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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

The Seven Deadly Sins: Dragon's Judgement — O Último Julgamento dos Sete Pecados

 

Bellacosa Mainframe e o the seven deadly sins dragons judgement

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The Seven Deadly Sins: Dragon's Judgement — O Último Julgamento dos Sete Pecados

Ou: Ban foi buscar a alma do melhor amigo no Purgatório, Meliodas resolveu uma pendência familiar com o Rei dos Demônios, Zeldris descobriu que pai tóxico existe até no Inferno, Merlin abriu uma porta que deveria permanecer fechada e Escanor descobriu que até o Sol um dia precisa se pôr

Toda aplicação antiga chega a um momento particularmente delicado.

Durante anos você acrescentou funções.

Criou interfaces.

Resolveu incidentes.

Adicionou patches.

Descobriu dependências que ninguém documentou.

Trouxe processos mortos de volta à vida.

E então chega o chamado inevitável:

Encerrar o sistema.

Parece simples.

Nunca é.

Porque antes de desligar aquele mainframe narrativo você precisa fechar:

Meliodas e Elizabeth.

Ban e Elaine.

King e Diane.

Zeldris e Gelda.

Escanor e Merlin.

Demon King.

Goddess Clan.

Gowther.

Chaos.

Arthur.

E aproximadamente três mil anos de dívida técnica mitológica.

Bem-vindo a:

The Seven Deadly Sins: Dragon's Judgement

a última temporada da série principal de Nanatsu no Taizai.

E aqui encontramos talvez o problema mais curioso de todo o anime:

a história finalmente chega ao destino justamente quando parte do público já havia descido do ônibus.



🇯🇵 1. O título original

O nome japonês é:

七つの大罪 憤怒の審判

Romanização:

Nanatsu no Taizai: Funnu no Shinpan

O título internacional escolhido foi:

The Seven Deadly Sins: Dragon's Judgement

“Funnu no Shinpan” aproxima-se literalmente de algo como:

Julgamento da Ira

ou:

Julgamento da Fúria.

A versão internacional preferiu Dragon's Judgement, fazendo uma ligação evidente com Meliodas, o:

Dragon's Sin of Wrath.

É apropriado.

Porque esta temporada é essencialmente o julgamento final de:

Meliodas,

sua família,

sua maldição

e tudo aquilo que começou três mil anos antes.


📅 2. Quando estreou?

A temporada estava originalmente planejada para 2020.

Então apareceu um adversário que nem Escanor poderia enfrentar no braço:

COVID-19.

A produção foi adiada.

A estreia japonesa acabou acontecendo em:

13 de janeiro de 2021

pelas emissoras TV Tokyo e BS TV Tokyo.

O último episódio foi exibido em:

23 de junho de 2021.

São:

24 episódios.

A Netflix lançou internacionalmente a primeira metade em junho de 2021 e posteriormente os episódios restantes.

E assim chegamos aos famosos:

100 episódios

da série principal, se contarmos os quatro episódios de Signs of Holy War junto das quatro temporadas completas.


🎨 3. Quem produziu Dragon's Judgement?

O estúdio permaneceu:

Studio Deen

que já havia assumido Wrath of the Gods.

A direção continuou com:

Susumu Nishizawa.

A composição da série ficou com:

Rintarou Ikeda.

A trilha sonora novamente contou com:

Hiroyuki Sawano, KOHTA YAMAMOTO e Takafumi Wada.

Portanto, em vez de trocar novamente toda a infraestrutura depois da temporada anterior, a produção manteve essencialmente a mesma base.

Isso trouxe uma coisa importante:

continuidade.

Mas não necessariamente significou voltar ao padrão visual da A-1 Pictures.


🛠️ 4. A animação melhorou?

Aqui entramos numa discussão interessante.

Depois do desastre de reputação de Wrath of the Gods, qualquer melhoria já seria recebida como:

O SERVIDOR VOLTOU!

E existem críticas contemporâneas reconhecendo melhoria real em Dragon's Judgement, particularmente em algumas lutas e cenas importantes. Outras avaliações consideraram que o resultado ainda estava muito abaixo do auge da franquia.

Ou seja:

melhorou.

Mas:

não apagou a cicatriz.

É como corrigir um grande incidente em produção.

O sistema está funcionando novamente.

Mas o cliente ainda lembra da sexta-feira em que ficou quatro horas fora do ar.


✍️ 5. O autor continua sendo Nakaba Suzuki

A origem de tudo permanece:

Nakaba Suzuki

autor e ilustrador do mangá Nanatsu no Taizai.

O mangá principal foi concluído com:

41 volumes.

A Kodansha mantém a série como completa e classificada como 13+ em sua edição internacional.

E Dragon's Judgement adapta justamente a reta final desse material.

Portanto aqui não estamos diante de filler.

Estamos literalmente chegando às últimas páginas da grande saga.


📖 6. Onde a temporada começa?

A situação está delicada.

Meliodas pretende:

tornar-se Demon King.

Não porque decidiu que conquistar o Inferno seria uma atividade interessante para quarta-feira.

Mas porque acredita que alcançar esse poder pode finalmente permitir:

quebrar a maldição dele e de Elizabeth.

Só existe um problema.

Para tornar-se Demon King...

ele precisa absorver:

os Ten Commandments.

Enquanto isso:

Ban está no Purgatório.

Elizabeth está em perigo.

Estarossa revelou-se Mael.

Zeldris permanece ligado ao pai.

E a Guerra Santa está praticamente entrando nos capítulos finais.


🔥 7. Ban no Purgatório

Aqui acontece um dos melhores arcos de Ban.

Durante boa parte da franquia ele possuía:

imortalidade.

Isso produzia muitas cenas excelentes.

Corta Ban.

Ele regenera.

Explode Ban.

Ele regenera.

Perfura Ban.

Ban reclama.

Mas no Purgatório finalmente encontramos um ambiente tão brutal que:

até a imortalidade começa a parecer pouco.

Ban vai até lá com um objetivo.

Encontrar:

as emoções de Meliodas.

Porque aquilo que foi arrancado do amigo está preso nesse lugar infernal.


🤝 8. Ban e Meliodas — a amizade que sobrevive ao Inferno

É fácil esquecer isso porque Nanatsu possui toneladas de romance.

Mas uma das relações mais importantes de toda a série é:

Ban e Meliodas.

Eles são amigos.

Não “colegas de equipe”.

Não simplesmente dois personagens importantes.

Amigos.

Ban literalmente atravessa o Purgatório para procurar aquilo que resta emocionalmente de Meliodas.

Existe algo muito bonito nisso.

O sujeito conhecido como:

Ganância

faz uma das coisas mais altruístas da história.

Mais uma vez o pecado é uma etiqueta.

Não uma definição.


🐉 9. O Demon King finalmente deixa de ser lenda

Durante muito tempo ouvimos:

Demon King.

Parece uma espécie de administrador supremo do ambiente infernal.

Mas aqui ele finalmente passa a ocupar diretamente a história.

E descobrimos algo perfeitamente previsível:

pai do ano ele não é.

Meliodas e Zeldris não são apenas filhos.

São:

recursos.

recipientes.

instrumentos.

peças de um plano maior.

O Demon King representa uma forma extrema de:

autoridade que considera filhos extensões de si mesma.

E isso será fundamental.


🧠 10. O verdadeiro conflito não é filho contra pai

É:

indivíduo contra controle.

Meliodas quer escolher Elizabeth.

Zeldris quer escolher Gelda.

O Demon King quer escolher por ambos.

A batalha familiar torna-se então quase política.

Quem decide:

quem você ama?

qual será seu destino?

o que você deve sacrificar?

qual papel você ocupará?

É curioso que um anime cheio de explosões termine colocando no centro uma pergunta simples:

quem possui direito sobre a sua vida?


👿 11. Meliodas vira o campo de batalha

O Demon King tenta utilizar Meliodas como:

novo recipiente.

E aqui temos uma das imagens conceituais mais interessantes da temporada.

Enquanto o corpo de Meliodas se torna palco da manifestação do pai...

suas emoções lutam no Purgatório.

Ou seja:

há uma batalha exterior

e uma batalha interior.

O corpo diz uma coisa.

A consciência diz outra.

É quase a versão shōnen de:

PROCESS ACTIVE
OWNER UNKNOWN

🦊 12. Ban finalmente volta

E o Ban que retorna do Purgatório não é exatamente o mesmo Ban que entrou.

Ele passou uma quantidade absurda de tempo subjetivo naquele ambiente.

Seu corpo precisou adaptar-se.

Sua resistência aumentou.

Seu poder aumentou.

E talvez mais importante:

ele amadureceu.

Aquele sujeito que começou a franquia como um ladrão imortal debochado agora é alguém disposto a abrir mão do maior benefício que possuía.


🌳 13. Ban faz sua verdadeira escolha

Elaine está morrendo.

Ban possui:

Fonte da Juventude dentro dele.

Aquilo que lhe proporciona imortalidade.

Então ele escolhe:

dar isso a Elaine.

A Ganância entrega seu maior tesouro.

É provavelmente uma das melhores conclusões simbólicas de personagem da série inteira.

Ban começa definido por:

Greed.

Termina praticando:

desapego.

Não existe muito mais para explicar.

É exatamente assim que um arco deve fechar.


❤️ 14. Ban e Elaine finalmente podem viver

Existem complicações possíveis na leitura da relação entre ambos.

Mas dentro da lógica narrativa de Nanatsu, o fechamento é claro.

Depois de:

separação,

morte,

imortalidade,

Purgatório,

ressurreição,

sofrimento...

os dois finalmente ganham:

tempo juntos.

Curiosamente, aquilo que Ban buscou durante quase toda a obra não era poder.

Era simplesmente:

vida compartilhada.


😈 15. Zeldris deixa de ser simplesmente “irmão malvado”

Quanto mais conhecemos Zeldris...

menos ele parece um vilão convencional.

Sua lealdade ao Demon King possui contexto.

Sua relação com Meliodas possui ressentimento.

Sua grande motivação envolve:

Gelda.

Uma vampira.

Seu amor.

E mais uma vez descobrimos:

os irmãos Meliodas e Zeldris são muito mais parecidos do que gostariam de admitir.

Ambos colocaram o amor acima da ordem imposta pelo pai.


🧛 16. Gelda importa justamente porque torna Zeldris humano

Zeldris passa boa parte da série parecendo:

frio,

disciplinado,

ameaçador,

quase militar.

Então descobrimos Gelda.

E tudo ganha contexto.

O homem que parecia obedecer ao pai pela pura lógica demoníaca também estava:

tentando recuperar alguém que amava.

Isso não absolve tudo que fez.

Mas explica.

E explicação não é absolvição.

Uma distinção narrativa importante.


🧠 17. Mensagem escondida: vilão com motivo continua responsável

Nanatsu trabalha cada vez mais com personagens moralmente complicados.

Zeldris possui motivo.

Gloxinia tinha motivo.

Drole tinha motivo.

Estarossa/Mael tinha contexto.

Gowther tinha objetivos.

Mas possuir razão para alguma coisa não significa:

não possuir responsabilidade.

Talvez essa seja uma das mensagens mais maduras da reta final.

Entender alguém não significa necessariamente concordar com ele.


👑 18. O Demon King ainda não terminou

Você derrota um chefe.

Música de vitória.

Todo mundo respira.

E então o chefe possui:

segunda fase.

Naturalmente.

Estamos num shōnen.

Depois de Meliodas resistir, a questão do Demon King continua através de:

Zeldris.

E aí chegamos à verdadeira luta final contra o pai.

Dois filhos.

Dois caminhos.

Um mesmo sistema de controle.


⚔️ 19. Os Seven Deadly Sins finalmente lutam como Seven Deadly Sins

Uma das coisas satisfatórias na reta final é perceber:

o grupo está completo.

Não estamos mais procurando membros.

