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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Os primeiros screen-saver, nossos hilariantes protetores de tela

 

Bellacosa Mainframe e a era de ouro dos screen savers

Os primeiros screen-saver, nossos hilariantes protetores de tela

Ahhh, padawan… se teve uma coisa que os anos 1990 sabiam fazer bem, era transformar ociosidade em espetáculo digital.
Os protetores de tela (screen savers) eram o cinema do PC — uma pausa poética entre o trabalho no Word e o download no Napster.
E sim, o John Castaway era o superstar, mas ele não reinava sozinho naquele panteão de pixels.

Aqui vai a tríade sagrada dos protetores de tela noventistas, direto do templo Bellacosa da Nostalgia Digital:




🌀 1️⃣ Flying Toasters (After Dark, 1989)
O pioneiro dos ícones do nonsense digital.
Antes de John Castaway, antes até do Windows 95, já existiam as Flying Toasters — torradeiras voadoras com asas batendo em formação, cruzando o céu negro da sua tela.
Parte do lendário pacote After Dark da Berkeley Systems, esse protetor era pura ironia geek: totalmente inútil, absolutamente hipnótico.

Curiosidade Bellacosa:
As Flying Toasters foram tão populares que viraram camiseta, caneca e até capa de CD.
A Apple tentou proibir cópias porque dizia ter tido “a ideia” antes — mas perdeu a briga.
Hoje, são ícones de uma era em que software ainda tinha humor.




🌌 2️⃣ Mystify Your Mind (Windows 3.1 / 95 / 98)
O clássico oficial do Windows.
Linhas coloridas, em movimento suave, formando fractais psicodélicos que pareciam saídos de uma rave cósmica.
Era o “modo Zen” dos técnicos de informática: você deixava o PC parado e ficava hipnotizado pelas curvas dançando no CRT.

Curiosidade Bellacosa:
O “Mystify” foi criado por engenheiros da Microsoft em 1992, e tinha um bug curioso — quanto mais tempo o PC ficava ligado, mais lentas ficavam as curvas.
Era literalmente o screensaver envelhecendo com o computador. 🫠




🪟 3️⃣ Pipes 3D (Windows 95 Plus!)
Ah, o Pipes
Nada mais satisfatório do que ver aquelas tubulações infinitas sendo construídas em 3D, bloco por bloco, como se o Windows tivesse uma fábrica secreta de encanamento espacial.
Parecia inútil — e era — mas a sensação de ver o cano não se chocar consigo mesmo era quase catártica.

Curiosidade Bellacosa:
O “Pipes” usava um dos primeiros renderizadores 3D nativos do Windows, e sua aleatoriedade era tão pura que nunca repetia o mesmo desenho.
Pra muitos, foi o primeiro contato com geometria procedural — antes mesmo de jogos 3D populares.


🌠 Menções honrosas da galáxia screensaveriana:



  • Starfield Simulation (ou “viagem no espaço”) — o protetor que fazia você sentir que estava na Enterprise, viajando em dobra espacial.



  • Aquarium — peixinhos nadando, bolhas subindo, paz e nostalgia garantidas.



  • 3D Maze — o labirinto psicodélico que dava medo e fascínio em igual medida (e transformava o PC num pesadelo de xadrez vermelho).



  • Clock / Flying Windows / Logo Bouncing — simples, mas com aquele charme de sistema rodando a 60Hz e zumbindo como um modem feliz.




💭 Reflexão estilo Bellacosa Mainframe:


Os protetores de tela eram mais do que ferramentas contra o burn-in do monitor.
Eram janelas para a imaginação, pequenas obras de arte em movimento.
Em uma época sem redes sociais, sem YouTube, eles eram o screensaver da alma.
A gente deixava o PC sozinho, mas o PC nunca deixava a gente sem espetáculo.

✨ No fim, padawan, todo protetor de tela era uma metáfora da própria vida digital dos anos 90:

parado por fora, fervendo por dentro. 💾

#ElJefe #BellacosaMainframe #NostalgiaDigital #AfterDark #FlyingToasters #Pipes3D #Mystify #JohnCastaway #ScreensaverEra

segunda-feira, 2 de abril de 2007

O que é Fita Perfurada em Mainframe?

 

Bellacosa Mainframe apresenta a fita perfurada no mainframe

O que é Fita Perfurada em Mainframe?

Muito antes dos discos rígidos, SSDs e até mesmo dos cartões perfurados se popularizarem nos computadores, outra tecnologia foi utilizada para armazenar programas e dados:

A Fita Perfurada (Paper Tape)

Ela foi uma das primeiras mídias de entrada de dados da história da computação e da automação industrial.

Embora tenha sido pouco utilizada nos grandes mainframes IBM em comparação com os cartões perfurados, a fita perfurada teve um papel importante na evolução da informática.


Definição simples

A fita perfurada era uma longa tira de papel onde informações eram representadas por furos.

Cada conjunto de furos correspondia a:

  • letras;

  • números;

  • símbolos;

  • comandos;

  • instruções de programas.

Assim como o cartão perfurado, os furos eram lidos por máquinas especiais.


Uma analogia simples

Imagine um rolo de papel de calculadora.

Agora imagine que, em vez de tinta, ele possui pequenos furos.

Cada conjunto de furos representa uma informação.

A máquina "lê" esses furos e interpreta os dados.


