☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta ferrovia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ferrovia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

🚂 10 ANIMES PARA TETSUDŌ OTAKU (鉄オタ) expandindo a experiencia

 


🚂 10 ANIMES PARA TETSUDŌ OTAKU (鉄オタ)

Lista oficial do Bellacosa Mainframe Railway Department – Seção Noturna (Midnight Edition)


1) 鉄子の旅 — Tetsuko no Tabi

  • Autor: Hirohiko Yokomi (mangá), Jiro Oikawa (ilustrações)

  • Ano: 2007

  • Episódios: 13

  • Personagens chave: Kikuchi (o obsessivo dos trilhos), Yokomi (o autor dentro da história), Tetsuko.

  • Curiosidades: Baseado em viagens reais feitas pelo autor com um railfan nível hardcore.

  • Comentário Bellacosa: É o anime que mais chega perto da realidade dos Tetsudō Otaku: planejamento obsessivo, zero glamour, máximo amor puro.

  • Easter-egg: Mostra estações reais e linhas pouco conhecidas até pelos próprios japoneses.


2) レールウォーズ! — Rail Wars!

  • Autor: Takumi Toyoda (light novel)

  • Ano: 2014

  • Episódios: 12

  • Personagens: Naoto Takayama, Aoi Sakurai, Haruka Kōmi.

  • Curiosidades: Universo alternativo onde as ferrovias não foram privatizadas — só isso já vale a viagem.

  • Comentário: Junta ação, waifus e locomotivas. Um Shinkansen com tempero de Hollywood.

  • Easter-egg: A série recria modelos exatos de trens da JNR com fidelidade milimétrica.




3) 新幹線変形ロボ シンカリオン — Shinkansen Henkei Robo Shinkalion

  • Autor: Projeto coletivo da Takara Tomy

  • Ano: 2018

  • Episódios: 76 + filme

  • Personagens: Hayato, Hokuto, Shin.

  • Curiosidades: Trens-bala que transformam em mechas. O sonho molhado do railfan otaku de 12 anos.

  • Comentário: Surpreendentemente emocional.

  • Easter-egg: O EVA-01 aparece. Sim… o Shinkalion do Evangelion.


4) 銀河鉄道999 — Galaxy Express 999

  • Autor: Leiji Matsumoto

  • Ano: 1978

  • Episódios: 113

  • Personagens: Tetsurō, Maetel, Capitão Harlock (participações).

  • Curiosidades: O anime que fez metade dos japoneses dos anos 70 sonharem em viajar pelo cosmos de trem.

  • Comentário: Um épico existencial com cara de ferroviário vintage.

  • Easter-egg: Diversas referências ocultas a locomotivas europeias e japonesas clássicas.


5) ちびっこ鉄道 — Chibikko Tetsudō (curta clássico obscuro)

  • Autor: Studio Mushi

  • Ano: 1974

  • Episódios: Especial de 20 min

  • Personagens: O garoto ferroviário e seu trem imaginário.

  • Curiosidades: Um dos primeiros animes a retratar ferrovias como tema central.

  • Comentário: Para nostálgicos e historiadores.

  • Easter-egg: O trem do curta é inspirado no D51, a locomotiva a vapor mais querida do Japão.


6) シュガーシュガールーン (segmento ferroviário especial)

  • Autor: Moyoco Anno

  • Ano: 2005

  • Episódios: 51

  • Personagens: Chocola, Vanilla.

  • Curiosidades: Não é anime ferroviário, MAS…
    …tem um episódio inspirado no romance Night Train, cultuado por Tetsudō Otaku.

  • Comentário: O equivalente ferroviário de um cameo secreto.

  • Easter-egg: O layout do trem é baseado no Blue Train japonês.


7) 交響詩篇エウレカセブン — Eureka Seven (Rail Episode)

  • Autor: Bones

  • Ano: 2005

  • Episódios: 50

  • Curiosidades: O anime tem um dos episódios de trilhos mais tecnicamente precisos da TV.

  • Comentário: Para quem gosta de mechas e ferrovias servidas de cortesia.

  • Easter-egg: O número da composição no episódio é o mesmo usado no antigo trem de testes da JR.


8) おもひでぽろぽろ — Only Yesterday (Studio Ghibli)

  • Autor: Isao Takahata

  • Ano: 1991

  • Formato: Filme

  • Curiosidades: O filme tem cenas ferroviárias tão detalhadas que se tornaram referência entre otakus de trem.

  • Comentário: É poesia sobre trilhos.

  • Easter-egg: O trem mostrado é um modelo hoje raríssimo, preservado no Railway Museum de Saitama.


9) 鉄腕バーディー OVA (Rail Chapter)

  • Autor: Masami Yuki

  • Ano: 1996

  • Episódios: 4

  • Curiosidades: Um dos primeiros animes a usar CGI para representar locomotivas realistas.

  • Comentário: Para o nerd ferroviário que também ama sci-fi anos 90.

  • Easter-egg: A locomotiva aparece com número “EF65-1101”, referência ao modelo lendário.


10) 鉄道公安官 — Railway Police Officer

  • Autor: Toei

  • Ano: 1979

  • Episódios: 30

  • Personagens: Detetives ferroviários, mafiosos e maquinistas heróis.

  • Curiosidades: Mistura Tokuso Keisatsu com ferrovias — uma delícia vintage.

  • Comentário: Perfeito para quem ama drama policial no mundo dos trilhos.

  • Easter-egg: Cada episódio apresenta um trecho ferroviário real do Japão dos anos 70.


🚂 Bellacosa’s Midnight Closing Notes

Se você é Tetsudō Otaku, sabe que não existem trilhos mortos — apenas histórias esperando para serem contadas.

Ferrovias não são só máquinas:
são memórias, geografia emocional, poesia metálica, e no Japão… quase uma religião pop.

E como diz o velho maquinista de Osaka:

“Quem segue os trilhos nunca se perde — só descobre novos destinos.”

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Rotunda da CIA Mogiana em Campinas - Memoria Ferroviária Paulista

Rotunda ferroviária da Mogiana : Complexo FEPASA em Campinas


Tema de outros vídeos em nosso canal, a Estação Central de Campinas, outrora abrigou um complexo centro ferroviário, coração da Cia Paulista e da Cia Mogiana.


Em suas instalações milhares de trabalhadores circulavam e trabalhavam nas mais diversas atividades, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Neste complexo havia duas rotundas, uma usina termoelétrica, central de telégrafo, marcenaria, carpintaria, mecânica leve, mecânica pesada, fundição,  cozinha, cantina, oficina de costura, fabricação de vagões e carruagens e muito mais.

Após inúmeras tentativas, enfim consegui adentrar na EMDEC e com autorização visitei as ruínas da antiga rotunda, é impressionante o tamanho, contei 22 eslotes para locomotiva, me emocionei pensando em quantas locomotivas a vapor, diesel, elétrica estiveram armazenadas aqui.

Quanta riqueza e progresso trouxe estas instalações que ligava o interior ao litoral, trazendo e levando pessoas e bens, espero que um dia se concretize e se transforme num belo museu para as futuras gerações conhecerem um pouco mais da história.

Se gostou deixe seu like, e caso não seja inscrito no canal se inscreva. Muito obrigado pela visita.

Tag


#Campinas #Ferrovia #MemoriaFerroviaria #CiaPaulista #CiaMogiana #Trem #Locomotiva #Rotunda #RotundaFerroviaria #Vapor #Trilhos #Carris #Arquitetura #Arqueologia #Industrial #EstaçãoCultural #Estacao #Central

terça-feira, 16 de abril de 2019

Um Trombonista e seu ensaio na Estação Cultura de Campinas

Um musico ensaiando com seu Trombone.



