| Bellacosa Mainframe apresenta Kull da Valusia |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Kull de Valúsia sem Mistérios para Programadores COBOL
Quando um Programador Descobre que Antes de Conan Já Existia um Rei Lutando Contra Sistemas Legados, Burocracias e Mudanças de Produção
"A espada derrota um inimigo. O conhecimento derrota um império inteiro."
Introdução – Antes de Conan Existia Kull
Quando se fala em Robert E. Howard, quase todo mundo imediatamente pensa em Conan, o Bárbaro.
É natural.
Conan tornou-se um fenômeno mundial.
Cinema.
Quadrinhos.
Jogos.
RPG.
Desenhos.
Milhões de livros vendidos.
Mas existe um segredo que muitos fãs desconhecem.
Conan não foi o primeiro.
Antes dele existiu outro bárbaro.
Um personagem ainda mais filosófico.
Mais introspectivo.
Mais político.
Mais complexo.
Seu nome era Kull de Atlântida, conhecido posteriormente como Kull de Valúsia.
Se Conan representa o profissional que aprende sobrevivendo em ambientes hostis...
Kull representa algo diferente.
Ele representa o profissional que finalmente chega ao topo da carreira...
...e descobre que o verdadeiro problema nunca foi escrever código.
O verdadeiro problema é governar sistemas.
Se Conan é o excelente programador COBOL...
Kull é o arquiteto.
É o líder técnico.
É o gerente de produção.
É o responsável por ambientes críticos.
E acredite...
Essa é uma aventura muito mais difícil.
Quem foi Kull?
Robert E. Howard criou Kull alguns anos antes de Conan.
Enquanto Conan vive na Era Hiboriana...
Kull vive milhares de anos antes, na lendária Atlântida.
Sim.
A mesma Atlântida das antigas lendas.
Howard imaginou um continente extremamente antigo, violento e selvagem.
Foi ali que nasceu Kull.
Ele não nasceu príncipe.
Não nasceu rei.
Não nasceu escolhido.
Nasceu sobrevivente.
Assim como muitos profissionais de tecnologia.
Ninguém começa dominando:
COBOL
CICS
JCL
Db2
MQ
RACF
VSAM
z/OS
Começamos sobrevivendo.
Da Atlântida para Valúsia
A jornada de Kull é fascinante.
Primeiro escravo.
Depois gladiador.
Mercenário.
Pirata.
Soldado.
Até conquistar o maior reino da época.
Valúsia.
Ele literalmente derrota o rei anterior.
E assume o trono.
Agora imagine.
Você passou vinte anos aprendendo COBOL.
Finalmente virou arquiteto.
Especialista.
Líder.
IBM Champion.
Referência técnica.
Parabéns.
Agora começa o verdadeiro desafio.
Porque programar era fácil.
Difícil é governar.
O Rei Descobre a Burocracia
Essa talvez seja a maior diferença entre Conan e Kull.
Conan odeia burocracia.
Kull é obrigado a enfrentá-la diariamente.
Existe uma cena recorrente nos contos.
Kull deseja mudar algo simples.
Mas ministros.
Sacerdotes.
Nobres.
Generais.
Conselheiros.
Todos dizem:
"Sempre foi assim."
Conhece essa frase?
Ela aparece diariamente em projetos COBOL.
"Não podemos alterar."
"Desde 1989 funciona assim."
"Ninguém sabe por quê."
"O cliente pediu."
"Não mexe."
É exatamente isso.
O Primeiro Sistema Legado
Valúsia funciona como um sistema escrito há séculos.
Possui regras.
Procedimentos.
Normas.
Exceções.
Documentação perdida.
Processos sem sentido.
Todo mundo conhece apenas um pedaço.
Ninguém entende o todo.
Isso lembra algum ambiente corporativo?
Imagine um sistema bancário.
Milhares de programas.
Décadas de evolução.
Centenas de pessoas passaram por ele.
Cada geração deixou uma pequena alteração.
Resultado?
Um verdadeiro castelo medieval.
É exatamente assim que Howard descreve Valúsia.
