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sábado, 23 de agosto de 2003

🚀 Blogger é o COBOL da Internet — todos anunciaram sua morte, mas o JOB continua EXECUTING

 

Bellacosa Mainframe e o Blogger tão vivo quanto o Cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚀 Blogger é o COBOL da Internet — todos anunciaram sua morte, mas o JOB continua EXECUTING

Diário de bordo do Capitão Steve Burton: nossa pequena Spindrift caiu na Terra dos Gigantes digitais. WordPress, Facebook, TikTok, Instagram, YouTube... todos são enormes. Mas os motores do Blogger ainda estão funcionando.


🚨 DIÁRIO DE BORDO — 03:17

Capitão Steve Burton, comandante da Spindrift.

Alguma coisa está errada.

Muito errada.

Há poucos minutos estávamos seguindo nossa rota normalmente quando os instrumentos começaram a apresentar leituras impossíveis.

Dan Erickson verificou os controles.

Mark Wilson examinou os sistemas.

Fitzhugh sugeriu que abandonássemos a nave — o que, vindo de Fitzhugh, provavelmente significa que ele encontrou alguma coisa valiosa e pretende fugir sozinho.

Então atravessamos aquilo.

Uma espécie de tempestade digital.

Quando finalmente conseguimos enxergar novamente, percebemos que não estávamos mais em nosso mundo.

Pousamos em algum lugar chamado...

Internet de 2026.

E tudo aqui é gigantesco.

À nossa frente existem criaturas chamadas:

Facebook.

Instagram.

TikTok.

YouTube.

WordPress.

Substack.

São plataformas enormes, algumas com populações que seriam inimagináveis em nosso mundo.

Nossa pequena nave parece insignificante perto delas.

Mas há algo ainda mais estranho.

Olhei novamente para o painel.

Na lateral da Spindrift existe uma placa que aparentemente sempre esteve ali:

BLOGGER
PYRA LABS
1999

Dan olhou para mim.

— Capitão... isso significa que estamos voando em uma plataforma com mais de um quarto de século?

Olhei para os instrumentos.

Tudo verde.

Então respondi:

— Sim.

— Não deveríamos estar mortos?

Foi quando surgiu no console:

IEF403I BLOGGER - STARTED

JOBNAME  STATUS
BLOGGER  EXECUTING

Sorri.

— Aparentemente ninguém avisou o computador.



🛸 1. A Spindrift original

Para compreender nossa situação precisamos voltar à verdadeira Terra de Gigantes.

A série de ficção científica criada por Irwin Allen foi exibida originalmente entre 1968 e 1970. Sua história colocava o Capitão Steve Burton, interpretado por Gary Conway, no comando da nave suborbital Spindrift.

A viagem deveria ser relativamente simples:

LOS ANGELES
     |
     v
SPACE FLIGHT
     |
     v
LONDON

Só havia um pequeno problema.

A Spindrift encontrou uma anomalia espacial e acabou transportada para outro mundo.

E naquele lugar...

tudo era aproximadamente doze vezes maior.

A tripulação e os passageiros tornaram-se pequeninos vivendo em um mundo de gigantes.

Um gato doméstico podia tornar-se praticamente um Tyrannosaurus rex.

Uma mesa transformava-se numa montanha.

Uma gaveta podia virar abrigo.

Um telefone parecia equipamento industrial.

Uma simples mão humana poderia capturar um tripulante.

A missão mudou imediatamente.

Não era mais:

chegar a Londres.

Era:

sobreviver.

E é justamente por isso que o Blogger combina tanto com a Spindrift.



🧪 2. 1999 — Pyra Labs prepara a nave

Nossa Spindrift digital começou sua viagem em 1999.

A Pyra Labs havia sido fundada por Evan Williams e Meg Hourihan. Seu projeto inicial não era exatamente construir aquilo que posteriormente conheceríamos como Blogger.

A empresa trabalhava em uma aplicação chamada Pyra, envolvendo recursos de gerenciamento de projetos.

Mas uma ferramenta interna criada durante esse trabalho começou a ganhar importância própria.

Em agosto de 1999 ela foi oferecida ao público.

Seu nome:

Blogger.

O próprio blog oficial do Blogger registra 23 de agosto de 1999 como o lançamento pela Pyra Labs.

Naquele momento ninguém poderia saber direito o tamanho daquela viagem.

Era como colocar a Spindrift na pista.

//BLOGGER JOB
//STEP01 EXEC PGM=PUBLISH

E apertar:

SUBMIT


📝 3. O grande truque não era o blog

Blogs já existiam.

Páginas pessoais existiam.

Diários online existiam.

O grande avanço estava em outra coisa:

facilitar a publicação.

Antes, publicar frequentemente significava compreender HTML, editar páginas, transferir arquivos e administrar hospedagem.

Blogger ajudou a transformar isso numa operação muito mais simples:

ESCREVER
   |
   v
PUBLICAR
   |
   v
PRONTO

Parece banal em 2026.

Em 1999 não era.

Foi uma mudança enorme.

O usuário não precisava pensar:

“Como atualizo o arquivo index.html?”

Ele poderia pensar:

“O que quero escrever hoje?”

Essa diferença ajudou o Blogger a popularizar o formato dos blogs.

A máquina desaparecia um pouco.

O conteúdo aparecia.



🌎 4. Então atravessamos a tempestade

Os primeiros anos não foram tranquilos.

Pyra Labs enfrentou dificuldades financeiras.

Funcionários chegaram a trabalhar sem pagamento durante períodos da crise, e a empresa passou por uma situação extremamente delicada antes de conseguir novos recursos.

Imagino perfeitamente Steve Burton olhando para o painel:

FUEL ............ LOW
MONEY ........... LOW
SERVERS ......... EXPENSIVE
USERS ........... GROWING
REVENUE .......... ???

Dan pergunta:

— Capitão, qual é o plano?

Steve responde:

— Continuar voando.

