Uma noite de rock alternativo no Garage Bar
Com um cover do Linkin Park e mais uma salada russa de rock desdes os primórdios até o rock nacional, este pequeno e humilde vídeo apresenta o Garage Bar na Avenida Brasil em Campinas.
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
| Bellacosa Mainframe e o formiga skatista |
Era uma tarde tranquila no Parque Luís Latorre, em Itatiba, e naquele dia o grande desafio do Formiga estava sobre quatro pequenas rodas.
O skate ainda parecia ter vontade própria.
Subir, procurar o equilíbrio, empurrar o chão com o pé, avançar alguns metros, balançar os braços desesperadamente para não cair... e, algumas vezes, cair mesmo. 😄
Nada de grandes manobras, ollies perfeitos ou aventuras radicais. Eram apenas as primeiras voltinhas de quem estava começando a descobrir como permanecer em cima de uma prancha com rodas.
E talvez seja justamente isso que torne este pequeno registro tão especial.
Aprender a andar de skate é uma sucessão de pequenas conquistas. Primeiro conseguimos ficar parados. Depois avançamos um pouco. Descobrimos como colocar os pés, como distribuir o peso do corpo e, principalmente, aprendemos que cair também faz parte da brincadeira.
Naquela tarde, o Parque Luís Latorre tornou-se nossa pequena pista de treinamento.
Entre tentativas, corridas, desequilíbrios e algumas quedas, Formiga continuava tentando. Não havia competição nem obrigação de aprender rapidamente. O importante era brincar, experimentar e aproveitar aquele domingo no parque.
Anos depois, rever essas imagens dá outro significado ao vídeo.
Aquilo que naquele momento era simplesmente uma criança aprendendo a andar de skate tornou-se uma pequena cápsula do tempo: um registro de Itatiba, do parque, da infância e de uma tarde comum que ficou guardada para sempre.
Porque crescer talvez seja exatamente assim.
A gente sobe sem saber direito como funciona, tenta encontrar equilíbrio, começa a andar, cai algumas vezes e levanta novamente.
E então, quase sem perceber...
| Bellacosa Mainframe e o Transofrmers no Game |
Era um fim de tarde de 2016, em Jundiaí, daqueles passeios tranquilos que aparentemente não prometem grandes acontecimentos. Tudo seguia normalmente até que surgiu uma emergência de proporções interplanetárias: a humanidade estava em perigo!
E quando o planeta precisa de heróis, alguém precisa assumir a missão.
Foi assim que Formiga e Ju entraram em ação.
Diante de um game dos Transformers, não havia mais shopping, passeio ou tranquilidade. Naquele momento existia apenas uma batalha gigantesca entre máquinas, explosões, inimigos e dois jogadores tentando descobrir como sobreviver no meio daquela confusão.
🎮 Armas preparadas.
🤖 Transformers posicionados.
💥 Inimigos chegando.
A missão começou!
O game rapidamente virou uma pequena guerra eletrônica. Tiros apareciam de todos os lados, robôs gigantes dominavam a tela e os reflexos precisavam funcionar rapidamente.
A grande questão, porém, não era exatamente salvar o planeta.
Era descobrir se Formiga e Ju conseguiriam permanecer vivos por mais de dois minutos!
E talvez esteja justamente aí a graça desses jogos de shopping e fliperama. Durante alguns minutos deixamos de ser simples espectadores. Seguramos os controles e entramos naquele universo.
De repente somos pilotos, soldados, aventureiros ou parceiros de Optimus Prime.
Dez anos depois, esse pequeno vídeo de 2016 acabou se transformando também em uma cápsula do tempo.
O jogo envelheceu. Os gráficos que pareciam incríveis ganharam sucessores muito mais sofisticados. Os Transformers continuaram recebendo filmes, desenhos, brinquedos e novos games.
Mas aquele momento permaneceu registrado.
Formiga e Ju estavam ali, diante da tela, tentando salvar a humanidade entre tiros, explosões e muitas risadas.
Talvez não tenham conseguido salvar o planeta inteiro.
Mas conseguiram algo igualmente importante:
salvar alguns minutos daquele fim de tarde para o futuro. 🤖🎮💥
| Bellacosa Mainframe e as aventuras do formiga no trenzinho do shopping |
Aquele era um daqueles programas simples e divertidos que fazíamos juntos: eu, Juliana e o Formiga.
