Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta gestão de incidentes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gestão de incidentes. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de maio de 2026

☕🔥💣 O SYSprog PADAWAN E A ARTE DA GUERRA CONTRA O CAOS

 

Bellacosa Mainframe a arte da guerra contra o caos conheça o RCA

☕🔥💣 O SYSprog PADAWAN E A ARTE DA GUERRA CONTRA O CAOS

Root Cause Analysis no IBM Mainframe: Por Que Reiniciar o CICS Não Resolve Seus Problemas

Existe uma frase muito comum nos corredores dos data centers:

"Reinicia que volta."

Durante décadas ela funcionou.

O CICS travou?

Reinicia.

O batch falhou?

Roda de novo.

O MQ congestionou?

Dá STOP e START.

O JES2 ficou estranho?

Cancela alguns jobs.

O storage explodiu?

Aumenta a região.

O problema é que essa mentalidade criou gerações de profissionais especialistas em apagar incêndios, mas não necessariamente especialistas em eliminar incêndios.

E existe uma diferença gigantesca entre as duas coisas.

O verdadeiro profissional de Mainframe moderno não é aquele que resolve o incidente mais rápido.

É aquele que garante que o incidente nunca mais aconteça.

É aí que entra uma das disciplinas mais importantes da engenharia moderna:

Root Cause Analysis (RCA)

Ou, em português:

Análise de Causa Raiz

Uma habilidade que separa o operador comum do engenheiro de confiabilidade.


O INCIDENTE NÃO É O PROBLEMA

Este é talvez o conceito mais importante de todo o artigo.

Quando um sistema cai, aquilo que você vê não é o problema.

É apenas a consequência visível.

Imagine uma transação CICS que começa a responder lentamente.

O usuário reclama.

O suporte abre um chamado.

O operador percebe aumento de CPU.

O time de infraestrutura aumenta recursos.

Tudo parece resolvido.

Mas alguns dias depois o problema volta.

Por quê?

Porque ninguém investigou a causa raiz.

A lentidão era apenas um sintoma.

O problema verdadeiro talvez fosse:

  • SQL ineficiente

  • Índice DB2 corrompido

  • Loop em programa COBOL

  • Fila MQ congestionada

  • Deadlock de recursos

  • Automação mal configurada

Resolver o sintoma gera alívio.

Resolver a causa gera evolução.


O MAIOR PECADO DA TI MODERNA

A Harvard Business Review publicou um estudo mostrando que a maioria dos executivos acredita que suas organizações são ruins em diagnosticar problemas.

Isso não surpreende.

A cultura corporativa moderna recompensa velocidade.

Poucas vezes recompensa investigação.

A pressão é sempre:

"Volta o sistema agora."

Raramente alguém pergunta:

"Por que ele caiu?"

E menos ainda:

"Como impedimos que isso aconteça novamente?"


O DETETIVE DIGITAL

Um bom profissional de RCA pensa como um investigador.

Quando ocorre uma falha ele não procura imediatamente uma solução.

Primeiro procura evidências.

Ele coleta:

  • SYSLOG

  • JESMSGLG

  • SMF

  • RMF

  • Dumps

  • Traces

  • Mensagens CICS

  • Logs DB2

  • Eventos MQ

  • Métricas OMEGAMON

Cada informação conta parte da história.

Nenhum log isolado revela a verdade completa.

O segredo está na correlação.


O CASO DO BATCH QUE ATRASAVA TODA SEXTA-FEIRA

Vamos analisar um exemplo realista.

Toda sexta-feira o processamento noturno atrasava duas horas.

A primeira reação foi aumentar os initiators JES2.

Funcionou por algumas semanas.

Depois o atraso voltou.

Nova tentativa:

Mais CPU.

Mais memória.

Mais canais.

Nada resolveu.

Quando uma análise de causa raiz foi finalmente realizada, descobriu-se que um programa COBOL executava uma consulta DB2 sem índice adequado.

Toda sexta-feira havia crescimento no volume de dados.

A consulta que normalmente levava segundos passava a consumir minutos.

Um único SQL provocava efeito cascata em dezenas de jobs dependentes.

A verdadeira solução não foi comprar hardware.

Foi corrigir um SQL.


O MÉTODO DOS CINCO PORQUÊS

Uma técnica clássica de RCA é conhecida como:

Five Whys

Cinco Porquês.

Exemplo:

Problema:

Batch falhou.

Por quê?

Dataset estava bloqueado.

Por quê?

Outro job mantinha ENQ.

Por quê?

Entrou em loop.

Por quê?

SQL aguardava retries.

Por quê?

Índice DB2 estava inconsistente.

Agora temos a causa raiz.

Observe que a resposta verdadeira apareceu apenas após várias camadas de investigação.