É uma resposta bastante mainframeira.

Porque muitas tecnologias sobreviventes possuem histórias semelhantes.

Elas não sobreviveram porque tudo aconteceu conforme planejado.

Sobreviveram porque alguém continuou resolvendo o próximo problema.



🏢 5. 2003 — aparece um gigante chamado Google

Então uma sombra gigantesca cobriu nossa pequena nave.

Olhei para cima.

Era uma criatura chamada:

Google.

Em fevereiro de 2003, o Google adquiriu a Pyra Labs e o Blogger.

Imagino a cena em Terra de Gigantes.

Fitzhugh olha para cima e pergunta:

— Capitão... ele vai nos comer?

Mark Wilson responde:

— Não. Acho que ele nos comprou.

😂

A aquisição mudou completamente a escala operacional do Blogger.

A pequena startup agora fazia parte de uma empresa que estava se tornando uma das gigantes da Internet.

Nossa Spindrift encontrou um hangar gigantesco.


🦖 6. E começaram as previsões de extinção

Aqui nossa história encontra finalmente o COBOL.

COBOL surgiu em 1959 a partir do esforço da CODASYL, fortemente influenciado pelo FLOW-MATIC associado ao trabalho pioneiro de Grace Hopper. A primeira versão surgiu em 1960.

Depois disso surgiu uma longa procissão de tecnologias que, em diferentes momentos, pareciam destinadas a substituí-lo.

COBOL
 |
 +-- C
 |
 +-- C++
 |
 +-- Java
 |
 +-- .NET
 |
 +-- SOA
 |
 +-- Cloud
 |
 +-- Microservices
 |
 +-- Python
 |
 +-- Low Code
 |
 +-- Generative AI

Décadas depois:

DISPLAY "OLÁ".

Ainda compila.

Blogger vive fenômeno parecido.


🦕 7. Os gigantes chegam ao planeta

Primeiro surgiram plataformas de publicação mais sofisticadas.

Depois redes sociais.

Depois microblogs.

Depois aplicativos centrados em fotografias.

Depois vídeo.

Depois vídeo curto.

Depois newsletters.

Cada nova geração parecia anunciar:

“Agora sim o blog morreu.”

Nosso radar começou a registrar:

WORDPRESS
FACEBOOK
TWITTER/X
TUMBLR
MEDIUM
INSTAGRAM
YOUTUBE
TIKTOK
SUBSTACK
WIX
GHOST

Fitzhugh entrou correndo na Spindrift:

— CAPITÃO! ESTAMOS CERCADOS POR GIGANTES!

Olhei pela janela.

Ele tinha razão.

Mas fiz a pergunta que qualquer operador de produção deveria fazer:

— O Blogger parou?

— Não.

— Então qual é o incidente?

Silêncio.


🖥️ 8. Blogger é o COBOL da Internet

É aqui que nossa comparação deixa de ser apenas brincadeira.

COBOL e Blogger possuem uma característica fundamental em comum:

ambos sobreviveram à própria moda.

Isso é raríssimo.

Tecnologias normalmente atravessam uma curva:

NOVIDADE
   |
   v
HYPE
   |
   v
ADOÇÃO
   |
   v
MATURIDADE
   |
   v
DECLÍNIO

Mas algumas entram numa rota diferente:

MATURIDADE
   |
   v
INFRAESTRUTURA
   |
   v
"NÃO É MODERNO"
   |
   v
CONTINUA FUNCIONANDO
   |
   v
"NÃO ERA PARA ESTAR MORTO?"
   |
   v
CONTINUA FUNCIONANDO

Esse último estado é fascinante.

A tecnologia deixa de precisar provar que é interessante.

Precisa apenas continuar sendo útil.


🧠 9. Velho não significa obsoleto

Essa confusão ocorre constantemente na informática.

VELHO ≠ OBSOLETO
OBSOLETO ≠ INÚTIL

Um martelo é antigo.

Uma roda é antiga.

SQL é antigo.

Unix é antigo.

COBOL é antigo.

A pergunta correta nunca deveria ser:

“Quando isso foi criado?”

Deveria ser:

“Isso ainda resolve adequadamente o problema para o qual está sendo usado?”

Nossa Spindrift é velha?

Sim.

Está voando?

Também.

Então cuidado antes de desmontar o motor.


🏛️ 10. Um blog com décadas deixa de ser apenas um blog

Existe outra semelhança maravilhosa com mainframe.

Imagine alguém publicando durante quinze anos.

Primeiro:

10 POSTS

Depois:

100 POSTS

Depois:

500
1000
2000
3000...

Cada publicação acrescenta:

TEXTO
DATA
FOTOGRAFIAS
VÍDEOS
LINKS
MARCADORES
COMENTÁRIOS
REFERÊNCIAS
MEMÓRIAS
CONTEXTO

Chega um momento em que aquilo não é mais simplesmente um blog.

É um sistema de informação.

É um arquivo histórico.

É uma base documental.

É um pequeno Knowledge Vault.

Ou, permitindo-me uma heresia mainframeira:

um VSAM emocional.

Cada post é um registro.

Cada marcador funciona quase como índice.

Cada hyperlink estabelece uma relação.

Cada fotografia acrescenta contexto.

Cada data adiciona dimensão temporal.

E cada ano aumenta o valor do conjunto.


📚 11. O legado começa a trabalhar a seu favor

Em tecnologia existe uma expressão frequentemente usada de maneira negativa:

legacy system.

Mas legado significa também que alguma coisa acumulou história.

Um sistema de 30 anos provavelmente contém milhares de decisões empresariais incorporadas ao código.

Um blog de quinze anos contém milhares de pequenas decisões humanas incorporadas ao conteúdo.

Um post antigo pode registrar:

uma viagem
uma tecnologia
uma receita
um evento
uma fotografia
uma opinião daquela época
um tutorial
uma lembrança familiar
uma experiência profissional

Individualmente são posts.

Coletivamente tornam-se um arquivo.

