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sábado, 18 de junho de 2016

BR 383 de Quiririm ate Campos do Jordao

Estrada coringa SP123 ou BR383


Um pouco confusa a nomenclatura das estradas... mas esta estradinha é federal então tem prefixo BR, mas também estadual e então ja viu SP tbm...



Aqui neste trecho estamos numa região mais plana, podemos ver os montes e colinas, porem não temos grandes aclives, apenas estrada sinuosa e estreita, bem típica dos anos 50.

Gostoso para curtir um final de semana a grande, boa viagem, boa companhia e bom tempo. Tripice qualidades e o pretinho como sempre se dando bem na estrada.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

🥥 Travessuras no Quiririm — As Guerras Territoriais dos Cecapianos

 


🥥 Travessuras no Quiririm — As Guerras Territoriais dos Cecapianos

Crônica ao estilo Bellacosa Mainframe, para o blog El Jefe Midnight Lunch

Existem infâncias que são parques de diversão.
A minha, em 1984, no Quiririm e no recém-criado Fabrilar e no enorme conjunt Cecap, era mais parecida com um tabuleiro de War misturado com Os Goonies.

Cada garoto tinha seu território.
Cada território tinha sua lei.
E cada lei era respeitada como se fosse JCL em produção:
errou, abend imediato.

E assim vivíamos numa espécie de guerra fria infantil, onde nem a ONU ousaria meter o bedelho.


🏘️ Os Três Povos do Vale Encantado

Naquele microcosmo taubateano, existiam três facções principais:



🏰 1. Os Cecapianos

Nascidos nos sobrados brancos, erguidos como fortalezas modernas.
Crianças com trilhas, bosques e quadras como reinos particulares.
Uma sociedade organizada, com líderes tribais, hierarquia e fronteiras bem definidas.

🌽 2. Os Quiririm Raiz

Moradores antigos, herdeiros da tradição italiana e dos quintais cheios de frutas.
Conheciam cada árvore, cada jabuticabeira, cada pedra do caminho.
E defendiam suas áreas com fervor digno de cavalaria medieval.


🏭 3. Os Fabrilarenses

Vindo do recente conjunto habitacional, criado por último, eram considerados os nômades urbanos, os NOVATOS — rápidos, espertos e com fama de brigões.
Para eles, território era motivo de honra.



🎒 A Escola: Nosso Acordo de Paz de Genebra

A EEPG Deputado César Costa era o único campo neutro.
Lá as três facções conviviam como se fosse um servidor compartilhado:

  • Nada de briga

  • Nada de provocações

  • Nada de declarar guerra no recreio

Porque ali, meus amigos, era campo santo.
Lugar onde até os mais valentões viravam alunos comportados.

Mas bastava cruzar o portão para o mundo se dividir de novo em fronteiras invisíveis.


🍒 As Expedições Secretas: Goiabas, Pitangas e Jaboticabas

O ápice das aventuras?
Invasões frutíferas.

Entrar escondido no território do Quiririm para comer jaboticaba era tipo missão impossível:

  • avançar rastejando

  • vigiar os coqueiros

  • fazer reconhecimento de área

  • calcular rota de fuga

  • subir no pé de fruta como quem toma uma torre de castelo

E então, claro…
ser descoberto.

A fuga era cinematográfica:
correria, gritos, galhos arranhando braços, risada nervosa e…
os cascudos ritualísticos quando capturado.
Nada grave.
Era o protocolo diplomático da época.


🌰 Guerras de Coquinhos e Mamonas — Nosso Paintball Pré-histórico

Se hoje a molecada brinca de laser tag, nós tínhamos:

Coquinhos + Bodoques

e

Mamonas + Pontaria treinada

As batalhas eram épicas:

  • Quadra D vs. Quadra B

  • Quadra B vs. Quadra E

  • Quadras unidas vs. Fabrilarenses

  • Quiririm vs. Todo mundo

Os líderes organizavam o ataque:
posições estratégicas atrás de muros, sincronização na contagem regressiva, estilingues preparados.

O impacto dos coquinhos deixava marcas de guerra.
Cicatrizes que hoje viraram memes pessoais.



🚴‍♂️ A Arte de Fugir, Brincar e Crescer

Vivíamos uma liberdade que o mundo moderno nem sonha mais.

  • Correr até perder o fôlego

  • Fugir de perseguições que eram parte do jogo

  • Se esconder atrás de eucaliptos

  • Brincar de pega-pega nos campinhos

  • Jogar taco nas ruas de terra

  • Disputar quem encontrava primeiro um riacho limpo

  • Receber os primeiros beijinhos roubados

E cada dia parecia maior que o anterior.
Dias de verão infinito.
Dias de infância verdadeira.



🌄 Epílogo: O Reino Que Só Criança Enxerga

Crescer no Quiririm, no Cecap, no meio daquela geopolítica infantil, foi viver numa pequena epopeia.

Numa era sem celular, sem internet, sem videogames modernos, a gente tinha:

  • território,

  • aventura,

  • guerra,

  • diplomacia,

  • fuga,

  • risos,

  • e descobertas.

Tudo isso sem que nenhum adulto percebesse a complexidade estratégica envolvida.

Aquela “guerra fria” era na verdade uma das fases mais quentes e doces da vida.

E no fim, todos nós — quiririnenses, cecapianos, fabrilarenses — crescemos juntos, cada um guardando suas histórias como quem guarda o mapa de um tesouro.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quiririm, 1984 — pedalando para o interior do interior

 Quiririm, 1984 — pedalando para o interior do interior



Nos mudamos do Quiririm e antes de partir, relembro mais algumas memorias,  direto do dataset de memórias carregado em fita magnética.