O INIMIGO INVISÍVEL CHAMADO CULTURA

Muitas vezes a causa raiz não está no software.

Nem no hardware.

Nem na rede.

Está nas pessoas.

Considere o seguinte cenário.

Um deploy derruba produção.

A primeira conclusão costuma ser:

"O desenvolvedor errou."

Mas uma análise profunda pode revelar:

  • Prazo impossível

  • Falta de testes

  • Ausência de homologação

  • Pressão da gestão

  • Processo de aprovação falho

O erro humano foi apenas o último elo da corrente.

A verdadeira falha estava no sistema organizacional.


O MODELO DE CONGRUÊNCIA

Uma abordagem extremamente interessante utilizada em liderança organizacional é o Modelo de Congruência.

Ele analisa cinco dimensões:

Trabalho

O que precisa ser feito?

Dependências

Quem depende de quem?

Capacidades

As pessoas possuem conhecimento suficiente?

Estrutura

A organização facilita ou dificulta o trabalho?

Cultura

Os comportamentos desejados são incentivados?

No Mainframe isso é extremamente aplicável.

Não adianta investir milhões em Z17 se:

  • a equipe não recebe treinamento

  • a documentação está desatualizada

  • os processos são confusos

  • ninguém entende as integrações


O MAINFRAME MODERNO É UM ECOSSISTEMA

Nos anos 80 era relativamente fácil identificar falhas.

Hoje um único fluxo pode envolver:

  • COBOL

  • CICS

  • DB2

  • MQ

  • APIs REST

  • Kafka

  • Cloud

  • Linux on Z

  • Zowe

  • DevOps

A causa raiz pode estar em qualquer lugar.

Ou em vários lugares simultaneamente.

Por isso a investigação precisa ser sistêmica.


A ARMADILHA DO "SEMPRE FOI ASSIM"

Uma das causas mais perigosas de incidentes recorrentes é a complacência.

Frases famosas:

"Isso acontece às vezes."

"Sempre fizemos assim."

"Nunca deu problema."

São frases que deveriam acender alertas imediatos.

Porque normalmente escondem riscos acumulados durante anos.


COMO REALIZAR UM RCA NO MAINFRAME

Passo 1 — Definir o Problema

Não investigue algo genérico.

Errado:

"O sistema está ruim."

Correto:

"O CICS CICSPRD apresentou aumento de resposta de 0,3 para 8 segundos entre 14h e 15h."

Problemas bem definidos geram investigações eficientes.


Passo 2 — Coletar Evidências

Reúna:

  • logs

  • métricas

  • dumps

  • relatórios

  • eventos

Sem dados você possui apenas opiniões.


Passo 3 — Construir a Linha do Tempo

Pergunte:

O que aconteceu primeiro?

O que aconteceu depois?

Qual evento precedeu a falha?

Muitas causas aparecem quando organizamos os fatos cronologicamente.


Passo 4 — Correlacionar Eventos

Um erro aparentemente isolado pode estar conectado a dezenas de outros eventos.

O desafio é encontrar essas relações.


Passo 5 — Aplicar os Cinco Porquês

Continue perguntando:

Por quê?

Até chegar à origem.


Passo 6 — Validar a Hipótese

A hipótese precisa ser comprovada.

Não basta parecer correta.

Ela deve explicar:

  • o incidente

  • os sintomas

  • a recorrência


Passo 7 — Criar Plano de Ação

A correção deve:

  • eliminar a causa

  • reduzir riscos

  • ser mensurável


FERRAMENTAS ESSENCIAIS PARA RCA NO Z/OS

RMF

Identifica gargalos de performance.

SMF

Registra praticamente tudo que acontece.

IPCS

Análise de dumps.

OMEGAMON

Observabilidade avançada.

SDSF

Investigação operacional.

NetView

Correlação de eventos.

System Automation

Automação e recuperação.

JES2

Análise de filas, execução e spool.


O FUTURO: AIOPS E RCA AUTOMATIZADO

Estamos entrando em uma era fascinante.

Ferramentas modernas conseguem:

  • detectar anomalias

  • prever falhas

  • correlacionar eventos

  • sugerir causas prováveis

AIOps não substitui o analista.

Mas amplifica sua capacidade.

O profissional moderno utilizará IA para acelerar investigações complexas.


ONDE A MAIORIA DAS EMPRESAS ERRA

As falhas mais comuns são:

Falta de documentação

Sem histórico não existe aprendizado.

Ausência de postmortem

O incidente é resolvido e esquecido.

Busca por culpados

Pessoas escondem erros quando temem punição.

Falta de métricas

Sem observabilidade não existe RCA.

Correções paliativas

Workarounds substituem soluções definitivas.


COMO EVOLUIR SUA ORGANIZAÇÃO

Empresas maduras desenvolvem cultura de aprendizado.