Não estamos reconstruindo a equipe.

Não estamos descobrindo quem são.

Agora eles sabem exatamente:

quem são.

Meliodas.

Ban.

King.

Diane.

Gowther.

Merlin.

Escanor.

A história finalmente consegue colocá-los diante de uma ameaça à altura do nome:

The Seven Deadly Sins.


☀️ 20. E então Escanor acende pela última vez

Chegamos aqui.

Precisamos conversar sobre:

Escanor.

Talvez o personagem que melhor sobreviveu à queda de reputação da própria franquia.

Seu poder:

Sunshine.

Sua condição:

quanto mais próximo do meio-dia...

mais poderoso.

Mas existe um problema.

Sua força já está cobrando um preço cada vez maior.

Ele sabe disso.

Todo mundo sabe.

E ainda assim escolhe lutar.


☀️ 21. The One Ultimate

Para enfrentar o Demon King, Escanor ultrapassa seu limite.

Ele já possui:

The One

sua forma do meio-dia.

Mas consegue continuar além daquele instante queimando:

a própria força vital.

Nasce:

The One Ultimate.

Isso é glorioso.

E horrível.

Porque não é power-up gratuito.

É literalmente:

transformar vida em combustível.

O Sol não está apenas fortalecendo Escanor.

Escanor está queimando Escanor.


🧠 22. O verdadeiro pecado do Orgulho termina em humildade

Observe o arco.

Escanor foi apresentado como:

arrogância absoluta.

Então descobrimos:

o homem noturno.

Tímido.

Inseguro.

Gentil.

Apaixonado.

No final, ele sabe perfeitamente:

que vai morrer.

E luta mesmo assim.

Isso não é orgulho no sentido infantil de:

“sou melhor que todo mundo”.

É:

aceitar aquilo que você é e escolher conscientemente como gastar o que lhe resta.

Talvez seja o fechamento mais bonito dos Sete Pecados.


💔 23. Escanor e Merlin

E então vem:

Merlin.

Escanor a amou praticamente durante toda sua participação na série.

Ele sabia que aquilo não era correspondido da mesma maneira.

Mesmo assim:

não transforma isso em raiva.

Não exige recompensa.

Não cobra amor.

No momento final há uma despedida profundamente íntima entre os dois.

E Merlin decide guardar uma marca daquele instante.

É um fechamento surpreendentemente delicado para um personagem que passou temporadas parecendo:

um reator termonuclear com bigode.


☀️ 24. O Sol finalmente se põe

Escanor morre.

E dessa vez:

não é transformação.

Não é truque.

Não é ressurreição imediata.

Não é “ele volta no próximo arco”.

É:

fim.

O pecado do Orgulho termina queimando completamente a própria vida para proteger os outros.

Escanor, talvez mais que qualquer outro personagem, demonstra a inversão moral central de Nanatsu:

o pecado pelo qual alguém é conhecido não define aquilo que ele finalmente escolhe ser.


🧙‍♀️ 25. E então Merlin faz algo que ninguém pediu

Todo mundo pensa:

acabou.

Demon King derrotado.

Maldição resolvida.

Guerra encerrada.

Escanor despedido.

Podemos terminar?

Merlin:

Não.

😂

E aqui acontece uma das decisões mais divisivas do final.

Descobrimos que Merlin possuía:

um objetivo próprio desde muito antes.


🌀 26. Chaos

Bem-vindo ao verdadeiro nível superior da mitologia.

Antes de:

Demon King.

Antes de:

Goddess Supreme.

Existe:

Chaos.

Uma força primordial.

Uma entidade ligada à própria criação daquele mundo.

Merlin deseja:

ressuscitar Chaos.

E para isso precisa de:

Arthur.

O Volume 41 do mangá descreve diretamente essa revelação: a ambição secreta de Merlin culmina no despertar de Arthur como King of Chaos.

Pronto.

Achávamos que havíamos encerrado a aplicação.

Descobrimos um subsistema que ninguém colocou no diagrama de arquitetura.


👑 27. Arthur deixa de ser apenas Rei Arthur

Ao longo da franquia, Arthur parecia destinado a:

Camelot.

Excalibur.

realeza.

lenda arturiana.

Mas Nakaba Suzuki decide ir além.

Arthur torna-se:

King of Chaos.

Isso é fundamental porque prepara diretamente o terreno para aquilo que viria posteriormente:

Four Knights of the Apocalypse.

Portanto Dragon's Judgement termina a história dos Seven Deadly Sins...

mas também inicializa o próximo sistema.


🐈 28. Cath Palug

Aquela criatura aparentemente simpática ligada a Arthur?

Pois então.

Cath

não era apenas mascote.

Ele possui relação com Chaos.

E naturalmente acaba tornando-se:

problema.

Porque em Nanatsu no Taizai até o animal aparentemente fofinho pode eventualmente tentar absorver uma entidade primordial.

Hawk deveria ter preparado um treinamento.


🧠 29. A mensagem escondida de Merlin

Merlin talvez seja o personagem mais perigoso da obra.

Não necessariamente por poder.

Mas por:

curiosidade.

Seu pecado é:

Gluttony.

Gula.

Mas não gula por comida.

Ela possui fome por:

conhecimento.

E conhecimento possui uma característica terrível.

Quando você descobre uma coisa...

surge outra pergunta.

Depois outra.

Depois outra.

Merlin não quer simplesmente compreender o mundo.

Quer chegar:

antes do próprio mundo.


🧠 30. Conhecimento não é sabedoria

Esta talvez seja a conclusão temática de Merlin.

Ela sabe mais do que quase todo mundo.

Planeja mais longe que quase todo mundo.

Manipula acontecimentos.

Conhece magia.

Entende entidades antigas.

E mesmo assim...

isso não significa que todas suas escolhas sejam sábias.

Existe uma diferença gigantesca entre:

“eu consigo fazer isso”

e

“eu deveria fazer isso”.

Todo programador, cientista e engenheiro deveria imprimir essa frase.


❤️ 31. Meliodas e Elizabeth finalmente conseguem aquilo que queriam

Depois de três mil anos.

Reencarnações.

Mortes.

Maldição.

Guerras.

Demon King.

Goddess Supreme.

Finalmente:

Meliodas e Elizabeth podem ficar juntos.

É engraçado.

Depois de centenas de batalhas, o objetivo final é incrivelmente simples.

Não é dominar Britannia.

Não é tornar-se rei supremo.

Não é obter poder infinito.

É:

parar de perder a pessoa que você ama.


👑 32. Meliodas deixa Britannia?

O final também prepara a evolução natural de vários personagens.

Meliodas e Elizabeth caminham para uma nova vida.

Relacionamentos se estabilizam.

Reinos mudam.

O mundo entra numa nova fase.

E posteriormente veremos consequências disso em:

Four Knights of the Apocalypse.

O final não congela Britannia.

Ele:

passa o bastão.


🧚 33. King e Diane

Depois de uma quantidade quase criminosa de:

memória perdida,

constrangimento,

ciúme,

quase namoro,

guerra,

viagem temporal,

fadas,

gigantes...

King e Diane finalmente conseguem avançar.

O arco dos dois representa algo fundamental:

identidade + pertencimento.

King precisava tornar-se realmente rei.

Diane precisava aceitar quem era.

Somente então a relação entre ambos poderia deixar de ser apenas:

“os dois gostam um do outro mas o roteiro inventará um problema.”


🐐 34. Gowther

Gowther talvez seja um dos Pecados que mais mudou.

Começou como:

quase uma máquina observando emoções humanas.

Fez coisas moralmente terríveis.

Manipulou memórias.

Tentou entender sentimentos como variáveis.

No fim:

aprende empatia.

Isso não apaga aquilo que fez.

Mas completa sua trajetória.

A Luxúria termina entendendo que:

sentimento não é dado que pode ser simplesmente sobrescrito.


🐷 35. Hawk continua sendo Hawk

Depois de:

Demon King.

Chaos.

Purgatório.

Deusas.

Demônios.

Guerra Santa.

Arthur.

Maldições.

Existe uma constante universal:

Hawk.

A criatura sobrevive à franquia com aquilo que talvez seja a habilidade definitiva:

não levar nada tão a sério quanto deveria.

Toda história épica precisa de alguém para lembrar que os grandes heróis também precisam comer.


⚔️ 36. O que Dragon's Judgement tem de diferente?

Esta temporada possui uma característica que nenhuma das anteriores tinha.

Ela não está:

abrindo mistérios.

Está:

fechando-os.

Primeira temporada:

Quem são os Pecados?

Revival of the Commandments:

Quem são os demônios?

Wrath of the Gods:

O que aconteceu três mil anos atrás?

Dragon's Judgement:

E agora?

Agora temos de pagar tudo aquilo que a narrativa financiou durante anos.

Toda promessa precisa de resolução.


🧠 37. Mensagem escondida: você não é seu pai

Meliodas e Zeldris passam grande parte da vida definidos pelo Demon King.

Mas ambos eventualmente precisam responder:

sou aquilo que ele planejou que eu fosse?

A resposta é:

não.

É uma das mensagens mais simples e poderosas da temporada:

origem não é destino.

Você pode herdar:

nome,

poder,

família,

história.

Mas escolha continua sendo sua.


🧠 38. Mensagem escondida: imortalidade não vale mais que uma vida compartilhada

Ban abre mão da imortalidade.

Isso fecha uma pergunta presente desde seu aparecimento.

Ele passou anos incapaz de morrer.

No início parece:

vantagem absoluta.

No fim entendemos:

não.

Porque viver para sempre sem Elaine não era aquilo que Ban queria.

Sua escolha final diz:

uma vida finita com alguém pode valer mais do que eternidade sozinho.

Bonito.

E surpreendentemente pouco shōnen.


🧠 39. Mensagem escondida: sacrifício só tem valor quando é escolha

Escanor não é obrigado a utilizar sua vida.

Ele escolhe.

Ban não é obrigado a abrir mão da imortalidade.

Ele escolhe.

Meliodas não precisa desafiar o pai.

Escolhe.

Zeldris escolhe Gelda.

King escolhe responsabilidade.

Diane escolhe seu próprio caminho.

A temporada inteira é construída sobre:

escolhas.

O contrário dos Mandamentos.

Mandamentos eram regras impostas.

O final é sobre:

decisão pessoal.


🧠 40. Talvez esse seja o grande arco de Nanatsu

No começo da história todo mundo possuía um rótulo:

Ira.

Ganância.

Inveja.

Preguiça.

Luxúria.

Gula.

Orgulho.

Depois passamos cem episódios descobrindo:

eles não são os rótulos.

Eles são aquilo que fizeram depois deles.

É praticamente uma obra inteira sobre:

redenção.


🩸 41. E a censura?

Aqui existe uma diferença importante em relação a Wrath of the Gods.

Dragon's Judgement não ficou marcada por uma grande controvérsia de censura comparável ao famoso sangue branco.

A violência continua presente.

Temos:

sangue,

mortes,

combates,

ferimentos

e temas bastante pesados.

Mas o grande incidente visual associado à censura permanece principalmente ligado à temporada anterior.

Uma avaliação retrospectiva de Dragon's Judgement inclusive observa explicitamente que aquela censura do sangue não se repete da mesma maneira aqui.

Ou seja:

o departamento do leite aparentemente foi desligado.

Graças aos deuses.

Ou demônios.

Escolha seu clã.


🔞 42. Classificação e gênero

A Netflix apresenta The Seven Deadly Sins como:

TV-14

e classifica a série entre:

Shōnen Anime, Action Anime, Fantasy Anime e séries baseadas em mangá.

A Kodansha classifica o mangá em inglês como:

13+.

No Brasil, a JBC registra o mangá como:

14 anos.

Os gêneros principais são:

ação, aventura, fantasia, sobrenatural, drama, romance, comédia e shōnen.