Um andarilho perdido pelas ruas de Campinas, caminhando no antigo complexo ferroviário da Companhia Paulista encontra um músico ensaiando com seu trombone nas sombras de belas e acolhedoras arvores.


A Estação Cultura é uma caixa de surpresas sempre surpreendendo os exploradores, com diversas expressões artísticas. Um olhar atento uma caminhada pelos diversos prédios e encontramos desde salas de ferromodelismo a salas de ginastica.


Ensaios de coral, dança, teatro e até músicos perambulam por aqui aproveitando o amplo espaço que um dia abrigou as oficinas gerais da Companhia Paulista com suas imponentes locomotivas e vagões cargueiros e de passageiros.


Venha explorar estes tesouros, passe uma tarde explorando este local fantástico. Aproveite e deixe seu like e inscreva-se em nosso canal.

Links


#Campinas #Trombone #CiaPaulista #Trilhos #Musico #Ensaio #Caminho #Andarilho #Musica #Coreografia #Ensaio

domingo, 3 de dezembro de 2017

Quem construiu a maquete ferroviária de Campinas?

A cabine 2 abriga uma ferrovia em seu interior

Um grupo de amigos há 10 anos atrás juntaram-se e começaram a trabalhar para por em pratica um sonho. Construir uma ferrovia em escala, com um trabalho sem parar, construíram mais de 300 metros de trilhos distribuídos em 3 níveis, criaram um diorama que representa a Estação Central de Campinas com varias estruturas, uma refinaria de petróleo, armazéns e silos, casa e botecos, pessoas e animais.

No material ferroviário existem diversas locomotiva a vapor, elétricas e diesel,  vagões de carga e carruagens de passageiro, lindo de ser ver, perde-se a noção do tempo, assistindo o vai e vem das composições, o comboio parte da plataforma principal, gruas se movimentam com contentores.

O grau de realismo espanta vendo a vegetação rasteiro, as arvores, as construções com desgaste do tempo, as pontes em madeira, pontes em ferro. Tudo construído com profissionalismo e esmero para para comporem o cenário.

Quem curte maquetes em escala H0 tem a obrigação de visitar o complexo da Fepasa em Campinas. Aqui na sala de controle existe uma ferrovia em miniatura que encantara a todos.

O que é a Cabine de controle número 2?

É uma construção singular, situada na Estação Ferroviária de Campinas no sentido interior, próximo a a antiga plataforma da Mogiana. Sua função era controlar os movimentos das locomotivas e locomotoras nos diversos ramais que existiam na estação, através de alavancas mecanizadas abria-se ou fechava-se um desvio para outro trilho. Em suas paredes havia mostradores analógicos que indicavam o status da linha e a movimentação no local. O mostradores eram eletro-mecânicos numa era em que tudo era a válvulas, testemunhas de um tempo em que não existiam computadores nem celulares.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estação Ferroviária de Amparo

Uma estação que faz meu coração bater apertado.


Alguns lugares nos emocionam e faze-nos parar  o tempo por alguns minutos para apreciar as memorias. A Estação Ferroviária de Amparo é uma delas.  Passada quase a duas décadas e meias, desde a primeira vez que aqui estive.

Agora sempre que venho aqui, meu coração bate mais forte. Pena que nesta visita atual tenha encontrado a estação bem deteriorada. O prédio esta abandonado, a pintura esta caindo, o prédio sem uso.

Infelizmente dizendo no bom português, bem largada, nos últimos anos foi radio, cinema, lanchonete, sede da guarda municipal, agora tudo vazio, Até 1965 quando os trens vinham de Jaguariúna trazendo carga e passageiros era cheia de via com os trens chegando e saindo, pessoas se hospedando nos hotéis próximos, vendedores, como já falamos, posteriormente num passado recente sediou um cinema e radio, hoje esta abandonada... vamos lutar para voltar ao bom uso, quiça ate adotar uma locomotiva a vapor e dar mais vida a este belo prédio.

Um pouco de Historia

A estação central de Amparo durante muito tempo foi o ponto final, por isso aqui havia rotunda, depósitos e armazéns, oficina e o belo prédio a esquerda era a casa do chefe da estação. Imagine que na época da colheita do cafe, ela funcionava 24 horas por dia, chegando carroças com sacas de café, operários carregando vagões, outros engatando os vagões e ainda outros manobrando, tudo para despachar o café o mais rápido possível rumo ao porto de Santos.




quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Eita é uma usina ou uma ferrovia? A Estrada de Ferro Itatinga

Uma caminhada na Serra do Mar em Bertioga


Um grupo de amigos que curtem caminhadas ecológicas, ecoturismo e aventuras de exploração. Estamos para descobrir um dos lugares mais fantásticos para uma boa caminhada, estamos na Serra do Mar, bioma Mata Atlântica com alguns riachos, ribeirões e o rio Itapanhau.

Esta caminhada já teve um vídeo no passado, este é uma revisão e ampliação da historia. Imagine que esta trilha inicia-se em Mogi das Cruzes e segue descendo rumo a Bertioga, num trecho bem protegido e com muita mata original sem toque de mão humana.

Mas a meio do caminho desviamos e agora estamos seguindo rumo a uma obra de arte da engenharia do principio do século XX. Vamos visitar a Usina Hidroelétrica de Itatinga, construída no coração da serra do mar, para alimentar as instalações da CODESP - Companhia Docas do Estado São Paulo, que administra o Porto de Santos. Vendo todo o conjunto das benfeitorias construídas em 1910 ficamos assombrados pela engenhosidade humana.

Nesta jornada visitamos o lago de acumulo das águas que irão alimentar as turbinas 900 metros abaixo, vemos os canais, os tuneis e encanamentos, a casa de força e gestão do fluxo de água, a cremalheira que sobe empregados e equipamentos morro acima, locomotiva a vapor e ferrovia que liga o cais até a Usina, passando pelo bairro dos trabalhadores e o bonde que circula no interior da Usina.

Foi uma jornada completa em que caminhamos bastante, colhemos algumas frutas pelo caminho, no pomar da usina, andamos de bondinho, andamos de locomotiva a vapor, tudo em bitola estreita e por fim navegamos na balsa rumo a Bertioga.

Um dia completo numa deliciosa aventura.




quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Um passeio de trem pela Estrada de Ferro Campos do Jordão

No alto da serra, eu vi um trem

A cidade paulista mais visitada durante o inverno, construída no cimo da montanha na serra da Mantiqueira com diversos prédios construídos ao melhor estilo suíço, as vezes até pensamos que estamos em alguma cidade dos alpes.

Em tempos esta cidade servia de estação de cura e tratamento para a tuberculose, acreditava-se que o ar puro da montanha ajudava os doentes, para isso a cidade necessitava de ligação a outros centros e para grande alegria da população vieram as locomotivas a vapor.

Preservando a memoria ferroviária no alto da Serra da Mantiqueira, a Estrada de Ferro Campos do Jordão - EFCJ mantem viva a memoria desta ferrovia centenária. Fundada em 1910 ligando os municípios de Campos do Jordão, Santo Antônio da Posse e Pindamonhangaba, outrora servia de ramal para a Ferrovia Central do Brasil e com isso atingia grandes cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Hoje a EFCJ é explora viagens em trem turístico por excelência sendo uma atração e monumento, permitindo passeios pelo centro de Campos em locomotivas a vapor e bondes elétricos e ainda ligando por trem intercidades,  outras cidades da região, aqui nos galpões da EFCJ temos trams, bondes, trens elétricos, trens a diesel e locomotivas a vapor, num único final de semana podemos  experimentar toda a evolução do transporte ferroviário em uma única cidade e em uma ferrovia com mais de um seculo em operação.

