| Bellacosa Mainframe e a viagem sem visibilidade na SP 065 |
SP 065: Viagem sem visibilidade
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
| Bellacosa Mainframe e a viagem sem visibilidade na SP 065 |
| Bellacosa Mainframe e o entardecer na SP 065 |
| Bellacosa Mainframe e a rodovia constancio cintra |
Existem estradas que servem apenas para chegar a algum lugar. E existem aquelas em que o próprio caminho faz parte da viagem. A SP-360, Rodovia Engenheiro Constâncio Cintra, especialmente no trecho entre Itatiba e Morungaba, pertence ao segundo grupo.
Naquele passeio de fevereiro de 2016, estávamos deixando Itatiba em direção a Morungaba com uma pequena missão: levar o Formiguinha para conhecer o Rio Jaguari e a estação de satélites da Embratel.
Mas antes mesmo de chegarmos ao destino, a estrada já proporcionava sua própria aventura.
A SP-360 havia recebido melhorias naquele período, com asfalto recapeado, nova sinalização e alguns trechos duplicados. Mesmo assim, continuava preservando uma de suas características mais marcantes: as curvas. Muitas curvas!
Conforme o carro avança, a paisagem urbana de Itatiba vai ficando para trás e começam a aparecer morros, vegetação, propriedades rurais e aquele horizonte característico do interior paulista. É uma estrada que convida a diminuir um pouco a velocidade e simplesmente observar o cenário.
Em determinados pontos, cada curva parece abrir uma nova janela para a paisagem.
E talvez seja justamente isso que transforme um passeio aparentemente simples em memória.
Naquele dia, Morungaba era o destino, mas o Rio Jaguari e as enormes antenas ainda estavam alguns quilômetros adiante. Antes deles havia a estrada, as conversas dentro do carro, a curiosidade do Formiguinha e uma câmera registrando um pequeno pedaço daquele momento.
Dez anos depois, o vídeo ganha outro significado.
Não registra apenas a SP-360 em 2016.
Registra uma tarde comum que, sem percebermos, acabou se transformando em história.
| Bellacosa Mainframe e a rodovia dom pedro rumo a Atibaia |
A Rodovia Dom Pedro I, no sentido de Atibaia, é uma estrada bastante retilínea, construída principalmente para cumprir sua função de ligação entre cidades. Não há muitos pontos particularmente interessantes pelo caminho e, em vários trechos, a paisagem é relativamente simples.
Mas talvez seja justamente aí que esteja a graça deste registro.
Capturei um pouco da nossa voltinha pela Dom Pedro sem nenhuma grande pretensão: apenas registrar a estrada, o movimento, a paisagem e aquilo que existia ao redor naquele momento.
Hoje pode parecer apenas uma viagem comum.
Daqui a dez, vinte ou trinta anos, porém, este vídeo poderá mostrar coisas que nem percebemos enquanto passávamos por elas: placas que desapareceram, acessos modificados, novos bairros, construções, postos, vegetação, veículos de outra época e até mudanças na própria pista.
Uma pequena cápsula do tempo rodoviária.
Porque às vezes não filmamos um lugar pelo que ele tem de extraordinário hoje.
Filmamos para descobrir, no futuro, o quanto aquilo que parecia absolutamente comum mudou sem que percebêssemos.
Halloween chegou, e como manda o JCL cultural, é tempo de puxar do arquivo morto aquelas histórias que deixam o SYSOUT tremendo, que fazem o dataset da alma fragmentar, que instalam no peito um ABEND UFFF de pura geladeira na espinha.
Pois hoje eu revisito uma lembrança real.
Nada de lenda urbana, nada de filme de terror italiano mal dublado.
Eu estava lá.
Eu ouvi.
Eu tremi.
E até hoje não sabemos o que foi.
| Bellacosa Mainframe e o lendario fusquinha vermelho quebrou na estrada |
Antes do Dandan nascer, quando a unidade de produção familiar tinha apenas 4 membros — meu pai, minha mãe, minha irmã e este pequeno Bellacosa que vos escreve.
Meu pai, claro, era o cavaleiro da estrada, volante de caminhão, de ônibus, de táxi e principalmente de nosso Fusca vermelho, o cão fiel de batalha, todo remendado mas sempre indo… até aquela noite.
Rodovia provavelmente era a Washington Luiz, quando interior ainda era silêncio e pasto infinito, pista sem movimento e nenhuma base de apoio, nada de SOS, nada SAT, nada celular.
Era tudo no modo raiz, olho no farol e fé no carburador.
Mas o velho Fusquinha, nessa noite — parou.
Simples assim.
Morreu no escuro mais preto que alma de político.
| Bellacosa Mainframe escuridao total olhos assustadores nos vigiam |
Meus pais empurram o carro para o acostamento.
Tampa do motor aberta.
Lanterna fraca, quase sem pilha — um fio de luz impotente tentando domar um universo de trevas.
Meu pai mexe no motor.
Minha mãe segura a lanterna.
Nós, duas crianças, dentro do carro, mudinhas, duras, coração batendo mais forte que pistão de Opala SS.
Nenhum carro.
Nenhuma casa.
Nenhum poste de luz.
Só o vento e o breu.
E então, do absolutamente nada — o grito.
— IAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Um urro rasgado.
Animal?
Humano?
Morto-vivo?
ET da Dutra?
Não sabemos.
Gelou a espinha.
Meu cérebro infantil formatou no mesmo instante.
Olhei pro rosto dos adultos e vi algo terrível: eles também estavam com medo.
E quando adulto treme — a criança implode.
Silêncio.
Depois de alguns minutos…
IAHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Mais alto.
Mais perto.
E assim madrugada adentro — o grito vinha, sumia, voltava.
Nós quatro encolhidos dentro de um carro morto no fim do mundo.
Sem saber se dali sairíamos a pé… ou carregados.
| Bellacosa Mainframe e a alegria do amanhecer espantando todos os horrores |
Só quando o sol tocou o asfalto é que um caminhoneiro apareceu.
Meu pai pegou carona, voltou com guincho, o Fusquinha foi remendado num posto de beira de estrada e seguimos viagem.
Vivos.
Inteiros.
Mas com a alma marcada como fita magnética arranhada.
Porque o IAHAAAAAAAAAAAAA
até hoje ecoa.
| Bellacosa Mainframe e o guincho do resgate |
Não era rádio.
Não era bicho conhecido.
Não era gente pedindo socorro.
Era alguma coisa.
Talvez perdida entre mundos.
Talvez só querendo companhia.
Ou talvez — e essa é a versão que prefiro —
foi o Halloween que chegou adiantado naquela madrugada.
Bellacosa, encerrando transmissão com o farol apagando, motor engasgando, e o grito distante ainda sussurrando no spool mental:
IAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA…
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👨💻 Perfil no LinkedIn 📚 Assinar "Aprenda mais no Bellacosa Mainframe" ☕ Acompanhar "Um Café no Bellacosa Mainframe"IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.