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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Palmeiras e o brado de guerra

Bellacosa Mainframe e o brado de guerra da torcida do Palmeiras

Um Café no Bellacosa Mainframe

🟢 Palmeiras e o Brado de Guerra — Quando 35 Mil Vozes Viraram Uma

Por alguns minutos, ninguém estava sozinho. Éramos um mar verde, e cada torcedor era apenas uma gota ajudando a formar uma onda gigantesca de vozes.

Este pequeno vídeo é mais um fragmento daquela nossa visita ao Allianz Parque para assistir a um jogo do Palmeiras.

E talvez seja justamente por ser apenas um fragmento que ele conseguiu guardar algo que uma fotografia dificilmente conseguiria preservar.

O som.

Não apenas o barulho de um estádio.

O brado.

Milhares de palmeirenses reunidos, felizes, cantando, gritando e glorificando juntos o seu time de futebol.

Eu estava no meio daquela multidão e, olhando agora para essas imagens tantos anos depois, percebo que havia algo muito maior acontecendo ali.

⚔️ Como vikings avançando sobre uma aldeia

A comparação pode parecer exagerada.

Mas quem já esteve dentro de um estádio lotado provavelmente entende.

Imagine milhares de pessoas começando a cantar praticamente ao mesmo tempo.

Uma voz começa.

Outra acompanha.

Uma arquibancada responde.

Outra aumenta o volume.

E de repente já não conseguimos distinguir quem está cantando ao nosso lado.

Existe apenas uma enorme voz coletiva.

PALMEIRAS!

O concreto parece responder.

O som atravessa as arquibancadas, bate nas estruturas do estádio e retorna.

É quase físico.

Arrepia.

Naquele instante lembrei daqueles filmes em que centenas de vikings avançam gritando contra uma pobre aldeia que provavelmente estava muito tranquila cinco minutos antes.

Só faltavam os escudos, os machados e alguém chamado Ragnar.

😄

Mas existe alguma coisa curiosamente ancestral naquela experiência.


🧠 O indivíduo desaparece por alguns minutos

Passamos praticamente toda a nossa vida sendo indivíduos.

Meu nome.

Minha profissão.

Minha casa.

Meus problemas.

Minhas preocupações.

Minha conta para pagar.

Meu relógio.

Meu telefone.

Minha vida.

Mas existem determinados ambientes onde essa percepção muda.

Um estádio de futebol lotado é um deles.

Durante alguns minutos, o indivíduo deixa de ser solo e passa a fazer parte de um organismo muito maior.

Você não está simplesmente ao lado da torcida.

Você é a torcida.

Uma pessoa levanta os braços.

Milhares levantam.

Uma pessoa começa um canto.

Outras acompanham.

A bola aproxima-se do gol e milhares de corpos inclinam-se quase simultaneamente.

Sai o gol.

E então acontece aquela explosão.

Pessoas que nunca se viram se abraçam.

Gritam juntas.

Pulam juntas.

Durante alguns segundos desaparecem profissões, bairros, idades e histórias pessoais.

Existe somente aquele momento.



🌊 Um mar de pessoas

Talvez essa seja a imagem que melhor descreva aquilo que vi.

Um mar.

Cada pessoa isoladamente é pequena.

Como uma gota.

Mas coloque dezenas de milhares delas juntas e aparecem ondas.

O canto começa em algum ponto da arquibancada.

Cresce.

Viaja.

Outra parte do estádio responde.

A massa se movimenta.

Braços levantam.

Bandeiras balançam.

Corpos pulam.

E uma nova onda atravessa o estádio.

Vista de longe, a torcida parece realmente possuir movimento próprio.

Talvez seja por isso que usamos espontaneamente a expressão:

"mar de gente".

Porque uma multidão possui algo que lembra um oceano.

Existem correntes.

Ondas.

Movimentos.

Ruído.

Momentos de calmaria.

E tempestades.

Naquele dia, dentro do Allianz Parque, o oceano era verde.



🔥 Há alguma coisa muito antiga nisso

E aqui aparece a parte que mais me fascina olhando novamente para o vídeo.

Talvez aquilo não seja simplesmente futebol.

Talvez o futebol esteja apenas acionando alguma coisa muito mais antiga que existe dentro de nós.

Muito antes de existirem estádios, campeonatos, televisão ou Palmeiras, seres humanos já se reuniam ao redor do fogo.

Cantavam juntos.

Dançavam juntos.

Celebravam juntos.

Partiam para caçadas juntos.

Defendiam seus grupos juntos.

Provavelmente nossos antepassados já conheciam perfeitamente a sensação provocada por dezenas ou centenas de vozes produzindo o mesmo som.

O mundo mudou completamente.

O fogo virou refletores.

A clareira virou estádio.

Os guerreiros trocaram escudos por camisas.

O tambor ganhou caixas de som.

E a aldeia adversária agora possui onze jogadores do outro lado do campo.

😂

Mas talvez alguma coisa tenha permanecido exatamente igual.

A necessidade humana de pertencer.

🟢 Não estou assistindo ao Palmeiras. Estou dentro do Palmeiras.

Existe uma diferença gigantesca entre assistir a uma partida pela televisão e estar dentro de um estádio.

Na televisão observamos o evento.

No estádio fazemos parte dele.

A televisão consegue mostrar melhor o lance.

Tem replay.

Close.

Estatísticas.

Comentaristas.

Diferentes câmeras.

Talvez consigamos compreender muito melhor o jogo ficando no sofá.

Mas existe algo que a televisão dificilmente consegue transmitir:

a pressão sonora de milhares de pessoas gritando ao seu redor.

A vibração.

O concreto devolvendo o canto.

A pessoa desconhecida pulando ao seu lado.