Venham conhecer, deixem sua opinião.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um trem na Praia: Transpraia na Costa da Caparica

O comboio que faz a alegria dos veranistas

O litoral de Setúbal em Portugal tem alguns tesouros que tornam as ferias de verão únicas, além dos mais de 50 quilômetros de praias, iniciando na foz do Rio Tejo e indo além da foz do Rio Sado, tem praias de enseada, praias de tombo, lagoas, parques de campismo, praia de nudismo, barras, lugares para mergulhos, castelos e um santuário ecológico na Serra da Arrábida.

Em meio a tantas atrações, existe uma discreta mas que faz a alegria das crianças, um trem a diesel em bitola estreita, que circula pelas praias de um lado a outro, permitindo conhecer pontos turísticos e explorar todos os segredos das praias de Setúbal.


Na estação inicial existe um deposito, garagem e uma mini rotunda para virar o trem, funcionando apenas no período estivo, atrai grande público, que utiliza como meio de transporte rumo a prais inexploradas, fica uma dica, existe uma região cercada de altas dunas que é utilizada para nudismo e naturalismo, é muito divertido ver o espanto das pessoas quando o comboio passa por ali e se visualiza algum pelado.

A máquina locomotora era utilizada em minas, por isso são muito robustas e de fácil manutenção para funcionarem na praia, constantemente sendo bombardeada com areia e exposta aos efeitos da maresia, sempre com pintura nova e bem oleadas, estas maquinas circulam de um lado ao outro.

Quando estiverem na região de Setúbal experimentem comer chocos fritos e na Costa da Caparica recomento comer pão de chouriço acompanhado de caldo verde e de sobremesa farturas ou bolas de Berlim.

Transpraia

Estamos em Portugal no distrito de Setúbal onde existe uma pequena  ferrovia de apenas 9 quilômetros com 6 estações e 15 apeadeiros, funcionando desde os anos 60 puxando carros de passageiros destinado a levar os turistas a diversas praias existente em seu percurso. Os vagões estão cheios de gente bonita, em trajes de banho e se bronzeando,  respirando a brisa do mar e aproveitando o lindo sol de verão.




sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Café: O maior tesouro da nossa terra

Ouro verde paulista: Memórias de uma fazenda de café


Estamos em Jundiaí visitando o seu centro histórico, ao lado da Catedral de Nossa Senhora do Desterro e encontramos o Solar do Barão de Jundiaí, um magnifico casarão estilo colonial construído no final do seculo XIX em taipa de pilão com muitas janelas (sinal de opulência e riqueza), senzala e jardim em estilo neorrococó: o Barão de Jundiaí foi um cafeicultor expoente da aristocracia paulista.

Este casarão foi transformado num museu muito apreciado pela população de Jundiaí, palco de muitas exposições culturais e populares. Em nossa recente visita vimos acervos provenientes do Museu Ferroviário da Companhia Paulista e uma projeção de vídeo restaurados exibindo momentos marcantes da vida em Jundiaí no século XIX e XX.

O filme exibe como era uma fazenda de café pré-industrial no interior paulista, mostra os camponeses trabalhando na lavoura, desde o inicio com a plantação da muda de café, o tratamento da lavoura, a época da colheita a debulha, a secagem, o transporte, o embalamento e o envio a ferrovia com destino ao Porto de Santos.

Conheçam as diversas etapas deste processo, as ferramentas usadas e os trajes típicos neste túnel do tempo.





segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mini-ferrovia a Milano

Giardini pubblici Indro Montanelli



Passeando por este belo parque próximo a Porta Venezia na região central de Milão encontrei diversos lugares de interesse: um Planetário, Museu de Historia Natural, diversos caminhos ladeado por estatuas.

Até 1992 abrigou um Zoológico, porém devido a alteração das leis de bem estar animal foi fechado, após esta breve apresentação vamos ao que interessa. Um engenheiro aposentado construiu uma locomotiva a querosene, conseguiu autorização da prefeitura e instalou umas dezenas de metro em uma bitola reduzida, construiu carruagens de passageiros.

Esta locomotiva funciona aos finais de semana e enriquece mais ainda o Giardini, frequentado principalmente por milaneses que aproveitam seu gramado para tomar sol, fazer animados pic nics e levar os pequenos para andarem na locomotiva a querosene.

Apresento o condutor do comboio, o vagão de passageiros e a estação inicial e terminal. Vejam o carinho e cuidado do jardim, os tuneis e os trilhos adaptados para este trenzinho.





quinta-feira, 13 de julho de 2017

Uma tarde chuvosa parado e apenas vendo o tram

Pego de surpresa por uma chuva forte.


Meu prazer é capturar cenas do cotidiano, aquelas cenas que ninguém presta atenção no dia a dia. Este vídeo é a continuação do meu passeio em Milão, estava na rua caminhando rumo a Igreja de São Lourenço quando fui pego pela forte chuva.

Abrigado em uma marquise e entediado por não poder sair dali, resolvi filmar a rua, devo dizer que estava muito surpreendido pela chuva de granizo e também maravilhado com o sistema de transporte publico de Milão.

A cidade é planejado para o pedestre com linhas de metro, linhas de trem, bondes e trans todos interligados se encontrando em diversos pontos, com um simples bilhete podemos usufruir de todos os serviços.

Voltando a chuva, as vezes não temos nada para fazer, só ficar esperando a chuva passar, aproveitar por estar abrigado da chuva e olhando o tram parado por falta de eletricidade. Um pouco "noiso" porém podemos contemplar o tram e pegar todos os seu detalhes para quem não conhece este tipo de veiculo.

Espero que gostem.



terça-feira, 11 de julho de 2017

Um cruzamento de trans com diversos modelos operacionais

Trilhos na cidade de Milão


Em nossa caminhada pelo centro de Milão encontramos os mais diversos tesouros escondidos, aqui onde o antigo se junta ao moderno, numa bela simbiose arquitetônica, existem maravilhas mecânicas, muitos trilhos de bonde e cruzamentos entre vias e trilhos, neste entroncamento de trans (bondes), podemos apreciar os mais diversos modelos de tram fabricados na Itália e que circulam por Milano.

Os amantes dos transporte por trilho se deliciarão com este túnel do tempo como modelos de trans dos anos 70, 80 e 90 do seculo passado.

Um museu a céu aberto que atrai turistas e o melhor oferece a população meios de transporte não poluidores e eficientes que ajudam a deixar os carros em casa e tornar a cidade mais acolhedora sem transito e sem stress de motoristas mau preparados para dirigirem em ruas estreitas.

Seria um sonho tão difícil de realizar um dia as cidades brasileiras terem serviços públicos de transporte coletivo tão eficientes que as pessoas deixassem seus carros em casa? Poluíssem menos o nosso ar e nossos ouvidos. Metros, trens, bonde, ônibus, esteiras rolantes, escadas rolantes e elevadores para interligarem as cidades brasileiras de modo eficiente e rápido?

Boa viagem e apreciem o modelo italiano na cidade de Milão.




terça-feira, 20 de junho de 2017

Canções de uma Locomotiva a vapor

Locomotiva a vapor fazendo testes na plataforma.

A locomotiva 215 está parada na estação de Tanquinho onde o revisor faz um teste sonoro, sonorizando os apitos da velha senhora, exibindo todos os grandes sons que esta maquina maravilhosa pode produzir.