Juliana adorava inventar programas para quando estávamos com ele. Não precisava ser uma grande viagem, um parque gigantesco ou alguma aventura cuidadosamente planejada com semanas de antecedência. Bastava descobrir alguma coisa diferente acontecendo por perto e pronto: lá íamos nós.
E o Iguatemi Jundiaí proporcionava algumas dessas pequenas aventuras.
Naquele dia havia uma espécie de fazendinha montada dentro do shopping. Para um adulto passando apressado pelo corredor, talvez fosse apenas mais uma atração temporária: algumas cercas decorativas, bichinhos cenográficos, um moinho de vento e um pequeno trem circulando pelo cenário.
Mas tente olhar aquilo com os olhos de uma criança.
🐄 Havia vaquinhas.
🐑 Ovelhinhas.
🌾 Uma pequena fazenda.
🌬️ Um moinho de vento.
🚂 E, principalmente, havia um trem.
Pronto.
O shopping desapareceu.
Para o Formiga, aquilo não era simplesmente um brinquedo dando voltas dentro de um shopping.
Era uma ferrovia.
E ferrovia precisa ser explorada.
Entrar naquele pequeno trem significava atravessar a fronteira invisível entre o mundo dos adultos e o território da imaginação.
O moinho já não era decoração.
A vaca não era apenas uma representação de plástico.
As ovelhas não estavam simplesmente colocadas ali para compor o cenário.
Tudo fazia parte daquele novo mundo.
Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de observar numa criança: ela não precisa que a ilusão seja perfeita para acreditar na aventura.
Nós, adultos, enxergamos os fios, as estruturas, as placas, os funcionários e os limites da atração.
Uma criança enxerga outra coisa.
Ela completa aquilo que está faltando.
Onde existe um metro de trilho, imagina quilômetros.
Onde existe uma pequena casinha cenográfica, surge uma fazenda inteira.
Onde existe um moinho de vento artificial, provavelmente existe algum lugar distante que precisa ser descoberto.
E onde existe um trenzinho...
existe uma viagem.
Era justamente isso que tornava aqueles passeios tão divertidos.
O Formiga tinha aquela capacidade maravilhosa de entrar na brincadeira.
A atração podia ocupar apenas alguns metros quadrados do shopping, mas o território imaginário era praticamente infinito.
Ele embarcava.
O trem começava a andar.
E naquele instante acontecia alguma coisa que nenhum ingresso explicava.
O brinquedo transformava-se em portal.
Do lado de fora estávamos eu e Juliana, provavelmente enxergando um menino feliz andando num trenzinho.
Do lado de dentro, porém, quem sabe onde ele estava?
Talvez atravessando uma fazenda.
Talvez conduzindo uma locomotiva.
Talvez explorando algum lugar que somente ele conseguia enxergar.
Essa é uma diferença enorme entre a memória de um adulto e a memória de uma criança.
Eu consigo lembrar da estrutura.
Do shopping.
Da decoração.
Do moinho.
Dos animais.
Do pequeno circuito ferroviário.
Mas talvez o Formiga tenha guardado algo completamente diferente.
Ele pode ter guardado a aventura.
Olhando essas imagens tantos anos depois, percebo também outra personagem importante daquela história.
Juliana.
Ela gostava de criar esses programas.
Descobria uma atração, uma festa, um parque, um espetáculo ou alguma novidade e queria levar o Formiga.
Talvez porque tivesse entendido intuitivamente uma coisa que nós adultos frequentemente esquecemos:
infância não precisa necessariamente de grandes acontecimentos.
Ela precisa de acontecimentos.
Um passeio.
Uma pescaria de quermesse.
Um circo.
Um parque.
Um videogame.
Um brinquedo diferente.
Um trenzinho montado dentro de um shopping.
Separadamente, parecem coisas pequenas.
Quando colocadas umas ao lado das outras, porém, começam a formar algo gigantesco:
uma infância cheia de histórias.
E talvez seja justamente por isso que resolvi recuperar esta pequena postagem de 2016.
Porque alguém poderia olhar para aquelas fotografias e dizer:
— Ah, era um trenzinho no shopping.
Sim.
Era.
Para quem estava passando pelo corredor, talvez fosse exatamente isso.
Uma atração infantil.
Alguns minutos de diversão.
Um cenário desmontável que provavelmente desapareceria alguns dias depois para dar lugar a outra coisa.
Mas memória funciona de maneira diferente.