E arquivos possuem valor crescente quando preservados.


🏦 12. “Capitão, por que não migramos?”

Mark Wilson aparece com uma ideia brilhante:

— Steve, vamos reconstruir a Spindrift inteira.

Pergunto:

— Por quê?

— Porque é antiga.

— Está quebrada?

— Não.

— Então qual vantagem teremos?

— Será nova.

Essa conversa acontece diariamente em TI.

Também acontece com COBOL.

“Vamos reescrever tudo.”

Tudo o quê?

PROGRAMAS
COPYBOOKS
JCL
TRANSAÇÕES
BANCOS DE DADOS
REGRAS DE NEGÓCIO
EXCEÇÕES
INTERFACES
SEGURANÇA
AUDITORIA
PROCESSOS
HISTÓRICO

A IBM observa que modernização COBOL não pode ser reduzida simplesmente à tradução para outra linguagem; arquitetura de dados, runtime, processamento transacional e integrações também entram no problema.

Com um blog antigo ocorre algo semelhante.


🔗 13. Uma URL também possui história

Imagine:

POST PUBLICADO: 2012

Durante quatorze anos aquela URL pode ter sido:

indexada
compartilhada
favoritada
citada
copiada
referenciada
enviada por e-mail
encontrada em pesquisas

Agora alguém decide migrar tudo sem planejamento.

Resultado:

HTTP/1.1 404 NOT FOUND

No mainframe chamaríamos isso de produção quebrada.

Na Web chamamos de terça-feira.

😂


🐈 14. O gato gigante chamado algoritmo

Na Terra de Gigantes, um simples gato era uma ameaça monstruosa aos pequeninos.

Na Internet existe equivalente.

Chama-se:

algoritmo.

Você publica numa rede social.

O conteúdo existe.

Mas quem vai vê-lo?

ALGORITHM DECIDES

Hoje ele entrega.

Amanhã talvez não.

Um blog possui dinâmica diferente.

Uma página publicada pode continuar sendo encontrada por mecanismos de busca muito depois de desaparecer das redes sociais.

Isso transforma conteúdo em patrimônio de longo prazo.

Na Spindrift eu chamaria isso de:

LONG TERM SURVIVAL SYSTEM

💰 15. Fitzhugh descobre o verdadeiro tesouro

Naturalmente Fitzhugh desapareceu.

Encontramos o sujeito algumas horas depois contando URLs antigas.

— Fitzhugh, o que está fazendo?

— Nada, Capitão.

— O que tem nesse saco?

Ele abriu.

Dentro havia milhares de posts antigos.

— Isso é conteúdo histórico!

Finalmente o homem percebeu algo importante.

O tesouro de um blog antigo não está necessariamente na plataforma.

Está no acervo acumulado.

A plataforma pode ser simples.

O banco de conteúdo não é.


⚙️ 16. O Blogger tem dívida técnica?

Claro.

Depois de muitos anos uma instalação pode acumular:

CSS antigo
JavaScript antigo
widgets esquecidos
links quebrados
imagens externas
iframes
scripts abandonados
HTML improvisado
meta tags duplicadas
gambiarras

Qualquer programador COBOL conhece a versão corporativa disso:

      *------------------------------------------------*
      * ALTERADO PELO CARLOS 17/08/1998              *
      * NÃO REMOVER ESTA ROTINA                       *
      * NÃO SABEMOS POR QUE, MAS SEM ELA NÃO FUNCIONA *
      *------------------------------------------------*

O programador olha.

Executa.

Funciona.

Fecha o fonte lentamente.

😂


🔧 17. Modernizar não significa destruir

Esta talvez seja a maior lição que o mainframe pode ensinar à Web.

Durante muito tempo modernização foi vendida como:

OLD
 |
 v
DELETE
 |
 v
NEW

Hoje sabemos que frequentemente existe alternativa melhor:

            APIs
             |
             v
AUTOMAÇÃO -> LEGADO <- OBSERVABILIDADE
             ^
             |
             IA

O núcleo continua fazendo aquilo que sabe fazer.

As bordas evoluem.

Aplicado ao Blogger:

BLOGGER
   |
   +-- SEO
   |
   +-- HTTPS
   |
   +-- HTML moderno
   |
   +-- CSS
   |
   +-- conteúdo enriquecido
   |
   +-- vídeos
   |
   +-- redes sociais
   |
   +-- newsletter
   |
   +-- IA

Não precisamos necessariamente explodir a Spindrift.

Podemos trocar instrumentos.


🤖 18. Então encontramos uma criatura chamada IA

Dan voltou correndo.

— Capitão, encontramos alguma coisa.

— Outro gigante?

— Não tenho certeza.

— É perigoso?

— Também não tenho certeza.

No horizonte apareceu:

GENERATIVE AI

E então aconteceu algo curioso.

Tecnologia de 2026 encontrou uma plataforma de 1999.

Em vez de destruir o Blogger, a IA pode ajudar a explorar seu acervo.

Posts antigos podem ser:

REVISADOS
RESUMIDOS
CLASSIFICADOS
TRADUZIDOS
RELACIONADOS
REINDEXADOS
TRANSFORMADOS
ENRIQUECIDOS

Um artigo de 2010 pode gerar um vídeo.

Uma viagem de 2013 pode tornar-se uma crônica.

Uma fotografia de 1991 pode receber contexto histórico.

Um tutorial antigo pode ser revisitado à luz das tecnologias atuais.

O passado deixa de ser arquivo morto.

Vira matéria-prima.


🧬 19. Isso é exatamente o que aconteceu com COBOL

COBOL também não permaneceu congelado em 1959.

A linguagem atravessou revisões e padronizações ao longo das décadas. A IBM observa inclusive que padrões posteriores incorporaram recursos de interoperabilidade e modernização.

Enquanto isso, o ecossistema ao redor evoluiu.

