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sábado, 22 de julho de 2023

Subscript versus Index : Quando um Programador Descobre que o Maior Vírus Não Está no Data Center... Está em um Mito que Sobrevive Desde os Anos 1970

 

Bellacosa Mainframe apresenta tabelas cobol subscript versus index

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Subscript versus Index sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que o Maior Vírus Não Está no Data Center... Está em um Mito que Sobrevive Desde os Anos 1970

"Em um laboratório subterrâneo, um microscópio pode revelar um organismo invisível. Em um mainframe, um dump pode revelar um erro invisível. Em ambos os casos, a sobrevivência depende de entender detalhes que quase ninguém percebe."


Introdução – Bem-vindo ao Laboratório P4 do Mainframe

Imagine que você acaba de ser contratado para trabalhar em um dos maiores bancos do planeta.

São duas da manhã.

O processamento noturno começou.

Milhões de contas serão atualizadas.

Bilhões de registros serão lidos.

A folha de pagamento nacional será recalculada.

O sistema de cartões irá consolidar compras realizadas no mundo inteiro.

Tudo parece tranquilo...

Até que um batch começa a consumir CPU muito acima do esperado.

O monitor RMF mostra utilização elevada.

O WLM começa a redistribuir prioridades.

O operador do console observa o relógio.

O gerente pergunta:

"O que mudou?"

Depois de algumas horas de investigação, alguém encontra uma rotina COBOL.

Ela percorre uma tabela centenas de milhões de vezes usando um método inadequado de acesso.

Não existe bug.

Não existe ABEND.

Não existe corrupção de dados.

Existe apenas uma pequena decisão tomada por um programador anos atrás.

Uma decisão aparentemente inocente.

Subscript ou Index?

É exatamente essa pequena diferença que vamos investigar hoje.

Assim como em The Andromeda Strain (1971), onde cientistas analisam um organismo microscópico para impedir uma catástrofe, nós vamos colocar o COBOL sob um microscópio e descobrir que existe muito mais acontecendo do que aparenta.

Vista seu jaleco.

O laboratório Bellacosa Mainframe está oficialmente aberto.


O paciente: OCCURS

Antes de falar sobre Subscript ou Index precisamos entender o verdadeiro protagonista.

01 CLIENTES.
   05 CLIENTE OCCURS 100 TIMES.
      10 CODIGO PIC 9(6).
      10 NOME   PIC X(30).

Essa estrutura cria uma tabela.

Ou seja...

Na memória teremos algo semelhante a:

CLIENTE(1)

CLIENTE(2)

CLIENTE(3)

CLIENTE(4)

...

CLIENTE(100)

Nada de mágico aconteceu.

A memória simplesmente possui cem blocos consecutivos.

A pergunta é:

Como chegar até o elemento número 57?

É aí que a investigação começa.


O primeiro suspeito: o Subscript

O Subscript é o método que praticamente todo iniciante aprende.

01 WS-I PIC 9(4).

Depois:

MOVE CLIENTE-NOME (WS-I)

Parece simples.

E realmente é.

Mas existe um detalhe invisível.

Toda vez que fazemos isso, o compilador precisa calcular onde está aquele elemento.

Imagine uma estante enorme.

Você diz:

"Quero o livro número 37."

O bibliotecário pensa:

37

menos

1

×

tamanho do livro

Só depois ele encontra a posição correta.

Em linguagem de máquina acontece algo parecido.

Base da tabela

+

(I-1)

×

Tamanho do registro

Essa conta acontece continuamente.


O segundo suspeito: o Index

Agora surge um personagem misterioso.

05 CLIENTE OCCURS 100 TIMES
   INDEXED BY IDX-CLIENTE.

Observe uma coisa.

O Index não é declarado na Working-Storage.

Ele não possui PIC.

Não possui COMP.

Não possui tamanho conhecido.

Na verdade...

Você nunca sabe como ele realmente é.

Porque ele pertence ao compilador.

É um objeto especial.


O maior mito do COBOL

Durante décadas ouvimos:

"Index é uma variável COMP."

Não.

Isso nunca foi garantido pelo padrão COBOL.

O Enterprise COBOL pode implementá-lo da maneira que desejar.

Ele normalmente utiliza deslocamentos internos.

Mas isso faz parte da implementação do compilador.

Não do programa.