Após cada incidente perguntam:

  • O que aconteceu?

  • Por que aconteceu?

  • Como detectamos?

  • Como evitaremos recorrência?

  • O que aprendemos?

Essa simples mudança transforma organizações.


O SYSprog PADAWAN E O MESTRE

O Padawan reinicia.

O Mestre investiga.

O Padawan fecha chamados.

O Mestre elimina problemas.

O Padawan trata sintomas.

O Mestre trata causas.

O Padawan celebra quando o sistema volta.

O Mestre celebra quando o sistema não cai novamente.

Essa é a verdadeira evolução profissional.


CONCLUSÃO

Root Cause Analysis não é apenas uma metodologia.

É uma filosofia.

É a diferença entre sobreviver e evoluir.

No mundo do IBM Z17, DevOps, observabilidade, automação e inteligência artificial, a capacidade de descobrir a causa raiz tornou-se uma das habilidades mais valiosas da engenharia moderna.

Porque reiniciar um sistema pode resolver um incidente.

Mas apenas entender a causa raiz pode impedir que ele volte.

E é exatamente isso que separa um operador de console de um arquiteto da estabilidade.

No final das contas, o verdadeiro inimigo nunca foi o abend.

Nunca foi o dump.

Nunca foi o job cancelado.

O verdadeiro inimigo sempre foi aquilo que ninguém investigou.


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

PADAWAN, O PROBLEMA NÃO ESTÁ ONDE O ABEND ACONTECEU! Executando Root Cause Analysis (RCA) em Ambiente Mainframe

Bellacosa Mainframe e root cause analysis


☕💣🚨 PADAWAN, O PROBLEMA NÃO ESTÁ ONDE O ABEND ACONTECEU!

Executando Root Cause Analysis (RCA) em Ambiente Mainframe

Como Encontrar a Verdadeira Causa do Incidente e Não Apenas o Sintoma

Uma das maiores armadilhas no mundo Mainframe é acreditar que o erro está exatamente onde ele apareceu.

O operador vê um S0C7.

O desenvolvedor vê um SQLCODE -911.

O analista vê um JOB FAILED.

O gerente vê um SLA perdido.

Mas o verdadeiro culpado pode estar escondido horas, dias ou até semanas antes do incidente.

É exatamente para isso que existe a Root Cause Analysis (RCA).


O Que é Root Cause Analysis?

Root Cause Analysis é um processo estruturado utilizado para descobrir:

  • O que aconteceu

  • Por que aconteceu

  • Como aconteceu

  • Como impedir que aconteça novamente

O objetivo NÃO é:

❌ Encontrar culpados

O objetivo é:

✅ Encontrar causas

Existe uma enorme diferença entre:

Sintoma

e

Causa Raiz

Exemplo:

Sintoma:

JOB ABC123 ABEND S0C7

Causa raiz:

Arquivo recebido com campo numérico inválido

Sem RCA você corrige o programa.

Com RCA você corrige o processo.


O Modelo Bellacosa de RCA

Costumo ensinar que a investigação deve seguir 5 perguntas:

1. O que falhou?
2. Onde falhou?
3. Quando começou?
4. O que mudou?
5. Qual evento iniciou a cadeia?

A quinta pergunta normalmente encontra a causa raiz.


Caso Real Simulado

Imagine o seguinte cenário:

Às 03:15 da manhã:

JOB FINPAY01
ABEND S0C7

Sistema financeiro parado.

Pagamento não processado.

Telefone do plantão toca.

Você entra na guerra.


Passo 1 – Não Entre em Pânico

Primeiro erro dos iniciantes:

ABEND → Corrigir programa

Errado.

Primeiro precisamos coletar evidências.


Passo 2 – Capturar Informações Básicas

Anote:

Job Name
Step Name
Programa
Hora
Sistema
Código de retorno

Exemplo:

JOB:
FINPAY01

STEP:
CALCPAY

PROGRAMA:
PAYROLL

ABEND:
S0C7

HORA:
03:15

Agora temos o ponto inicial.


Passo 3 – Analisar JESMSGLG

Abrir:

SDSF
ST
?

Verificar:

JESMSGLG

Perguntas:

  • Houve mensagens antes do abend?

  • Dataset estava disponível?

  • Houve timeout?

  • Houve atraso?

Exemplo:

RECORD READ SUCCESSFULLY

Logo antes do erro:

INVALID DATA DETECTED

Primeira pista encontrada.


Passo 4 – Analisar SYSOUT

Agora olhamos:

SYSOUT
SYSPRINT
SYSUDUMP
CEEDUMP

Dependendo da aplicação.

Encontramos:

FIELD SALARY
VALUE = ABC123

O campo deveria ser numérico.


