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sábado, 28 de maio de 2016

As pontes da maquete em Campinas

Bellacosa Mainframe e a maquete de pontes e ferromodelismo 

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As pontes da maquete em Campinas

Para entender meu fascínio pelo ferromodelismo, precisamos voltar muito antes desta visita à Estação Cultura de Campinas. Precisamos voltar à década de 1970.

Desde a infância sou apaixonado por trenzinhos.

E talvez a primeira explicação esteja no meu pai. Ele também gostava de trens e, de alguma maneira, legou-me esse fascínio. Antes que eu soubesse o que significavam palavras como ferromodelismo, diorama, escala HO ou escala N, já existia aquele encantamento infantil diante de uma pequena locomotiva dando voltas sobre os trilhos.

Meus primeiros trens eram brinquedos simples.

Trenzinhos a pilha.

Os trilhos de plástico formavam uma pista redonda ou, quando o conjunto permitia uma pequena extravagância ferroviária, um enorme oito no chão.

E aquilo bastava.

🚂 Tchuc-tchuc-tchuc...

A locomotiva passava novamente.

Mais uma volta.

E outra.

Para uma criança, entretanto, ela não estava simplesmente repetindo o mesmo percurso. Cada volta podia representar uma viagem diferente.



🚉 Os trens que eu não podia ter

É importante colocar essa lembrança dentro da realidade daquela época.

Éramos pobres.

Brinquedos sofisticados custavam caro e o orçamento familiar simplesmente não permitia determinadas extravagâncias. Um Ferrorama da Estrela já representava outro universo. E aqueles modelos ferroviários realistas, com locomotivas, vagões, trilhos, desvios, estações e acessórios em escalas como HO e N, muito mais.

Os modelos importados então pareciam pertencer a outro planeta.

Eu podia olhar.

Podia desejar.

Podia imaginar.

Mas não podia ter.

Curiosamente, isso não matou o fascínio.

Talvez tenha acontecido exatamente o contrário.

O desejo ficou guardado.



🛤️ Décadas depois...

O menino cresceu.

Passaram-se os anos, vieram computadores, trabalho, viagens, família, responsabilidades e milhares de quilômetros percorridos por ferrovias verdadeiras.

Mas alguma coisa permaneceu exatamente no mesmo lugar.

Quando encontro uma exposição ou um clube de ferromodelismo, ainda paro para olhar.

E não olho apenas para o trem.

Olho para tudo.

As pequenas casas.

Os postes.

As árvores.

As estações.

Os desvios.

Os túneis.

As passagens de nível.

As pontes.

Principalmente as pontes.

É impressionante pensar nas dezenas, centenas e às vezes milhares de horas de trabalho necessárias para construir um grande diorama ferroviário.

Uma pessoa olha durante cinco minutos.

O modelista talvez tenha trabalhado cinco meses naquela pequena paisagem.

🔎 Espionando cada detalhe da ferrovia

Foi exatamente isso que fiz naquela visita de 2016.

Espionando cada detalhe da ferrovia.

Uma ponte metálica em miniatura deixa de ser simplesmente uma ponte.

Começo a observar sua estrutura.

Como o trilho atravessa o vão?

Como foram reproduzidos os pilares?

Existe vegetação embaixo?

Há uma estrada?

Um riacho?

Algum pequeno personagem escondido por ali?

E então o trem aparece.

A locomotiva atravessa a ponte e desaparece alguns segundos depois dentro de um túnel.

Para um adulto, sabemos perfeitamente o que aconteceu: um pequeno motor elétrico movimentou uma locomotiva em escala através de alguns metros de trilhos.

Para aquele menino que ainda mora em algum lugar dentro de mim...

o trem acabou de atravessar uma montanha.

🏗️ Pequenos mundos construídos por gigantes

É por isso que tenho enorme respeito pelos clubes e pelos praticantes do ferromodelismo.

Eles não estão simplesmente brincando de trenzinho.

Estão construindo mundos.

Um bom diorama mistura pesquisa histórica, eletricidade, eletrônica, carpintaria, pintura, escultura, arquitetura, paisagismo e conhecimento ferroviário.

Uma pequena ponte pode exigir horas de trabalho.

Uma montanha precisa parecer montanha.

A vegetação precisa convencer nossos olhos de que aquelas árvores minúsculas cresceram ali.

Uma estação precisa ter proporções coerentes.

E uma locomotiva circulando por tudo isso finalmente dá vida à paisagem.

Por isso gosto de prestigiar esse trabalho.

Porque sei que aquilo que observo durante algumas horas pode representar anos da vida de outras pessoas.

🚦 Estação Cultura e a Cabine de Controle 2

Campinas possui ainda um ingrediente especial nessa história.

A antiga estrutura ferroviária da cidade.

Visitar a Estação Cultura já significa entrar em um lugar carregado de memória. E conhecer espaços como a famosa Cabine de Controle 2 transforma a experiência em algo ainda mais interessante.

Existe uma ligação maravilhosa entre esses dois mundos.

Do lado de fora está a ferrovia que existiu em tamanho real.

Dentro encontramos pessoas reconstruindo partes daquele universo em miniatura.

Estações que desapareceram podem reaparecer.

Locomotivas que já não circulam voltam aos trilhos.

Pontes podem ser reconstruídas.

Paisagens podem ser preservadas.

É quase uma pequena máquina do tempo ferroviária.

☕ Algumas horas novamente criança

Talvez seja exatamente por isso que continuo visitando exposições e clubes de ferromodelismo.

Não estou tentando comprar hoje todos os brinquedos que não pude ter na infância.

É algo muito mais interessante.

Estou preservando a capacidade de me maravilhar.

Durante algumas horas, desaparecem o analista de sistemas, os compromissos, os problemas, os boletos e todas aquelas coisas que inevitavelmente acompanham a vida adulta.

Fico olhando uma locomotiva desaparecer dentro de um túnel.

Espero alguns segundos.

Ela aparece do outro lado.

Passa pela pequena estação.

Cruza uma ponte.

Faz a curva.

E volta.

Exatamente como aquele velho trenzinho a pilha fazia décadas atrás.

Talvez seja esse o grande segredo do ferromodelismo.

A escala pode ser HO.

Pode ser N.

Pode ser outra qualquer.

Mas existe uma escala que nunca aparece escrita na caixa:

a escala da memória.

Nela, uma pequena locomotiva pode carregar uma infância inteira.

E toda vez que o trem completa mais uma volta pelo diorama, de alguma maneira também completo uma enorme volta através do tempo.

Volto à década de 1970.

Volto ao meu pai.

Volto ao chão de casa.

Volto àquela pista redonda.

E, durante alguns minutos, aquele homem parado diante da maquete da Estação Cultura volta a ser simplesmente um menino olhando maravilhado para seu trenzinho.

🚂 Tchuc-tchuc-tchuc...

Mais uma volta.

Só mais uma.

Um Café no Bellacosa Mainframe

Porque algumas máquinas nos levam para frente. Outras têm o extraordinário poder de nos levar de volta.

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Espionando cada detalhe da ferrovia.


A maquete do grupo de ferro-modelismo de Campinas tem diversos pontos de interesse cultural e arquitectónico. Neste diorama encontramos pontes de ferro, pontes em madeira, pontilhoes e passagens de nível.



A parte mais divertida é a reproduçao de um boteco com mesa de bilhar e uma casa vagão invadida por algum cigano.

São tantos detalhes que vale uma segunda e terceira visita. Lembrando que esta aberta a visitas todos os sábados.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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