Por isso não podemos fazer:

ADD 1 TO IDX

O compilador simplesmente responde:

"Não."

Quem controla o Index é ele.

Não você.


O laboratório encontra uma pista

Imagine esta tabela.

Registro

34 bytes

O elemento 2 começa exatamente após 34 bytes.

O elemento 3 começa após 68.

O elemento 4 após 102.

O Index guarda justamente esse deslocamento.

Em vez de calcular tudo novamente...

Ele já sabe onde está.

É como um GPS.

Enquanto o Subscript pergunta:

"Qual rua?"

O Index responde:

"Já estou estacionado na frente da casa."


O verdadeiro funcionamento interno

Subscript

Base

+

(I × tamanho)

Index

Base

+

Offset

Essa diferença parece pequena.

Mas em milhões de repetições...

Ela cresce.

Muito.


Então o Index sempre vence?

Não.

Aqui entra um dos maiores avanços dos compiladores modernos.

Os primeiros compiladores COBOL surgiram quando processadores eram extremamente limitados.

Multiplicar números custava caro.

Hoje...

O Enterprise COBOL 6.x é absurdamente inteligente.

Ele reconhece padrões.

Remove cálculos repetidos.

Mantém valores em registradores.

Transforma multiplicações em deslocamentos.

Faz otimizações que simplesmente não existiam nos anos 70.

Em diversas situações...

Subscript e Index acabam gerando praticamente o mesmo código de máquina.

Sim.

Você leu corretamente.


O fantasma dos anos 1970

Por que então tantos livros dizem:

"Nunca use Subscript."

Porque eles estavam certos...

Na época deles.

Era uma realidade dos compiladores antigos.

Hoje a situação mudou.

Mas o mito permaneceu vivo.

É um daqueles vírus culturais que atravessam gerações.

Assim como em The Andromeda Strain, onde o verdadeiro perigo era um organismo microscópico desconhecido, aqui o verdadeiro "vírus" é uma recomendação antiga repetida sem contexto.


SEARCH: onde o Index reina absoluto

Existe um momento em que não há discussão.

SEARCH.

SEARCH CLIENTE

Ou

SEARCH ALL CLIENTE

Esses comandos exigem Index.

Por quê?

Porque o compilador controla o deslocamento automaticamente.

Ele move o ponteiro.

Avança.

Retrocede.

Calcula posições intermediárias.

Tudo sem intervenção do programador.


SEARCH ALL e a inteligência da busca binária

Imagine uma lista com um milhão de clientes.

Uma busca sequencial faria:

1

2

3

4

5

6

...

999999

SEARCH ALL faz algo muito diferente.

500000

↓

250000

↓

375000

↓

312500

Cada comparação elimina metade da tabela.

É o famoso algoritmo Binary Search.

Complexidade:

O(log n)

Enquanto uma busca sequencial é

O(n)

A diferença entre essas duas abordagens é gigantesca quando falamos em milhões de registros.


Um detalhe que poucos conhecem

Podemos copiar índices.

SET IDX-B TO IDX-A

Isso não copia um número.

Copia o deslocamento interno.

É extremamente eficiente.


Outra curiosidade

Você consegue escrever:

DISPLAY WS-I

Mas nunca faz:

DISPLAY IDX

Porque ele não representa um número lógico.

Ele representa uma posição interna conhecida apenas pelo compilador.


O que realmente acontece no processador IBM Z?

Agora entramos na sala limpa do laboratório.

Os processadores IBM Z atuais possuem instruções extremamente sofisticadas para cálculo de endereços.

O Enterprise COBOL conhece essas instruções.

Ele utiliza registradores.

Mantém offsets.

Evita recálculos.

Explora pipelines internos do processador.

Resultado?

Muito do trabalho pesado desaparece antes mesmo do programa executar.

É uma das razões pelas quais aplicações COBOL continuam processando milhões de transações por segundo.


Comparando com C

Quem conhece C entende rapidamente.

Subscript lembra:

array[i]

O compilador faz:

base

+

i

×

sizeof(item)

Já o Index funciona como um ponteiro controlado pelo compilador.

Embora tecnicamente não seja um ponteiro exposto ao programador.


Quando usar Subscript?

Excelente escolha para:

✔ programas didáticos

✔ tabelas pequenas

✔ processamento simples

✔ manutenção fácil

✔ código mais intuitivo


Quando usar Index?