Em pleno século XXI podemos conhecer uma das maravilhas do seculo XIX, uma maquina a vapor restaurada e operacional, nesta parada somos presenteados com uma bela aula sobre o funcionamento desta maravilha da engenharia mecânica.

Alimentada a vapor e exibindo seus sons fantásticos, durante quase um século transportou pessoas e cargas, ajudando a unificar nosso país, expandindo nosso território e fomentando o surgimento e crescimento de nossas cidades.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Estação Tanquinho e seu museu

Primórdios da Linha Telefônica na Linha da Mogiana.


A locomotiva 215 nos trouxe ate a estação Tanquinho e nesta estação tem um pequeno museu ferroviário com diversas peças, equipamentos históricos utilizados neste ramal ferroviário. Aqui o revisor nos faz uma pequena apresentação contando como eram o dia a dia em outros tempos.

No Museu Ferroviário  esta exposto um sistema telefônico, a central de PABX de outra época permite ver e entender como eram feitas as chamadas telefônicas no inicio do século, graças ao nosso imperador Dom Pedro II que foi um dos primeiros governantes a comprar o invento do senhor Gharam Bell, este telefone foi instalado na Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro, onde estava instalado o Palácio Imperial.

A Cidade de Campinas comprou também algumas linhas telefônicas e instalou na cidade, para saber mais assista o video.





sábado, 16 de julho de 2016

Chegada e desembarque em Luiz Carlos

Uma pequena viagem de trem.


Após percorrermos quase 8 quilometro chegamos no aprazível e encantador distrito de Luiz Carlos, uma antiga vila Ferroviária, perdida na zona rural de Guararema.







A locomotiva para todos descem e correm para conhecer a pequena vila. Eu curioso fico aguardando e fotografando todo o processo de engate e desengate da locomotiva.

Infelizmente neste trecho nao existe uma rotunda, entao a locomotiva tem que voltar em marcha atrás, é uma pena poderiam pensar nisso nas próximas estações.

Mesmo assim é um espetáculo a parte assistir todo o processo de troca de trilhos, mudança de comutadores, retorno da locomotiva.

Indian Motorbike invadem o Brasil

Bellacosa Mainframe e o encontro inesperado com as Indian Motors

🏍️ Indian Motorcycles Invadem Guararema

Quando fomos procurar uma velha locomotiva a vapor e encontramos uma trupe sobre duas rodas

Era um passeio por Guararema, São Paulo, daqueles em que o destino já parecia suficientemente interessante por si só.

Nossa intenção naquele dia era embarcar em uma velha locomotiva a vapor restaurada e fazer um passeio ferroviário, revivendo por alguns momentos uma época em que viajar significava ouvir o apito do trem, sentir o cheiro característico da ferrovia e observar lentamente a paisagem pela janela.

Estávamos, portanto, com a cabeça nos trilhos.

Até que ouvimos o barulho.

Primeiro veio de longe. Depois ficou cada vez mais forte.



RONC! RONC! RONC!

Em poucos instantes, aquele ambiente de nostalgia ferroviária foi invadido pelo som ensurdecedor de motores. Uma verdadeira trupe sobre duas rodas estava chegando a Guararema.

E que máquinas!

Eram motocicletas Indian, com modelos simplesmente lindíssimos. Grandes, imponentes, cromadas e com aquele desenho clássico que imediatamente remete às enormes motocicletas americanas das estradas.

Naturalmente, fomos conferir.

Por alguns minutos, a velha locomotiva que nos levara até Guararema como objetivo da viagem ganhou concorrentes inesperadas.

De um lado, uma máquina histórica sobre trilhos de aço.

Do outro, máquinas igualmente fascinantes sobre duas rodas.

Talvez tenha sido justamente esse contraste que tornou aquele momento tão especial.

Fomos a Guararema atrás do som de uma locomotiva a vapor e, antes mesmo de embarcar, fomos recebidos pelo trovão dos motores das Indian.

São essas pequenas surpresas que transformam um simples passeio em memória.

E naquele dia Guararema parecia reunir duas maneiras maravilhosas de viajar:

sobre trilhos ou sobre duas rodas.



-----------------------------------------------------------------------------------

Indian Motorbike em exibição nas ruas de Guararema.


Para os aficionados por moto eis um pequeno brinde, fantásticas motos Indian em exibição. Diversos modelos em uma passeio pela Rota 66 paulista.


Isso mesmo Guararema é cortada pela SP 066 passando por bucólicas estradinhas próximo a propriedades rurais, fazendinhas, ribeiroes e riachos.

Eu e o formiguinha aproveitamos a deixa e fomos espionar de perto estas maquinas gigantes.

sábado, 9 de julho de 2016

A bagunça do formiga vendo os peixes frescos

Bellacosa Mainframe no mercado municipal de campinas entre peixes e caranguejos na velha estação ferroviaria

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 A Bagunça do Formiga Vendo os Peixes — Uma Viagem Dentro da Viagem

O Formiga enxergava peixes, caranguejos e uma enorme brincadeira. Eu enxergava também uma antiga estação, mercadorias chegando, homens trabalhando, carroças, trilhos desaparecidos e mais de um século de Campinas continuando silenciosamente ao nosso redor.

Existem centenas de pequenas aventuras com o Formiga espalhadas por este blog.

Algumas parecem importantes no momento em que acontecem. Outras parecem apenas fragmentos do cotidiano: um passeio, uma brincadeira, uma tarde qualquer, alguns minutos de vídeo.

Só muitos anos depois percebemos que aquelas pequenas gravações eram backups.

Backups de pessoas.

Backups de lugares.

Backups de uma época.

Este pequeno vídeo de julho de 2016 é um deles.

Naquele dia fomos passear pelo Mercado Municipal de Campinas. Para quem está com pressa, o Mercadão é simplesmente um lugar para comprar alguma coisa.

Para nós, não.

Nós estávamos explorando.

E explorar um mercado com uma criança é uma experiência completamente diferente.

🐜 Para o Formiga, cada banca podia esconder uma aventura.


🐟 Um oceano no meio de Campinas

Chegamos às bancas de pescado.

Peixes inteiros repousavam sobre o gelo. Havia espécies diferentes, tamanhos diferentes, formatos estranhos para os olhos de uma criança acostumada a encontrar peixe já transformado em comida.

E havia os caranguejos.

Vivos.

Aquilo imediatamente chamou a atenção do pequeno explorador.

Para um adulto passando rapidamente pela banca, eram produtos.

Para o comerciante, eram mercadoria.

Para alguém pensando no almoço, talvez já fossem mentalmente uma receita.

Para o Formiga...

eram bichos.

E isso muda completamente a perspectiva.

Quando surgiu a explicação de que aqueles caranguejos seriam preparados e comidos, incluindo suas pernas, o pequeno não pareceu particularmente satisfeito com a humanidade.

😂

Talvez naquele instante ele tenha concluído que os adultos eram criaturas bastante suspeitas.

Mas aquela brincadeira diante da peixaria escondia uma aula gigantesca.

O peixe estava contando uma história.

O caranguejo estava contando outra.

E o próprio prédio contava uma terceira.


🚂 Espere... este mercado já viu trens

É aqui que nosso passeio começa a fazer uma viagem dentro da viagem.

Porque aquele edifício não apareceu simplesmente no centro de Campinas para abrigar bancas de alimentos.

A história daquele espaço está profundamente ligada à Campinas ferroviária.

O Mercado Municipal foi inaugurado no início do século XX, em um edifício associado à história da antiga Estrada de Ferro Funilense e projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

Sim.