A Serpente Invisível
Talvez o conto mais famoso seja:
The Shadow Kingdom.
Nele aparecem os famosos Homens-Serpente.
Durante décadas muitos acreditaram tratar-se apenas de monstros.
Não.
Eles representam algo muito mais profundo.
São infiltrados.
Substituem pessoas.
Assumem identidades.
Manipulam decisões.
Mudam governos sem ninguém perceber.
Agora pense no mundo corporativo.
Quantas decisões técnicas parecem lógicas...
...mas escondem interesses políticos?
Nem sempre o problema é técnico.
Às vezes é humano.
Easter Egg nº 1
"The Shadow Kingdom" (1929) é considerado por muitos historiadores como a primeira história moderna de fantasia heroica.
Sem Kull...
provavelmente Conan jamais existiria.
O Castelo é um Data Center
Kull governa de dentro de um enorme palácio.
Corredores.
Salas.
Guardas.
Portões.
Arquivos.
Tesouros.
Pessoas.
É impossível não imaginar um Data Center.
Existem áreas onde poucos entram.
Salas altamente protegidas.
Pessoas autorizadas.
Procedimentos rígidos.
Mudanças controladas.
Toda arquitetura possui camadas.
Assim como um ambiente z/OS.
O Trono é Produção
Enquanto era aventureiro...
Kull resolvia apenas seus problemas.
Depois que virou rei...
Cada decisão afeta milhares de pessoas.
É exatamente o que acontece quando um programador passa para Produção.
Agora um erro pode impactar:
milhões de contas.
folhas de pagamento.
cartões.
PIX.
aposentadorias.
seguros.
A responsabilidade muda completamente.
A Solidão do Arquiteto
Existe um aspecto extremamente moderno em Kull.
Ele sente solidão.
Quanto mais sobe...
menos pessoas conseguem compreender seus problemas.
O mesmo ocorre com arquitetos de software.
No início existe uma equipe.
Depois...
Todos perguntam.
Poucos respondem.
Todos cobram.
Poucos ajudam.
Howard descreveu isso quase cem anos atrás.
Easter Egg nº 2
Robert E. Howard escreveu Kull antes da Grande Depressão.
Mesmo assim seus contos discutem corrupção institucional, burocracia e decadência política.
São incrivelmente atuais.
Atlântida Nunca Morreu
Na obra de Howard, Atlântida desapareceu.
Mas sua influência continua.
Curioso.
Os sistemas também funcionam assim.
Você talvez nunca tenha visto:
OS/VS COBOL.
IMS/DC original.
DOS/VSE dos anos 70.
IBM 360.
Mas suas decisões continuam presentes dentro dos sistemas modernos.
Toda arquitetura carrega fósseis.
Os Homens-Serpente são Bugs?
Seria fácil dizer isso.
Mas não.
Eles lembram muito mais:
bugs invisíveis.
problemas intermitentes.
race conditions.
dados corrompidos.
configurações erradas.
Tudo parece funcionar.
Até que...
Algo estranho acontece.
Ninguém entende.
Ninguém encontra.
Todos juram que nunca ocorreu.
Até aparecer novamente.
Kull e o Debug Filosófico
Conan pergunta:
"Como derrotar?"
Kull pergunta:
"Como saber se estou certo?"
Essa diferença é enorme.
Programadores iniciantes querem apenas corrigir o erro.
Veteranos perguntam:
Por que aconteceu?
Como evitar?
Quem será impactado?
Quais efeitos colaterais existem?
Esse pensamento transforma um desenvolvedor em arquiteto.
O Maior Inimigo Não Está Fora
Nos contos de Kull...
o maior conflito raramente é uma batalha.
É dúvida.
Confiança.
Traição.
Identidade.
Realidade.
Esses temas aparecem constantemente.
No desenvolvimento de software acontece o mesmo.
O maior risco nem sempre é um ABEND.
É uma decisão equivocada tomada meses antes.
Easter Egg nº 3
Muitos elementos de Kull inspirariam posteriormente:
Game of Thrones.
Conan.
Elric.
Dungeons & Dragons.
Warhammer.