Ideal para:

✔ SEARCH

✔ SEARCH ALL

✔ tabelas enormes

✔ processamento intensivo

✔ milhões de iterações

✔ rotinas críticas


Curiosidade histórica

Nos anos 1970, CPU era um recurso precioso.

Algumas empresas alugavam tempo de processamento por minuto.

Cada instrução economizada significava dinheiro.

Não era exagero.

Era sobrevivência.

Foi nesse ambiente que a preferência por Index nasceu.

Décadas depois, muitos programadores continuam repetindo a recomendação sem conhecer sua origem.


Easter Egg Bellacosa Mainframe 🥚

Se você assistir novamente The Andromeda Strain, perceberá que praticamente toda a tensão do filme vem da investigação meticulosa.

Ninguém sai correndo.

Ninguém explode prédios.

Ninguém derrota o problema com um discurso motivacional.

Os cientistas fazem algo muito mais difícil:

Eles observam.

Coletam evidências.

Eliminam hipóteses.

É exatamente assim que trabalham os melhores analistas de performance em mainframe.

Eles não começam alterando código.

Eles analisam:

  • RMF

  • SMF

  • CPU Time

  • EXCP

  • Cache

  • WLM

  • Explain

  • Dumps

  • Estatísticas do compilador

Performance não nasce de achismos.

Nasce de evidências.


Curiosidades que poucos iniciantes conhecem

☕ O comando SET IDX UP BY 1 não soma necessariamente o valor 1. Ele ajusta o deslocamento interno para o próximo elemento da tabela, independentemente do tamanho do registro.

☕ Um OCCURS DEPENDING ON cria tabelas de tamanho variável, exigindo atenção extra ao acessar elementos.

SEARCH ALL só funciona corretamente quando a tabela está previamente ordenada pelo campo pesquisado. Muitos erros de produção surgem porque essa regra foi esquecida.

☕ O Enterprise COBOL pode eliminar cálculos redundantes durante a compilação, principalmente com níveis altos de otimização (OPTIMIZE).

☕ Em alguns casos, o gargalo não está no acesso à tabela, mas no I/O, em chamadas ao Db2, VSAM ou CICS. Otimizar Subscript versus Index sem medir o restante do programa pode não produzir ganho perceptível.


Passo a passo para escolher corretamente

  1. A tabela é pequena?
    Use Subscript. A clareza do código geralmente vale mais.

  2. Há busca frequente?
    Considere INDEXED BY e SEARCH.

  3. A tabela está ordenada?
    Aproveite SEARCH ALL para busca binária.

  4. O programa processa milhões de registros?
    Meça o desempenho antes de otimizar.

  5. O compilador moderno já resolve o problema?
    Verifique o código gerado e os relatórios de otimização antes de assumir que existe vantagem.

  6. Você está seguindo um mito ou uma evidência?
    Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas.


Conclusão – O verdadeiro agente invisível

No fim da investigação, descobrimos que o verdadeiro inimigo não era o Subscript.

Nem o Index.

O verdadeiro agente invisível era o mito.

Durante décadas, frases como "Index sempre é mais rápido" foram repetidas como se fossem leis universais. A realidade é muito mais interessante: compiladores evoluíram, processadores IBM Z ficaram extraordinariamente eficientes e muitas otimizações passaram a acontecer automaticamente.

Isso não significa que Subscript e Index sejam iguais. Eles continuam sendo conceitos diferentes, com propósitos diferentes. O Index permanece essencial para SEARCH, SEARCH ALL e cenários de alto desempenho. O Subscript continua sendo simples, legível e perfeitamente adequado para inúmeras aplicações.

O programador COBOL que apenas memoriza regras continua preso aos manuais dos anos 1970. Já aquele que entende o funcionamento interno da linguagem, do compilador e da arquitetura IBM Z enxerga além dos mitos. Ele sabe quando confiar no compilador, quando medir desempenho e quando realmente vale a pena otimizar.