Passo 5 – Confirmar no Dump

No dump:

OFFSET X'03A2'

Instrução:

PACK

O programa tentou converter:

ABC123

para número.

Resultado:

S0C7

Até aqui temos:

O QUE aconteceu

Mas ainda não temos:

POR QUE aconteceu

Erro Comum da Equipe

Muitas equipes param aqui.

Produzem um relatório:

Causa:
Campo inválido.

Isso NÃO é RCA.

Isso é apenas descrição do sintoma.


Passo 6 – Rastrear a Origem do Dado

Pergunta:

Quem criou esse registro?

Abrimos o fluxo.

FINPAY01
↓
FINLOAD
↓
FTPIN
↓
Arquivo Externo

Agora começamos a enxergar a cadeia de eventos.


Passo 7 – Reconstruir a Linha do Tempo

Uma RCA boa sempre monta uma timeline.

01:00 Arquivo recebido

01:05 FTP concluído

01:10 Processo de carga

03:15 Abende S0C7

Agora investigamos:

O que mudou entre ontem e hoje?

Passo 8 – Procurar Mudanças

A pergunta mais poderosa da RCA:

O que mudou?

90% dos incidentes começam aqui.

Verificamos:

  • Mudança de software

  • Novo fornecedor

  • Nova versão

  • Alteração de layout

  • Mudança de parâmetro

Descobrimos:

Fornecedor alterou layout do arquivo

Ontem:

SALARY PIC 9(8)

Hoje:

SALARY PIC X(8)

E começou a enviar:

ABC123

Finalmente Encontramos a Causa Raiz

Sintoma:

S0C7

Causa imediata:

Campo não numérico

Causa raiz:

Mudança de layout
não comunicada
pelo fornecedor

Agora sim temos RCA.


Técnica dos 5 Porquês

Muito utilizada em bancos e seguradoras.

Pergunte repetidamente:

Por que houve S0C7?

Porque havia valor inválido.

Por que havia valor inválido?

Porque o campo veio alfanumérico.

Por que veio alfanumérico?

Porque o layout mudou.

Por que o layout mudou?

Porque fornecedor implantou nova versão.

Por que ninguém percebeu?

Porque não existia validação de layout.

Causa raiz:

Ausência de validação contratual
do arquivo recebido

Observe:

Não era COBOL.

Não era Mainframe.

Não era operador.

Era falha de processo.


Técnica do Diagrama de Ishikawa

Também chamado:

Fishbone Diagram

Categorias comuns:

Pessoas
Processos
Tecnologia
Dados
Infraestrutura
Mudanças

Exemplo:

S0C7
│
├── Dados
│   └ Campo inválido
│
├── Processo
│   └ Sem validação
│
├── Mudança
│   └ Layout alterado
│
└── Governança
    └ Sem comunicação

Esse modelo é excelente para incidentes complexos.


RCA em Problemas de Performance

Outro exemplo.

Sintoma:

Batch passou de
20 minutos para 4 horas

Investigação:

CPU normal
Memória normal
I/O elevado

Descoberta:

Índice DB2 ficou REORG pendente

Sintoma:

Batch lento

Causa raiz:

Janela de manutenção não executada

Novamente:

A causa raiz não era o batch.


RCA em Problemas de CICS

Sintoma:

AICA

Timeout.

Investigação:

CICS esperando DB2

DB2 esperando:

Lock

Lock causado por:

Batch noturno

Batch preso por:

Dataset indisponível

Causa raiz:

Dataset não montado

O AICA era apenas o último dominó da cadeia.


Estrutura de um Relatório RCA Profissional

INCIDENTE:
Batch FINPAY01 falhou.

IMPACTO:
Pagamento não processado.

SINTOMA:
ABEND S0C7.

CAUSA IMEDIATA:
Campo SALARY inválido.

CAUSA RAIZ:
Fornecedor alterou layout sem aviso.

AÇÃO CORRETIVA:
Correção do layout.

AÇÃO PREVENTIVA:
Validação automática de arquivo.

RESPONSÁVEL:
Equipe de Integração.

PRAZO:
15 dias.

O Segredo dos Grandes Especialistas Mainframe

Os profissionais mais experientes não são aqueles que sabem mais comandos.

São aqueles que conseguem responder:

Por que isso aconteceu?

Porque o verdadeiro trabalho de um especialista não é apagar incêndios.

É descobrir quem acendeu o fósforo.

Quando você domina RCA, deixa de ser apenas alguém que resolve abends e passa a ser alguém que elimina problemas da raiz, reduz incidentes recorrentes e se torna uma das pessoas mais valiosas dentro da operação Mainframe.

E é exatamente nesse momento que você deixa de ser um simples operador de mensagens e passa a pensar como um verdadeiro detetive de sistemas IBM Z. ☕🚀🔎