O cenário desaparece.
O shopping muda.
A atração é desmontada.
As crianças crescem.
E então, dez anos depois, alguém encontra algumas fotografias antigas e percebe que aquele pequeno trem continua circulando.
Não mais sobre os trilhos da fazendinha.
Agora ele circula dentro da memória.
Existe ainda uma ironia maravilhosa escondida nesta história.
Quem acompanha estas páginas sabe da minha antiga paixão por ferrovias, locomotivas, estações e trilhos.
Passei boa parte da vida procurando estações abandonadas, observando trens, estudando antigas ferrovias e transformando viagens em desculpas para encontrar mais um pedaço de trilho perdido.
E naquele dia lá estava eu...
vendo o Formiga embarcar numa ferrovia em miniatura.
Talvez por isso eu tenha fotografado.
Talvez por isso aquela atração aparentemente banal tenha chamado minha atenção.
Ou talvez existisse uma inversão muito mais divertida acontecendo diante de nós.
Eu poderia enxergar perfeitamente que aquele trem era pequeno.
O Formiga provavelmente não.
Para ele, durante aqueles poucos minutos, o mundo é que havia ficado maior.
E talvez seja essa uma das definições mais bonitas da infância.
Para alguns adultos que passavam pelo Iguatemi naquele dia, aquilo era somente uma atração.
Para Juliana, era mais um programa divertido que havia encontrado para fazermos juntos.
Para mim, tornou-se uma fotografia, uma postagem e, anos depois, uma memória recuperada.
Mas para o Formiga?
🚂 Aquilo era um portal mágico para a próxima aventura.
| Bellacosa Mainframe e a brincadeira de queda de dominós |
Existem brincadeiras que não precisam de computador, videogame, internet ou grandes explicações. Basta uma mesa, algumas peças de dominó e uma boa dose de paciência.
Naquele dia, em Itatiba, a diversão com o Formiguinha era justamente essa: colocar cuidadosamente uma peça de dominó depois da outra, todas em pé, formando uma longa sequência.
Parece fácil.
Até você descobrir que um pequeno esbarrão pode colocar abaixo vários minutos de trabalho.
Toc, toc, toc, toc...
E lá se vai tudo antes da hora!
😂
Mas essa também fazia parte da brincadeira.
Começávamos novamente.
Aos poucos surgiam linhas maiores, curvas, quinas e caminhos diferentes. Era preciso descobrir a distância correta entre as peças para que uma conseguisse derrubar a próxima.
Sem perceber, aquilo virava uma pequena experiência de física.
Cada dominó armazenava energia potencial enquanto permanecia em pé. Quando a primeira peça era empurrada, começava uma reação em cadeia: uma atingia a seguinte, que atingia outra, e assim sucessivamente.
Até chegar o grande momento.
Depois de vários minutos preparando cuidadosamente o percurso, o Formiguinha finalmente podia empurrar a primeira peça.
Toc-toc-toc-toc-toc-toc-toc-toc...
Em poucos segundos, todo aquele trabalho desaparecia diante dos nossos olhos.
E justamente aí estava a graça.
Passamos um bom par de horas construindo caminhos apenas para vê-los cair e imediatamente começar tudo novamente.
Hoje, olhando para aquela brincadeira registrada em 2015, percebo que o mais interessante não era realmente o dominó.
Era o tempo.
Uma tarde comum, uma brincadeira simples e algumas horas passadas juntos.
As peças caíram há muito tempo.
Mas aquela pequena memória continua de pé.
E talvez essa seja a melhor reação em cadeia de todas. 🁢❤️
| Bellacosa Mainframe e o Natal da Galinha Pintadinha no Campinas Shopping |
Não lembro exatamente o que nos levou ao Campinas Shopping naquele dia de dezembro de 2015.
Aliás, talvez isso seja justamente o mais interessante desta memória.
O Campinas Shopping ficava completamente fora de nossa rota habitual. Provavelmente Juliana precisava resolver alguma coisa na Loja do Cidadão ou comprar algo que, por alguma razão, somente encontraríamos por aqueles lados. E, como estávamos com o Formiga, lá fomos nós transformar mais uma obrigação qualquer em passeio.
Era assim que muitas de nossas pequenas aventuras aconteciam.
Sem planejamento.
Sem roteiro.
Simplesmente estávamos em algum lugar e resolvíamos explorar.