Como em The Andromeda Strain, o sucesso não pertence a quem faz mais barulho. Pertence a quem observa os detalhes invisíveis, testa hipóteses e toma decisões baseadas em evidências. No universo do mainframe, essa mentalidade é o que transforma um simples programador em um verdadeiro investigador dos sistemas críticos que sustentam bancos, governos e a economia mundial.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

☕💥 Arrays em COBOL: O Poder Oculto do OCCURS, SSRANGE e a Guerra Contra a Invasão de Memória

 

Bellacosa Mainframe e as tabelas internas no COBOL occurs e arrays

☕💥 Arrays em COBOL: O Poder Oculto do OCCURS, SSRANGE e a Guerra Contra a Invasão de Memória

Ou como evitar transformar seu Address Space em um filme de terror para Sysprogs



Introdução

Existe um momento na vida de todo desenvolvedor COBOL júnior em que ele descobre duas verdades universais:

A primeira é que OCCURS parece simples até deixar de ser simples.

A segunda é que existe uma entidade maligna chamada:

SSRANGE

capaz de transformar uma manhã tranquila em uma reunião emergencial envolvendo desenvolvimento, suporte, infraestrutura, DBA, operador e um sysprog segurando uma caneca de café já fria.

E tudo isso por causa de um pequeno detalhe:

MOVE WS-NOME(9999)

quando a tabela possui apenas:

OCCURS 100 TIMES.

Bem-vindo ao fascinante mundo das tabelas COBOL.


Capítulo 1 – O que é OCCURS?

OCCURS é o mecanismo utilizado pelo COBOL para criar estruturas repetitivas.

Em linguagens modernas chamaríamos isso de:

  • Array

  • Vetor

  • Lista fixa

  • Matriz

Exemplo:

01 CLIENTES.

   05 CLIENTE OCCURS 10 TIMES.

      10 NOME PIC X(30).
      10 IDADE PIC 99.

Memória:

CLIENTE(1)
CLIENTE(2)
CLIENTE(3)
...
CLIENTE(10)

COBOL simplesmente reserva um bloco contínuo.


A origem histórica

Década de 60.

Memória era absurdamente cara.

IBM 1401

4 KB

IBM System/360

256 KB

370

1 MB

Não existia:

  • Java Collections

  • Python List

  • C++ Vector

Era necessário reservar memória antecipadamente.

Daí nasceu:

OCCURS

Curiosidade histórica

Os engenheiros da IBM chamavam essas estruturas de:

Table Handling

Muito antes da expressão Array Processing se popularizar.


Capítulo 2 — Como a memória é organizada

Exemplo:

01 TAB.

   05 ITEM OCCURS 5 TIMES.

      10 CODIGO PIC 9(5).

Cada item ocupa:

5 bytes

Total

25 bytes

Layout:

0000 ITEM(1)
0005 ITEM(2)
0010 ITEM(3)
0015 ITEM(4)
0020 ITEM(5)

Acesso:

MOVE ITEM(3) TO WS-X

COBOL faz:

Base + ((3-1)*5)

Capítulo 3 – O Terror do Out of Bounds

Tabela:

05 CLIENTE OCCURS 100 TIMES.

Código:

MOVE NOME(101)

Problema.

A posição não existe.


Antigamente

Compilador:

NOSSRANGE

Padrão.

Nenhuma verificação.

Resultado:

Leitura aleatória.

Sobrescrever memória.

Corrupção.


O verdadeiro vilão

Imagine:

01 TABELA.

05 DADOS OCCURS 100 TIMES.

05 FLAG-FINAL PIC X.

Erro:

MOVE "S" TO DADOS(101)

Na prática:

FLAG-FINAL = S

ou pior.

Modifica outra estrutura.


Isso é invasão de memória?

Sim.

Tecnicamente:

Buffer overflow

Memory overwrite

Storage corruption


Capítulo 4 — Address Space

No zOS cada Job possui.

Address Space.

Exemplo

JOB1234



Private Area


LSQA


SWA


Subpools


Heap


Stack

Seu programa COBOL vive ali.


Se escrever fora da tabela:

pode corromper:

Working Storage

Heap

LE Runtime

Control Blocks


Em casos extremos:

S0C4

S878

U4038


Capítulo 5 — SSRANGE

A melhor invenção desde o café expresso.

Compilação:

SSRANGE

ou

CBL SSRANGE

Exemplo

MOVE WS-NOME(101)

Resultado:

Abend imediato.

Mensagem:

IGZxxxx

Subscript out of range


Excelente para:

Homologação

Teste

QA


Produção?

Normalmente:

NOSSRANGE

Performance melhor.