Hoje podemos encontrar ambientes nos quais aplicações COBOL convivem com:

REST APIs
JSON
JAVA
PYTHON
DEVOPS
CI/CD
GIT
CONTAINERS
CLOUD
GENERATIVE AI

A lição?

sobreviver não significa permanecer imóvel.

Significa conseguir evoluir sem destruir aquilo que ainda possui valor.


💾 20. Capitão Burton institui o Disaster Recovery

Aqui preciso assumir novamente o comando.

Se nossa Spindrift contém vinte anos de diário de bordo, existe uma regra:

BACKUP.

Nunca confunda:

ESTÁ NA INTERNET

com:

ESTÁ GARANTIDO PARA SEMPRE

São coisas completamente diferentes.

Quem possui um acervo digital importante deve pensar como administrador de sistemas.

PRODUÇÃO
   |
   +---- BACKUP
   |
   +---- CÓPIA LOCAL
   |
   +---- IMAGENS
   |
   +---- EXPORTAÇÃO
   |
   +---- DOCUMENTAÇÃO

Blog antigo merece política de continuidade.


🛰️ 21. O Blogger virou nosso System of Record

Depois de explorar a Terra dos Gigantes digitais, finalmente compreendi nossa nave.

Não precisamos fazer o Blogger competir diretamente com TikTok.

Nem com Instagram.

Nem com YouTube.

São criaturas diferentes.

Podemos estabelecer arquitetura mais inteligente:

                  BLOGGER
                     |
             SYSTEM OF RECORD
                     |
        +------------+------------+
        |            |            |
        v            v            v
     YOUTUBE      LINKEDIN     INSTAGRAM
        |            |            |
        +------------+------------+
                     |
                     v
                  AUDIÊNCIA

O blog guarda.

As redes distribuem.

O vídeo demonstra.

A newsletter chama de volta.

A pesquisa redescobre.

A IA reorganiza.

Agora temos ecossistema.


🧠 22. A regra dos sistemas que ninguém consegue matar

Depois de tantos anos comandando esta nave, desenvolvi uma teoria.

Existem tecnologias que sobrevivem porque possuem pelo menos uma destas características:

UTILIDADE
COMPATIBILIDADE
BASE INSTALADA
BAIXO CUSTO
CONTEÚDO ACUMULADO
CONFIABILIDADE
ECOSSISTEMA
HÁBITO

Quando várias aparecem simultaneamente, matar a tecnologia fica muito mais difícil.

COBOL possui várias.

Blogger também.

E existe uma pergunta interessante:

Quanto vale substituir algo que continua resolvendo o problema?

Às vezes muito.

Às vezes nada.

Engenharia começa justamente quando paramos de responder essa pergunta com moda.


🚨 23. 03:17 — ALERTA NA SPINDRIFT

Então aconteceu.

Exatamente às:

03:17:00

o painel começou a piscar.

******************************
*       SYSTEM ALERT         *
******************************

PLATFORM: BLOGGER

STATUS: UNKNOWN

AGE: 27 YEARS

WARNING:

SYSTEM SHOULD HAVE DIED
YEARS AGO.

Dan correu para o painel.

Mark abriu os diagramas.

Betty chamou os passageiros.

Fitzhugh tentou roubar o extintor.

Eu sentei diante do console.

Digitei:

/D BLOGGER

A resposta chegou:

BLOGGER

STATUS........ ACTIVE
HTTP.......... 200
POSTS......... AVAILABLE
CONTENT....... ONLINE
JOB........... EXECUTING

Dan perguntou:

— Capitão, qual é a falha?

Examinei os dados.

Nenhuma.

Então abri o incidente.

INCIDENT: #0317

SEVERITY:
INFORMATIONAL

PROBLEM:
BLOGGER STILL RUNNING

ROOT CAUSE:
NO FAILURE DETECTED

ACTION:
NONE

RESOLUTION:
DO NOT TOUCH

Fechei o ticket.


🛸 24. E os gigantes continuaram passando

Do lado de fora da Spindrift ouvimos passos.

BOOM.

TikTok.

BOOM.

Instagram.

BOOM.

YouTube.

BOOM.

Facebook.

Plataformas gigantescas atravessavam nosso pequeno mundo.

Algumas crescerão.

Outras desaparecerão.

Outras serão compradas.

Outras mudarão de nome.

Algumas talvez nem existam daqui a vinte anos.

Não sabemos.

O futuro da tecnologia é assim.

Mas dentro da pequena Spindrift havia um cursor piscando.

TITLE:
________________________________

POST:
________________________________
________________________________
________________________________

             [ PUBLICAR ]

Aquilo era suficiente.


☕ 25. Diário final do Capitão Steve Burton

Depois de atravessar a Terra dos Gigantes digitais, aprendi algo curioso.

Nós, humanos, temos obsessão por novidades.

Gostamos de anunciar revoluções.

Gostamos principalmente de anunciar mortes.

MAINFRAME MORREU.
COBOL MORREU.
E-MAIL MORREU.
BLOG MORREU.
PC MORREU.

É uma forma curiosa de jornalismo tecnológico.

Porque computadores não acompanham manchetes.

Eles executam instruções.

No final, a pergunta que importa continua extremamente simples:

FUNCIONA?

Se a resposta for sim, precisamos de argumentos melhores do que:

“É velho.”

Blogger nasceu em 1999.

COBOL nasceu de um esforço iniciado em 1959.

A Spindrift nasceu numa série de televisão dos anos 1960 e, na ficção, acabou perdida num mundo onde tudo parecia grande demais para ela.

Talvez por isso seja a nave perfeita para contar esta história.

Porque Terra de Gigantes nunca foi realmente uma história sobre tamanho.

Era uma história sobre adaptação.

Um objeto pequeno podia virar ferramenta.

Um pedaço de fio virava corda.

Um móvel virava montanha.

Uma caixa virava fortaleza.

E uma nave avariada continuava sendo casa.

É exatamente assim que tecnologias sobrevivem.