Mas a reta final é muito mais:

fantasia épica

do que a aventura medieval relativamente simples da primeira temporada.


📚 43. O mangá

O mangá principal possui:

41 volumes.

E o último volume é particularmente relevante para esta temporada.

Nele encontramos:

Merlin,

Arthur,

Chaos,

a reta final dos Seven Deadly Sins

e a preparação para aquilo que viria depois.

A própria Kodansha apresenta o Volume 41 como o fechamento envolvendo a ambição secreta de Merlin e o despertar de Arthur como King of Chaos.

Se você chegou ao final do anime e pensou:

Gostei, mas isso pareceu rápido...

o mangá é provavelmente a melhor forma de revisitar aquela parte.


📖 44. E as novels?

A franquia também possui romances derivados.

Entre os títulos relacionados ao universo estão histórias que expandem:

personagens,

passados,

episódios paralelos

e momentos que não constituem necessariamente a narrativa central.

Mas novamente:

Dragon's Judgement não é adaptação de light novel.

Sua fonte continua sendo:

o mangá de Nakaba Suzuki.

As novels são material adicional.

Para o espectador casual:

dispensáveis.

Para o arqueólogo de franquia:

café extra.


🎮 45. E os games?

O universo já estava plenamente estabelecido em videogames.

Temos:

The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia

para PlayStation 4.

E principalmente:

The Seven Deadly Sins: Grand Cross.

A própria Kodansha destaca Grand Cross como RPG cinematográfico lançado pela Netmarble e baseado no universo de Nanatsu.

Personagens dessa reta final são perfeitos para jogos:

Demon King Meliodas.

Zeldris.

Mael.

Escanor.

The One.

Merlin.

Chaos Arthur.

Ban pós-Purgatório.

É praticamente uma fábrica de:

SSR.

O mangaká escreve tragédia.

O departamento de gacha olha e pergunta:

— Dá para fazer três versões diferentes?


🎬 46. E o anime não termina exatamente aqui

Existe ainda:

The Seven Deadly Sins: Cursed by Light

filme lançado em 2021.

Ele se passa após os grandes acontecimentos da série e funciona como uma espécie de aventura adicional ligada ao encerramento da era dos Pecados.

A Netflix lançou o longa internacionalmente em 1º de outubro de 2021.

Depois ainda tivemos:

Grudge of Edinburgh

e, finalmente:

Four Knights of the Apocalypse.

Ou seja:

o anime principal termina.

Britannia não.


🐎 47. Four Knights of the Apocalypse

A continuação é:

Mokushiroku no Yonkishi

ou:

The Seven Deadly Sins: Four Knights of the Apocalypse.

Nakaba Suzuki continua no mesmo universo, mas passa o protagonismo para uma nova geração.

A própria Kodansha define a série como continuação das aventuras no mundo de The Seven Deadly Sins.

E aquilo que parecia estranho no final de Dragon's Judgement — especialmente:

Chaos,

Arthur,

Merlin —

faz muito mais sentido quando percebemos:

era preparação.


🌍 48. Impacto cultural

Aqui precisamos separar:

a temporada

da:

franquia.

Dragon's Judgement não recuperou completamente o domínio cultural que Nanatsu teve em seus melhores anos.

Parte do público já havia abandonado a adaptação.

A reputação da animação havia sido profundamente atingida.

Concorrentes visualmente impressionantes estavam surgindo.

Mas a franquia continuava enorme.

Hoje a própria Kodansha informa que The Seven Deadly Sins, somado à continuação Four Knights of the Apocalypse, ultrapassou:

55 milhões de cópias impressas

e foi publicado em mais de 18 países.

Isso coloca as coisas em perspectiva.

Podemos dizer:

“Nanatsu perdeu relevância.”

Não podemos dizer:

“Nanatsu foi pequeno.”

Nunca foi.


☀️ 49. Escanor ganhou da própria série

Existe um fenômeno fascinante.

A série acabou.

A reputação caiu.

Algumas temporadas envelheceram mal.

Mas Escanor ficou.

Personagens às vezes ultrapassam as obras que os criaram.

E Escanor conseguiu isso.

Seu encerramento em Dragon's Judgement provavelmente ajudou.

Ele não teve:

um casamento feliz,

um reino,

uma continuação confortável.

Teve:

um pôr do sol.

E isso é poeticamente perfeito.


📉 50. Por que o final não teve o impacto que poderia?

Vários fatores.

Primeiro:

fadiga.

A história já tinha acumulado enorme quantidade de:

transformações,

níveis,

reviravoltas,

maldições,

clãs,

ressurreições.

Segundo:

a reputação visual anterior.

Parte dos espectadores simplesmente não voltou.

Terceiro:

Chaos parece outro final depois do final.

Você derrota Demon King.

Naturalmente pensa:

acabou.

Então:

MERLIN.EXE inicia.

Chaos.

Arthur.

Cath.

Isso pode produzir sensação de:

Espere... não havíamos terminado?

É um problema real de ritmo.


🧯 51. O famoso problema do “último chefe depois do último chefe”

Muitos RPGs fazem isso.

Você passa cinquenta horas preparando-se para:

THE DARK LORD.

Derrota.

Aí aparece:

THE TRUE DARK LORD.

Derrota.

Então:

THE PRIMAL CREATOR BEYOND EXISTENCE.

Em algum momento você pergunta:

— Podemos ir para casa?

😂

Dragon's Judgement sofre um pouco disso.

Demon King possui peso suficiente para encerrar a série.

Chaos abre imediatamente outra janela.

Como preparação para a continuação:

funciona.

Como final isolado:

é divisivo.


🎭 52. O que Dragon's Judgement fez muito bem

Quando acerta, acerta forte.

Principalmente:

Ban no Purgatório.

Ban abrindo mão da imortalidade.

Meliodas e Zeldris contra o pai.

Zeldris e Gelda.

Escanor.

King e Diane.

Merlin revelando sua verdadeira motivação.

Arthur e Chaos.

São vários pagamentos narrativos importantes.

Existe satisfação em finalmente ver peças antigas encaixarem.


🎭 53. O que não funcionou tão bem

Primeiro:

o ritmo é acelerado.

Existe muita história para 24 episódios.

Segundo:

o Demon King é menos interessante como personalidade do que como conceito.

Terceiro:

Chaos parece enxertado quando visto sem a continuação.

Quarto:

a animação melhora comparada aos piores momentos da temporada anterior, mas ainda não recupera consistentemente o impacto visual do período A-1 Pictures.

E finalmente:

muitas ressurreições anteriores reduziram o peso da morte.

Por isso a morte definitiva de Escanor é tão importante.

Ela devolve consequência.


🧠 54. A maior mensagem oculta talvez seja sobre liberdade

Olhe os principais arcos.

Meliodas precisa libertar-se do pai.

Elizabeth precisa libertar-se da maldição.

Zeldris precisa libertar-se do pai.

Ban precisa libertar-se da obsessão pela imortalidade.

King precisa libertar-se da culpa.

Diane precisa libertar-se da insegurança.

Gowther precisa libertar-se de sua incapacidade emocional.

Escanor precisa aceitar aquilo que é.

Merlin...

bem.

Merlin abre outra porta.

Sempre tem alguém.

😂

A história inteira converge para:

liberdade é poder escolher aquilo que fazemos com nossa própria vida.


🥋 55. Classificação Bellacosa Mainframe

Vamos colocar a última temporada no diagnóstico.

História: 8/10
Personagens: 8,5/10
Ban: 9,5/10
Meliodas e Zeldris: 9/10
Demon King: 7,5/10
Merlin: 8,5/10
Chaos: 7/10 isoladamente, mais interessante considerando a continuação
Trilha sonora: 8,5/10
Animação: 6,5/10
Ritmo: 7/10
Fechamento emocional: 8,5/10
Escanor: ☀️/10

Nota geral Bellacosa Mainframe:

8/10

Melhor que Wrath of the Gods como experiência geral.

Não recupera completamente o auge visual.

Mas oferece vários dos melhores fechamentos emocionais da franquia.


🌀 56. Easter egg para quem chegou até aqui

Pense nos Sete Pecados.

O nome sugere:

sete pessoas defeituosas.

Mas veja como terminam.

Ban, Ganância, abre mão da eternidade.

King, Preguiça, assume responsabilidade.

Diane, Inveja, aceita quem é.

Gowther, Luxúria, aprende empatia.

Escanor, Orgulho, sacrifica-se.

Meliodas, Ira, escolhe não repetir o pai.

E:

Merlin, Gula...

continua faminta.

Ah.

Uma precisava manter a marca.

😂

Mas talvez essa seja justamente a ideia.

Redenção não transforma alguém num santo.

Transforma alguém numa pessoa capaz de:

escolher melhor.


☕ Epílogo — o último shutdown nunca é realmente o último

Chegamos a cem episódios.

Três mil anos de guerra.

Quatro clãs.

Sete Pecados.

Dez Mandamentos.

Um Demon King.

Uma Goddess Supreme.

Uma maldição.

Um Purgatório.

Um Rei Arthur.

Um Chaos.

E um porco.

Principalmente:

um porco.

O job final começa.

IEF403I DEMONKING STARTED
IEF404I DEMONKING ENDED

IEF403I CURSE_REMOVAL STARTED
IEF404I CURSE_REMOVAL ENDED

IEF403I ESCANOR STARTED
IEF404I ESCANOR...

Silêncio.

Alguém olha para o console.

O Sol se põe.

Então o sistema continua:

IEF403I CHAOS STARTED

Merlin.

Naturalmente.

Você acreditava que estava desligando a aplicação.

Ela estava apenas entregando processamento para:

a próxima geração.

Essa é talvez a definição perfeita de Dragon's Judgement.

Não é somente:

o final de The Seven Deadly Sins.

É o momento em que a franquia deixa de perguntar:

Quem são esses sete criminosos?

e começa a perguntar:

O que o mundo será depois deles?

Meliodas finalmente ganhou sua vida com Elizabeth.

Ban encontrou Elaine.

King encontrou Diane.

Zeldris encontrou Gelda.

Gowther encontrou humanidade.

Merlin encontrou Chaos.

E Escanor...

Escanor encontrou o único adversário que nem mesmo o homem mais poderoso de Britannia poderia derrotar.

O fim do dia.

E curiosamente ele não tentou fugir.

Olhou para o pôr do Sol.

Aceitou.

E foi embora como viveu:

convencido de que ninguém poderia ter feito melhor.

Talvez estivesse certo.

quarta-feira, 7 de março de 2018

The Seven Deadly Sins: Revival of the Commandments — Quando Britannia Descobriu que os Demônios Não Tinham Sido Desinstalados

 

Bellacosa Mainframe e os the seven deadly sins revival of the commandments

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

The Seven Deadly Sins: Revival of the Commandments — Quando Britannia Descobriu que os Demônios Não Tinham Sido Desinstalados

Ou: Liones finalmente estava em paz, Ban saiu para resolver problemas pessoais, Diane perdeu memórias, Meliodas recuperou sua espada e dez demônios com cláusulas contratuais sobrenaturais acordaram depois de três mil anos

Existe uma regra quase universal em anime:

se alguém disser:

“Finalmente podemos viver em paz.”

prepare-se.

Alguma cidade será destruída.

Um deus esquecido acordará.

Um portal dimensional será aberto.

Ou uma entidade aprisionada durante aproximadamente três mil anos descobrirá que ninguém renovou a política de retenção do backup.

Em Signs of Holy War, vimos os Sete Pecados bebendo, brigando por bobagem, flertando e aproveitando alguns raríssimos minutos de tranquilidade.

Parecia férias.

Era janela de manutenção.

Porque logo depois chega:

Nanatsu no Taizai: Imashime no Fukkatsu

Internacionalmente:

The Seven Deadly Sins: Revival of the Commandments

E aqui Nanatsu no Taizai muda de marcha.

