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sábado, 21 de maio de 2016

8112 Teatro na estacao: musica na linha do trem

Bellacosa Mainframe e o saxofonista nos trilhos uma peça teatral na estação cultura

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎷 O saxofonista que nos puxou para dentro da peça

Revendo este pequeno registro dez anos depois, consigo reconstruir melhor não apenas aquilo que estava acontecendo naquela noite, mas principalmente como eu e Ana Paula fomos parar no meio daquela história.

A bem da verdade, não tínhamos ido à Estação Cultura para assistir àquela apresentação.

Estávamos ali por outro motivo.

Paula acabara de sair de mais uma de suas aulas de teatro amador, que também aconteciam dentro da antiga estação ferroviária de Campinas. Ela estava animadíssima com aquela nova experiência, descobrindo o palco, os exercícios, as personagens e toda aquela atmosfera teatral.

E eu?

Bem...

Eu desempenhava um papel muito importante naquela produção:

turista involuntário.

Enquanto esperava o término das aulas para finalmente começar meu final de semana de romance — hehehe — eu fazia aquilo que sempre fiz muito bem: zanzava.

Explorava corredores, observava portas, fotografava detalhes, olhava antigos espaços ferroviários e tentava descobrir o que existia por trás de cada canto daquela enorme estação.

Foi então que apareceu o saxofonista sobre os trilhos.

E aquilo era simplesmente invulgar demais para ser ignorado.

🎷 Um homem.

🌙 Uma estação ferroviária à noite.



🛤️ Trilhos mergulhando na escuridão.

🎶 E um saxofone tocando onde, décadas antes, locomotivas e vagões atravessavam Campinas.

Não havia como simplesmente passar reto.

O som parecia pertencer ao próprio lugar.

A arquitetura da velha estação devolvia as notas, os trilhos conduziam o olhar para a escuridão e aquele músico solitário parecia anunciar que alguma coisa estava prestes a acontecer.

A curiosidade venceu.

Eu e Paula resolvemos acompanhar.

E foi assim, praticamente sem perceber, que entramos na peça.



🎭 Uma peça que precisava ser perseguida

Não era o teatro convencional no qual compramos um ingresso, encontramos nossa poltrona e esperamos as cortinas se abrirem.

Nós precisávamos seguir a história.

E cada novo espaço da antiga estação transformava-se em cenário.

Já contei algumas dessas pequenas aventuras separadamente: a noiva nos trilhos, o boteco da estação, os caminhos pelo interior da antiga estação desativada e os diferentes atos encontrados durante aquela caminhada.

Hoje percebo que aqueles pequenos vídeos que publiquei isoladamente eram, na realidade, fragmentos de uma experiência muito maior.

O saxofonista foi a porta de entrada.

Seguimos o músico e encontramos personagens.

Seguimos os personagens e encontramos cenários.

Seguimos os cenários e começamos a descobrir uma estação completamente diferente daquela que existia durante o dia.

Era quase como atravessar uma passagem secreta.

Durante o dia, víamos patrimônio histórico.

Naquela noite, vimos um organismo vivo.

Os trilhos eram palco.

Os corredores eram bastidores.

Um vagão podia virar boteco.

Um mezanino podia receber um baile.

A escuridão podia esconder uma noiva.

E um saxofonista solitário podia transformar uma antiga plataforma ferroviária em teatro.



🚂 Quando o cenário já possui uma história

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes que consigo perceber revendo tudo isso tantos anos depois.

Os atores estavam representando personagens.

Mas a estação não precisava representar coisa alguma.

Ela já carregava sua própria história.

Milhares de pessoas haviam passado por aqueles espaços quando aquilo ainda era uma estação ferroviária em funcionamento. Houve despedidas, reencontros, trabalhadores, passageiros atrasados, famílias carregando malas, ferroviários cumprindo suas jornadas e incontáveis histórias anônimas que desapareceram junto com seus protagonistas.