Não porque continuam sendo as maiores.

Mas porque alguém continua encontrando utilidade nelas.


🚀 EPÍLOGO — NÃO CANCELE O JOB

Fitzhugh apareceu novamente.

— Capitão!

— O que foi agora?

— Descobri uma plataforma nova! Todo mundo está dizendo que ela vai substituir tudo!

Olhei para Dan.

Dan olhou para mim.

Depois de tantos anos naquele planeta, nós dois já conhecíamos aquela conversa.

Voltei ao console.

//BLOGGER JOB
//CLASS=A
//MSGCLASS=X
//*
//PUBLISH EXEC PGM=CONTENT
//SYSOUT  DD SYSOUT=*
//ARCHIVE DD DSN=INTERNET.HISTORY,
//           DISP=SHR
//*
//* BELLACOSA MAINFRAME
//*
//* NÃO REMOVER.
//* FUNCIONA.
//*

Pressionei ENTER.

O painel respondeu:

IEF403I BLOGGER - STARTED

JOBNAME: BLOGGER
OWNER:   INTERNET
STATUS:  EXECUTING

RETURN CODE: 0000

Do lado de fora, os gigantes continuavam discutindo qual seria a próxima grande revolução da Internet.

Aqui dentro preparei café.

Olhei pela janela da velha Spindrift.

E registrei a última linha no diário de bordo:

“Todos anunciaram nossa morte. Curiosamente, ninguém lembrou de cancelar o JOB.”

03:17

BLOGGER ........ EXECUTING
COBOL .......... EXECUTING
SPINDRIFT ...... DAMAGED, BUT OPERATIONAL
COFFEE ......... READY

CAPTAIN STEVE BURTON
SIGNING OFF.

Bellacosa Mainframe — onde legado não significa passado. Significa aquilo que sobreviveu tempo suficiente para ter uma história para contar.



segunda-feira, 23 de agosto de 1999

🚀 Blogger — A Spindrift que Pousou na Terra de Gigantes

 

Bellacosa Mainframe e a historia do Blogger

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚀 Blogger — A Spindrift que Pousou na Terra de Gigantes

A história do Blogger e do Blogspot sob o comando do Capitão Steve Burton, de Terra de Gigantes

Imagine a cena.

Estamos em 23 de agosto de 1999.

A Internet ainda é um território estranho.

Google mal começara sua jornada. Facebook não existia. YouTube não existia. Twitter não existia. Instagram, TikTok e praticamente tudo aquilo que hoje associamos à publicação de conteúdo simplesmente não existia.

Criar uma página na Internet normalmente significava conhecer HTML, preparar arquivos, conseguir hospedagem e enviar tudo para algum servidor.

Publicar uma ideia não era simplesmente tocar em PUBLICAR.

Era uma pequena operação de informática.

Então surge uma nave.

Pequena.

Experimental.

Talvez até um pouco improvisada.

Na lateral poderíamos escrever:

PYRA LABS — BLOGGER

E no cockpit imaginário está o Capitão Steve Burton.

— Dan, confirme os instrumentos.

— HTML?

— Funcionando.

— FTP?

— Funcionando.

— Servidor?

— Mais ou menos.

— Dinheiro?

Silêncio.

Fitzhugh olha para os outros.

— Bem... talvez seja melhor não falarmos sobre isso.

E assim começa nossa viagem.

Porque a história do Blogger lembra assustadoramente Terra de Gigantes.



🚀 A Spindrift original

Land of the Giants, conhecida no Brasil como Terra de Gigantes, foi uma série de ficção científica criada e produzida por Irwin Allen.

Foi exibida originalmente pela ABC entre 22 de setembro de 1968 e 22 de março de 1970, totalizando duas temporadas e 51 episódios.

Gary Conway interpretava o Capitão Steve Burton, comandante da nave Spindrift.

Na história, a Spindrift fazia uma viagem entre Los Angeles e Londres quando atravessava uma misteriosa perturbação espacial.

Quando finalmente conseguia pousar, seus passageiros descobriam algo assustador.

Estavam em uma espécie de Terra paralela.

Só havia um pequeno problema.

Tudo era gigantesco.

Casas.

Carros.

Animais.

Pessoas.

Uma simples cadeira podia se transformar numa montanha.

Um gato doméstico podia representar praticamente o mesmo perigo que um tigre representa para nós.

A missão inicial de Burton era simples:

sobreviver.

Depois descobrir onde estavam.

E, finalmente, tentar encontrar um caminho de volta para casa.

Agora troque:

Spindrift → Blogger

e

Terra de Gigantes → Internet

Nossa história começa.



🧪 1999 — Pyra Labs prepara a nave

O Blogger não nasceu originalmente dentro do Google.

Isso é importante.

Sua origem está numa pequena empresa chamada Pyra Labs, fundada por Evan Williams e Meg Hourihan.

A Pyra estava trabalhando originalmente em ferramentas de produtividade e gerenciamento de projetos.

Só que uma ferramenta interna utilizada pela própria equipe começou a revelar uma possibilidade muito mais interessante.

Publicar pequenas atualizações na Web poderia ser muito mais simples.

A ideia evoluiu.

E em 23 de agosto de 1999, a Pyra Labs colocou o Blogger à disposição do público.

O próprio Google posteriormente registraria essa data como o aniversário oficial da plataforma.

O impacto da ideia parece banal hoje porque estamos olhando para 1999 com os olhos de 2026.

Precisamos voltar mentalmente àquela Internet.

Publicar conteúdo frequentemente envolvia algo parecido com:

Escrever texto
      ↓
Criar HTML
      ↓
Editar página
      ↓
Salvar arquivo
      ↓
Abrir cliente FTP
      ↓
Conectar ao servidor
      ↓
Enviar arquivos
      ↓
Testar página
      ↓
Descobrir que alguma coisa quebrou
      ↓
Editar novamente

O Blogger começou a retirar essas etapas do caminho.

Você escrevia.

