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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

🎼✨ 10 ANIMES COM O ESPÍRITO DO BARDO NAGASHI

Bellacosa Mainframe e a tradição do bardo nos animes

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎼✨ 10 ANIMES COM O ESPÍRITO DO BARDO NAGASHI

(Lista oficial El Jefe Midnight – Bellacosa Mainframe Edition)

Quando pensamos em músicos errantes, é comum imaginar os bardos medievais da Europa, trovadores que percorriam castelos levando notícias, romances e canções. No Japão, porém, existe uma figura igualmente fascinante e muito menos conhecida no Ocidente: o nagashi (流し). Com um violão, shamisen ou shakuhachi nas mãos, esses artistas percorriam ruas, vielas, pequenos bares (izakayas) e bairros populares transformando histórias do cotidiano em música, preservando memórias e emoções de uma sociedade em constante transformação.

Embora raramente sejam os protagonistas, o espírito do nagashi aparece em inúmeros animes. Ele está presente no viajante solitário que toca uma melodia ao entardecer, no velho flautista que surge apenas para orientar o herói, no músico cego que testemunha guerras sem empunhar uma espada ou naquele personagem que atravessa a narrativa como uma canção levada pelo vento. São figuras discretas, mas profundamente simbólicas, representando liberdade, saudade, tradição e a passagem do tempo.

Neste especial do Bellacosa Mainframe, vamos descobrir dez animes que capturam essa essência, explorando curiosidades históricas, referências culturais, easter eggs e inspirações reais que passaram despercebidas pela maioria dos fãs. Ao final desta jornada, você perceberá que o verdadeiro protagonista nem sempre é quem derrota o grande vilão. Às vezes, é apenas aquele que chega silenciosamente, toca uma última melodia e segue seu caminho, deixando para trás lembranças que permanecem muito depois que os créditos terminam.

Nagashi (流し) 

O Japão ama a figura do nagashi (流し) – o músico andarilho que vaga pelas ruas, vielas e izakayas tocando histórias, canções e melancolias.


Nos animes, esse espírito aparece em personagens que atravessam cidades, vidas e memórias como melodias que escorrem noite adentro.

Aqui estão 10 animes onde o “bardo errante” vive, respira, toca e emociona.



1) Natsume Yūjin-Chō (夏目友人帳)

Ano: 2008
Nagashi presente: o youkai tocador da flauta de bambu.
Quem é: Um espírito errante que vaga pelas montanhas tocando canções que apenas pessoas sensíveis conseguem ouvir.
Curiosidade: O design é inspirado nos komusō, monges que vagavam tocando shakuhachi.
Easter Egg: No episódio 7 da segunda temporada, a melodia é baseada em uma canção tradicional tocada por nagashi reais da Era Shōwa.
Comentário Bellacosa: Anime que canta baixinho com o coração.


Bellacosa Mainframe e os animes com espirito de bardo nagashi

2) Mushishi (蟲師)

Ano: 2005
Nagashi presente: vários músicos itinerantes ligados aos “mushi” sonoros.
Quem é: Personagens que seguem trilhas antigas, levando músicas que curam, assustam ou convocam espíritos.
Curiosidade: O episódio “Sound of Footsteps” homenageia diretamente o conceito de nagashi.
Easter Egg: A flauta usada em um episódio é uma réplica de shakuhachi ji-nashi, instrumento dos monges komusō.
Comentário: Se existe anime com alma de trilha noturna, é Mushishi.



3) Samurai Champloo (サムライチャンプルー)

Ano: 2004
Nagashi presente: Vários músicos itinerantes que aparecem nas estradas do Japão feudal alternativo.
Personagens: Especialmente o cantor cego no episódio 16.
Curiosidade: Os criadores estudaram nagashi blues dos anos 50.
Easter Egg: O violão usado por um músico é anacronicamente baseado nos nagashi modernos de Shinjuku.
Comentário: Um anime sobre viagem e música não poderia escapar dessa lista.



4) Showa Genroku Rakugo Shinjuu (昭和元禄落語心中)

Ano: 2016
Nagashi presente: músicos de izakaya que acompanham o rakugo itinerante.
Quem é: Artistas que vagam entre casas de espetáculo pobres e bares apertados.
Curiosidade: A produção entrevistou nagashi reais de Asakusa.
Easter Egg: O episódio 2 mostra um bar da vida real onde nagashi toca até hoje.
Comentário: Não é sobre música — é sobre alma.


5) Saraiya Goyou (さらい屋五葉 / House of Five Leaves)

Ano: 2010
Nagashi presente: o tocador de shamisen que aparece nos becos de Edo.
Quem é: Um músico frágil, que canta sobre solidão nas vielas.
Curiosidade: Baseado em músicas urbanas do período Edo.
Easter Egg: A letra de uma canção cita o rio Sumida, referência aos bardos antigos.
Comentário: Uma obra silenciosa como uma canção na madrugada.