Naquela noite de 2016, outras histórias ocuparam aqueles mesmos espaços.

Ficção sobre memória.

Teatro sobre história.

Personagens caminhando por lugares onde pessoas reais haviam caminhado durante décadas.

E nós caminhávamos atrás deles.

❤️ E eu só estava esperando começar o final de semana...

Existe ainda uma deliciosa ironia pessoal nisso tudo.

Enquanto Paula estava mergulhada naquele universo teatral, eu estava originalmente ali apenas esperando.

Minha programação era consideravelmente mais simples:

terminar a aula da Paula → sair da Estação Cultura → começar nosso final de semana romântico.

JOB simples.

Poucos steps.

Baixo risco de ABEND.

Só que alguém colocou um saxofonista nos trilhos.

E o processamento tomou outro caminho.

A curiosidade venceu o planejamento.

O casal que deveria estar indo embora resolveu descobrir de onde vinha aquela música.

Depois quis descobrir o que aconteceria em seguida.

Depois veio outro ato.

Outro espaço.

Outro personagem.

Outra surpresa.

Quando percebemos, já estávamos completamente envolvidos naquela experiência.

E talvez justamente por não termos planejado assistir a nada, tudo tenha ficado ainda mais especial.

Não havia expectativa.

Havia descoberta.

🕰️ Dez anos depois

Hoje, revendo aqueles vídeos, percebo uma coisa que certamente não percebia com tanta clareza naquela noite.

Eu achava que estava apenas esperando Paula terminar uma aula.

Achava que estava apenas filmando algumas coisas curiosas.

Achava que estava apenas explorando uma velha estação enquanto começava mais um final de semana.

Mas estava documentando.

O saxofonista.

Os trilhos.

Os atores.

A estação.

A Paula entusiasmada com o teatro.

E aquele Vagner que, como tantas outras vezes, não conseguia simplesmente ficar parado esperando.

Precisava zanzar.

Precisava olhar.

Precisava descobrir o que havia depois da próxima porta.

Dez anos se passaram.

Aquela apresentação terminou.

Os atores foram embora.

O saxofone silenciou.

O final de semana acabou.

Muitas outras coisas aconteceram desde então.

Mas bastou abrir novamente este pequeno vídeo para que, por alguns minutos, a música voltasse aos trilhos da velha estação.

E pensar que tudo começou porque dois curiosos olharam para um saxofonista tocando num lugar onde saxofonistas normalmente não deveriam estar e pensaram:

“Vamos ver onde isso vai dar...”

Ainda bem que fomos.

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O som continua forte


a acústica da antiga estação eh perfeita, o som do saxofone cobre os diversos ruídos da estação, tornando algo incrivelmente único na estação cultura.

a escuridão, o lado maluco de estar numa linha férrea a noite, torna o espectáculo muito mais cativante e empolgante.


As pessoas curiosas param e sentam-se no caminho para acompanhar esta estranha historia a beira do caminho... e os musicos delirando e cantando sob o luar na noite escura.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎭 Teatro na Estação — Campinas 2016

Uma viagem pelos registros do Teatro na Estação, na Estação Cultura de Campinas, incluindo a passagem de Ulisses à Deriva em 21 de maio de 2016.

Esta coleção reúne vídeos, relatos e memórias registrados durante o evento Teatro na Estação, preservando diferentes momentos da programação cultural realizada na antiga estação ferroviária de Campinas.

🚂 Uma estação transformada em palco

Em maio de 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu apresentações em que teatro, música, performances e personagens ocuparam plataformas, vagões e antigos espaços ferroviários.

Estes registros formam uma pequena memória digital daquele encontro entre ferrovia, patrimônio histórico, teatro, música e cultura em Campinas.

Entre as apresentações estava Ulisses à Deriva, montagem relacionada ao universo de Ulysses, de James Joyce, transformando a antiga estação em mais uma parada na longa viagem de Leopold Bloom.