Clicava.

Publicava.

Parece ridiculamente simples.

Era justamente essa simplicidade que mudaria tudo.



📝 O grande truque não era o blog

Blogs já existiam.

Weblogs já existiam.

Pessoas já mantinham diários e páginas pessoais.

A revolução estava em outra coisa:

reduzir drasticamente a barreira técnica da publicação.

Antes, publicar na Web era principalmente território de pessoas que conheciam alguma tecnologia.

Com ferramentas como Blogger, começava a surgir outra possibilidade:

Você não precisava ser webmaster para possuir um pedaço da Web.

Professor poderia publicar.

Estudante poderia publicar.

Jornalista poderia publicar.

Programador poderia publicar.

Dona de casa poderia publicar receitas.

Viajante poderia registrar suas aventuras.

Fã de anime poderia escrever análises.

Um sujeito poderia escrever sobre COBOL, mainframes, viagens, fotografias, estradas, família e praticamente qualquer coisa que passasse pela cabeça.

Soa familiar?

😏



🌎 Blogger e Blogspot não são exatamente a mesma coisa

Aqui encontramos uma confusão histórica que permanece até hoje.

Blogger é a plataforma de publicação.

Blogspot tornou-se principalmente a infraestrutura/domínio utilizado para hospedar os blogs.

Por isso encontramos endereços como:

meublog.blogspot.com

Você administra o conteúdo através do Blogger.

O público normalmente encontra o site hospedado no ecossistema Blogspot.

Na prática, os nomes ficaram tão associados que durante décadas usuários disseram simplesmente:

"Tenho um Blogspot."

É quase como dizer:

"Pegue um Xerox."

A marca acabou se confundindo com a experiência.



💸 Capitão, temos um problema

A Spindrift da Pyra Labs começou a voar.

Mas havia um detalhe desagradavelmente terrestre:

dinheiro.

Manter servidores custa dinheiro.

Programadores custam dinheiro.

Conexões custam dinheiro.

Empresas precisam pagar salários.

E startups da Internet no final da década de 1990 estavam entrando numa época extremamente turbulenta.

A bolha pontocom explodiria.

A Pyra passou por sérias dificuldades financeiras.

A pequena tripulação começou a diminuir.

Evan Williams chegou a continuar tocando boa parte da operação praticamente sozinho durante um período.

Imagine Burton olhando para os instrumentos:

SERVIDORES............. OK
USUÁRIOS............... CRESCENDO
POPULARIDADE........... CRESCENDO
DINHEIRO............... ABEND S0C7

Fitzhugh imediatamente sugere:

— Podemos abandonar os usuários.

Burton responde:

— Não.

— Podemos cobrar por tudo.

— Não.

— Podemos vender a nave?

Burton olha pela janela.

Talvez alguém estivesse interessado.


🏠 Entra o Blogspot

Nesse período aparece outro elemento importante da história:

Blogspot.

A hospedagem permitia que usuários tivessem seus blogs publicados sem precisar necessariamente administrar toda a infraestrutura.

Era uma combinação poderosa:

BLOGGER
 ferramenta de publicação
        +
BLOGSPOT
 hospedagem
        =
PUBLICAÇÃO SIMPLIFICADA

A Internet começava a receber milhões de páginas produzidas por pessoas comuns.

A Spindrift havia pousado.

Só que agora começávamos a perceber o tamanho dos gigantes ao redor.


🔍 2003 — aparece um gigante chamado Google

Em fevereiro de 2003, aconteceu uma mudança decisiva.

O Google adquiriu a Pyra Labs.

O valor não foi divulgado publicamente.

Na época, o Google já estava crescendo rapidamente, mas ainda não era o gigantesco conglomerado que conhecemos hoje.

Para o Blogger, porém, a aquisição significava acesso a algo que a pequena Pyra nunca conseguiria oferecer na mesma escala:

infraestrutura.

Servidores.

Engenheiros.

Capital.

Integração.

Distribuição global.

A pequena Spindrift agora estava estacionada no quintal de um gigante.


👨‍✈️ Burton entra na sala do Google

Imagine nosso Capitão Steve Burton olhando para cima.

Muito para cima.

Uma voz gigantesca pergunta:

— O que é isso?

Burton responde:

— Blogger.

— Para que serve?

— Pessoas escrevem coisas.

— Quantas pessoas?

— Muitas.

— E como vocês ganham dinheiro?

Fitzhugh imediatamente começa:

— Bem, eu tenho algumas ideias...

Burton empurra Fitzhugh para trás.

— Ignore-o.

😂


🎁 Google começa a retirar as barreiras

A aquisição teve uma consequência particularmente importante.

Recursos que anteriormente estavam associados a ofertas premium passaram a ser disponibilizados gratuitamente.

Isso ajudou a acelerar a adoção.

A lógica começava a ficar poderosa:

Conta
 ↓
Blog
 ↓
Template
 ↓
Texto
 ↓
PUBLICAR
 ↓
Internet

Nenhum servidor próprio.

Nenhum Apache para configurar.

Nenhum FTP obrigatório para o usuário comum.

Nenhuma madrugada tentando descobrir por que o HTML fechou uma <table> no lugar errado.

Para milhões de pessoas, aquilo era praticamente magia.


📷 2004 — fotografias chegam à nave

Em 2004 o Google comprou a Picasa.

A tecnologia de compartilhamento de imagens Hello acabou integrada ao Blogger.

Isso era importantíssimo.

A Web estava deixando de ser predominantemente textual.

Agora o blogueiro poderia combinar:

texto + fotografias + comentários + arquivos + identidade visual.

Também em 2004 aconteceu uma grande reformulação do Blogger.

Chegaram melhorias em templates, páginas individuais para posts, comentários e publicação por e-mail.

A nave estava recebendo upgrades.

SPINDRIFT BLOGGER MK-II

[✓] Texto
[✓] Imagens
[✓] Comentários
[✓] Arquivos
[✓] Templates
[✓] Postagem por e-mail

Burton observa satisfeito.