Ramos de Azevedo.

O mesmo universo arquitetônico de uma São Paulo e de uma Campinas que cresciam rapidamente impulsionadas pelo café, pelo comércio, pela indústria e pelas ferrovias.

Onde o Formiga enxergava uma banca de peixes, eu podia imaginar outra paisagem.

Trilhos.

Vagões.

Carroças.

Homens carregando mercadorias.

Produtos agrícolas chegando das propriedades.

Volumes sendo descarregados.

Gente embarcando.

Gente desembarcando.

O apito de uma locomotiva.

E uma ferrovia seguindo em direção ao interior.

O mundo que existia ali antes de nós.



🚂 Quando os trilhos eram a internet das mercadorias

Para explicar isso ao Formiga seria necessário começar pelo princípio.

Hoje apertamos alguns botões e uma mercadoria atravessa o país.

Naquela época, a logística tinha rodas de ferro.

Imagine um agricultor produzindo longe do centro urbano.

Sua produção precisava chegar ao consumidor.

Primeiro poderia existir uma carroça.

Depois uma estação.

Então o trem.

O produto entrava numa rede.

Quem trabalha com computadores talvez já tenha percebido onde quero chegar.

😁

A ferrovia era uma espécie de backbone físico da economia.

As pequenas estradas e carroças funcionavam como redes de acesso.

As estações eram nós.

Os entroncamentos eram grandes roteadores.

Os armazéns funcionavam como buffers.

Os horários dos trens eram nossos schedulers.

E os vagões transportavam os pacotes.

Só que os pacotes podiam ser café, frutas, verduras, animais, ferramentas, correspondência e pessoas.

Nenhum TCP/IP.

Muito vapor, carvão, suor e graxa.

🥬 A ferrovia desapareceu. A função sobreviveu.

E talvez esta seja a parte mais bonita dessa história.

Os trens desapareceram daquele lugar.

Os trilhos foram embora.

As locomotivas deixaram de apitar.

Mas observe o que continua acontecendo dentro do velho edifício.

Alimentos chegam.

Alimentos são organizados.

Alimentos são comercializados.

Pessoas chegam para buscá-los.

E alimentos partem novamente para abastecer famílias.

O modal mudou.

A escala mudou.

A tecnologia mudou.

Mas alguma coisa da antiga missão permaneceu viva.

Aquilo continua sendo um ponto de convergência.

Uma espécie de hub.

Só que agora os vagões foram substituídos por caminhões, utilitários, automóveis, motocicletas e sacolas carregadas por pessoas.

O mainframe continua funcionando.

Trocaram apenas alguns periféricos.

😁

🦀 E o caranguejo veio de muito longe

Enquanto penso em ferrovias desaparecidas, o Formiga continua interessado no caranguejo.

E aquele pequeno animal oferece outra aula.

Como ele chegou até Campinas?

Não apareceu magicamente dentro daquela banca.

Existe uma cadeia antes daquele balcão.

Mangue.

Captura.

Seleção.

Acondicionamento.

Transporte.

Distribuição.

Comerciante.

Mercado.

Consumidor.

Há trabalhadores invisíveis em cada etapa.

Da mesma maneira, aquele peixe vindo do litoral percorreu centenas de quilômetros até terminar sobre uma camada de gelo diante de um menino curioso no interior paulista.

O Formiga não precisava conhecer naquele momento palavras como cadeia logística, perecibilidade, distribuição, cadeia de frio ou abastecimento urbano.

Ele precisava apenas perguntar:

— Vaguinho, que peixe é esse?

E brincar.

O conhecimento viria depois.

Primeiro vem a curiosidade.

🏪 As pequenas lojas são parte da máquina

Outra coisa fascinante no Mercadão são suas pequenas lojas.

Quitandas.

Boxes.

Empórios.

Peixarias.

Temperos.

Grãos.

Carnes.

Doces.

Produtos que talvez você nem estivesse procurando até passar diante deles.

Cada comerciante ocupa alguns metros quadrados.

Mas todos juntos formam um organismo.

Pessoas entram e saem continuamente.

Uma senhora conhece exatamente a banca onde compra determinado produto.

O comerciante reconhece clientes antigos.

Alguém pergunta o preço.

Outro escolhe uma fruta.

Outro está pensando no almoço de domingo.

Alguém carrega sacolas.

Outro corre porque estacionou onde não deveria.

😂

E no meio dessa multidão apressada estavam dois indivíduos completamente improdutivos.

Eu e o Formiga.

Enquanto todos estavam tentando comprar alguma coisa...

nós estávamos tentando descobrir coisas.

🐜 A vantagem de explorar com uma criança

Crianças possuem uma característica maravilhosa que muitos adultos perdem.

Elas não respeitam nossa classificação de importância.

Uma placa histórica pode ser ignorada.

Um caranguejo mexendo uma perninha pode se tornar o acontecimento mais importante do universo.

E talvez elas estejam certas.

Porque enquanto nós procuramos grandes monumentos, elas encontram pequenas histórias.

Foi assim em centenas de aventuras com o Formiga.

Parques.

Trens.

Mercados.

Circos.

Quermesses.

Animais.

Comidas.

Pequenas caminhadas.

Coisas aparentemente banais.

Nunca precisei transformar cada passeio numa aula formal.

Não havia PowerPoint.

Não havia prova.

Não havia certificado.

Não havia badge.

Havia curiosidade.

💾 O vídeo era um backup e eu não sabia

Em julho de 2016 publiquei aquele pequeno vídeo praticamente como uma brincadeira.

"A bagunça do Formiga vendo os peixes frescos."

Era isso.

Dez anos depois, percebo que havia muito mais informação armazenada naquele arquivo.

Ali está o Formiga pequeno.

Ali está sua voz.

Sua reação.

Nossa conversa.

A banca.

Os peixes.

Os caranguejos.

O Mercado Municipal.

Campinas naquele momento.

E, invisíveis atrás das paredes, mais de cem anos de outras pessoas que passaram por aquele mesmo espaço.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais gosto tanto desses pequenos registros.

Um vídeo aparentemente sem importância pode tornar-se uma máquina do tempo.

🥚 Easter egg — procure os trilhos que não aparecem

Existe um easter egg gigantesco naquele vídeo.

Você pode assistir várias vezes e nunca vê-lo.

São os trilhos.

Eles não aparecem.

Mas estão lá.

Não fisicamente.

Historicamente.

Enquanto o Formiga olha os peixes, imagine por alguns segundos outra Campinas.

Retire mentalmente os carros.

Retire as motocicletas.

Retire os celulares.

Retire algumas construções modernas.

Agora coloque carroças.

Homens carregando caixas.

Mercadorias agrícolas.

Passageiros.

Funcionários ferroviários.

E ao fundo...

uma locomotiva.

Talvez seja essa uma das grandes maravilhas de conhecer a história de um lugar.

Depois que aprendemos a enxergar o passado, algumas coisas desaparecidas tornam-se impossíveis de deixar de ver.

☕ Uma viagem dentro da viagem

Naquele dia fomos ao Mercado Municipal.

Mas também fomos ao litoral através dos peixes.

Fomos aos manguezais através dos caranguejos.

Voltamos ao início do século XX através do edifício.

Viajamos pela antiga ferrovia sem embarcar em nenhum trem.

Conhecemos trabalhadores que nunca vimos através dos produtos que chegaram às bancas.

E tudo isso aconteceu enquanto um pequeno Formiga fazia bagunça diante de alguns peixes.

Talvez ele não tivesse ideia da cadeia logística.

Talvez não soubesse quem foi Ramos de Azevedo.