E naquele dia encontramos uma surpresa.
Era época de Natal.
Naqueles anos, os grandes shoppings ainda pareciam disputar entre si quem conseguiria montar a decoração natalina mais impressionante. Havia orçamento, espaço e vontade de transformar corredores comerciais em verdadeiros parques temáticos temporários.
Não eram apenas algumas luzinhas penduradas e uma árvore no meio da praça.
Eram exposições que realmente enchiam os olhos.
No Campinas Shopping encontramos o Natal da Galinha Pintadinha.
Para quem tinha uma criança pequena junto, estava feito o programa.
Cenários coloridos, personagens conhecidos pelos pequenos e, principalmente, uma roda-gigante instalada como parte das atrações. Aquilo que provavelmente seria apenas uma passagem rápida pelo shopping acabou ganhando mais alguns capítulos.
O Formiguinha estava se divertindo.
Até acontecer uma daquelas cenas WTF que parecem procurar a gente.
Se minha memória não estiver misturando os acontecimentos depois de tantos anos, apareceu um sujeito decidido a demonstrar que a roda-gigante não era segura.
E qual seria o método científico escolhido pelo cidadão?
Praticamente tentar derrubar a si próprio.
O homem começou a fazer um esforço absurdo na cadeira, movimentando o corpo até conseguir girá-la completamente. Em determinado momento ficou praticamente pendurado.
Tudo isso aparentemente para provar que o brinquedo era perigoso.
A parte mais surreal era justamente o enorme esforço físico necessário para produzir a situação que deveria demonstrar espontaneamente a suposta insegurança.
Era quase:
— Vejam como isso é perigoso!
Depois de deliberadamente fazer tudo aquilo que uma pessoa normalmente não faria dentro do brinquedo.
Para um adulto, a cena era bizarra.
Para o Formiguinha, nem tanto.
Ele ficou meio assustado vendo aquela confusão.
Talvez seja justamente por isso que, mais de dez anos depois, ainda reste esse fragmento perdido na memória.
Uma ida ao Campinas Shopping cuja razão original desapareceu.
Uma decoração de Natal que não esperávamos encontrar.
A Galinha Pintadinha.
Uma roda-gigante.
Um sujeito tentando provar que ela era insegura praticamente fazendo acrobacias para conseguir ficar pendurado nela.
E um Formiguinha olhando aquilo provavelmente pensando:
“Mas por que esse adulto está fazendo isso?”
No final, é curioso perceber como funcionam nossas lembranças.
Não recordo o que fomos comprar.
Não lembro qual burocracia talvez Juliana precisasse resolver.
Isso tudo desapareceu.
Mas lembro das luzes.
Lembro da decoração.
Lembro da roda-gigante.
Lembro do Formiga.
E lembro do maluco pendurado.
Talvez nossas memórias tenham seu próprio algoritmo de armazenamento: descartam aquilo que parecia importante naquele momento e preservam justamente o absurdo, o inesperado e o divertido.
E foi assim que uma provável ida à Loja do Cidadão acabou arquivada para sempre como:
O Natal da Galinha Pintadinha de 2015.
| Bellacosa Mainframe e a bola saltitona |
Existem passeios que não precisam de grandes acontecimentos para permanecer na memória. Basta uma tarde divertida, algumas crianças, muitas brincadeiras e aquela vontade de aproveitar o dia sem olhar para o relógio.
Naquele dia de 2015, fomos passear pelo Shopping Dom Pedro, em Campinas, acompanhados de Ju, Formiga e a prima Malu. Para eles, o shopping era praticamente um enorme território a ser explorado.
Passamos por diversas atrações voltadas para as crianças. Cada parada significava uma nova descoberta, uma brincadeira diferente e, naturalmente, aquela negociação clássica:
— Só mais uma!
Mas o grande momento daquele passeio ainda estava esperando por nós.
No meio do shopping havia uma piscina montada especialmente para uma atração bastante curiosa: enormes bolas infláveis transparentes onde as crianças podiam entrar e literalmente caminhar sobre a água.
Ou, pelo menos, tentar caminhar.
Porque rapidamente descobriam que ficar em pé dentro daquela geringonça era outra história.
Era levantar, correr dois passos, escorregar, cair, rolar para um lado, tentar novamente e terminar gargalhando enquanto a enorme bola continuava deslizando pela piscina.
Não havia competição.
Não havia pontuação.
Não existia missão para completar.