6) Dororo (どろろ) – versão 2019

Ano: 2019
Nagashi presente: músicos errantes que aparecem em vilas destruídas pela guerra.
Quem são: Figuras tristes, mas poéticas, sempre com instrumentos simples.
Curiosidade: No mangá original havia mais músicos viajantes — a série manteve alguns.
Easter Egg: A canção de flauta do episódio 12 é inspirada em peças honkyoku tocadas por komusō.
Comentário: Música como eco da dor humana.


7) Tsurune (ツルネ —風舞高校弓道部—)

Ano: 2018
Nagashi presente: O músico idoso que toca shakuhachi no bosque.
Quem é: Um andarilho que aparece “só quando necessário”.
Curiosidade: Ele é inspirado em um nagashi real de Kyoto chamado “Shō-san”.
Easter Egg: A melodia dele é a mesma tocada em cerimônias zen.
Comentário: Pequena aparição, grande impacto.


8) Rurouni Kenshin (るろうに剣心)

Ano: 1996
Nagashi presente: O trovador cego do episódio 33.
Quem é: Um músico que testemunha histórias de violência com poesia.
Curiosidade: Episódio inspirado nas figuras de bardos errantes do período Bakumatsu.
Easter Egg: O título do episódio contém o kanji 流, referência direta ao “nagashi”.
Comentário: Kenshin sempre foi um anime sobre andarilhos — e esse músico é a alma do conceito.


9) Princess Mononoke (もののけ姫)

Ano: 1997
Nagashi presente: O músico andarilho do início, que narra lendas antigas.
Quem é: Uma das figuras mais discretas de Miyazaki.
Curiosidade: Baseado nos “katari-be”, contadores de histórias itinerantes.
Easter Egg: O instrumento dele é um híbrido histórico entre biwa e shamisen — não existe na vida real.
Comentário: Uma homenagem elegante aos músicos ancestrais.


10) Edo Rocket (エド☆ロック)

Ano: 2007
Nagashi presente: O flautista excêntrico das ruas de Edo.
Quem é: Um músico que tem mais conhecimento do que aparenta.
Curiosidade: Mistura ficção científica com teatro kabuki (!).
Easter Egg: O flautista é inspirado em um nagashi famoso da década de 1940.
Comentário: Um anime tão maluco que só poderia ter um nagashi.


🎤 CONCLUSÃO BELLACOSA MAINFRAME

O nagashi — o músico errante — ainda pulsa nas veias da cultura japonesa.
Ora como espírito ancestral, ora como poeta bêbado de izakaya, ora como guardião da memória.

E no mundo dos animes, ele é presença discreta, mas poderosa:
um acorde ao vento,
um shamisen ao fundo,
um viajante que passa, canta e segue.

Porque o nagashi, assim como a vida…
nunca para — apenas flui.


segunda-feira, 2 de abril de 2007

O que é Fita Perfurada em Mainframe?

 

Bellacosa Mainframe apresenta a fita perfurada no mainframe

O que é Fita Perfurada em Mainframe?

Muito antes dos discos rígidos, SSDs e até mesmo dos cartões perfurados se popularizarem nos computadores, outra tecnologia foi utilizada para armazenar programas e dados:

A Fita Perfurada (Paper Tape)

Ela foi uma das primeiras mídias de entrada de dados da história da computação e da automação industrial.

Embora tenha sido pouco utilizada nos grandes mainframes IBM em comparação com os cartões perfurados, a fita perfurada teve um papel importante na evolução da informática.


Definição simples

A fita perfurada era uma longa tira de papel onde informações eram representadas por furos.

Cada conjunto de furos correspondia a:

  • letras;

  • números;

  • símbolos;

  • comandos;

  • instruções de programas.

Assim como o cartão perfurado, os furos eram lidos por máquinas especiais.


Uma analogia simples

Imagine um rolo de papel de calculadora.

Agora imagine que, em vez de tinta, ele possui pequenos furos.

Cada conjunto de furos representa uma informação.

A máquina "lê" esses furos e interpreta os dados.


Origem da fita perfurada

A fita perfurada surgiu muito antes dos computadores modernos.

Ela começou a ser utilizada no século XIX em equipamentos como:

  • telégrafos;

  • teletipos;

  • sistemas ferroviários;

  • equipamentos industriais.

Mais tarde foi adaptada para computadores.


Como ela funcionava?

Cada posição da fita podia conter furos em diferentes colunas.

Esses furos representavam códigos binários.

Exemplo simplificado:

● ○ ● ○ ○ ● ○ ○

Cada combinação representava um caractere.


O padrão de 8 canais

O modelo mais conhecido utilizava:

8 trilhas (8 canais)

Cada coluna correspondia a um byte.