Talvez não soubesse que trens estiveram ligados à história daquele lugar.

E não precisava saber.

Naquele momento bastava uma coisa.

Estar curioso.

Eu podia fornecer o resto.

Essa talvez seja a melhor definição das centenas de pequenas aventuras que tivemos juntos:

eu mostrava lugares ao Formiga — e o Formiga fazia com que eu voltasse a olhar para esses lugares como se também estivesse vendo tudo pela primeira vez.

🐜🐟🚂☕

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O formiguinha se assustou com os caranguejos...


Em nossa voltinha pelo mercado municipal de Campinas, o formiguinha esta encantado com os peixes e se assustou com os caranguejos.



Estamos fazendo a maior bagunça vendo os peixes e comentando os diversos tipos de peixe que tem nesta banca... peixe fresco e suculento para um delicioso almoço de final de semana.

Eca... o formiga nao curtiu nada a ideia de comer caranguejos, detestou imaginar que se arranca as perninhas e come o bicho.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Trenzinho e mini ferrovia no Iguatemi

Bellacosa Mainframe e as aventuras do formiga no trenzinho do shopping

Um Café no Bellacosa Mainframe

Uma tarde na fazendinha do Shopping Iguatemi de Jundiai e seu trenzinho.

Aquele era um daqueles programas simples e divertidos que fazíamos juntos: eu, Juliana e o Formiga.

Juliana adorava inventar programas para quando estávamos com ele. Não precisava ser uma grande viagem, um parque gigantesco ou alguma aventura cuidadosamente planejada com semanas de antecedência. Bastava descobrir alguma coisa diferente acontecendo por perto e pronto: lá íamos nós.

E o Iguatemi Jundiaí proporcionava algumas dessas pequenas aventuras.

Naquele dia havia uma espécie de fazendinha montada dentro do shopping. Para um adulto passando apressado pelo corredor, talvez fosse apenas mais uma atração temporária: algumas cercas decorativas, bichinhos cenográficos, um moinho de vento e um pequeno trem circulando pelo cenário.

Mas tente olhar aquilo com os olhos de uma criança.

🐄 Havia vaquinhas.

🐑 Ovelhinhas.

🌾 Uma pequena fazenda.

🌬️ Um moinho de vento.

🚂 E, principalmente, havia um trem.

Pronto.

O shopping desapareceu.



🚂 Quando o trenzinho virou uma ferrovia de verdade

Para o Formiga, aquilo não era simplesmente um brinquedo dando voltas dentro de um shopping.

Era uma ferrovia.

E ferrovia precisa ser explorada.

Entrar naquele pequeno trem significava atravessar a fronteira invisível entre o mundo dos adultos e o território da imaginação.

O moinho já não era decoração.

A vaca não era apenas uma representação de plástico.

As ovelhas não estavam simplesmente colocadas ali para compor o cenário.

Tudo fazia parte daquele novo mundo.

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de observar numa criança: ela não precisa que a ilusão seja perfeita para acreditar na aventura.

Nós, adultos, enxergamos os fios, as estruturas, as placas, os funcionários e os limites da atração.

Uma criança enxerga outra coisa.

Ela completa aquilo que está faltando.

Onde existe um metro de trilho, imagina quilômetros.

Onde existe uma pequena casinha cenográfica, surge uma fazenda inteira.

Onde existe um moinho de vento artificial, provavelmente existe algum lugar distante que precisa ser descoberto.

E onde existe um trenzinho...

existe uma viagem.



🐜 O Formiga atravessa o portal

Era justamente isso que tornava aqueles passeios tão divertidos.

O Formiga tinha aquela capacidade maravilhosa de entrar na brincadeira.

A atração podia ocupar apenas alguns metros quadrados do shopping, mas o território imaginário era praticamente infinito.

Ele embarcava.

O trem começava a andar.

E naquele instante acontecia alguma coisa que nenhum ingresso explicava.

O brinquedo transformava-se em portal.

Do lado de fora estávamos eu e Juliana, provavelmente enxergando um menino feliz andando num trenzinho.

Do lado de dentro, porém, quem sabe onde ele estava?

Talvez atravessando uma fazenda.

Talvez conduzindo uma locomotiva.

Talvez explorando algum lugar que somente ele conseguia enxergar.

Essa é uma diferença enorme entre a memória de um adulto e a memória de uma criança.

Eu consigo lembrar da estrutura.

Do shopping.

Da decoração.

Do moinho.

Dos animais.

Do pequeno circuito ferroviário.

Mas talvez o Formiga tenha guardado algo completamente diferente.

Ele pode ter guardado a aventura.



❤️ Juliana tinha entendido uma coisa importante

Olhando essas imagens tantos anos depois, percebo também outra personagem importante daquela história.

Juliana.

Ela gostava de criar esses programas.

Descobria uma atração, uma festa, um parque, um espetáculo ou alguma novidade e queria levar o Formiga.

Talvez porque tivesse entendido intuitivamente uma coisa que nós adultos frequentemente esquecemos:

infância não precisa necessariamente de grandes acontecimentos.

Ela precisa de acontecimentos.

Um passeio.

Uma pescaria de quermesse.

Um circo.

Um parque.

Um videogame.

Um brinquedo diferente.

Um trenzinho montado dentro de um shopping.

Separadamente, parecem coisas pequenas.

Quando colocadas umas ao lado das outras, porém, começam a formar algo gigantesco:

uma infância cheia de histórias.

🚂 Para alguns, apenas uma atração

E talvez seja justamente por isso que resolvi recuperar esta pequena postagem de 2016.

Porque alguém poderia olhar para aquelas fotografias e dizer:

— Ah, era um trenzinho no shopping.

Sim.

Era.

Para quem estava passando pelo corredor, talvez fosse exatamente isso.

Uma atração infantil.

Alguns minutos de diversão.

Um cenário desmontável que provavelmente desapareceria alguns dias depois para dar lugar a outra coisa.

Mas memória funciona de maneira diferente.

O cenário desaparece.

O shopping muda.

A atração é desmontada.

As crianças crescem.

E então, dez anos depois, alguém encontra algumas fotografias antigas e percebe que aquele pequeno trem continua circulando.

Não mais sobre os trilhos da fazendinha.

Agora ele circula dentro da memória.

🥚 Easter egg — talvez o trem nunca tenha sido pequeno

Existe ainda uma ironia maravilhosa escondida nesta história.

Quem acompanha estas páginas sabe da minha antiga paixão por ferrovias, locomotivas, estações e trilhos.

Passei boa parte da vida procurando estações abandonadas, observando trens, estudando antigas ferrovias e transformando viagens em desculpas para encontrar mais um pedaço de trilho perdido.

E naquele dia lá estava eu...

vendo o Formiga embarcar numa ferrovia em miniatura.

Talvez por isso eu tenha fotografado.

Talvez por isso aquela atração aparentemente banal tenha chamado minha atenção.

Ou talvez existisse uma inversão muito mais divertida acontecendo diante de nós.

Eu poderia enxergar perfeitamente que aquele trem era pequeno.

O Formiga provavelmente não.

Para ele, durante aqueles poucos minutos, o mundo é que havia ficado maior.

E talvez seja essa uma das definições mais bonitas da infância.

Para alguns adultos que passavam pelo Iguatemi naquele dia, aquilo era somente uma atração.

Para Juliana, era mais um programa divertido que havia encontrado para fazermos juntos.

Para mim, tornou-se uma fotografia, uma postagem e, anos depois, uma memória recuperada.

Mas para o Formiga?