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📚 Teatro, ferrovia e memória cultural de Campinas

O projeto Teatro na Estação ocupou a histórica Estação Cultura de Campinas com apresentações, música, teatro e performances. Estes registros publicados no Bellacosa Mainframe preservam diferentes fragmentos daquela experiência cultural.

A coleção inclui cenas relacionadas a Ulisses à Deriva, além de músicos, personagens, performances e intervenções realizadas no ambiente ferroviário.

O conjunto conecta temas como Campinas, Estação Cultura, patrimônio ferroviário, teatro brasileiro, James Joyce, Ulysses, Leopold Bloom, Molly Bloom, literatura, música e memória cultural.

8111 Teatro na estacao : Um musico nos caminhos de ferro

Bellacosa Mainframe e o musico encontrou a noiva nos trilhos

Um Café no Bellacosa Mainframe

🎷 Teatro na Estação — O Saxofonista nos Trilhos e a Noite em que o Teatro me Encontrou

Eu estava simplesmente zanzando pela Estação Cultura, esperando Ana Paula terminar o ensaio de seu grupo de teatro amador.

E talvez seja justamente por isso que tudo tenha funcionado tão bem.

Eu não estava procurando um espetáculo.

Não havia consultado programação, não estava procurando uma plateia, não havia escolhido uma cadeira e muito menos estava esperando que uma cortina se abrisse.

Meu sábado já tinha sido cheio de pequenas aventuras e explorações naquele lugar que sempre me pareceu mágico.

Eu havia passado pela Cabine 2, onde estivera vendo ferromodelismo. Caminhara pelas plataformas, observara os antigos espaços ferroviários e continuara fazendo aquilo de que sempre gostei:

zanzar.

Sem destino muito definido.

Apenas deixando a curiosidade decidir o próximo caminho.

Foi assim que encontrei um saxofonista tocando nos trilhos.

🎷

Aquilo já era estranho o suficiente.

Um homem, um saxofone, os trilhos e uma antiga estação ferroviária mergulhando lentamente na noite.

Parei.

Observei.

Continuei andando.

Mas então começaram a aparecer outras coisas.

Uma mulher vestida de noiva.

Uma dança.

Pessoas espalhadas assistindo.

A escuridão envolvendo os trilhos.

A penumbra escondendo parte dos movimentos.

Luzes artificiais recortando personagens e pedaços da velha arquitetura ferroviária.

E comecei a perceber que alguma coisa estava acontecendo.

Só não sabia exatamente o quê.



🌑 O palco não tinha bordas

Talvez essa fosse a parte mais fascinante.

Não havia aquele limite confortável do teatro tradicional dizendo:

“A peça acontece dali para frente.”

Ali não.

O palco parecia ser a própria estação.

Os trilhos eram cenário.

A plataforma era cenário.

A escuridão era cenário.

O vazio também era cenário.

Até os ruídos daquele lugar pareciam participar.

Em determinado momento vieram sinos e badalos.

E naquele ambiente ferroviário parcialmente iluminado, depois de escurecer, aqueles sons adquiriam uma força completamente diferente.

Você não apenas ouvia.

Você procurava descobrir de onde estavam vindo.

🔔

E isso me puxava cada vez mais para dentro daquela história que eu ainda nem sabia que era uma história.



👰 Então havia aquela noiva...

A figura da noiva era particularmente hipnótica.

No meio da escuridão dos trilhos, aquilo poderia facilmente ter virado uma daquelas histórias que começam assim:

“Dizem que, nas noites de sábado, uma noiva abandonada aparece caminhando pela antiga estação...”

Mas não era uma lenda urbana.

Também não era uma aparição.

Era teatro.

Só que eu ainda estava montando esse quebra-cabeça.

A dança, os movimentos, as pausas, as luzes e aquela figura branca contrastando violentamente contra a escuridão produziam uma imagem difícil de abandonar.

