolgante.


As pessoas curiosas param e sentam-se no caminho para acompanhar esta estranha historia a beira do caminho... e os musicos delirando e cantando sob o luar na noite escura.

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🎭 Teatro na Estação — Campinas 2016

Uma viagem pelos registros do Teatro na Estação, na Estação Cultura de Campinas, incluindo a passagem de Ulisses à Deriva em 21 de maio de 2016.

Esta coleção reúne vídeos, relatos e memórias registrados durante o evento Teatro na Estação, preservando diferentes momentos da programação cultural realizada na antiga estação ferroviária de Campinas.

🚂 Uma estação transformada em palco

Em maio de 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu apresentações em que teatro, música, performances e personagens ocuparam plataformas, vagões e antigos espaços ferroviários.

Estes registros formam uma pequena memória digital daquele encontro entre ferrovia, patrimônio histórico, teatro, música e cultura em Campinas.

Entre as apresentações estava Ulisses à Deriva, montagem relacionada ao universo de Ulysses, de James Joyce, transformando a antiga estação em mais uma parada na longa viagem de Leopold Bloom.

📺 Visor — Teatro na Estação Artigo principal carregado
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📚 Teatro, ferrovia e memória cultural de Campinas

O projeto Teatro na Estação ocupou a histórica Estação Cultura de Campinas com apresentações, música, teatro e performances. Estes registros publicados no Bellacosa Mainframe preservam diferentes fragmentos daquela experiência cultural.

A coleção inclui cenas relacionadas a Ulisses à Deriva, além de músicos, personagens, performances e intervenções realizadas no ambiente ferroviário.

O conjunto conecta temas como Campinas, Estação Cultura, patrimônio ferroviário, teatro brasileiro, James Joyce, Ulysses, Leopold Bloom, Molly Bloom, literatura, música e memória cultural.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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