| Bellacosa Mainframe e a Gatolândia da Vicky |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
🐈 Vicky e o Santuário dos Gatos — Onde Sempre Existe Mais um Bichano Escondido
Uma pata aparecendo debaixo de um móvel. Uma cauda desaparecendo atrás da porta. Dois olhos observando você de algum lugar que jurava estar vazio. Na casa da Vicky, no bairro Cidade de São Pedro, existe uma regra simples: quando você acha que já viu todos os gatos, provavelmente ainda não viu nem metade.
Esta postagem é mais um pequeno fragmento daquela tarde que passamos visitando minha irmã Vicky e seu curioso santuário dos gatos.
Já tivemos outras histórias sobre ela e seus bichanos. Na verdade, quando se visita aquela casa, é praticamente impossível produzir um vídeo em que algum gato não resolva assumir o papel de protagonista.
Eles estão em toda parte.
E quando digo toda parte, não estou exagerando muito.
Você olha para um canto:
— Tem um gato.
Olha debaixo de uma cadeira:
— Outro.
Atrás do sofá aparece uma cauda.
Debaixo de algum móvel, uma pata.
Em cima de uma prateleira, dois olhos acompanham silenciosamente seus movimentos.
Você começa a suspeitar que aquela almofada estranhamente peluda talvez também seja um gato.
E algumas vezes é.
🐾🐾🐾
🐈 A senhora dos gatos da Cidade de São Pedro
Com o passar dos anos, minha irmã acabou ficando conhecida no bairro Cidade de São Pedro como uma espécie de “senhora dos gatos”.
Pode parecer um título engraçado.
O problema é aquilo que vem junto com ele.
As pessoas sabem que Vicky dificilmente consegue ignorar um animal sofrendo.
E algumas descobriram uma solução extremamente conveniente para um problema que deveria ser delas:
o portão da Vicky.
No silêncio da noite aparecem caixas.
Dentro delas, filhotes.
Às vezes surge apenas um gatinho.
Outras vezes, uma ninhada inteira.
Também aparecem gatos adultos.
E, de maneira ainda mais triste, animais idosos ou doentes.
Alguém chega, deixa o animal no portão e vai embora.
Problema resolvido.
Para quem abandonou.
Para minha irmã, acaba de começar outro.
📦 "Alguém deixou mais um gato..."
Imagino quantas vezes uma variação dessa frase já foi pronunciada naquela casa.
E existe uma crueldade particularmente estranha nisso.
Justamente porque uma pessoa é conhecida por cuidar dos animais, outras acabam transferindo para ela a responsabilidade que decidiram abandonar.
Vicky olha para o bichinho.
Está assustado.
Está com fome.
Talvez esteja doente.
Talvez seja pequeno demais para sobreviver sozinho.
E então entra em ação aquela fraqueza maravilhosa e terrível chamada dó.
Ela acolhe.
Cuida.
Alimenta.
Leva ao veterinário quando necessário.
Tenta encontrar alguém disposto a adotar.
Quando consegue, ótimo.
Quando não consegue...
Bem-vindo ao santuário.
+1 gato.
🐱 Nem sempre são os gatos que os humanos esperavam
Alguns desses animais foram abandonados simplesmente porque não correspondiam àquilo que alguém imaginava quando decidiu ter um gato.
Talvez tenham adoecido.
Talvez tenham envelhecido.
Talvez tenham alguma deficiência.
Talvez tenham nascido com uma aparência diferente da esperada.
Ou simplesmente fizeram parte de uma ninhada numerosa demais.
Enquanto são pequeninos, fofinhos e parecem pequenas bolas de pelo, todo mundo acha maravilhoso.
Depois crescem.
Comem.
Precisam de cuidados.
Adoecem.
Arranham alguma coisa.
Precisam ser castrados.
Precisam ir ao veterinário.
Envelhecem.
De repente, para algumas pessoas, aquele ser vivo transforma-se em um problema.
E é nessa equação profundamente humana que aparecem lugares como o santuário improvisado da Vicky.
🏠 Bem-vindo à Gatolândia
Para quem gosta muito de gatos, entrar naquela casa pode parecer o paraíso.
Para um visitante ocasional...
o impacto é considerável.
😂
Há gatos andando.
Gatos dormindo.
Gatos escondidos.
Gatos olhando.
Gatos que querem carinho.
Gatos que definitivamente não querem carinho.
Gatos que parecem não se importar com sua existência.
E provavelmente algum gato analisando silenciosamente se você representa uma ameaça à segurança nacional felina.
Há pelos.
Muitos pelos.
Pelos nas almofadas.
Pelos nos cantos.
Pelos que parecem desafiar as leis conhecidas da física e aparecem em lugares onde teoricamente nenhum gato esteve.
E existe também aquele inconfundível odor de uma casa onde vivem muitos gatos.
Não adianta romantizar.
Existe.
Para quem ama gatos, tudo isso faz parte do pacote.
Para quem chega ocasionalmente, a primeira impressão pode ser quase chocante.
Você entra esperando visitar uma casa.
Descobre que acabou de atravessar a fronteira de uma pequena nação independente governada por felinos.
👀 Você está sendo observado
Talvez essa seja uma das coisas mais divertidas.
Depois de alguns minutos lá dentro, você percebe que nunca está sozinho.
Pode não enxergar gato algum.
Mas existe um.
Em algum lugar.
Observando.
Uma orelha aparece atrás de alguma coisa.
Depois desaparece.
Dois olhos brilham num canto.
Uma cauda atravessa rapidamente o corredor.
Você vira a câmera.
Nada.
Volta a câmera.
GATO.