— Agora temos alguma coisa.


👥 A blogosfera explode

Então aconteceu algo culturalmente enorme.

Pessoas começaram a descobrir umas às outras.

Um blog apontava para outro.

Comentários geravam conversas.

Blogrolls criavam pequenas comunidades.

Autores desconhecidos conquistavam leitores.

Jornalistas começaram a observar blogueiros.

Políticos começaram a observar blogueiros.

Empresas começaram a observar blogueiros.

E os mecanismos de busca começaram a indexar aquela gigantesca quantidade de conteúdo.

Nascia aquilo que ficou conhecido como:

blogosfera.

O Google revelou posteriormente um número impressionante.

Quando adquiriu o Blogger em fevereiro de 2003, aproximadamente 250 mil pessoas visitavam o Blogger por mês.

Em 2009, quando a plataforma comemorou dez anos, o número informado pelo Google havia ultrapassado:

300 MILHÕES.

A Spindrift havia encontrado gigantes.

Só que ela própria havia se tornado gigantesca.


📰 O blogueiro vira editor

Existe um aspecto dessa revolução que frequentemente esquecemos.

Durante grande parte do século XX, publicar para uma audiência significativa exigia acesso a algum intermediário.

Editora.

Jornal.

Revista.

Rádio.

Televisão.

Gráfica.

O blog destruiu parte dessa barreira.

Agora alguém poderia simplesmente escrever:

MINHA OPINIÃO

e apertar:

PUBLICAR

Tecnicamente, aquilo poderia estar disponível para bilhões de pessoas.

Isso é extraordinário.

O Blogger foi uma das ferramentas responsáveis por popularizar essa democratização.


🛸 2006 — mudança para servidores Google

A integração continuou.

Em 2006 surgiu uma nova versão do Blogger, conhecida durante seu desenvolvimento como Invader.

Usuários começaram a ser migrados para a infraestrutura do Google.

Posteriormente a migração seria completada.

Era uma mudança fundamental nos bastidores.

O usuário provavelmente via:

meublog.blogspot.com

Mas por trás daquela URL existia agora uma infraestrutura global.

É uma característica que programadores mainframe conhecem muito bem.

O usuário vê uma tela simples.

Por trás dela:

uma catedral tecnológica.


📡 2009 — dez anos no ar

Quando o Blogger completou dez anos, em 2009, a Internet já era completamente diferente daquela de 1999.

Google era gigante.

YouTube existia.

Facebook crescia violentamente.

Twitter começava a mudar a comunicação em tempo real.

E havia outro competidor importante.

WordPress.

A Spindrift agora estava cercada.

Burton observa pelo vidro:

— Dan, relatório.

— WordPress crescendo.

— Facebook crescendo.

— Twitter crescendo.

— YouTube crescendo.

Fitzhugh pergunta:

— Podemos ir embora?

Burton responde:

— Não.


⚔️ Blogger versus WordPress

Essa comparação marcaria boa parte das décadas seguintes.

WordPress acabou conquistando enorme espaço, principalmente porque oferecia algo extremamente atraente:

controle e extensibilidade.

Plugins.

Temas.

Hospedagem própria.

Ecossistema gigantesco.

Personalização profunda.

Blogger oferecia outra filosofia:

simplicidade.

Você não precisava atualizar PHP.

Não precisava cuidar de banco de dados.

Não precisava corrigir plugin quebrado.

Não precisava atualizar servidor.

Não precisava administrar WordPress.

Google fazia boa parte da infraestrutura.

É quase uma comparação entre:

WORDPRESS
"Esta máquina é sua.
Faça o que quiser."

BLOGGER
"Entre, escreva e publique."

As duas filosofias têm vantagens.


🦖 Então chegaram os gigantes de verdade

O problema seguinte não seria WordPress.

Seriam as redes sociais.

Facebook.

Twitter.

Instagram.

YouTube.

TikTok.

LinkedIn.

A Internet começou lentamente a abandonar a ideia:

"Tenho meu espaço."

para adotar:

"Tenho meu perfil dentro da plataforma de alguém."

Essa diferença parece pequena.

Não é.

É gigantesca.


🏠 Blog é terreno; rede social é apartamento alugado

No blog você organiza seu arquivo.

Você cria páginas.

Você cria links.

Você escreve textos enormes.

Mecanismos de busca encontram conteúdo publicado anos atrás.

Em redes sociais existe outra lógica.

Feed.

Publicou hoje.

Explodiu.

Amanhã desceu.

Semana seguinte praticamente desapareceu.

O blog funciona mais como:

biblioteca.

A rede social funciona mais como:

praça pública.

Uma não necessariamente substitui a outra.


🦕 "Blogger morreu!"

E então começou uma tradição curiosa.

Periodicamente alguém declarava:

BLOGS MORRERAM.

Depois:

BLOGGER MORREU.

Depois:

TEXTOS LONGOS MORRERAM.

Depois:

NINGUÉM MAIS LÊ BLOGS.

Curiosamente...

Blogger continuava funcionando.

Décadas depois.

Essa situação deveria ser extremamente familiar para qualquer pessoa do universo mainframe.

1995 — COBOL vai morrer.

2000 — Mainframe vai morrer.

2005 — Mainframe vai morrer.

2010 — Mainframe vai morrer.

2015 — Mainframe vai morrer.

2020 — Mainframe vai morrer.

2026 — Mainframe vai morrer.

Enquanto isso:

JOB STATUS: EXECUTING

Blogger ganhou exatamente a mesma aura.


☕ Blogger é o COBOL da Internet

Aqui está talvez a melhor definição Bellacosa Mainframe desta história:

Blogger virou o COBOL da publicação na Web.

Não é a tecnologia sobre a qual os influenciadores fazem vídeos empolgados toda semana.

Não aparece constantemente em apresentações de startups.

Não é novidade.

Não é sexy.