Era simplesmente rolar sem compromisso, pelo puro prazer da diversão.
E talvez seja justamente isso que torne essa lembrança tão especial.
Enquanto nós, adultos, muitas vezes procuramos uma razão para fazer alguma coisa, as crianças entendem perfeitamente que algumas coisas não precisam ter finalidade alguma.
Naquele pequeno universo transparente flutuando sobre uma piscina no meio do Shopping Dom Pedro, bastava correr, cair, levantar e começar novamente.
Ju, Formiga e Malu estavam apenas brincando.
E nós estávamos ali, acompanhando tudo e guardando, sem perceber, mais uma daquelas pequenas cenas que anos depois acabam se transformando em grandes memórias.
Bellacosa
| Bellacosa Mainframe e o Formiga na cama elastica |
Estamos em Itatiba, no Jardim Arizona, na casa de velhos amigos da família, Levi e Maria.
O motivo daquela reunião era daqueles que conseguem juntar diferentes gerações em torno de uma mesma mesa: o aniversário do neto deles, Guilherme — para os próximos, simplesmente Gui.
Era uma típica festa infantil.
Os adultos ocupavam seu território estratégico, conversando sobre a vida, colocando os assuntos em dia, tomando uma cervejinha entre um salgado e outro e, de tempos em tempos, procurando com os olhos onde estavam os pequenos.
Porque havia crianças por todos os lados.
E festa infantil tem uma regra não escrita:
os adultos podem até organizar a festa, mas quem manda mesmo são as crianças.
Para animar aquele pequeno exército, alguém teve uma excelente — ou perigosíssima — ideia:
instalar uma cama elástica.
Pronto.
A partir daquele momento, bolo, salgadinho, refrigerante e provavelmente até o aniversariante passaram a disputar atenção com aquela maravilhosa máquina de transformar crianças em pequenos projéteis humanos.
E, meu amigo...
a fila não tinha fim.
Entrava uma turma.
Pulava.
Saltava.
Caía.
Levantava.
Pulava novamente.
Saía.
Entrava outra.
E todo mundo queria permanecer ali o máximo possível.
Naturalmente, havia um pequeno integrante daquela festa que não pretendia abrir mão de sua participação tão facilmente.
O Formiga não era exceção, bravo que a fila não andava, que criança A ficou tempo demais, sempre atento sempre observando se o tempo esta cronologicamente correto para todos.
Se havia uma cama elástica disponível, então havia uma missão a cumprir.
Pular.
E pular novamente.
E mais uma vez.
Para nós, adultos, aquilo era simplesmente uma cama elástica instalada numa festa de aniversário.
Para uma criança, porém, a interpretação era completamente diferente.
Durante alguns segundos ela podia desafiar aquilo que passaria anos aprendendo na escola:
a gravidade.
O chão desaparecia.
O corpo subia.
Por alguns instantes havia aquela maravilhosa sensação infantil de estar voando.
Depois vinha a queda sobre a lona...
BOING!
...e tudo começava novamente.
Talvez seja por isso que convencer uma criança a abandonar voluntariamente uma cama elástica seja uma das grandes missões diplomáticas da humanidade.
Existe uma unidade de tempo infantil que os relógios dos adultos não conseguem medir.
Ela se chama:
"Só mais uma vez."
— Vamos sair?
Só mais uma vez.
— Já pulou bastante.
Só mais uma vez.
— Tem outras crianças esperando.
Só mais uma vez.
O problema é que cada "última vez" imediatamente cria uma nova última vez.
É praticamente um loop infinito.
PERFORM PULAR
UNTIL FESTA-ACABAR.
O programador COBOL experiente imediatamente percebe o problema:
faltou uma condição de saída confiável.
E naquele dia ela finalmente apareceu.
De repente chegou uma notícia capaz de interromper até mesmo a operação da cama elástica:
era hora do parabéns.
A festa mudou de estado.
As crianças começaram a ser chamadas.
Os adultos se aproximaram.
O bolo aguardava.
As velinhas estavam prontas.
Gui precisava assumir oficialmente seu posto de aniversariante.
E nós tínhamos um pequeno problema operacional:
tirar o Formiga da cama elástica.
A brincadeira precisava terminar.
Pelo menos temporariamente.
E foi assim que aquele sistema extremamente estável finalmente recebeu seu comando:
IF HORA-DO-PARABENS
MOVE "SAIR" TO ACAO-DO-FORMIGA
STOP RUN.