Eu poderia simplesmente ter ido embora.

Mas como?

Já tinha visto o saxofonista.

Agora havia uma noiva dançando nos trilhos.

Havia pessoas observando.

Havia sons surgindo de lugares diferentes.

E minha curiosidade já havia assumido o controle da operação.

Eu precisava descobrir o que aconteceria depois.



🎷 O músico deixou de ser apenas um músico

Foi então que comecei a reinterpretar aquilo que tinha visto anteriormente.

Talvez o saxofonista não estivesse simplesmente tocando na estação.

Talvez aquela música fosse parte de alguma coisa maior.

Talvez a noiva também fosse.

Talvez aquelas pessoas não estivessem apenas casualmente reunidas.

Uma peça começava a surgir diante de mim — não porque alguém tivesse explicado seu enredo, mas porque eu começava a conectar os acontecimentos.

Era quase uma investigação.

Evento A: músico nos trilhos.

Evento B: pessoas observando.

Evento C: noiva.

Evento D: dança.

Evento E: iluminação.

Evento F: sinos e badalos.

Meu cérebro começou a fazer aquilo que sempre fez diante de coisas estranhas:

procurar relações.

E cada nova descoberta criava outra pergunta.



🧩 O teatro estava sendo descoberto enquanto acontecia

Essa talvez seja minha lembrança mais interessante daquela noite.

Eu não sabia antecipadamente o que deveria observar.

Por isso observava tudo.

Um personagem surgindo na penumbra poderia ser importante.

Um som distante poderia anunciar alguma coisa.

Uma luz acendendo poderia revelar outro cenário.

Alguém caminhando pelos trilhos poderia ser ator ou simplesmente alguém atravessando a estação.

Não havia manual.

Não havia mapa.

Não havia aquele aviso mental:

AGORA COMEÇA A PEÇA.

Ela simplesmente começou ao meu redor.

E eu entrei nela sem perceber.


🚂 Uma estação feita para histórias

Talvez aquilo funcionasse tão bem justamente porque acontecia na Estação Cultura.

Uma antiga estação ferroviária já carrega suas próprias histórias antes que qualquer ator entre em cena.

Milhares de pessoas passaram por aquelas plataformas.

Gente chegou.

Gente partiu.

Houve despedidas.

Reencontros.

Trabalhadores.

Famílias.

Namorados.

Malas.

Atrasos.

Apitos.

Máquinas.

Trens.

Depois os trens desapareceram daquele cotidiano, mas os espaços permaneceram.

E naquela noite alguém teve a inteligência de não lutar contra aquela arquitetura.

Transformou-a em parte da narrativa.

O vazio não precisava ser preenchido.

A escuridão não precisava ser eliminada.

Os trilhos não precisavam ser escondidos.

Pelo contrário.

Tudo aquilo era utilizado.

🌑 Escuridão.

💡 Luz artificial.

🚂 Trilhos.

🎷 Música.

🔔 Badalos.

👰 Uma noiva.

👥 Pessoas observando silenciosamente.

Era praticamente impossível criar artificialmente a mesma atmosfera dentro de um teatro convencional.


🌆 O sábado estava terminando da melhor maneira possível

E havia ainda outro detalhe.

Aquilo acontecia no final de um sábado em que eu já havia passado o dia explorando aquele universo.

Tinha visto ferromodelismo na Cabine 2.

Caminhado pela estação.

Fotografado.

Observado detalhes.

Encontrado histórias.

Esperava Ana Paula terminar seu ensaio.

Teoricamente, meu dia estava acabando.

Só que a Estação Cultura parecia ter decidido:

“Ainda não.”

Quando achei que as aventuras daquele sábado estavam terminando, apareceu um saxofonista nos trilhos.

Depois uma noiva.

Depois uma dança.

Depois sinos.

Depois personagens.