🚂 Aquilo era um portal mágico para a próxima aventura.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Um  programa em família no shopping Iguatemi de Jundiai.


Este shopping tem investido pesado nas atraçoes culturais. Desta vez foi uma fazendinha com diversos atractivos para as crianças.



Inicia-se com uma carroça para tirar foto, posteriormente tem uma mini ferrovia que circula por um campo repleto de surpresas, que vai instigar a imaginação dos pequeninos.

Esquilos peraltas, vaquinhas simpáticas, moinho de vento e diversas peças saídas directo da fazenda.

Na outra parte da atracção com jogos interactivos, temos jogos de argolas e pescaria.

sábado, 18 de junho de 2016

Uma volta pelo centro de Campos de Jordao

Bellacosa Mainframe passeando por Campos do Jordão

Um belo dia de inverno

Uma volta pelo centro de Campos de Jordao

Acompanhando os caminhos de ferro, eu observava a paisagem passar lentamente pela janela.

As casinhas típicas apareciam uma depois da outra, quase acompanhando os trilhos. Pelas ruas, havia um movimento anormal de turistas. Muitas motos cortavam o trânsito, surgindo entre carros, esquinas e pequenas multidões.

Era inverno.

Do lado de fora, a cidade parecia especialmente viva.

O roncar dos motores misturava-se a uma música disco que tocava no rádio. Uma combinação estranha, mas perfeita para aquele momento. Eu não tinha pressa. Apenas apreciava a paisagem urbana enquanto o carro avançava lentamente.

Ou tentava avançar.

O trânsito estava um verdadeiro fuá.

Carros por todos os lados, motos passando pelos espaços impossíveis, turistas atravessando, gente procurando onde estacionar, gente olhando mapas, gente simplesmente parada admirando aquilo que para os moradores provavelmente já fazia parte da rotina.

E nós seguíamos devagar.

Metro após metro.

O rádio tocando.

Os motores roncando.

Os trilhos aparecendo de vez em quando ao nosso lado.

E aquela paisagem de inverno passando lentamente pela janela.

Naquele momento, o congestionamento não parecia exatamente um problema.

Era parte da viagem.



-----------------------------------------------------------------------------------

Um belo dia de inverno.


Acompanhando os caminhos de ferro e vendo a paisagem com as casinhas típicas, o movimento anormal de turistas, muitas motos pelas ruas.



Ouvindo o roncar dos motores e uma musica disco na radio e apreciando a paisagem urbana.

O carro lentamente avançando naquele fua de transito, confusao de turistas.

sábado, 4 de junho de 2016

Equipamentos ferroviários abandonados


Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Equipamentos Ferroviários Abandonados — Entre a Ferrugem e os Fantasmas da FEPASA

Naquele sábado, enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu caminhava entre locomotivas, oficinas vazias e ferramentas esquecidas. Não estava apenas explorando ruínas. Estava tentando ouvir novamente um mundo que havia parado de funcionar.

Voltei à Estação Cultura de Campinas.

Enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu precisava encontrar alguma maneira de matar o tempo.

E poucas coisas combinam mais comigo do que isto:

zanzar.

Sem roteiro.

Sem guia.

Sem saber exatamente o que encontraria depois da próxima porta.

Assim comecei novamente a explorar as estruturas ferroviárias espalhadas pelo enorme complexo da antiga estação.

Só que, quanto mais caminhava, mais aquela exploração adquiria outro significado.

Porque havia uma quantidade impressionante de coisas abandonadas.

E algumas delas eram verdadeiros tesouros.


🚶 Zanzando pelas ruínas

Eu entrava em um galpão.

Depois em outro.

Olhava por uma porta.

Contornava uma construção.

Seguia um trilho.

Encontrava outra estrutura.

Fotografava.

Filmava.

Curiava.

Era praticamente uma pequena expedição de arqueologia industrial.

Havia velhas locomotivas diesel, equipamentos ferroviários, vagões de serviço, guindastes, restos de oficinas, ferramentas e enormes peças metálicas cuja função original nem sempre era imediatamente evidente.

Em alguns lugares apareciam aqueles parafusos gigantescos que parecem absurdos para quem está acostumado com objetos domésticos.

Mas aquilo era ferrovia.

Ali tudo precisava suportar toneladas.

Cada peça dava uma pista sobre o que aquele lugar havia sido.


🕸️ O silêncio depois da oficina

O que mais impressionava, entretanto, não era aquilo que estava ali.

Era aquilo que não estava mais.

As pessoas.

Imaginei aqueles mesmos galpões décadas antes.

O som de metal contra metal.

Martelos.

Ferramentas pneumáticas.

Motores.

Solda.

Pontes rolantes.

Homens gritando alguma instrução de um lado para outro.

Uma locomotiva entrando para manutenção.

Outra esperando uma peça.

Alguém desmontando um componente.

Outro funcionário verificando medidas.

Óleo.

Graxa.

Fumaça.

Calor.

Barulho.

Vida.

Agora havia silêncio.

Em algumas estruturas, teias de aranha.

Em outras, ferrugem.

Partes haviam sido saqueadas.

Objetos desapareciam lentamente.

O tempo fazia o restante do serviço.

E algumas daquelas construções abandonadas acabavam servindo de abrigo improvisado para pessoas em situação de rua.

Era impossível olhar para aquilo sem sentir um aperto no coração.


🔧 Quando uma ferramenta deixa de ser apenas uma ferramenta

Para alguém passando rapidamente pelo lugar, aquilo talvez fosse apenas tralha.

Ferro velho.

Uma peça enferrujada.

Um parafuso enorme jogado em algum canto.

Mas bastava colocar um pouquinho de imaginação para aquilo começar a funcionar novamente.

Eu olhava para uma oficina vazia e tentava reconstruí-la mentalmente.

Aqui poderia ter trabalhado um mecânico.

Ali talvez fosse feita determinada manutenção.

Naquele ponto alguma peça pesada poderia ter sido içada.

Aquele equipamento provavelmente tinha uma função específica.

E, de repente, o galpão abandonado ficava novamente cheio de gente.

Essa talvez seja uma das coisas mais fascinantes da arqueologia industrial.

As máquinas contam a história das pessoas.

👷 Pessoas ganharam o pão de cada dia aqui

Era nisso que eu pensava enquanto fotografava.

Não queria registrar apenas locomotivas.

Queria, mesmo sem perceber completamente naquele momento, homenagear quem havia trabalhado ali.

Durante décadas, milhares de pessoas tiveram sua vida ligada à ferrovia.

Maquinistas.

Mecânicos.

Eletricistas.

Caldeireiros.

Soldadores.

Engenheiros.

Operadores.

Manobristas.

Funcionários administrativos.

Trabalhadores das oficinas.

Gente que acordava cedo, batia o ponto, trabalhava, reclamava do chefe, esperava o almoço, contava os dias para receber o salário e depois voltava para casa.

Com aquele dinheiro criaram filhos.

Compraram comida.

Pagaram aluguel.

Construíram casas.

Formaram famílias.

A ferrovia não era somente trilho e locomotiva.

Era trabalho.

E aqueles galpões foram, durante muito tempo, o lugar onde muita gente ganhou o pão de cada dia com seu labor.

🔍 Procurando a rotunda da Mogiana

Em determinado momento resolvi procurar uma coisa específica.

A rotunda ferroviária associada à antiga Mogiana.

Uma rotunda é uma daquelas estruturas maravilhosas da ferrovia clássica: locomotivas eram posicionadas por meio de uma ponte giratória e distribuídas para diferentes baias de manutenção ou estacionamento.

Para alguém apaixonado por ferrovia, encontrar uma estrutura dessas seria quase descobrir um templo perdido.