Dica Bellacosa

Desenvolvimento

SSRANGE

Produção

NOSSRANGE


Capítulo 6 — Índices

Ruim:

77 WS-I PIC 999.

Melhor:

05 CLIENTE OCCURS 100 TIMES
   INDEXED BY IDX.

SET

SET IDX TO 1

Próximo

SET IDX UP BY 1

Anterior

SET IDX DOWN BY 1

Por que índice é melhor?

Subscript:

CLIENTE(I)

Cálculo toda vez.


Index

Endereço pronto.

Ponteiro interno.

Mais rápido.


Capítulo 7 – Navegação

Crescente

SET IDX TO 1


PERFORM UNTIL IDX > MAX

PROCESSA

SET IDX UP BY 1

END-PERFORM

Decrescente

SET IDX TO MAX


PERFORM UNTIL IDX = 0


PROCESSA


SET IDX DOWN BY 1


END-PERFORM

Muito usado em:

Compressão

Ordenação

Rollback


Capítulo 8 — SEARCH

Busca sequencial.

SEARCH CLIENTE


AT END


DISPLAY "NAO ACHOU"


WHEN ID = WS-ID


DISPLAY NOME

END-SEARCH

Complexidade

O(n)


100 mil registros.

50 mil leituras médias.


SEARCH ALL

Arma secreta.

Busca binária.


Tabela obrigatoriamente ordenada.

SEARCH ALL CLIENTE


WHEN ID(IDX)=WS-ID


DISPLAY "ACHOU"

END-SEARCH

Complexidade

O(log n)


1000000 itens.

Comparações:

~20


Magia matemática.


Capítulo 9 — OCCURS DEPENDING ON

Tabela variável.

05 QTDE PIC 9(4).


05 CLIENTE OCCURS 1 TO 1000 TIMES

DEPENDING ON QTDE.

Muito usado em:

MQ

Copybooks

APIs

Arquivos


Capítulo 10 — Bidimensional

Exemplo.

Agência x Dia

05 MOVIMENTO.

10 AG OCCURS 100.

15 DIA OCCURS 31.

20 TOTAL PIC 9(10).

Uso:

TOTAL(10,15)

Agência 10.

Dia 15.


Tridimensional

ANO

MES

DIA
VENDAS(2026,6,23)

N dimensões

Teoricamente ilimitado.

Exemplo.

Banco.

País

Estado

Agência

Conta

Produto

Dia


Capítulo 11 — Ordenação

Tabela ordenada.

ASCENDING KEY

Muito útil para:

SEARCH ALL

Caches

Lookup


Capítulo 12 – Quando usar tabela

Excelente:

Parâmetros

Cache

Código UF

Tabela IR

CEP

Conversões


Ruim:

Milhões registros.


Melhor:

DB2

VSAM

IMS


Capítulo 13 – Performance

SEARCH

O(n)

SEARCH ALL

O(log n)

Index

Muito rápido

Subscript

Mais lento

SSRANGE

Seguro

NOSSRANGE

Rápido


Easter Egg COBOL

Existe uma lenda entre veteranos de mainframe.

Diz-se que em algum datacenter esquecido dos anos 80 existe um programa COBOL compilado com:

NOSSRANGE
OPT(2)
FASTSRT
ARITH(EXTEND)

executando desde 1987.

Ninguém sabe exatamente o que ele faz.

Ninguém possui o código-fonte.

Ninguém ousa recompilar.

Mas toda madrugada, às 02h17, ele produz um relatório financeiro perfeito, movimenta bilhões de dólares e desaparece novamente nas profundezas do JES2.

Os sysprogs apenas observam o spool, tomam um gole de café e repetem o antigo mantra do reino z/OS:

"Se está funcionando há 39 anos, não toque."


Conclusão

OCCURS é muito mais do que um simples array.

É uma das construções mais antigas, elegantes e eficientes já criadas para processamento em lote de grande volume.

Dominar:

  • OCCURS

  • INDEXED BY

  • SET

  • SEARCH

  • SEARCH ALL

  • SSRANGE

  • OCCURS DEPENDING ON

  • Tabelas multidimensionais

  • Navegação UP e DOWN

  • Layout de memória

  • Address Space do z/OS

é um dos marcos que separam o Padawan COBOL do Cavaleiro do Batch Jedi Council.