The Elder Scrolls.
Muito do que chamamos hoje de fantasia moderna nasceu ali.
O Conselho Real é um CAB
Toda empresa possui um CAB.
Change Advisory Board.
Mudanças passam por aprovação.
Avaliação.
Planejamento.
Janelas.
Riscos.
Kull também.
Ele nunca governa sozinho.
Sempre existe um conselho.
Nem sempre inteligente.
Nem sempre eficiente.
Mas necessário.
A Espada Não Resolve Tudo
Conan frequentemente vence pela força.
Kull raramente.
Ele precisa negociar.
Convencer.
Administrar.
Planejar.
Isso lembra muito o profissional sênior.
Quanto maior o cargo...
menos código escreve.
Mais decisões toma.
Curiosidades Pouco Conhecidas
Kull quase foi esquecido
Durante décadas poucas histórias estavam disponíveis.
Conan acabou eclipsando completamente seu predecessor.
Somente anos depois editoras voltaram a publicar seus contos.
Howard reutilizou ideias
Vários conceitos criados para Kull migraram posteriormente para Conan.
É possível encontrar paralelos entre personagens, reinos e conflitos.
O universo de Kull é mais sombrio
Enquanto Conan vive aventuras grandiosas, Kull frequentemente enfrenta dilemas existenciais.
É uma fantasia muito mais filosófica.
Lovecraft admirava Howard
Howard e H. P. Lovecraft trocaram cartas durante anos.
Muitas ideias circularam entre ambos.
Daí surgiram diversas influências que mais tarde apareceriam em universos compartilhados de fantasia e horror.
O Mainframe Também Possui Reis
Existe uma curiosidade interessante.
Em quase todo ambiente z/OS há pessoas que conhecem praticamente tudo.
Elas sabem:
por que determinado JOB existe;
quem criou um PROC há trinta anos;
qual COPYBOOK nunca deve ser alterado;
por que determinado SQL possui um OPTIMIZE FOR 1 ROW;
qual JCL só roda depois das 22h.
Esses profissionais lembram Kull.
Não porque sejam reis.
Mas porque carregam a responsabilidade de preservar um reino inteiro funcionando.
A Filosofia de Kull para um Programador COBOL
Kull ensina que vencer uma batalha é apenas o começo. O verdadeiro desafio surge depois da vitória, quando chega a hora de manter um reino funcionando todos os dias. No universo do mainframe acontece exatamente a mesma coisa. Escrever um programa é uma conquista; mantê-lo confiável durante décadas é uma missão muito maior.
O profissional que evolui na carreira descobre que seu trabalho deixa de ser apenas produzir código. Ele passa a tomar decisões que afetam pessoas, processos, auditorias, segurança, desempenho e continuidade dos negócios. Nesse momento, a espada é substituída pela experiência, e a coragem passa a significar assumir responsabilidade pelas consequências de cada mudança.
Kull também nos lembra que nem todos os inimigos são visíveis. Alguns aparecem como burocracias desnecessárias, documentação perdida, conhecimento concentrado em poucas pessoas, regras criadas décadas atrás e decisões que ninguém mais sabe explicar. Esses são os verdadeiros "Homens-Serpente" dos sistemas legados: problemas silenciosos que permanecem escondidos até o dia em que colocam toda a produção em risco.
No final, talvez essa seja a maior lição de Robert E. Howard.
Conan ensina como conquistar.
Kull ensina como governar.
Conan representa a coragem de enfrentar o desconhecido.
Kull representa a sabedoria de manter um império funcionando sem deixá-lo desmoronar.
E todo programador COBOL, cedo ou tarde, percorre exatamente esse caminho. Primeiro aprende a sobreviver como Conan. Depois, quando a responsabilidade aumenta, percebe que se tornou Kull: guardião de um reino construído ao longo de décadas, onde cada linha de código preservada com inteligência vale mais do que cem espadas desembainhadas.
Porque, no fim, a maior aventura do profissional de mainframe não é conquistar novos territórios tecnológicos.
É garantir que o reino continue funcionando quando todos os demais já esqueceram como ele foi construído.