Até então tínhamos:

Holy Knights.

Conspiração.

Golpe de Estado.

Demônios como ameaça escondida.

Agora o sistema imprime no console:

DEMON CLAN ONLINE
TEN COMMANDMENTS RELEASED
SEAL AGE: 3000 YEARS
SEVERITY: OH SHIT

A segunda grande temporada de Nanatsu é aquela em que o universo realmente começa a mostrar seu tamanho.

E também aquela em que finalmente aparece o homem que transformaria o meio-dia em arma de destruição em massa.

Sim.

Escanor chegou.


🇯🇵 1. Qual é o título original?

O nome japonês é:

七つの大罪 戒めの復活

Romanizado:

Nanatsu no Taizai: Imashime no Fukkatsu

Internacionalmente:

The Seven Deadly Sins: Revival of the Commandments

Uma tradução bastante direta seria:

Os Sete Pecados Capitais: A Ressurreição dos Mandamentos.

E dessa vez o título não está exagerando.

Os Ten Commandments foram libertados.

O selo demoníaco foi rompido.

E Britannia está prestes a descobrir que os problemas enfrentados anteriormente eram quase ambiente de homologação.



📅 2. Quando estreou?

A temporada começou a ser exibida no Japão em:

6 de janeiro de 2018

pela rede MBS/TBS.

A Aniplex registra oficialmente a estreia nessa data, e a TBS confirma que a temporada possui 24 episódios. (Aniplex)

Portanto, desta vez não existe aquela confusão dos quatro episódios de Signs of Holy War.

Aqui temos:

24 episódios completos.

É uma temporada de verdade.

E provavelmente uma das fases mais importantes de toda a adaptação.


🎨 3. O estúdio ainda era a A-1 Pictures

Sim.

A-1 Pictures.

Ainda estamos antes da mudança para o Studio Deen que mais tarde provocaria parte da famosa turbulência visual da franquia.

A produção oficial registra:

Direção: Takeshi Furuta
Direção assistente: Tomoya Tanaka
Composição da série: Takao Yoshioka
Design de personagens: Kento Toya e Keigo Sasaki
Música: Hiroyuki Sawano, KOHTA YAMAMOTO e Takafumi Wada
Produção: A-1 Pictures. (Aniplex)

Ou seja:

o motor visual ainda estava funcionando razoavelmente bem.

E isso importa muito.

Porque Revival of the Commandments possui batalhas que dependem de impacto.

Personagens que entram em cena para parecer:

absurdamente perigosos.

E isso exige animação capaz de vender a ameaça.


✍️ 4. Quem criou Nanatsu no Taizai?

O autor continua sendo:

Nakaba Suzuki

O mangá original foi publicado pela Kodansha na revista Weekly Shōnen Magazine.

A série completa chegaria a:

41 volumes.

A própria Kodansha registra o volume 41 como encerramento da saga principal. (Kodansha)

Ao contrário de Signs of Holy War, que possuía conteúdo criado especialmente para televisão, Revival of the Commandments volta pesadamente à adaptação da narrativa principal do mangá.

Estamos novamente no trilho central.


🏰 5. Onde estávamos?

Liones foi recuperado.

Hendrickson aparentemente foi derrotado.

Os Holy Knights deixaram de ser os grandes inimigos.

Elizabeth voltou para casa.

Os Pecados foram reconhecidos como heróis.

E então acontece uma coisa excelente para qualquer roteirista:

o vilão anterior não era o problema verdadeiro.

O que Hendrickson fez ajudou a romper um selo extremamente antigo.

Um selo criado para manter aprisionada uma força demoníaca.

E aquilo que estava preso...

eram os:

Ten Commandments.


😈 6. Quem são os Dez Mandamentos?

Aqui Nanatsu encontra uma das melhores ideias de toda a franquia.

Os Dez Mandamentos não são apenas:

“dez caras muito fortes”.

Cada um representa um Mandamento imposto pelo Demon King.

E esses Mandamentos funcionam como leis sobrenaturais.

Você pode perder sem sequer ser atingido fisicamente.

Dependendo do Mandamento, determinadas ações podem provocar consequências terríveis.

Mentir.

Odiar.

Dar as costas.

Demonstrar falta de fé.

Quebrar determinada regra.

De repente a batalha deixa de ser apenas:

quem possui maior power level?

E passa a incluir:

qual é a regra do inimigo?

É quase um sistema operacional demoníaco.

Cada adversário possui sua própria policy.

E se você violar:

ABEND espiritual.


⚔️ 7. A história começa imediatamente removendo a sensação de segurança

O primeiro episódio chama-se:

Revival of the Demon Clan.

Liones está celebrando.

Os Pecados recebem reconhecimento.

Tudo parece normal.

Mas no segundo episódio, a verdadeira ameaça aparece.

A própria TBS resume que os Ten Commandments foram libertados após um selo de três mil anos. (TBS)

Três mil anos.

Quando alguém ficou preso três mil anos...

dificilmente acordará dizendo:

— Bom dia. Onde fica o Starbucks?


🦊 8. Ban deixa o grupo

Paralelamente, Ban decide seguir outro caminho.

Ele deseja encontrar uma maneira de trazer Elaine de volta.

E aqui começa uma das partes emocionalmente mais interessantes da temporada.

Ban pode ser:

imortal,

arrogante,

violento,

irônico,

aparentemente despreocupado.

Mas sua relação com Elaine revela justamente o contrário.

Seu maior problema não é morrer.

É:

não conseguir devolver à vida quem ele ama.

Esse contraste funciona extremamente bem.


🧠 9. Gowther começa a mostrar que compreender emoções talvez seja mais perigoso que não possuí-las

Gowther continua tentando entender sentimentos humanos.

Só que ele faz isso da pior maneira possível:

experimentando com pessoas.

Memória.

Desejo.

Afeto.

Identidade.

Gowther manipula tudo isso quase como alguém debugando uma aplicação em produção.

Diane acaba entrando diretamente nesse conflito.

E aqui existe uma mensagem bastante mais adulta do que parece:

querer compreender outra pessoa não lhe dá o direito de controlar essa pessoa.

Gowther possui enorme poder sobre memórias.

Mas poder técnico não equivale a legitimidade moral.

Uma bela lição.

Especialmente para qualquer administrador de sistema com privilégios de root.


🐍 10. Diane perde suas memórias

Diane passa por um arco complicado envolvendo:

perda de memória.

Isso afeta diretamente:

King.

Meliodas.

o grupo.

e principalmente a percepção que Diane possui de si mesma.

Mais tarde, sua trajetória a aproxima novamente de:

Matrona

uma figura extremamente importante do passado dos gigantes.

Diane precisa aprender que sua força física jamais resolveu o problema principal:

quem ela acredita ser.


🧚 11. King também precisa encarar o passado

King passa boa parte da série carregando culpa.

Ele falhou como Fairy King.

Ele perdeu pessoas.

Ele acredita ter abandonado responsabilidades.

Nesta temporada isso ganha ainda mais importância porque descobrimos ligações profundas entre:

o Fairy Clan,

o Giant Clan,

a antiga Holy War

e os próprios Ten Commandments.

A série começa lentamente a desmontar a ideia simples de:

demônio = mal

e

fada/deusa = bem.

O universo é muito mais politicamente sujo.

Como qualquer sistema com três mil anos de legado.


🗡️ 12. Meliodas recupera Lostvayne

Uma das grandes evoluções dessa temporada acontece quando Meliodas recupera sua Sacred Treasure:

Lostvayne

uma espada demoníaca capaz de trabalhar com sua habilidade de criar clones.

Isso parece inicialmente apenas:

“oba, espada nova”.

Não.

Lostvayne muda dramaticamente a maneira como Meliodas pode lutar.

E também prepara algumas das demonstrações de força mais violentas da temporada.


🧮 13. E então chegam os power levels

Aqui Nanatsu abraça explicitamente aquilo que vários shōnen sempre fazem implicitamente:

números.

Combat Class.

Power level.

Força.

Magia.

Espírito.

Finalmente podemos dizer:

— Aquele sujeito é forte.

E alguém responde:

— Quanto?

Essa ideia é divertida inicialmente.

Ajuda a estabelecer escala.

Problema:

número cria inflação.

Hoje:

3.000 parece absurdo.

Amanhã:

10.000.

Depois:

30.000.

Depois:

“não importa mais, apenas destrói a montanha.”

É o começo do famoso:

power creep.


🧓 14. Galand aparece e ensina humildade ao elenco inteiro

Um dos melhores momentos iniciais acontece com:

Galand

um dos Ten Commandments.

Ele aparece praticamente como uma auditoria surpresa.

Os Pecados acreditam ser fortes.

Galand demonstra:

vocês estavam comparando hardware de desenvolvimento com produção.

Sua presença estabelece imediatamente o novo nível de ameaça.

O sujeito não precisa de vinte episódios de preparação.

Ele chega.

Bate.

Humilha.

Vai embora.

Excelente introdução de vilão.


☀️ 15. E então conhecemos Escanor

Finalmente.

ESCANOR.

Pecado:

Pride — Orgulho.

Símbolo:

Leão.

À noite:

tímido,

frágil,

educado,

quase indefeso.

Durante o dia:

a quantidade de autoestima disponível no planeta inteiro parece migrar para aquele bigode.

Seu poder:

Sunshine.

Quanto mais alto o Sol sobe...

mais poderoso Escanor fica.

Ao meio-dia?

Bem.

Ao meio-dia o departamento responsável pelo balanceamento pediu demissão.


🍺 16. Galand contra Escanor

Talvez seja a cena que melhor explica por que Escanor se tornou tão querido.

Galand chega confiante.

Até aquele momento ele era uma ameaça absurda.

Escanor simplesmente existe.

E isso passa a ser suficiente.

Não há medo.

Não há desespero.

Não há:

“como poderemos derrotá-lo?”

Existe basicamente:

Quem é esse sujeito e por que pensa que pertence à mesma categoria que eu?

😂

É um dos momentos em que Nanatsu domina perfeitamente o prazer simples de um personagem overpower.


❤️ 17. Escanor ama Merlin

E aqui aparece aquilo que impede Escanor de ser simplesmente uma máquina de frases arrogantes.

Ele ama:

Merlin.

Profundamente.

Mas esse amor está longe de ser simples.

Ele praticamente diviniza Merlin.

Sua coragem gigantesca desaparece em determinadas situações quando ela está envolvida.

Existe uma enorme vulnerabilidade escondida naquele orgulho.

Mais uma vez o anime faz a inversão:

Pride é também insegurança.


🔥 18. Meliodas contra os Ten Commandments

A temporada constrói uma das batalhas mais importantes da franquia.

Meliodas enfrenta vários Commandments.

E por algum tempo demonstra por que era temido.

Aqui começamos finalmente a entender:

Meliodas não é apenas um humano extremamente poderoso.

Existe alguma coisa profundamente errada na história daquele sujeito.

Seu conhecimento dos demônios.

Sua força.

Sua relação com eles.

O respeito e ódio que recebe.

A verdade começa a emergir.


👿 19. Meliodas era membro do Demon Clan

Grande parte do mistério da franquia começa a abrir.

Meliodas possui ligação direta com:

Demon Clan.

Não apenas ligação.

História.

Família.

Traição.

Uma posição extremamente importante durante a antiga guerra.

E entre os Ten Commandments aparecem dois nomes fundamentais:

Zeldris

e

Estarossa.

Aqui Nanatsu começa a transformar uma aventura sobre sete cavaleiros procurados numa verdadeira:

tragédia familiar demoníaca.


💀 20. E Meliodas morre

Sim.

A temporada vai até esse ponto.

Estarossa consegue matar Meliodas.

Elizabeth perde novamente alguém central em sua vida.

Os Pecados são profundamente afetados.

E aqui a obra começa a deixar claro:

a morte envolvendo Meliodas não funciona como deveria.