Origem da fita perfurada

A fita perfurada surgiu muito antes dos computadores modernos.

Ela começou a ser utilizada no século XIX em equipamentos como:

  • telégrafos;

  • teletipos;

  • sistemas ferroviários;

  • equipamentos industriais.

Mais tarde foi adaptada para computadores.


Como ela funcionava?

Cada posição da fita podia conter furos em diferentes colunas.

Esses furos representavam códigos binários.

Exemplo simplificado:

● ○ ● ○ ○ ● ○ ○

Cada combinação representava um caractere.


O padrão de 8 canais

O modelo mais conhecido utilizava:

8 trilhas (8 canais)

Cada coluna correspondia a um byte.

Existiam também fitas de:

  • 5 canais;

  • 6 canais;

  • 7 canais;

  • 8 canais.

Dependendo da aplicação.


Como os programas eram gravados?

O processo era semelhante ao dos cartões.

1. Digitação

O operador utilizava um perfurador.


2. Perfuração

A máquina fazia os furos na fita.


3. Leitura

Um leitor óptico ou mecânico interpretava os furos.


4. Execução

O computador recebia as informações.


Como era uma fita perfurada?

Visualmente parecia uma longa faixa de papel.

========================================

○ ● ○ ○ ● ○ ● ○ ○ ● ○

========================================

Ela podia ter:

  • poucos centímetros;

  • dezenas de metros.

Dependendo do programa.


Equipamentos utilizados

Paper Tape Punch

Máquina responsável por perfurar a fita.

Era equivalente ao Keypunch dos cartões.


Paper Tape Reader

Equipamento responsável por ler a fita.

Os sensores identificavam os furos e enviavam os dados ao computador.


Vantagens da fita perfurada

Contínua

Não havia limite de 80 colunas como nos cartões.


Baixo custo

Era barata de fabricar.


Fácil transporte

Ocupava menos espaço que milhares de cartões.


Simples

Tecnologia relativamente barata para a época.


Desvantagens

Muito frágil

O papel rasgava facilmente.


Difícil correção

Um erro normalmente exigia refazer parte da fita.


Desgaste

Após muitas leituras podia sofrer danos.


Baixa capacidade

Armazenava poucos dados comparada às tecnologias posteriores.


A fita perfurada foi usada em Mainframes IBM?

Sim, mas com uma ressalva importante.

Nos grandes mainframes IBM, especialmente a partir da linha System/360, a mídia dominante passou a ser o cartão perfurado de 80 colunas.

A fita perfurada foi mais comum em:

  • computadores científicos;

  • minicomputadores;

  • equipamentos industriais;

  • CNC;

  • laboratórios;

  • teleprocessamento;

  • sistemas militares.

Nos mainframes IBM ela existiu principalmente nos primeiros anos da computação, mas acabou sendo rapidamente substituída pelos cartões perfurados, que eram mais robustos e mais adequados ao processamento em lote (batch).


Fita perfurada x Cartão perfurado

Fita PerfuradaCartão Perfurado
Papel contínuoCartões individuais
Comprimento variável80 colunas por cartão
Mais compactaMais organizada
Mais frágilMais resistente
Muito usada em teleimpressoresMuito usada em mainframes IBM

Curiosidades incríveis

1. A fita perfurada nasceu antes dos computadores

Ela já era utilizada em sistemas telegráficos no século XIX.


2. Máquinas CNC utilizaram fitas perfuradas por muitos anos

Antes dos pendrives e redes industriais.


3. Muitos computadores das décadas de 1950 e 1960 aceitavam tanto cartões quanto fitas perfuradas

Dependendo do fabricante e da aplicação.


4. Hoje elas são peças de museu

Fitas perfuradas podem ser encontradas em museus de computação e engenharia.


Erros comuns de iniciantes

"Fita perfurada é a mesma coisa que fita magnética"

Não.

A fita perfurada é feita de papel com furos.

A fita magnética utiliza material magnético para gravar dados.


"Mainframes IBM usavam somente fita perfurada"

Não.

Os cartões perfurados tornaram-se a principal mídia de entrada de programas nos grandes mainframes IBM.


"Ela armazenava grandes quantidades de dados"

Sua capacidade era bastante limitada quando comparada às fitas magnéticas que surgiram depois.


Evolução das mídias de entrada de dados

Fita Perfurada
        ↓
Cartão Perfurado
        ↓
Fita Magnética (Reel)
        ↓
Cartridge
        ↓
Tape Library
        ↓
Storage em Disco
        ↓
Flash Storage
        ↓
Cloud Storage

Por que aprender sobre fita perfurada?

Mesmo sendo uma tecnologia histórica, ela ajuda a entender:

  • como surgiram os primeiros computadores;

  • a evolução das mídias de armazenamento e entrada de dados;

  • por que os cartões perfurados dominaram os mainframes IBM;

  • a origem do processamento batch e da automação industrial.


Conclusão

A fita perfurada foi uma das primeiras mídias utilizadas para inserir programas e dados em computadores e sistemas automatizados.

Embora tenha sido ofuscada pelos cartões perfurados no universo dos grandes mainframes IBM, ela desempenhou um papel fundamental na história da computação. Sua simplicidade abriu caminho para tecnologias mais robustas, como as fitas magnéticas, os cartridges e as modernas Tape Libraries, mostrando como a evolução do armazenamento sempre buscou mais capacidade, confiabilidade e eficiência.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988