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domingo, 12 de agosto de 2012

Truta maluca cantando e dançando

Bellacosa Mainframe e a truta maluca

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 A Truta Maluca de Milão — Pizza, Vinho e Besteirol na Dolce Vita

Uma noite em Milão, pizza preparada pelo próprio Luigi, um bom vinho italiano e dois amigos queridos. Tudo caminhava para mais um agradável serão à italiana — até que descobri, pendurado na parede, um peixe de gosto absolutamente duvidoso que cantava e dançava.

Existem lembranças que sobrevivem porque foram importantes.

E existem aquelas que sobrevivem justamente porque não tinham importância nenhuma.

Esta pertence orgulhosamente à segunda categoria.

Voltamos à minha dolce vita italiana.

Estamos em Milão, na casa de meus amigos Luigi e Ornella, aproveitando um daqueles serões que não precisam de programação, ingresso ou qualquer grande acontecimento para se tornarem inesquecíveis.

Havia conversa.

Havia amizade.

Havia um bom vinho italiano.

E, principalmente, havia pizza.

Mas não uma pizza qualquer.

🍕 Luigi assume o comando da cozinha

A pizza daquela noite havia sido preparada pelo próprio Luigi.

E existe algo muito especial quando alguém prepara comida para receber os amigos.

O jantar deixa de ser simplesmente uma refeição.

A cozinha vira parte do encontro.

A pizza chega à mesa, alguém corta mais um pedaço, outro copo recebe um pouco de vinho, a conversa continua e, quando percebemos, já estamos há horas fazendo aquilo que talvez seja uma das coisas mais antigas e humanas do mundo:

sentados ao redor de uma mesa contando histórias.

Nada extraordinário precisava acontecer.

Na verdade, provavelmente seria apenas mais uma deliciosa noite entre amigos em Milão.

Só que havia uma truta esperando sua oportunidade.



🍷 Depois de alguns copitos...

Não sei exatamente quantos copos de vinho foram necessários para que aquele objeto finalmente chamasse minha atenção.

Talvez estivesse ali desde que cheguei.

Mas certas obras de arte exigem um estado de espírito específico para serem devidamente apreciadas.

E aquilo certamente era uma delas.

Pendurado como se fosse um glorioso troféu de pesca, havia um peixe.

Ou melhor:

uma imitação de peixe empalhado.

Daqueles enfeites provavelmente fabricados aos milhares em alguma linha de produção chinesa, cuja existência desafia simultaneamente o bom gosto, a decoração de interiores e qualquer tentativa racional de responder à pergunta:

"Por que alguém fabricou isso?"

Mas havia uma pergunta ainda melhor:

"O que acontece se eu apertar aqui?"

Jamais faça essa pergunta depois de alguns copitos de vinho.

Ou melhor...

Faça.

🐟 A truta acordou

Apertei o botão.

E o peixe ganhou vida.

Começou a tocar uma daquelas músicas eletrônicas absolutamente sintéticas, com timbres que provavelmente fariam qualquer músico profissional abandonar a sala.

Mas isso ainda não era tudo.

O peixe começou a dançar.



A criatura se movimentava presa ao seu suporte como se tivesse acabado de descobrir que sua verdadeira vocação não era terminar assada com batatas, mas iniciar uma carreira no mundo do entretenimento.

E pronto.

Acabara a dignidade daquela noite.

Começamos a rir.

Quanto mais aquela coisa se mexia, mais engraçada ficava.

Quanto mais sintética era a música, melhor.

E depois de alguns copos de vinho italiano, aquele monumento ao gosto duvidoso havia se transformado na maior atração de Milão.

Esqueça o Duomo.

Esqueça a Galleria Vittorio Emanuele II.

Esqueça a Última Ceia de Leonardo.

Naquela noite, a atração turística mais importante da Lombardia estava pendurada na parede da casa de Luigi e Ornella.

E dançava.

😂 Besteirol puro

Era besteirol.

Besteirol absoluto.

E justamente por isso era maravilhoso.

Não havia mensagem filosófica.

Não havia roteiro.

Não havia objetivo.

Ninguém estava tentando produzir conteúdo.

Éramos simplesmente amigos rindo de uma coisa completamente idiota.

E talvez seja justamente aí que esteja a importância dessa pequena gravação.

