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segunda-feira, 1 de abril de 2019

☕💥 A Jornada do Padawan COBOL – Parte 4 Desvendando o Universo dos CALLs no Mainframe

 

Bellacosa Mainframe apresenta o CALL em Cobol Parte IV

☕💥 A Jornada do Padawan COBOL – Parte 4

Desvendando o Universo dos CALLs no Mainframe

RENT, NORENT, Reentrância, Thread Safety, HEAP, STACK, CICS, LE, AMODE 31/64 e os Segredos dos Arquitetos IBM Z

Ou como descobrir que um programa COBOL pode ser executado por milhares de usuários ao mesmo tempo sem enlouquecer

Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe


O Dia em que o Padawan descobre que o mesmo programa atende 5.000 usuários

Até agora aprendemos:

✔ Static Call

✔ Dynamic Call

✔ By Reference

✔ By Content

✔ Ponteiros

✔ CEEDUMP

✔ Troubleshooting

Mas existe uma pergunta interessante.

Como um banco consegue executar o mesmo programa COBOL para milhares de clientes simultaneamente?


O Problema

Imagine o programa:

PROGRAMA CLIENTE01

Sendo executado por:

Cliente A

Cliente B

Cliente C

Cliente D

Cliente E

...

Cliente 5.000

Ao mesmo tempo.


O pesadelo

Cliente A

Saldo = 1000

Cliente B

Saldo = 5000

Programa compartilha memória.

Resultado:

Cliente A vê saldo de B.

Cliente B recebe extrato de A.

Produção vira caos.


O conceito de Reentrância

IBM resolveu isso décadas atrás.

Criou:

RENT

Reentrant

Programa reentrante


Significa:

Código compartilhado.

Dados privados.


Visualmente


PROGRAMA COBOL

+----------------+
|     CÓDIGO     |
+----------------+
        |
        |
        |
+-------+-------+-------+

T1      T2      T3

Dados   Dados   Dados



O compilador RENT

Compilação:

RENT

ou

PROCESS(RENT)

O que muda?

Código

Read Only

Variáveis

Área privada.


Vantagens

Menos memória.

Melhor CICS.

Escalável.

Thread Safe.


O que não pode fazer?

Modificar código.

Guardar estado global.

Self-modifying.


O vilão

WORKING-STORAGE


Padawan pensa:

WS é lindo.

IBM pensa:

Depende...


Exemplo

WORKING-STORAGE.

01 WS-COUNTER PIC 9(5).

Programa chamado

100 vezes.

WS continua vivo.


Execução 1

contador=10

Execução 2

contador=11

Execução 3

contador=12


Problema em CICS.

Pode gerar corrupção.


O herói esquecido

LOCAL-STORAGE

Pouca gente usa.

IBM ama.


Exemplo

LOCAL-STORAGE.

01 LS-COUNTER PIC 9(5).

Nova chamada

Nova variável.


Execução 1

LS=0

Execução 2

LS=0

Execução 3

LS=0


Perfeito.


Thread Safety

Muito falado.

Pouco entendido.


Thread Safe significa:

Múltiplas execuções.

Mesmo código.

Sem interferência.


Java

synchronized

COBOL

RENT

LOCAL STORAGE


CICS adora RENT

CICS pode manter

programas residentes.


Exemplo

Programa

PAGO001

Carregado

Uma vez.

Usado

10 mil vezes.


CPU agradece.


NORENT

O lado sombrio.


Programa exclusivo.


Cada usuário

carrega cópia.


Visualmente

USR1


PROG



USR2


PROG



USR3


PROG

Memória explode.


Quando usar?

Batch.

Programas antigos.

Nunca em CICS.


Language Environment

LE

O grande maestro.


Controla

Heap

Stack

Exceções

Storage

Runtime


Sem LE

caos.

Com LE

harmonia.


O STACK

Pilha temporária.


CALL

Empilha.

Retorno

Desempilha.


Exemplo

MAIN

↓

A

↓

B

↓

C

STACK


C

B

A

MAIN



Volta


MAIN

Heap

Área dinâmica.


Exemplo

ALLOCATE

FREE


Muito usado

XML

JSON

APIs


Configuração

CEEOPTS

HEAP

STACK

ANYHEAP


Problema comum

Heap pequeno.


Mensagem

CEE0813S

Solução

Aumentar.


AMODE

Modo de endereçamento.


AMODE 24

16 MB


AMODE 31

2 GB


AMODE 64

Exabytes

Praticamente infinito.


Por que importa?

Grandes buffers.

Big Data.

Analytics.

IA.


Ponteiros 64 bits

Exemplo

USAGE POINTER

ou

USAGE PROCEDURE-POINTER

CALL mais rápido possível

Arquitetos IBM fazem:

Static CALL

By Reference

RENT

Local Storage

Programa residente

CICS


Resultado

Milhões de chamadas.

Baixa CPU.


Microbenchmark imaginário

Método

Tempo

Static

1 ms

Dynamic

2 ms

By Content

5 ms

Carga módulo

15 ms


Técnicas Bellacosa

Dica 1

Sempre compile RENT.


Dica 2

Evite WS temporário.


Dica 3

Prefira Local Storage.


Dica 4

Static para alta frequência.


Dica 5

Nunca abuse de By Content.


Dica 6

Documente interfaces.


Dica 7

Teste concorrência.


Easter Egg IBM

Muitos programas antigos possuem:

GO TO 999999

Ou:

ALTER

Ou:

ENTRY

Ou:

EXHIBIT

E alguns desenvolvedores mais jovens acreditam que são lendas urbanas.

Não são.

Ainda existem.

Estão em produção.

Movimentando bilhões.

E provavelmente continuarão vivos por mais tempo do que muitas aplicações modernas.


Checklist Jedi da Performance

✅ Compilar RENT

✅ Utilizar Local-Storage

✅ Minimizar By Content

✅ Reutilizar programas residentes

✅ Evitar Dynamic CALL em loops críticos

✅ Configurar HEAP adequadamente

✅ Monitorar RMF

✅ Analisar SMF 30

✅ Medir CPU

✅ Testar concorrência

✅ Validar Thread Safety


A Filosofia Jedi do CALL – Parte 4

O Padawan iniciante pensa:

O programa funciona.

O desenvolvedor intermediário pensa:

O programa funciona rápido.

O Arquiteto Mainframe entende:

O programa deve funcionar rápido, consumir pouca memória, ser reentrante, sobreviver a milhares de usuários simultâneos, ser fácil de manter e continuar executando silenciosamente por décadas.

E é exatamente por isso que alguns dos sistemas mais importantes do planeta continuam rodando em IBM Z, executando milhões de CALLs, compartilhando código reentrante, administrando HEAPs, empilhando STACKs e servindo milhares de transações por segundo, enquanto o desenvolvedor Padawan toma seu café às três da manhã e finalmente compreende que, no Mainframe, a verdadeira Força sempre esteve na gestão inteligente da memória.


Na Parte 5, o Padawan poderá explorar os segredos finais dos CALLs: Binder, Link-Edit, PDQL, RMODE, FETCH, CANCEL, Program Objects, DLLs, módulos residentes, LPA, LINKLIST, otimizações z/Architecture e as técnicas usadas pelos veteranos para reduzir microssegundos em cargas de milhões de transações.