Existe algo errado.

Existe uma maldição.

Existe uma estrutura muito mais antiga.

Mais um pedaço do quebra-cabeça.


❤️‍🔥 21. Elaine retorna

Enquanto isso, Ban vive uma experiência completamente diferente.

Elaine retorna temporariamente sob circunstâncias ligadas à manipulação dos mortos.

Mas reencontrá-la produz uma das partes mais emotivas da temporada.

Ban possui finalmente aquilo que desejava.

Mas existe um problema:

nem tudo que retorna da morte voltou porque deveria.

Essa ideia é recorrente em Nanatsu.

Trazer alguém de volta não significa reparar aquilo que aconteceu.


🏟️ 22. Vaizel vira palco novamente

Uma das estruturas clássicas de shōnen aparece:

torneio.

Porque aparentemente não existe apocalipse tão urgente que impeça japoneses de colocar personagens numa arena.

O Great Fight Festival organizado por:

Gloxinia e Drole

serve para reunir personagens, confrontar relações e criar combinações inesperadas.

Mas, naturalmente, aquilo não é apenas competição amistosa.

É uma armadilha.


🌳 23. Gloxinia e Drole importam muito mais do que parecem

Inicialmente são:

mais dois Commandments.

Depois descobrimos algo fascinante.

Eles possuem vínculos profundos com:

Fairy Clan

e

Giant Clan.

Gloxinia foi:

um Fairy King.

Drole possui ligação essencial com os gigantes.

Isso novamente destrói a ideia:

“os Ten Commandments são simplesmente dez demônios”.

Não.

A Holy War antiga envolveu:

alianças,

traições,

mudanças de lado,

ressentimentos,

e decisões que atravessaram milênios.


🏛️ 24. O anime começa a falar sobre história oficial

Aqui encontramos novamente uma das melhores ideias da franquia.

Quem realmente era herói na antiga guerra?

Quem começou?

Quem traiu?

Quem escreveu aquilo que ficou registrado?

A primeira temporada já havia feito isso com os Seven Deadly Sins:

criminosos oficialmente.

Heróis na realidade.

Agora a mesma pergunta cresce.

Talvez a própria história da Holy War esteja contaminada por propaganda.

Isso dá uma camada surpreendentemente interessante ao universo.


👑 25. O rei Bartra continua enxergando o futuro

Bartra possui sua habilidade de visão profética.

Suas previsões ajudam a orientar acontecimentos.

Mas profecia em Nanatsu possui uma característica importante:

saber que algo acontecerá não significa saber impedir.

É o velho problema de sistemas de monitoramento.

Você recebe o alerta.

CPU 98%.

Disco 99%.

Transações aumentando.

Tudo vermelho.

Ótimo.

Agora resolva.


🧟 26. Fraudrin — o Mandamento que não era exatamente Mandamento

Fraudrin possui uma posição particularmente interessante.

Ele esteve profundamente envolvido:

na queda de Liones,

em Dreyfus,

em Hendrickson,

na ressurreição demoníaca.

Mas sua relação com:

Griamore

gera uma das situações mais inesperadas.

Fraudrin começa a experimentar algo semelhante a apego.

E isso cria uma pergunta bastante importante:

um demônio pode mudar?

Nanatsu está preparando uma resposta muito menos simplista do que:

“demônio ruim”.


⚔️ 27. Meliodas retorna diferente

Quando Meliodas volta...

algo mudou.

E essa mudança é importante.

Cada vez que retorna da morte, existe um preço.

A relação entre:

vida,

emoções,

Demon King

e maldição

vai se tornando central.

A força de Meliodas aumenta.

Mas talvez:

quanto mais forte ele fica, menos humano permaneça.

Essa é uma das ideias mais interessantes de toda a saga.


🧠 28. Mensagem oculta número 1 — poder sempre cobra

Quase todo personagem desta temporada aprende isso.

Escanor ganha poder com o Sol.

Mas ele não controla completamente aquilo que representa.

Ban possui imortalidade.

Mas isso não impede sofrimento.

Meliodas retorna.

Mas perde alguma coisa.

King possui enorme poder.

Mas continua carregando culpa.

Gowther controla memórias.

Mas não entende amor.

Merlin possui conhecimento.

Mas conhecimento não fornece automaticamente sabedoria.

O padrão é claro:

poder sem custo seria apenas cheat code.


🧠 29. Mensagem oculta número 2 — leis absolutas são perigosas

Os Ten Commandments possuem regras absolutas.

Não:

“talvez”.

Não:

“dependendo da situação”.

É lei.

E isso produz exatamente o problema de qualquer sistema moral extremamente rígido:

contexto deixa de existir.

Uma ação é julgada pela regra.

Não pela intenção.

Não pela circunstância.

Não pela história.

Existe aí uma crítica interessante ao absolutismo moral.

Mandamento sem interpretação vira:

código executável.

E código executável não possui misericórdia.


❤️ 30. Mensagem oculta número 3 — amor não é automaticamente virtude

Ban ama Elaine.

Escanor ama Merlin.

King ama Diane.

Meliodas ama Elizabeth.

Bonito.

Mas a série frequentemente mostra que amor também pode produzir:

obsessão,

dependência,

sofrimento,

ciúme,

sacrifício,

negação.

Ou seja:

amar alguém não significa automaticamente saber amar bem.

Isso é bem mais adulto do que grande parte da superfície shōnen sugere.


🧬 31. Mensagem oculta número 4 — identidade não é espécie

Human.

Demon.

Fairy.

Giant.

Goddess.

A princípio parece simples.

Depois descobrimos:

demônios capazes de afeto,

heróis capazes de crueldade,

fadas que traíram,

gigantes que mudaram de lado,

humanos corruptos.

A espécie não determina moralidade.

Isso ficará ainda mais importante posteriormente.


🎭 32. O que Revival of the Commandments tem de diferente?

A primeira temporada era:

aventura medieval.

Esta já é:

mitologia épica.

A diferença é enorme.

Antes perguntávamos:

“Quem são os Seven Deadly Sins?”

Agora:

“Qual foi a verdade sobre a guerra de três mil anos atrás?”

Antes:

Holy Knights.

Agora:

Demon King.

Antes:

salvar Liones.

Agora:

salvar Britannia.

Antes:

Meliodas misterioso.

Agora:

Meliodas possivelmente está no centro de todo o desastre.

A escala mudou completamente.


📺 33. Classificação e gêneros

A Netflix atualmente classifica The Seven Deadly Sins internacionalmente como:

TV-14

e lista a série entre:

Shōnen Anime, Action Anime, Fantasy Anime e adaptações de mangá. (Netflix)

Os gêneros principais de Revival of the Commandments são:

ação, aventura, fantasia, sobrenatural, drama, romance, comédia e shōnen.

Mas esta temporada é consideravelmente:

mais sombria

do que o especial anterior.

Temos:

mortes,

demônios,

violência intensa,

possessão,

ressurreição,

manipulação mental,

massacres,

sangue

e temas de perda.


🩸 34. E a censura?

Aqui existe uma distinção importante.

Revival of the Commandments não é a temporada famosa pela censura do “sangue branco”.

Esse problema ficou associado sobretudo à fase posterior de Wrath of the Gods.

Nesta temporada ainda vemos sangue e violência de forma relativamente convencional para um shōnen televisivo.

Naturalmente existem diferenças normais entre:

mangá,

televisão

e adaptação.

Algumas cenas possuem violência reduzida, enquadramento diferente ou menos detalhamento gráfico.

Mas não existe nesta fase uma controvérsia de censura comparável ao desastre visual que mais tarde virou meme.

É importante não misturar as temporadas.


🎨 35. A animação ainda segura a franquia

Esse talvez seja um dos motivos pelos quais muitos fãs consideram esta fase uma das melhores do anime.

A A-1 Pictures ainda estava na produção. (A-1 Pictures オフィシャルサイト)

As cenas de:

Galand,

Escanor,

Meliodas,

Mandamentos

possuem impacto.

Nem tudo é perfeito.

Mas o nível visual ainda sustenta a sensação de que aqueles personagens realmente podem destruir alguma coisa.

Posteriormente essa consistência desapareceria.

E aí a comparação ficaria cruel.


🎼 36. Hiroyuki Sawano continua ajudando a vender o apocalipse

A trilha continua utilizando:

Hiroyuki Sawano

acompanhado por:

KOHTA YAMAMOTO

e

Takafumi Wada. (Aniplex)

E novamente a música faz metade do trabalho emocional.

Alguém simplesmente olha para o horizonte.

Sawano:

A GUERRA FINAL DA HUMANIDADE COMEÇA AGORA.

😂

Mas funciona.


📚 37. Quais partes do mangá entram aqui?

Revival of the Commandments adapta uma porção grande da fase intermediária do mangá.

O mangá original continuaria até completar 41 volumes, com o último publicado pela Kodansha em maio de 2020. (Kodansha)

Nesta temporada entram acontecimentos ligados a:

Ten Commandments,

Lostvayne,

Galand,

Escanor,

Elaine,

Great Fight Festival,

Gloxinia,

Drole,

Estarossa,

Zeldris

e o aprofundamento do passado demoníaco de Meliodas.

É uma enorme expansão da mitologia.


📖 38. E as novels?

A franquia possui romances derivados que expandem personagens e histórias laterais.

Elas não substituem esta temporada nem constituem sua fonte principal.

A fonte continua sendo:

o mangá de Nakaba Suzuki.

As novels funcionam como:

material complementar.

Pequenas histórias.

Memórias.

Eventos fora do eixo principal.

Para quem assiste apenas anime:

dispensáveis.

Para quem gosta de desmontar franquia como arqueólogo:

interessantíssimas.


🎮 39. E os games?

Aqui temos algo particularmente curioso.

Em 2018, justamente no período de Revival of the Commandments, a franquia recebeu:

The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia

para PlayStation 4.

Depois viria o muito mais longevo:

The Seven Deadly Sins: Grand Cross

para dispositivos móveis.

Esses jogos reaproveitam:

personagens,

formas,

habilidades,

roupas,

locações

e acontecimentos de diferentes fases do anime.

E obviamente Escanor virou material perfeito para game.

Poder baseado no horário solar?

Personagem lendário?

Transformações?

Golpes absurdos?

O departamento de monetização provavelmente enxergou aquilo e ouviu anjos cantando.


🌍 40. Impacto cultural

Esta talvez seja a temporada que consolidou definitivamente:

Escanor como ícone da franquia.

E isso sozinho possui enorme peso.

Muitos fãs que hoje mal lembram determinados detalhes de Nanatsu lembram:

Galand.

Escanor.

Estarossa.

Ten Commandments.

Meliodas enfrentando os demônios.

É a fase onde alguns dos memes e momentos mais reconhecíveis da série aparecem.

Também é provavelmente uma das razões pelas quais a queda visual posterior foi tão dolorosa.

A franquia estava num ponto extremamente alto.


☀️ 41. Escanor mudou a química da série

Antes de Escanor, Meliodas era frequentemente o parâmetro máximo.

Depois de Escanor surge algo novo:

um personagem que consegue disputar não apenas poder.

Mas:

presença.

Ele entra numa cena e altera a temperatura narrativa.

O inimigo pode ser aterrorizante.

Escanor não liga.

O inimigo pode dizer:

— Sou invencível.

Escanor quase parece perguntar:

— E quem decidiu isso?

A arrogância funciona porque é teatral.

Ele não é apenas forte.

É:

performaticamente forte.


📉 42. O power creep começa a cobrar juros

Mas existe um problema.

Quando Galand aparece, parece impossível.

Depois Escanor destrói essa percepção.

Então precisamos de alguém mais forte.

Depois Meliodas cresce.

Depois Estarossa.

Depois Zeldris.

Depois...

Você percebe o padrão.