Fim do processamento.
Ou quase.
Porque em festa infantil ninguém acredita verdadeiramente em STOP RUN.
Depois do bolo sempre existe a possibilidade de um RESTART.
Eu estava ali registrando aquela bagunça.
Na época, provavelmente parecia apenas mais um pequeno vídeo entre tantos outros.
Uma criança pulando.
Uma festa de aniversário.
Amigos conversando.
Adultos tomando cerveja.
Salgadinhos circulando.
Crianças disputando alguns minutos numa cama elástica.
Nada extraordinário.
E talvez justamente por isso seja extraordinário hoje.
Porque as grandes memórias nem sempre avisam quando estão acontecendo.
Não aparece uma mensagem dizendo:
ATENÇÃO: este momento será importante daqui a muitos anos.
A vida simplesmente acontece.
E alguém, por sorte, está com uma câmera ligada.
Hoje olho para essas imagens de outra maneira.
Não vejo somente o Formiga pulando.
Vejo Itatiba.
Vejo o Jardim Arizona.
Vejo a casa de Levi e Maria.
Vejo o aniversário do Gui.
Vejo uma reunião de amigos.
Vejo uma época.
E vejo aquela infância acontecendo diante da câmera sem que nenhum de nós tivesse condições de perceber o tamanho que aquelas pequenas cenas ganhariam com a passagem dos anos.
Esse talvez seja um dos poderes mais bonitos das fotografias e dos vídeos familiares.
Eles registram justamente aquilo que nossa memória costuma perder primeiro:
os momentos comuns.
Nós nos lembramos dos grandes acontecimentos.
Casamentos.
Viagens.
Formaturas.
Nascimento.
Mudanças.
Mas podemos esquecer uma tarde qualquer em que uma criança ficou completamente enlouquecida porque havia uma cama elástica numa festa.
O vídeo guarda isso para nós.
Naquele dia nossa preocupação era muito mais simples.
Precisávamos tirar o Formiga dali porque estava na hora de cantar parabéns para o Gui.
Anos depois, a cena ganha outro significado.
A fila que parecia interminável terminou.
A festa terminou.
As crianças cresceram.
A cama elástica foi desmontada.
Os pratos foram recolhidos.
As garrafas desapareceram das mesas.
A casa voltou ao silêncio.
Mas alguns minutos ficaram presos dentro de uma gravação.
E agora, olhando novamente para eles, percebemos uma coisa curiosa:
aquela bagunça era patrimônio.
Não patrimônio de museu.
Não patrimônio histórico tombado.
Era patrimônio de família.
Daqueles pequenos fragmentos que, quando reunidos, contam quem éramos, onde estávamos e como vivíamos.
E talvez seja exatamente por isso que continuo gostando tanto desses registros.
Naquele momento eu estava apenas filmando o Formiga numa cama elástica.
Sem perceber, estava fazendo algo muito maior:
um backup da infância.
☕ Bellacosa Mainframe
Alguns backups guardam sistemas.
Outros guardam aquilo que nenhum sistema consegue restaurar depois que o tempo passa: um aniversário, uma casa cheia de amigos e uma criança que simplesmente não queria parar de pular.
Existem infâncias que são parques de diversão.
A minha, em 1984, no Quiririm e no recém-criado Fabrilar e no enorme conjunt Cecap, era mais parecida com um tabuleiro de War misturado com Os Goonies.
Cada garoto tinha seu território.
Cada território tinha sua lei.
E cada lei era respeitada como se fosse JCL em produção:
errou, abend imediato.
E assim vivíamos numa espécie de guerra fria infantil, onde nem a ONU ousaria meter o bedelho.
Naquele microcosmo taubateano, existiam três facções principais:
Nascidos nos sobrados brancos, erguidos como fortalezas modernas.
Crianças com trilhas, bosques e quadras como reinos particulares.
Uma sociedade organizada, com líderes tribais, hierarquia e fronteiras bem definidas.
Moradores antigos, herdeiros da tradição italiana e dos quintais cheios de frutas.
Conheciam cada árvore, cada jabuticabeira, cada pedra do caminho.
E defendiam suas áreas com fervor digno de cavalaria medieval.
🏭 3. Os Fabrilarenses
Vindo do recente conjunto habitacional, criado por último, eram considerados os nômades urbanos, os NOVATOS — rápidos, espertos e com fama de brigões.