Existiam também fitas de:

  • 5 canais;

  • 6 canais;

  • 7 canais;

  • 8 canais.

Dependendo da aplicação.


Como os programas eram gravados?

O processo era semelhante ao dos cartões.

1. Digitação

O operador utilizava um perfurador.


2. Perfuração

A máquina fazia os furos na fita.


3. Leitura

Um leitor óptico ou mecânico interpretava os furos.


4. Execução

O computador recebia as informações.


Como era uma fita perfurada?

Visualmente parecia uma longa faixa de papel.

========================================

○ ● ○ ○ ● ○ ● ○ ○ ● ○

========================================

Ela podia ter:

  • poucos centímetros;

  • dezenas de metros.

Dependendo do programa.


Equipamentos utilizados

Paper Tape Punch

Máquina responsável por perfurar a fita.

Era equivalente ao Keypunch dos cartões.


Paper Tape Reader

Equipamento responsável por ler a fita.

Os sensores identificavam os furos e enviavam os dados ao computador.


Vantagens da fita perfurada

Contínua

Não havia limite de 80 colunas como nos cartões.


Baixo custo

Era barata de fabricar.


Fácil transporte

Ocupava menos espaço que milhares de cartões.


Simples

Tecnologia relativamente barata para a época.


Desvantagens

Muito frágil

O papel rasgava facilmente.


Difícil correção

Um erro normalmente exigia refazer parte da fita.


Desgaste

Após muitas leituras podia sofrer danos.


Baixa capacidade

Armazenava poucos dados comparada às tecnologias posteriores.


A fita perfurada foi usada em Mainframes IBM?

Sim, mas com uma ressalva importante.

Nos grandes mainframes IBM, especialmente a partir da linha System/360, a mídia dominante passou a ser o cartão perfurado de 80 colunas.

A fita perfurada foi mais comum em:

  • computadores científicos;

  • minicomputadores;

  • equipamentos industriais;

  • CNC;

  • laboratórios;

  • teleprocessamento;

  • sistemas militares.

Nos mainframes IBM ela existiu principalmente nos primeiros anos da computação, mas acabou sendo rapidamente substituída pelos cartões perfurados, que eram mais robustos e mais adequados ao processamento em lote (batch).


Fita perfurada x Cartão perfurado

Fita PerfuradaCartão Perfurado
Papel contínuoCartões individuais
Comprimento variável80 colunas por cartão
Mais compactaMais organizada
Mais frágilMais resistente
Muito usada em teleimpressoresMuito usada em mainframes IBM

Curiosidades incríveis

1. A fita perfurada nasceu antes dos computadores

Ela já era utilizada em sistemas telegráficos no século XIX.


2. Máquinas CNC utilizaram fitas perfuradas por muitos anos

Antes dos pendrives e redes industriais.


3. Muitos computadores das décadas de 1950 e 1960 aceitavam tanto cartões quanto fitas perfuradas

Dependendo do fabricante e da aplicação.


4. Hoje elas são peças de museu

Fitas perfuradas podem ser encontradas em museus de computação e engenharia.


Erros comuns de iniciantes

"Fita perfurada é a mesma coisa que fita magnética"

Não.

A fita perfurada é feita de papel com furos.

A fita magnética utiliza material magnético para gravar dados.


"Mainframes IBM usavam somente fita perfurada"

Não.

Os cartões perfurados tornaram-se a principal mídia de entrada de programas nos grandes mainframes IBM.


"Ela armazenava grandes quantidades de dados"

Sua capacidade era bastante limitada quando comparada às fitas magnéticas que surgiram depois.


Evolução das mídias de entrada de dados

Fita Perfurada
        ↓
Cartão Perfurado
        ↓
Fita Magnética (Reel)
        ↓
Cartridge
        ↓
Tape Library
        ↓
Storage em Disco
        ↓
Flash Storage
        ↓
Cloud Storage

Por que aprender sobre fita perfurada?

Mesmo sendo uma tecnologia histórica, ela ajuda a entender:

  • como surgiram os primeiros computadores;

  • a evolução das mídias de armazenamento e entrada de dados;

  • por que os cartões perfurados dominaram os mainframes IBM;

  • a origem do processamento batch e da automação industrial.


Conclusão

A fita perfurada foi uma das primeiras mídias utilizadas para inserir programas e dados em computadores e sistemas automatizados.

Embora tenha sido ofuscada pelos cartões perfurados no universo dos grandes mainframes IBM, ela desempenhou um papel fundamental na história da computação. Sua simplicidade abriu caminho para tecnologias mais robustas, como as fitas magnéticas, os cartridges e as modernas Tape Libraries, mostrando como a evolução do armazenamento sempre buscou mais capacidade, confiabilidade e eficiência.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988