Porque no universo do Mainframe existe uma verdade absoluta:

"DB2 pode falhar, CICS pode reciclar, VSAM pode corromper, mas um OCCURS acessado fora dos limites sempre encontrará uma maneira criativa de arruinar o dia de alguém."

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

☕💥 Os 10 Padrões Secretos de Arrays em COBOL Mainframe

 

Bellacosa Mainframe e 10 padroes secretos de arrays

☕💥 Os 10 Padrões Secretos de Arrays em COBOL Mainframe

Ou como descobrir que você já usava algoritmos de entrevistas do LeetCode muito antes deles virarem moda



Introdução

Existe uma curiosidade engraçada no mundo da programação.

Um desenvolvedor Java estuda LeetCode.

Um desenvolvedor Python assiste vídeos sobre algoritmos.

Um engenheiro C++ compra livros de Competitive Programming.

Enquanto isso...

Um programador COBOL de banco com vinte anos de experiência está processando 300 milhões de registros no Batch Noturno utilizando exatamente os mesmos algoritmos...

Mas chama tudo de:

"andar na tabela"

"fazer acumulado"

"pesquisa binária"

"comparar dois índices"

"janela de análise"

E provavelmente faz isso tomando café às 3 da manhã olhando um SDSF.

A verdade é que muitos dos algoritmos mais famosos ensinados atualmente em universidades e plataformas de entrevistas já existem no universo COBOL há décadas.

OCCURS.

INDEXED BY.

SEARCH.

SEARCH ALL.

SET UP.

SET DOWN.

ASCENDING KEY.

Tabelas auxiliares.

Acumuladores.

Áreas de trabalho.

Tudo isso forma um verdadeiro arsenal de algoritmos.

E hoje vamos conhecer os 10 padrões clássicos de Arrays, explicados para um Padawan COBOL.


Padrão 1 — Two Pointers

Os Dois Jedi da Tabela

É provavelmente o algoritmo mais antigo do mundo corporativo.

A ideia é simples.

Utilizamos dois ponteiros.

Um na esquerda.

Outro na direita.

Ou ambos andando em velocidades diferentes.


Exemplo

Verificar se uma tabela é simétrica.

01 TAB.

   05 ITEM OCCURS 100 TIMES
      INDEXED BY IDX1 IDX2.

77 MAX PIC 999 VALUE 100.



SET IDX1 TO 1
SET IDX2 TO MAX



PERFORM UNTIL IDX1 >= IDX2


   IF ITEM(IDX1) NOT = ITEM(IDX2)

      DISPLAY 'NAO SIMETRICO'

   END-IF


   SET IDX1 UP BY 1
   SET IDX2 DOWN BY 1


END-PERFORM

Onde aparece?

Remover duplicidade

Palíndromo

Conciliação bancária

Arquivos ordenados

Merge VSAM

Join Batch


Complexidade

O(n)


Padrão 2 — Sliding Window

A Janela Deslizante

Esse algoritmo parece sofisticado.

Mas todo programador financeiro já utilizou.


Exemplo

Últimos 30 dias.

Tabela

10
20
15
40
50

Janela

3


Primeira

10 20 15

Soma

45


Move.

20 15 40

75


Move.

15 40 50

105


COBOL


ADD ENTRADA(I)
TO SOMA


SUBTRACT ENTRADA(I-3)

FROM SOMA

Muito usado em:

Detecção fraude

PIX

Cartão crédito

Médias móveis

SMF


Complexidade

O(n)


Padrão 3 — Prefix Sum

O Acumulador Supremo

Padawan.

Você provavelmente já usou.

Só não sabia o nome.


Exemplo.

Tabela.

5 3 2 4 1

Prefix.

5

8

10

14

15

Consultar.

Posição.

2 até 5.

15 - 5

10


COBOL

ADD VALOR(I)

TO ACUM(I-1)

GIVING ACUM(I)

Utilização.

Analytics

DW

RMF

SMF

Cobrança


Padrão 4 — Kadane

O Santo Graal das Séries

Maior sequência positiva.


Exemplo.

-2
1
-3
4
-1
2
1

Resultado.

6


COBOL

IF SOMA < ZERO

MOVE ZERO TO SOMA

END-IF

Aplicações.

Lucro máximo

Oscilações

Bolsa

PIX

Cartões


Complexidade.

O(n)


Padrão 5 — Merge Intervals

Fundindo Períodos

Muito usado.