Algumas memórias de 1984, no Quiririm, voltam com cheiro de terra molhada e barulho de corrente de bicicleta mal lubrificada. Era comum, quase rotina, eu e o Celo montarmos nas bikes e seguirmos estrada afora em direção ao Tataúba e ao Pinheirinho. Não era passeio turístico, era deslocamento raiz, sem capacete, sem GPS, só com coragem, curiosidade e uma noção meio vaga de onde ficava a volta.

Meu pai, seu Wilson, às vezes ia fotografar festas nesses distritos rurais. Batizados, casamentos, quermesses, aniversários simples, mas cheios de significado. A máquina fotográfica era quase um artefato mágico naquele cenário. Fazer amizade era inevitável, e dessas amizades nasciam convites:
“Depois da festa passem lá em casa pra tomar um leite.”

E lá íamos nós.

Era o interior do interior, aquele São Paulo que não aparecia nos livros da escola nem no jornal da televisão. Antigas famílias colonas, gente que vivia da terra, num ritmo completamente diferente do nosso. O tempo ali parecia rodar em outro clock. O dia começava no raiar do sol e terminava quando a luz ia embora, porque em muitos lugares não tinha eletricidade.

Lembro das pescarias, esticando até o Rio Paraíba do Sul, das varas improvisadas, da paciência infinita dos adultos, do silêncio quebrado só pelo vento e pelos insetos. Do leite tirado na hora, morno, direto da vaca. Do cheiro do fogão a lenha, da comida simples e absurda de boa. Da primeira vez que entrei numa privada no meio do mato, experiência antropológica que nenhum manual prepara.

Tinha estrada de terra, poeira no seco, lama na chuva, cercas, pastos, mato alto e uma sensação constante de estar vivendo algo que já estava desaparecendo. Aquilo me lembrava aventuras ainda mais antigas, de Pirassununga, Ibitinga, Novo Horizonte, Urupês Catanduva. Era como revisitar um backup de infância que eu nem sabia que existia.

A vida no campo era pobre e dura. Trabalho pesado, repetitivo, sem descanso, do nascer ao pôr do sol. Nada romantizado. E, nesse cenário, a fotografia do seu Wilson era um luxo raro. Um registro precioso. Um pedaço de memória congelado para presentear parentes, guardar na gaveta, mostrar para quem não pôde ir. Aquela foto era prova de que aquele dia tinha existido.

Eu observava tudo com olhos atentos. Aquilo não era só passeio, era aprendizado. Um São Paulo completamente diferente daquele que eu conhecia, daquele que a escola ensinava, daquele que aparecia nos mapas.

Pedalar até o Tataúba e o Pinheirinho não era apenas ir longe. Era atravessar camadas do tempo, visitar um modo de vida que já naquela época dava sinais de fim. E eu, pequeno operador da própria história, ia armazenando tudo em memória permanente, sem saber que décadas depois estaria aqui, dando RECALL nessas lembranças e rodando esse programa de saudade chamado vida.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Mais uma mudança em Taubaté



Mais uma mudança em Taubaté

O CECAP foi um bairro especial. Daqueles locais magicos que ficam na memoria, nos lembrando deste e daquele momento, daqueles famosos e se.


Daqueles que entram em produção e ficam marcados no histórico do sistema para sempre. Foi um ambiente divertido, cheio de rotas alternativas, backdoors naturais e mapas secretos que só a molecada conhecia. Percorremos campos de arroz como se fossem territórios proibidos, atravessamos riachos e lagoas, exploramos trilhas que levavam ao Tataúba e ao Pinheirinho, sempre com aquele sentimento de aventura que hoje não cabe mais no mundo asfaltado.

Tinha a cooperativa da Volkswagen, as idas até Caçapava, as olarias, a barulhenta máquina de descascar arroz cuspindo grãos como se fosse um batch job sem JCL otimizado. Tinha os caquis furtados com técnica ninja, as jabuticabas roubadas em grupo, as iças coletadas em operação coordenada e, acima de tudo, os bons amigos. Companheiros de jornada, de ralada, de riso e de cascudo.



Mas sistemas instáveis sempre geram mudanças inesperadas.

Seu Wilson, inquieto, inconstante, aquele operador que nunca deixa o ambiente estabilizar, arrumou mais uma casa. E lá fomos nós novamente. Shutdown controlado? Nada. Foi power off mesmo.

Estamos agora em 1985.
Novo endereço: Jardim Garcez, no Parque Sabará, ainda em Taubaté, mas do outro lado do mapa. Outro extremo da cidade. Próximo de Tremembé, colado em fazendas, perto do Rio Paraíba do Sul. Um cenário completamente diferente, quase outro datacenter.

Nova casa.
Nova escola.
Novos colegas.

Aquela sensação clássica de quem acabou de dar IPL num sistema desconhecido: tudo parece estranho, os nomes não fazem sentido, os comandos ainda não funcionam direito. A gente observa, testa, mede, erra, aprende. É assim que sempre foi.

O CECAP ficou para trás, arquivado na memória como um dataset histórico, daqueles que você não apaga nunca, mesmo sabendo que não volta mais a usá-lo. As aventuras continuam, mas agora em outro ambiente, com outras regras, outros perigos, outros aliados.

E eu sigo, pequeno operador da própria vida, carregando experiências de um bairro que me ensinou a explorar, a dividir, a sobreviver e a rir. Agora é esperar os próximos eventos, porque se tem uma coisa que aprendi cedo é que, na minha história, a estabilidade nunca dura muito.

Vamos ver o que acontece.