Depois lugares que pareciam transformar-se conforme caminhávamos.

E aquilo que poderia ter sido simplesmente o tempo de espera até Ana Paula terminar seu ensaio tornou-se uma das partes mais interessantes do dia.


☕ O verdadeiro encanto estava em não saber

Hoje, olhando para trás, percebo que havia uma coisa que nenhuma fotografia ou vídeo conseguiria reproduzir completamente:

eu não sabia o que aconteceria.

Essa ignorância fazia parte da experiência.

Se alguém tivesse me entregado previamente um programa explicando personagens, atos, cenários e duração, provavelmente teria sido interessante.

Mas teria sido diferente.

Naquela noite fui descobrindo tudo praticamente em tempo real.

Primeiro:

“Tem um sujeito tocando saxofone nos trilhos.”

Depois:

“Tem uma noiva ali.”

Depois:

“Ela está dançando.”

Depois:

“Espera... essas coisas estão relacionadas.”

E finalmente:

“Meu Deus... estamos no meio de uma peça.”

Esse foi o truque.

Não encontrei o teatro.

O teatro me encontrou.

E talvez por isso, tantos anos depois, eu ainda consiga ouvir mentalmente aqueles sinos e badalos surgindo no escuro da velha estação.

Era o final de um sábado.

Ana Paula ainda estava terminando seu ensaio.

Eu continuava zanzando.

E, sem perceber, havia acabado de atravessar os trilhos e entrar em outra história.

🥚 Easter egg

Existe uma pequena ironia escondida nessa lembrança.

Eu estava na Estação Cultura esperando alguém que estava ensaiando teatro.

Enquanto isso, zanzando sozinho pela estação para matar o tempo...

...acabei entrando em outro teatro sem saber que era teatro.

Convenhamos.

A Estação Cultura estava realmente empenhada em não me deixar escapar naquela noite.


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Um estranho som...


Estava eu filmando hip hop, quando ouço uma melodia q não se enquadra no contexto, um pouco atrapalhado começo a procurar a origem deste som.... quando me deparo com uma estranha cena.



Um saxofonista nas linhas do Comboio, algo inusitado, vou me aproximando para entender o que se passa, filmando esta insólita cena.

Nisso se aproxima um outro musico com acordeão e uma artista e uma multidão... sem entender nada resolvo acompanhar esta trupe, pela estação cultura em Campinas.
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🎭 Teatro na Estação — Campinas 2016

Uma viagem pelos registros do Teatro na Estação, na Estação Cultura de Campinas, incluindo a passagem de Ulisses à Deriva em 21 de maio de 2016.

Esta coleção reúne vídeos, relatos e memórias registrados durante o evento Teatro na Estação, preservando diferentes momentos da programação cultural realizada na antiga estação ferroviária de Campinas.

🚂 Uma estação transformada em palco

Em maio de 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu apresentações em que teatro, música, performances e personagens ocuparam plataformas, vagões e antigos espaços ferroviários.

Estes registros formam uma pequena memória digital daquele encontro entre ferrovia, patrimônio histórico, teatro, música e cultura em Campinas.

Entre as apresentações estava Ulisses à Deriva, montagem relacionada ao universo de Ulysses, de James Joyce, transformando a antiga estação em mais uma parada na longa viagem de Leopold Bloom.

📺 Visor — Teatro na Estação Artigo principal carregado
↗ Abrir publicação

📚 Teatro, ferrovia e memória cultural de Campinas

O projeto Teatro na Estação ocupou a histórica Estação Cultura de Campinas com apresentações, música, teatro e performances. Estes registros publicados no Bellacosa Mainframe preservam diferentes fragmentos daquela experiência cultural.

A coleção inclui cenas relacionadas a Ulisses à Deriva, além de músicos, personagens, performances e intervenções realizadas no ambiente ferroviário.