Quanto mais números aparecem...

menos significativos eles ficam.

E assim nasce a dívida técnica narrativa.

No começo você adiciona apenas uma pequena regra.

Depois outra.

Depois outra.

Quando percebe, possui um sistema com:

26 níveis de poder,

17 formas demoníacas,

8 maldições

e um sujeito dizendo:

“Esta nem é minha forma final.”


🧠 43. Por que esta temporada é mais memorável que Signs of Holy War?

Porque possui:

pontos de ancoragem.

Galand chegando.

Escanor aparecendo.

Lostvayne.

Ten Commandments.

Meliodas morrendo.

Elaine retornando.

Estarossa.

Great Fight Festival.

Essas são cenas e conceitos fáceis de armazenar.

Signs of Holy War era propositalmente cotidiano.

Aqui acontece praticamente uma coisa enorme a cada poucos episódios.

O ZIP mental fica maior.


🥋 44. Classificação Bellacosa Mainframe

Vamos ao diagnóstico.

História: 8,5/10
Personagens: 9/10
Vilões: 9/10
Construção de mundo: 9/10
Animação: 8/10
Trilha sonora: 9/10
Ação: 9/10
Romance: 7,5/10
Mitologia: 9/10
Power creep: começa saudável e termina suspeito
Entrada de Escanor: 47/10
Galand descobrindo que escolheu o bar errado: 73/10

Nota geral Bellacosa Mainframe:

8,7/10

Provavelmente uma das melhores fases de Nanatsu no Taizai.

Talvez:

a última fase em que história, personagens, animação e escala estavam simultaneamente funcionando muito bem.


🌀 45. Easter egg para quem chegou até aqui

Os Ten Commandments deveriam representar:

leis absolutas.

Os Seven Deadly Sins representam:

falhas humanas.

Olhe a ironia.

De um lado:

dez seres definidos por regras.

Do outro:

sete pessoas definidas por erros.

Quem é mais humano?

Os que obedecem perfeitamente?

Ou aqueles que erraram, sofreram, mudaram e continuam tentando?

Talvez Nakaba Suzuki esteja escondendo uma ideia muito simples sob milhares de toneladas de explosões:

redenção só existe porque pessoas falham.

Um ser incapaz de errar...

também é incapaz de aprender.


☕ Epílogo — os Mandamentos foram restaurados

Imagine a situação.

Você finalmente resolveu o incidente.

Liones voltou.

Usuários satisfeitos.

CPU normal.

Fila zerada.

Hendrickson fechado.

Change aprovado.

CAB comemorando.

Você pega o café.

Então o console imprime:

IEF403I DEMONCLAN STARTED
IEF404I TENCOMMANDMENTS ACTIVE
WARNING: 3000-YEAR PROCESS RESUMED

Você olha.

Atualiza a tela.

A mensagem continua lá.

Alguém pergunta:

— Quem autorizou isso?

Ninguém sabe.

Então Galand aparece.

Diane esquece metade da vida.

Ban sai atrás de Elaine.

Gowther começa a editar memória alheia.

Meliodas descobre que sua família demoníaca ainda está bastante viva.

E um sujeito magrelo de bigode entra num bar esperando o Sol nascer.

Às onze e cinquenta e nove ele ainda parece inofensivo.

Ao meio-dia...

o monitoramento para de responder.

Revival of the Commandments é exatamente esse momento da franquia.

Quando Nanatsu no Taizai deixa de ser simplesmente uma boa aventura medieval e assume completamente sua verdadeira forma:

uma guerra mitológica de três mil anos disfarçada de anime sobre sete criminosos administrando uma taverna.

E o pior?

Aquilo ainda era apenas o começo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

The Seven Deadly Sins — Quando os Pecadores Eram os Heróis

 


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

The Seven Deadly Sins — Quando os Pecadores Eram os Heróis

Ou: sete cavaleiros acusados de destruir um reino, uma princesa procurando criminosos, um porco falante, referências à Távola Redonda e uma quantidade preocupante de demônios capazes de explodir montanhas

Há animes que você termina e imediatamente procura alguma coisa parecida.

Há outros que permanecem anos na memória.

E existe uma terceira categoria curiosíssima:

o anime que você assistiu inteiro, gostou razoavelmente enquanto assistia e alguns anos depois precisa consultar a documentação para lembrar o que diabos aconteceu.

The Seven Deadly Sins pertence perigosamente a essa terceira categoria.

Eu assisti pela Netflix alguns anos depois do auge da série.

Não achei particularmente ruim.

Também não lembro de ter terminado qualquer temporada pensando:

— Meu Deus. Preciso falar disso com alguém amanhã.

Curiosamente, minha memória mais persistente relacionada ao anime nem sequer é uma batalha.

É quem me recomendou assistir.

Mas isso é assunto para outra arqueologia.

Hoje vamos abrir o dump de Nanatsu no Taizai e descobrir como uma das maiores franquias shōnen da década de 2010 conseguiu passar de fenômeno internacional a uma obra que muita gente hoje descreve simplesmente como:

“Ah... eu lembro desse.”



🇯🇵 1. Comecemos pelo nome original

O título japonês é:

七つの大罪 — Nanatsu no Taizai

Literalmente:

Os Sete Pecados Capitais.

Internacionalmente ficou conhecido como:

The Seven Deadly Sins.

A obra foi criada pelo mangaká Nakaba Suzuki, responsável tanto pelo roteiro quanto pelo desenho.

O mangá começou a ser publicado pela Kodansha na revista Weekly Shōnen Magazine em 10 de outubro de 2012 e terminou em 25 de março de 2020, após 346 capítulos, reunidos em 41 volumes. A própria Kodansha registra a obra como concluída e mantém todos os 41 volumes disponíveis.

No Brasil, a publicação ficou a cargo da Editora JBC, entre 2015 e 2020, também completando os 41 volumes.

O anime estreou no Japão em 5 de outubro de 2014.

E aí começou a primeira aventura.

A da história.

E a segunda.

A da produção.

Porque, curiosamente, as duas terminariam enfrentando demônios.



🎬 2. Quem colocou Britannia em movimento?

A primeira temporada foi produzida pela A-1 Pictures, estúdio do grupo Sony conhecido por obras como Sword Art Online, Blue Exorcist, Anohana e posteriormente vários outros grandes projetos.

A direção inicial ficou com Tensai Okamura.

O desenho dos personagens para animação ficou a cargo de Keigo Sasaki.

E há um nome particularmente importante na trilha sonora:

Hiroyuki Sawano.

O mesmo compositor associado a obras como Attack on Titan, Kill la Kill e Aldnoah.Zero.

A própria A-1 Pictures registra oficialmente a produção original de 2014 com Sawano e Takafumi Wada na música.

E isso explica parte daquela sensação de que, mesmo quando alguém está apenas encarando outro personagem no meio de uma floresta, a música parece anunciar:

A HUMANIDADE SERÁ DESTRUÍDA NOS PRÓXIMOS QUARENTA SEGUNDOS.

Sawano sendo Sawano.



📺 3. Quantos episódios existem?

Aqui começa uma pequena pegadinha criada principalmente pela maneira como a Netflix organizou a série.

A história principal televisiva tem:

ProduçãoAnoEpisódiosEstúdio
The Seven Deadly Sins2014–201524A-1 Pictures
Signs of Holy War20164A-1 Pictures
Revival of the Commandments201824A-1 Pictures
Wrath of the Gods2019–202024Studio Deen
Dragon's Judgement202124Studio Deen

Ou seja:

100 episódios, contando o especial de quatro episódios Signs of Holy War.

A confusão acontece porque a Netflix apresentou Signs of Holy War como uma temporada, embora tecnicamente seja um especial televisivo de quatro partes. A A-1 confirma que ele foi produzido em 2016 e a documentação da série registra seus quatro episódios.

Isso explica por que algumas pessoas dizem que existem quatro temporadas e outras juram ter assistido cinco.

Ambas provavelmente estão olhando para a mesma coisa com nomenclaturas diferentes.


🏰 4. A premissa é muito melhor do que parece

O reino de Liones, em Britannia, aparentemente foi traído anos antes por um grupo lendário de cavaleiros:

The Seven Deadly Sins.

Eles teriam tentado derrubar a monarquia.

Foram perseguidos.

Derrotados.

Dispersaram-se.

Viraram criminosos lendários.

Dez anos depois, entretanto, a jovem princesa Elizabeth Liones descobre que a narrativa oficial talvez esteja invertida.

Os verdadeiros responsáveis pela tomada do reino são os próprios Holy Knights, os cavaleiros sagrados encarregados de protegê-lo.

Elizabeth então faz algo perfeitamente razoável para uma princesa fugitiva:

sai procurando os sete criminosos mais perigosos do continente.

A Kodansha resume precisamente essa inversão: os Sins foram acusados de tentar derrubar a monarquia, enquanto os Holy Knights assumiram o poder, levando Elizabeth a procurar os antigos cavaleiros.

E o primeiro criminoso lendário que ela encontra é...

um baixinho administrando um bar.

Naturalmente.


🐉 5. Meliodas — Ira do Dragão

Meliodas é o líder dos Seven Deadly Sins.

Seu pecado é:

Wrath — Ira.

Seu símbolo:

Dragão.

À primeira vista ele parece praticamente uma criança.

Pequeno.

Sorridente.

Relaxado.

Dono de uma taverna ambulante chamada Boar Hat.

Então alguém resolve atacá-lo.

E rapidamente descobrimos que seria mais prudente atacar uma subestação elétrica utilizando um garfo.

Meliodas possui força absurda e uma técnica particularmente interessante chamada Full Counter, capaz de devolver ataques mágicos ao adversário.

Mas seu verdadeiro papel na história é muito maior.

Meliodas está diretamente ligado ao Demon Clan.

Seu passado envolve uma guerra ancestral.

Elizabeth.

Maldições.

Morte.

Reencarnação.

E uma quantidade de sofrimento escondida atrás daquele sorriso de moleque safado.

Aqui aparece uma das primeiras mensagens interessantes da obra:

aquilo que vemos de uma pessoa pode ser quase exatamente o contrário daquilo que ela carrega.

O homem associado à Ira geralmente parece alegre.

O homem associado ao Orgulho passa metade da existência sem qualquer orgulho.

O homem associado à Ganância demonstra uma capacidade extraordinária de sacrifício.

Nakaba Suzuki brinca constantemente com essa inversão.


🦊 6. Ban — Ganância da Raposa

Ban representa:

Greed — Ganância.

Símbolo:

Raposa.

Ban é imortal durante boa parte da história.

Isso permite que o anime utilize o personagem como saco de pancadas certificado.

Espada atravessa.

Braço desaparece.

Corpo explode.

Ban:

— Tá.

Mas por trás do sujeito arrogante existe uma das relações emocionalmente mais interessantes da série.

Sua busca por Elaine, sua relação com a Fonte da Juventude e principalmente sua amizade com Meliodas transformam Ban num personagem bem mais complexo do que o arquétipo inicial do ladrão.

Sua “ganância” também guarda uma ironia.

Ban rouba.

Deseja.

Quer possuir.

Mas repetidamente está disposto a perder tudo por outra pessoa.


🐍 7. Diane — Inveja da Serpente

Diane representa a Inveja.

É uma gigante.

Literalmente.

Ela possui força física extraordinária e controle sobre a terra.

Seu arco envolve identidade, pertencimento, memória e sua relação com King.

A inveja de Diane não é simplesmente desejar riqueza ou poder.

É desejar algo tremendamente humano:

ser aceita.

Ser escolhida.

Ser vista.

E talvez tornar-se alguém que acredita conseguir ser amada.


🐻 8. King — Preguiça do Urso

O nome verdadeiro de King é Harlequin.

Ele é o Rei das Fadas.

Seu pecado é:

Sloth — Preguiça.

E aqui novamente existe uma brincadeira moral.