Principalmente bancos.


Exemplo.

Cliente bloqueado.

01-05

03-10

12-20

Resultado.

01-10

12-20


COBOL

Comparar.

Datas.

Mesclar.


Usado.

Seguros

RH

Férias

Janelas batch


Padrão 6 — Cyclic Sort

A Ordem Cósmica

Pouco conhecido.

Mas genial.


Exemplo.

3 1 2

Cada número.

Vai para posição.

Correta.


Resultado.

1 2 3

Muito útil.

Detectar.

Ausentes.

Duplicados.


Padrão 7 — Hashing

O Cache Jedi


Python

Dict


Java

HashMap


COBOL

Tabela OCCURS


Exemplo.

Estados.

SP


RJ


MG

Pesquisar.

Instantaneamente.


Alternativa.

SEARCH ALL


Exemplo.

Tabela IR.

Códigos.

CEP.

Produtos.


Padrão 8 — Binary Search

SEARCH ALL

A arma secreta do COBOL.


Tabela ordenada.

SEARCH ALL CLIENTE

Complexidade.

O(log n)


1000000 registros.

Comparações.

20


Magia matemática.


Muito superior.

SEARCH.


SEARCH.

500 mil leituras.


SEARCH ALL.


Padrão 9 — Monotonic Stack

O Mestre Esquecido


Pouco usado.

Mas poderoso.


Encontrar.

Próximo maior.

Próximo menor.


Exemplo.

Temperaturas.

30

31

28

35

Pergunta.

Quando esquenta?


Em COBOL.

Pode ser implementado.

Com tabela OCCURS.


Muito usado.

Forecast.

Analytics.

IA.


Padrão 10 — Two Heaps

O Conselho Jedi

Min Heap.

Max Heap.


Encontrar.

Top 10.

Maior.

Menor.

Mediana.


Em COBOL.

Mais raro.

Mas possível.


Exemplo.

Ranking clientes.


SEARCH versus SEARCH ALL

Padawan.

Essa é importante.


SEARCH

Linear.

O(n)

SEARCH ALL

O(log n)

1000000 registros.

SEARCH.

500000 leituras.

SEARCH ALL.


INDEX versus Subscript

Subscript.

CLIENTE(I)

Índice.

INDEXED BY IDX

Mais rápido.


Menos cálculos.


Melhor cache.


SSRANGE

O Guardião das Tabelas

Sempre.

DEV.

TESTE.

QA.


Nunca acessar.

CLIENTE(1001)

Se existem.


SSRANGE salva vidas.


Quando usar DB2

Tabela enorme.

Não use OCCURS.


Quando usar OCCURS

Lookup.

UF.

IR.

CEP.

Parâmetros.

Cache.


Arquitetura Moderna

Hoje.

Programadores resolvem LeetCode.


Veteranos Mainframe.

Já faziam isso.

Em 1982.


Usando.

COBOL

VSAM

JCL

DFSORT

ICETOOL

DB2


Curiosidade Histórica

Década de 70.

IBM chamava isso.

Table Processing


Década de 80.

Performance Tuning.


Década de 90.

Binary Search.

Virou padrão.

Grandes bancos.


Década de 2000.

Java descobriu.

Collections.


Década de 2020.

LeetCode descobriu.


Década de 2030.

IA vai descobrir.

Que um programador COBOL aposentado em Campinas ou Itatiba já utilizava Prefix Sum desde 1989.


Easter Egg Bellacosa

Existe uma antiga profecia dos Sysprogs.

Ela diz:

"Chegará um dia em que um desenvolvedor júnior perguntará ao arquiteto qual algoritmo usar."

O arquiteto responderá:

Use Sliding Window.

O desenvolvedor pesquisará durante três horas.

Assistirá quatro vídeos.

Lerá cinco artigos.

Abrirá o ChatGPT.

Fará benchmarking.

Criará um POC.

E finalmente implementará.

Enquanto isso, um programador COBOL veterano sentado ao lado apenas dirá:

Ah...

Você queria uma média móvel.

Faço isso desde 1993.

Está no PROGFINC.

Linha 287.

Não mexe.

Funciona.

E agora pega um café.

Porque no Reino do Mainframe, muitas vezes os algoritmos mais modernos apenas receberam nomes mais bonitos para técnicas que os Cavaleiros COBOL já dominavam há décadas.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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