O conjunto conecta temas como Campinas, Estação Cultura, patrimônio ferroviário, teatro brasileiro, James Joyce, Ulysses, Leopold Bloom, Molly Bloom, literatura, música e memória cultural.

sábado, 13 de março de 1999

Monte Alegre do Sul e a Mogiana

Bellacosa Mainframe e um dos primeiros passeios com Giovanna em Monte Alegre do Sul e a Mogiana.

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Uma Antiga Locomotiva da Mogiana — Monte Alegre do Sul, Giovanna e um Primeiro Passeio

Eu já conhecia Monte Alegre do Sul. O que eu ainda não conhecia era Monte Alegre do Sul ao lado dela.

Há fotografias antigas que registram lugares.

E há fotografias que, quando reencontradas muitos anos depois, abrem uma porta.

De repente você não está mais olhando para uma velha locomotiva, uma estação ferroviária ou alguns quilômetros de trilhos abandonados pelo tempo.

Você está novamente ali.

É 1999.

Estou em Monte Alegre do Sul, uma pequena cidade do Circuito das Águas Paulista que eu já conhecia desde 1994.

Mas dessa vez havia algo completamente diferente.

Eu estava acompanhado da doce Giovanna, de Amparo.

Nosso namoro havia acabado de começar.

E aquele seria um dos nossos primeiros passeios juntos.

💙 Aqueles lindos olhinhos azuis

Ainda consigo lembrar dos olhos dela.

Lindos olhos azuis, brilhando enquanto explorávamos a cidade.

Curioso como a memória funciona.

Podemos esquecer o que almoçamos, o horário em que chegamos, onde estacionamos ou exatamente quais ruas percorremos.

Mas algumas imagens simplesmente se recusam a desaparecer.

Eu gostava de olhar para Giovanna.

E naquele passeio olhava muito.

Que princesa.

Que garota.

Havia aquela sensação maravilhosa dos primeiros tempos de um relacionamento, quando tudo ainda está sendo descoberto.

Um olhar demora um pouquinho mais.

Uma mão encontra a outra.

Qualquer banco vira lugar para sentar juntos.

Qualquer caminho merece ser percorrido porque o destino, naquele momento, é quase irrelevante.

O importante é quem está caminhando ao nosso lado.

E Monte Alegre do Sul acabou tornando-se o cenário perfeito para isso.


🚂 Uma velha locomotiva e dois namorados

Monte Alegre guardava — e guarda — uma história ferroviária fascinante.

No passado, a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro passou pela região, conectando pequenas cidades do interior paulista e transportando passageiros, mercadorias, sonhos e histórias.

Restaram vestígios daquele mundo.

A estação.

Os trilhos.

O túnel.

E uma velha locomotiva a vapor acompanhada de seu tender e vagão de passageiros.

Para alguém apaixonado por ferrovias, aquilo por si só já seria motivo suficiente para o passeio.

Mas naquela vez havia Giovanna.

Então fizemos aquilo que dois jovens namorados fazem quando encontram uma locomotiva antiga no meio de uma cidade tranquila:

fomos brincar na locomotiva.

Explorar.

Olhar.

Descobrir.

Imaginar.

E, naturalmente, trocar alguns beijos pelo caminho.

A velha Mogiana provavelmente já havia transportado milhares de passageiros durante sua existência.

Naquele dia, porém, servia de cenário para uma história muito menor.

A nossa.

🔥 Ferro, vapor e memória

Sempre achei locomotivas a vapor fascinantes.

São máquinas que parecem possuir personalidade.

Tudo nelas é exagerado.

As enormes rodas.

As bielas.

A caldeira.

A chaminé.

As válvulas.

O peso.

O cheiro de metal.

Mesmo quando estão imóveis, parecem estar apenas descansando.

Você quase espera ouvir novamente:

TCHUF... TCHUF... TCHUF...

E então o apito atravessando o vale.

Mas naquele passeio havia outra coisa que prendia muito mais minha atenção.