O sujeito algumas fileiras abaixo gesticulando para um jogador que jamais conseguirá ouvi-lo.

😂

E principalmente aquela estranha transformação psicológica:

por alguns minutos deixamos de dizer:

"eles estão cantando".

Porque percebemos:

"nós estamos cantando".

Essa pequena mudança de pronome explica muita coisa.

🧬 Talvez nossos ancestrais reconhecessem aquilo

Imagine trazer para aquele estádio um ser humano de milhares de anos atrás.

Ele certamente não entenderia o telão.

Não entenderia os refletores.

Não entenderia por que 22 homens estavam perseguindo uma esfera.

Provavelmente ficaria completamente confuso com os celulares.

Mas quando dezenas de milhares de pessoas começassem a cantar juntas...

Talvez aquilo ele entendesse.

O grupo.

O ritmo.

O brado.

A celebração.

O pertencimento.

Talvez olhasse ao redor e pensasse:

"Ah... isso eu conheço."

💚 A felicidade também pode ser coletiva

Existe outro detalhe importante naquele vídeo.

As pessoas estavam felizes.

Não era apenas barulho.

Era celebração.

Milhares de pessoas tinham deixado suas casas, atravessado a cidade e vestido as mesmas cores para participar daquele ritual moderno.

E quando o canto começava, aquela felicidade individual parecia somar-se às outras.

Uma espécie de processamento paralelo emocional.

Se eu estivesse escrevendo isso como programador de mainframe, diria que milhares de pequenos processos independentes entraram temporariamente em sincronismo.

😁

Cada torcedor continuava sendo uma pessoa.

Mas naquele instante todos executavam aproximadamente o mesmo JOB:

//TORCIDA JOB PALMEIRAS
//STEP01 EXEC PGM=GRITAR
//SYSIN DD *
PALMEIRAS!
PALMEIRAS!
PALMEIRAS!
/*

E aparentemente ninguém queria cancelar aquele batch.

🥚 Easter egg — o mainframe humano

Décadas trabalhando com computadores talvez tenham estragado definitivamente meu cérebro, porque hoje olho para aquela torcida e enxergo algo curiosamente familiar.

Milhares de unidades independentes.

Cada uma com sua própria história.

Cada uma processando informações individualmente.

Mas todas temporariamente coordenadas em torno de uma tarefa comum.

Quase um gigantesco sistema distribuído biológico.

Só existe uma diferença importante.

Na informática passamos décadas tentando eliminar ruído.

Na arquibancada...

o objetivo era justamente produzir o máximo possível.

😂

🎥 E então sobra este pequeno vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses fragmentos antigos.

Naquele momento eu provavelmente apenas saquei a câmera e gravei.

Sem imaginar grandes significados.

Era somente:

"Olha que legal a torcida."

Dez anos depois, porém, encontro outra coisa escondida ali.

Não vejo apenas um estádio.

Vejo milhares de indivíduos experimentando durante alguns minutos uma das sensações mais antigas da humanidade:

pertencer a alguma coisa maior que nós mesmos.

Uma voz sozinha pode desaparecer no ambiente.

Trinta mil vozes juntas fazem concreto vibrar.

Uma pessoa é uma gota.

Uma arquibancada é uma onda.

Um estádio inteiro...

é um oceano.

E naquele dia o Allianz Parque estava em maré alta.

🟢⚪


☕ Epílogo — Quando voltamos a ser indivíduos

Então o jogo termina.

As pessoas começam a sair.

A grande criatura verde lentamente se desmonta.

Cada torcedor recupera sua própria direção.

Um vai procurar o metrô.

Outro procura o carro.

Alguém pensa no jantar.

Outro verifica o celular.

Outro comenta o gol.

A multidão vai desaparecendo pelas ruas.

E aqueles milhares de componentes daquele enorme organismo coletivo voltam novamente às suas pequenas vidas individuais.

Até o próximo jogo.

Até o próximo gol.

Até alguém começar novamente um canto em algum canto da arquibancada.

E milhares de desconhecidos responderem.

Naquele instante, por alguns minutos...

o mar volta a existir.

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A torcida alvi-verde expressa seu triunfo.


Imagine uma turba feliz e contente, após seu time assumir a liderança do campeonato com um diferença de 3 pontos e ainda golear um adversário numa partida.



A alegria corria solta pelos corredores do Arena Parque, a casa do Palmeiras toda reformada, na saída do jogo os quase 35000 torcedores gritavam e bradavam.

Seus gritos vibravam e ecoavam pelos corredores, o eco amplificava e a acústica perfeita aumentava ainda mais a emoção dos gritos.



☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🟢 Palmeiras, Palestra Italia e Memórias Bellacosa

Uma pequena viagem por histórias de família, futebol, arquibancadas, Palestra Italia, Allianz Parque e pelo mar verde da torcida palmeirense.

01

A alegria da torcida durante o jogo

Palmeiras x Figueirense no Allianz Parque: torcida cantando, estádio vibrando, quatro gols e a experiência de acompanhar o Verdão no meio de milhares de palmeirenses.

02

Palmeiras e o Brado de Guerra

Milhares de torcedores cantando juntos no Allianz Parque: por alguns minutos o indivíduo desaparece e surge uma única voz, um único corpo e um verdadeiro mar verde.

03

Tio Queijo e o Reino da Fartura

Uma crônica familiar que resgata memórias, infância, parentes e fragmentos da história dos Bellacosa em São Paulo.

04

Os Bellacosa do Palestra Italia e Futebol Paulista

Uma viagem pelas conexões entre a família Bellacosa, o antigo Palestra Italia, o Palmeiras e a história do futebol paulista.

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☕ Bellacosa Mainframe — histórias reais preservadas em tempos digitais.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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