Para eles, território era motivo de honra.
A EEPG Deputado César Costa era o único campo neutro.
Lá as três facções conviviam como se fosse um servidor compartilhado:
Nada de briga
Nada de provocações
Nada de declarar guerra no recreio
Porque ali, meus amigos, era campo santo.
Lugar onde até os mais valentões viravam alunos comportados.
Mas bastava cruzar o portão para o mundo se dividir de novo em fronteiras invisíveis.
O ápice das aventuras?
Invasões frutíferas.
Entrar escondido no território do Quiririm para comer jaboticaba era tipo missão impossível:
avançar rastejando
vigiar os coqueiros
fazer reconhecimento de área
calcular rota de fuga
subir no pé de fruta como quem toma uma torre de castelo
E então, claro…
ser descoberto.
A fuga era cinematográfica:
correria, gritos, galhos arranhando braços, risada nervosa e…
os cascudos ritualísticos quando capturado.
Nada grave.
Era o protocolo diplomático da época.
Se hoje a molecada brinca de laser tag, nós tínhamos:
e
As batalhas eram épicas:
Quadra D vs. Quadra B
Quadra B vs. Quadra E
Quadras unidas vs. Fabrilarenses
Quiririm vs. Todo mundo
Os líderes organizavam o ataque:
posições estratégicas atrás de muros, sincronização na contagem regressiva, estilingues preparados.
O impacto dos coquinhos deixava marcas de guerra.
Cicatrizes que hoje viraram memes pessoais.
Vivíamos uma liberdade que o mundo moderno nem sonha mais.
Correr até perder o fôlego
Fugir de perseguições que eram parte do jogo
Se esconder atrás de eucaliptos
Brincar de pega-pega nos campinhos
Jogar taco nas ruas de terra
Disputar quem encontrava primeiro um riacho limpo
Receber os primeiros beijinhos roubados
E cada dia parecia maior que o anterior.
Dias de verão infinito.
Dias de infância verdadeira.
Crescer no Quiririm, no Cecap, no meio daquela geopolítica infantil, foi viver numa pequena epopeia.
Numa era sem celular, sem internet, sem videogames modernos, a gente tinha:
território,
aventura,
guerra,
diplomacia,
fuga,
risos,
e descobertas.
Tudo isso sem que nenhum adulto percebesse a complexidade estratégica envolvida.
Aquela “guerra fria” era na verdade uma das fases mais quentes e doces da vida.
E no fim, todos nós — quiririnenses, cecapianos, fabrilarenses — crescemos juntos, cada um guardando suas histórias como quem guarda o mapa de um tesouro.
Tem histórias do CECAP que parecem programas mal estruturados, daqueles que entram em loop eterno porque ninguém colocou um IF de saída.
E uma dessas joias do meu arquivo SMF mental envolve o Neury da quadra D — amigo, adversário, vítima, comparsa e mascote não oficial das confusões da época.
Pra entender, você precisa lembrar:
O CECAP não era um bairro.
Era um cluster de mini-feudos, cada quadra com seu líder, seus guerreiros, seus onis e suas rivalidades medievais.
Quadra B aliada a C, C contra D, D contra E…
Se deixasse, virava Game of Thrones versão mamona.
E as guerras de mamona, meu amigo…
Ali era bala real.
Nem a tropa de choque da SHCP daria conta.
Mas entre uma guerra e outra, surgiam as alianças improváveis — e também as tretazinhas clássicas, aquelas que começavam por bobagem:
✔ jogo de bafo com figurinhas dos chicletes Ploc, Ping Pong
✔ bolinha de gude
✔ valendo tazo que nem existia ainda
✔ disputa boba por garota
✔ ou só porque alguém respirou mais forte no campinho
Às vezes, muito raro, por que eram preciosas figurinhas da editora Abril de algum álbum do momento.
Eu e o Celo, meu primo e parceiro de crimes lúdicos, éramos uma dupla perigosa:
juntos, virávamos um sistema integrado, quase um CICS+DB2 da malandragem infantil.
Quando jogávamos contra os outros — fosse bafo, bila, pipas ou o que aparecesse — a união fazia a força… e o lucro.
E o Neury, coitado, sempre topava jogar.
O problema é que ele tinha um mal perder tão grande quanto o manual do MVS.
E ele reclamava.
Chorava.
Esbravejava.