Eu olhava a locomotiva.

Olhava os trilhos.

Olhava a paisagem.

E voltava a olhar para Giovanna.

Confesso:

ela ganhava da locomotiva.

Para um apaixonado por ferrovias, isso é uma declaração considerável.


🌿 Caminhando à beira do rio

Também caminhamos junto ao rio.

Sem pressa.

Monte Alegre do Sul possui justamente essa característica: é uma cidade que convida a diminuir a velocidade.

Protegida pelas últimas ramificações da Serra da Mantiqueira, no vale do Rio Camanducaia, a pequena Estância Hidromineral reúne água, vegetação, montanhas e aquele ritmo tranquilo das cidades do interior.

Era perfeito para nós.

Caminhávamos.

Conversávamos.

Parávamos.

Sentávamos.

Apreciávamos o lugar.

E namorávamos.

Houve beijos em diversos pontos daquele passeio.

Não existia roteiro turístico.

Não havia checklist.

Nenhuma necessidade de correr para conhecer quinze atrações antes do final do dia.

Éramos apenas dois namorados descobrindo como era gostoso estar juntos.

❤️ Sentar e simplesmente olhar para ela

Talvez uma das lembranças mais simples seja também uma das mais bonitas.

Sentar.

E olhar para ela.

Só isso.

Hoje vivemos cercados pela necessidade de registrar tudo, publicar tudo, explicar tudo.

Mas existem momentos cuja importância está justamente em não acontecer praticamente nada.

Você está sentado ao lado de alguém de quem gosta.

Há um rio passando.

Uma cidade tranquila ao redor.

Talvez o vento mexendo nas árvores.

Uma velha ferrovia próxima.

E aquela pessoa está ali.

Eu gostava de olhar para Giovanna.

Seus olhos azuis.

Seu rosto.

Seu jeito.

A garota por quem estava me apaixonando.

Que princesa.

Talvez ela nem soubesse quantas vezes eu simplesmente ficava admirando-a.

🚉 Eu já conhecia a cidade — mas não aquela cidade

Eu havia conhecido Monte Alegre do Sul anos antes, em 1994.

Portanto, tecnicamente, aquele não era um passeio de descoberta.

Eu estava revisitando um lugar conhecido.

Mas essa é outra brincadeira interessante da vida:

um lugar muda completamente dependendo de quem está conosco.

A estação continuava sendo a estação.

A locomotiva continuava sendo a locomotiva.

O rio provavelmente corria exatamente pelo mesmo caminho.

As montanhas estavam no mesmo lugar.

Mas a minha Monte Alegre do Sul de 1999 não era mais a Monte Alegre do Sul de 1994.

Agora havia Giovanna dentro daquela paisagem.

E isso mudou tudo.



🛤️ A Mogiana também deixou suas lembranças

No passado, a ferrovia trouxe movimento, comunicação e desenvolvimento para a região.

O trem chegava trazendo pessoas e partia levando outras.

Havia despedidas na plataforma.

Havia reencontros.

Havia gente começando viagens.

Talvez houvesse também jovens casais se beijando escondidos enquanto esperavam o trem.

Décadas depois, restaram a estação, os trilhos, o túnel e aquela velha locomotiva.

Curiosamente, relacionamentos também deixam seus vestígios.

Uma fotografia.

Uma cidade.

Uma música.

Uma estrada.

Um restaurante.

Um banco de praça.

Uma lembrança aparentemente insignificante que, décadas depois, reaparece com uma nitidez impressionante.

A ferrovia deixa trilhos.

As pessoas também.

☕ Três paixões no mesmo passeio

Olhando hoje para aquele dia, percebo que aconteceu uma combinação quase perfeita.

Ali estavam reunidas algumas coisas que sempre amei:

viajar, descobrir lugares, ferrovia e história.

Mas havia alguma coisa nova naquela equação.