Mas você digita:

.blogspot.com

e encontra milhões de pedaços da história da Internet.

Receitas.

Tutoriais.

Fotografias.

Diários.

Fanfiction.

Política.

Computação.

Eletrônica.

Anime.

Viagens.

Programação.

Memórias familiares.

Algumas páginas estão online há vinte anos.


🏺 O verdadeiro valor começou a mudar

Em 2005, o valor de um blog era:

publicar.

Em 2026, existe outro valor que começa a se tornar igualmente importante:

preservar.

Imagine alguém escrevendo regularmente durante quinze ou vinte anos.

Não temos simplesmente um site.

Temos uma série temporal da vida de uma pessoa.

Mudam:

empregos,

computadores,

fotografias,

família,

tecnologias,

viagens,

opiniões,

conhecimentos,

linguagem.

Um blog antigo acaba se transformando involuntariamente em um pequeno arquivo histórico.


🤖 E então chegou outro gigante: IA

Burton olha pela janela da Spindrift.

Algo gigantesco aparece.

Muito maior que Facebook.

Muito maior que Twitter.

Fitzhugh pergunta:

— O que diabos é aquilo?

Mark Wilson observa os instrumentos.

— Inteligência Artificial.

Silêncio.

Burton pergunta:

— Ela come blogs?

Wilson responde:

— Curiosamente... ela lê.

E aqui temos uma nova transformação fascinante.

Durante décadas escrevíamos principalmente pensando em:

leitores humanos + mecanismos de busca.

Agora conteúdo público também pode fazer parte do ecossistema informacional utilizado por:

buscadores semânticos, sistemas de recuperação de informação, agentes e ferramentas de IA, dependendo de acesso, políticas, indexação e permissões.

Conteúdo estruturado, textual e público voltou a ganhar uma importância inesperada.


👨‍✈️ Capitão Burton olha o horizonte

Nossa viagem começou em 1999.

A pequena Pyra Labs criou uma ferramenta que simplificava publicar na Web.

Sobreviveu a problemas financeiros.

Blogspot ajudou a oferecer hospedagem.

Google comprou a Pyra em 2003.

Blogger ganhou infraestrutura.

Fotografias chegaram.

Comentários chegaram.

Templates evoluíram.

Milhões de pessoas começaram a publicar.

A blogosfera explodiu.

WordPress cresceu.

Facebook apareceu.

Twitter apareceu.

Instagram apareceu.

YouTube apareceu.

TikTok apareceu.

A Web mudou.

E mudou novamente.

E novamente.

Mas existe algo curioso.

Digite hoje:

https://algumacoisa.blogspot.com

Muitas vezes a página ainda responde.


🥚 EASTER EGG — INCIDENTE 03:17

São 03:17 da madrugada.

A Spindrift permanece escondida dentro de uma enorme parede.

Todos dormem.

Exceto Burton.

Uma luz verde pisca no painel.

BLOGGER MONITOR

HTTP...................... 200
DNS....................... OK
HTML...................... OK
ARCHIVE................... OK
POSTS..................... THOUSANDS
AGE....................... ANCIENT

Burton toma um café.

Fitzhugh aparece sonolento.

— Capitão... por que ainda estamos mantendo essa coisa funcionando?

Burton olha para ele.

Depois para o monitor.

E responde:

— Porque ainda funciona.

Em algum lugar distante, um programador COBOL sorri sem saber exatamente por quê.


☕ EPÍLOGO — A Spindrift não voltou para casa

Em Terra de Gigantes, Steve Burton passava seus dias tentando proteger sua pequena tripulação num mundo enorme.

Talvez essa seja uma boa metáfora para os blogs independentes.

Eles também se tornaram pequenos.

Ao redor deles cresceram gigantes:

GOOGLE
FACEBOOK
YOUTUBE
INSTAGRAM
TIKTOK
LINKEDIN
IA
ALGORITMOS

Mas pequenos não significa irrelevantes.

Às vezes significa simplesmente:

independentes.

Um post publicado quinze anos atrás ainda pode aparecer numa pesquisa hoje.

Uma fotografia esquecida pode recuperar uma memória.

Um tutorial antigo pode resolver um problema.

Uma história familiar pode ser encontrada por um descendente décadas depois.

Um artigo técnico pode ensinar alguém que ainda nem havia nascido quando foi escrito.

Talvez esse seja o verdadeiro legado do Blogger.

Ele ajudou milhões de pessoas a descobrir uma ideia extremamente poderosa:

Você também pode publicar.

Não precisava possuir jornal.

Não precisava possuir editora.

Não precisava possuir emissora de televisão.

Nem precisava dominar HTML profundamente.

Precisava ter alguma coisa para contar.

E apertar:

PUBLICAR.


🚀 ÚLTIMO REGISTRO DA SPINDRIFT

MISSÃO: BLOGGER

LANÇAMENTO............... 23/08/1999
CRIADOR.................. PYRA LABS
COMANDANTES.............. EVAN WILLIAMS / MEG HOURIHAN
AQUISIÇÃO GOOGLE......... 2003
DESTINO.................. INTERNET
MISSÃO ORIGINAL.......... FACILITAR PUBLICAÇÃO
STATUS EM 2026............ ONLINE

ERROS.................... MUITOS
CONCORRENTES............. GIGANTES
PREVISÕES DE MORTE....... INCONTÁVEIS

ÚLTIMO TESTE.............. HTTP 200

STATUS FINAL:

                    STILL RUNNING

Capitão Steve Burton fecha o diário de bordo.

Olha para aquela imensa Terra de Gigantes chamada Internet.

E ordena:

— Mantenham a Spindrift operacional.




A incrível história do Blogger, da Pyra Labs ao Google, contada como uma aventura do Capitão Steve Burton pela gigantesca Internet.


Porque algumas tecnologias não precisam conquistar o futuro.

Às vezes basta fazer algo ainda mais difícil:

sobreviver a ele.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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