Aí sobrava pra quem?
Pra mim, claro.
Eu tinha que dar cascudos pedagógicos para “resetar” o garoto.
Mas o Neury tinha um amigo maior, mais velho e mais forte:
➡️ Maurício, o tanque de guerra humano da quadra D.
E aí nascia o loop eterno mais famoso da história do CECAP:
Eu dava cascudo no Neury
Maurício vinha e batia no Celo
Aí eu ia e batia no Neury de novo
Maurício batia em mim
O Celo — bravo, porém imprudente — batia no Neury
E tudo recomeçava…
Sim, era isso mesmo:
um WHILE TRUE DO da violência controlada e perfeitamente equilibrada.
Até que um dia, do nada, Maurício juntou nós três:
— Chega. Não vou mais me meter, cês que se virem.
E foi embora, tipo um sysadmin largando o sistema e dizendo: “se virar, molecada”.
A partir dali, o loop foi diminuindo.
Mas o Neury continuou sendo aquele personagem icônico:
apanhava, brigava, reclamava…
e no dia seguinte aparecia lá:
— Vamo jogar?
— Vamo brincar?
Era quase um RETURN CODE 00 automático.
Ele não guardava rancor — apenas hematomas.
Quadra B → Luciano, o líder.
Quadra D → Alessandro, primo do Luciano, meio diplomata, meio general romano.
Quadra C → Xulapa, o líder oficial.
Número 2 da C → Celo, meu primo, rei das tretas e das ideias ruins.
Eu → recémt-chegado, sem direito até a foto do crachá ainda.
Mas, vou te falar…
Mesmo sem cargo oficial, vivi as melhores tardes da minha vida:
✔ jogos de taco
✔ queimada
✔ pega-pega
✔ esconde-esconde
✔ “mana-mula”
✔ SWAT de bicicleta (uma obra-prima antes de existir videogame decente)
✔ futebol no campinho
✔ jaboticabas colhidas na base da ousadia
✔ nadar no córrego perto do arrozal (proibido, claro — por isso era bom)
1984 foi um batch perfeito.
Rodou com RC=00.
Tirando os cascudos.
Tirando as tretas.
Tirando o Marreco — que ainda me perseguia em meio a todas essas aventuras.
Mas, sinceramente?
Era parte do charme.
Era parte do caos.
Era parte do aprendizado on-line da vida real, sem manual, sem JIRA, sem logs.
Era só a vida acontecendo, linda e cheia de bugs corrigíveis.
| Bellacosa Mainframe e os esquilinhos do Natal do Luigi |
Existe alguma coisa especialmente divertida em ouvir músicas de Natal cantadas por vozes impossivelmente agudas. É como se alguém tivesse colocado o espírito natalino dentro de um computador, aumentado a velocidade do áudio e entregado o resultado para três esquilos completamente malucos.
O Coral dos Esquilinhos Malucos pertence àquela categoria de coisas que não precisam fazer muito sentido para funcionar. Basta começar a música e, poucos segundos depois, estamos novamente diante daquela atmosfera de dezembro: árvores iluminadas, presentes, crianças esperando o Natal e adultos tentando sobreviver à maratona de compras, festas e confraternizações.
A grande brincadeira está justamente nas vozes aceleradas.
A técnica lembra os famosos esquilos cantores que marcaram gerações: grava-se a voz em determinada velocidade e altera-se a reprodução, criando aquele timbre agudo, rápido e imediatamente reconhecível. Hoje poderíamos fazer algo parecido em segundos usando programas de edição digital. Décadas atrás, porém, essas experiências dependiam de truques com gravação, fita e velocidade de reprodução.
Talvez seja justamente isso que torne esses pequenos esquilos tão interessantes.
Por trás de uma música aparentemente boba existe um pedacinho da história da tecnologia do áudio.
E existe também nostalgia.
Dez anos depois da publicação original deste post, reencontrar esses esquilinhos é quase abrir uma velha caixa guardada no sótão do El Jefe Midnight Lunch.
Algumas coisas envelhecem.
Outras simplesmente ficam mais malucas.
E quando chega dezembro, os esquilos apertam novamente o PLAY.
🐿️🐿️🐿️
Que comece o coral!
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👨💻 Perfil no LinkedIn 📚 Assinar "Aprenda mais no Bellacosa Mainframe" ☕ Acompanhar "Um Café no Bellacosa Mainframe"IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.