Giovanna.

Viajar com alguém por quem estamos apaixonados transforma completamente a experiência.

Uma locomotiva deixa de ser apenas patrimônio ferroviário.

Ela vira:

"Lembra quando brincamos naquela locomotiva?"

Um rio deixa de ser apenas geografia.

Vira:

"Lembra quando caminhamos juntos por ali?"

Uma cidade deixa de ser apenas um ponto no mapa.

Vira:

"Nós estivemos aqui."

É assim que construímos nossa própria geografia afetiva.

🌑 O túnel

E Monte Alegre ainda tinha um túnel ferroviário.

Sempre existe alguma coisa misteriosa em um túnel antigo.

Uma abertura escura atravessando a montanha, construída para permitir que locomotivas e vagões seguissem viagem.

Quantos trens passaram por ali?

Quantas pessoas?

Quantas histórias?

Naquela época eu provavelmente estava muito mais interessado em explorar tudo aquilo do que em fazer grandes reflexões históricas.

Era simplesmente divertido.

E Giovanna estava comigo.

Isso bastava.

🌸 Giovanna era única

Nosso relacionamento seguiu seu caminho.

Como tantas histórias da vida, teve seu começo, seus capítulos e seu fim.

Mas algumas pessoas deixam lembranças que o tempo não consegue transformar em simples arquivo morto.

Giovanna deixou saudades.

Foram tantas boas lembranças.

Tantos momentos gostosos.

Tantas pequenas aventuras.

E talvez seja por isso que, tantos anos depois, consigo voltar mentalmente àquele passeio e ainda enxergar aqueles lindos olhos azuis brilhando.

Não preciso transformar o passado em algo que ele não foi.

Não preciso mudar seu final.

Basta reconhecer uma coisa muito simples:

foi bonito enquanto existiu.

E foi importante.

Giovanna era única.

🚂 A locomotiva que ficou parada no tempo

Existe uma ironia bonita nisso tudo.

Naquele dia fomos visitar vestígios de uma ferrovia que havia deixado de funcionar como antes.

A locomotiva estava preservada porque alguém decidiu que aquela história merecia continuar existindo.

Décadas depois, ao reencontrar essas lembranças, percebo que fazemos algo parecido quando escrevemos.

Preservamos.

A locomotiva preserva a Mogiana.

A estação preserva as viagens.

Os trilhos preservam caminhos que já não percorremos.

E esta postagem preserva um passeio de 1999.

Um rapaz.

Uma garota de olhos azuis.

Uma velha locomotiva.

Alguns beijos.

Uma caminhada à beira do rio.

E aquela maravilhosa sensação de que tínhamos todo o tempo do mundo.

Talvez seja por isso que gosto tanto de revisitar essas histórias.

Algumas viagens terminam quando voltamos para casa.

Outras continuam viajando conosco.

Monte Alegre do Sul foi uma delas.

E em algum lugar da minha memória aquela velha locomotiva da Mogiana continua lá.

Giovanna também.

Com seus lindos olhos azuis.

E nós dois ainda estamos naquele primeiro passeio, caminhando sem pressa pela cidade, brincando entre os restos da velha ferrovia e descobrindo uma coisa que nenhum mapa turístico poderia indicar:

como era gostoso simplesmente estarmos juntos.

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A estaçao terminal da Mogiana 


Protegida pelas últimas ramificações da Serra da Mantiqueira, em pleno vale do Rio Camanducaia, e a duas horas de São Paulo, no Circuito das Águas Paulista, localiza-se a pitoresca Estância Hidromineral de Monte Alegre do Sul.


No passado tinha a linha ferroviária da Mogiana que chegava ate a cidade, trazendo progresso e riqueza, hoje restaram alguns itens dessa historia: uma maquina a vapor, a estação, um túnel. Bem pitoresca atraindo turísticas para aqui descansarem e aproveitarem das riquezas naturais.



Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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