😂
É quase um jogo.
Encontre o bichano.
E talvez esteja justamente aí parte da graça desses pequenos vídeos daquela tarde.
Não existe roteiro.
Não existe cenário preparado.
Não existe ator.
A câmera simplesmente registra alguns minutos dentro daquele pequeno universo.
E os gatos fazem o resto.
🧠 Mas existe uma história menos engraçada atrás da cena
Quando assistimos ao vídeo, podemos rir da quantidade absurda de bichanos espalhados pela casa.
Mas cada um deles possui uma história.
E provavelmente nem todas são bonitas.
Aquele gato dormindo tranquilamente talvez tenha sido encontrado doente.
O outro pode ter sido abandonado ainda filhote.
Aquele mais velho talvez tenha conhecido outra família antes de aparecer no portão.
O mais desconfiado talvez tenha aprendido que seres humanos não são necessariamente criaturas confiáveis.
É impossível olhar para todos eles e conhecer imediatamente aquilo que aconteceu antes.
Os animais não chegam acompanhados de documentação.
Não existe um LOG explicando:
ORIGEM = DESCONHECIDA
IDADE = APROXIMADA
MOTIVO_ABANDONO = ???
HISTORICO = INDISPONIVEL
Como velho homem de mainframe, gostaria que o mundo tivesse logs melhores.
Mas algumas histórias chegam sem registro algum.
Temos apenas o estado atual do sistema.
E tentamos reconstruir o que aconteceu.
💾 ABEND HUMANO
Talvez exista aqui uma analogia inevitável com nosso mundo dos computadores.
Um sistema apresenta problema.
O profissional responsável investiga.
Procura a causa.
Corrige.
Documenta.
Evita recorrência.
Quando um ser humano simplesmente coloca uma caixa com filhotes diante do portão de outra pessoa durante a madrugada, ele não corrigiu problema algum.
Ele apenas executou:
TRANSFER PROBLEM TO VICKY
RETURN CODE = 00
Para ele.
Para o restante do sistema, absolutamente não.
Alguém continuará pagando a conta.
Ração.
Areia.
Medicamentos.
Veterinário.
Castração.
Tempo.
Limpeza.
Espaço.
Trabalho.
E principalmente responsabilidade.
❤️ A fraqueza da Vicky
Minha irmã poderia simplesmente dizer:
— Não.
Provavelmente deveria dizer isso algumas vezes.
Mas então ela olha para aquela criatura abandonada no portão.
E perde.
😂
Porque existe uma diferença enorme entre discutir racionalmente sobre capacidade, quantidade de animais e despesas...
...e encontrar um filhotinho assustado dentro de uma caixa.
A teoria acaba ali.
Entra o bichano.
A população da Gatolândia aumenta novamente.
🐾 Easter egg — conte os gatos
Existe então uma brincadeira involuntária nesses vídeos.
Tente contar quantos gatos aparecem.
Depois assista novamente.
Provavelmente descobrirá outro.
Uma pata.
Uma orelha.
Uma cauda.
Dois olhos.
Um pedaço de pelo aparentemente sem dono.
Talvez o verdadeiro número de gatos da casa seja impossível de determinar por observação direta.
É quase o Princípio da Incerteza de Heisenberg aplicado aos felinos:
quanto mais precisamente você tenta determinar onde estão todos os gatos, maior a probabilidade de algum deles já ter mudado de lugar.
😹
E se algum dia alguém assistir a todos esses pequenos vídeos daquela tarde em sequência, talvez descubra que criamos acidentalmente um enorme jogo de Onde Está Wally?
Só que com gatos.
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Hoje, olhando novamente para esse pequeno registro de 2016, percebo que ele preservou muito mais do que imaginávamos naquele momento.
Registrou minha irmã.
Registrou sua casa.
Registrou aquela tarde.
Registrou os bichanos.
Mas também registrou uma pequena realidade que existe em milhares de bairros.
Pessoas comuns acabam transformando suas casas em abrigos improvisados porque outras pessoas decidiram que abandonar um animal era mais fácil do que assumir responsabilidade por ele.
Por isso o santuário da Vicky é simultaneamente uma cena divertida e uma história triste.
É engraçado entrar numa casa e descobrir gatos aparentemente brotando das paredes.
É engraçado perceber uma cauda passando enquanto você grava outro bichano.
É engraçado encontrar dois olhos espionando você.
Mas cada animal acolhido significa que, em algum momento anterior, alguma coisa deu errado.
Felizmente, para alguns deles, a história não terminou naquele erro.
Terminou — ou talvez tenha realmente começado — numa casa da Cidade de São Pedro onde uma mulher conhecida como a senhora dos gatos tinha enorme dificuldade em dizer não.
E assim, entre miados, pelos, potinhos de comida, caixas, caminhas, remédios e olhos curiosos escondidos pelos cantos...
a Gatolândia continuava crescendo.
🐈🐈⬛🐈🐈⬛🐈
E atenção:
antes de fechar esta postagem, dê mais uma olhada na fotografia ou no vídeo.
Provavelmente existe outro gato escondido em algum lugar.
☕🐾
A minha irmã é seu bom coração com os animais.
A Vivi tem esse amor pelos bichanos de longa data, em sua casa que se transformou num santuário para os amigos de quatro patas.
Bichanos doentes, abandonados, maltratados, maltrapilhos, judiados, queimados e sem esperança. Ali encontram um abrigo especial.
Onde recebem carinho, amor, cuidados de saúde é um lugar para se proteger dos mal tratos. Alguns sortudos ainda conseguem uma casa de adoça.
Outros curtem seu dia junto com a gatolandia... :) :) :)