King não é simplesmente preguiçoso.

Seu pecado está associado ao fato de não ter cumprido seu dever quando deveria.

A preguiça torna-se, portanto:

omissão.

Não fazer alguma coisa também é uma decisão.

Uma mensagem surpreendentemente adulta escondida dentro de um shōnen de porradaria.


🐏 9. Gowther — Luxúria da Cabra

Gowther talvez seja um dos personagens conceitualmente mais interessantes.

Seu pecado é:

Lust — Luxúria.

Só que sua grande dificuldade é justamente compreender emoções humanas.

Ele observa sentimentos quase como um cientista analisando uma espécie desconhecida.

Amor.

Desejo.

Ciúme.

Dor.

Memória.

Gowther frequentemente tenta entender a humanidade manipulando aquilo que torna alguém humano.

Consequentemente provoca algumas das situações mais moralmente desconfortáveis da obra.


🐗 10. Merlin — Gula do Javali

Não.

Não estamos falando do mago barbudo da Disney.

Merlin é uma mulher extremamente poderosa, inteligente e perigosamente curiosa.

Seu pecado:

Gluttony — Gula.

Mas sua gula não é comida.

É:

conhecimento.

Ela quer saber.

Entender.

Descobrir.

Ir além.

Quando determinada informação termina, quer a próxima.

Nesse aspecto Merlin é talvez a representação mais elegante de um pecado dentro da série.

Existe uma gula intelectual.

E conhecimento sem limite moral também pode destruir.


☀️ 11. Escanor — Orgulho do Leão

E então chega ele.

Escanor.

Pecado:

Pride — Orgulho.

Símbolo:

Leão.

Durante a noite Escanor é tímido, frágil e inseguro.

Conforme o Sol sobe, seu poder aumenta.

Sua personalidade muda.

Ao meio-dia temos basicamente:

um reator nuclear britânico com bigode.

Seu poder, chamado Sunshine, atinge o auge próximo do meio-dia.

E Escanor conseguiu algo curioso:

mesmo pessoas que hoje criticam Nanatsu frequentemente continuam gostando dele.

Porque seu orgulho não é apenas arrogância.

É uma confiança absolutamente lógica baseada no fato de que, durante alguns minutos do dia, existe uma possibilidade bastante razoável de ele realmente ser o sujeito mais perigoso na sala.

Ou no reino.

Ou no continente.


🐷 12. E naturalmente existe Hawk

Toda narrativa sobre demônios, genocídio, guerra santa, maldição eterna e divindades precisa de alguma coisa para equilibrar o ambiente.

Então Nakaba Suzuki colocou:

um porco falante.

Hawk funciona como alívio cômico, mascote, fiscal da taverna, medidor informal de poder e ocasional consciência moral.

E talvez seja uma das criaturas mais reconhecíveis da franquia.


⚔️ 13. A aventura começa como uma missão de resgate

A primeira grande estrutura narrativa é simples.

Elizabeth e Meliodas precisam localizar os outros Pecados.

Cada reencontro abre uma pequena história.

Ban.

Diane.

King.

Gowther.

Merlin.

Posteriormente Escanor.

Enquanto isso descobrimos que os Holy Knights não formam exatamente um bloco homogêneo de vilões.

Existem manipulações.

Conspirações.

Possessões.

Lealdades divididas.

Até que a história deixa de ser simplesmente:

recuperar Liones.

E vira algo muito maior.


😈 14. Os Dez Mandamentos chegam

Os Ten Commandments são guerreiros de elite do Demon Clan.

Cada um possui uma espécie de regra sobrenatural.

E aqui Nanatsu encontra uma ideia excelente:

certos inimigos não precisam simplesmente ser fisicamente fortes.

Eles transformam comportamento moral em mecanismo de combate.

Mentir.

Odiar.

Dar as costas.

Demonstrar determinados sentimentos.

Tudo pode produzir consequências mágicas.

Isso introduz um interessante componente estratégico.

Não basta bater no adversário.

Você precisa entender a regra.

É quase um:

JCL do inferno.

Errou o parâmetro?

ABEND.


👿 15. O conflito deixa de ser humano

Depois descobrimos progressivamente que existe uma guerra muito mais antiga.

Demônios.

Deusas.

Gigantes.

Fadas.

Humanos.

Uma antiga Holy War.

Meliodas estava envolvido.

Elizabeth estava envolvida.

E o relacionamento entre ambos está no centro de uma maldição cruel.

Meliodas precisa reencontrar Elizabeth repetidamente.

Elizabeth renasce.

Recupera suas memórias.

E morre.

Ele se lembra.

Ela não.

Até voltar a lembrar.

É um mecanismo narrativo tremendamente trágico escondido sob uma superfície que frequentemente parece apenas uma aventura juvenil.


❤️ 16. O verdadeiro pecado de Nanatsu é continuar amando

Há uma leitura interessante que passa despercebida quando assistimos apenas esperando a próxima transformação.

Quase todos os personagens estão presos ao passado.

Ban não consegue abandonar Elaine.

King carrega culpa.

Diane luta com memória e identidade.

Escanor sofre por amar alguém que sabe que provavelmente nunca corresponderá da mesma maneira.

Meliodas atravessa séculos tentando quebrar uma maldição.

Elizabeth encontra repetidamente uma história que já viveu.

A série inteira fala sobre:

o que uma pessoa continua carregando quando deveria ter deixado para trás.

Neste sentido, “pecado” funciona menos como moral religiosa e mais como:

ferida.

Cada personagem recebeu um rótulo.

Mas o rótulo conta apenas parte da história.


👑 17. E então entra a lenda arturiana pela porta dos fundos

Britannia.

Merlin.

Arthur.

Meliodas.

Escanor.

O leitor familiarizado com lendas medievais começa rapidamente a perceber que Nakaba Suzuki abriu um enorme depósito de peças da tradição arturiana.

Ele não adapta diretamente a Távola Redonda.

Ele desmonta as lendas e reutiliza nomes, conceitos e personagens.

O resultado é uma curiosa mistura de:

Rei Arthur + demonologia + cristianismo medieval + fantasia japonesa + Dragon Ball.

E funciona melhor do que essa frase deveria permitir.


🧠 18. O que Nanatsu tem de diferente?

Os Sete Pecados Capitais parecem inicialmente apenas um truque para criar sete personagens.

Mas existe uma sacada inteligente.

O pecado atribuído a cada personagem raramente descreve adequadamente sua personalidade atual.

Ele geralmente representa:

uma culpa,

uma acusação,

uma tragédia,

um erro,

ou a interpretação de outra pessoa sobre suas ações.

Isso reforça um tema presente desde o primeiro episódio:

reputação não é verdade.

Os Seven Deadly Sins são conhecidos como traidores.

Não eram.

Os Holy Knights são conhecidos como heróis.

Nem sempre são.

Demônios são monstros.

Talvez a história seja mais complicada.

Deusas representam o bem.

Definitivamente a história é mais complicada.

O anime constantemente pergunta:

quem escreveu a versão oficial?

Curiosamente, essa talvez seja uma das mensagens mais interessantes de toda a obra.


✝️ 19. O anime usa religião, mas não é catecismo

Os próprios Seven Deadly Sins vêm da tradição cristã medieval:

orgulho,

ganância,

luxúria,

inveja,

gula,

ira,

preguiça.

Também temos:

Deusa.

Demônio.

Mandamentos.

Purgatório.

Guerra Santa.

Mas seria erro interpretar Nanatsu como alegoria cristã consistente.

Nakaba Suzuki está fazendo aquilo que autores japoneses fazem há décadas:

abrindo uma caixa cultural ocidental e utilizando seus símbolos porque são interessantes narrativamente.

Da mesma forma que Hollywood usa:

samurai,

ninja,

katana,

zen,

sem necessariamente produzir um tratado sobre Japão.

Nanatsu mistura tudo alegremente.


🩸 20. A censura que transformou sangue em leite

E chegamos a uma das passagens mais famosas — pelos motivos errados.

Quando Wrath of the Gods estreou em 2019, a produção já havia passado da A-1 Pictures para o Studio Deen.

Em determinadas cenas da transmissão japonesa, sangue vermelho foi substituído por um líquido branco luminoso.

O resultado era tão estranho que virou meme quase imediatamente.

Relatos da época registram críticas pesadas à censura, além de sangue branco, sombras cobrindo ferimentos e inconsistência entre episódios. Houve retorno do sangue vermelho já em episódios posteriores, embora a origem exata da decisão — emissora, comitê ou produção — não tenha sido esclarecida publicamente.

Era uma tentativa de tornar violência gráfica menos explícita.

Só havia um pequeno problema.

Visualmente parecia algo consideravelmente mais constrangedor.

Às vezes censura possui um talento especial para criar exatamente aquilo que queria evitar.


🎨 21. E então veio o verdadeiro pecado mortal: a animação

A mudança para o Studio Deen coincide com a fase que mais prejudicou a reputação do anime.

Isso merece uma ressalva.

Não significa simplesmente:

“Studio Deen é ruim.”

Produção de anime envolve cronograma, terceirização, disponibilidade de equipe, orçamento, direção, comitê e dezenas de outros fatores.

Mas o espectador vê o resultado.

E o resultado em determinadas cenas foi muito inferior ao que a franquia apresentara anteriormente.

A batalha entre:

Meliodas e Escanor

virou praticamente um estudo de caso.

Era uma das lutas mais aguardadas pelos leitores do mangá.

E terminou sendo lembrada pelas imagens estáticas, rostos deformados e movimentos pouco convincentes.

A crítica dos fãs à animação e à censura de Wrath of the Gods foi documentada já durante a exibição japonesa.

E isso custou caro.

Não necessariamente em dinheiro.

Mas em algo talvez ainda mais importante para uma franquia:

prestígio.


📉 22. Foi aí que Nanatsu começou a envelhecer mal

O problema não foi apenas animação.

Alguns elementos narrativos também passaram a incomodar mais o público com o tempo.

O exemplo óbvio é Meliodas e Elizabeth.

Meliodas apalpa Elizabeth repetidamente.

Levanta sua saia.

Toca seu corpo.

O anime apresenta isso como comédia.

É um tipo de gag bastante comum em certas obras japonesas, especialmente naquela geração.

Mas hoje muita gente revê essas cenas e simplesmente pensa:

cara... precisava disso?

E o mais curioso é que quase nada seria perdido narrativamente removendo a piada.

Essa talvez seja a definição perfeita de algo que envelheceu mal.


📈 23. O outro problema chama-se power creep

No começo, cortar uma colina parece impressionante.

Depois temos personagens destruindo regiões.

Depois demônios.

Depois deuses.

Depois formas demoníacas.

Depois números.

Depois transformações das transformações.

É o problema clássico de shōnen de longa duração.

Se ontem alguém tinha poder 5.000 e parecia invencível, amanhã aparece alguém com 25.000.

Logo precisamos de 50.000.

Depois 100.000.

Até que a escala perde significado emocional.

Dragon Ball transformou isso numa arte.

Nem todo mundo consegue fazer o mesmo.


🎭 24. Classificação e gênero

The Seven Deadly Sins é essencialmente:

Shōnen.

Seus principais gêneros são:

fantasia, ação, aventura, comédia, romance, drama e sobrenatural.

A Kodansha classifica a edição internacional como 13+, enquanto a JBC registra classificação brasileira de 14 anos para o mangá.

A obra contém:

violência,

morte,

sangue,

temas sexuais,

nudez parcial,

humor sexual,

relações românticas,

guerra,

tortura,

demônios,

religião fantástica

e alguns temas surpreendentemente sombrios quando se olha além da estética colorida.


📚 25. O mangá

O mangá original possui:

41 volumes.

Foi publicado durante aproximadamente oito anos.

E é importante dizer:

quem conhece Nanatsu apenas pelo anime talvez tenha uma impressão injustamente negativa da parte final.