Então fui procurar.

Andei.

Observei trilhos.

Tentei interpretar estruturas.

Procurei vestígios.

Mas falhei.

Não encontrei a rotunda naquele dia.

Talvez estivesse procurando no lugar errado.

Talvez alguma transformação do complexo dificultasse identificar o que procurava.

Mas curiosamente isso tornou a exploração ainda mais divertida.

Havia sempre a sensação de que alguma coisa poderia estar escondida depois do próximo galpão.

Era meu pequeno Indiana Jones ferroviário.

Só faltava o chapéu.

🏗️ A infraestrutura que ajudou a construir São Paulo

Mas existe uma dimensão maior nessa história.

Aquelas ruínas não representam somente uma empresa ferroviária que deixou de operar daquela maneira.

Representam parte de uma infraestrutura que teve enorme importância para o desenvolvimento econômico do interior paulista.

As ferrovias acompanharam e estimularam ciclos econômicos, conectaram áreas produtoras aos grandes centros e ao porto, facilitaram deslocamentos e ajudaram cidades a crescer.

Também transportaram pessoas.

Entre elas, inúmeros imigrantes e trabalhadores que avançaram pelo interior em busca de oportunidades.

Onde o trilho chegava, novas possibilidades apareciam.

Mercadorias circulavam.

Pessoas circulavam.

Informação circulava.

Capital circulava.

Cidades se transformavam.

Por isso me incomodava profundamente observar tamanho patrimônio sendo lentamente consumido.

🇧🇷 Um país estranho diante da própria memória

Enquanto caminhava entre aquelas estruturas, surgia uma raiva silenciosa.

Porque há algo que sempre achei difícil compreender no Brasil.

Em muitos lugares do mundo, antigas estruturas ferroviárias são restauradas, preservadas e transformadas em museus, centros culturais, ferrovias turísticas ou espaços de interpretação histórica.

Não porque alguém seja simplesmente apaixonado por locomotivas.

Mas porque aquilo é considerado patrimônio tecnológico, industrial e social.

Uma velha oficina explica como uma sociedade trabalhava.

Uma locomotiva explica engenharia.

Uma estação explica urbanização.

Um mapa ferroviário explica economia.

Uma ferramenta explica tecnologia.

Uma fotografia dos trabalhadores explica sociedade.

Quando destruímos tudo isso, não perdemos apenas objetos.

Perdemos páginas inteiras de nossa própria história.

E ali, diante de mim, algumas dessas páginas estavam sendo comidas pela ferrugem.

🚛 Quando percebemos a falta que a ferrovia faz

Anos depois, durante crises logísticas como a paralisação nacional dos caminhoneiros de 2018, ficou novamente evidente o tamanho da dependência brasileira do transporte rodoviário.

Postos ficaram sem combustível.

Produtos deixaram de chegar.

Cadeias logísticas sofreram.

Supermercados começaram a sentir os efeitos.

Não significa que uma ferrovia substituiria magicamente os caminhões.

Cada modal possui sua função.

Mas uma infraestrutura nacional mais equilibrada e diversificada aumenta alternativas e resiliência.

E eu inevitavelmente lembraria daqueles trilhos.

Daquelas oficinas.

Daquelas locomotivas.

Daquilo que havíamos deixado desaparecer.

🚂 A locomotiva enferrujada ainda estava trabalhando

Talvez essa seja a ironia mais bonita daquela tarde.

As locomotivas estavam paradas.

Mas ainda estavam trabalhando.

Não transportavam mais passageiros.

Não puxavam vagões.

Não movimentavam cargas.

Mas transportavam memória.

Cada fotografia que fiz naquele sábado roubou alguma coisa do esquecimento.

Cada minuto de vídeo preservou um pedaço daquele lugar.

Mesmo uma ferramenta enferrujada fotografada sem saber exatamente para que servia passou a existir em outro lugar além daquele galpão.

No meu arquivo.

Na Internet.

Neste blog.

Na memória.

📸 Fotografar também pode ser uma forma de preservação

Na época talvez eu estivesse simplesmente fazendo aquilo que sempre gostei de fazer.

Explorar.

Fotografar.

Filmar.

Descobrir.

Mas tantos anos depois percebo outra dimensão desses registros.

Algumas coisas que fotografei talvez nem existam mais.

Um objeto pode ter sido levado.

Uma parede pode ter caído.

Uma estrutura pode ter sido restaurada.

Outra pode ter desaparecido.

A vegetação pode ter tomado determinado espaço.

O lugar muda.

A fotografia fica.

É por isso que tenho tanto carinho por esses velhos registros aparentemente banais.

Quando foram produzidos eram apenas fotografias de sábado.

Com o tempo começaram a virar documentos.

👻 Os fantasmas não estavam mortos

Continuei caminhando.

E quanto mais olhava, menos abandonado aquele lugar parecia dentro da minha cabeça.

Eu conseguia imaginar novamente as oficinas funcionando.

As fundições.

Os reparos.

As locomotivas entrando.

Os guindastes trabalhando.

As ferramentas passando de mão em mão.

Os operários caminhando pelos galpões.

Talvez seja esse o verdadeiro poder das ruínas.

Elas exigem participação de quem observa.

Uma construção nova mostra aquilo que ela é.

Uma ruína obriga você a imaginar aquilo que ela foi.

E naquele sábado minha imaginação trabalhou horas extras.

☕ O ocaso de uma ferrovia

Enquanto Ana Paula estudava teatro, eu havia encontrado outro palco.

Não havia cortina.

Não havia atores.

Não havia plateia.

O cenário era feito de tijolos, trilhos, óleo antigo e aço enferrujado.

Os protagonistas haviam ido embora muitos anos antes.

Mas os objetos permaneciam no palco.

Uma locomotiva.

Um guindaste.

Um vagão.

Uma ferramenta.

Um parafuso gigantesco.

Uma oficina vazia.

Cada um esperando alguém suficientemente curioso para perguntar:

“O que aconteceu aqui?”

Naquele sábado eu fiz exatamente isso.

Zanzei.

Explorei.

Fotografei.

Filmei.

Curiei cada canto que consegui.

Procurei uma rotunda e não encontrei.

Encontrei dezenas de outras coisas que nem sabia que estava procurando.

Fiquei maravilhado.

Fiquei triste.

Fiquei indignado.

E continuei fotografando.

Porque talvez eu já soubesse, mesmo sem formular isso claramente, que um dia aquelas imagens seriam importantes.

Naquela tarde, este que vos escreve não conseguiu salvar locomotivas, oficinas ou equipamentos.

Mas conseguiu fazer uma pequena coisa.

Relembrou a glória da ferrovia e eternizou um pedaço de seu ocaso.

E enquanto existir alguém disposto a olhar uma fotografia antiga, reconhecer uma locomotiva enferrujada e perguntar quem trabalhou nela...

talvez aqueles velhos ferroviários ainda não tenham terminado completamente o seu turno.

Bellacosa

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Belíssimos exemplares de maquinaria ferroviário.


Estamos na antiga oficina mecânica da estação ferroviária de Campinas. Este prédio que outrora abrigou um grande complexo de manutenção de trens e locomotivas.

Hoje abandonado guarda em seu interior alguns tesouros para os amantes de locomotivas, guindaste tipo grua, locomotiva a diesel, locomotiva eléctrica, vagões e vários artefactos.



No complexo existe um poço para manutenção sob as locomotivas. Possível descer e espionar como era o funcionamento da oficina.

 Pena que o abandono e generalizado, pois daria um excelente museu.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...