Quando pensamos nas lembranças que queremos preservar, normalmente imaginamos aniversários, viagens, casamentos, monumentos, festas e acontecimentos importantes.

Mas a vida não acontece apenas nesses momentos.

Boa parte dela acontece entre eles.

Naquela conversa depois do jantar.

No último pedaço de pizza.

Na garrafa de vinho aberta sobre a mesa.

Na piada que ninguém mais entenderia.

Naquela porcaria pendurada na parede que alguém aperta e, inexplicavelmente, faz todo mundo começar a rir.


📹 Naturalmente, eu precisava filmar

Evidentemente, apareceu a câmera.

Porque uma truta de plástico cantando e dançando depois de uma noite de pizza e vinho em Milão era importante demais para depender apenas da memória.

Na época, provavelmente parecia apenas mais um pequeno vídeo divertido.

Anos depois, porém, essas imagens assumem outra função.

Elas se transformam em pequenas cápsulas do tempo.

A filmagem não registra somente um peixe dançando.

Registra uma casa.

Uma noite.

Vozes.

Risadas.

Amigos.

Um pedaço da minha vida na Itália.

E isso muda completamente o valor daquele vídeo.

O brinquedo poderia quebrar.

A música eletrônica poderia parar.

A pilha poderia acabar.

Aquele objeto poderia desaparecer durante alguma mudança.

Mas durante alguns segundos gravados naquela noite, Luigi, Ornella, eu e aquela truta continuamos exatamente ali.

Pizza na barriga.

Vinho no copo.

E nenhuma intenção de levar a vida muito a sério.

🇮🇹 A verdadeira Dolce Vita

Quando se fala em Dolce Vita, normalmente aparecem imagens sofisticadas da Itália.

Roma.

Fontes.

Vespas.

Cafés.

Moda.

Restaurantes elegantes.

Milão certamente poderia fornecer tudo isso.

Mas minha dolce vita também tinha essa outra versão.

Muito mais simples.

A casa dos amigos.

Pizza feita pelo próprio Luigi.

Um bom vinho italiano.

Conversa prolongada.

E um peixe eletrônico completamente ridículo.

Talvez essa seja uma definição muito melhor de dolce vita.

Não necessariamente luxo.

Mas o privilégio de estar em um lugar onde você pode simplesmente sentar, comer, beber, conversar e rir até de uma truta de plástico.

🐟 Décadas depois, o peixe continua dançando

Quando publiquei originalmente essa pequena história, em 2012, ela era praticamente um registro rápido daquele momento.

Hoje olho para ela de maneira diferente.

Porque o tempo muda o significado das coisas.

Aquilo que naquele momento era apenas besteirol passa a carregar contexto.

Milão.

Minha vida na Itália.

Luigi.

Ornella.

A pizza.

O vinho.

A casa deles.

As conversas.

E aquela sensação maravilhosa de que a noite não precisava chegar a lugar nenhum.

Talvez seja justamente por isso que continuo gostando de recuperar essas gravações antigas.

Elas provam que nem toda memória precisa ser épica para merecer sobreviver.

Às vezes basta uma câmera ligada no momento certo.

Alguns amigos.

Uma pizza.

Uma garrafa de vinho.

E, naturalmente...

uma truta maluca cantando e dançando na parede.

🐟🎶

E se algum arqueólogo digital encontrar este vídeo daqui a cem anos e tentar compreender os costumes dos seres humanos no início do século XXI, deixo registrada minha contribuição científica:

sim, nós fabricávamos peixes de plástico que cantavam.

E pior.

achávamos engraçado.

Depois de alguns copitos de vinho, então...

achávamos absolutamente genial.


Um Café no Bellacosa Mainframe

Porque algumas memórias são preservadas em fotografias, outras em documentos — e algumas, inexplicavelmente, ficam guardadas dentro de uma truta eletrônica pendurada na parede.

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Besteirol puro uma truta que canta

Ter amigos é uma coisa fantástica, poder ir ate eles ou  receber-los em casa. Uma boa jantarada tagarelando banalidades por algumas horas. Uma conversa neutra sem objectivos de ganhar ou perder apenas diversão garantida.

Este video gravei na casa do Luigi e da Ornela, depois de uns copitos de vinho, descobri uma truta maluca na parede.


Ao descobrir que ela cantava e dançava foi gargalhadas generalisadas, maníaco por fotos como sou, não deixei de gravar este pequeno video.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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