O mangá não sofreu, evidentemente, com os problemas de cronograma e animação que afetaram a adaptação.

A arte de Nakaba Suzuki possui personalidade bastante reconhecível e mantém consistência maior.

Quando o mangá terminou em março de 2020, a Kodansha anunciou imediatamente que a história continuaria numa sequência.


📖 26. As light novels

Nanatsu também ganhou romances.

Entre os publicados oficialmente em inglês estão:

The Seven Deadly Sins: Seven Scars They Left Behind

e

The Seven Deadly Sins: Seven-Colored Recollections/Reflections.

As novels foram escritas por Shuka Matsuda, utilizando o universo criado por Nakaba Suzuki e trazendo ilustrações do próprio criador.

Elas expandem acontecimentos e memórias dos personagens, incluindo histórias ambientadas antes ou entre eventos principais.

É o tipo de material que dificilmente interessa ao espectador casual.

Mas para quem gosta de arqueologia de franquia...

aí existe material.


🎮 27. Naturalmente fizeram games

Uma franquia desse tamanho jamais escaparia.

Em 2018 saiu:

The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia

para PlayStation 4.

O jogo de ação permitia controlar vários personagens e reviver acontecimentos da série. A Bandai Namco o lançou nas Américas em fevereiro de 2018 e o apresentou como a primeira adaptação da franquia para consoles, com mais de cem quests.

Mas o verdadeiro monstro comercial veio no celular:

The Seven Deadly Sins: Grand Cross.

RPG para Android, iOS e posteriormente PC, desenvolvido/publicado pela Netmarble.

Ele reproduz cenas do anime em 3D, possui enorme elenco e acrescentou inclusive histórias originais.

E aqui existe um dado interessante para 2026:

Grand Cross ainda está vivo.

A Netmarble celebrou o sétimo aniversário do jogo em maio de 2026, com novos personagens e conteúdo ligado inclusive a Four Knights of the Apocalypse.

Portanto talvez o anime tenha saído do centro da conversa.

A franquia não morreu.


🎥 28. Filmes e derivados

Nanatsu também gerou filmes e produções paralelas.

Entre eles estão:

Prisoners of the Sky

Cursed by Light

e

Grudge of Edinburgh, dividido em duas partes.

Essas produções ampliam Britannia e conectam diferentes momentos da cronologia.

Além disso existem mangás derivados e histórias paralelas.

Uma das mais conhecidas é:

Seven Days

centrada em Ban e Elaine.

Também houve a comédia escolar:

Mayoe! Nanatsu no Taizai Gakuen!

que simplesmente pega aquela coleção de guerreiros capazes de destruir cidades e pergunta:

— E se fossem estudantes?

Porque Japão.


🐎 29. E então chegaram os Four Knights of the Apocalypse

A sequência direta chama-se:

Mokushiroku no Yonkishi — Four Knights of the Apocalypse.

Nakaba Suzuki começou a publicá-la em 2021.

A história acontece posteriormente e trabalha com uma nova geração de personagens, mantendo ligações importantes com os heróis anteriores.

A existência da sequência havia sido anunciada oficialmente pela Kodansha quando o mangá original terminou.

Ou seja, Nanatsu conseguiu algo importante:

criou um universo que sobreviveu à história original.


🌍 30. O impacto cultural foi gigantesco

Existe um perigo ao olhar para Nanatsu apenas em 2026:

esquecer o tamanho que ele teve.

No auge, era uma das grandes portas de entrada do público internacional para anime via streaming.

A Netflix teve papel enorme nisso.

Para muita gente que não acompanhava lançamentos semanais japoneses, não frequentava fóruns de fansub e não sabia o que diabos era Weekly Shōnen Magazine, apareceu simplesmente:

THE SEVEN DEADLY SINS

na tela inicial.

Clique.

Play.

Próximo episódio.

Próximo episódio.

De repente três da manhã.

A própria Kodansha hoje informa que a franquia, considerando o mangá principal e sua continuação Four Knights of the Apocalypse, ultrapassou 55 milhões de exemplares impressos, com publicação em mais de 18 países.

Isso não é uma franquia obscura.

Isso foi um fenômeno.


🌞 31. Escanor provavelmente venceu a guerra da memória

Curiosamente, quando perguntamos hoje:

“Do que você lembra de Nanatsu?”

muita gente começa esquecendo detalhes.

Mas Escanor aparece.

Sua habilidade baseada no Sol é simples de entender.

Visualmente clara.

Narrativamente poderosa.

E associada a algumas das frases mais arrogantes possíveis.

Ele representa aquele raro personagem overpower que continua interessante porque possui uma limitação transparente.

À noite:

praticamente indefeso.

Ao meio-dia:

boa sorte para todo mundo que estiver no mesmo CEP.


🕵️ 32. Existem mensagens escondidas?

“Escondidas” talvez seja exagero.

Mas existem mensagens que a pancadaria frequentemente encobre.

A primeira é:

não confie automaticamente na narrativa oficial.

A história começa literalmente com heróis tratados como criminosos e criminosos tratados como heróis.

A segunda:

pessoas não são seus rótulos.

Pecado não define completamente nenhum dos protagonistas.

A terceira:

toda força possui um custo.

Quase todos os grandes poderes da série exigem alguma forma de perda.

A quarta:

viver para sempre não significa necessariamente vencer a morte.

Ban descobre isso.

Meliodas talvez descubra ainda mais brutalmente.

A quinta:

amor também pode transformar-se numa prisão.

Esse é talvez o núcleo emocional de Meliodas e Elizabeth.

E finalmente:

culpa não desaparece porque alguém ficou mais forte.

Você pode destruir uma montanha.

Ainda terá de lidar com aquilo que fez.


🧩 33. O que Nanatsu fazia extraordinariamente bem

A série possuía uma grande virtude:

sabia criar personagens imediatamente reconhecíveis.

Mostre apenas silhuetas de:

Ban,

Diane,

King,

Escanor,

Meliodas,

Merlin,

Gowther.

Um fã reconhece rapidamente.

Cada um possui:

cor,

forma,

postura,

arma,

poder,

personalidade

e símbolo próprios.

Isso é ouro narrativo e ouro comercial.

Não é por acaso que a série virou:

mangá,

anime,

filme,

novel,

game,

figura,

merchandising

e continuação.


🧯 34. O que ela fazia mal

Agora precisamos chamar o pessoal da auditoria.

O primeiro problema é:

repetição narrativa.

Inimigo aparentemente invencível.

Personagem revela poder.

Novo inimigo mais forte.

Transformação.

Nova transformação.

Explicação do passado.

Outro vilão.

Outra guerra.

Outro nível de poder.

Funciona durante a exibição.

Mas comprime terrivelmente mal na memória.

O segundo problema:

alongamento.

Há momentos nos quais a história parece ter chegado ao final natural.

E continua.

E termina novamente.

E continua.

O terceiro:

humor sexual repetitivo.

O quarto:

power creep.

E finalmente:

a queda visual da adaptação em momentos fundamentais.

É muita coisa competindo contra a memória afetiva.


🧠 35. Por que eu praticamente esqueci o anime?

Essa talvez seja a pergunta mais interessante.

Eu assisti Nanatsu.

Não faz vinte anos.

Não faz quinze.

Foi relativamente recente.

Ainda assim, antes de começar a relembrar a série, meu cérebro tinha armazenado aproximadamente:

Meliodas.

Elizabeth.

Porco.

Sete sujeitos.

Escanor.

Demônios.

Fim.

Isso não significa necessariamente que o anime seja ruim.

Significa outra coisa.

Ele possui muita intensidade e relativamente poucos pontos de ancoragem.

Há dezenas de batalhas.

Transformações.

Revelações.

Níveis de poder.

Mortes.

Ressurreições.

Mas várias possuem estruturas semelhantes.

O cérebro realiza aquilo que qualquer bom sistema de armazenamento faria:

deduplication.

Compressão.

Remove blocos redundantes.

Três anos depois ficamos com um ZIP de 14 MB contendo:

“Era legal. Tinha o Escanor.”


☕ 36. Então The Seven Deadly Sins envelheceu mal?

Em partes.

O começo continua extremamente competente.

A ideia dos Pecados continua excelente.

O elenco continua carismático.

O universo funciona.

A trilha sonora continua poderosa.

Algumas relações continuam emocionalmente boas.

Escanor continua Escanor.

Mas determinados elementos envelheceram.

O humor sexual.

A escalada infinita de poder.

Certas soluções narrativas.

E principalmente a adaptação visual das temporadas posteriores.

Por isso talvez a frase mais correta não seja:

Nanatsu foi esquecido.

Seria:

Nanatsu perdeu centralidade cultural muito mais rápido do que seria esperado para uma franquia daquele tamanho.

Existe uma diferença enorme.


🥋 37. Classificação Bellacosa Mainframe

Se eu tivesse de avaliá-lo hoje, olhando a obra inteira:

História: 7,5/10
Personagens: 8/10
Universo: 8/10
Trilha sonora: 9/10
Primeiras temporadas: 8/10
Consistência da animação: 6/10
Vilões: 7,5/10
Originalidade: 7,5/10
Capacidade de permanecer na memória: 6,5/10
Escanor ao meio-dia: 47/10.

Nota geral Bellacosa Mainframe:

7,5/10

Um bom shōnen.

Em determinados momentos, excelente.

Mas incapaz de sustentar durante toda a jornada aquilo que prometeu quando colocou sete criminosos lendários dentro de uma taverna carregada por um porco gigante.


🌀 38. Easter egg para quem chegou até aqui

Os Sete Pecados passam a história inteira sendo definidos por palavras negativas.

Ira.

Ganância.

Inveja.

Preguiça.

Luxúria.

Gula.

Orgulho.

Mas olhe novamente para eles.

A Ganância aprende a sacrificar.

A Preguiça aprende responsabilidade.

A Inveja encontra identidade.

A Luxúria tenta compreender sentimentos.

A Gula busca conhecimento.

O Orgulho descobre vulnerabilidade.

E a Ira passa séculos tentando salvar alguém que ama.

Talvez o verdadeiro truque de Nakaba Suzuki esteja justamente aí.

Os sete pecados não são sete pessoas más.

São sete pessoas que cometeram erros, receberam rótulos e continuaram andando.

No fundo, talvez seja por isso que o título funciona tão bem.

Porque ninguém assiste The Seven Deadly Virtues.

Virtude perfeita é ótima para vitral.

Personagem interessante precisa ter defeito.


☕ Epílogo — um anime salvo num diretório que eu quase apaguei

Talvez eu nunca assista aos cem episódios novamente.

Provavelmente não preciso.

Mas foi curioso revisitar Britannia.

Descobrir que havia muito mais coisa escondida naquele arquivo mental do que eu imaginava.

Uma guerra religiosa.

Rei Arthur.

Demônios.

Fadas.

Imortalidade.

Reencarnação.

Amor condenado.

Propaganda oficial.

Culpa.

Identidade.

E um homem cujo principal argumento filosófico era basicamente esperar o Sol chegar ao meio-dia.

Nanatsu no Taizai talvez não tenha se tornado aquele anime que eu carregaria para uma ilha deserta.

Mas merece seu lugar na história.

Durante alguns anos ele foi enorme.

Apresentou anime a milhões de novos espectadores.

Virou uma das caras da expansão internacional do streaming japonês.

Gerou mangás, novels, filmes, jogos e uma sequência que continua mantendo Britannia viva.

E talvez sua situação atual seja uma excelente lembrança para qualquer produtor de software, anime ou mainframe:

não basta conquistar o mundo na versão 1.0.

Você ainda precisa manter a aplicação.

Porque ninguém está protegido contra dívida técnica.

Nem mesmo os Sete Pecados Capitais.

E, aparentemente, dívida técnica também é pecado.

Só esqueceram de colocar no mangá.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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